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Summa Phytopathologica

Print version ISSN 0100-5405

Summa phytopathol. vol.39 no.2 Botucatu Apr./June 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-54052013000200005 

ARTIGOS

 

Progresso da seca da haste (Botrytis cinerea) do hibisco (Hibiscus sabdariffa) em quatro épocas e dois métodos de plantio*

 

Stem blight (Botrytis cinerea) progress in roselle (Hibiscus sabdariffa) in four periods and two planting methods

 

 

Carlos Alberto de OliveiraI; Paulo Estevão de SouzaII**; Edson Ampélio PozzaII; José Eduardo Brasil Pereira PintoIII; Patrícia Baston BarrettiII

IUniversidade Federal de Viçosa - Campus de Florestal, CEP 35690-000, Florestal, MG
IIDepartamento de Fitopatologia
IIIDepartamento de Agricultura, Universidade Federal de Lavras, Cx. Postal 37, CEP 37200-000, Lavras, MG

 

 


RESUMO

O progresso da seca da haste em hibisco foi estudado em quatro épocas e dois métodos de plantio. O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com quatro repetições e os oito tratamentos foram dispostos em esquema fatorial 4 (épocas de plantio) x 2 (métodos de plantio), sendo: semeadura direta em 05/02/03, 06/03/03, 05/04/03 e 15/05/03; transplantio de mudas em 24/12/02, 25/01/03, 24/02/03 e 25/03/03. Imediatamente após o surgimento dos sintomas, avaliou-se a doença a cada 10 dias até o final do ciclo, aos 205 dias, calculando-se a porcentagem de hastes infectadas por planta. Calculou-se a área abaixo da curva de progresso para a incidência (AACPI). As curvas de progresso da doença dos tratamentos foram submetidas ao ajuste dos modelos linear, exponencial, monomolecular, logístico e Gompertz. Houve interação significativa de métodos e épocas de plantio na incidência da doença. Constatou-se menor incidência da seca da haste em transplantio de mudas comparado à semeadura direta em todas as épocas de plantio. Verificou-se aumento da incidência proporcionado pelo atraso na época de plantio nos dois métodos. O modelo exponencial foi o que melhor descreveu o comportamento da doença em todos os tratamentos. As diferenças estatísticas entre os tratamentos, considerando a taxa de progresso, não refletiram a intensidade da doença no campo. Na mesma época de plantio, as quantidades inicial e máxima da doença, observadas na semeadura direta, foram superiores aos tratamentos referentes ao transplantio de mudas, coerentes com os valores da AACPI. Registrou-se uma relação direta entre queda de temperatura e aumento da incidência da seca da haste.

Palavras-chave: Incidência, AACPD e curva de progresso.


ABSTRACT

Stem blight progress in roselle was studied in four periods and two planting methods. Experimental design was in randomized blocks with four replicates and eight treatments in 4 (periods) x 2 (planting methods) factorial arrangement: direct sowing on 05/02/03, 06/03/03, 05/04/03, 15/05/03 and seedling transplanting on 24/12/02, 25/01/03, 24/02/03, 25/03/03. Immediately after the emergence of symptoms, the disease was evaluated at every 10 days until the end of the cycle, at 205 days, and the percentage of infected stems was calculated. The area under the progress curve of the incidence (AUPCI) was calculated. The disease progress curves for the treatments were adjusted to linear, exponential, monomolecular, logistic and gompertz models. There was significant interaction of methods and planting periods for the disease incidence. Lower incidence of stem blight was noted for seedling transplanting compared to direct sowing in all planting periods. There was increased incidence due to the delay in planting for the two methods. The exponential model best described the disease behavior in all treatments. The statistical differences among treatments considering the progress rate did not reflect the disease intensity in the field. In the same planting period, the initial and maximum quantities of the disease, at the direct sowing, were superior to the treatments related to the seedling transplanting, consistent with the AUPCI values. A direct relationship was recorded between temperature fall and increased incidence of stem blight.

Additional keywords: Incidence, AUDPC and progress curve.


 

 

As plantas medicinais são amplamente utilizadas pelo público, principalmente na forma de infusões, e, também, pela indústria farmacêutica e de cosméticos para a formulação de medicamentos e de produtos de beleza, respectivamente. Dentre as espécies de interesse, destaca-se o hibisco (Hibiscus sabdariffa L.). Seus cálices são utilizados em chás, refrescos, geléias e condimentos, principalmente devido aos efeitos diurético, laxante, calmante e antiescorbútico, entre outros. Para atender a demanda crescente é necessário, além de aumentar a área de cultivo e a produtividade, evitar ou reduzir as perdas causadas por pragas, doenças e plantas daninhas. Entre os problemas fitossanitários da cultura, a seca da haste (Botrytis cinerea Pers.) causa perdas significativas por causar podridão de hastes e flores (14). Apesar do relato, pouco se sabe sobre a época do ano de sua ocorrência ou de maior intensidade da doença. Plantios tardios ou antecipados certamente exercerão influência na intensidade da seca da haste, já que os fatores relacionados ao progresso da doença, como o ambiente e o hospedeiro, estarão interagindo de forma independente (15). Em outras culturas como o girassol, na Inglaterra, o semeio antecipado realizado no período de 21 de março a 20 de abril, proporcionou maior incidência de B. cinerea na inflorescência em relação ao plantio tardio realizado no período de 21 de abril a 10 de maio. Este comportamento foi atribuído ao período coincidente da emissão da inflorescência em plantios antecipados com temperatura mais favoráveis ao patógeno, na faixa de 14 a 16º C (11). Seguindo a mesma hipótese, Pinto et al. (18) analisaram epidemias de podridão branca do alho (Sclerotium cepivorum Berk.), em diferentes épocas de plantio e concluíram que ao antecipar a época normal de plantio, que geralmente ocorre em março/abril para fevereiro, ocorreu atraso no início da epidemia, menor duração desta e menor incidência final da doença.

Como em outros patossistemas, torna-se necessário entender como a doença comporta-se nos diferentes plantios ao longo do ano, interagindo com o ambiente, para possibilitar o plantio em épocas desfavoráveis à doença. Desta forma, foram objetivos desse trabalho: i) estudar o progresso da seca da haste (B. cinerea) em quatro épocas e dois métodos de plantio; ii) correlacionar a incidência da seca da haste com as variáveis ambientais da região.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido seguindo os preceitos da agricultura orgânica para plantas medicinais, no Setor de Olericultura do Departamento de Agricultura da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Minas Gerais, em latossolo vermelho escuro, latitude sul de 21º 14', longitude oeste de 45º 00' e altitude de 920 metros. Os dados meteorológicos relativos ao período de condução do experimento (01/09/02 a 26/06/03) foram obtidos da estação meteorológica da UFLA, localizada a 500 metros do experimento.

Preparo da área experimental e condução do experimento

Antes da instalação do experimento foram retiradas amostras de solo, as quais foram encaminhadas para análise química. No preparo do solo foram necessárias uma aração e duas gradagens. A fertilização do solo e das plantas foi realizada utilizando-se esterco bovino curtido (500 g.cova-1 para base seca), incorporado manualmente com enxada.

As irrigações por aspersão, quando necessárias, foram realizadas somente no início do ciclo nos plantios de setembro e outubro. Capinas manuais foram realizadas em todas as parcelas até o completo estabelecimento da cultura.

Delineamento experimental

O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, com quatro repetições. Os tratamentos foram dispostos em esquema fatorial 4 x 2, sendo constituídos pelas combinações de quatro épocas e dois métodos de plantio, conforme o esquema:

T1 - Semeadura direta no período de 05/02/03 a 25/03/03;

T2 - Transplantio de mudas no período de 24/12/02 a 13/02/03;

T3 - Semeadura direta no período de 06/03/03 a 23/04/03;

T4 - Transplantio de mudas no período de 25/01/03 a 17/03/03;

T5 - Semeadura direta no período de 05/04/03 a 22/05/03;

T6 - Transplantio de mudas no período de 24/02/03 a 14/04/03;

T7 - Semeadura direta no período de 15/05/03 a 17/06/03 e

T8 - Transplantio de mudas no período de 25/03/03 a 15/05/03.

Cada parcela de 16,80 m2 (4,20 m x 4,00 m) foi constituída de quatro fileiras de plantio com espaçamento de 1 m e sete covas na fileira com espaçamento de 0,60 m, perfazendo um total de 28 plantas por parcela. A unidade amostral foi constituída de 10 plantas centrais, sendo que as duas fileiras externas e a planta de cada extremidade das duas fileiras internas constituíram a bordadura. A área experimental foi composta de 18 parcelas, correspondendo a uma área de 268,8 m2. Procedeu-se à semeadura de três fileiras adensadas de milho entre as parcelas visando o seu isolamento.

As mudas foram produzidas em bandejas de isopor (128 células) com substrato Plantmaxâ hortaliça, em casa de vegetação. Aos 40 dias, as mesmas foram transplantadas, utilizando-se uma muda por cova. Na semeadura direta utilizaram-se de quatro a seis sementes por cova, numa profundidade média de 3 cm. Quando as plantas atingiram o estádio de cinco a seis folhas definitivas realizou-se o desbaste, deixando-se apenas uma planta por cova.

Avaliação da doença e análise do progresso temporal

No início da ocorrência dos primeiros sintomas iniciou-se a avaliação da doença em intervalos de 10 dias, até o final do ciclo (205 dias). Avaliou-se a incidência, registrando-se o número de hastes infectadas por planta. Na última avaliação, registrou-se o número total de hastes por planta e procedeu-se ao cálculo da porcentagem de hastes infectadas por planta.

A análise da dinâmica temporal foi realizada de acordo com a área abaixo da curva de progresso da incidência (AACPI), segundo Shaner & Finney (20). Os dados foram transformados utilizando-se o Box-Cox (13) e analisados com o programa estatístico SISVAR.

As variáveis significativas no teste F da análise de regressão para o progresso da doença ao longo do tempo foram submetidas ao ajuste dos modelos linear, exponencial, monomolecular, logístico e Gompertz. O ajuste dos modelos aos dados de progresso de doença foi realizado utilizando-se o software Statistical Analysis System - SASâ, por meio do procedimento MODEL (19). Esse procedimento fornece, de forma direta, testes para avaliar as pressuposições (resíduos independentes e homogeneidade de variâncias) necessárias ao processo de estimação dos parâmetros.

Os tratamentos foram comparados utilizando-se a área abaixo da curva de progresso da incidência e as taxas de progresso obtidas a partir da seleção do melhor modelo. As taxas de progresso da doença foram comparadas por meio da equação (7):

(θ1 - θ2) ± t[ P/2; n1 + n2 - (2 p) ] s[ d ],

em que θ1 e θ2 são os parâmetros (taxa de progresso), t é o valor tabelado da distribuição de "t"de student com nível de significância, P/2 e n1 + n2 - (2 p) graus de liberdade (n1 e n2 são os números de observações e p é o número de parâmetros) e s[ d ] é o erro padrão da diferença entre os parâmetros.

Para validar as diferenças, as taxas de progresso da doença (r) de cada tratamento foram comparadas entre si, por meio do intervalo de confiança (P<0,05). Quando o intervalo de confiança incluiu zero, não se verificaram diferenças entre as taxas de progresso da doença, aceitando-se a hipótese de nulidade (7).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Área abaixo da curva de progresso da incidência (AACPI) da seca da haste

Houve interação significativa de métodos e épocas de plantio para a variável AACPI. No desdobramento de métodos de plantio dentro de épocas constatou-se menor incidência da seca da haste em transplantio de mudas de 40 dias, comparado à semeadura direta em todas as épocas de plantio (Figura 1). A menor incidência no transplantio de mudas ocorreu em função de três fatores. Primeiro devido ao menor período de exposição das plantas de hibisco a B. cinerea no campo, já que as mudas permaneceram em casa-de-vegetação durante os 40 dias iniciais. O segundo fator foi a exposição no campo a período desfavorável à doença. Ao contrário para as plantas oriundas de semeadura direta, as variáveis ambientais foram favoráveis ao patógeno nos últimos 50 dias de ciclo, favorecendo a seca da haste (Figura 1). O terceiro fator refere-se ao fato de as plantas oriundas de mudas terem atingido menor volume de copa. Registraram-se médias de 413 hastes por planta no final do experimento, ao passo que, nas plantas oriundas de semeadura direta, registraram-se em média 476 hastes por planta. O menor volume de copa provavelmente proporcionou um microclima menos favorável ao progresso da epidemia. De acordo com Daugaard (10), a circulação de ar na cultura do morangueiro foi crucial no programa de manejo do mofo cinzento (B. cinerea). Em programas de manejo integrado no nordeste dos Estados Unidos, o espaçamento mínimo de 60 a 70 cm e o controle eficiente de plantas daninhas são recomendados no controle do mofo cinzento do morangueiro (9). O plantio de morangueiro em fileiras duplas ou triplas também aumentou a incidência do mofo cinzento (22). O bom arejamento promovido pela remoção do excesso de folhas de videira foi importante na redução da incidência e da severidade da podridão de cachos de uva (B. cinerea) (12).

Verificou-se, nos dois métodos de plantio, incremento da incidência da doença em função do atraso na época de plantio. Esse aumento pode ser atribuído ao período coincidente do ciclo da cultura nos plantios tardios com variáveis ambientais favoráveis ao patógeno, registradas no período. A média da temperatura ambiente nos últimos 50 dias de ciclo variou para as quatro épocas de plantio. Para o método de transplantio, a média das temperaturas nos períodos de 01 de setembro a 01 de outubro foi de aproximadamente 24-25º C, respectivamente (Figura 2), enquanto infecções de B. cinerea em morangueiro, roseira, tomateiro e videira foram relatadas em temperatura de 12 a 25ºC (1, 5, 6, 16 e 26). Verificou-se queda gradual da temperatura, proporcionada pelo atraso na época de plantio, e uma relação estreita entre a queda de temperatura e o aumento da incidência no campo, comprovada na análise de correlação (Tabela 1). Na Inglaterra, o semeio antecipado de girassol, realizado no período de 21 de março a 20 de abril, proporcionou maior incidência de B. cinerea na inflorescência em relação ao plantio tardio realizado no período de 21 de abril a 10 de maio. Este comportamento foi atribuído ao período coincidente da emissão da inflorescência em plantios antecipados com temperatura mais favorável ao patógeno, na faixa de 14 a 16º C (11).

 

 

Curvas de progresso da seca da haste

Somente o modelo exponencial obteve significância dos parâmetros no teste t (P<0,05) (Tabelas 2 e 3). Segundo os trabalhos de Vanderplank (24), autores como Teng (23), Waggoner (25), Berger (3) e Campbell & Madden (7), consideram o modelo exponencial ou logístico para descrever satisfatoriamente o progresso de doenças em culturas que formam dossel. O modelo exponencial foi utilizado para descrever o progresso de doenças como a septoriose (Mycosphaerella graminicola) (21) e a ferrugem (Puccinia striiformis) (17) do trigo e o colapso ou morte súbita (Monosporascus cannonballus) do melão rendilhado (Cucumis melo) (2). Segundo Shaw & Royle (21), o ajuste dos dados ao modelo exponencial no patossistema trigo/M. graminicola foi atribuído ao aumento da taxa de liberação de esporos, concomitante ao aumento da área foliar, devido à emergência de novas folhas.

No presente estudo, observou-se a preferência do fungo por ápices ou botões florais e lesões esporulantes, principalmente em dias úmidos. O ajuste dos dados ao modelo exponencial pode ser atribuído à liberação abundante de esporos e à disponibilidade de tecido sadio, pois verificou-se um efeito compensatório em decorrência da emissão progressiva de hastes laterais e botões florais.

Taxas de progresso da seca da haste

Foram plotados os valores observados e a curva foi estimada a partir do modelo exponencial para a incidência da seca da haste em H. sabdariffa (Figuras 3 e 4). Isso permitiu visualizar o progresso da doença de acordo com a taxa em cada tratamento. As maiores taxas de progresso foram obtidas nos tratamentos referentes ao método de transplantio de mudas em todas as épocas de plantio, porém o máximo de doença foi observado nos tratamentos provenientes da semeadura (Figuras 3 e 4).

Pela análise dos intervalos de confiança calculados para as taxas de progresso (P<0,05), quando compararam-se as taxas referentes aos dois métodos de plantio em todas as épocas, foram verificadas diferenças entre as taxas em 12 das 16 possibilidades, evidenciando a superioridade das taxas dos tratamentos referentes ao método de transplantio de mudas (Tabela 4). Entretanto, quando compararam-se as taxas de progresso nas quatro épocas de plantio em cada método de plantio, somente foram verificadas diferenças entre as taxas no método de transplantio de mudas realizado nos períodos de 24/02/03 a 14/04/03 e 25/03/03 a 15/05/03 (tratamentos 6 e 8, respectivamente) (Tabela 5). Já no método de semeadura direta foram observadas diferenças entre as taxas dos plantios realizados nos períodos de 05/02/03 a 25/03/03 e 06/03/03 a 23/04/03, 05/02/03 a 25/03/03 e 05/04/03 a 22/05/03, 05/02/03 a 25/03/03 e 15/05/03 a 17/06/03 (tratamentos 1 e 3, 1 e 5 e 1 e 7, respectivamente) (Tabela 6).

 

 

 

 

 

 

Deve-se observar que as taxas maiores foram obtidas no método de transplantio. No entanto, a AACPI foi menor nesse tratamento devido ao menor tempo de exposição das plantas no campo, resultando em quantidade final menor de doença, realçando a evasão à doença. Este resultado realça a importância da avaliação de outros componentes de uma epidemia, tais como incidência inicial (Y0) e incidência final (Ymax) da doença. Na mesma época de plantio, o Y0 e o Ymax observados dos tratamentos referentes ao método de semeadura direta foram superiores aos tratamentos referentes ao método de transplantio de mudas (Tabela 7). Nesse estudo, os tratamentos com maior Y0 proporcionaram taxas menores de progresso da seca da haste em relação aos tratamentos com menor Y0. Esse comportamento também foi descrito por Campbell & Madden (7) e Berger (4) em outros patossistemas. O aumento crescente de Ymax também foi verificado em função do avanço na época de plantio nos dois métodos de plantio. Estes dados estão coerentes com os valores da AACPI. Castro (8), ao avaliar o efeito de quatro épocas de plantio (15 de outubro, 15 de novembro, 15 de dezembro e 15 de janeiro) na produção de cálices de H. sabdariffa, também verificou aumento proporcional da incidência (%) da doença em flores à medida que avançou a época de plantio.

 

 

Dessa forma, de acordo com os experimentos conduzidos neste estudo, verificou-se que os plantios tardios apresentaram maior AACPI nos dois métodos de plantio, devido à queda na temperatura e o método de semeadura direta apresentou maior AACPI em relação ao método de transplantio de mudas.

 

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Data de chegada: 30/07/2012
Aceito para publicação em: 13/04/2013

 

 

**Autor para correspondência: Paulo Estevão de Souza (pauleste@dfp.ufla.br)
* Parte da tese de doutorado do primeiro autor apresentada à Universidade Federal de Lavras.

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