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Horticultura Brasileira

versão impressa ISSN 0102-0536

Hortic. Bras. v.21 n.1 Brasília jan./mar. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-05362003000100027 

ECONOMIA E EXTENSÃO RURAL

 

Estudo da oferta e comercialização de melão na CEASA-PI (1991–1996)

 

Supply and commercialization of melon at CEASA (1991-1996), Piauí State, Brazil

 

 

Rosa Lúcia R. Duarte; Aderson S. de Andrade Júnior

Embrapa Meio-Norte, C. Postal 01, 64.006-220 Teresina–PI; E-mail: rlucia@cpamn.embrapa.br

 

 


RESUMO

Utilizando-se dados sobre a situação da oferta e comercialização de melão na CEASA no Piauí, referentes ao período de 1991 a 1996, verificou-se uma quantidade média anual de 5.597 t de frutos de melão comercializados no mercado atacadista de Teresina, correspondendo a um acréscimo de 137,2% em relação ao volume médio de 2.360 t obtidas no período de 1986 a 1991. Frutos de melão procedentes dos estados de Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte, abastecem a CEASA- PI todos os meses do ano e sua participação é predominante, com média anual de 2.195 t (39%), 2.138 t (19%) e 852 t (15%), totalizando uma quantidade média de 5.187 t, com uma participação percentual de 73%. As maiores quantidades de melão ofertadas e comercializadas foram provenientes dos municípios de Petrolina (PE), Juazeiro (BA) e Mossoró (RN). A menor oferta foi verificada nos estados de Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte, nos períodos de julho-novembro, dezembro-janeiro, abril-junho e, abril-setembro, respectivamente. Em relação aos frutos produzidos no estado do Piauí, verificou-se um acréscimo na quantidade média comercializado de 106 t para 218 t, elevando sua participação percentual de 0,36% quando comparado ao período de 1986 a 1991.

Palavras-chave: Cucumis melo, sazonalidade, época de produção, mercado, economia.


ABSTRACT

The annual commercialization of melon in CEASA of the Piauí State, from 1991 to 1996, was of 5,597 t of fruits, with an increase of 137.2% in relation to the period 1986-1991. During the whole year, most of the melon fruits in CEASA come from Pernambuco, Bahia and Rio Grande do Norte States, with an annual average of 2,195 t (39%), 2,138 t (19%) and 842 t (15%), respectively, resulting in a total of 5,187 t, or 73% of the market. The largest supply and amount of marketed melon fruits comes from Petrolina, Juazeiro and Mossoró. The amounts offered from the different States changed during the year: From Bahia, the lowest offer was observed during December-January and April-June, and from Pernambuco and Rio Grande do Norte the lowest offer occurred during July-November, and April/September, respectively. Regarding the fruits produced in the Piauí State, the marketed amount increased from 106 to 218 t, resulting in an increase of 0.36% when compared to the period 1986-1991.

Keywords: Cucumis melo, seasonality, production period, market, economy.


 

 

As cucurbitáceas representam no contexto da horticultura uma parte significativa total do volume comercializado de hortaliças. Várias espécies de cucurbitáceas têm presença marcante nas CEASAS's do país, pelo volume na comercialização ou pelo valor comercial. Os dados obtidos na CEAGESP-SP, principal centro de comercialização, mostram que 23% do total de hortaliças ali comercializadas são cucurbitáceas (Lopes, 1991).

Segundo Makishima (1991), dados obtidos de comercialização das seis espécies de cucurbitáceas mais importantes, entre elas o melão, nas principais CEASAS do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Minas Gerais) totalizam mais de 800 mil toneladas. Nas principais CEASAS do Nordeste, o total de melão comercializado foi de 21.542 t, destacando-se os estados de Pernambuco (17.307 t), Ceará (6.930 t), Rio Grande do Norte (2.791 t), Sergipe (724 t) e Paraíba (720 t). A cultura do melão, a nível comercial é relativamente recente no Brasil, sendo a produção voltada para os mercados interno e externo (Dusi, 1991).

O melão a nível mundial ocupou em 1999 uma área de 1,1 milhão de hectares para uma produção próxima de 20 milhões de frutos. O Brasil ocupa a 23a colocação na produção mundial de melão, havendo fortes tendências de crescimento desta cultura em função do aumento do consumo interno e das exportações. Atualmente, a região Nordeste responde por cerca de 90% da produção nacional, destacando-se entre os estados produtores o Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e Pernambuco, sendo o primeiro a partir de 1989, o maior produtor nacional (Costa, 2002; Souza & Menezes, 1994).

No Brasil planta-se principalmente cultivares de melão do tipo "amarelo". Entretanto, há uma tendência de mercado no aumento da demanda por melões nobres, aromáticos, de polpa salmão, com bom sabor e maior teor de açúcar (o Brix). Segundo Costa (2002) a Espanha que detém 10 a 15% do mercado de frutas e hortaliças na Europa, pretende, em grande escala, importar o melão produzido no Vale do São Francisco, no período de maio a janeiro.

O Estado do Piauí apresenta excelentes condições de solo e clima para a produção de frutas e hortaliças, sob regime de irrigação, por possuir um potencial hídrico expressivo e de boa qualidade (Andrade Júnior et al., 1996).

No Piauí, Duarte et al. (1992) desenvolveram um trabalho analisando aspectos relativos à oferta e comercialização de várias cucurbitáceas dentre elas, o melão, mostrando o fluxo de comercialização e a oferta em função da variação estacional. Entretanto, este estudo contemplou, apenas, os dados fornecidos pela Ceasa-PI no período de 1986-1991, onde o Piauí participou com cerca de 637 t, correspondendo a 4,5% em relação aos outros estados do Nordeste. Dentro da CEASA-PI, o melão participou com 13,78% do total de hortaliças comercializadas no período. As maiores produções foram provenientes dos estados de Pernambuco (52,73%) e Bahia (39,94%). A partir de 1991, no Nordeste, verificou-se um avanço na produção dessa olerícola em decorrência da expansão do agronegócio do melão (Sousa et al., 1999).

Este trabalho pretende oferecer informações sobre a estacionalidade do abastecimento do melão e procedência das diversas regiões do Brasil, na CEASA-PI, em Teresina.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Utilizou-se os dados referentes ao suprimento mensal de melão, por procedência, em função da oferta junto à CEASA-PI, de acordo com as variações na estacionalidade do abastecimento ocorrentes com a cultura do melão, no período de 1991-1996, excetuando-se o ano de 1994, cujos dados não foram fornecidos pela CEASA-PI. Os dados mensais originais de cada ano, obtidos na CEASA-PI foram resumidos em Tabelas, por Estado e Município, contendo o volume total comercializado e as respectivas percentagens médias mensais de participação durante o período estudado. Esta tabulação foi efetuada através da planilha Excel para Windows versão 7.0.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Dados relativos à quantidade de melão comercializada na CEASA-PI e ao percentual de participação em cada Estado e Município, no período de 1991-1995, excetuando-se o ano de 1994, são apresentados na Tabela 1. Verificou-se um volume médio anual de 5.597 t de frutos de melão comercializados no mercado atacadista de Teresina, correspondendo a um acréscimo de 237,2% em relação ao volume médio de 2.360 t obtidos no período de 1986-1991. Esta quantidade média anual comercializada representa 11,7% do total de 47.874 t de hortaliças comercializadas na CEASA-PI no ano de 1990 (Ramalho Sobrinho et al., 1991).

 

 

Os Estados que mais contribuíram na oferta de melão para o Piauí foram Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte, com uma quantidade média comercializada e percentual de participação de 2.195 t (39%), 2.138 t (19%); e 852 t (15%), respectivamente. Estes três Estados totalizaram um volume médio de 5.186 t, com uma participação percentual de 73%. O volume médio restante de 411 t (40%) foram procedentes dos estados do Piauí, Ceará, Sergipe, Maranhão, Goiás e Paraíba.

As maiores quantidades de melões comercializados foram oriundos dos Municípios de Petrolina (PE), Juazeiro (BA), Paripiranga (BA) e Mossoró (RN), com os volumes comercializados e percentagens de participação de 2.129 t (40,5%), 1.450 t (25,90), 453 t (8,1%) e 556 t (9,9%), respectivamente.

Analisando-se comparativamente os períodos de 1986-1991, e de 1991-1996, constatou-se um acréscimo no volume médio comercializado, de 106 t para 218 t (Duarte et al., 1992), verificando-se entretanto uma redução na participação percentual do Estado de 4,5% para 3,9%, quando comparado ao período de 1986-1991.

O percentual de redução observado de 0,6%, deve-se a um aumento percentual de participação dos estados do Rio Grande do Norte de 2,5% para 15,2%, Ceará de 0,3% para 12,0% e a entrada de Sergipe (0,2%), Goiás (0,1%) e Paraíba (1,0%) no mercado atacadista de Teresina. Além disso, durante esse período houve uma redução da área plantada de 156 ha em 1991, para apenas 32 ha em 1995. Observa-se portanto, que o consumo de melão no Piauí ainda depende quase que exclusivamente da importação de Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte, o que provavelmente, contribui para elevação do preço do produto.

Os estados de Pernambuco e Bahia obtiveram avanços na produção de melão no período de 1991-1996, com produções médias de 2.196 t e 2.139 t oriundas de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), respectivamente. O volume médio mensal de melão comercializado no mercado atacadista do Piauí, variou de 636 t em abril a 1.249 t em fevereiro. As maiores quantidades ofertadas de melão ocorreram nos meses de fevereiro (1.249 t), dezembro (1.033 t), março (1.028 t), janeiro (955 t) e outubro (885 t). Os menores volumes comercializados foram verificados nos meses de abril (636 t), setembro (726 t), julho (726 t), agosto (749 t), maio (763 t), junho (780 t) e novembro (817 t). (Tabela 2).

 

 

Os frutos de melão procedentes dos estados de Pernambuco e Bahia abastecem o mercado atacadista do Piauí, com os maiores volumes todos os meses do ano. O volume médio mensal proveniente do estado de Pernambuco, no período de 1991-1996, variou de 249 t em janeiro a 391 t em dezembro, correspondendo a 29,1% e 41,9% do volume total médio mensal comercializado em janeiro (955 t) e dezembro (1.032 t), respectivamente. O volume médio mensal proveniente do estado da Bahia no mesmo período, variou de 174 t em janeiro a 148 t em dezembro, correspondendo a 20,4% e 15,9% do mesmo volume total médio mensal comercializado em janeiro (955 t) e dezembro (1.033 t), respectivamente. Em Pernambuco, as maiores entradas, correspondentes aos volumes superiores à média mensal durante o ano (216 t), ocorreram no período de janeiro a abril e de junho e dezembro. As menores quantidades ofertadas, com volumes inferiores à média mensal, foram obtidas em maio e no período julho-novembro.

Na Bahia, as maiores entradas, correspondentes a volumes superiores à média mensal durante o ano (201 t) ocorreram nos meses de fevereiro e março e no período julho-outubro. As menores quantidades ofertadas com volumes inferiores à média mensal, foram obtidas no mês de janeiro e nos períodos abril-junho e novembro-dezembro. O melão produzido no Piauí apresentou volume de oferta mensal inferior aos dos estados da Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte, com ausência de oferta do produto nos meses de abril a julho. Nos meses de março, maio, outubro e novembro foram observadas as maiores entradas de frutos de melão, enquanto as menores ocorreram nos meses de janeiro, fevereiro, junho, agosto, setembro e dezembro.

A Figura 1 mostra a variação do volume médio mensal comercializado durante o ano pelos estados da Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Os picos de oferta de melão ocorreram nos meses de fevereiro, julho, setembro e outubro para o melão procedentes da Bahia; nos meses de fevereiro, abril, junho, setembro e dezembro para os frutos procedentes de Pernambuco, e nos meses de janeiro, fevereiro, maio/junho, agosto e dezembro para os produzidos no Rio Grande do Norte. Estes dados concordam com Sousa et al. (1999), onde constataram que na região Nordeste, o pico de oferta do melão se verifica no período de julho a dezembro, onde se obtém os menores preços.

 

 

LITERATURA CITADA

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Recebido para publicação em 10 de setembro de 2001 e aceito em 13 de setembro de 2002