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Bragantia

Print version ISSN 0006-8705On-line version ISSN 1678-4499

Bragantia vol. 56 n. 1 Campinas  1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0006-87051997000100013 

PRODUTIVIDADE DE LINHAGENS DE FEIJOEIRO NO ESTADO DE SÃO PAULO(1)

 

ANTONIO SIDNEY POMPEU(2,12), NELSON BORTOLETTO(3), PAULO BOLLER GALLO(4),JOSÉ CARLOS VILA NOVA ALVES PEREIRA(5), JAIRO LOPES DE CASTRO(6,12),MAURO SAKAI(7), OMAR VIEIRA VILLELA(8), WALDEMAR YASBECK(9),MARCOS LUDOVICO VALENTINI(10) e CARLO RODRIGO FANCKIN DORNELLES(11)

 

 

RESUMO

Desenvolveu-se este trabalho, visando conhecer a capacidade produtiva e a reação aos principais patógenos apresentadas por linhagens de feijoeiro para a recomendação de novos cultivares. Para tanto, instalaram-se ensaios em blocos ao acaso com cinco repetições, nos seguintes cultivos: (a) da seca: de 1990-93, nos municípios de Capão Bonito e Itaberá; de 1990-91, em Itararé e Paranapanema; de 1990 e 1992, em Mococa; de 1992-93, em Pariquera-Açu; de 1990, em Itaí; de 1991, em Riversul; (b) de inverno: de 1990-93, em Ribeirão Preto e Votuporanga; de 1990-92, em Aguaí e Pariquera-Açu; de 1992-93, em Roseira; de 1990, em São José dos Campos; (c) das águas: de 1990-92, em Capão Bonito, Paranapanema e Mococa; de 1990 e 1992, em Itaberá; de 1991, em Itaí; de 1992, em Ribeirão Preto. A análise conjunta dos dados obtidos para as três épocas de plantio mostrou que as linhagens H853-50-2, H853-50 e H853-50-6, com produções médias de 2.196, 2.107 e 2.089 kg/ha, respectivamente, foram superiores ao controle 'Carioca 80SH', que obteve 1.968 kg/ha. Essas linhagens são resistentes aos fungos da antracnose e mancha-angular, ao vírus do mosaico comum e com bom nível de resistência ao patógeno da ferrugem. A linhagem H8557-54, com 1.176 kg/ha, não demonstrou bom desempenho no plantio da seca, mas apresentou bons rendimentos médios no inverno e nas águas, com 2.281 e 1.771 kg/ha respectivamente. Com base nos resultados desses experimentos, foi possível lançar e recomendar as linhagens H853-50-2 e H853-50-6, denominadas, respectivamente, IAC-Carioca Pyatã e IAC-Carioca Akytã para o cultivo, nas três épocas de plantio, no Estado de São Paulo, o mesmo acontecendo para a linhagem DOR41.H1178-100 51-1-1-1, que em mistura com 51-1-1-2, sua irmã, constituiu o cultivar IAC-Una. Com esses dados, mais os obtidos no cultivo de inverno de 1989, a linhagem H8557-54, agora IAC-Bico de Ouro, foi lançada e recomendada para o cultivo das águas e de inverno em São Paulo.

Termos de indexação: Phaseolus vulgaris, testes de produtividade, recomendação de cultivares.

 

ABSTRACT

PRODUCTIVITY OF DRY BEAN LINES IN THE STAtE OF SÃO PAULO, BRAZIL

Yield and disease resistance of dry bean lines were evaluated in the State of São Paulo under field conditions in the 1990-1993 period. The experiments, in randomized complete block design with five replications, were carried out in the dry season (summer/fall) of 1990-93, in Capão Bonito and Itaberá; 1990-91 in Itararé and Paranapanema; 1990 and 1992, in Mococa; 1992-93, in Pariquera-Açu; 1990 in Itaí and of 1991 in Riversul counties; in the winter season (fall/winter) of 1990-93, in Ribeirão Preto and Votuporanga; 1990-92, in Aguaí and Pariquera-Açu; 1992-93 in Roseira and of 1990, in São José dos Campos counties. The trials were also carried out in the rainy season (spring/summer) of 1990-92, in Capão Bonito, Paranapanema and Mococa; 1990 and 1992, in Itaberá; 1991 in Itaí and of 1992, in Ribeirão Preto. The statistical analysis of the three growing seasons showed that lines H853-50-2, H853-50 and H853-50-6, with means of 2,196, 2,107 and 2,089 kg/ha, outyielded the control `Carioca 80SH' which produced 1,9868 kg/ha. These lines are resistant to the anthracnose and angular leaf spot fungi, to the common bean mosaic virus and also with good level of resistance to the rust pathogen. The line H8557-54 showed poor yield capacity for the dry season (1,176 kg/ha) but good productions for the rainy (2,281 kg/ha) and winter (1,771 kg/ha) seasons. Based upon these results, it was possible to release the cultivars IAC-Carioca Pyatã and IAC-Carioca Akytã which originated from the breeding lines H853-50-2 and H853-50-6, respectively, and the black seeded cultivar IAC-Una which came from the mixture of the two sister lines DOR41. H1178-100 51-1-1-1 and 51-1-1-2, for planting in São Paulo State in the three growing seasons. Finally these data together those obtained in the winter season of 1989 lend us to release the line H8557-54, named IAC-Bico de Ouro to the growers for planting in the rainy and winter seasons in São Paulo State.

Index terms: Phaseolus vulgaris, yield trials, new cultivars.

 

 

1. INTRODUÇÃO

A produção brasileira de feijão oscilou de 2.234.467 t em 1990 a 2.803.995 t em 1992, com média de 2.595.882 t, no período 1990-92. A produção de 2.803.995 t foi obtida em 5.154.382 ha, resultando em uma produtividade média de 544 kg/ha, em 1992. Nesse ano, destacaram-se, por suas produções, os Estados do Paraná, Bahia, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais, com 450.636, 449.114, 370.377, 320.700 e 284.055 t em 582.381, 740.288, 385.776, 339.800 e 503.0l0 ha, respectivamente, proporcionando rendimentos médios de 773, 606, 960, 943 e 564 kg/ha (Informações Econômicas, 1993).

Vários fatores concorrem para que esses rendimentos sejam baixos, como a pequena taxa de utilização de sementes, ausência de calagem, adubação e tratos fitossanitários inadequados, defici- ência hídrica no florescimento ou na formação de grãos, excesso de água na colheita, pragas e moléstias. Desse conjunto de fatores, as moléstias se destacam, pois o feijoeiro (Phaseolus vulgaris) é suscetível ao ataque de vários patógenos, como fungos, bactérias, vírus e nematóides (Zaumeyer & Thomas, 1957), alguns dos quais com várias raças fisiológicas (Junqueira Netto et al., 1969; Menezes & Dianese, 1988; Paradela Filho et al., 1991; Sartorato et al., 1991; Lacerda et al., 1994), para os quais as sementes são seu principal meio de disseminação.

No Estado de São Paulo, como o feijoeiro é cultivado em três épocas - das águas, da seca e de inverno - várias moléstias aparecem durante o seu ciclo, com destaque para a antracnose, mancha-angular, ferrugem, crestamento bacteriano comum, fusariose, mofo-branco e os mosaicos dourado e comum.

Buscando-se conhecer o comportamento de linhagens obtidas no programa de melhoramento, todas resistentes ao fungo da antracnose, algumas com o gene Mex 2 ou Mex 3 em combinação ou não com o gene Are, com ou sem porte adequado para a colheita mecânica, para possível recomendação de novos cultivares, instalaram-se ensaios nas principais regiões produtoras do Estado, nas três épocas de plantio do feijoeiro. Os resultados desses ensaios encontram-se neste trabalho.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

As linhagens que constituíram os ensaios e seus respectivos grupos foram: Preto - DOR4l. H1178-100 51-1-1-1, H3886-50, H4886-50; Diversos - H853-50, H853-50-2, H853-50-6, H8515-52, Gen 2- -1-2-10, Gen 2-1-4-1-2-8, Gen 2-1-5-4-9-1, (DOR41. H1178-101) x (A248.H1178-100) 60-1,6-51, (DOR41. H1178-101) x (A248.H1178-100) 62-10, (10-3-1.H1178-100) x (H1178-100.H580-30) 8-3-12; Mulatinho - H85125-51-2-1,6-1, H85125-54-3-3, e Bico de Ouro - H8557-54. Todas essas linhagens são resistentes ao fungo da antracnose e ao vírus do mosaico comum, sendo a obtenção de algumas delas descritas por Pompeu et al., 1992.

Das linhagens mencionadas, H8557-54 é portadora do(s) gene(s) da introdução AB136 só ou com o gene Are, enquanto a constituição genética de H3886-50 e H4886-50 é are are Mex 2 Mex 2 ou Are Are Mex 2 Mex 2, para o fungo da antracnose. As demais linhagens apresentam o gene Mex 3 em combinação ou não com o Are. As linhagens mais o cultivar Carioca 80SH (IAC-Carioca), bastante plantado e com boa aceitação comercial em nosso Estado, usado como controle, foram avaliados em ensaios instalados no cultivo da seca (fevereiro), nos municípios de Capão Bonito, Itaberá, Itararé, Itaí, Paranapanema e Mococa, em 1990; em Capão Bonito, Itaberá, Itararé, Paranapanema e Riversul, em 1991; em Capão Bonito, Itaberá, Mococa e Pariquera-Açu, em 1992; em Capão Bonito, Itaberá, e Pariquera-Açu, em 1993. No cultivo de inverno (maio-junho), os experimentos foram plantados em Ribeirão Preto e Votuporanga, em 1990-93; em Pariquera-Açu e Aguaí, em 1990-92; em Roseira, em 1992-93, e em São José dos Campos, em 1990. No plantio das águas (setembro-outubro), os ensaios foram instalados em Capão Bonito, Itaberá, Itaí, Parana-panema e Mococa, em 1990; em Capão Bonito, Mococa e Paranapanema, em 1991, e em Capão Bonito, Itaberá, Mococa, Ribeirão Preto e Paranapanema, em 1992.

No cultivo da seca e no das águas, o plantio foi sempre efetuado em condições de boa umidade no solo para germinação das sementes. A irrigação dos experimentos foi utilizada no plantio em Itaí, na seca de 1990, durante todo o ciclo de desenvolvimento das plantas e no cultivo das águas de 1991, em Capão Bonito, Mococa e Paranapanema, durante o florescimento, por causa da estiagem. No cultivo de inverno, utilizou-se, após a semeadura, a irrigação por aspersão em Aguaí, Ribeirão Preto e Votupo- ranga e por infiltração em Pariquera-Açu, Roseira e São José dos Campos. Nessas localidades, a irrigação foi repetida, sempre que necessário, em todas as outras fases do desenvolvimento das plantas.

O delineamento estatístico usado foi de blocos ao acaso, com cinco repetições, sendo cada parcela constituída por uma linha de 5 m espaçada de 0,50 m nos ensaios da seca e das águas e de 0,60 m nos experimentos do cultivo de inverno. O espaçamento utilizado nas linhas foi de 0,20 m com três sementes por cova, para no desbaste, deixar duas plantas ou 50 plantas por parcela. No plantio, procedeu-se à adubação básica de 430 kg/ha de 4:14:8, a qual foi complementada por 65 kg/ha de sulfato de amônio, após o desbaste.

No controle dos patógenos e das pragas, empregou-se uma mistura de paration metil, mevinfós e manzate na proporção de 2cc:2cc:2 g/L. As pulverizações, em número de três a quatro, foram iniciadas após o desbaste das plântulas e continuadas em intervalos de 15 a 20 dias.

Embora mais experimentos tenham sido instalados, alguns foram perdidos por falta ou por excesso de chuva, restando aqueles mencionados, o que tornou impossível analisar a capacidade produtiva das linhagens nos mesmos locais, épocas e anos. Desse modo, considerou-se local como experimento e a análise conjunta efetuada após a verificação da homogeneidade das varianças. Para comparar as médias das linhagens com o controle 'Carioca 80SH', usou-se o teste de Dunnett a 5%.

 

3. RESULtADOS E DISCUSSÃO

As produções obtidas pelas linhagens e pelo controle 'Carioca 80SH', em kg/ha de grãos no plantio da seca de 1990, constam do quadro 1. Em Capão Bonito, as maiores produções foram conseguidas pelas linhagens H853-50-2, H853-50, H8515-52 e H853-50-6 com 2.168, 1.808, 1.760 e 1.720 kg/ha respectivamente, embora somente a produção da primeira tenha sido estatisticamente superior à do 'Carioca 80SH', que produziu 1.248 kg/ha. No experimento instalado em Itaberá, as linhagens H853-50, H853-50-2, H853-50-6, H8515-52, DOR41.H1178-100 51-1-1-1 e H85125-51-2-1,6-1, com suas respectivas produções de 2.296, 2.168, 2.120, 1.760, 1.512 e 1.496 kg/ha, superaram estatisticamente o controle 'Carioca 80SH', cuja produtividade foi de 1.218 kg/ha. Em Itaí, a despeito de o cultivo ter-se dado na seca, as produções foram as mais elevadas, variando de 1.520 a 3.208 kg/ha, pois o ensaio foi irrigado por meio do pivô central; nesse ensaio, apenas a produção da linhagem DOR41.H1178-100 51-1-1-1, com 3.208 kg/ha, foi estatisticamente superior à do 'Carioca 80SH', que foi de 2.432 kg/ha. No município de Itararé, as duas maiores produções, embora não diferindo estatistica- mente da verificada para o 'Carioca 80SH' - 1.776 kg/ha - foram das linhagens DOR41.H1178-100 51-1-1-1 e H853-50-6, com 1.896 e 1.824 kg/ha. Destacaram-se por suas produções em Mococa, DOR41.H1178-100 51-1-1-1, 'Carioca 80SH', H853-50-2 e H4886-50, com 1.984, 1.912, 1.752 e 1.752 kg/ha respectivamente. As melhores produções no experimento de Paranapa-nema foram conseguidas por H853-50-2, H853-50 e `Carioca 80SH', com 1.616, 1.376 e 1.280 kg/ha.

 

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Nos ensaios da época de inverno de 1990, cujas produções são apresentadas no quadro 2, sobres-saíram-se, em Aguaí, H4886-50, H853-50-6 e 'Carioca 80SH', com 1.700, 1.660 e 1.513 kg/ha. Em Pariquera-Açu, várias linhagens alcançaram produções estatisticamente superiores à do `Carioca 80SH', que foi de 513 kg/ha, como, por exemplo, H853-50-2, H853-50-6, H853-50, H8515-52, H85125-54-3-3 e H8557-54, com 2.647, 2.420, 2.313, 2.140, 2.073 e 2.007 kg/ha respectivamente. A baixa produtividade do 'Carioca 80SH' resultou da ocorrência da raça sigma de antracnose descrita em Pariquera-Açu (Dudienas & Pompeu, 1985), para a qual esse cultivar é suscetível, e da mancha-angular. As linhagens que se destacaram em Pariquera-Açu são resistentes ao fungo da antracnose e algumas delas também ao agente da mancha-angular. Já em Ribeirão Preto, onde a incidência de moléstias é baixa para a época de cultivo de inverno, as produções observadas foram altas, variando de 2.193 a 2.700 kg/ha. As maiores produtividades foram conseguidas por 'Carioca 80SH', (10-3-1.H1178-100) x (H1178-100.H580-30) 8-3-12, H3886-50, H85125-54-3-3 e H853-50-6, com 2.700, 2.593, 2.553, 2.547 e 2.520 kg/ha respectivamente. Em São José dos Campos, apenas DOR41.H1178-100 51-1-1-1 com 2.407 kg/ha, foi estatisticamente superior ao 'Carioca 80SH', que produziu 1.793 kg/ha. Boas produções foram observadas para (DOR41.H1178-101) x (A248.H1178-100) 62-10, H8557-54, H8515-52 e H853-50-6, com 2.273, 2.220, 2.187 e 2.093 kg/ha. No experimento de Votuporanga, destacaram-se, por suas produções, H3886-50, Gen 2-1-4-1-2-8, 'Carioca 80SH', H853-50-6 e H4886-50, com 2.147, 1.947, 1.920, 1.893 e 1.860 kg/ha respectivamente.

 

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No plantio das águas de 1990 (Quadro 3), para o município de Capão Bonito, as linhagens H8557-54, DOR41.H1178-100 51-1-1-1 e (DOR41.H1178-101) x (A248.H1178-100) 62-10, com seus respectivos 2.416, 2.240 e 2.160 kg/ha, superaram o controle 'Carioca 80SH' cuja produção foi de 1.424 kg/ha.

 

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Em Itaberá, sobressaíram-se, por suas produtividades superiores à do 'Carioca 80SH' (2.760 kg/ha), as linhagens DOR41.H1178-100 51-1-1-1 e H853-50-2, com 3.440 e 3.350 kg/ha. Produções elevadas foram também obtidas por (DOR41.H1178-101) x (A248. H1178-100) 60-1,6-51, (10-3-1.H1178-100) x (H1178--100.H580-30) 8-3-12, H853-50-6, H8515-52 e H85125-54-3-3, com 3.200, 3.200, 3.190, 3.090 e 3.000 kg/ha respectivamente. Em Itaí, nenhuma linhagem foi superior ao 'Carioca 80SH', em produtividade.

Boas produções foram conseguidas por (10-3-1.H1178-100) x (H1178-100.H580-30) 8-3-12, H853-50-2, 'Carioca 80SH', H853-50, Gen 2-1-5-4-9-1 e H85125-54-3-3, com 2.607, 2.493, 2.373, 2.360, 2.320 e 2.300 kg/ha respectivamente. No ensaio instalado em Mococa, as maiores produções foram observadas para (DOR41.H1178-101) x (A248.H1178-100) 60-1,6-51, H853-50-6, (DOR41.H1178-101) x (A248. H1178-100) 62-10, 'Carioca 80SH' e H853-50-2, as quais corresponderam, respectivamente, aos valores de 1.664, 1.512, 1.456, 1.432 e 1.408 kg/ha. Em Paranapanema a produtividade do 'Carioca 80SH' foi de 1.460 kg/ha, não diferindo estatisticamente de 1.860, 1.827, 1.747 e 1.720 kg/ha das linhagens (DOR41. H1178-101) x (A248.H1178-100) 62-10, (10-3-1.H1178--100) x (H1178-100.H580-30) 8-3-12, H853-50-2 e Gen 2-1-4-1-2-8 respectivamente.

No cultivo da seca de 1991, cujas produções estão no quadro 4, várias linhagens superaram em produtividade o controle 'Carioca 80SH', no experimento de Capão Bonito, como Gen 2-1-2-10, H853-50-2, H853-50, H8515-52 e H853-50-6, com 2.680, 2.312, 2.232, 2.152 e 2.104 kg/ha respectivamente. A produção do 'Carioca 80SH' foi de 1.264 kg/ha. No ensaio de Itaberá, várias linhagens alcançaram produções superiores à do 'Carioca 80SH', que foi de 800 kg/ha, com destaque para H8515-52, H853-50-2, H853-50-6, H853-50 e DOR41.H1178-100 51-1-1-1, com 2.304, 1.792, 1.696, 1.664 e 1.664 kg/ha respectivamente. A produtividade do 'Carioca 80SH' foi baixa em função do ataque severo dos fungos da antrac-nose, raça sigma, e da mancha-angular.

 

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Produções elevadas foram conseguidas pelas linhagens H853-50, H853-50-6, H853-50-2 e (DOR41. H1178-101) x (A248.H1178-100) 62-10, com, respectivamente, 3.872, 3.744, 3.288 e 3.192 kg/ha, sem serem no entanto, superiores à observada para o 'Carioca 80SH', que foi de 3.136 kg/ha no experimento de Itararé. Em Paranapanema, H853-50, H85125-51-2-1,6-1 e H853-50-2, com 1.608, 1.504 e 1.496 kg/ha apresentaram produções superiores à do controle, que foi de 1.120 kg/ha. Produtividades de 1.656, 1.584, 1.544 e 1.520 kg/ha foram obtidas, respectivamente, por 'Carioca 80SH', H853-50, DOR41. H1178-100 51-1-1-1 e H85125-51-2-1,6-1, no ensaio de Riversul.

As produções médias das linhagens para a época de plantio da seca de 1991, a saber: H853-50, H853-50-6, H853-50-2, Gen 2-1-2-10 e H8515-52, com 2.192, 2.082, 2.056, 2.018 e 1.952 kg/ha respectivamente, foram superiores à observada para o 'Carioca 80SH', que foi de 1.595 kg/ha.

Nos ensaios desenvolvidos em Aguaí, Pariquera-Açu, Ribeirão Preto e Votuporanga, no cultivo de inverno de 1991 (Quadro 5), nenhuma das linhagens revelou produção estatisticamente superior à do 'Carioca 80SH'. As maiores produções em Aguaí pertenceram a H8557-54, Gen 2-1-4-1-2-8, 'Carioca 80SH', (10-3-1.H1178-100) x (H1178-100. H580-30) 8-3-12, DOR41.H1178-100 51-1-1-1 e (DOR41. H1178-101) x (A248.101) x (A248.H1178-100) 60-,6-51, com 2.607, 2.213, 2.100, 2.053, 2.033 e 2.007 kg/ha respectivamente. Em Pariquera-Açu, os destaques foram para H853-50-2, H8557-54, H4886-50, DOR41. H1178-100 51-1-1-1, 'Carioca 80SH' e H3886-50, com 2.767, 2.760, 2.493, 2.327, 2.307 e 2.300 kg/ha respectivamente.

 

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No experimento de Ribeirão Preto, sobres- saíram-se Gen 2-1-4-1-2-8, 'Carioca 80SH', H85125--54-3-3 e H8557-54, com as respectivas produções de 3.087, 2.907, 2.847 e 2.733 kg/ha. Para o ensaio de Votuporanga, as melhores produções foram das linha- gens H853-50, H853-50-2, H8557-54 e do 'Carioca 80SH', com 2.800, 2.787, 2.680 e 2.640 kg/ha respectivamente. Como nessa época de cultivo (inverno), em 1991, a incidência de moléstias, como a antracnose, mancha-angular e ferrugem foi leve, as produções médias para as quatro localidades Aguaí, Pariquera-Açu, Ribeirão Preto e Votuporanga    foram boas, com destaque para H8557, `Carioca 80SH', Gen 2-1-4-1-2-8, DOR41.H1178-100 51-1-1-1, H853-50-2, (10-3-1. H1178-100) x (H1178-100.H580-30) 8-3-12, H853-50 e H3886-50, com 2.695, 2.488, 2.405, 2.383, 2.357, 2.355, 2.348 e 2.310 kg/ha de sementes respectivamente.

Dos ensaios instalados em Capão Bonito, Mococa e Paranapanema, nas águas de 1991, embora todos tivessem sido irrigados durante a fase de florescimento das plantas por causa de estiagem ocorrida, as melhores produções corresponderam aos de Capão Bonito (Quadro 5). Nesse experimento, supe-raram estatisticamente o 'Carioca 80SH', cuja produtividade foi de 2.664 kg/ha, as linhagens H853-50-2, H853-50 e (10-31.H1178-100) x (H1178-100. H580-30) 8-3-12, que alcançaram, respectivamente, os seguintes valores: 3.496, 3.424 e 3.368 kg/ha. Boas produções também foram obtidas por H853-50-6, DOR41.H1178-100 51-1-1-1, H8515-52, (DOR41. H1178101) x (A248.H1178-100) 62-10 e Gen 2-1-5-4-9-1, com 3.272, 3.208, 3.144, 3.056 e 3.008 kg/ha respectivamente. Em Mococa nenhuma linhagem apresentou produção superior à do controle. As melhores produções foram conseguidas por H853-50-2, (DOR41. H1178-101) x (A248.H1178-100) 60-1,6-51 e H853-50-6, com, respectivamente, 2.392, 2.328 e 2.312 kg/ha, sendo de 2.128 kg/ha a do 'Carioca 80SH'. No ensaio de Paranapanema, destacaram-se 'Carioca 80SH', DOR41.H1178-100 51-1-1-1 e H853-50-6, cujas respec-tivas produções foram de 2.288, 2.256 e 2.216 kg/ha. As produções médias mais elevadas para os três experimentos foram das linhagens H853-50-2, H853-50-6, (10-3-1.H1178-100) x (H1178-100. H580-30) 8-3-12 e DOR41.H1178-100 51-1-1-1, que alcançaram, respectivamente, os valores de 2.664, 2.600, 2.541 e 2.509 kg/ha, não superando, porém, a do 'Carioca 80SH', que foi de 2.360 kg/ha.

As produções das linhagens e do 'Carioca 80SH' nos ensaios instalados em Capão Bonito, Itaberá, Mococa e Pariquera-Açu, no plantio da seca de 1992, constam do quadro 6.

 

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Em Capão Bonito, apenas a produtividade da linhagem (DOR41. H1178-101) x (A248.H1178-100) 62-10, de 3.232 kg/ha, superou estatisticamente a do 'Carioca 80SH', que foi de 2.176 kg/ha. Boas produções foram conseguidas por DOR41.H1178-100 51-1-1-1 e (DOR41.H1178-101) x (A248.H1178-100) 60-1,6-51, com 2.776 e 2.760 kg/ha respectivamente. No experimento de Itaberá superaram o controle 'Carioca 80SH', que produziu 1.224 kg/ha, as linhagens H853-50-2, H853-50 e H85125-54-3-3, com 2.112, 2.040 e 2.000 kg/ha respectivamente. Destacaram-se, por suas produções em Mococa, (DOR41.H1178-101) x (A248.H1178-100) 62-10, H8515-52, (10-3-1.H1178-100) x (H1178-100. H580-30) 8-3-12, H853-50-2, H4886-50, DOR41.H1178-100 51-1-1-1 e 'Carioca 80SH', com 2.504, 2.488, 2.448, 2.440, 2.424, 2.392 e 2.376 kg/ha respectivamente. Em Pariquera-Açu, H853-50-2, H853-50-6 e H853-50, com seus respectivos 2.272, 2.144, 1.856 kg/ha, foram supe- riores em produtividade ao 'Carioca 80SH', que obteve 1.072 kg/ha. Para essas quatro localidades, as maiores produções médias foram das linhagens H853-50-2 e (DOR41.H1178-101) x (A248.H1178-100) 62-10, com 2.302 e 2.122 kg/ha respectivamente, suplantando o valor de 1.712 kg/ha, observado para o 'Carioca 80SH'.

Para o plantio de inverno de 1992, realizado nos municípios de Aguaí, Pariquera-Açu, Ribeirão Preto, Roseira e Votuporanga, as produções encontram-se no quadro 7. Em Aguaí, as melhores produções, do ponto de vista estatístico, foram das linhagens H3886-50 e  DOR41.H1178-100 51-1-1-1, com 2.333 e 2.294 kg/ha. A produtividade do 'Carioca 80SH' foi de 1.700 kg/ha. No ensaio de Pariquera--Açu, superaram em produtividade o 'Carioca 80SH', com 728 kg/ha, as linhagens H853-50-2, H853-50, H853-50-6 e Gen 2-1-5-4-9-1, com 1.560, 1.384, 1.288 e 1.248 kg/ha respectivamente. Produções elevadas foram observadas em Ribeirão Preto com destaque para H3886-50, (DOR41.H1178-101) x (A248.H1178-00) 62-10, H85125-54-3-3, Gen 2-1-2-10, `Carioca 80SH' e H4886-50, com 3.513, 3.247, 3.240, 3.167, 3.153 e 3.147 kg/ha respectivamente. Em Roseira, as maiores produções foram conseguidas por (10-3-1.H1178-100) x (H1178-100.H580-30) 8-3-12, DOR41.H1178-100 51-1-1-1, `Carioca 80SH', H3886-50 e H8557-54, com 2.367, 2.333, 2.320, 2.320 e 2.320 kg/ha respectiva- mente. No experimento de Votuporanga, desta- caram-se Gen 2-1-4-1-2-8, 'Carioca 80SH', H8557-54 e DOR41.H1178-100 51-1-1-1, cujas respectivas produ-ções foram de 3.153, 3.047, 2.933 e 2.867 kg/ha. Nessa época de plantio (inverno), as maiores produções médias, sem no entanto superarem os 2.190 kg/ha do 'Carioca 80SH', foram verificadas para as linhagens H853-50-2, DOR41.H1178-100 51-1-1-1, Gen 2-1-4-1-2-8, (10-3-1.H1178-100) x (H1178-100.H580-30) 8-3-12, H8557-54 e H853-50, com 2.321, 2.311, 2.276, 2.234, 2.216 e 2.209 kg/ha respectivamente.

 

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Nos experimentos instalados em Capão Bonito, Itaberá, Mococa, Paranapanema e Ribeirão Preto nas águas de 1992, as produções das linhagens equivaleram estatisticamente às do 'Carioca 80SH' (Quadro 8). Em Capão Bonito, as melhores produções foram conseguidas por (10-3-1.H1178-100) x (H1178-100. H580-30) 8-3-12, Gen 2-1-2-10 e 'Carioca 80SH', com 2.136, 2.080 e 1.896 kg/ha respectivamente. Destacaram-se por suas produtividades em Itaberá, Gen 2-1-2-10, (10-3-1.H1178-100) x (H1178-100.H580-30) 8-3-12, (DOR41. H1178-101) x (A248.H1178-100) 60-1,6-51, 'Carioca 80SH', Gen 2-1-4-1-2-8 e H853-50-6, cujos respectivos valores foram 3.296, 3.256, 3.080, 3.064, 3.064 e 3.056 kg/ha.

 

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As produções mais elevadas do ensaio de Mococa foram obtidas por H853-50, (10-3-1.H1178-100) x (H1178-100.H580-30) 8-3-12, H853-50-2, 'Carioca 80SH', Gen 2-1-4-1-2-8, DOR41.H1178-100 51-1-1-1 e H853-50-6, com 2.696, 2.504, 2.488, 2.480, 2.432, 2.408 e 2.400 kg/ha respectivamente. Em Parana-panema, os destaques foram 'Carioca 80SH', Gen 2-1-4-1-2-8, H853-50-6 e (DOR41.H1178-101) x (A248.H1178-100) 62-10, que apresentaram, respectivamente, 2.400, 2.360, 2.320 e 2.320 kg/ha. Sobressaíram-se por suas produtividades em Ribeirão Preto, embora não significativas em relação à do 'Carioca 80SH', que foi de 1.776 kg/ha, as linhagens H853-50, H853-50-2 e Gen 2-1-4-1-2-8, com 2.256, 2.136 e 1.920 kg/ha respectivamente. Levando-se em consideração os dados obtidos em Capão Bonito, Itaberá, Mococa, Paranapanema e Ribeirão Preto para essa época de cultivo (das águas), as produções médias mais elevadas foram alcançadas por 'Carioca 80SH', Gen 2-1-4-1-2-8, H853-50, Gen 2-1-2-10 e (10-3-1. H1178-100) x (H1178-100. H580-30) 8-3-12, com 2.323, 2.314, 2.253, 2.251 e 2.250 kg/ha respectivamente.

No plantio da seca de 1993, cujos dados se encontram no quadro 9, as produções das linhagens H853-50-2 e Gen 2-1-2-10, com 2.536 e 2.472 kg/ha respectivamente, superaram à do 'Carioca 80SH', que foi de 1.872 kg/ha, em Capão Bonito. No município de Itaberá, Gen 2-1-2-10, H3886-50, H85125-54-3-3 e DOR41.H1178-100 51-1-1-1 alcançaram, respectivamente, produtividades de 2.312, 1.840, 1.760 e 1.720 kg/ha, as quais foram superiores à do 'Carioca 80SH' (1.232 kg/ha). Em Pariquera-Açu, H853-50-2, H853-50, H853-50-6, H85125-51-2-1,6-1 e H8515-52 com seus respectivos 2.168, 1.968, 1.832, 1.736 e 1.720 kg/ha, superaram a produtividade de 1.144 kg/ha conseguida pelo 'Carioca 80SH'. Destacaram-se por suas produções médias, nessa época de plantio (seca), as linhagens H853-50-2, Gen 2-1-2-10, H853-50, H853-50-6, DOR41.H1178-100 51-1-1-1, H85125- -51-2-1,6-1, H3886-50 e H85125-54-3-3, com 2.091, 2.019, 1.920, 1.827, 1.795, 1.779, 1.768 e 1.693 kg/ha respectivamente, superando a do 'Carioca 80SH', que foi de 1.416 kg/ha.

 

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No cultivo de inverno de 1993, as produções das linhagens não diferiram estatisticamente das observadas para o 'Carioca 80SH', nas localidades de Ribeirão Preto, Roseira e Votuporanga (Quadro 9). As produtividades em Ribeirão Preto foram elevadas, com destaque para 'Carioca 80SH', H3886-50 e H4886-50 que alcançaram, respectivamente, 3.920, 3.747 e 3.567 kg/ha. Em Roseira, sobressaíram-se as linhagens H853-50-6, H853-50-2, H853-50 e H8557-54, com 2.173, 2.153, 2.033 e 2.027 kg/ha respectivamente. A produtividade do 'Carioca 80SH' foi de 1.893 kg/ha. No município de Votuporanga, as produções mais elevadas foram observadas para H3886-50, Gen 2-1-4-1-2-8, H8557-54, 'Carioca 80SH' e H853-50-6, cujos respectivos valores foram 2.647, 2.633, 2.593, 2.500 e 2.480 kg/ha. As maiores produções médias para as três localidades foram obtidas por 'Carioca 80SH', Gen 2-1-4-1-2-8, H853-50, H853-50-6, H3886-50, H8557-54 e H853-50-2, com 2.771, 2.660, 2.593, 2.560, 2.547, 2.535 e 2.511 kg/ha respectivamente.

A análise estatística conjunta dos dados obtidos nos dezoito experimentos instalados no plantio da seca, no período 1990-93 (Quadros 1, 4, 6, 9) mostrou efeitos altamente significativos para tratamento, expe-rimento e para a interação tratamento x experimento. Para tratamento, isso era esperado pelo fato de as linhagens serem provenientes de cruzamentos envolvendo parentais diferentes e terem sido selecionadas nas condições de Campinas; para experimento, por estarem incluídos os efeitos de ano e de local que, para o feijoeiro, são importantes em função da ocorrência de patógenos ou raças, e pela quantidade e distribuição de chuvas. A significância da interação tratamento x experimento é conseqüência do fator experimento ser formado das variáveis local e ano. Resultado semelhante foi obtido por Pompeu et al. (1988), estudando o comportamento de linhagens e cultivares de feijoeiro, nessa época de plantio no Estado de São Paulo.

Analisando os dados para o plantio da seca, no período 1990-93, observa-se que as linhagens H853-50-2, H853-50, H853-50-6, DOR41.H1178-100 51-1-1-1, H8515-52 e Gen 2-1-2-10, com produções médias de 2.081, 1.993, 1.891, 1.847, 1.750 e 1.736 kg/ha respectivamente, superaram à do `Carioca 80SH', que foi de 1.602 kg/ha (Quadro 10). Essa superioridade se deve ao fato de as linhagens serem resistentes ao fungo da antracnose que ocorre nessa época de cultivo, principalmente em Capão Bonito, Itaberá e Pariquera-Açu. O controle 'Carioca 80SH' é suscetível à raça sigma de antracnose presente nas referidas localidades citadas (Dudienas & Pompeu, 1985). Além da antracnose, a mancha-angular esteve presente em maior ou menor intensidade em todos os municípios onde foram instalados os experimentos. Das linhagens supracitas, com exceção da DOR41. H1178-100 51-1-1-1, todas mostraram algum nível de resistência ao fungo dessa moléstia, ao contrário do que acontece com o 'Carioca 80SH' que é suscetível. Dessas linhagens, H853-50-2 e H853-50-6 foram aquelas que exibiram o melhor nível de resistência ao patógeno da mancha-angular em locais e anos de alta incidência da moléstia.

 

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A análise conjunta das produções das linhagens nos dezesseis experimentos do cultivo de inverno, de 1990 a 1993 (Quadros 2, 5, 7, 9) ou nos treze ensaios das águas de 1990 a 1992 (Quadros 3, 5, 8) revelou, como já ocorrera para o plantio da seca, efeitos altamente significativos para tratamento, experimento e para a interação tratamento x experimento. Esses resultados confirmam os obtidos por Pompeu et al. (1988), também para essas duas épocas de cultivo do feijoeiro.

Para o cultivo de inverno de 1990-93 e o das águas de 1990-92, nenhuma das linhagens conseguiu superar estatisticamente as produções médias do 'Carioca 80SH' (Quadro 10). As maiores produtividades médias para a época de inverno foram conseguidas por H8557-54, H853-50-2, H853-50-6, 'Carioca 80SH', H853-50 e Gen 2-1-4-1-2-8, com 2.281, 2.271, 2.227, 2.215, 2.214 e 2.205 kg/ha respectivamente.

Observando as produções do 'Carioca 80SH' (IAC-Carioca), verifica-se que elas foram baixas em Pariquera-Açu, em 1990 e 1992, com 513 e 728 kg/ha respectivamente, embora a produtividade média de 2.215 kg/ha fosse elevada. Nesses dois anos, as condições climáticas (temperatura e umidade) foram favoráveis ao desenvolvimento dos fungos da antracnose (raça sigma) e da mancha-angular, principalmente do causador da última moléstia, o que resultou nas baixas produções. Em 1991, as condições ambientes (temperatura, umidade) de Pariquera-Açu não foram boas para o desenvolvimento dos agentes patogênicos causadores da antracnose e mancha-angular, e a produtividade do `Carioca 80SH' foi de 2.307 kg/ha (Quadro 5). Já em Ribeirão Preto, onde as moléstias estiveram praticamente ausentes, as produtividades do `Carioca 80SH' foram de 2.700 e 3.153 kg/ha, em 1990 e 1992 respectivamente. Essas produções mostram a elevada capacidade produtiva desse cultivar e a importância dos fatores moléstia, local e ano na produção do feijoeiro.

As melhores produções médias para o plantio das águas -1990-92 - foram obtidas por H853-50-2, (10-3-1.H1178-100) x (H1178-100.H580-30) 8-3-12, H853-50-6, DOR41.H1178-100 51-1-1-1, 'Carioca 80SH' e H853-50, com 2.258, 2.248, 2.185, 2.157, 2.156 e 2.126 kg/ha respectivamente (Quadro 10).

A análise estatística conjunta dos dados obtidos nas três épocas de cultivo e períodos - da seca (1990-93), de inverno (1990-93) e das águas (1990-92) - mostrou, como já era esperado, efeitos altamente significativos para tratamento, experimento e para a interação tratamento x experimento; mostrou, ainda, que as médias das linhagens H853-50-2, H853-50 e H853-50-6, com 2.196, 2.107, 2.089 kg/ha, respecti-vamente, foram superiores à do 'Carioca 80SH' que foi de 1.968 kg/ha (Quadro 10). Essas linhagens são resistentes aos fungos da antracnose e da mancha-angular, ao vírus do mosaico comum, com bom nível de resistência ao patógeno da ferrugem e com boa arquitetura de planta.

As produções médias em cada uma das épocas de plantio demonstraram que a linhagem H8557-54 teve péssimo desempenho na seca, com 1.176 kg/ha, alternando com bons rendimentos no inverno, 2.281 kg/ha ou nas águas, 1.771 kg/ha (Quadro 10). Essa baixa produtividade média no cultivo da seca talvez se deva ao fato de essa linhagem ser mais sensível à menor disponibilidade de água, o que não acontece com os plantios de inverno, irrigados e das águas. Essa linhagem, do grupo Bico de Ouro, de alta capaci-dade produtiva nas águas, ou seja, 1.771 kg/ha, embora inferior à do 'Carioca 80SH', de 2.156 kg/ha (Quadro 10), é resistente aos patógenos da antracnose, da ferrugem, do mosaico comum, com bom nível de resistência ao fungo causador da mancha-angular e com boa arquitetura de planta. O cultivar Carioca 80SH, portador do gene Are de Cornell 49-242, usado como controle, é suscetível, no Estado de São Paulo, apenas aos grupos capa (Menezes, 1985) e sigma (Dudienas & Pompeu, 1985) do patógeno da antrac-nose e ao fungo da mancha-angular e com arquitetura de planta inferior à das linhagens H8557-54, H853-50-2, H853-50-6 e DOR41.H1178-100 51-1-1-1.

Com base nos resultados conseguidos nesses experimentos foi possível lançar e recomendar algumas dessas linhagens, na forma de cultivar, para o plantio em larga escala no Estado paulista. Desse modo, as linhagens H853-50-2 e H853-50-6, tipo Carioca, passaram a ser denominadas, respectivamente, IAC-Carioca Pyatã (Pompeu, 1994) e IAC-Carioca Akytã (Pompeu, 1996) e recomendadas para o cultivo nas três épocas da seca, de inverno e das águas  em todo o Estado de São Paulo. O mesmo aconteceu com a linhagem DOR41.H1178-100 51-1-1-1, do Grupo Preto, resistente aos agentes patogênicos da antracnose, ferrugem e mosaico comum, que caldeada com a 51-1-1-2, sua irmã, constituiu o cultivar IAC-Una (Pompeu, 1993). Com esses dados e mais os do plantio de inverno de 1989, que não puderam ser incluídos nessas análises, a linhagem H8557-54, do grupo Bico de Ouro, agora IAC-Bico de Ouro, foi lançada e recomendada para o cultivo nos plantios de inverno e das águas (Pompeu, 1994).

 

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem aos colegas Vilson de Vecchi, José Luiz Perin Leite e Antonio Luiz Pecini a colaboração prestada na realização dessas pesquisas.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DUDIENAS, C. & POMPEU, A.S. Nova raça fisiológica de Colletotrichum lindemuthianum (Sacc. & Magn.) Scrib. no Estado de São Paulo. In: SEMINÁRIO SOBRE PRAGAS E DOENÇAS DO FEIJOEIRO, 2., Campinas, 1985. Resumos. Campinas, Instituto Agronômico, 1985. p.39.         [ Links ]

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(1) Recebido para publicação em 14 de fevereiro e aceito em 4 de outubro de 1996.

(2) Seção de Genética, Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 28, 13001-970 Campinas (SP).

(3) Estação Experimental de Votuporanga, IAC, Caixa Postal 401, 15500-000 Votuporanga (SP).

(4) Estação Experimental de Mococa, IAC, Caixa Postal 58, 13730-970 Mococa (SP).

(5) Estação Experimental de Ribeirão Preto, IAC, Caixa Postal 271, 14001-970 Ribeirão Preto (SP).

(6) Estação Experimental de Capão Bonito, IAC, Caixa Postal 62, 18300-000 Capão Bonito (SP).

(7) Estação Experimental de Pariquera-Açu, IAC, Caixa Postal 122, 11900-000 Registro (SP).

(8) Estação Experimental de Pindamonhangaba, IAC, Caixa Postal 32, 12400-000 Pindamonhangaba (SP).

(9) Posto de Sementes de Aguaí, Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, 13860-000 Aguaí (SP).

(10) Holambra II, Caixa Postal 382, 18725-970 Paranapanema (SP).

(11) Cooperativa Agro-Pecuária Sul Paulista Ltda, Caixa Postal 21, 18440-000 Itaberá (SP).

(12) Com bolsa de produtividade científica do CNPq.

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