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Revista Brasileira de Otorrinolaringologia

Print version ISSN 0034-7299

Rev. Bras. Otorrinolaringol. vol.74 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-72992008000500006 

ARTIGO ORIGINAL

 

Tumores odontogênicos: estudo clínico-patológico de 238 casos

 

 

Rafael Linard AvelarI; Antonio Azoubel AntunesII; Thiago de Santana SantosIII; Emanuel Sávio de Souza AndradeIV; Edwaldo DouradoV

ICirurgião-Dentista, Residente em cirurgia e traumatologia buco-maxilo-facial pelo Hospital Universitário Oswaldo Cruz
IICirurgião-Dentista, Aluno do Curso de Especialização em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial da Universidade de Pernambuco - FOP/UPE
IIICirurgião-Dentista, Residente em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial do Hospital Universitário Oswaldo Cruz - HUOC/UPE
IVDoutor, Professor adjunto da disciplina de Patologia Bucal da Faculdade de Odontologia de Pernambuco - Universidade de Pernambuco - FOP/UPE
VDoutor, Professor Adjunto de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial da Faculdade de Odontologia de Pernambuco - Universidade de Pernambuco - FOP/UPE. Disciplina de Patologia Bucal da Faculdade de Odontologia da Universidade de Pernambuco - FOP/UPE

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Os tumores odontogênicos são neoplasias que se desenvolvem exclusivamente nos ossos gnáticos, originando-se dos tecidos odontogênicos por proliferação de tecido epitelial, mesenquimal ou ambos.
OBJETIVO: Avaliar a incidência de tumores odontogênicos em determinada instituição e comparar com outros estudos da literatura mundial.
FORMA DE ESTUDO: Estudo de coorte transversal.
MATERIAL E MÉTODO: O material do estudo foi levantado a partir dos registros de pacientes com tumores odontogênicos, no período de janeiro de 1992 a março de 2007 (15 anos). Foram incluídos os casos de pacientes que se enquadravam na Classificação Histológica da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2005. Foram analisados os indicadores gênero, faixa etária, localização anatômica, tipo histológico e presença de sintomatologia.
RESULTADOS: Os tumores odontogênicos constituíram 4,76% dentre todas as lesões biopsiadas dentro do período estudado. A idade média dos pacientes foi de 30,7 anos, 57% dos pacientes eram do gênero masculino. O tumor odontogênico ceratocístico foi o tipo histológico mais prevalente (30%), seguido do ameloblastoma (23,7%). Quanto à presença de sintomatologia, 75,7% dos casos apresentaram-se assintomáticos.
CONCLUSÃO: Os tumores odontogênicos parecem ter discreta predileção pelo gênero feminino, segunda e terceira décadas de vida, sendo mais freqüentes na mandíbula e, na maioria dos casos apresentam-se assintomáticos.

Palavras-chave: classificação, epidemiologia, tumores odontogênicos.


 

 

INTRODUÇÃO

Os tumores odontogênicos constituem um grupo heterogêneo de lesões com características histopatológicas e manifestações clínicas diversas. O comportamento biológico destas lesões inclui proliferação hamartomatosa, tumores benignos não-agressivos, agressivos e tumores malignos1. Os tumores odontogênicos têm sido um assunto de considerável interesse para os patologistas orais, que os vêm estudando e catalogando durante décadas. Estas lesões compreendem 2,5% de todas as lesões biopsiadas nos consultórios odontológicos2,3.

Apesar de diversos estudos retrospectivos realizados na África4,5,6, Ásia7, Europa8,9, e na América do Norte10, há ainda algumas perguntas não-respondidas com relação à freqüência relativa e à incidência de alguns tumores odontogênicos 11.

Estas lesões têm mostrado variações geográficas na sua distribuição2. Inúmeros estudos em diferentes partes do mundo mostram diferenças na prevalência relativa destes tumores12. Na literatura inglesa, poucos relatos têm sido publicados sobre a freqüência dos tumores odontogênicos na América Latina, principalmente no Brasil13. Em um estudo de 362 casos no Chile, a freqüência foi de 1,29%14.

Em virtude da diversidade de lesões que podem surgir dos tecidos odontogênicos, diversos esquemas de classificação foram publicados na tentativa de definir seus critérios diagnósticos1.

A primeira tentativa de classificar este grupo de lesões foi publicada em 1971 após um esforço conjunto durante 5 anos da Organização Mundial de Saúde (OMS)12. Devido aos avanços em imunohistoquímica e biologia molecular durante a última década, uma segunda edição atualizada da OMS foi publicada em 199215. Em 2005, uma nova classificação foi proposta, onde o ceratocisto odontogênico foi incluído como tumor odontogênico benigno16.

O objetivo do presente estudo foi determinar o perfil do comportamento epidemiológico deste heterogêneo grupo de lesões em um período de 15 anos (1992-2007), e comparar os dados obtidos com os relatos da literatura.

 

MATERIAL E MÉTODOS

No período de janeiro de 1992 a março de 2007, realizou-se um estudo retrospectivo dos casos de tumores odontogênicos registrados na instituição. Foram analisados os indicadores gênero, faixa etária, localização anatômica, tipo histológico e presença de sintomatologia, em 238 laudos histopatológicos.

Em laudos que apresentavam tumores recorrentes, a aparência histológica dos tumores originais e recorrentes foi comparada e considerada como um único caso.

Os diagnósticos foram reavaliados de acordo com classificação da Organização Mundial de Saúde16, e devidamente adequados à nova classificação.

Após a obtenção da amostra, foi criado um banco de dados com o programa estatístico SPSS (v. 13.0), em que foi aplicado o teste Qui-quadrado para analisar a significância estatística dos achados. O valor de p quando menor que 0,05 foi considerado estatisticamente significante.

O presente estudo foi devidamente cadastrado no comitê de ética em pesquisa da instituição sob o protocolo nº 135717/07.

 

RESULTADOS

De acordo com os dados obtidos, os pacientes foram assim distribuídos:

 

Tabela 1

 

 

Tabela 2

 

 

Tabela 3

 

 

Tabela 4

 

DISCUSSÃO

Os tumores odontogênicos são lesões pouco freqüentes nos ossos gnáticos e seu diagnóstico diferencial deve ser considerado quando se estudam estas lesões2. Somente alguns trabalhos publicados avaliaram grande séries de casos avaliando idade, gênero e localização dos tumores odontogênicos em um país ou em uma área usando a classificação da Organização Mundial de Saúde3,6,7,14,17.

A partir de 2005, uma nova classificação incluiu o ceratocisto odontogênico como uma entidade dentro dos tumores odontogênicos, renomeando-o como tumor odontogênico ceratocístico. Esta lesão foi a mais prevalente no presente estudo (30%) (Tabela 2), não sendo possível, em função da sua nova classificação, comparar sua prevalência a outros tumores odontogênicos e a outros estudos. Com relação ao gênero, observou-se uma discreta predileção pelo gênero feminino (Tabela 1), não confirmado por outros estudos como de Mosqueda-Taylor et al.18. A respeito da distribuição da idade, foram observados dois picos em ambos os gêneros, o mais elevado na segunda e terceira década de vida com um pico mais baixo na sétima década (Tabela 2), estes achados coincidem com os do estudo de Ahlfors et al.19.

O ameloblastoma apresentou-se como o segundo tumor mais comum (23,7%) (Tabela 2), apresentando uma freqüência mais baixa quando comparado a outros registros descritos por Lu et al.7 (59%), Oduyoka6 (58%) e Adebayo et al.5 (48%). Na África, o ameloblastoma é considerado o tipo histológico mais comum, seguido pelo mixoma odontogênico6,15, em contraste a países como Chile18 e Canadá10, onde são representados por 20 e 18% dos tumores, respectivamente. O tumor mais comum nestes países é o odontoma com taxas de 45 e 46%, respectivamente10,19. No presente estudo, o ameloblastoma apresentou-se mais freqüente em pacientes do gênero masculino (52,6%) (Tabela 1) o que concorda com os estudos previamente feitos na Nigéria5 e Turquia8, e grande maioria dos pacientes relatou não apresentar nenhuma sintomatologia relacionada ao tumor (79%; p=0,023) (Tabela 4). Os achados africanos mostram que esta lesão é marcadamente mais prevalente da segunda à quarta década de vida5,17 e localizada preferencialmente na mandíbula7,17, o que foi confirmado no presente estudo (Tabela 2 e 3).

Os odontomas são responsáveis por 4% a 67% dos tumores odontogênicos5,6,10. Nas Américas esta lesão foi o tumor mais comum como descrito por Ochsenius et al.14, Mosqueda-Taylor et al.l3 e Daley et al.10, sendo a freqüência mais baixa desta lesão encontrada em africanos6 e chineses7. Cinquenta e quatro casos foram encontrados neste estudo de 15 anos (22,1%) (Tabela 2). A incidência baixa dos odontomas registrada por africanos4 é provavelmente devido à natureza assintomática de muitas lesões6 ou por fatores genéticos. Esta neoplasia foi diagnosticada predominantemente em pacientes abaixo dos 30 anos de idade, corroborando com dados encontrados na literatura onde novas lesões foram descobertas até a terceira década de vida5,6. Os odontomas tiveram uma maior prevalência na maxila (57,5%) (Tabela 3), sendo mais encontrado no gênero feminino (68,6%) (Tabela 1), correspondendo aos dados do estudo de Santos et al.13.

No presente trabalho, o mixoma odontogênico compreendeu 6,3% de todos os tumores odontogênicos (Tabela 2). Esta incidência foi aproximadamente duas vezes mais baixa do que a relatada por Mosqueda-Taylor et al.3, mas comparável a estudos feitos na América do Norte10.O estudo atual demonstra uma discreta prevalência em pacientes do gênero masculino (Tabela 1), sendo contrário a estudos feitos por Ladeinde et al.12 e Odukoia et al.6, que relataram uma freqüência mais elevada nas mulheres. Este estudo mostrou que a idade média dos pacientes afetados era de 29 anos, sendo mais elevada do que a observada em dois estudos precedentes da Nigéria5 e México11 (19 anos). A discreta predileção pela maxila (53,4%) (Tabela 3) é confirmada por diversos estudos como o de Mosqueda-Taylor et al.3 e diferem da posição relatada por Lu et al.7.

O tumor odontogênico adenomatóide compreendeu aproximadamente 5,4% de todos os tumores odontogênicos analisados (Tabela 2). De acordo com alguns trabalhos esta lesão é mais freqüentemente encontrada na maxila4,13,17, acometendo principalmente pacientes do gênero feminino17 (Tabela 1), o que foi confirmado no presente estudo onde 53,9% das lesões foram observados na maxila (Tabela 3) e 77% dos pacientes eram do gênero feminino (Tabela 1), sendo grande parte, pacientes na segunda década de vida, quando 07 dos 13 casos foram observados nesta faixa etária (Tabela 2).

O cisto odontogênico epitelial calcificante foi observado em 15 casos (6,3%) (Tabela 2), onde observou-se uma leve predileção pelo gênero feminino (53,4%) (Tabela 1) e em 66% dos casos foi encontrado na mandíbula (Tabela 3). Este achado corrobora com o que foi visto em outros estudos13, mas contrário ao estudo feito por Hiroyuki et al.17.Esta neoplasia é descoberta na grande maioria dos casos acidentalmente como um achado exame de rotina5. No presente trabalho 80% dos casos apresentaram-se assintomáticos (p=0,023) (Tabela 4) e sem predileção por faixa etária (Tabela 2).

O fibroma ameloblástico e o cementoblastoma representaram cada qual 1,7% e o tumor odontogênico epitelial calcificante (TOEC) constituiu 2% dos tumores odontogênicos neste estudo (Tabela 2). O cementoblastoma apresentou-se mais freqüente no gênero feminino (75%) (Tabela 1), sendo no gênero masculino mais comum o fibroma ameloblástico (75%) (Tabela 1) e o TOEC (60%) (Tabela 1). No presente estudo, estas lesões foram mais freqüentes na mandíbula (Tabela 3), contrariando alguns achados onde estas lesões estavam mais presentes na maxila13.

Lesões como tumor odontogênico escamoso e fibro-odontoma ameloblástico foram representadas por um único caso, sendo este diagnosticado em pacientes do gênero feminino, apresentando sintomatologia dolorosa e localizada na mandíbula. A baixa freqüência destes neoplasmas em outros estudos3,7,12,14 foi também encontrada neste trabalho, confirmando a raridade destes tumores.

É de fundamental importância que os perfis epidemiológicos sejam traçados, a fim de se obter um maior conhecimento sobre o comportamento destes tumores, otimizando, assim, o seu diagnóstico e tratamento.

 

CONCLUSÃO

Os tumores odontogênicos parecem ter discreta predileção pelo gênero feminino e pelas primeiras décadas de vida, sendo mais freqüentes na mandíbula e, na maioria dos casos assintomáticos. Foi observada diferença estatisticamente significante quando correlacionadas às variáveis tipo histológico e sintomatologia.

No Brasil e, especificamente neste estudo, em uma região onde a miscigenação da população é significante, algumas diferenças foram observadas em relação a estudos de outras partes do mundo.

 

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Endereço para correspondência:
Emanuel Sávio de Souza Andrade
Faculdade de Odontologia de Pernambuco
Disciplina de Patologia Bucal
Av. Gal. Newton Cavalcanti 1650 - Tabatinga
Camaragibe - PE - 54753-220

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da RBORL em 10 de maio de 2007. cod. 45103.
Artigo aceito em 14 de julho de 2007.

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