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Bragantia

Print version ISSN 0006-8705On-line version ISSN 1678-4499

Bragantia vol. 57 n. 2 Campinas  1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0006-87051998000200008 

NOTA

 

SOJA IAC/IAS-5: CULTIVAR RESISTENTE AO CANCRO DA HASTE(1)

 

HIPÓLITO ASSUNÇÃO ANTONIO MASCARENHAS(2,4) e MARGARIDA FUMIKO ITO(3,4)

 

 

RESUMO

Há aproximadamente oito anos, o cancro da haste (Phomopsis phaseoli f. sp. meridionalis/Diaporthe phaseolorum f. sp. meridionalis) da soja tem sido o principal fator limitante da produtividade em áreas de manifestação da doença. O seu controle mediante cultivares resistentes é o método mais econômico. Num ensaio em casa de vegetação, visando avaliar o efeito de doses de potássio no controle do cancro da haste, no cultivar IAS-5, moderadamente resistente, verificou-se haver plantas altamente resistentes, comprovadas em três gerações, todas inoculadas com o fungo causador da doença. A importância da obtenção do IAS-5 e de sua multiplicação deve-se a ser o mais cultivado no Estado de São Paulo e apresentar resistência ao cancro da haste.

Termos de indexação: Glycine max, Phomopsis phaseoli f. sp. meridionalis, Diaporthe phaseolorum f. sp. meridionalis.

 

ABSTRACT

IAC/IAS-5: SOYBEAN CULTIVAR RESISTANT TO STEM CANKER

Approximately eight years have elapsed since stem canker (Phomopsis phaseoli f. sp. meridionalis/Diaporthe phaseolorum f. sp. meridionalis) became a limiting factor in soybean production in areas where this disease has spread. The most economical means of control is by the use of resistant cultivars. In an experiment conducted in greenhouse at Campinas, State of São Paulo, Brazil, with the objective of studying the effect of levels of potassium on the control of stem canker, two plants of soybean cultivar IAS-5 showed to be free from this disease. The seeds of these two plants were increased and plants were further inoculated with D. phaseolorum f. sp. meridionalis. After three generations all the inoculated plants showed to be highly resistent and were designated as IAC/IAS-5. It will replace IAS-5 which is moderately tolerant to stem canker and is the most grown in the State of São Paulo.

Index terms: Glycine max, Phomopsis phaseoli f. sp. meridionalis, Diaporthe phaseolorum f. sp. meridionalis.

 

 

É bastante conhecido dos fitopatologistas e melhoristas o fato de que cultivares de plantas comerciais propagadas por sementes podem conter variabilidade genética oculta, ou seja, não mostrada ao exame visual ou em testes preliminares. No entanto, em testes de progênies, podem aparecer plantas com características diferenciadas da população, quanto à resposta à resistência, tolerância e hipersensibilidade aos agentes climáticos ou bióticos.

A resistência às doenças é uma característica muito desejável em culturas comerciais, sobretudo atualmente, quando a economia nos insumos e a preservação do meio ambiente são componentes indispensáveis da produção.

Muitas vezes, por motivos de conveniência de tempo e de custo operacional, há uma tendência do pesquisador em desconsiderar ou não atribuir a fatores genéticos, o aparecimento de plantas diferenciadas, para resistência à doença, em ensaios de campo. Em casa de vegetação, porém, é possível averiguar facilmente se existe uma variabilidade genética oculta. Segundo Costa et al. (1988), o aparecimento de plantas resistentes a doenças, no meio de população infectada, pode ser atribuído ao escape ou à falta na operação de infecção. A tendência ao escape, segundo Holmes (1943), pode ser uma característica de valor seletivo. Por essa razão, o pesquisador deve considerar essas plantas diferenciadas e testá-las, usando controles adequados.

O cancro da haste da soja, causado pelo fungo Diaporthe phaseolorum f. sp. meridionalis (Morgan-Jones, 1989), torna limitante o uso de um cultivar suscetível, em condições favoráveis ao desenvolvimento da doença. Nessa situação, recomenda-se o plantio de cultivar com resistência.

É conhecido o fato de o potássio controlar ou diminuir a severidade de sintomas causados pelos patógenos Cercospora kikuchi (Ito et al., 1993) e Diaporthe phaseolorum var. sojae (Mascarenhas et al., 1976, Ito et al., 1994). Num experimento de controle do cancro da haste da soja, com doses de potássio (0, 25, 64, 160 e 400 ppm de K2O), sob inoculação do patógeno, pelo método de palito-de-dente (Yorinori,1994), em casa de vegetação, observaram-se, entre as plantas com sintomas da doença, duas do cv. IAS-5 completamente sadias, no tratamento com 25 ppm de K2O. Sabe-se que o cultivar IAS-5 apresenta resistência intermediária ao cancro da haste, em condicões de campo (Yorinori et al., 1993). As sementes das plantas resistentes foram colhidas, semeadas em vasos e aos 30 dias após a emergência, inoculadas pelo mesmo método, cujo resultado foi a presença de duas plantas apenas com sintomas, de um total de 25. As sementes de cada planta não infectada foram semeadas como progênies, resultando em 64 plantas, apenas 5% de infectadas. As não infectadas estão sendo multiplicadas em casa de vegetação. Isso já havia sido notado no cultivar IAC-8-2, com relação ao cancro da haste (Miranda & Ito, 1995).

O cultivar IAC/IAS-5, resistente ao cancro da haste, apresenta: hipocótilo verde; flor branca; pubescência cinza; vagem cinza; sementes amarelas; hilo camurça; hábito de crescimento determinado; ciclo de 115 dias; altura de planta de 70 cm; altura da primeira inserção de vagem de 12 cm; produção média de cem sementes de 16 g; resistência ao acamamento e resistência à deiscência das vagens.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos à Técnica de Apoio Ocimar Aparecida Alves, ao Sr. Francisco Vidal Filho (Centro de Plantas Graníferas - IAC), à Técnica de Apoio Jussara Bertho Fantinatti e à Auxiliar de Campo Áurea de Souza Laurindo (Centro de Fitossanidade - IAC) os trabalhos de semeadura, desbaste, controle de insetos, inoculação de fungos e avaliação de sintomas da doença em plantas em casa de vegetação.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COSTA, A. S.; MIRANDA, M. A. C. & BULISANI, E. A. Variabilidade genética oculta das variedades comerciais, um alerta aos fitopatologistas e melhoristas. Summa Phytopathologica, Jaguariúna, 14(1-2):136-143, 1988.         [ Links ]

HOLMES, F. O. A tendency to escape tobacco mosaic disease in derivatives from, a hybrid tomato. Phytopathology, St. Paul, 33:691-697, 1943.         [ Links ]

ITO, M. F.; MASCARENHAS, H. A. A.; TANAKA, M. A. S.; DUDIENAS, C.; TANAKA, R. T.; GALLO, P. B. & MIRANDA, M. A. C. Efeito residual da adubação potássica e da calagem sobre a incidência de Phomopsis sp. em sementes de soja. Fitopatologia Brasileira, Brasília, 19:44-49, 1994.         [ Links ]

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MIRANDA, M.A.C. & ITO, M. F. IAC-8-2: cultivar de soja com resistência ao cancro da haste In: CONGRESSO PAULISTA DE FITOPATOLOGIA, 4., Piracicaba, 1995. Resumos. Summa Phytopathologica, Jaguariúna, 21(1):50, 1995.         [ Links ]

MORGAN-JONES, G. The Diaporthe/phomopsis complex: taxonomic considerations. In: WORLD SOYBEAN RESEARCH CONFERENCE, 4., Buenos Aires, 1989. Proceedings. Buenos Aires, Associatión Argentina de la Soya, 1989. p.1699-1706.         [ Links ]

YORINORI, J.T. Método do palito de dente para seleção de genótipos de soja com resistência ao cancro da haste. In: REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO CENTRAL DO BRASIL, 16., Dourados, 1994. Ata e Resumos. Londrina, CNPSo/EMBRAPA, 1994. p.130-131.         [ Links ]

YORINORI, J.T.; CHARCHAR, M.J.D.; NASSER, L.C.B. & HENNING, E.A. In: ARANTES, N. & SOUZA, P.I. de M. de. Doenças de soja e seu controle. In: ARANTES, N. & SOUZA, P. I. de M. de, eds. Cultura de soja nos cerrados. Piracicaba, POTAFOS, 1993. p.333-397.         [ Links ]

 

 

(1) Recebido para publicação em 9 de novembro de 1997 e aceito em 29 de julho de 1998. Trabalho apresentado no XX Congresso Paulista de Fitopatologia, em São Paulo (SP). Com auxílio da FAPESP.

(2) Centro de Plantas Graníferas, Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 28, 13001-970 Campinas (SP).

(3) Centro de Fitossanidade, IAC.

(4) Com bolsa de produtividade em pesquisa do CNPq.

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