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Psicologia & Sociedade

versão On-line ISSN 1807-0310

Psicol. Soc. v.20 n.3 Florianópolis set./dez. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822008000300011 

Novos desafios dos jovens na atualidade: trabalho, educação e família

 

New challenges of the young in the contemporaneity: work, education and family

 

 

Tânia Regina Raitz; Luciane Carmem Figueredo Petters

Universidade do Vale do Itajaí, Itajaí, Brasil

 

 


RESUMO

Os dilemas da juventude na atualidade se apresentam não somente de forma inédita e desafiante, mas se constituem como um complexo e grave problema de crise do trabalho juvenil no Brasil. Este estudo foi realizado com jovens do Ensino Médio em um município litorâneo do interior de Santa Catarina. As estratégias utilizadas pelos jovens na relação "trabalho, educação e família", numa nova ética do trabalho na sociedade contemporânea, se constituiu na problemática central. A pesquisa realizada foi de natureza quantitativa e qualitativa, através da aplicação de questionários e entrevistas (grupo focal) com o objetivo de identificar a situação de educação e de trabalho desses jovens. Os resultados indicam a necessidade de políticas públicas para a juventude que sinalizem a emergência de se repensar propostas de educação e trabalho que atendam as condições juvenis, em conseqüência da incerteza que hoje rodeia o mercado de trabalho.

Palavras-chave: jovens; trabalho; educação; família


ABSTRACT

The dilemmas of youth nowadays are presented not only in a new and challenging way, but they constitute a complex and serious problem of crisis of youth work in Brazil. This study was conducted with young high school students in a coastal city in the interior of Santa Catarina. The strategies that young people use in the relation "work, education and family", in a new ethic of work in contemporary society, was the central issue. A quantitative and qualitative survey was conducted through the use of questionnaires and interviews (focus group) in order to identify the situation of education and work of these young people. The results indicate the need for public policies for youth showing the emergency to rethink proposals for education and working conditions that meet the youth as a result of the uncertainty that now surrounds the labour market.

Key words: youth, work, education, family


 

 

Introdução

São visíveis as transformações pelas quais o mundo passa no século XXI, trazendo fortes impactos e afetando a vida de muitas pessoas, especialmente dos jovens, sendo cada vez mais atingidos na sua forma de socialização, na relação que estabelecem com a educação e o trabalho, nos seus modos de vida, nos seus pensamentos. Perdem, assim, muitas vezes, a idéia de que são responsáveis pela sua própria história, faltam-lhes perspectivas para o futuro.

Nesse contexto, há uma explosão de novos conceitos, e os jovens se deparam com grandes impasses ao buscarem seu direito de trabalhar, de estudar, de realizar seus sonhos e projetos de vida. Como acrescenta Von Döllinger (1997, p. 2), "Cunham-se expressões novas e ao mesmo tempo resgatam-se idéias antigas: o fim da história, o desencantamento, a pós-modernidade, o pós-industrialismo e a terceira revolução industrial" são termos que deixam de estar restritos ao meio acadêmico e entram no dia a dia das pessoas. Neste cenário de novas concepções, os jovens se sentem inseguros e despreparados para atuarem como atores protagonistas na sociedade em que vivem.

A juventude e as relações que estabelece com o trabalho, a educação e a família têm se tornado, nos últimos anos, tema de atenção dos pesquisadores que visam não apenas compreender as relações do jovem com o mundo do trabalho e com a educação, mas também propor alternativas que possam vir a oferecer possibilidades para a minimização dos graves problemas que os jovens enfrentam para inserção, permanência e valorização no trabalho.

Assim, esta pesquisa desenvolvida com os jovens homens e jovens mulheres, do Ensino Médio Noturno de uma escola pública de Ensino Básico Estadual em Santa Catarina, teve como objetivo investigar as estratégias que os jovens utilizam na relação "trabalho, educação e família", numa nova ética do trabalho na sociedade contemporânea. A intenção foi de trazer um diagnóstico sobre os problemas vivenciados por esse segmento juvenil, de apoio às políticas públicas para a juventude em Santa Catarina. Nesse sentido, a questão de pesquisa girou em torno das estratégias utilizadas pelos jovens na relação que estabelecem entre educação, trabalho e família.

Sposito (2005, p. 125) mostra a importância de se estudar esta relação na atualidade: "ao tentar analisar a emergente condição juvenil contemporânea no Brasil, seremos também obrigados a tratar da diversidade, daquilo que aparentemente é o mais tradicional da modernidade-trabalho, família e escola".

Muitos autores que se dedicam a pesquisar a respeito da juventude preocupam-se em primeira instância com o conceito dessa categoria social. Entretanto, muitos deles se deparam com esse dilema complexo. Frigotto (2004), ao tratar do assunto "juventude, trabalho e educação", pondera que, tomada por vários ângulos, a temática apresenta muitas controvérsias, pois há uma dificuldade em obter um conceito unívoco de juventude, seja tanto por razões históricas quanto sociais e culturais.

 

Juventude numa perspectiva histórica-social-cultural

Considera-se no presente estudo a perspectiva histórica, social e cultural para definir e explicitar o jovem como sujeito pertencente à categoria juventude. Até o século XVIII, mais especificamente na sociedade medieval, havia uma separação entre o mundo infantil e o mundo adulto, porém essa separação social ocorria sem maiores divisões de fases, sem a preocupação do indivíduo como adolescente. É somente a partir do século XVIII, em meio à expansão da economia mercantil e a mudanças importantes ocorridas na sociedade, como a afirmação da classe burguesa (comércio, mão-de-obra), e o surgimento da área educacional, no início do século XIX, que caracterizam o dualismo e a seletividade (Varela & Uria, 1992).

É no referido contexto que a juventude e a adolescência passam a ser vistas como fases distintas das outras fases de desenvolvimento da vida do sujeito. Todavia, é somente no século XX, segundo Áries (1981), que a escola, a organização militar (Estado) e as instituições confessionais preocupam-se com a identificação social e política da juventude, inserindo esses sujeitos em espaços organizados, proporcionando a expansão dos jovens em setores sociais diversificados e o surgimento de novos conceitos e significados juvenis.

Desde então, muitos questionamentos sobre a condição juvenil têm colocado pesquisadores e teóricos em busca de explicações que sustentem as mudanças percebidas nessa fase da vida. Abramo, localizando no tempo o conceito juventude, alude às características que marcaram os conflitos geracionais,

permeada por novos valores, hábitos e gostos, era entendida como um problema, sendo identificada como geradora de uma crise de valores e de um conflito de gerações, tudo isso tornou inevitável o confronto com os setores da sociedade, incapazes de entender e muito menos ainda aceitarem mudanças em curso (Abramo, 1997, p. 40).

Esta autora considera a juventude como um problema social, uma fase difícil, perturbadora e turbulenta da vida, em função dos sentimentos que desencadeia nos jovens, como transgressão e rebeldia, e, portanto, necessita do amparo dos adultos. Na década de 50 e início da de 60 do século XX, se caracteriza, nos países mais avançados economicamente, a separação entre jovens e família, enfatizando a busca daqueles por autonomia e mais liberdade.

Dessa forma, as décadas de 60 e 70 foram assinaladas pelos movimentos estudantis juvenis, pelo consumo intenso da música, ocasionando um rompimento com as regras estabelecidas, com as formas de dominação. Já as décadas de 80 e 90 marcam o resgate de valores à sombra da homogeneidade da cultura adulta. Por conseguinte, a juventude presente nessa fase histórica se configura como uma categoria social, formada por símbolos contemporâneos e marcada pelo resgate de valores à sombra dos valores adultos. Segundo Abramo (1997), nesse período, a juventude aparece como retrato projetivo da sociedade.

Percebe-se, nessa breve trajetória histórica, que o conceito de juventude não possui uma definição única, nem estática, pois em cada período, em cada momento histórico, cada geração traz marcas próprias dentro do contexto social, portanto os sujeitos são influenciados pela sociedade em que vivem e, por isso, comportam-se, pensam e agem de maneira diferenciada. É dessa forma que se pode observar como os conceitos de "adolescência e juventude" vêm se transformando ao longo do processo de constituição de nossa civilização.

Nesse aspecto, conforme Pais (1993), existem diferentes juventudes e diferentes olhares, diferentes teorias que explicam a juventude, de acordo com suas abordagens. Se for considerar a corrente geracional, trabalhada por teóricos pertencentes à chamada Sociologia das Gerações, concebe-se o termo juventude através da demarcação social, isto é, compreende-se a juventude como uma fase na vida do sujeito que se inicia com o término da infância e se encerra com o início da idade adulta. Essa se caracteriza como uma fase que vislumbra elementos homogêneos, aspectos etários e comportamentos generalizantes. É a compreensão da juventude como um período apenas de transição.

É mergulhando nessa perspectiva de incompletude que a corrente geracional concebe a fase da juventude, o jovem, um sujeito incompleto, que depende do futuro, ou melhor, de seu ingresso na vida adulta para ser reconhecido socialmente. Já a corrente classista compreende a juventude como um grupo social heterogêneo, cada qual com diferentes culturas, classe social, econômica e política. Pode-se dizer que considera a juventude como uma fase de transição, reprodução de papéis sociais. Segundo Pais (1993), essa maneira de conceber a juventude coloca sempre a transição dos jovens pelas desigualdades sociais. Assim, o sistema educativo e a condição social dos jovens acabariam por determinar que os filhos de operários se tornassem operários.

Em face da existência real desse pensamento clássico sobre a juventude ainda nos dias atuais, compreendemos, como concebe Pais (1993), "uma cultura juvenil", com traços comuns e diferenciados ao mesmo tempo. Para Carrano (2000), a juventude deve ser compreendida como uma complexidade variável: os jovens são diferentes porque diferentes são seus modos de viver, diferentes são seus espaços e tempos sociais, diferentes são suas identidades.

 

Transformações no mundo do trabalho

Na relação que se estabelece entre jovens e trabalho, muitos estudiosos, ao estudarem a realidade mundial nas últimas décadas, são unânimes em constatar as profundas transformações que assolam o mundo do trabalho, culminando no fenômeno do desemprego que atinge milhões de pessoas com índices alarmantes jamais presenciados, especialmente aqueles demonstrados pelo desemprego juvenil.

Pais (2001) argumenta que as próprias representações sobre o trabalho estão atualmente marcadas por instabilidades naquilo que se apresenta como turbulência, flexibilidade e impermanência nas trajetórias juvenis. Isso não significa que o trabalho não seja uma esfera importante na vida dos indivíduos, mas ganha novas dimensões. Desse modo, é visível a própria diversidade e a heterogeneidade que caracterizam o mercado de trabalho atualmente no Brasil, conseqüentemente, levando a diferentes situações vividas por jovens trabalhadores e jovens trabalhadoras. O estudo desse autor com jovens portugueses, intitulado Ganchos, Tachos e Biscates: Jovens, Trabalho e Futuro, vem reafirmar sua tese de que, embora o trabalho continue mantendo o significado de obrigação, de esforço e até de sofrimento, o certo é que alguns diagnósticos recentes mostram uma outra realidade, a atitude dos jovens em relação ao emprego e trabalho aparece de forma ambivalente, revelando diversos sentidos sobre o trabalho. Assim, neste estudo, que tem como objetivo investigar as estratégias utilizadas pelos jovens na relação educação, trabalho e família, os sentidos do trabalho aparecem e são considerados em sua diversidade.

 

Método

O presente estudo, de natureza quantitativa e qualitativa, utilizou, no tratamento dos dados, análise estatística e análise de conteúdo entendida como "um procedimento de pesquisa que se situa em um delineamento mais amplo da teoria da comunicação e tem como ponto de partida a mensagem" (Franco, 2005, p. 20). É por intermédio da mensagem que se dá a significação do conteúdo do texto estudado.

Na primeira etapa da pesquisa, os dados foram coletados através de um questionário semi-estruturado com questões fechadas e abertas, sistematizados por meio do programa Excel, contribuindo para mapear o perfil dos jovens e para identificar aspectos relativos às experiências que eles estabelecem com a educação, o trabalho e a família. Essa primeira parte da pesquisa suscitou a necessidade de aprofundamento de alguns dados obtidos no questionário sobre as relações educação, trabalho e família. Para tanto, a técnica da entrevista focal foi escolhida a fim de contribuir nesse sentido e também para responder ao objetivo proposto no estudo. Valeu-se de um gravador e um roteiro de questões previamente elaboradas para orientação na condução da entrevista. O grupo focal se tornou interessante num segundo momento, no qual se priorizaram alguns eixos de análise, como a experiência sobre o desemprego, emprego informal, sentidos do trabalho e escola, identificando as estratégias utilizadas pelos jovens, ao mesmo tempo em que a intenção foi dar voz a eles (as).

Segundo Rauen (2006), o questionário ou entrevistas escritas definem-se como uma listagem de indagações escritas que se caracteriza pela sistematização das questões ordenadas conforme critérios estabelecidos. Já Flick (2004) argumenta que a entrevista focal se caracteriza por dar profundidade e revelar o contexto pessoal através da fala do entrevistado. Portanto, no questionário e na entrevista semi-estruturada do presente estudo, os seguintes aspectos foram levados em consideração: idade, sexo, estado civil, moradia, aspectos mais importantes da vida, relação familiar, atuação no mercado de trabalho atual, situação atual de trabalho, renda pessoal, preocupações e angústias sentidas, experiência com desemprego, satisfação e percepção sobre a importância dos ensinamentos escolares para o trabalho e para a vida, aplicação dos ensinamentos escolares no trabalho, projetos e sonhos em relação à vida educacional e profissional.

Participaram da primeira etapa desta investigação 41 (79%) alunos do Ensino Médio, representando quase a totalidade dos inscritos neste nível escolar noturno, na escola pesquisada, somando o total de 52 (100%) jovens estudantes que a freqüentam. Dessa maneira, foram assim decompostos: 23 (45%) jovens mulheres do Ensino Médio que participaram da pesquisa, salvo duas (2) destas jovens que não compareceram à escola no dia em que foi aplicado o questionário, e 18 (35%) jovens homens participaram deste estudo.

Posteriormente, participaram dez (10) jovens que se mostraram disponíveis para contribuir na segunda etapa (grupo focal) a fim de esclarecer e aprofundar algumas questões apontadas no questionário, contemplando as estratégias que adotam no mundo do trabalho e na educação na sociedade atual. Por conseguinte, alguns dados da pesquisa estatística são apresentados a seguir e posteriormente os resultados da pesquisa qualitativa (grupo focal).

 

Resultados

A respeito da importância dada à idade nesse período da vida, a maioria dos jovens (52%) tem 17 anos, 25% têm 16 anos, 12% têm 18 anos, 7% têm 15 anos e 2% têm 19 e 21 anos. Apesar de grande parte dos jovens se encontrarem dentro dos patamares esperados idade/série, alguns ultrapassam a faixa etária quanto à consideração de que a ideal seria de 15 a 17 anos para o Ensino Médio.

Este fato se justifica a partir dos dados publicados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), em que Cacciamali e Braga (2002) alegam que a defasagem idade/série, bem como a evasão de alunos jovens das escolas, não são provocadas pelo ingresso desses no mercado de trabalho, mas se originam no interior do sistema educativo. Madeira ressalta "Os estudos mostram que os níveis de inadequação série/idade são sempre altos, independente dos jovens estarem ou não trabalhando" (Madeira, 1993, 1998, conforme citado por Cacciamali & Braga, 2002, p. 15).

Ao constatar a identidade sexual dos sujeitos que estudam nessa escola noturna, verifica-se que um total de (56%) dos jovens é do sexo feminino. Percebe-se, através dos dados da pesquisa (Gráfico1), a crescente presença feminina no âmbito educacional, marcando a centralidade da imagem da jovem mulher na atual sociedade, em busca de melhores condições existenciais e autonomia, simbolizando maior participação na educação.

 

 

Em contrapartida, não se pode ignorar a existência marcante de mecanismos de exclusão e de inclusão. Tais mecanismos são explicados por Weller (2005, p. 108) quando menciona que "é comum encontrarmos publicações sobre juventude e culturas juvenis que compreendem a categoria juventude como um todo, ou seja, que não fazem uma distinção entre jovens do sexo feminino e do masculino". No entanto, mais recentemente, os poucos estudos desenvolvidos que abordam as relações de gênero, principalmente relacionados à família, educação e trabalho, demonstram uma preocupação em distinguir os sentidos que homens e mulheres atribuem a estas relações como meios para a conquista de maior autonomia. Nos estudos de Araújo e Scalon (2005, p. 20) acerca dos sentidos de autonomia para mulheres, o significado pode adquirir um duplo sentido, de

maior independência em relação ao parceiro ou ao pai ou alguma figura que exerça essa autoridade em relações ainda marcadas por assimetria de poder e prevalência masculina; e também pode se sentir incluída, como consumidora, para si e para outros membros da família.

Os dados referentes ao estado civil desses jovens entrevistados apontam que 98% são solteiros e 2% não responderam. Apesar de serem solteiros, há três jovens dividindo o espaço em que vivem, ou seja, vivem juntos com o/a namorado/a. A situação atual de moradia dos mencionados traz como ponto importante a ser destacado, o percentual de 90% de jovens que moram com a família, apenas 5% que moram com o cônjuge e outros 5% com o cônjuge e os pais ou sogros. Nota-se, a partir dos dados, que quase todos os jovens pesquisados residem com seus familiares. Nesse sentido, sugere-se pensar que a família ainda se constitui como o lugar do jovem, que "introduz o outro" neste espaço familiar (Sarti, 2005, p. 123). Conforme a autora, o outro é indispensável à família porque se configura nos discursos até então não conhecidos, abalando o discurso convencional na tentativa da reafirmação desse novo discurso.

Já quando se verifica se os jovens estão exercendo um trabalho, 57% deles responderam que estão exercendo uma atividade laboral e 29% já exerceram, mas no momento estão desempregados. O percentual de jovens que não estão trabalhando soma 10%, e os que nunca trabalharam, bem como os que nunca procuraram trabalho, resultam em 1% cada um. Isso quer dizer que apenas um jovem nunca trabalhou e um jovem nunca procurou trabalho. Assim, salienta-se a importância que o trabalho ocupa na condição juvenil. É relevante observar que, quando perguntados sobre a situação de trabalho, 37% dos jovens optaram em não responder, de acordo com a tabela 1.

Nota-se a condição e o grave problema que permeiam a vida desses jovens: o trabalho informal, o subemprego de baixa remuneração, a desvalorização, a falta de qualificação profissional, a falta de orientação vocacional e, sobretudo, a falta de oportunidade de ingresso no mercado de trabalho, demonstrando com isso a "fragilidade juvenil" que se manifesta no silêncio daqueles jovens olhares e rostos definidos.

Porém, o percentual de jovens inseridos no mercado de trabalho formal é de 22%, e a soma do percentual que atinge os jovens que exercem trabalho no mercado informal resulta em 39%. Considera-se neste estudo a situação vivenciada de informalidade no trabalho, os jovens que responderam exercer um trabalho sem carteira assinada perfazem 10%, os que exercem trabalho eventual ou fazem "bicos" 5%, os que são membros de associação 2%, os que participam dos negócios familiares 5%, os que trabalham temporariamente por conta própria 10% e os que exercem trabalho remunerado de forma irregular, não procurando trabalho diferente do atual 7%. Isso denota que, mesmo considerando o expressivo percentual apontado na tabela acima de jovens trabalhando, eles ocupam posições de subempregos, segundo Gráfico 2. Oliveira (2004) diz que é muito elevado o índice de desemprego juvenil no Brasil, mas na mesma proporção se encontra o subemprego causado por diversos aspectos: salários, demanda total, regulamentação do trabalho, legislação e o volume da força de trabalho, entre outros.

A renda pessoal foi também questionada: 15% responderam que ganham menos de um salário mínimo mensal, 41% recebem de um a dois salários e 7% possuem renda de dois a três salários mínimos por mês. Outro dado importante foi constatar que 37% dos jovens não responderam, coincidindo com o mesmo percentual que não respondeu sobre a situação de trabalho. Verifica-se, através do aprofundamento dessa questão na entrevista (grupo focal), as reais condições sociais, políticas e econômicas enfrentadas pelos jovens desta pesquisa, não deixando de ser diferente de muitos outros jovens brasileiros. Como afirma Sposito (2005, p. 103): "Não é possível desconhecer que as desigualdades econômicas continuam a delimitar os horizontes possíveis de ação dos jovens nas suas relações com a escola e o mundo do trabalho". Singer (2005, p. 29) complementa: "A juventude parece, pois, condenada à submissão ou ao desespero".

Nas entrevistas com os jovens (grupo focal), quando questionados sobre o que consideram mais importante na vida, a família aparece como prioridade, não sem os conflitos gerados entre pais e filhos, como também representa o eixo de referência. Mesmo assim, nesta investigação observa-se que a família é fundamental na vida dos jovens desta comunidade escolar, segundo os depoimentos a seguir:

A família é o incentivo. Se não tiver a mãe para incentivar, não tô nem aí! Tem que ter alguém para te mandar estudar, trabalhar (Grupo focal com jovens).

Família não é só para dar ordem, acho que a gente nasce sem saber nada, e quem ajuda montar a sua personalidade é a família! A base da família é tua mãe e teu pai! (Grupo focal com jovens).

Se não tem uma base familiar... Então, família é a base de seu caráter! (Grupo focal com jovens).

Conforme Sarti (2005), esses conflitos dependem muito das relações entre jovem e família, pois na medida como os "outros" discursos do jovem são reconhecidos, aceitos, acaba por determinar estas relações. Nesta passagem da autora, é possível perceber como isso ocorre.

Em primeiro lugar, como objeto das expectativas familiares, os jovens têm os rumos de suas vidas traçados por seus pais de forma a cumprir o que a família espera para si. São conhecidos os conflitos deflagrados pela resistência dos jovens a concretizar essa forma de herança e de perpetuação de sua "família". Grande parte da dificuldade de lidar com as questões juvenis, sobretudo aquelas ligadas à sexualidade, as escolhas ou indagações existenciais, tem a ver com o fato de que tocam em pontos difíceis para os pais, em suas próprias vidas. Transferem-se para o jovem essas questões que se transformam em "problema do jovem", próprio de uma suposta etapa da vida, tratado isoladamente. ... A negação do diferente, a base etnocêntrica de todo o preconceito, funda-se precisamente na dificuldade de aceitar que o suposto diferente se parece muito conosco e pode nomear o que para nós é inominável (Sarti, 2005, p. 125).

No entanto, o trabalho também aparece em posição de destaque logo após a família e assume caráter de prioridade, de extrema relevância para esses jovens estudantes e trabalhadores que freqüentam o Ensino Médio noturno. Seguindo a ordem de importância, aparecem também destacados os estudos, o companheiro conjugal e a religião. Seguem alguns depoimentos dos jovens.

É, eu acho que, para o jovem, a maior intenção é estar trabalhando, é essa de ter o seu próprio dinheiro. Trabalhar para si. Eu trabalho desde os 11 anos de idade porque eu não gosto de pegar dinheiro com a mãe! (Grupo focal com jovens).

Eu preciso dele (trabalho) para poder crescer na vida, com o trabalho você aprende a ter muita responsabilidade (Grupo focal com jovens).

Na minha vida o emprego é mais importante. O trabalho para mim gera crescimento (Grupo focal com jovens).

Na fala dos jovens, observa-se que o trabalho se configura como uma vantagem na vida deles, a falta representa uma angústia, uma frustração, consiste em um dos maiores problemas da vida juvenil. Como argumenta Branco: "Isto permite concluir que o trabalho ocupa posição central na agenda juvenil, ainda que não autorize o entendimento que se deva promovê-lo tal e qual se passa para a população adulta" (Branco, 2005, p. 135).

Conforme depoimento de mais alguns quando se referem como se sentem diante da situação de trabalho mal remunerado, desvalorizado e com a experiência do desemprego.

Sinto-me de cabeça quente, porque para arrumar emprego não tem onde, ganha pouco, que adianta se matar em trabalhar durante o dia e estudar a noite, não adianta! Quando eu trabalhava de monitora de brinquedos no parque, eu sabia que era forçada, desvalorizada, eu sempre estava com isso na minha cabeça, mas eu gostava, não sei explicar, mas gostava! E quando eu trabalhava na frente do castelo, vendendo fotos, eu ganhava bem, trabalhava no sol, mas ganhava R$ 20,00 por dia, só que eu não gostava do trabalho, mas o que motivava era o quanto eu ganhava!Porque o dinheiro ia todo para mim. Isso me motivava bastante!Então era uma necessidade! (Grupo focal com jovens).

Eu ficava trabalhando com celular o dia todo para ganhar R$ 200,00, então dava preguiça e era muito pouco, não dava nem pro guarda-chuva que eu usava quando chovia! R$ 200,00 é muito pouco! Porque R$ 200,00 para trabalhar o dia inteiro é muito pouco, se fosse meio período, ainda sim, mas como era o dia todo, resolvi parar! (Grupo focal com jovens).

Eu moro com minha mãe e meu irmão. Meu irmão teve que parar de trabalhar porque se machucou no barco e minha mãe foi operada. Aí os dois estão desempregados e eu já há quatro meses procurando, já deixei currículo em todo lugar. Eu me sinto mal, queria ajudar minha mãe e não consigo. Eu moro lá perto do Provesi. Ela quer me dar dinheiro para eu vir de ônibus, mas eu prefiro vir a pé porque eu é que deveria ajudar ela, porque eu não queria que ela voltasse a trabalhar no peixe depois de ter sido operada, pois ela já tem certa idade! Sinto angústia, quero ajudar minha mãe e não posso! Eu tenho ido muito atrás, mas está difícil. Eu já fui atrás até de faxina, mas nem isso eu consegui! (Grupo focal com jovens).

Nesse sentido, entende-se que o trabalho para esses jovens pesquisados significa um meio para a obtenção da cidadania, para a conquista de direitos, de autonomia. Nas famílias nas quais as situações adversas como o desemprego, o modo de trabalho não qualificado, trabalho informal e mal remunerado contribuem para materializar e transformar o cotidiano do sujeito, o espaço familiar torna-se o lugar em que o jovem encontra apoio, subsídios para lidar com as adversidades, para prover suas carências e necessidades básicas (Alencar, 2006).

É relevante também mencionar que mais da metade dos jovens consideram que os ensinamentos da escola são importantes para a vida em relação à conquista de um melhor futuro profissional, apesar de reconhecerem (através de entrevista) que a escola não os qualifica para exercerem uma atividade profissional. Observa-se nessa questão a importância dada ao diploma de Ensino Básico para a conquista do exercício de atividade profissional reconhecida.

Dessa forma, a educação assume papel extremamente significativo na vida desses jovens, pois acreditam que é por meio dela que terão um futuro profissional digno e satisfatório. Essa ideologia permeia o imaginário juvenil. Como alerta Branco (2005, p. 137), é provável somar a relevância dada à educação com aquela referida ao emprego/atividades profissionais, "uma vez que uma das motivações ou razões mais importantes para se estudar está relacionada à obtenção futura de uma boa inserção ocupacional no sistema econômico". Mas, sabe-se que a realidade não é bem essa. Muitos jovens terminam o Ensino Básico sem a qualificação que a demanda do mercado de trabalho exige em virtude da má qualidade educacional que receberam, além de não terem condições financeiras de custear um curso no Ensino Superior, raros são os que conseguem uma vaga nas universidades públicas.

A escola é o lugar onde os sujeitos passam grande parte de suas vidas e, no entanto, se apresenta, como destaca a maioria dos jovens pesquisados, como um lugar que não se interessa pelos problemas dos jovens estudantes que a freqüentam e têm suas razões de aspirações futuras: conquistas e desenvolvimento no campo pessoal e profissional. Isso se pauta muito mais por uma questão de obrigatoriedade e exigência da atual sociedade, também denominada sociedade do conhecimento. As representações dos jovens sobre a escola indicam que se vêem impossibilitados de falar sobre seus problemas e angústias porque a escola não se interessa por eles. Muitas vezes, também, o silêncio provém do medo de fazer suas críticas com receio da avaliação, meio pelo qual ainda algumas escolas castigam e excluem.

Acreditamos ser inconcebível que a escola, no século XXI, ainda ignore os problemas vivenciados pelos seus jovens estudantes. É preciso que esse cenário educacional se transforme através da reformulação de suas metas, funções, responsabilidade de todos os que promovem oportunidades para a aprendizagem. É por meio da reformulação curricular que a mudança pode se iniciar. Uma reforma com a participação de toda a comunidade escolar. É tempo de dar oportunidades de fala a todos, especialmente aos jovens, para promover a verdadeira interação jovem-educação-trabalho-família. Como sugere Von Döllinger, se referindo às recomendações feitas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), deve-se "promover enlaces entre a aprendizagem e o trabalho, estabelecendo as rotas e pontes que facilitam um movimento mais flexível entre a educação e a capacitação para o trabalho" (Von Döllinger, 1997, p. 14). Isso consiste em melhorar os meios para a avaliação e reconhecimento das habilidades e competências dos indivíduos, possibilidades adquiridas mediante a aprendizagem formal e informal.

Nesse sentido, promover enlaces significa que ensinar também exige cativar o jovem através da disponibilidade para o diálogo, para a escuta, o querer bem, a responsabilidade diante do outro. Portanto, como diz Freire (1996, p. 113): "Se na verdade, o sonho que nos anima é democrático e solidário, não é falando aos outros, de cima para baixo, sobretudo, como se fôssemos os portadores da verdade a ser transmitida aos demais, que aprendemos a escutar", ao contrário, a escuta é aprendizado.

 

Considerações finais

Considera-se, acerca dos resultados apresentados, que o ideal seria se os jovens pudessem desfrutar de uma formação educacional sólida para, posteriormente, na idade adulta, ingressar no mercado de trabalho. Entretanto, os jovens das camadas populares necessitam trabalhar, conseqüência de uma política sócio-econômica neoliberal, não permitindo que a maioria desses jovens tenha o privilégio de concluir pelo menos o Ensino Médio sem a necessidade de trabalho. Em virtude da situação atual da juventude, é necessário que as Políticas Públicas atendam urgentemente as demandas desses e demais jovens brasileiros, pois anseiam por condições dignas de vida na esfera do trabalho e da educação.

Os jovens que fizeram parte desta investigação freqüentam a escola pública estadual no período noturno e, portanto, a maioria é trabalhador (a) diurno e depende do trabalho para suprir suas necessidades básicas. Aqueles que não trabalham vivem na expectativa de encontrarem uma ocupação, depositando na educação suas esperanças de inserção no mercado de trabalho e realização de seus projetos de vida. Ao mesmo tempo, esses jovens anseiam por reconhecimento como sujeitos de direitos, bem como por oportunidades de emancipação e autonomia, através do trabalho e do desenvolvimento profissional, isto é, solicitam oportunidades iguais como as dadas aos jovens das classes média e alta. Dessa maneira é que o trabalho adquire sentido prioritário na vida desses jovens pesquisados.

Os ensinamentos escolares aparecem como aspecto de grande importância na vida dos jovens, pois acreditam que é por meio deles que conquistarão seu futuro profissional e terão melhor compreensão da realidade. Contudo, tais ensinamentos se revelam como não aplicáveis ao trabalho. São movimentos contraditórios existentes na relação entre educação e trabalho. Por um lado, a educação profissional e orientação vocacional se apresentam como demandas urgentes na vida desses jovens que clamam por mais oportunidades na sua vida profissional.

Por outro lado, as atitudes e sentimentos desencadeados pela experiência com o trabalho formal e informal desses jovens demonstram a heterogeneidade existente no mercado de trabalho, se sentem fragilizados nas tentativas de inserção. Suas experiências demonstram atitudes e estados de impotência frente à conquista e permanência no trabalho formal. As experiências com o desemprego, para esses jovens estudantes-trabalhadores, são uma grande preocupação, mostrando-se insatisfeitos com a perspectiva de não conseguirem uma ocupação no mercado de trabalho formal ou informal.

Essa experiência é vivenciada de forma frustrante, com sentimentos de impotência, vergonha, desassocialização e exclusão social, visíveis nesse processo. Em tal aspecto, a família se torna importante como âncora e suporte psicológico no enfrentamento de desafios que se apresentam cotidianamente num movimento rotativo e circulante, assim os impulsiona a continuar lutando em busca de melhores condições de vida. Portanto, nesta pesquisa, a família também aparece como alicerce para a maioria desses jovens, pois se caracteriza como núcleo de apoio para seguirem em busca de seus projetos e sonhos.

 

Referências Bibliográficas

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Recebido: 22/10/2007
Revisão: 27/08/2008
Aceite final: 27/08/2008

 

 

Tânia Regina Raitz é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestre em Sociologia Política pela UFSC, doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É professora do Mestrado em Educação na Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) e coordena o grupo de Pesquisa Educação e Trabalho. Endereço para correspondência: Rua: Acelon Pacheco da Costa, 231, Bloco B, apto 407 - Bairro Itacorubi - Florianópolis/SC, 88034-040. Telefone 9480 3334-7576 E-mail: floraitz@uol.com.br
Luciane Carmem Figueredo Petters é mestre em Educação pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Endereço para correspondência: Travessa Lauro Pinto Ferreira, 12 - Apto 11 - Centro - Balneário Piçarras - SC. Cep: 88380-000. Fone: (47) 33450436 E-mail: lucarmem@matrix.com.br