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Bragantia

Print version ISSN 0006-8705On-line version ISSN 1678-4499

Bragantia vol. 56 n. 1 Campinas  1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0006-87051997000100004 

MELHORAMENTO DO TOMATEIRO:
II. PROCEDIMENTO DE GARDNER E EBERHART NA ANÁLISE HETERÓTICA DE CARACTERÍSTICAS MORFOAGRONÔMICAS E DA QUALIDADE DOS FRUTOS(1)

 

ANTÔNIO TEIXEIRA DO AMARAL JÚNIOR(2), VICENTE WAGNER DIAS CASALI(3), COSME DAMIÃO CRUZ(4), FERNANDO LUIZ FINGER(3) e CARLOS ALBERTO SCAPIM(4)

 

 

RESUMO

Cinco cultivares de tomateiro (Lycopersicon esculentum Mill.) - Ângela I.5100, Floradade, IPA-05, Jumbo AG-592 e Santa Clara - e seus p (p - 1)/2 cruzamentos foram avaliados quanto a dez características morfoagronômicas e cinco relacionadas à qualidade dos frutos, pelo método de Gardner e Eberhart. Os resultados evidenciaram suficiente variabilidade entre os parentais para a maioria das características, indicando uma situação favorável à aplicação do melhoramento genético. A potencialização das características 'teor de carotenóides totais' e 'conteúdo de betacaroteno' nos frutos poderá ser alcançada por meio dos intercruzamentos envolvendo os cultivares Ângela I.5100, Floradade e Jumbo AG-592, enquanto apenas a combinação Jumbo AG-592 x Ângela I.5100 revelou possibilidade de incrementos nos teores de vitamina C. Considerando-se conjuntamente as características morfoagronômicas e as relacionadas à qualidade dos frutos, conclui-se que os cultivares Ângela I.5100, Floradade e Santa Clara são os de maior potencial para compor intercruzamentos.

Termos de indexação: Lycopersicon esculentum, análise dialélica, heterose.

 

ABSTRACT

TOMATO BREEDING: II. GARDNER AND EBERHART'S METHODOLOGY ANALYSIS OF HETEROSIS RELATED TO MORPHOLOGYCAL CHARACTERISTICS AND FRUIT QUALITY

Tomato cultivars Ângela I.5100, Floradade, IPA-05, Jumbo AG-592, Santa Clara and their diallel crosses, not including reciprocals, were evaluated as to ten morphologycal and five fruit quality traits, using Gardner and Eberhart's methodology. Enough variability among parental was detected for the majority of the studied traits. The results clearly indicated that significant increases in total carotenoid and beta-carotene contents are to be expected in crosses involving Ângela I.5100, Floradade and Jumbo AG-592 while the cross AG-592 x Ângela I.5100 is the most proper for increases in vitamin C content. Taking into account all the characters tested, cultivar Ângela I.5100, Floradade and Santa Clara showed the best potentials for plant breding purposes.

Index terms: Lycopersicon esculentum, diallel analysis, heterosis.

 

 

1. INTRODUÇÃO

O estudo de efeitos heteróticos assume grande importância para diversas características, nas mais variadas culturas, particularmente naquelas que, em geral, apresentam diversidade inexpressiva, como a espécie Lycopersicon esculentum, em decorrência da inerente autogamia de suas populações (Mello, 1987). Nesse aspecto, quando são avaliadas características não apenas morfoagronômicas, mas também da qualidade dos frutos, a análise heterótica torna-se ainda mais relevante, haja vista a acentuada deficiência em conteúdos vitamínicos do tomateiro (Grierson & Kader, 1986).

Para tanto, o método de Gardner & Eberhart (1966) apresenta-se como alternativa viável, por permitir detalhado estudo da heterose, mediante parametrizações analíticas (Cruz & Regazzi, 1994).

Por conseguinte, desenvolveu-se o presente trabalho, em que se objetiva avaliar os efeitos da heterose média, varietal e específica entre parentais e híbridos de tomateiro, em relação a dez características morfoagronômicas e cinco relacionadas à qualidade dos frutos, empregando-se o método de Gardner & Eberhart (1966) para análise dialélica.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

Os cultivares de tomateiro Ângela I.5100 (IAC), Floradade (Importada), IPA-05 (IPA), Jumbo AG-592 (Agroceres) e Santa Clara (IAC) foram cruzados em um sistema dialélico, não se fazendo distinção entre os recíprocos.

Efetuou-se o processo de obtenção das sementes híbridas pela manhã, das 5h30min às 10h, optando-se pela emasculação precoce dos estames, em botões florais usados como genitores femininos, com quatro a cinco dias de desenvolvimento. Passados oito dias, os estigmas dos botões emasculados receberam o pólen, pelo pincelamento com cotonete de algodão embebido em uma solução de sacarose a 15%, conforme preconizado por Pavan & Braz (1994). Os frutos viáveis foram colhidos após a completa maturação, procedendo-se à extração e fermentação das sementes, que, em seguida, foram armazenadas em recipientes de papel, devidamente identificados e acondicionados em refrigerador à temperatura de 4-5oC.

Os híbridos e parentais foram cultivados em casa de vegetação, em vasos com 5 L de capacidade, contendo uma mistura de terra, esterco e areia, na proporção de 2,5:2,5:1 respectivamente. Cada vaso recebeu 40 g da formulação química 4-14-8, 70 g de calcário e 0,9 g de brassicol. Efetuaram-se adubações com micronutrientes em intervalos de 20 dias, totalizando oito aplicações, utilizando-se 200 mL por vaso da solução de Hoagland & Arnon (1950).

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com quinze tratamentos e nove repetições. Realizou-se um total de dez colheitas, nas quais se avaliaram quinze características, sendo dez morfoagronômicas e cinco relativas à qualidade do fruto.

As características morfoagronômicas foram examinadas durante todo o ciclo da cultura, enquanto as de qualidade do fruto, à exceção do teor de sólidos solúveis, foram avaliadas em condições de laboratório, durante quinze dias, utilizando-se um fruto-padrão (característica de coloração e maturação semelhante) do terceiro cacho de cada planta. As características morfoagronômicas estimadas foram:

a) número total de frutos (NTF) - obtido pela contagem de todos os frutos produzidos nas unidades experimentais;

b) produção total de frutos (PTF) - expressa em g, definida pela pesagem de todos os frutos colhidos nas unidades experimentais;

c) produção média dos frutos (PMF) - expressa em g, calculada pela razão entre PTF e NTF;

d) altura média de inserção dos cachos (ALTc) - expressa em cm, proveniente da medição da altura dos cachos de todas as plantas das unidades experimentais, por meio de uma trena graduada em mm;

e) altura final (ALTfi) - expressa em cm, obtida pela medição da altura total de todas as plantas, por meio de uma trena graduada em mm, por ocasião da última colheita;

f) comprimento longitudinal médio (CLM) - expresso em cm, determinado pela medição longitudinal, após um corte no fruto no mesmo sentido, por meio de uma régua graduada em mm, em uma amostra de cinco frutos de cada planta em cada colheita;

g) comprimento transversal médio (CTM) - expresso em cm, obtido pela medição transversal, após um corte no fruto no mesmo sentido, por meio de uma régua graduada em mm, em uma amostra de cinco frutos de cada planta em cada colheita;

h) espessura média do pericarpo (EMP) - expressa em cm, estimada pela medição do pericarpo, após um corte transversal no fruto, por meio de uma régua graduada em mm, em uma amostra de cinco frutos de cada planta em cada colheita;

i) número médio de lóculos (NML) - definido pela contagem do número de lóculos em uma amostra de cinco frutos em cada planta e em cada colheita;

j) número médio de sementes (NMS) - determinado pela contagem do número de sementes em uma amostra de cinco frutos em cada planta e em cada colheita.

Quanto às características da qualidade dos frutos, avaliaram-se as seguintes:

a) teor de sólidos solúveis (TSS) - expresso em oBrix, obtido pelo uso de um refratômetro manual, pelo gotejamento de extrato filtrado em gaze, em uma amostra de cinco frutos de cada planta e em cada colheita;

b) teor de carotenóides totais (CAROT) - expresso em mg/100 g, em uma amostra de cerca de 20 g do pericarpo de um fruto do terceiro cacho de cada planta;

c) teor de licopeno (LICOP) - expresso em percentagem, em uma amostra de cerca de 20 g do pericarpo de um fruto do terceiro cacho de cada planta;

d) teor de betacaroteno (BETAC) - expresso em mg/100 g, em uma amostra de cerca de 20 g do pericarpo de um fruto do terceiro cacho de cada planta;

e) teor de vitamina C (VIT C) - expresso em mg/100 g, em uma amostra de 10 g do pericarpo de um fruto do terceiro cacho de cada planta.

As características CAROT, LICOP e BETAC foram avaliadas segundo Zscheile & Porter (1947), com base em Análise Espectrofotométrica. No procedimento analítico, amostras do pericarpo da porção mediana dos frutos, contendo cerca de 20 g, foram introduzidas em recipientes de vidro contendo 20 mL de acetona, os quais foram cobertos com papel alumínio e acondicionados em congelador; em seguida, as amostras foram trituradas em um béquer de 250 mL por meio de um misturador "Master Mix", juntamente com 60 mL de hexano aquecido a 60oC. Passou-se o triturado em filtro de porcelana, contendo papel-filtro como meio separador, sob ação de vácuo, transferindo-o em seguida, para um funil de separação de 250 mL, disposto verticalmente em um suporte de madeira adaptado para esse fim. Após a separação das fases, eluiu-se o imiscível basal, procedendo-se, por duas vezes, à lavagem com água destilada e eluição do sobnadante. Adicionaram-se, então, 20 mL de metanol a 90%, efetuando-se a eluição do imiscível basal, após a completa separação das fases, repetindo-se a operação com as seqüenciais adições de 20 mL de hidróxido de potássio a 20% e 20 mL de metanol a 90%.

Retirou-se uma alíquota de 0,5 mL da amostra, diluindo-a com hexano, até o volume final de 6 ou 10 mL, conforme a necessidade de adequação da leitura espectrofotométrica para intervalos de absorvância entre 0,1 e 0,6, considerados como confiáveis.

Realizaram-se, finalmente, as leituras espectrofotométricas e quantificaram-se os teores de carotenóides totais, licopeno e beta-caroteno pelas expressões:

 

56n1a2bfo1.GIF (1726 bytes)

em que m.a. é a massa da amostra

56n1a2bfo2.GIF (1840 bytes)

 

56n1a2bfo2b.GIF (1726 bytes)

A quantificação da vitamina C baseou-se na Análise Titulométrica, de acordo com o proposto por Pregolatto & Pregolatto (1985), adotando-se como critério a utilização de frutos provenientes apenas do terceiro cacho e que fossem semelhantes quanto ao estádio de maturação. De cada fruto, em sua porção mediana, foi retirada uma amostra de 10 g do pericarpo, a qual foi macerada em almofariz contendo 20 mL de ácido sulfúrico a 20%. O extrato foi passado em papel-filtro e a solução, transferida para um béquer de 50 mL, adicionando-se 1 mL de amido de milho dissolvido em 100 mL de água aquecida a 60oC e 1 mL de iodeto de potássio a 10%. Para a quantificação da vitamina C, usou-se a seguinte relação: 1 mL de iodato de potássio a 0,001 N = 0,08806 mg de ácido ascórbico. Ao aplicar o método de Gardner & Eberhart (1966), obteve-se a estimativa dos efeitos da média (m), das variedades (vi e vj) e da heterose (h, hi, hj e sij), pelos seguintes modelos estatísticos:

56n1a2bfo3.GIF (520 bytes)

56n1a2bfo4.GIF (590 bytes)

56n1a2bfo5.GIF (795 bytes)

56n1a2bfo6.GIF (842 bytes)

em que:

Yij é o valor médio observado para um parental (i = j) ou para uma combinação híbrida (i ¹ j);
m é o efeito da média;
vi e vj são os efeitos das variedades parentais i e j respectivamente;
q é o coeficiente condicional da heterose (q = 0, se i = j; e q = 1, se i ¹ ¹ j);
é o efeito da heterose média;
hi e hj são os efeitos das heteroses das variedades i e j respectivamente;
Sij é o efeito da heterose específica do cruzamento entre o i-ésimo e j-ésimo parentais;
eij. é o erro experimental médio.

Por meio dos modelos apresentados, foi calculada a soma de quadrados de parâmetros para cada um e, por diferença, a contribuição de cada efeito. O esquema da análise da variância é apresentado no quadro 1.

 

56n1a2bq1.GIF (11271 bytes)

Em que:

equa1.gif (9375 bytes)

Em decorrência, as seguintes expressões podem ser enunciadas:

equa2.gif (9890 bytes)

= SQ (Heterose Específica) = SQ (Heterose) - SQ (Heterose Média)- SQ (Heterose Varietal).

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Análise da variância para variedades e heteroses

No quadro 2 é apresentada a análise da variância para variedades e heterose, incluindo a decomposição desta última em heterose média, varietal e específica, em relação às quinze características avaliadas. Pode-se verificar que os quadrados médios associados aos efeitos de genótipos, variedades e heterose foram significativos (P < 0,05), com exceção da heterose para a característica PTF.

 

56n1a2bq2.GIF (40679 bytes)

 

O desdobramento dos efeitos da heterose em heterose média, varietal e específica, revelou que: (a) para heterose média, apenas as características NTF, PTF, PMF, ALTc e LICOP mostraram-se com ausência de significância; (b) em relação à heterose varietal, a ausência de significância ocorreu somente para ALTfi e LICOP, e (c) a heterose específica foi significativa para a quase totalidade das características, tendo em vista a não-significância para somente PTF e ALTc (Quadro 2).

A significância do quadrado médio para heterose média em relação às características ALTfi, CLM, CTM, EMP, NML, NMS, TSS, CAROT, BETAC e VIT C (Quadro 2) indica que há suficiente divergência genética entre os parentais estudados, resultando numa situação favorável à aplicação do melhoramento genético. A variabilidade, embora existente, não provocou diferenças na resposta heterótico-varietal para ALTfi, donde se conclui que não houve dispersão suficiente para expressar a significância heterótica.

A despeito da reduzida variabilidade entre os parentais, para as características NTF, PTF, PMF e ALTc, atestada pela ausência de significância de h, ainda assim, houve variabilidade bastante para provocar efeito diferencial para heterose varietal (Quadro 2).

Tal fato atesta que pelo menos alguns parentais diferem suficientemente entre si, quanto às freqüências gênicas médias ou quanto ao grau de dispersão dessas freqüências (Vencovsky, 1970).

A significância da heterose específica para NTF, PMF e LICOP constitui a principal parcela do efeito de dominância, provavelmente porque as freqüências gênicas de pelo menos parte dos genitores diferem suficientemente ou porque houve efeito favorável nas complementações gênicas dos cruzamentos em que participam.

3.2 Estimativas dos efeitos de variedades

O quadro 3 contém as estimativas dos efeitos de variedades (foVi.gif (313 bytes)), de suas médias e os respectivos desvios-padrão (DP), bem como os desvios-padrão entre duas variedades quaisquer para as quinze características avaliadas.

 

56n1a2bq3.GIF (47177 bytes)

 

Para as características NTF e PTF, observa-se que as variedades com as maiores estimativas positivas defoVi.gif (313 bytes) foram 3 (Ângela I.5100) e 1 (Santa Clara), portanto esses cultivares são os de maior potencial "per se" ou para serem utilizados em cruzamentos, visando à seleção de linhagens com número e massa de frutos maiores. Já em relação a PMF, CTM e NML, apenas a variedade 5 (Floradade) apresentou efeito positivo defoVi.gif (313 bytes), sendo por conseguinte, a única com satisfatória potencialidade para a obtenção frutos com massa, comprimento transversal e número de lóculos maiores.

Quanto às características ALTc e ALTfi, as variedades 3 (Ângela I.5100), 2 (Jumbo AG-592) e 1 (Santa Clara), nessa ordem, foram as que exibiram os maiores efeitos positivos de foVi.gif (313 bytes). Logo, as variedades 4 (IPA-05) e 5 (Floradade), com seus valores negativos defoVi.gif (313 bytes), não seriam interessantes para serem utilizadas em hibridações visando à extração de linhagens ou exploração "per se".

No tocante às características CLM e EMP, constataram-se valores positivos defoVi.gif (313 bytes) para as varie- dades 1 (Santa Clara), 2 (Jumbo AG-592) e 3 (Ângela I.5100), o que lhes conferiu preferência em termos de programas de melhoramento intrapopulacionais, quando se objetivam frutos com comprimento longitudinal mais expressivo e maior espessura do pericarpo.

Analisando-se a característica NMS, percebe-se que as duas únicas variedades com efeitos posi- tivos parafoVi.gif (313 bytes) foram 2 (Jumbo AG-592) e 5 (Floradade). Assim, se utilizadas em programas de melhoramento envolvendo hibridações, poderão contribuir para a obtenção de frutos com maior número de sementes.

A característica TSS revelou duas variedades com potencial para intercruzamentos, haja vista seus valores positivos defoVi.gif (313 bytes) : 1 (Santa Clara) e 3 (Ângela I.5100). A variedade 5 (Floradade) foi a que exibiu maior valor negativo para foVi.gif (313 bytes) e, portanto, não apresenta bom potencial para melhoramento.

As características CAROT e BETAC, apresentaram, igualmente, as variedades 5 (Floradade), 2 (Jumbo AG-592) e 3 (Ângela I.5100) com valores positivos e em magnitudes decrescentes para foVi.gif (313 bytes). Analogamente, a variedade 1 (Santa Clara) revelou o maior valor negativo de foVi.gif (313 bytes) para ambas as características. Em decorrência, considerando-se o interesse nos incrementos dos teores de carotenóides totais e de beta-caroteno, programas de intercruzamentos ou uso "per se" devem basear-se nas variedades 2, 3 e 5.

Para LICOP, três variedades mostraram-se promissoras em programas envolvendo hibridações: 3 (Ângela I.5100), com o maior valor positivo de foVi.gif (313 bytes) (1,0180), seguida por 1 (Santa Clara) e 4 (IPA-05), com valores respectivos de foVi.gif (313 bytes) iguais a 0,9135 e 0,7535 (Quadro 3). Os maiores incrementos nos teores de vitamina C poderão ser alcançados em combinações em que as variedades 2 (Jumbo AG-592) e 3 (Ângela I.5100) se encontram presentes, tendo em vista seus valores positivos para foVi.gif (313 bytes) (Quadro 3). As variedades 4 (IPA-05) e 1 (Santa Clara), por apresentarem as maiores estimativas negativas para foVi.gif (313 bytes), não devem ser consideradas quando a estratégia de melhoramento é aumentar o teor de vitamina C.

3.3 Estimativas dos efeitos de heterose média, varietal e específica

As estimativas dos efeitos de heterose média, varietal e específica, bem como os desvios-padrão (DP) encontram-se no quadro 4. Para as características NTF, PTF, PMF, ALTc e LICOP, a ausência de efeito para a heterose média (h) demonstra que, no conjunto, essas variedades não são favoráveis para explorar o efeito de heterose em híbridos.

 

56n1a2bq4.GIF (39521 bytes)56n1a2bq4c.GIF (55237 bytes)

Em relação à NTF, pode-se observar no quadro 4, que apenas Floradade apresentou efeito heterótico  ( fohi.GIF (148 bytes)) positivo, o mesmo não ocorrendo com sua estimativa de foVi.gif (313 bytes), cujo valor foi negativo (Quadro 3). Assim, a seleção para aumento do número de frutos deve ser praticada com base nas estimativas do efeito de variedades (foVi.gif (313 bytes)) (Cruz & Regazzi, 1994; Paini, 1994).

Por conseguinte, as variedades mais divergentes para essa característica foram 3 (Ângela I.5100) e 1 (Santa Clara) com 5 (Floradade). Observou-se, ainda, um efeito adicional resultante de cruzamentos específicos, sendo as combinações 3 x 4, 1 x 5, e 2 x 5, nesta ordem, as que mais se destacaram, por revelarem efeitos heteróticos positivos de foSij.GIF (165 bytes).

Com relação à PTF, discrepâncias entre os sinais de fohi.GIF (148 bytes) (Quadro 4) e VfoVi.gif (313 bytes) (Quadro 3) só não ocorreram para a variedade 5 (Floradade), cujos sinais foram positivos em ambas as estimativas. Apesar do efeito heterótico próprio de cada variedade, não houve efeito adicional resultante de cruzamentos específicos. Com base nos efeitos de variedades (Quadro 3), as mais dissimilares para PTF foram 3 (Ângela I.5100) e 1 (Santa Clara) com 4 (IPA-05), as quais poderiam ser mais bem aproveitadas em programas de intercruzamentos.

A característica PMF destacou duas variedades com efeitos heteróticos positivos: 2 (Jumbo AG-592) e 4 (IPA-05), contudo, a variedade 3 (Ângela I.5100), com o menor valor negativo de fohi.GIF (148 bytes) (-0,5735), pode ser selecionada para a obtenção de populações segregantes.

As estimativas da heterose específica (foSij.GIF (165 bytes)) para PMF atestam a importância relativa da variedade 3 quando em combinações híbridas, tendo em vista os valores positivos das combinações 1 x 3 e 2 x 3. Além desses, os demais valores positivos para foSij.GIF (165 bytes) ocorreram nas combinações 1 x 2 e 4 x 5, destacando-se esta última, por apresentar a maior magnitude de foSij.GIF (165 bytes) (Quadro 4).

No que se refere à ALTc, apenas a variedade 3 (Ângela I.5100) retratou valor negativo para fohi.GIF (148 bytes) (Quadro 4), embora não houvesse suficiente efeito heterótico-varietal para expressar diferenças entre os cruzamentos específicos. Já em ALTfi, houve efeito significativo para os cruzamentos específicos (foSij.GIF (165 bytes)) (Quadro 4). Pelas estimativas de foSij.GIF (165 bytes), constata-se que as combinações 1 x 4, 1 x 5, 2 x 4, 2 x 5, 3 x 4 e 3 x 5, ao exibirem valores positivos, são as indicadas para explorar o efeito heterótico.

A característica CLM apresentou comportamento similar à NTF, por retratar apenas a variedade Floradade com valor positivo para SfoSij.GIF (165 bytes) (Quadro 4). Quando se pretendem ganhos seletivos para comprimento longitudinal dos frutos, os híbridos1 x 2, 1 x 4, 2 x 4, 2 x 5, 3 x 4 e 3 x 5 são as melhores opções, por apresentarem valores de SfoSij.GIF (165 bytes) positivos.

Analisando-se a característica EMP, verifica-se que as variedades 4 (IPA-05) e 5 (Floradade) mostraram valores positivos para o efeito heterótico-varietal (Quadro 4). Destas, nenhuma revelou efeito positivo para foVi.gif (313 bytes) (Quadro 3). Assim, esses parentais não devem ser indicados para programas de melhoramento intrapopulacionais.

Pelas estimativas de VfoVi.gif (313 bytes) (Quadro 3), as variedades mais dissimilares para EMP foram 1 (Santa Clara) e 3 (Ângela I.5100) com 4 (IPA-05). A avaliação da heterose específica revelou que os cruzamentos que mais se destacaram foram 3 x 4, 1 x 5 e 2 x 4 (Quadro 4).

Para CTM, as variedades 2 (Jumbo AG-592), 3 (Ângela I.5100) e 4 (IPA-05) apresentaram valores heterótico-varietais positivos. Com base nessa estimativa, os valores mais discrepantes foram verificados entre as variedades 4 (IPA-05) e 5 (Floradade), o mesmo ocorrendo com NML e NMS, o que explica as maiores magnitudes positivas para a heterose específica, em relação a tais características, encontradas na combinação 4 x 5, com os respectivos valores de 0,7651, 0,3139 e 41,8153 (Quadro 4).

As estimativas de fohi.GIF (148 bytes) para TSS foram positivas apenas nas variedades 2 (Jumbo AG-592) e 5 (Floradade); a maior discrepância para esse efeito ocorreu entre as variedades 1 (Santa Clara) e 5 (Floradade), cujos valores foram 0,4565 e 0,5085 respectivamente (Quadro 4).

Esse resultado é concordante com os reportados no quadro 3, em que a maior dissimilaridade, com base em foVi.gif (313 bytes), foi constatada entre as variedades 1 (Santa Clara) e 5 (Floradade), seguidas por 3 (Ângela I.5100) e 4 (IPA-05). Como era esperado, a assinalada divergência entre as variedades, resultou nos mais expressivos efeitos para heterose específica, revelados pelos valores 0,9573 para combinação 1 x 5 e 0,8236 para 3 x 4 (Quadro 4).

As características CAROT e BETAC apresentaram resultados semelhantes, ao revelarem as mesmas variedades e combinações com efeitos positivos para fohi.GIF (148 bytes) e foSij.GIF (165 bytes) (Quadro 4). Os maiores valores positivos para heterose específica encontram-se, decrescentemente, nas combinações 2 x 4, 3 x 5, 3 x 4 e 1 x 5. Logo, essas são as combinações preferidas para futuros programas visando incrementar os teores de carotenóides totais e de beta-caroteno nos frutos de tomateiro.

Resultados contrastantes quanto aos sinais de foVi.gif (313 bytes) (Quadro 3) e fohi.GIF (148 bytes) (Quadro 4) foram constatados para VIT C, demonstrando que as variedades com potencial para provocar aumentos na característica, quando em combinação com as demais não favoráveis, resultou na redução da média das combinações híbridas. As combinações que se destacaram pelos valores positivos de foSij.GIF (165 bytes)Sforam 2 x 5 (0,2892), 3 x 4 (0,2514), 1 x 3 (0,1329) e 1 x 2 (0,0762). Quanto à LICOP, a despeito da ausência de significância heterótico-varietal, houve manifestação de heterose nos cruzamentos, destacando-se as combinações 2 x 3 e 4 x 5, por apresentarem os maiores valores positivos para SfoSij.GIF (165 bytes) (Quadro 4).

Analisando-se conjuntamente as características morfoagronômicas e as relativas à qualidade dos frutos, pode-se concluir que os parentais 1 ('Santa Clara'), 3 ('Ângela I.5100') e 5 ('Floradade') são os de maior potencial para compor intercruzamentos.

 

4. CONCLUSÕES

1. Suficiente divergência genética ocorreu entre os parentais para as características ALTfi, CLM, CTM, EMP, NML, NMS, TSS, CAROT, BETAC e VIT C, portanto, favoráveis ao melhoramento genético;

2. O aumento dos teores de carotenóides totais e de beta-caroteno poderá ser alcançado por meio dos intercruzamentos 'Jumbo AG-592' x 'Ângela I.5100', 'Jumbo AG-592' x 'Floradade' e 'Ângela I.5100' x 'Floradade'.

3. Incrementos nos teores de vitamina C poderão ser obtidos mediante a combinação 'Jumbo AG-592' x 'Ângela I.5100'.

4. Em relação às características morfoagronômicas e da qualidade dos frutos, os parentais 'Santa Clara', 'Ângela I.5100' e 'Floradade' são os de maior potencial para compor intercruzamentos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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(1) Recebido para publicação em 31 de julho e aceito em 28 de novembro de 1996.

(2) Laboratório de Melhoramento Genético Vegetal (LMGV), Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA), Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), 28015-620 Campo dos Goytacazes (RJ).

(3) Departamento de Fitotecnia, Universidade Federal de Viçosa, 36571-000 Viçosa (MG).

(4) Departamento de Biologia Geral, Universidade Federal de Viçosa, 36571-000 Viçosa (MG).

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