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Arquivos de Neuro-Psiquiatria

Print version ISSN 0004-282X

Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.45 no.4 São Paulo Dec. 1987

https://doi.org/10.1590/S0004-282X1987000400001 

Líquido cefalorraqueano e neurocisticercose: aspectos evolutivos da resposta inflamatória celular

 

Cerebrospinal fluid and neurocysticercosis: evolutional features of cellular inflammatory response

 

 

L. R. Machado

Médico Assistente. Resumo da Tese de Doutoramento realizada no Centro de Investigações em Neurologia do DN, FMUSP. Pesquisa parcialmente financiada por FINEP, Financiadora de Estudos e Projetos - Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (DN.FMUSP)

 

 


RESUMO

Foram estudadas 357 amostras de LCR de 40 pacientes com neurocisticercose, submetidos a tratamento medicamentoso com praziquantel associado a dexametasona. No sentido de avaliar aspectos evolutivos do componente celular da resposta inflamatória, foram programadas, para cada paciente, avaliações do exame de LCR em 13 oportunidades: por ocasião do dagnóstico; durante o tratamento; e posteriormente, a intervalos prefixados até completar dois anos de evolução. Foi utilizada metodologia adequada ao estudo citológico e citomorfológico, bem como à quantificação de linfócitos B e T. Para determinação de subpopulações T-ativa, T-sensibilizada e T-ávidas foram utilizados, como marcadores de superfície, receptores para hemácias de carneiro. O grupo controle é constituído de 50 pacientes com cefaléia crônica e que não apresentavam alterações ao exame físico e ao exame neurológico. Em todos, o exame de LCR estava dentro dos limites normais. Linfócitos B e T não apresentavam alterações no exame inicial de LCR; não houve modificações no seu comportamento durante toda a evolução. Os elementos da resposta inflamatória celular capazes de fornecer informações significativas acerca do perfil evolutivo em estudo foram: o número de células, a presença e o número de polimorfonucleares neutrófilos e de células eosinófilas e a quantificação de subpopulações T-ativa e T-sensibilizada. A presença de polimorfonucleares neutrófilos embora influenciada pela ação dos corticosteróides e pela presença de sistema de derivação do trânsito do LCR, pode constituir-se em elemento qualitativo sugestivo de atividade inflamatória. Os valores percentuais para linfócitos T-ativos, diminuídos na primeira amostra, e T-sensibilizados, aumentados na primeira amostra, podem ser indicadores quantitativos e qualitativos adequados a reconhecer a vigência de atividade inflamatória local no sistema LCR; estas subpopulações linfocitárias, com alterações significativas em 63,2% dos pacientes no exame inicial, não são influenciadas significativamente pelo uso de corticosteróides. Os valores de eosinófilos e de linfócitos T-sensibilizados estão significativamente aumentados em pacientes que apresentaram complicações clínicas durante o período de acompanhamento após o tratamento; subpopulação de linfócitos T-ativos estava significativamente diminuída nestes casos. O número de células e a presença de eosinófilos são os elementos da resposta inflamatória celular relacionáveis a tipos de alterações detectadas pela tomografia computadorizada do crânio. Os elementos da resposta inflamatória celular estudados não apresentam correlação significativa entre si, podendo traduzir cada um deles aspectos particulares da reação inflamatória celular no SNC em pacientes com neurocisticercose.


SUMMARY

In order to evaluate the cellular component of the inflammatory chronic response, 357 cerebrospinal fluid (CSF) samples from 40 patients with neurocysticercosis (iNC) were studied. All patients were treated with usual doses of praziquantel (50mg/kg/day during 21 days) associated with dexamethasone (12mg/day). NC diagnosis has been performed considering three basic criteria: the clinical evaluation, the CSF examination, the computed tomography findings. A total of 13 samples from each case for a follow-up period of two years was scheduled. Total cell count, cytomorphologic profile, B and T cells, and T-active, T-sensitized and T-avid subpopulations were considered. T-cell receptor was studied by rosette-forming capacity with sheep red blood cells; normal values were previously characterized in a normal control group. Normal values were demonstrated for B and T-cell levels in the first CSF sample for all cases; no significant alterations occured during two years evolution. Neutrophil cells, although influenced by previous CSF shunts, could show qualitative indication of improvement six mounths after treatment. T-active (median: 29,7; range: 8,1 to 59,8) and T-sensitized (median: 44,4; range: 16,0 to 67,0) lymphocyte subpopulations could show effective qualitative and quantitative indications of inflammatory improvement 12 to 15 months after treatment. Regression study as well as Kendall concordance tests were not significative for all components in all samples. This can demonstrate a particular significance and information content for each cellular component of inflammatory response in neurocysticercosis.


 

 

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