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Arquivos de Neuro-Psiquiatria

Print version ISSN 0004-282X

Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.52 no.3 São Paulo Sept. 1994

https://doi.org/10.1590/S0004-282X1994000300009 

Hipertensão arterial na fase aguda do infarto cerebral: inquérito sobre a prática corrente em um hospital universitário

 

Hypertension in the acute phase of ischemic stroke: a survey of current practice in a university hospital

 

 

Charles André

Estudo realizado no Serviço de Neurologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (Chefia: Prof. Sérgio Novis): Médico Neurologista do HUCFF-UFRJ

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Avaliar a conduta médica corrente diante de níveis tensionais elevados na fase hiperaguda do infarto cerebral (IC) em um ambiente universitario.
MÉTODOS: Foi aplicado questionário para preenchimento imediato a professores/médicos do staff e a residentes das áreas clínica e cirúrgica (serviços de neurologia e neurocirurgia excluídos). Foi apresentado o caso clínico de paciente hipertenso, lúcido, admitido nas primeiras 8 horas do IC (TC normal) com hipertensão não complicada (TA=186/110 mm Hg). Os médicos deveriam deliberar sobre a conduta médica adequada: elevação vs. redução da TA vs. expectante.
RESULTADOS: 44 médicos responderam à pergunta formulada. 27 (61%) indicaram a redução da TA como a melhor conduta. Os resultados foram semelhantes quando analisados diferentes subgrupos: staff, 11/17 (65%); residentes 16/27 (60%); especialidades clínicas 20/30 (67%); cirúrgicas 6/12 (50%).
COMENTÁRIOS e CONCLUSÕES: Na fase hiperaguda do IC deve-se, em primeiro lugar, evitar dano adicional área de penumbra isquêmica - por hipoxia, hipoglicemia e especialmente redução adicional do fluxo sanguíneo cerebral. Deve-se assim reconhecer precocemente e tratar a falência cardíaca e, principalmente, evitar redução deletéria da TA. Este estudo sugere que conceitos básicos de fisiopatologia da lesão isquêmica e de manejo na fase aguda do IC não são conhecidos por nossa comunidade universitária. A constatação de que residentes compartilham desta ignorância indica a necessidade urgente de difusão eficaz destes conceitos durante o período de graduação. O ambiente das 'stroke units' é provavelmente ideal para simultaneamente optimizar o cuidado aos pacientes e ensinar os princípios que regem este tratamento a número crescente de médicos em formação.

Palavras-chave: educação médica, graduação, hipertensão arterial, infarto cerebral.


SUMMARY

PURPOSE: Evaluate current practice in a university hospital on management of high blood-pressure in patients in the acute phase of brain infarction (BI).
METHODS: A case report of a lucid patient admitted 8 hours after onset of a BI with normal CT and high blood pressure (BP= 186/110 mmHg) was presented to staff members and resident physicians (departments of neurology and neurosurgery excluded). Responders were asked to decide as to the best therapeutic option: no treatment/ reduction/ elevation of BP.
RESULTS: 27 of 44 responders (61%) considered BP reduction as the best treatment option. The same trend was observed among residents (16/27: 60%) and staff members (11/17: 65%); among surgeons (6/12: 50%) and clinicians (20/30: 67%).
CONCLUSIONS: BP reduction in the hyperacute phase of BI may be harmfull. This basic concept of BI management has not been adequately assimilated by physicians of our university hospital, including those recently graduated. The results of this study signal to the urgent need of a wide diffusion of current concepts on pathophysiology and treatment of BI. Organization of stroke units may contribute to better patient management, medical education and research.

Key words: cerebral infarction, arterial hipertension, education, medical, internship and medical residence.


 

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

 

 

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Aceite: 6-março-1994.

 

 

Dr. Charles André - Serviço de Neurologia, Hospital Universitário Clementino Fraga Filho UFRJ - Av. Brigadeiro Trompowsky s/n°, 10° andar, Ilha do Fundão - 21941-590 - Rio de Janeiro RJ - Brasil.

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