SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.25 issue3Intraoperative ultrasound during laparoscopic cholecystectomyRepair of inguinal indirect hernia using the hernial sac in reinforcement wall of adult author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

Share


Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

Print version ISSN 0100-6991

Rev. Col. Bras. Cir. vol.25 no.3 Rio de Janeiro June 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-69911998000300007 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Profilaxia antimicrobiana em cirurgia do aparelho digestivo: uma proposta de adequação

 

Antbiotic prophylaxis in gastroenterologic surgery: a proposal of adjustment

 

 

Marise Reis de FreitasI; Carlos Alberto P. PereiraII; Luci CorrêaIII; Adauto Castelo FilhoIV; Gaspar de Jesus Lopes Filho, TCBC-SPV; Sergio Barsanti WeyIV

IPós-Graduanda a nível de Doutorado na Disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias da UNIFESP-EPM
IIMédico responsável pelo Programa de Racionalização do Uso de Antimicrobianos do Hospital São Paulo, UNIFESP-EPM
IIIMédica do Programa de Racionalização do Uso de Antimicrobianos do Hospital São Paulo, UNIFESP-EPM
IVProfessor Adjunto da Disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias da UNIFESP-EPM
VProfessor Adjunto da Disciplina de Gastroenterologia Cirúrgica da UNIFESP-EPM

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A profilaxia antimicrobiana é uma das medidas de controle da infecção da ferida cirúrgica. Mesmo com os princípios básicos hoje bem estabelecidos, cerca de 40% das indicações habituais de profilaxia são inadequadas e um dos erros mais comuns está relacionado à duração, em geral superior a 48 horas. Ajustes na profilaxia, além de favorecer sua eficácia na prevenção da infecção cirúrgica, provavelmente contribuiriam para reduzir a pressão seletiva sobre a emergência de bactérias resistentes e custos hospitalares. A simples instituição de uma rotina de antibiótico-profilaxia não garante a adesão dos cirurgiões para adequação do uso de antimicrobianos. No presente estudo, uma intervenção foi realizada na Disciplina de Gastroenterologia Cirúrgica da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina, com a implantação de uma rotina de profilaxia, com a supervisão direta de um infectologista. Os objetivos deste estudo foram avaliar a adequação do uso do antibiótico profilático e seu efeito sobre a infecção cirúrgica pós-operatória. Foi considerada adequada a profilaxia com duração menor ou igual a 24 horas. Dos 318 procedimentos cirúrgicos realizados nos períodos pré e pós-intervenção, em 67,9% foi usado um antibiótico profilático. A intervenção reduziu o uso inadequado de antibiótico de 46,3% para 20,4% 2 = 15,59; p < 0,05). Infecção do sítio cirúrgico ocorreu em 35,8% dos procedimentos, não se observando modificação deste índice com a adequação da antibiótico-profilaxia. A participação do infectologista é importante na difícil tarefa de racionalizar o uso dos antimicrobianos em nível hospitalar.

Unitermos: Antibiótico, uso profilático; Infecção de ferida operatória; Infecção hospitalar.


ABSTRACT

Antibiotic prophylaxis is an important measure for the control of surgical site infection. Its principles are well establish in the literature. However, at least 40% of the indications for prophylaxis are inadequate. One of the most common errors is related to the duration of the prophylaxis, which is frequently greater than 48 hours. Adjustments made in prophylaxis would not only decrease surgical site infection rates, but also contribute to the reduction of the selection of resistant bacteria in hospitals and reduce costs. The establishment of prophylaxis routine does not guarante the correct use of antibiotics by surgeons. This study was conducted in the Disciplina de Gastroenterologia Cirúrgica of the Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina. The aim of the study were to evaluate the adequate use of the prophylactic antibiotic and its effect on the surgical site infection rate. Antibiotic utilization for 24 hours or less was considered adequate. Of the 318 surgical procedures performed before and after the implementation of the study; 67.9% were followed by the use of prophylactic antibiotic. There was a reduction of inadequate use of antibiotic from 46.3% to 20.4% (χ2 15.59; p < 0.005). Infection of the surgical site occurred in 35.8% of the procedures. No significant change in this percentage was observed with the correct use of prophylactic antibiotic.

Key words: Surgical wound infections; Prophylactic antibiotic; Hospital infections.


 

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

 

REFERÊNCIAS

1. Bernstein LR, Barriere SL, Conte JE. Utilization of antibiotics: analysis of appropriateness of use. Ann Emerg Med 1982; 11 :400-403.         [ Links ]

2. Daschner FD(organized by). WHO symposium: use and abuse of antibiotics worldwide. Infection 1989; 17:46-48.         [ Links ]

3. Kunin CM, Johansen KS, Woming AM, et al. Report of a symposium on use and abuse of antibiotics worldwide. Rev Infect Dis 1990; 12: 12-19.         [ Links ]

4. Marangoni DV. Análise do emprego de antibióticos no Hospital Universitário da UFRJ no período de agosto a outubro de 1979. Rio de Janeiro, 1982. 164p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Rio de Janeiro.         [ Links ]

5. Prade SS, Oliveira ST, Rodriguez R, et al. Estudo brasileiro da magnitude das infecções hospitalares em hospitais terciários. Rev Controle Infec Hosp 1995; 2:11-24.         [ Links ]

6. Anonimous. Antimicrobial prophylaxis in surgery. The Medical Letter 1992; 34:5-8.         [ Links ]

7. Kappstein I & Daschner FD. Use of perioperative antibiotic prophylaxis in selected surgical procedures - results of a survey in 889 surgical departments in German Hospitals. Infection 1991; 19:391-394.         [ Links ]

8. Trilla A, Mensa J. Perioperative antibiotic profilaxis. In Wenzel, R.P: Prevention and control of nosocomial infections. 2nd ed. Baltimore: Williams & Wilkins, 1993, pp 665-682.         [ Links ]

9. Ehrenkranz NJ. Antimicrobial prophylaxis in surgery: mechanisms, misconceptions, and mischief. Infect Cont Hosp.Epidemiol 1993; 14:99-106.         [ Links ]

10. Ludwig KA, Carlson MA, Condon RE. Prophylactic antibiotics in surgery. Ann Rev Med 1993; 44:385-93.         [ Links ]

11. Ulualp K, Condon RE. Antibiotic prophylaxis for scheduled operative procedures. Infect Dis Clin Noth Am 1992; 6:613-625.         [ Links ]

12. Pittet D, Ducel G. Infectious risk factors related to operating rooms. Infect Cont Hosp Epidemiol 1994; 15:456-462.         [ Links ]

13. Martin C. Antimicrobial prophylaxis in surgery: general concepts and clinical guidelines. Infect Control Hosp Epidemiol 1994;15:463- 471.         [ Links ]

14. Bergamini TM, Polk HC. The importance of tissue antibiotic activity in the prevention of operative wound infection. J Antim Chemoth 1989; 23:302-313.         [ Links ]

15. Nix DE, Goodwin SD, Peloquin CA, et al. Antibiotic tissue penetration and its relevance: models of tissue penetration and their meaning. Antim Ag Chemoth 1991; 35:1947-1852.         [ Links ]

16. Burke JF. The effective period of preventive antibiotic action in experimental incisions and dermal lesions. Surgery 1961; 50:161- 168.         [ Links ]

17. Classen DC, Evans RS, Pestotnik SL, et al. The timing of prophylactic administration of antibiotics and the risk of surgical-wound infection. N Eng J Med 1992; 326:281-286.         [ Links ]

18. Dipiro JT, Cheung RPF, Bowden TA, et al. Single dose systemic antibiotic prophylaxis of surgical wound infections. Am J Surg 1986; 152:552-558.         [ Links ]

19. Dellinger EP, Gross PA, Barrett TL, et al. Quality standard for anti-microbial prophylaxis in surgical procedures. Infect Cont Hosp Epidemiol 1994; 15:182-188.         [ Links ]

20. National Research Council. Postoperative wound infection: the influence of ultraviolet radiation on the operation room and various other factors. Ann Surg 1964; 160(suppI2):1-132.         [ Links ]

21. Starling CEF, Pinto CAG, Conto BRGM, et al. Sistema de vigilância epidemiológica de infecções hospitalares por componentes - metodologia NNISS aplicada a hospitais brasileiros, versão 1.0, Belo Horizonte, 1992, p134.         [ Links ]

22. Horan TC, Gaynes RP, Martone WJ, et al. CDC definitions of nosocomial surgical site infections, 1992: a modification of CDC definitions of surgical wound infections. Infect Control Hosp Epidemiol 1992; 13:606-608.         [ Links ]

23. Williams JD. Concluding remarks: antibiotic prophylaxis-policy and strategy. Scand J Infect Dis 1990; 70(suppl):157-160.         [ Links ]

24. Bryan CS. The role of the infectious diseases physician in setting guidelines for antimicrobial use. Bull N Y Academic Med 1987; 63:627-636.         [ Links ]

25. Leaper DJ. Prophylatic and therapeutic role of antibiotics in wound care. Am J Surg 1994; 167(suppl):SI5-20.         [ Links ]

26. Sanderson PJ. Antimicrobial prophylaxis in surgery: microbiological factors. J Antim Chemoth 1993; 31(suppl B):1-9.         [ Links ]

27. McCafferty JA, Lang SDR. An audit of restrited antibiotic use in a general hospital. N Z Med J 1988; 101:210-11.         [ Links ]

28. Platt R, Zaleznnik DF, Hopkins CC, et al. Perioperative antibiotic prophylaxis for herniorhaphy and breast surgery. N Engl J Med 1990; 322:153-160.         [ Links ]

29. Mayhall CG. Surgical infections including burns. In Wenzel RP: Prevention and control of nosocomial infections. Baltimore: Williams & Wilkins, 1993, pp 614-664.         [ Links ]

30. Sheridan RL, Tompkins RG, Burke JF. Prophylatic antibiotics and their role in the prevention of surgical wound infection. Adv Surg 1994; 27:43-65.         [ Links ]

31. Culver DH, Horan TC, Gaynes RP, et al. Surgical wound infection rates by wound class, operative procedure, and patient risk index. Am J Med 1991; 91(suppI3B): SI52-157.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Dra. Marise Reis de Freitas
Universidade Federal de São Paulo
Disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias – DIPA
Rua Napoleão de Barros 715, 7° andar
04024-062 - São Paulo - SP

Recebido em 18/6/97
Aceito para publicação em 4/12/97

 

 

Trabalho realizado na Disciplina de Gastroenterologia Cirúrgica da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina - UNIFESP-EPM.