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Horticultura Brasileira

versão impressa ISSN 0102-0536versão On-line ISSN 1806-9991

Hortic. Bras. v.19 n.1 Brasília mar. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-05362001000100018 

PÁGINA DO HORTICULTOR

 

Seleção de linhagens de feijão-vagem de crescimento indeterminado para cultivo no Estado de Goiás

 

Selection of climbing snap bean lines in Goiás, Brazil

 

 

Nei PeixotoI; Ednan A. MoraesI; Jair D. MonteiroII; Michael D. T. ThungIII

IAGENCIARURAL, EE anápolis, C. Postal 608, 75.001-970 Anápolis, GO
II
Escola Agrotécnica Federal, 75.790-000 Urutaí, GO
III
Embrapa Arroz e Feijão, C. Postal 179, 75.375-000 Santo Antônio de Goiás, GO

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Em 1994, 64 linhagens de feijão-vagem oriundas do programa de melhoramento genético do CIAT, Cali, Colômbia, foram avaliadas na Estação Experimental de Anápolis (EEA), da Agência Goiana de Desenvolvimento Rural e Fundiário (AGENCIARURAL), quanto às seguintes características: adaptação, resistência a doenças, potencial de produção e qualidade de vagens. As 30 linhagens que se destacaram foram avaliadas, em 1995, no mesmo local. Dentre estas foram selecionadas 20 linhagens, novamente avaliadas em 1996 nos municípios de Anápolis, Morrinhos e Urutaí no Estado de Goiás. Nestes ensaios foram utilizadas como testemunhas as cultivares Favorito Ag 480 e Preferido Ag 482. Avaliações adicionais foram conduzidas em 1997 em Anápolis, tendo-se a cultivar Favorito Ag 480 como testemunha. As linhagens Hav 13, Hav 14, Hav 22, Hav 25, Hav 27, Hav 38, Hav 40, Hav 49, Hav 53, Hav 56, Hav 64, Hav 65 e Hav 67 destacaram-se em rendimento e qualidade de vagens.

Palavras-chave:Phaseolus vulgaris L., ciclo vegetativo, produtividade, qualidade de vagens.


ABSTRACT

Sixty four snap bean lines derived from the CIAT snap bean breeding program were evaluated in 1994 at Anápolis Experiment Station in Goiás, Brazil, for the following characteristics: adaptation, disease resistance, yield potential and pod quality. The 30 outstanding lines were further evaluated during 1995 in Anápolis and, in 1996, 20 of them were evaluated in Anapális, Morrinhos and Urutai in the State of Goiás, Central Brazil. Final evaluation was carried out in 1997 in Anápolis. The standard cultivar Favorito Ag 480, was used as a check in 1996 and in 1997. Also Preferido Ag 482 cultivar was included as a second check in 1996. Breeding lines Hav 13, Hav 14, Hav 22, Hav 25, Hav 27, Hav 38, Hav 40, Hav 49, Hav 53, Hav 56, Hav 64, Hav 65 and the Hav 67 were chosen, regarding their yield and pod quality, suitable for local market, with possibility to be adopted by growers.

Keywords:Phaseolus vulgaris, life cycle, yield, pod quality.


 

 

O feijão-vagem (Phaseolus vulgaris L.) tem sido uma das dez hortaliças mais cultivadas em Goiás, onde o volume anual de comercialização de vagens alcança cerca de 4.100 toneladas. O produto é comercializado o ano todo, sendo totalmente produzido no Estado (CEASA-GO, 1991) que tem um consumo per capita 1,2 kg de vagens por ano, o maior do Brasil, mas inferior, segundo CIAT (1992), ao de países como o Chile (3,2 kg/ano) e a Turquia (6,5 kg/ano). Embora não forneça teores elevados de proteínas e calorias como o feijão-seco, supre o organismo com vitaminas e sais minerais que faltam na maioria dos alimentos básicos (CIAT, 1990).

Um programa de avaliação e seleção de linhagens de feijão-vagem está sendo conduzido em Goiás desde 1988, com o apoio do Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT). A Empresa de Assistência e Extensão Rural do Estado de Goiás (EMATER-GO) destacou-se numa primeira fase, com o lançamento das cultivares Coralina e Turmalina, ambas de crescimento determinado (Peixoto et al., 1993; Peixoto et al., 1997, 1997a). Numa segunda fase esperam-se oferecer alternativas de cultivares de feijão-vagem de crescimento indeterminado para cultura tutorada, em sistema de rotação com outras culturas. No Brasil este é o sistema de cultivo mais adotado, por pequenos produtores, que utilizam cultivares trepadoras, em sucessão a outras hortaliças, como o tomate e o pepino, aproveitando-se, além dos tutores, os resíduos de adubação dessas culturas.

Este trabalho teve como objetivo selecionar linhagens de feijão-vagem de crescimento indeterminado como opções de cultivares para o Estado de Goiás, que possibilitem oferta mais estável do produto ao longo do ano.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Conduziu-se no Estado de Goiás, no período de 1994 a 1997, em condições de campo, em cultivo tutorado, um trabalho de avaliação e seleção de linhagens defeijão-vagem introduzidas do CIAT, Colombia. Realizaram-se as seleções iniciais na Estação Experimental de Anápolis (EEA) (latitude de 16º 19' 48" S, longitude de 48º 58'23" WGr e altitude de 980 a 1000 m), partindo-se em 1994, de 64 linhagens que foram avaliadas quanto ao desenvolvimento vegetativo, vigor, potencial aparente de produção e qualidade de vagens, seguindo as metodologias de Silbernagel (1986) e Schoonhoven & Pastor-Corrales (1987). Destas, trinta linhagensforam escolhidas e avaliadas em 1995 na EEA e as 20 melhores foram avaliadas, em 1996, nos municípios de Anápolis, Morrinhos e Urutaí, das quais 15 foram, novamente avaliadas em 1997, em Anápolis. Utilizou-se como testemunha, em 1996 e 1997, a cultivar Favorito Ag 480, a mais cultivada em Goiás. Em 1996 foi incluída, como testemunha adicional, a cultivar Preferido Ag 482.

Em cada ensaio foram feitas as correções da acidez e da fertilidade do solo, conforme indicação da Comissão de Fertilidade de Solos de Goiás (1988), assim como os tratos culturais e fitossanitários para a cultura, incluindo irrigação por aspersão.

Utilizou-se o delineamento experimental em blocos casualizados, com três a cinco repetições. Cada parcela foi constituída por 20 plantas em cultivo tutorado, dispostas em duas fileiras, espaçadas de 1,00m x 0,20m.

Dados de produtividade foram obtidos a partir do peso de vagens comerciáveis colhidas por parcela. Adicionalmente foram avaliadas em 1995, em Anápolis, as seguintes características: ciclo vegetativo, também avaliado, em 1996, em Anápolis e Morrinhos e, em 1997, em Anápolis, medido pelo número de dias da semeadura à antese das primeiras flores; o número de vagens por planta e peso médio das vagens, obtidos pela média da parcela; o comprimento de vagens comerciáveis, a partir de uma amostra de 10 vagens por parcela e a qualidade das vagens, por meio de notas, atribuídas ao total de vagens colhidas por parcela na quarta colheita, variando de 1 (péssimo aspecto) a 5 (excelente aspecto). Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As linhagens Hav 13 e Hav 14 igualaram-se aos genótipos mais precoces, enquanto que Hav 6 e Hav 41 igualaram-se aos de ciclo mais longo. A cultivar Favorito Ag 480, por outro lado, comportou-se, ora como de ciclo médio, ora como precoce, enquanto que Preferido Ag 482 foi tardia (Tabelas 1 e 2). O ciclo vegetativo é uma característica fenológica importante para o feijão-vagem, pois quanto mais precoce a cultivar, maior número de opções terá o agricultor na programação de colheitas sucessivas na mesma área, o que é comum na agricultura familiar.

Os genótipos apresentaram pequenas diferenças em produtividade de vagens comerciáveis. Em Anápolis, no ano de 1995, destacaram-se as linhagens Hav 22, que apresentou também o maior número de vagens por planta, além de Hav 41, Hav 53, Hav 64 e Hav 67 que superaram apenas a linhagem Hav 31 (Tabela 1). Em 1996, não houve diferenças significativas entre os genótipos, em Anápolis e em Morrinhos. Em Urutaí sobressaiu a linhagens Hav 40, que superou inclusive a cultivar Preferido Ag 482, seguida de Hav 21, Hav 53, Hav 13 e Hav 38. Em 1997, em Anápolis, a linhagem Hav 25 foi a mais produtiva, suplantando Hav 41. Não foi constatada relação entre o ciclo vegetativo e a produtividade (Tabela 2).

Em Anápolis, em 1995, a linhagem Hav 49 foi a que apresentou vagens mais longas, igualando-se apenas a Hav 40. As linhagem Hav 49, seguida de Hav 13, Hav 21, Hav 36 e Hav 68, foram as mais pesadas, superando as de menor peso médio (Tabela 1).

A nota de qualidade de vagem, critério subjetivo que engloba diversas características relativas à aparência da vagem como cor, brilho, formato, aspereza, presença de saliências em torno das sementes, é um indicador importante quanto à aceitação pelos consumidores. As linhagens Hav 13, Hav 22 e Hav 53 foram as melhores, não diferindo estatisticamente de Hav 1, Hav 2, Hav 3, Hav 4, Hav 14, Hav 25, Hav 27, Hav 41, Hav 49, Hav 62, Hav 65, Hav 67 e Hav 68 (Tabela 1).

Considerando-se em conjunto as características avaliadas, podem ser indicadas aos produtores goianos, como alternativas às cultivares ora em uso, as linhagens Hav 13, Hav 14, Hav 22, Hav 25, Hav 27, Hav 38, Hav 40, Hav 49, Hav 53, Hav 56, Hav 64, Hav 65 e Hav 67.

 

AGRADECIMENTOS

Aos Técnicos Agrícolas Francisco da Mota Moreira, Josimar Alberto Pereira, Isaquiel Melo Peres e Adriano José Dias e aos servidores Tudes Cunha Farias, Orimar Cordeiro de Godoy, Adão da Silva e Jair dos Reis Sampaio, pelo permanente apoio na condução dos experimentos.

 

LITERATURA CITADA

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Endereço para correspondência
Embrapa Arroz e Feijão
E-mail: upanaps@zaz.com.br

Aceito para publicação em 19 de fevereiro de 2001

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