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Revista Brasileira de Ciências do Esporte

Print version ISSN 0101-3289On-line version ISSN 2179-3255

Rev. Bras. Ciênc. Esporte vol.37 no.4 Porto Alegre Oct./Dec. 2015

http://dx.doi.org/10.1016/j.rbce.2015.08.010 

Artigos originais

Tradução e validade de conteúdo do Youth Sport Value Questionnaire 2

Translation and validity content of Youth Sport Value Questionnaire 2

Traducción y validez del contenido del Youth Sport Value Questionnaire 2

Ricardo Pedrozo Saldanhaa  * 

Marcos Alencar Abaide Balbinottib 

Carlos Adelar Abaide Balbinottic 

aPrograma de Pós-Graduação em Saúde e Desenvolvimento Humano, Centro Universitário La Salle, Canoas, RS, Brasil

bProgrammes de Cycle Supérieur en Psychologie - Programmes Ph.D. Recherche, Université du Québec à Tróis-Revières, Québec, Canadá

cPrograma de Pós-Graduacão em Ciências do Movimento Humano, Escola de Educação Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil


Resumo

O objetivo do presente estudo foi traduzir e testar os princípios métricos de Coeficiente de Validade de Conteúdo (CVC) do Youth Sport Value Questionnaire 2 (YSVQ-2). O processo de tradução seguiu as recomendações de Vallerand (1989), por meio do método duplo cego. Para tanto, participaram dois tradutores e uma comissão avaliadora das traduções. O CVC do YSVQ-2 foi avaliado, em sua clareza e pertinência, por três juízes a partir de uma escala tipo Likert (de 1 a 5) para cada item. O cálculo do CVCt foi satisfatório, tanto para a clareza (CVCt = 0,83) quanto para a pertinência (CVCt = 0,88) dos itens. Assim, considera-se que o YSVQ-2 (IVEJ-2 para a versão brasileira) é válido sob o ponto de vista da validade de conteúdo.

PALAVRAS-CHAVE Tradução; Validade de conteúdo; Fidedignidade; Inventário de Valores do Esporte Juvenil-2

Abstract

The aim of this study was to translate, test the metric principles of Content Validity coefficient (CVC) of the Youth Sport Value Questionnaire 2 (YSVQ-2). The translation process followed the recommendations Vallerand (1989) through the double-blind method. For this, two translators and a evaluation commission of translations participated in the YSVQ-2 of the translation process. The CVC YSVQ-2 was evaluated in its clarity and relevance, three judges from a Likert scale (1-5) for each item. The calculation of CVCT were satisfactory for both the Clarity (CVCT = 0.83) and for Relevance (CVCT = 0.88) of the items. Thus, it is considered that the YSVQ-2 (IVEJ-2 for the Brazilian version) is valid from the point of view of the Content Validity.

KEYWORDS Translation; Content validity; Reliability; Inventory Values of Youth-2 Sport

Resumen

El objetivo de este estudio fue traducir y probar los principios métricos del Coeficiente de Validez del Contenido (CVC) del Youth Sport Value Questionnaire 2 (YSVQ-2). El proceso de traducción siguió las recomendaciones de Vallerand (1989) por medio del método de doble ciego. En éste participaron dos traductores y una comisión de evaluación de las traducciones. El CVC del YSVQ-2 se evaluó en relación con su claridad y adecuación, con tres jueces a partir de una escala Likert (1-5) para cada elemento. El cálculo del CVCT fue satisfactorio tanto por la claridad (CVCT = 0,83) como por la adecuación (CVCT = 0,88) de sus elementos. Por lo tanto, se considera que el YSVQ-2 (IVEJ-2 en la versión brasileña) es válido desde el punto de vista de la validez de contenido.

PALABRAS CLAVE Traducción; Validez del Contenido; Fiabilidad; Inventario de Valores del Youth-2 Sport

Introdução

O presente estudo trata da validade de conteúdo referente à medida dos valores em jovens praticantes de esportes. Os valores constituem uma fração determinante no desenvolvimento moral de crianças e jovens e ainda são considerados como influência dominante na sociedade (Lee et al., 2008). Tanto os valores quanto as atitudes, além de tornar explícita a própria percepção da realidade, podem ainda servir aos interesses individuais ou de grupos, motivam a ação – dão-lhe direção e intensidade – e fornecem normas pelas quais o comportamento é avaliado (Rokeach, 1981; Perron, 1987; Schwartz, 2007; Lee et al., 2008; Lee et al., 2000; Lee et al., 2007). Tais construtos são aprendidos pelo relacionamento entre seus grupos sociais e por meio de suas próprias experiências.

Os valores relacionam-se com modos de conduta e estados de preferência (Rokeach, 1981; Perron, 1987; Schwartz, 2007). O valor torna-se necessário para a ação, ou seja, tem um caráter normativo a ponto de guiar uma ação, comparações e julgamentos do "eu" e dos outros por meio de objetos ou situações específicas. Valores são ideais abstratos (negativos ou positivos) que representam as crenças de uma pessoa sobre os modos ideais de conduta (Rokeach, 1981; Perron, 1987). Pode-se dizer que uma pessoa tem um valor quando tem uma crença duradoura de que uma atitude ou ação é pessoal e socialmente preferível (Rokeach, 1981).

Para tal entendimento, Rokeach (1981) estipulou dois tipos de valores, conforme condiciona a natureza do que é "desejável". As realidades concebidas sob forma de valores são modalidades de ser ou de agir (valores instrumentais) e finalidades de existência (valores terminais). Na primeira, apresenta uma conotação moral (agir com honestidade) ou de competência (agir com lógica) e se constitui num valor único, pessoal. Na segunda, os valores terminais são constituídos por comparações e referem-se a grandes objetivos de vida que podem ser de ordem social (paz no mundo), interpessoal (amor, fraternidade) ou intrapessoal (harmonia interior), ou seja, trata-se de um valor social que se deve lutar para se obter. Os valores pessoais reportam-se a princípios que guiam a vida do indivíduo, enquanto que os sociais sustentam-se na percepção do indivíduo sobre os princípios defendidos pelo grupo.

Conforme mencionado anteriormente, um dos postulados da teoria é a organização dos valores em um sistema que se constitui na ordenação dos valores num continuum de importância.Schwartz (2007) refere que a possibilidade de variar em ordem de importância permite que os valores possam ser organizados em ordem de prioridade na relação com o comportamento. Enquanto, por exemplo, a vitória em um jogo de basquetebol pode ser um ideal a ser alcançado, para outra pessoa um simples arremesso convertido em uma partida pode estar no topo da lista de ideais.

Essa ideia de hierarquização de valores pelo grau de importância remete à possibilidade de mensuração e hierarquização dos sistemas de valores das pessoas (Rokeach, 1981; Schwartz, 2007; Schwartz e Bilsky, 1987). Conforme Tamayo (2007), o estudo feito no Brasil por Pereira (1986) foi um dos primeiros a estabelecer uma hierarquia dos valores terminais ou instrumentais, a partir de Rokeach (1981). Entende-se que esse caráter de universalismo permite a transposição dos valores específicos para o mundo dos esportes (Lee et al., 2000).

Um sistema de valores tem como finalidade organizar valores, a partir de experiências a fim de resolver conflitos. Como, por exemplo, o que decidir diante uma situação em que dois ou mais valores estão em conflito entre si. Além de a personalidade ser um fator determinante para essa organização, outros fatores, como culturais, sociais, religião, sexo, dentre outros, podem restringir o número de variações ou conflitos para uma tomada de decisão (Rokeach, 1981).

Tal organização é possível a partir da formação desses valores nas interações existentes na escola, nos esportes, com os treinadores. Esse processo passa por algumas etapas. Inicialmente a criança aprende os valores de forma isolada, absoluta; posteriormente, ao se relacionar com outras pessoas, aprende a confrontá-los, a justificar. Diante dessas interações os jovens interiorizam e organizam sua escala de valores e seu raciocínio moral (Sanmartín, 1995; Pereira et al., 2005; Wiese-Bjornstal et al., 2009), dentre as quais a personalidade pode ser determinante para que haja modificações no sistema de valores.

Diante do exposto, percebe-se que o construto "valores" é uma dimensão conceitual extremamente complexa e pressupõe a existência de instrumentos válidos e fidedignos para medi-lo adequadamente. Uma das formas de validade é a de conteúdo. A validade de conteúdo reporta-se a representatividade e adequação dos itens de um instrumento de coleta face à variável que se pretende medir, enquanto que a fidedignidade está associada ao nível de precisão que a medida tem (Balbinotti, 2005; Cassepp-Borges et al., 2010; Pasquali, 2007, 2009). O objetivo do estudo foi traduzir e testar os princípios métricos de validade de conteúdo do Youth Sport Value Questionnaire 2 (YSVQ-2). Justifica-se este estudo, pois o YSVQ-2 não tem uma versão brasileira, além de contribuir como um produto a ser usado por professores inseridos no esporte (competitivo ou não competitivo).

A seguir, o presente estudo está dividido em três partes. A primeira refere-se à apresentação dos principais procedimentos metodológicos para o estudo. A segunda corresponde aos resultados de validação e de fidedignidade do YSVQ-2. Por fim, serão apresentadas as considerações finais do estudo.

Procedimentos metodológicos de validação do Youth Sport Value Questionnaire 2

O Youth Sport Value Questionnaire 2 (YSVQ-2) foi elaborado por Martin Lee (Lee et al., 2008). Essa é uma versão evoluída do YSVQ (Youth Sport Value Questionnaire), o qual estava constituído por 18 itens respondidos por meio de uma escala de tipo Likert de 5 pontos (de -1 "this idea is the opposite of what I believe", até 5, "this idea is extremely important to me")1 em que cada item representava um diferente valor. O YSVQ foi elaborado com base no modelo do Rokeach Value Survey (Rokeach, 1967 apudRokeach, 1981) que avaliava 18 valores instrumentais (modos de conduta) e 18 valores terminais (finalidades de existência).

As diversas pesquisas feitas posteriormente à elaboração da primeira versão do instrumento (YSVQ) apontaram que a opção de se ter uma escala com um item por valor era uma limitação dos estudos (Lee et al., 2008; Gonçalves et al., 2005). Nesse sentido, a escolha para a elaboração de uma escala com múltiplos itens era indispensável. Dessa forma, o YSVQ-2 foi elaborado a partir de um modelo teórico com três fatores/dimensões ("moral values", "competence values" e "status values"),2, em um total de 26 itens. A tabela 1 apresenta a ilustração das etapas do presente estudo.

Tabela 1 Fases para tradução e validade de conteúdo do YSVQ‐2 

Fases Medida com múltiplos itens por dimensão (descrição das etapas/fases)
Tradução • Tradução juramentada (duplo cego)
Fase qualitativa Verificação da validade • Verificação da validade de conteúdo com base na avaliação de juízes (CVC):
• Clareza da linguagem
• Pertinência teórica

Fonte: Elaborada pelo autor.

O processo de tradução seguiu as recomendações estabelecidas por Vallerand (1989). Inicialmente, o YSVQ-2 foi traduzido para a língua portuguesa (Brasil) por um tradutor oficial (juramentado). Posteriormente, a tradução efetuada da língua inglesa para a portuguesa (Brasil) foi enviada a outro tradutor oficial (juramentado) que procedeu à tradução de volta para a língua inglesa, sem que um tivesse conhecimento do trabalho do outro (duplo cego). A partir desse processo, uma comissão de três pesquisadores, com no mínimo titulação de mestrado na área do esporte, foi criada para avaliar as traduções.

A próxima etapa da tradução corresponde à validade de conteúdo. Mesmo havendo outras formas de validade de conteúdo (Zequinão e Cardoso, 2013), trata-se de um método confiável e consistente (Hernandez-Nieto, 2002; Balbinotti, 2005; Balbinotti et al., 2006). Para tanto, foi necessária a participação de três juízes avaliadores, experts de reconhecido saber na área específica (teórico e prático) (Hernandez-Nieto, 2002; Balbinotti, 2005; Balbinotti et al., 2006). Os critérios de inclusão dos avaliadores seguiram as seguintes orientações: (a) grau de mestre em psicologia ou pedagogia do esporte e; (b) experiência de campo não inferior a cinco anos com a população alvo do questionário. Dois dos avaliadores tinham graduação em psicologia e mestrado na área do esporte e um terceiro era graduado e com mestrado na área da educação física.

A fim de proceder à validação de conteúdo do YSVQ-2 foram criadas três escalas relacionadas, mas independentes. Essas escalas seguem o modelo descrito na tabela 2, em que foram incluídos, ao lado de cada item do inventário (IVEJ-2), duas escalas (de 1 a 5) para a avaliação da clareza e da pertinência. Além das duas escalas ao lado de cada item, antes referida, era permitido aos avaliadores um julgamento qualitativo a respeito do item, a fim de contribuir para melhorá-lo.

O Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul analisou e aprovou o presente estudo sob o número de protocolo 18.193.

Tabela 2 Instruções para o “Juiz avaliador” responder ao questionário de aprovação do instrumento 

Itens Clareza de linguagem Pertinência Observação
Item 1 1 | 2 | 3 | 4 | 5 1 | 2 | 3 | 4 | 5
Item 2 1 | 2 | 3 | 4 | 5 1 | 2 | 3 | 4 | 5
Item 3 1 | 2 | 3 | 4 | 5 1 | 2 | 3 | 4 | 5
Item… 1 | 2 | 3 | 4 | 5 1 | 2 | 3 | 4 | 5

Fonte: Adaptado a partir de Cassepp‐Borges et al. (2010).

Resultados

O Youth Sport Value Questionnaire 2 (YSVQ-2) foi traduzido para a versão brasileira como Inventário de Valores do Esporte Juvenil 2 (IVEJ-2). O procedimento de traduzir novamente para o idioma original possibilita verificar as semelhanças dos itens. Esses, por sua vez, devem ser iguais ou altamente semelhantes (Cassepp-Borges et al., 2010) aos itens da versão original. Para tanto, uma comissão composta por três pesquisadores3 avaliou a semelhança dos itens retraduzidos para a língua original do instrumento. A decisão final dessa comissão foi de aprovação da versão inicial do IVEJ-2. Após esse procedimento, o próximo passo foi a validade do instrumento.

A partir das respostas dos avaliadores, procedeu-se à exploração dos resultados sobre o instrumento, segundo os cálculos de Hernandez-Nieto (2002) apresentados anteriormente. A escala (IVEJ-2) foi analisada a partir de dois critérios: clareza da linguagem e pertinência. Foram consideradas as observações feitas pelos juízes-avaliadores. A tabela 3 apresenta os itens que compõem a versão inicial do IVEJ-2.

Tabela 3 Itens que compõem a versão inicial do Inventário de Valores do Esporte Juvenil 2 (IVEJ‐2) 

Item
1 Não decepcionar as pessoas.
2 Sentir uma grande satisfação quando estou jogando.
3 Dar o meu melhor.
4 Me dar bem com todos.
5 Mostrar que sou melhor do que os outros.
6 Tentar ser honesto.
7 Vencer ou derrotar os outros.
8 Melhorar o meu desempenho.
9 Cumprir o que me dizem para fazer.
10 Fazer esporte para ficar em forma.
11 Executar corretamente as técnicas.
12 Mostrar espírito esportivo.
13 Ser um líder do grupo.
14 Aceitar os pontos fracos dos outros.
15 Se sentir bem e divertir‐me.
16 Melhorar como jogador.
17 Procurar fazer com que todos estejam unidos.
18 Ter bom aspecto.
19 Jogar sempre corretamente.
20 Sair e divertir‐me com meus companheiros de equipe.
21 Usar bem as minhas capacidades técnicas.
22 Ter competições estimulantes.
23 Vencer
24 Ajudar os outros quando precisam.
25 Estabelecer meus objetivos.
26 As pessoas reconhecerem meu esforço.

Fonte: Elaborada pelo autor.

A partir das análises das respostas dos avaliadores, foi possível fazer o cálculo do CVC para cada item. As tabelas 4 e 5 apresentam os escores dos cálculos de clareza e pertinência de cada item, assim como o escore total (CVCt) das duas análises.

Tabela 4 Cálculo do Coeficiente de Validade de Conteúdo (CVC), conforme a clareza dos itens 

Item CVC
Média CVC i Pe i Clareza
1 3,666667 0,733333 0,04 0,70
2 4,666667 0,933333 0,04 0,90
3 5 1 0,04 0,96
4 4,666667 0,933333 0,04 0,90
5 5 1 0,04 0,96
6 4,333333 0,866667 0,04 0,83
7 4,666667 0,933333 0,04 0,90
8 4,666667 0,933333 0,04 0,90
9 3,333333 0,666667 0,04 0,63
10 3,666667 0,733333 0,04 0,70
11 5 1 0,04 0,96
12 5 1 0,04 0,96
13 4,666667 0,933333 0,04 0,90
14 4,333333 0,866667 0,04 0,83
15 4 0,8 0,04 0,76
16 4,666667 0,933333 0,04 0,90
17 3,666667 0,733333 0,04 0,70
18 4,666667 0,933333 0,04 0,90
19 3,666667 0,733333 0,04 0,70
20 3,666667 0,733333 0,04 0,70
21 4,666667 0,933333 0,04 0,90
22 4 0,8 0,04 0,76
23 4,333333 0,866667 0,04 0,83
24 4,666667 0,933333 0,04 0,90
25 4 0,8 0,04 0,76
26 4,333333 0,866667 0,04 0,83
Total (CVC t ) 0,83

Fonte: Elaborada pelo autor.

Tabela 5 Cálculo do Coeficiente de Validade de Conteúdo (CVC), conforme a pertinência dos itens 

tem CVC
Média CVC i Pe i Pertinência
1 4,666667 0,933333 0,04 0,90
2 4,666667 0,933333 0,04 0,90
3 5 1 0,04 0,96
4 4,666667 0,933333 0,04 0,90
5 5 1 0,04 0,96
6 5 1 0,04 0,96
7 4,666667 0,933333 0,04 0,90
8 4,666667 0,933333 0,04 0,90
9 4,333333 0,866667 0,04 0,83
10 4,666667 0,933333 0,04 0,90
11 5 1 0,04 0,96
12 5 1 0,04 0,96
13 5 1 0,04 0,96
14 4,333333 0,866667 0,04 0,83
15 4,333333 0,866667 0,04 0,83
16 4,666667 0,933333 0,04 0,90
17 4 0,8 0,04 0,76
18 4,333333 0,866667 0,04 0,83
19 4,666667 0,933333 0,04 0,90
20 3,666667 0,733333 0,04 0,70
21 4,666667 0,933333 0,04 0,90
22 4,333333 0,866667 0,04 0,83
23 4,333333 0,866667 0,04 0,83
24 4,333333 0,866667 0,04 0,83
25 4,333333 0,866667 0,04 0,83
26 4,666667 0,933333 0,04 0,90
Total (CVC t ) 0,88

Fonte: Elaborada pelo autor.

As tabelas 4 e 5 apresentam a avaliação de conteúdo (clareza e pertinência) de toda a escala (IVEJ-2). Percebe-se que a grande maioria dos itens apresentou valores de coeficiente de validade de conteúdo satisfatórios. O critério "clareza" foi o que mais apresentou valores abaixo de 0,80 (n = 9). Alguns desses itens foram modificados, conforme é possível verificar na apresentação desses resultados abaixo. Fica bem evidenciado ao analisar o percentual de respostas dadas a cada uma das escalas de avaliação, ou seja, os juízes avaliaram o IVEJ-2 por meio de uma escala tipo Likert graduada de 1 a 5, na qual 1 representa "pouquíssima", 2 representa "pouca", 3 representa "média", 4 representa "muita" e 5 representa "muitíssima" (conforme citado anteriormente). Assim, a tabela 4 apresenta essa comparação dos critérios de clareza e pertinência.

Conforme a tabela 6, nota-se que a média das respostas dos avaliadores no critério pertinência foi maior do que a da clareza. Dos itens avaliados, o nono apresentou o menor valor na avaliação de clareza (CVC = 0,63). Entretanto, no critério de pertinência, o resultado foi melhor (CVC = 0,83). Calculou-se o CVC total para o critério de clareza e o resultado foi de 0,83, considerado acima do ponto de corte estabelecido pela literatura. Mais de um item apresentou um resultado superior a 0,95 no critério de clareza (n = 4). No critério de pertinência os resultados foram melhores. Apenas dois itens (itens 13 e 15) apresentaram valores abaixo de 0,80. Quanto aos valores acima de 0,95, foram constatados seis itens com este resultado. O CVC total para o critério de pertinência foi de 0,88.

Tabela 6 Comparação entre as respostas dos avaliadores 

Escala tipo Likert Clareza Pertinência
1 = pouquíssima clareza/pertinência 3,84% 1,28%
2 = pouca clareza/pertinência 3,84% 1,28%
3 = apenas claro/pertinente 10,25% 10,25%
4 = muita clareza/pertinência 17,94% 12,82%
5 = muitíssima clareza/pertinência 64,10% 74,35%
Média geral 4,34 4,57
Desvio padrão 1,06 0,27

Fonte: Elaborada pelo autor.

A avaliação do instrumento, especificamente nas observações, permitiu um melhor refinamento em cada item. Com isso, foi possível fazer alterações, principalmente, naqueles itens em que foram pontuadas informações pertinentes à clareza ou à pertinência dos itens, conforme é sugerido pela literatura especializada (Cassepp-Borges e Teodoro, 2007; Cassepp-Borges et al., 2010).

Os três juízes-avaliadores apresentaram diversas sugestões nas observações, conforme citado anteriormente. Mesmo aqueles itens que obtiveram um CVC considerado alto foram atentamente analisados a partir das observações feitas. Por exemplo, no item 2 ("Sentir uma grande satisfação quando estou jogando"). Um dos avaliadores fez o seguinte comentário:

"Por que tem de ser uma" grande satisfação "? O valor está em que a satisfação seja grande? Se a pessoa sentir satisfação não é o suficiente?"

A observação do avaliador é extremamente relevante e pertinente. Nessa linha de raciocínio, o item já faz um juízo de valor, já que ao discriminar uma "grande satisfação" despreza os demais níveis de satisfação. Sendo assim, a palavra "grande" foi suprimida do item. Essa mesma decisão foi tomada para o item 19 em relação à palavra "sempre".

No item 15 ("Se sentir bem e divertir-me.") todos os avaliadores alertaram que o item estava duplo. Os resultados de clareza e pertinência tiveram os mesmos valores de 0,70, considerado baixo. Os avaliadores apresentaram argumentos que "sentir bem" é diferente de "se divertir". Nesse sentido, optou-se por desmembrar o item citado em "se sentir bem" e "se divertir".

Da mesma maneira foi alertada a duplicidade no item 20, apesar de os resultados de CVC terem sidos altos. Nesse caso, optou-se por deixar o item da seguinte maneira: "Sair com meus companheiros de equipe.", suprimindo a palavra "divertir-me". Escolheu-se essa opção pelo fato de ter sido contemplada a expressão "divertir" no item 15 ao ser desmembrado em dois, conforme mencionado anteriormente.

No item 21, um dos avaliadores com formação em psicologia apresentou uma observação interessante.

"A palavra "bem", aqui, é um pouco problemática, pois o bem se contrapõe ao "mal". Cabe então a questão: o valor é "usar as minhas capacidades técnicas" ou "usar bem as minhas capacidades técnicas"? [...]"

Na observação do avaliador, percebe-se que a depender da forma em que for escrito o item pode ser interpretado como um valor moral ou um valor de competência. Se o valor é "usar" entende-se que o item está medindo o valor de competência, mas se é "usar bem", então se trata de valor moral. Nesse sentido, o item foi alterado para "usar as minhas capacidades técnicas".

De forma geral, outra alteração foi feita a partir das observações. O estilo da linguagem foi uniformizado, ou seja, haviam itens escritos em primeira pessoa (quando se usa a expressão "me") e outros estavam escritos de forma impessoal (expressão "se"), como, por exemplo, os itens 4 e 15. A escala, apesar de apresentar resultados satisfatórios (CVC > 0,8), foi adaptada a partir das observações dos juízes-avaliadores. O IVEJ-2 passou de 26 itens para 27.

Considerações finais

Considera-se que os resultados do Coeficiente de Validade de Conteúdo (CVC) são adequados. O CVCt (total) quanto a pertinência e clareza foi, respectivamente, 0,88 e 0,83. Os itens que apresentaram índices abaixo de 0,80 foram mantidos, pois se entende que esses itens que compõem a versão original são importantes para a medida dos valores. Tais resultados permitem concluir que o IVEJ-2 é um instrumento válido quanto a clareza e pertinência dos conteúdos dos itens.

O presente estudo não se encerra aqui. A fim de dar continuidade ao processo de validação do IVEJ-2, novos estudos precisam ser feitos na população-alvo do instrumento (jovens praticantes de esportes). Essa aplicação do IVEJ-2 possibilitará análises fatoriais (exploratória e confirmatória) e de precisão. A partir dessas análises será possível tomar decisões a respeito da exclusão ou não de itens e verificar a saturação dos itens em cada um dos fatores (valores morais, valores de status e valores de competência) da escala, assim como sua precisão. Além disso, o uso do IVEJ-2 em novas pesquisas se faz necessário para que seja possível avançar no conhecimento acerca dos valores do esporte na realidade brasileira.

Financiamento

Ministério do Esporte, por meio do edital de chamada pública 01/2009/ME/SNDEL/Rede Cedes/PELC.

1Tradução: 1 (essa ideia é extremamente o oposto do que eu acredito); 5 (essa ideia é extremamente importante para mim)

2Tradução: Valores "morais", valores de "competência" e valores de "status"

3Dois dos pesquisadores tinham nível de mestrado e um de doutorado na área da pedagogia do esporte.

Referências

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Recebido: 24 de Dezembro de 2012; Aceito: 16 de Fevereiro de 2015

* Autor para correspondência. E-mails:ricardo.saldanha@unilasalle.edu.br, ricardo@ricardosaldanha.com.br (R.P. Saldanha).

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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