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Arquivos Brasileiros de Oftalmologia

versão impressa ISSN 0004-2749versão On-line ISSN 1678-2925

Arq. Bras. Oftalmol. vol.72 no.4 São Paulo jul./ago. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27492009000400005 

ARTIGO ORIGINAL

 

Incidência e fatores de risco da retinopatia da prematuridade no Hospital Universitário Onofre Lopes, Natal (RN) - Brasil

 

Incidence and risk factors of retinopathy of prematurity in University Hospital Onofre Lopes, Natal (RN) - Brazil

 

 

Aline Macêdo PinheiroI; Wallace Andrino da SilvaII; Cíntia Glenda Freitas BessaII; Hélida Machado CunhaII; Maria Ângela Fernandes FerreiraIII; Alexandre Henrique Bezerra GomesIV

IDoutoranda da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN - Natal (RN) - Brasil
IIDoutorando da UFRN - Natal (RN) - Brasil
IIIProfessora adjunta do Programa de Pós-graduação em Odontologia Social da UFRN - Natal (RN) - Brasil
IVProfessor auxiliar I do Departamento de Oftalmologia da UFRN - Natal (RN) - Brasil e Médico Oftalmologista do Hospital Universitário Onofre Lopes - HUOL - Natal (RN) - Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVOS: Determinar a incidência de retinopatia da prematuridade e avaliar os principais fatores de risco implicados no seu desenvolvimento.
MÉTODOS: Estudo coorte retrospectivo de base hospitalar realizado no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, no Hospital Universitário Onofre Lopes, Natal (RN) - Brasil. A amostra foi composta por 663 recém-nascidos, com idade gestacional < 36 semanas e/ou peso ao nascimento < 1.500 g e submetidas ao protocolo de retinopatia da prematuridade existente no ambulatório de oftalmologia do hospital. As variáveis estudadas foram: gênero, peso ao nascimento, idade gestacional, tempo de oxigenioterapia, ventilação mecânica, sepse e transfusão sanguínea. Os dados foram analisados por meio dos testes do qui-quadrado, exato de Fisher e da regressão logística múltipla.
RESULTADOS: Entre os 663 prontuários, retinopatia da prematuridade ocorreu em 414 casos (62,4%). Do total da amostra, 338 (51,0%) eram do sexo masculino e 282 (42,5%) do feminino. As médias e os desvios-padrão do peso, da idade gestacional e do tempo de oxigenioterapia foram, respectivamente, 1.334,9 ± 345,6 g, 31,9 ± 2,3 semanas e 10,0 ± 14,0 dias. A incidência de retinopatia em prematuros no período foi de 62,4%, com 58,0% dos casos em 2004, 67,2% em 2005 e 63,0% em 2006. A análise de regressão logística múltipla demonstrou que o peso <1.000 g (p<0,001; ORaj=17,18; IC= 6,52-45,29) e entre 1.000 g a 1.500 g (p=0,002; ORaj=4,20; IC= 1,68-10,48), o tempo de oxigenioterapia >20 dias (p=0,022; ORaj=3,40; IC= 1,19-9,69) e a transfusão sanguínea (p=0,022; ORaj=2,06; IC= 1,11-3,83) são fatores independentes de risco para a doença.
CONCLUSÕES: O estudo demonstra uma alta incidência da patologia no serviço. O baixo peso ao nascer, um tempo prolongado de oxigenoterapia, bem como a transfusão sanguínea são fatores associados ao desenvolvimento da retinopatia da prematuridade. Idade gestacional não é um dado confiável para a triagem dos neonatos realizada pelo setor.

Descritores: Retinopatia da prematuridade/epidemiologia; Fatores de risco; Recém-nascido, prematuro; Recém-nascido, de baixo peso


ABSTRACT

PURPOSES: To determine the incidence of retinopathy of prematurity and assess the main risk factors involved in its development.
METHODS: Retrospective cohort study carried out from January 2004 to December 2006, at University Hospital Onofre Lopes, Natal (RN) - Brazil. The sample was composed of 663 newborns, with less than or equal to 36 weeks of gestational age and/or birth weight less than or equal to 1,500 g, submitted to the protocol of retinopathy of prematurity in the ophthalmology department of the hospital. The variables were: gender, birth weight, gestational age, duration of oxygen therapy, mechanical ventilation, sepsis and blood transfusion. Data were analyzed through the chi-squared test, Fisher's exact test and logistic regression model.
RESULTS: Of the 663 cases, retinopathy of prematurity occurred in 414 (62.4%). Of the total sample, 338 (51.0%) were male and 282 (42.5%) female. Mean and standard deviation of weight, gestational age and duration of oxygen therapy were, respectively, 1,334.9 ± 345.6 g, 31.9 ± 2.3 weeks and 10.0 ± 14.0 days. The incidence of retinopathy in premature newborns in the period was 62.4%, 58.0% of cases in 2004, 67.2% in 2005 and 63.0% in 2006. The multiple logistic regression analysis showed that the weight less than 1,000 g (p<0.001; adjOR=17.18, CI= 6.52-45.29) and between 1,000 g and 1,500 g (p=0.002; adjOR -4.20 CI= 1.68-10.48), the time of oxygen lounger than 20 days (p=0.022; adjOR=3.40, CI= 1.19-9.69) and blood transfusion (p=0.022; adjOR -2.06, CI= 1.11-3.83) are independent factors for the disease.
CONCLUSIONS: The study showed a high incidence of the disease in the service. A low birth weight, a prolonged oxygen therapy and blood transfusion are factors associated with the development of retinopathy of prematurity. Gestational age is not a reliable parameter for screening of newborns in the service.

Keywords: Retinopathy of prematurity/epidemiology; Risk factors; Newborn infant, premature; Newborn infant, low birth weight


 

 

INTRODUÇÃO

A retinopatia da prematuridade (ROP) é uma doença vasoproliferativa da retina, de etiologia multifatorial(1), relacionada principalmente à prematuridade, oxigenioterapia prolongada(1-2) e ao baixo peso ao nascer. Além desses, podemos citar outros fatores de risco, tais como: gemelaridade, sepse, transfusão sanguínea, hemorragia intraventricular, fototerapia, apnéia e anemia(1-2).

Apresenta uma fase inicial aguda e assintomática, na qual a vasculogênese normal é interrompida e a retina imatura apresenta uma transformação e proliferação celular. Tal fase pode evoluir para um processo fibrótico ou involuir espontaneamente, o que ocorre na maioria dos casos(1,3).

Nos EUA, a retinopatia da prematuridade é a segunda causa mais comum de cegueira entre crianças com menos de 6 anos de idade e é estimado que de cada 100.000 crianças latino-americanas cegas, 24.000 os são em consequência da ROP(4).

Atualmente, com o avanço das unidades de terapia intensiva neonatais, a sobrevida de recém-nascidos cada vez mais prematuros e com baixo peso vem aumentando e, por conseguinte, a ocorrência de ROP está se tornando cada vez maior(5). Essa temática torna-se ainda mais importante em países com níveis intermediários de desenvolvimento humano, nos quais o número de unidades neonatais supera os programas de triagem e tratamento para ROP(5).

No Brasil, a cegueira causada pela ROP adquiriu importância como problema de saúde pública a partir de um simpósio sobre ROP em 2002, que foi patrocinado através de uma parceria de organizações brasileiras de oftalmologia e pediatria e de organizações não-governamentais(6).

O objetivo desse estudo é determinar a incidência de ROP no serviço de oftalmologia do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) e avaliar os principais fatores de risco implicados no seu desenvolvimento.

 

MÉTODOS

Desenho do estudo

Trata-se de um estudo coorte retrospectivo realizado a partir da análise de prontuários dos neonatos prematuros atendidos, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, no serviço de oftalmologia do HUOL, em Natal (RN) - Brasil.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Onofre Lopes (CEP - HUOL), sob o protocolo 131/07.

Cálculo e critérios de seleção da amostra

O cálculo da amostra foi obtido a partir de um estudo piloto, onde se verificou uma probabilidade de exposição (peso < 1.500 g) de 41,8% entre neonatos não acometidos por ROP. A partir dessa probabilidade e de uma odds ratio estimada em 2, um nível de confiança de 99% e um poder de 80%, determinou-se uma amostra mínima de 192 pacientes para cada grupo (com ROP e sem ROP).

Foram incluídos recém-nascidos com idade gestacional (IG) < 36 semanas e/ou peso ao nascimento < 1.500 g, submetidos ao protocolo de ROP existente no ambulatório de oftalmologia. Foram excluídos da amostra aqueles cujo preenchimento quanto à presença ou ausência da ROP estava ausente e os que não possuíam registros sobre IG e peso ao nascimento.

Foram selecionados 663 prontuários de acordo com os critérios de inclusão estabelecidos, sendo 414 com ROP e 249 sem ROP.

Coleta e análise dos dados

A extração dos dados foi realizada a partir das informações contidas nos protocolos de atendimento do setor de oftalmologia.

As variáveis coletadas foram: a presença ou não de ROP - variável dependente - e gênero, peso ao nascimento, IG, ocorrência de sepse, recebimento de transfusão sanguínea, tempo de exposição ao oxigênio (capuz, pressão positiva de vias aéreas - CPAP ou ventilação mecânica) e emprego de ventilação mecânica - variáveis independentes.

O preenchimento do protocolo foi realizado pelo médico oftalmologista na 4ª a 6ª semana de vida, conforme preconizado na literatura. O diagnóstico da ROP foi aferido mediante exame fundoscópico sob midríase (fenilefrina a 2,5% e tropicamida a 0,5%). As características da criança e da mãe foram obtidas através do prontuário do paciente cujo preenchimento ocorreu na unidade onde transcorreu seu nascimento. Nesta, a IG foi adquirida através de ultrassonografia (USG), data da última menstruação (DUM) ou pelo método de Capurro.

Análise estatística

A análise descritiva foi realizada através de números absolutos e porcentuais das variáveis qualitativas e medidas de tendência central - médias e seus, respectivos, desvios-padrão, das variáveis quantitativas.

Na análise univariada, o teste qui-quadrado e o teste exato de Fisher foram utilizados para determinar a associação entre as variáveis independentes e o desfecho (ROP). A magnitude do efeito dos fatores de risco sobre o desfecho foi expressa através da odds ratio (OR). Ficou determinado um nível de confiança de 95%, sendo considerado significativo, portanto, os valores com p<0,05.

A análise do efeito independente das variáveis intervenientes sobre o desfecho (ROP) foi realizada através da regressão logística múltipla, utilizando-se a modelagem do tipo backward. Todas aquelas que apresentaram p<0,20 no teste de associação foram incluídas no processo de modelagem. O ajuste do modelo foi determinado pelo teste de Hosmer - Lemeshow.

Para as análises estatísticas foi utilizado o programa "Statistic Package for Social Sciences (SPSS) for Windows", versão 13.0.

 

RESULTADOS

A população estudada foi composta por 663 neonatos, sendo 338 (51,0%) do sexo masculino. A média do peso ao nascimento foi igual a 1.334,9 ± 345,6 g. A idade gestacional variou de 23,0 a 39,6 semanas, sendo a média igual a 31,9 ± 2,3 semanas. A média do tempo de oxigenioterapia foi igual a 10,0 ± 14,0 dias. Foram submetidos à ventilação mecânica 233 (35,1%) pacientes; 304 (45,9%) prematuros tiveram sepse neonatal e 185 (27,9%) receberam transfusão sanguínea (Tabela 1).

 

 

A prevalência total de ROP no serviço, durante o período analisado, foi de 62,4%, correspondendo a 414 casos. O grupo sem ROP foi composto por 249 pacientes (37,5%). A distribuição de casos por ano se encontra demonstrada no gráfico 1.

 

 

Na análise univariada, as variáveis - peso <1.000 g, o peso de 1.000 g - 1.500 g, a IG <28 g, o tempo de oxigenioterapia de 11-20 dias e >20 dias, o uso de ventilação mecânica, a ocorrência de sepse e o emprego de transfusão sanguínea - apresentaram associação estatisticamente significativa (p<0,05) com o desenvolvimento da ROP. Por outro lado, o gênero, a IG >34 semanas e o tempo de oxigenioterapia < 10 dias não mostraram qualquer relação (p>0,05) (Tabela 2).

 

 

A análise de regressão logística múltipla demonstrou que o peso <1.000 g (ORaj=17,18; IC= 6,52-45,29) e entre 1.000 g a 1.500 g (ORaj=4,20; IC= 1,68-10,48), o tempo de oxigenioterapia >20 dias (p=0,022; ORaj=3,40; IC=1,19-9,69) e a transfusão sanguínea (ORaj=2,06; IC= 1,11-3,83) são fatores de risco independente para a ROP. O teste de Hosmer-Lemeshow apresentou valor de 0,716. (Tabela 3)

 

 

DISCUSSÃO

ROP continua sendo uma importante causa de cegueira prevenível no mundo(7). Isso decorre, especialmente, do aumento nas taxas de sobrevidas de bebês muito prematuros com o desenvolvimento das unidades de terapia intensiva neonatais.

A incidência de ROP no nosso serviço se mostrou bastante alta, particularmente quando comparada com aquelas encontradas na literatura. De uma maneira geral, os estudos demonstram uma prevalência que varia de 13,2% a 36,4%(8-16). Um estudo transversal realizado, em 2000, na Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), em Natal (RN), evidenciou uma incidência de 28%(17).

Apenas a investigação realizada pelo estudo "Early Treatment for Retinopathy of Prematurity" (ETROP)(18) detectou incidência de 68%, semelhante aos nossos resultados. Vale ressaltar, no entanto, que sua amostra era constituída apenas por recém-nascidos de peso <1.251 g.

A alta frequência verificada em nosso estudo, muito provavelmente, se deve ao fato da amostra ter sido originada do setor de oftalmologia do HUOL, que é referência em atendimento de pré-termos da rede pública de saúde do Estado, o que permitiu maior detecção de casos.

Vale salientar ainda que o protocolo para ROP foi instaurado no hospital em 1998, o que permitiu uma padronização nos critérios diagnósticos e, consequentemente, uma maior confiabilidade nos dados obtidos.

Da mesma forma, a idade gestacional, a ventilação mecânica e a ocorrência de sepse não se mantiveram como fatores independentes de risco para a ocorrência de ROP após a análise multivariada. Alguns trabalhos na literatura estão em consonância com esse achado(6,15,19-20), enquanto outros apontam a sepse como fator de risco(11,21-23).

Embora diversos autores(9-10,13,16,19,21-24) descrevam a influência da IG no desenvolvimento da ROP, no nosso estudo essa variável não se mostrou significativa quando submetida à análise multivariada, estando em conformidade com alguns relatos(11,15,20,25). Isso, provavelmente, deve-se à baixa confiabilidade na determinação da idade gestacional em nosso Estado cuja definição se dá, em sua maioria, a partir da data da última menstruação (DUM) materna e/ou método de Capurro, os quais são bastante imprecisos. Em razão do baixo poder aquisitivo da população assistida, a USG do primeiro semestre, que possibilita medida mais acurada da IG, ainda é rara em nosso meio.

Em razão disso, o ponto de corte da IG para triagem, em nosso Estado, é de 35 semanas e não 32 semanas como preconizado no Brasil. Pois, a utilização de 32 semanas como ponto de corte poderia deixar passar prematuros que necessitem de avaliação oftalmológica.

Já no que se refere às variáveis, peso ao nascimento, tempo de oxigenioterapia e transfusão sanguínea, foi encontrada uma expressiva associação com o desenvolvimento de ROP.

Os dados deste estudo demonstraram que quanto menor o peso, maior a chance em desenvolver a doença, o que está de acordo com a maioria dos estudos que apontam para o muito baixo peso como fator de risco para aquisição da ROP(6,11,15,17,19-27).

Tanto é que o peso <1.500 g corresponde a um dos critérios de avaliação para a doença e encontra-se presente nos principais "guidelines" elaborados por instituições internacionais (Academia Americana de Pediatria - AAP, Associação Americana para Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo e Academia Americana de Oftalmologia) e nacionais (Sociedade Brasileira de Pediatria, Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica).

O baixo peso como fator de risco sugere que fatores envolvidos no crescimento e desenvolvimento do indivíduo estejam implicados na etiologia dessa patologia. Trabalho feito em animais(26) e fundamentado em achados clínicos aponta o fator-1 de crescimento insulina-símile (IGF-1), o qual já é sabidamente importante no crescimento e desenvolvimento fetal, como participante fundamental na formação vascular retiniana. O nível sérico de IGF-1 se correlaciona com o crescimento fetal. Com isso, uma expressão menor desse fator contribuiria para um feto com peso reduzido e, portanto, com maior risco para ROP(26).

No que se refere ao tempo de oxigenioterapia, assim como apresentado em diversos outros resultados da literatura(11,14-15,19-22,24,27), é um importante fator a ser levado em consideração no rastreamento de casos.

Os níveis arteriais de oxigênio interferem na formação vascular retiniana do neonato. A terapia de suplementação com oxigênio, geralmente empregada em prematuros, expõe a retina à pressão arterial de oxigênio (PaO2) variando de 60 a 100 mmHg. Normalmente, a vascularização retiniana se processa intra-útero sob baixas pressões de oxigênio - PaO2 igual a 30 mmHg.

Numa primeira fase, a hiperóxia provoca obliteração dos vasos já formados e suprime a produção do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), comprometendo a angiogênese e causando hipóxia retiniana. Num segundo momento, essa hipóxia estimula um aumento do VEGF e, com isso, provoca uma neovascularização patológica. Ambas as alterações contribuem sobremaneira para o desenvolvimento da doença(26).

O recebimento de transfusão sanguínea também expõe o prematuro ao desenvolvimento da doença. Alguns trabalhos atribuem esse risco às alterações hemodinâmicas durante a transfusão em bebês prematuros que têm volume sanguíneo reduzido. Além disso, as hemácias adultas, devido a sua menor afinidade pelo oxigênio, poderiam causar toxicidade tecidual pela maior liberação desse elemento no tecido retiniano(11,28).

A avaliação das características dos recém-nascidos prematuros e de seus fatores de risco é fundamental para identificar o grupo de risco e, consequentemente, tornar mais eficaz sua triagem, possibilitando a prevenção da cegueira e reduzindo a incidência da ROP ao longo do tempo.

 

CONCLUSÃO

A alta incidência de ROP em infantes prematuros no HUOL e sua potencial causa de cegueiras servem de alerta para a importância do protocolo de triagem oftalmológica nas primeiras semanas de vida e para a necessidade de acompanhamento desse pacientes.

Prevenção da prematuridade e parcimônia nas condutas de uso de oxigênio e transfusão sanguínea em unidades de terapia intensiva neonatais poderão contribuir para a redução futura da incidência de ROP no serviço.

A insignificância da idade gestacional sinaliza para a necessidade de aprimoramento na obtenção dessa variável e para sua inutilidade como critério de triagem nos compreendidos ente 34 e 36 semanas. Sugerimos então 34 semanas como sendo o ponto de corte na triagem dos recém-nascidos se aproximando da realidade proposta pelo grupo ROP Brasil.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos à Dra. Isa Maria Hetzel de Macedo, professora do Departamento de Saúde Coletiva e do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva (NESC) da UFRN e à Dra. Cláudia Rodrigues Souza Maia, professora do Departamento de Pediatria e Neonatologista da MEJC, pelas inestimáveis colaborações e disponibilidade em dividir seus conhecimentos para conosco.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Aline Macêdo Pinheiro
Rua Alto da Serra, 146 - Conjunto dos Bancários
Natal (RN) CEP 59068-740
E-mail: aline_mpinheiro@yahoo.com.br

Recebido para publicação em 30.08.2008
Última versão recebida em 05.05.2009
Aprovação em 20.05.2009

 

 

Trabalho realizado no Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN - Natal (RN) - Brasil.
Nota Editorial: Depois de concluída a análise do artigo sob sigilo editorial e com a anuência do Dr. Augusto Paranhos Jr. sobre a divulgação de seu nome como revisor, agradecemos sua participação neste processo.

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