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Sociedade e Estado

Print version ISSN 0102-6992

Soc. estado. vol.26 no.1 Brasília Jan./Apr. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-69922011000100001 

Editorial

 

 

Edson Farias

 

 

A presente edição, que inicia o volume 26 da Revista Sociedade e Estado, acrescenta, às alterações pelas quais este periódico vem passando, o aumento no número - de oito para 11 - de artigos publicados a cada fascículo. A proposta é atingir o total de 13 artigos. A mudança visa atender melhor à demanda continuamente crescente de autores que nos procuram com a finalidade de editar seus respectivos textos pela nossa revista.

Ao longo do ano de 2012, ainda, propõem-se como metas editorias da Sociedade e Estado tanto incrementar nossa interlocução com as ciências sociais da América Latina, quanto inserir, em todos os próximos números, traduções de textos clássicos e/ou contemporâneos da literatura sociológica internacional.

O eixo deste número é fornecido pelo conjunto de cinco artigos que compõem o Dossiê Inquérito Policial no Brasil, tendo por coordenador o professor Arthur Trindade Maranhão Costa (UnB). Os textos resultam de uma ampla pesquisa sobre o tema realizada em cinco capitais do país (Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre).

Os seis demais artigos que compõem, também, este número da Sociedade e Estado constituem um panorama estendido do pensamento social brasileiro às conexões contemporâneas entre intimidade e mercado, passando por questões como epistemologia, luta por reconhecimento identitário e título escolar, além da base associativa das representações legislativas no Brasil.

Lúcia Lippi de Oliveira (CPDOC/GV-RJ), em Gilberto Freyre e a valorização da província, vasculha, na obra do sociólogo pernambucano, traços patrimonialistas que definiriam os contornos de outro modernismo, caracterizado pela aliança com o regionalismo e o sentido de província.

No artigo "Direitos Humanos se conquistam na luta": igualdade racial, ativismo jurídico e defesa de causas coletivas no Rio Grande do Sul, Fernanda Rios Petrarca (UFRGS) e Clarrissa Eckert Baeta Neves (UFRGS), considerando a diversificação do ensino superior no país, observam como se entrecruzam identificação étnico-racial e militância com a transformação nos requisitos à ocupação de posições nos movimentos sociais dirigidos à questão racial, na medida em que a formação acadêmica se efetiva como um fator decisivo para essa inserção.

Por sua vez, Intimidade e Mercado: o cuidado de idosos em instituições de longa permanência, de Analía Soria Batista (UnB) e Ana Bárbara Araújo (UnB), calcado em uma pesquisa etnográfica, discute a mercantilização da vida íntima a partir da dinâmica estabelecida entre profissionais do cuidado e idosos em instituições de longa permanência, no Distrito Federal. As autoras sublinham a tensão estabelecida entre o habitus feminino de cuidado e o regime taylorista de trabalho nesses ambientes.

O artigo Representação política e de interesse: bases associativas dos deputados federais de 1999-2007, de Odaci Luiz Corodini (UFRGS), foca o engajamento associativo no recrutamento e legitimação de elites políticas a partir da postura dos deputados federais, entre 1999 e 2007, no tocante à relação destes com sindicatos e associações. Mas, ao mesmo tempo, o autor articula essas relações a outras variáveis como titulação escolar, montante do patrimônio econômico, filiação partidária e quantidade de mudanças de partido político.

Luís de Gusmão (UnB) trata, em A Crítica da Epistemologia na Sociologia do Conhecimento de Karl Mannheim, da crítica realizada por este último autor ao caráter normativo da atitude de epistemólogos que lhe eram contemporâneos. Sublinha Gusmão que a postura de defesa dos achados das diferentes disciplinas empíricas antecipa em décadas o que hoje se faz corrente tanto na Sociologia do Conhecimento quanto na reflexão epistemológica.

Finalmente, Sérgio Buarque de Holanda na USP, de Rodrigo Rui Sanchez (Faculdade de Barretos) se atém à contribuição decisiva para as alterações ocorridas na historiografia acadêmica no Brasil, a partir da década de 1950, com o ingresso do célebre historiador na Universidade de São Paulo. Chamando atenção ao fato de Buarque de Holanda ter se firmado um parâmetro no que toca à pesquisa histórica, o autor percorre os 13 anos dessa permanência, dando especial relevo à instauração e à dinâmica do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB).