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Bragantia

On-line version ISSN 1678-4499

Bragantia vol. 57 n. 2 Campinas  1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0006-87051998000200001 

I. FITOQUÍMICA

 

NOTA

 

PREPARO DE SEMENTES PARA DETERMINAÇÃO DO TEOR DE ÓLEO PELO MÉTODO DE RMN EM SEIS VARIEDADES DE ALGODOEIRO(1)

 

ROSE MARRY ARAÚJO GONDIM-TOMAZ(2), DAYSE SOAVE(3), NORMA DE MAGALHÃES ERISMANN(2), NELSON PAULIERI SABINO(2,4), JULIO ISAO KONDO(2), EDIVALDO CIA(2,4) e ANÍSIO AZZINI(2,4)

 

 

RESUMO

No presente trabalho, foram realizados estudos comparativos de métodos de preparação de sementes de algodoeiro, com a finalidade de selecionar aquele com melhores condições para determinação do teor de óleo por ressonância magnética nuclear (RMN). Os métodos estudados foram os seguintes: o deslintamento químico com ácido sulfúrico concentrado, o da flambagem e o da semente com línter, que foi utilizada como parâmetro sem tratamento. Dos três, optou-se pelo tratamento químico, por eliminar a interferência do línter. Por esse método, determinaram-se os teores de óleo em sementes de seis variedades do algodoeiro herbáceo - obtidas do Ensaio Nacional de Variedades, sendo doze realizados no ano agrícola de 1994/95 e doze, em 1995/96: CNPA Precoce 2, IAPAR 71 PR3, CNPA 7H, CS 50, IAC 20 e IAC 22. O teor de óleo foi determinado pela técnica de RMN. As variedades estudadas apresentaram valores médios decrescentes no teor de óleo, na seguinte ordem: IAPAR71 PR3, IAC 20, CNPA 7H, CS 50, IAC 22 e CNPA Precoce 2.

Termos de indexação: semente de algodão, teor de óleo, variedades.

 

ABSTRACT

SEED PREPARE FOR OIL CONTENT DETERMINATION BY NMR METHOD IN SIX COTTON VARIETIES

Three comparative methods (chemical seed-delinting with sulphuric acid solution, flaming and seed with linter) to prepare cotton seeds for oil determination by the Nuclear Magnetic Resonance (NMR) technique were considered. The chemical treatment with sulphuric acid was the best as long the linter interference was eliminated. The seed oil contents were determined by the NMR method in six cotton varieties from the national variety test. The IAPAR 71 PR3 and IAC 20 varieties presented the highest oil content followed by the CNPA 7H, CS 50, IAC 22 and CNPA Precoce 2.

Index terms: cottonseed, oil content, cotton varieties.

 

 

Tradicionalmente, na pesquisa de algodão, tem-se levado em consideração, principalmente, as características agronômicas e as propriedades tecnológicas da fibra e do fio (Sabino et al., 1995, 1996, Fuzzato et al.,1997), desconsiderando-se estudos relacionados com a característica intrínseca da semente. Nesse particular, assume grande importância o caroço de algodão, subproduto obtido no beneficiamento da fibra, e que constitui importante matéria-prima para a indústria de óleos comestíveis e do farelo e torta utilizados como complementação de rações balanceadas.

O caroço, por ser um subproduto do algodão, nunca foi considerado de muita importância para a pesquisa, haja vista a descontinuidade nos programas de pesquisas sobre o assunto (Cherry et al.,1981). Atualmente, o cenário vem-se modificando um pouco, existindo uma preocupação econômica relacionada a esse subproduto.

Souza (1969) demonstrou que a qualidade do óleo depende da variedade, das condições edafoclimáticas e do estádio final de maturação da semente, o que foi confirmado por Cherry & Leffler (1984).

A técnica de ressonância magnética nuclear (RMN) foi escolhida para a análise do teor de óleo na semente de algodão por ser rápida e, comumente, tem sido adotada por geneticistas e melhoristas (Gupta et al., 1980, e Ungaro et al., 1992).

Este trabalho teve como objetivo estudar o preparo de amostras de sementes de algodoeiro para avaliação do teor de óleo em seis variedades de algodão oriundas de diferentes regiões.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Inicialmente, selecionou-se um ensaio instalado em Mococa para escolher o método de preparação de sementes de algodão para análise do teor de óleo por ressonância magnética nuclear.

O delineamento estatístico adotado foi o inteiramente casualizado.

Foram estudados os métodos: químico, flambado e o do caroço de algodão sem tratamento, considerado como parâmetro inicial para esses estudos.

No tratamento químico, a semente é colocada em ácido sulfúrico concentrado (H2SO4), agitando constantemente com um bastão de vidro até total remoção do línter. A seguir, as sementes são lavadas em água corrente, para retirada do excesso de ácido, e tratadas com solução de bicarbonato de sódio 4,2% (NaHCO3) para serem neutralizadas, lavadas novamente com água e colocadas ao ar livre para secar (Costa & Santos Neto, 1940).

As sementes flambadas, também chamadas deslintadas pelo fogo, foram obtidas após a sua passagem por uma chama de gás, em equipamento similar ao construído pela ESALQ (Ferraz et al., 1977). Esse método de deslintamento não retira totalmente o línter, como ocorre no do ácido sulfúrico concentrado.

No terceiro método, utilizaram-se as sementes com línter (sem tratamento) que foram obtidas após o beneficiamento em máquinas de rolo, usadas no Laboratório do Centro de Algodão e Fibrosas Diversas do Instituto Agronômico.

Após a secagem das sementes a 130 oC por duas horas, pesaram-se aproximadamente 3,5 g de cada material e determinou-se o teor de óleo em base seca por RMN, a temperatura ambiente, pelo equipamento Oxford modelo 4000. O método se aplica somente para determinação de óleo nas sementes secas ou com umidade muito baixa (Madsen, 1976). A leitura do teor de óleo em base seca é necessária em vista de a presença de água contribuir para uma medida falsa do sinal de ressonância, resultando em falsos valores do conteúdo de óleo (Oxford..., 1989).

Escolhido o deslintamento com ácido sulfúrico para a preparação da amostra, determinou-se o teor de óleo para 24 ensaios nacionais de variedades de algodoeiro herbáceo nos anos agrícolas de 1994/95 e 1995/96, nos seguintes locais: Campinas (SP), Mococa (SP), Maracaju (MS), Porteirão (GO), Jaíba (MG), Goioerê (PR), Ribeirão Preto (SP), Londrina (PR), Rio Verde (GO), Janaúba (MG), Unaí (MG) e Monte Alto (BA), em 1994/95, e em: Campinas (SP), Mococa (SP), Maravilha (PR), Maracaju (MS), Jaíba (MG), Itaporanga (PB), Ribeirão Preto (SP), Campo Mourão (PR), Rio Verde (GO), Porteirinha (MG) e Uberlândia (MG) em 1995/96. As variedades utilizadas nesses dois anos agrícolas foram: CNPA Precoce 2, IAPAR 71 PR3, CNPA 7H, CS 50, IAC 20 e IAC 22. Para cada variedade, efetuaram-se seis repetições para a análise do teor de óleo por local, perfazendo o total de 72 repetições nos doze locais por ano. Os ensaios obedeceram ao delineamento estatístico em quadrado latino 6 x 6, totalizando 864 amostras de sementes para o presente estudo.

Para a avaliação dos resultados do teor de óleo, realizaram-se as análises estatísticas individuais para os anos agrícolas de 1994/95 e 1995/96 e a análise conjunta dos dois anos.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os teores médios de óleo, a massa de cem sementes e os respectivos coeficientes de variação das sementes de algodoeiro submetidas ao tratamento químico, flambado e das sementes com línter encontram-se no Quadro 1

 

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Optou-se pelo tratamento químico como método de preparação da semente para análise do teor de óleo, por apresentar menor coeficiente de variação (3,4) e por eliminar a interferência do línter durante a análise de RMN. O línter, aderido à semente de algodão, pode comprometer a determinação do teor de óleo, superestimando a sua massa: dessa maneira, o total deslintamento da semente de algodão faz-se necessário para a determinação do teor de óleo.

Ferraz et al.(1977) realizaram estudo comparativo de métodos de deslintamento de sementes de algodoeiro para escolher o que proporcionasse a melhor emergência das plantas, obtendo também resultados superiores com o tratamento químico.

No Quadro 2, estão os valores médios da porcentagem de óleo para as seis variedades de algodoeiro cultivadas nos anos agrícolas de 1994/95 e 1995/96 nas diferentes localidades, com as respectivas análises estatísticas.

 

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Foram observadas diferenças significativas pela análise da variância ao nível de 1% entre as variedades, tanto para o ano de 1994/95 como para o de 95/96, destacando-se as variedades IAPAR 71 PR3 e IAC 20.

Os valores de 23,2 a 24,2% para o teor de óleo de variedades nacionais estão dentro dos limites de variedades americanas: 17,4 a 23,2%, conforme dados de Lawhon et al. (1977).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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(1) Recebido para publicação em 6 de abril e aceito em 18 de setembro de 1998.

(2) Centro de Algodão e Fibrosas Diversas, Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 28, 13001-970 Campinas (SP).  E-mail: gondim@cec.iac.br 

(3) Centro de Genética, Biologia Molecular e Fitoquímica, IAC.

(4) Com bolsa de produtividade em pesquisa do CNPq.