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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.98 no.3 São Paulo Mar. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2012000300003 

ARTIGO ORIGINAL

 

Tendência de mortalidade por infarto agudo do miocárdio em Curitiba (PR) no período de 1998 a 2009

 

 

Cristina Pellegrino BaenaI; Márcia OlandoskiI; Karin Regina LuhmIII,IV; Constantino Ortiz CostantiniII; Luiz César Guarita-SouzaI,II; José Rocha Faria-NetoI,II

IPontifícia Universidade Católica do Paraná
IIHospital Cardiológico Costantini, Curitiba
IIIDepartamento de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Paraná
IVCentro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, Curitiba, PR, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

FUNDAMENTO: O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é a principal causa isolada de óbito entre as doenças crônicas não transmissíveis no Brasil. O conhecimento das tendências de mortalidade é necessário para o planejamento de estratégias de prevenção.
OBJETIVO: Avaliar a tendência de mortalidade por infarto do miocárdio no período de 1998 a 2009 na cidade de Curitiba (PR), sua distribuição por gênero, faixa etária e seu impacto na redução do número absoluto de mortes por essa doença nesse período.
MÉTODOS: Dados demográficos foram obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e dados de óbitos foram obtidos no Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde, considerando gênero, faixa etária e residência. A partir do ajuste de um modelo de Regressão de Poisson foram estimadas taxas de mortalidade e número de mortes esperadas que não foram observadas.
RESULTADOS: Foi encontrada tendência de declínio significativa (p < 0,001) no período. A estimativa da redução média na taxa de óbito por IAM a cada ano foi de 3,8% (IC 95%: 3,2% - 4,5%). Não houve diferença significativa entre os gêneros (p = 0,238); entretanto, a evolução das taxas padronizadas específicas por idade diferiu significativamente entre as faixas etárias (p = 0,018). Estima-se que a redução anual de 3,8% na taxa de mortalidade tenha resultado em 2.168 mortes aquém do número esperado, considerando a taxa de mortalidade observada em 1998 e projetando esse número sobre o crescimento populacional ocorrido no período estudado.
CONCLUSÃO: Embora permaneça como causa importante de óbito, a mortalidade por IAM apresentou queda significativa no período avaliado

Palavras-chave: Infarto do miocárdio/mortalidade, epidemiologia, mortalidade/tendências, dados demográficos.


 

 

Introdução

As Doenças Cardiovasculares (DCV) permanecem como principal causa de morte nos países desenvolvidos e nos em desenvolvimento1, embora se observe nas últimas décadas um declínio nessa taxa de mortalidade2,3. Há, entretanto, evidências de diferenças importantes nessa queda em relação à distribuição geográfica, faixa etária, gênero, etnias e nível socioeconômico4,5.

No Brasil, as taxas de mortalidade por DCV apresentaram uma elevação que acompanhou a industrialização no país a partir da década de 1930. Dentro do grande grupo de DCV, as Doenças Isquêmicas do Coração (DIC) são as causas de óbito mais ocorrentes, sendo o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) a causa isolada de morte mais comum em homens e mulheres6. Entretanto, observa-se queda do risco de óbito por DCV ajustado por idade a partir da década de 1990 nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e algumas capitais do Norte e Nordeste, com algumas diferenças entre gêneros7.

A manutenção de tendência de declínio, no entanto, parece ser questionável, uma vez que a prevalência de alguns fatores de risco, como obesidade e diabete melito, tem aumentado8,9. Estudos com grandes populações demonstram que o risco atribuído a esses fatores é significativo10,11. Por sua vez, a análise do impacto exercido pelo controle de outros fatores de risco, seja em prevenção primária, seja em secundária, demonstra que o controle desses fatores é determinante para a redução da mortalidade cardiovascular que tem sido observada3,12,13. Nos Estados Unidos, metade da redução da mortalidade cardiovascular em duas décadas pôde ser explicada por um melhor controle dos fatores de risco, enquanto a outra metade foi atribuída aos tratamentos específicos das doenças específicas14.No município de Curitiba (PR), o infarto agudo do miocárdio tem sido a principal causa de morte isolada nos últimos 10 anos15, porém a taxa de mortalidade ajustada por idade e gênero no mesmo período não é descrita. Estudo prévio sobre doenças isquêmicas do coração nessa localidade durante o período de 1980 a 1998 evidenciou diferenças significativas entre os gêneros e idades16 em relação à mortalidade por IAM. Neste sentido, a avaliação local da evolução na tendência de mortalidade nos anos subsequentes é fundamental para o planejamento de políticas públicas de saúde e planejamento de ações de promoção e prevenção a serem executadas por entidades públicas e privadas.

O objetivo deste estudo foi avaliar a evolução da taxa de mortalidade por infarto agudo do miocárdio no período de 1998 a 2009 na cidade de Curitiba, bem como a distribuição da mortalidade por gênero, faixa etária e seu impacto no número absoluto de mortes por IAM nesse período.

 

Métodos

Neste estudo do tipo observacional ecológico, os dados sobre causas de mortes no período de 1998 a 2009 foram obtidos do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus)/Ministério da Saúde (MS).

Para a extração de dados sobre causa de mortalidade considerou-se a Causa CID BR-10 com código 068.1 equivalente ao código I-21 da CID-1017. As faixas etárias analisadas foram de 20 a 49 anos, 50 a 59 anos, 60 a 69 anos, 70 a 79 anos e 80 anos ou mais. Os dados de óbito foram coletados por local de residência6.

Os dados demográficos foram obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)18, sendo os denominadores dos cálculos de taxa correspondentes à população por gênero e faixa etária de acordo com os dados do período de 1998 a 2009.

Análise estatística

Para avaliação das taxas de mortalidade, ajustou-se um modelo de Regressão de Poisson considerando-se como variável-resposta o número de óbitos e como variável-explicativa o tempo correspondente aos anos observados. Como variável de exposição foi considerada a população em cada ano avaliado. A função de ligação foi a exponencial e, para avaliação do ajuste, foi considerada a função deviance.

O teste de Wald foi usado para avaliação da importância do efeito do tempo sobre a taxa de óbito. Esse mesmo teste foi considerado para avaliação do paralelismo entre grupos em relação à variação da taxa de mortalidade ao longo do tempo. Quando da identificação dessa importância, estimou-se a taxa de variação média dos anos consecutivos pelo modelo, com o respectivo intervalo de 95% de confiança.

A partir do ajuste do modelo de Poisson e considerando-se a linha de base (1998), foi estimado o número de mortes por IAM que seriam esperadas para o período de 1999-2009, mas que não ocorreram.

Valores de p < 0,05 indicaram significância estatística. A análise foi realizada com o programa computacional SPSS v.14.0.

 

Resultados

O infarto agudo do miocárdio permanece como primeira causa isolada de óbito entre as doenças crônicas não transmissíveis, apresentando mortalidade proporcional de 9,1% em 1998 e 6,7% em 2009. Porém, ressalta-se que, a partir de 2003, o IAM não configura a primeira causa isolada, tendo sido superada pelas mortes por causas externas.

Os resultados do modelo geral de mortalidade por IAM no período de 1998 a 2009 indicaram declínio significativo na taxa de mortalidade por IAM no período avaliado (p < 0,001) e a estimativa da redução média nessa taxa a cada ano foi de 3,8% (IC 95%: 3,2% - 4,5%).

Na figura 1 são apresentadas as taxas de mortalidade/100.000 indivíduos observados e as taxas estimadas pelo ajuste do modelo de Poisson com respectivos intervalos de 95% de confiança.

Taxa de óbito por IAM: análise por gênero

Ao longo do período estudado, a razão entre a taxa de óbito do gênero masculino e a taxa para o gênero feminino é 1,46.

Para o gênero masculino, evidenciou-se uma tendência de declínio (p < 0,001) com estimativa da redução média na taxa de óbito por IAM a cada ano de 3,5% (IC 95%: 2,7% - 4,3%). Da mesma maneira, para o gênero feminino houve tendência de declínio (p < 0,001) com estimativa da redução média na taxa de óbito por IAM a cada ano de 4,2% (IC 95%: 3,3% - 5,2%).

Adicionalmente, testou-se o paralelismo entre o gênero masculino e feminino em relação à evolução das taxas de mortalidade. Os resultados encontrados indicaram que não houve diferença significativa (p = 0,238) entre os gêneros em relação à tendência, conforme demonstra a figura 2.

Taxas padronizadas específicas por idade

As faixas etárias de 20 a 29, 30 a 39 e 40 a 49 anos foram agrupadas em uma nova categoria de 20-49 anos em razão do pequeno número de ocorrências em algumas das faixas etárias citadas. Nessa categoria, encontrou-se decréscimo significativo (p < 0,001), com redução média na taxa de óbito por IAM de 7,4% (IC 95%: 5,2% - 9,6%) por ano. Na faixa etária de 50 a 59 anos, o declínio também foi significativo (p < 0,001), com estimativa da redução média na taxa de óbito por IAM por ano de 7,0% (IC 95%: 5,5% -8,4%).

Também nas faixas etárias mais elevadas, 60-69, 70-79 e 80 anos ou mais o decréscimo foi significativo (p < 0,001). A estimativa da redução média na taxa de óbito por IAM a cada ano foi de 6,6% (IC 95%: 5,4%-7,8%) nos indivíduos de 60-69 anos, de 7,2% (IC 95%: 6,1% - 8,4%) nos indivíduos de 70-79 anos, e de 4,3% (IC 95%: 3,0% - 5,5%) nos indivíduos de 80 anos ou mais.

A comparação entre as faixas etárias de 20-49, 50-59, 60-69, 70-79 anos e 80 anos ou mais em relação ao declínio na taxa de mortalidade foi realizada testando-se a hipótese de paralelismo. A evolução da taxa de mortalidade na faixa de 80 anos ou mais difere significativamente dessa evolução para as demais faixas etárias (p = 0,018 para 20-49 anos; p = 0,008 para 50-59 anos; p = 0,012 para 60-69 anos; p = 0,002 para 70-79 anos). Entretanto, nas demais comparações entre as faixas etárias, não foi encontrada diferença significativa quanto à evolução das taxas de mortalidade por IAM (fig. 3).

Número de mortes a menos do que o esperado a partir da linha base de 1998

A partir do ajuste do modelo de Poisson, o número estimado de mortes por IAM no período de 1998-2009, considerando-se as taxas ajustadas de cada ano, é de 9.065. Entretanto, se a taxa ajustada de 1998 fosse mantida, o número de mortes estimado seria de 11.233. Esses resultados indicam que, mantendo-se o declínio médio de 3,8% no período de 12 anos, estima-se que 2.168 mortes seriam esperadas, mas não foram observadas nesse período (tab. 1). A evolução do número acumulado de mortes esperadas e não observadas no período analisado é apresentada na figura 4.

 

 

O declínio da mortalidade por IAM pode ainda ser representado pela diminuição do risco de morte usado nas tábuas de vida. Neste estudo, o risco de morte observada por IAM em Curitiba em 2009 foi 38,2% mais baixo do que em 1998.

 

Discussão

O estudo da mortalidade é utilizado como medida de parâmetros saúde da população, e o delineamento de estudo ecológico tem como característica a determinação geográfica da população estudada19. Sabe-se que esse tipo de estudo não se propõe à análise em nível individual e nem ao estabelecimento de relações causais. O que se apresenta, portanto, é a linha temporal de uma causa de mortalidade da população de Curitiba, que não deve ser inferida a outras populações, porém pode ser comparada com outras populações e pode, ainda, basear estudos longitudinais de relações causais. Observou-se que a mortalidade por infarto agudo do miocárdio apresentou significativa redução no período avaliado. A redução foi consistente ao longo dos anos, em ambos os gêneros e em todas as faixas etárias abaixo dos 80 anos. Essa redução resultou, ao término do período avaliado, em 2.168 mortes a menos do que poderia se esperar projetando a taxa de mortalidade de 1998 e levando-se em consideração o crescimento populacional no mesmo período. Ressalta-se que a redução ocorreu a despeito do aumento das taxas de admissões hospitalares por IAM no período. Esse fenômeno também foi evidenciado em estudo de metodologia semelhante realizado em outra capital brasileira20. A população com mais de 20 anos residente no município de Curitiba cresceu 19,5% no período estudado (1998 a 2009) e as taxas de hospitalizações por IAM pelo SUS aumentaram 35%.

O declínio anual das taxas de mortalidade por doenças isquêmicas do coração tem sido descrito em capitais do Brasil21,22. Estudo anterior que analisava as tendências de mortalidade por IAM e doenças isquêmicas do coração em Curitiba entre 1980 e 199816 já evidenciava tendência de diminuição de mortalidade por IAM, porém em ritmo de decréscimo menor do que os 3,8% ao ano aqui demonstrados. Embora aquele estudo tenha utilizado outro método de análise para a tendência, nossas estimativas de porcentual anual de decréscimo foram realizadas em relação aos anos imediatamente anteriores evidenciando uma tendência de declínio ainda maior do que a encontrada em período anterior. Outro aspecto a ser considerado é o da limitação das projeções populacionais intercensitárias. Nosso estudo utilizou os dados do Censo de 2010 que corrigiu as projeções anteriores e evidenciou a superestimação dos dados antes apresentados.

Em relação à diferença entre os gêneros, a proporção de mortes masculino/feminino encontrada em nosso estudo foi, em média, de 1,46, enquanto naquele trabalho a proporção encontrada foi de 1,6. Outros estudos realizados em capitais brasileiras que tambem têm evidenciado a tendência de queda da mortalidade por IAM em período semelhante apontam para a diferenças entre os gêneros23. Dados do estudo INTERHEART11 demonstraram que mulheres tendem a sofrer o primeiro infarto mais tarde do que homens, porém esse fenômeno não parece refletir-se na tendência de declínio de mortalidade. Em nosso estudo, a diminuição foi semelhante entre os gêneros, evidenciada pelo teste de paralelismo sugerindo que a maior tendência de diminuição de mortalidade masculina por IAM registrado anteriormente parece ter se direcionado a um paralelo em relação à mortalidade feminina na última década.

Na comparação entre faixas etárias, as idades mais avançadas (60-69 e 70-79 anos) apresentaram maior proporção de declínio em relação às idades mais jovens (20-49 anos) indicando que a diminuição da tendência de mortalidade por IAM observada neste estudo parece caminhar para o quarto estágio do modelo de transição epidemiológica adaptado para doenças cardiovasculares descrito por Yusuf e cols.24. Nessa fase, os esforços direcionados ao diagnóstico e ao tratamento de doenças cardiovasculares conseguem atrasar a mortalidade para idades mais avançadas. Esse achado sugere uma fase de transição epidemiológicadas doenças cardiovasculares para Curitiba caso o mesmo fenômeno seja observado em outras causas de óbito cardiovascular, diferente dos achados de outras regiões metropolitanas do Brasil25, e mais próxima de proporções encontradas em países desenvolvidos26.

Ainda em relação às idades, a não adequação da faixa de 80 anos ou mais nas comparações entre essa faixa e as demais à distribuição de Poisson parece ter sido efeito do comportamento errático em alguns anos do período, porém observa-se a tendência de declínio.Além da elevação prevista nas estratificações de risco, é interessante ressaltar que especialmente nessa faixa etária os fatores socioeconômicos parecem estar mais relacionados com a maior dificuldade de declínio de mortalidade por DCV como tem sido descrito21,27. Embora se saiba que esse fenômeno possa estar influenciando o comportamento da tendência de mortalidade, essa associação não foi analisada neste trabalho. Há que considerar, ainda, que a faixa etária de 80 anos ou mais não está incluída na Lista Brasileira de Mortes Evitáveis, uma vez que a metodologia daquela lista se baseia na expectativa de vida da população sendo 75 anos, a idade limite da lista atual28.

Este estudo restringiu-se à análise dos dados de óbito, e permanecem obscuras as causas do declínio da mortalidade por IAM. Parte significativa do risco de IAM e de doenças cardiovasculares está associada a fatores modificáveis amplamente conhecidos29,30. Segundo dados do estudo INTERHEART11, globalmente podem-se atribuir 90% do risco de um primeiro IAM à presença de seis fatores de risco (dislipidemia, hipertensão, tabagismo, diabetes, obesidade abdominal e fatores psicossociais) ou ausência de três fatores "protetores" (consumo diário de frutas e verduras, atividade física e consumo leve de álcool). Estudos populacionais que avaliaram os fatores relacionados ao declínio da mortalidade cardiovascular, seja em prevenção primária,seja em secundária, demonstram que o controle desses fatores de riscos, e não só a melhora no tratamento das síndrome agudas, responde por parcela significativa no quadro de declínio de mortalidade12,13,31.

Nesse sentido, o cálculo do número de mortes a menos do que o esperado a partir da linha base de 1998 serve como ponto de partida para modelos de análise que avaliem o peso do controle de fatores de risco e o impacto de terapias efetivas amplamente preconizadas pelas diretrizes para o tratamento de IAM sem supradesnivelamento32 e com supradesnivelamento do segmento ST33. Alguns estudos apontam o número de mortes evitadas a partir da terapia fibrinolítica34 no manejo do IAM, porém a combinação e o peso das terapias atualmente preconizadas como trombólise, antiplaquetárias, betabloqueadores, inibidores da enzima conversora de angiotensina e angioplastia no número de vidas salvas não é claro. Em nosso meio, esses componentes ainda não foram analisados simultaneamente. A carência de dados registrados, provenientes dos serviçoes públicos e privados, sobre a prevalência dos diversos fatores de risco modificáveis ao longo dos anos, coloca em dúvida a possibilidade de essa análise ser realizada de maneira confiável em larga escala no nosso país.

Em conclusão, a tendência de declínio da mortalidade por IAM em Curitiba (PR) no período de 1998 a 2009 foi significativa, evidenciando uma diminuição de 38,2% no risco de morte por IAM em indivíduos de 20 anos ou mais. Essa diminuição resultou em 2.168 mortes esperadas e não observadas no período. Uma análise detalhada dos fatores associados a essa redução seria necessária para futuros planejamentos de ações nos diferentes níveis de atenção à saúde em nosso meio.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Vinculação Acadêmica

Este artigo é parte de tese de Doutorado de Cristina Pellegrino Baena pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

 

Referências

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Correspondência:
José Rocha Faria-Neto
Rua Des. Otávio do Amaral, 741/802, Bigorrilho
80730-400 - Curitiba, PR, Brasil
E-mail: jrochafaria@cardiol.br, jose.faria@pucpr.br

Artigo recebido em 04/08/11; revisado recebido em 18/10/11; aceito em 21/10/11.