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Psicologia & Sociedade

Print version ISSN 0102-7182

Psicol. Soc. vol.24 no.2 Belo Horizonte May/Aug. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822012000200024 

ARTIGOS

 

Representação social de capixaba: identidade em processo

 

Social representation of capixaba: identity in process

 

 

Lídio de SouzaI; Thaís Caus WanderleyI; Mariane Ranzani Ciscon-EvangelistaI; Milena Bertollo-NardiI; Mariana BonomoI; Paola Vargas BarbosaII

IUniversidade Federal do Espírito Santo, Vitória, Brasil
IIUniversity of Rochester, New York, USA

 

 


RESUMO

O objetivo do estudo foi investigar o processo de identificação social por meio da análise das representações sociais de capixaba e Estado do Espírito Santo para moradores do referido território. Participaram da pesquisa 60 pessoas nascidas e residentes no estado, com idades entre 18 e 64 anos. Os dados provenientes da técnica da associação livre e de questões que abordaram a relação indivíduo-território foram sistematizados através do software EVOC e da Análise de Conteúdo. O Espírito Santo foi representado por símbolos tradicionais e elementos que reforçam uma imagem positiva e as representações de Capixaba expressam a relação dos indivíduos com a história e a cultura locais, cujas ambiguidades revelam a recentidade da preocupação com uma identidade social vinculada ao território. Discute-se o campo representacional e a dinâmica identificatória, processos que objetivam a elaboração de significados que imprimem à esfera territorial a dimensão simbólica do pertencimento ao grupo social capixaba.

Palavras-chave: capixaba; Estado do Espírito Santo; identidade; representação social.


ABSTRACT

The purpose of this study was to investigate the social identification process through the analysis of the Social Representations of Capixaba and State of Espírito Santo to dwellers of that territory. The participants were 60 people who were born and were currently living in the State, (18 to 64 years old). Data from the technique of free association and questions regarding the relation individual-territory were organized, respectively, through EVOC and Content Analysis. The State was represented by traditional symbols and elements that strengthen a positive image and the representations of Capixaba expresses the relationship between the individuals with the local history and culture, holding ambiguities that indicate the recent construction of a social identity associated with this territory. It is discussed the representational field and the identification dynamic as processes that objectify the construction of meanings that give the territorial sphere the symbolic dimension of belonging to the capixaba social group.

Keywords: capixaba; Espirito Santo State; social identity; social representation.


 

 

Introdução

Anteriormente à chegada dos portugueses, a região onde hoje é o Estado do Espírito Santo encontrava-se povoada pelos índios tupiniquins, aimorés, temiminós e puris (Tallon, 1999). A palavra capixaba tem origem tupi e significa roça, roçado, terra limpa para plantação.

Os índios que aqui viviam chamavam de capixaba sua plantação de milho e mandioca. Com isso, a população de Vitória passou a chamar de capixabas os índios que habitavam a região e depois o nome passou a denominar todos os moradores do Espírito Santo. (Governo do Estado do Espírito Santo, s.d.)

A colonização da região iniciou-se em 1535, quando Vasco Fernandes Coutinho desembarcou na atual Prainha de Vila Velha e fundou o primeiro povoamento. Durante a fase inicial da economia, o Espírito Santo passou, como o restante do país, pelos ciclos do pau-brasil e do açúcar. Conforme Tallon (1999), depois disso ele foi convertido "em território-tampão, como obstáculo a qualquer eventual tentativa de se alcançar, por seus caminhos, a aurífera região das Minas Gerais" (p. 57). O autor afirma ainda que, em virtude desse fato, o Espírito Santo permaneceu à margem da história do Brasil, ficando despovoado e coberto de florestas por um longo período.

Bittencourt (1998) também discute a forma como o Espírito Santo passou o século XVIII espremido entre o litoral e as florestas intactas devido às proibições de desmatamento pelos governos metropolitanos. Dados sistematizados por Tallon (1999) informam ainda que, no século XIX, 85% de todo o território capixaba era de Mata Atlântica. Essa situação mudaria com a introdução da cultura cafeeira, a partir da segunda metade do século XIX, que inseriu o Espírito Santo no processo produtivo nacional e internacional. A cultura do café necessitava de muita mão de obra, e com a proibição do tráfico de escravos, iniciou-se o processo de imigração: "as barreiras naturais apresentadas, principalmente pela Mata Atlântica, foram rompidas, e o interior, sobretudo o norte do estado, até então intocado, recebeu novos habitantes" (Ventorim, s.d.).

De acordo com Bittencourt (1998), a imigração, principalmente a italiana, foi importante para o crescimento da cultura cafeeira local e, juntamente com baianos, mineiros, índios e mestiços, enriqueceu o quadro populacional do estado em meados do século XIX, promovendo o encontro de raças e culturas. Essa diversidade se reflete nas festas, danças, música e na culinária regional.

Conforme informa Pacheco (2004), os últimos cinquenta anos foram marcados pela diversificação de atividades econômicas, motivada principalmente pela exportação de minérios, café e celulose, pela siderurgia e pelas indústrias de móveis e de confecções. No entanto, é o petróleo o principal responsável pelo notável crescimento econômico do estado na atualidade.

Recentemente, junto com as transformações econômicas, verifica-se o investimento em peças publicitárias nos diferentes meios de comunicação, na tentativa de consolidar e transmitir uma imagem que represente a identidade do capixaba, o que parece indicar um movimento estratégico que visa a organizar uma representação vinculada ao território do estado. Garcia (2004) também nota a utilização dos meios de comunicação na consolidação da identidade capixaba, visando à criação de uma imagem que defina para "o Espírito Santo, suas peculiaridades empreendedoras, e sua população, uma identidade característica, que os diferenciassem dos outros, dos nossos vizinhos, principalmente dos estados do sudeste" (p. 89).

Ao fornecer informações sobre o Espírito Santo, o site oficial do Governo do Estado procura chamar a atenção dos visitantes quanto às belezas e prazeres disponíveis, além de mencionar esportes radicais, festivais, festas religiosas, carnaval fora de época, o congo e o desenvolvimento econômico: "Assim é o Espírito Santo: praias badaladas ou paradisíacas com culinária à base de peixes e frutos do mar. Clima ameno de montanha, onde se degusta vinhos, licores, biscoitos caseiros, massas, em propriedades de agroturismo" (Governo do Estado do Espírito Santo, s.d.). A preocupação com a construção de uma imagem representativa do estado pode demonstrar uma tentativa, perceptível nos últimos anos, de estabelecer um laço afetivo entre os moradores do estado e a sua terra, mas principalmente de construir uma imagem turística e economicamente atrativa para o estado.

O investimento na imagem do estado pode ser notado também na organização do turismo em rotas. São elas: Rota do Caparaó (Pico da Bandeira), Rota Caminhos dos Imigrantes, Rota do Sol e da Moqueca, Rota do Mar e das Montanhas, Rota do Verde e das Águas, Rota dos Vales e do Café, Rota da Costa e da Imigração e Rota do Mármore e do Granito. Cada uma das rotas enfatiza um aspecto diferente do que caracteriza o estado, como os próprios nomes já informam. Em todo o material virtual produzido pelo Governo do Estado (Governo do Estado do Espírito Santo, s.d.), nota-se a mesma intenção de divulgar o estado como local atrativo para o turismo e para investimentos econômicos.

Esse breve resgate da história do Espírito Santo visa contextualizar, ainda que de modo simplificado, a história de constituição do objeto de estudo do presente trabalho. Partindo da perspectiva que compreende o fenômeno psicológico como construção no mundo social e histórico (Bock, 2000), esse resgate apresenta-se indispensável. Entendemos que essa construção poderá ser compreendida de forma mais consistente focalizando o campo representacional referente ao Estado do Espírito Santo e aos seus habitantes, os capixabas, utilizando como recurso teórico-metodológico a teoria das representações sociais.

Da Teoria das Representações Sociais

Teoria do senso comum, visões de mundo ou formas de apropriação e interpretação da realidade, a Teoria das Representações Sociais, proposta por S. Moscovici no início da década de 1960, tem fornecido instrumentos conceituais para se compreender como o conhecimento acerca de um determinado objeto social é construído e compartilhado pelos membros dos diversos grupos sociais e rege as relações entre os indivíduos e seu contexto psicológico e social (Abric, 1998; Galli, 2006; Jodelet, 1998).

A partir da proposição teórica de Moscovici, desenvolveram-se diferentes abordagens complementares, sendo uma delas a Teoria do Núcleo Central (Abric, 1998, 2003a). Na Teoria do Núcleo Central, as representações sociais são "conjuntos organizados de opiniones, actitudes, creencias e informaciones referidas a un objeto en una situación determinada" (Cerrato & Villarreal, 2007, p.60). A definição de Abric (2001) se inscreve na perspectiva estrutural do estudo das representações sociais, focalizando a compreensão do campo representacional e a forma como os elementos que compõem determinada representação estão organizados.

Segundo essa perspectiva (Abric, 1998, 2001, 2003a, 2003b), as representações seriam constituídas por um núcleo central que determina seu significado e estaria vinculado à natureza do objeto representado, bem como à relação que o sujeito conhecedor estabelece com ele. Ao redor do núcleo está o sistema periférico, que o protege das incoerências do ambiente e das práticas sociais que entram em contradição com esse conteúdo mais estável. Assim, o núcleo central não precisa adaptar-se a cada contexto, o que contribui para a manutenção de certa coerência e continuidade dos conteúdos presentes no pensamento social em diferentes momentos históricos. Os sistemas central e periférico são dimensões que organizam os significados vinculados aos objetos sociais, possibilitando o estudo dos elementos simbolicamente relevantes em determinado campo representacional.

Na perspectiva estrutural, o conteúdo do campo representacional é sistematizado em um quadro composto por quatro quadrantes formados por dois eixos, compreendendo a linha horizontal à média ponderada por ordem de evocação e a linha vertical à média simples das frequências. O quadrante é organizado da seguinte forma:

as palavras que se situam no quadrante superior esquerdo são, muito provavelmente, elementos do núcleo central da representação estudada; aquelas situadas nos quadrantes superior direito e inferior esquerdo são elementos intermediários próximos ao núcleo central; e aquelas localizadas no quadrante inferior direito são elementos mais claramente periféricos (Oliveira, Fischer, Amaral, Teixeira, & Sá, 2005, p. 127).

Entre as principais funções das representações sociais informadas por Abric (2003a), é de especial interesse no presente estudo a sua função identitária, que consiste na elaboração dos significados definidores da identidade do próprio grupo em contraste com os outros grupos com os quais se relaciona. A função identitária possibilita a demarcação das peculiaridades grupais, protegendo o grupo e as características específicas compartilhadas por seus membros. As peculiaridades de cada grupo social contribuem para que as representações do grupo também sejam específicas, o que possibilitará, por sua vez, a elaboração de características grupais marcadas por suas representações. É possível, então, afirmar que as relações intergrupais modelam as representações, e que as representações de um grupo social interferem em sua estratégia de ação (Vala, 1997). Abric (1998) afirma ainda que "a referência às representações que definem a identidade de um grupo terá um papel importante no controle social exercido pela comunidade sobre cada um de seus membros e, em especial, nos processos de socialização" (p. 29).

É nesse sentido que a estrutura simbólica parece sustentar o processo de construção compartilhada da realidade social, guiando e sendo guiada pelas nossas práticas, linguagens, crenças, valores e imagens acerca do mundo e dos diferentes objetos sociais. Entendemos que esse processo é uma construção ativa, pelos indivíduos e grupos sociais, da realidade em que vivemos, e que é a dinâmica dessa rede de conhecimentos que orienta e sustenta a relação de cada indivíduo com seu contexto (Jodelet, 1998).

Essas proposições nos permitem refletir sobre o processo de identificação social e nos incitam a conhecer melhor como os indivíduos representam seu próprio território, processo esse que abordamos no presente estudo, lembrando que ele se encontra necessariamente radicado, conforme aponta Jovchelovitch (2003), "no espaço público e nos processos através dos quais o ser humano desenvolve uma identidade, cria símbolos e se abre para a diversidade de um mundo de Outros" (p. 65). Assim, é na esfera pública, por meio da ação de sujeitos em um espaço que é comum a todos, "que uma comunidade pode desenvolver e sustentar saberes sobre si própria – ou seja, representações sociais" (Jovchelovitch, 2003, p. 71). Nesse processo, o Estado, os meios de comunicação e outros grupos influentes no espaço público local contribuem para a formação das representações sociais sobre o território em que vivem. Jodelet (2001) destaca que as representações sociais, como sistemas de interpretação da realidade, orientam nossa relação com os outros e atuam nas relações intergrupais e na construção da identidade social. O reconhecimento de pertencimento a um determinado grupo social implicaria, então, a elaboração dos elementos simbólicos disponíveis no contexto social e cultural dos indivíduos. De acordo com a autora, é imperativa a contextualização do campo representacional, tanto no plano histórico quanto no espacial.

Aliados a essa perspectiva e considerando a função basilar das representações sociais na construção dos processos de identificação social pelos indivíduos, o presente estudo procurou investigar os significados atribuídos ao Estado do Espírito Santo e ao Capixaba por moradores nascidos nesse território.

 

Procedimentos metodológicos

Participantes

Foram entrevistados 60 capixabas, de ambos os sexos e com idade superior a 18 anos, que compuseram uma amostra de conveniência. A amostra foi constituída a partir de convite aos participantes, não tendo havido preocupação com uniformização da amostra com base em sexo, escolaridade, profissão ou nível socioeconômico. Dentre os participantes, 75% eram mulheres e 25%, homens, com idades variando entre 18 e 64 anos. Em relação à escolaridade, a maior parte dos participantes (78,3%) tinha curso superior completo, entre os quais 13,4% já eram pós-graduados; 5% dos participantes possuíam o ensino médio completo; e 3,3%, somente o ensino fundamental. Quanto à naturalidade, quase metade dos participantes (41,7%) nasceu na região metropolitana da Grande Vitória; 38,3% em algum município do interior do Estado do Espírito Santo; 16,7% forneceram informação imprecisa sobre sua naturalidade, não especificando o local de nascimento como sendo a capital ou algum município do interior; e 3,3% não responderam.

Instrumento e procedimento de coleta dos dados

A coleta de dados ocorreu na região metropolitana da Grande Vitória, e o instrumento utilizado foi um questionário cujas perguntas versavam sobre a caracterização dos participantes; sobre o que é um capixaba; sobre se os entrevistados se consideravam capixabas e por quê; e sobre o que eles imaginavam que outras pessoas (de fora do estado) pensam sobre os capixabas e por quê. O questionário continha ainda duas questões de evocação com os seguintes termos indutores: "Pessoas do Espírito Santo" e "Estado do Espírito Santo".

A técnica de evocação livre no estudo das representações sociais consiste em pedir que o indivíduo produza palavras referentes a um dado termo de evocação (Oliveira, Marques, Gomes, & Teixeira, 2005), o qual faz referência ao tema estudado. Assim, a partir de um termo indutor, a pessoa emite significações a respeito do tema em questão.

Organização e análise de dados

A organização dos dados foi realizada utilizando-se três procedimentos diferentes. As questões que caracterizam a amostra foram categorizadas e tabuladas, o que permitiu uma melhor visualização das características dos participantes da pesquisa.

Os dados das duas questões de evocação – sobre as características das pessoas do Espírito Santo e sobre o Estado do Espírito Santo, respectivamente - foram tratados por meio do software EVOC (Ensemble de Programmes l'Analyse dês Évocations) (Vergès, 2000). Esse software processa evocações, distribuindo-as em quatro quadrantes de importância diferenciada, o que acaba por indicar quais são os elementos centrais das representações sociais investigadas e qual é a rede que as sustenta (Ribeiro, 2000).

Em seguida, as questões restantes foram tratadas por uma abordagem qualitativa. Os dados foram organizados em categorias segundo o procedimento de análise de conteúdo proposto por Bardin (2002). Para a autora, o processo de categorização consiste em classificar os elementos por diferenciação e, posteriormente, por agrupamento. Partindo dessa concepção, os conteúdos foram distribuídos, em um primeiro momento, em unidades prévias claramente diferentes entre si. Em seguida, elementos que continham significados similares foram agrupados em categorias que representassem a unidade daquela concepção. Esse processo foi repetido para cada tema investigado.

 

 Resultados e discussão

1 Campo representacional

1.1 O Estado do Espírito Santo de acordo com os capixabas

As informações processadas pelo software Evoc são apresentadas nos Quadros 1 e 2.

Os elementos mais centrais da representação social do Estado do Espírito Santo fazem referência ao amor ao estado, ao Convento da Penha, ao desenvolvimento e à religiosidade. Na periferia mais próxima aparecem os elementos cidades do estado, montanhas, praias, torta e moqueca, belezas naturais, bonito, minha casa, panela de barro e petróleo. O elemento congo integra a periferia mais distante.

Os elementos presentes no núcleo central remetem à construção de símbolos para o Espírito Santo, reproduzindo as investidas do governo que, principalmente por meio da mídia, tem enfatizado as "vantagens" de se viver em um lugar que tem se desenvolvido economicamente e que promove o bem-estar de moradores e visitantes. É interessante para o governo que os moradores desenvolvam "amor ao estado", uma vez que, dessa forma, promovem o interesse dos capixabas e dos que passaram a residir no estado em permanecer e investir no Espírito Santo.

O turismo é uma questão importante e também está presente nos quadrantes periféricos, sendo enfatizadas as possibilidades de escolha (praias, montanhas, turismo religioso), as especificidades (culinária, música) e o desenvolvimento econômico. Os elementos representacionais expressam um estado que apresenta inúmeras vantagens aos visitantes, ao mesmo tempo em que a evocação "minha casa" evidencia as ligações afetivas dos participantes com o lugar - um aspecto que, apesar de geralmente pouco explorado nos estudos sobre representações sociais, de acordo com Campos e Rouquette (2003) e Cruz e Arruda (2008), não pode ser ignorado, dada a sua importância no processo de elaboração das representações: "O espaço apropriado simbolicamente é sempre alvo de investimentos afetivos e suporte de identificações coletivas. ... O espaço é representado e, por isso mesmo, valorado." (Cruz & Arruda, 2008, p. 793).

Por meio das características do Espírito Santo evocadas pelos participantes, pode ser observada a elaboração de uma representação ligada ao turismo que valoriza o estado, e que o relaciona a símbolos que também estão sendo construídos como capixabas. O conteúdo dessa representação parece ser influenciado pela forte divulgação do estado, da sua gente e da sua cultura nos meios de comunicação, tanto pelo governo estadual como por empresas que atuam no Espírito Santo, o que confirma um dos aspectos ressaltados por Jovchelovitch (2003): "os processos que engendram representações sociais estão embebidos na comunicação e nas práticas sociais: diálogo, discurso, rituais, padrões de trabalho e produção, arte, em suma, cultura (p. 79)".

1.2 Os capixabas por eles mesmos...

As características apontadas pelos participantes para descrever os capixabas podem ser organizadas como no quadro 2.

Os elementos mais centrais da representação social de capixaba são: alegres, fechadas e receptivas. A periferia mais próxima é constituída pelas características comunicativas, desconfiadas, festeiras, pouco receptivas, religiosas, simpáticas e apresenta ainda descrições ligadas aos costumes alimentares do povo, como "comem torta capixaba" (torta-moqueca) ou relacionadas à fala (sotaque) e não sei, elemento que demonstra uma possível dificuldade de elaboração de significados que possam ser representativos dos capixabas. Praieiras aparece como elemento da periferia mais distante. Em pesquisa realizada por Suda e Souza (2006) focalizando a identidade de descendentes de japoneses residentes no Espírito Santo, também se verificou a predominância de características positivas, algumas semelhantes àquelas aqui identificadas.

As características presentes no núcleo central da representação podem parecer contraditórias, pois revelam a própria relação entre o conteúdo simbólico que organiza as representações e as práticas sociais cotidianas que sustentam a realidade social (Abric, 2003b). Podemos pensar, então, que a aparente contradição entre fechados e receptivos diga respeito a práticas dos capixabas na interação com grupos diferentes. Podem se considerar fechados com relação aos que são de fora do grupo de convivência (capixabas ou não) e, ao mesmo tempo, se consideram receptivos aos visitantes temporários, sendo gentis e acolhedores com eles.

Ainda podemos pensar que a característica fechadas reforça a ligação dessa representação com a história do estado, marcada pelo isolamento econômico e cultural e pelo desenvolvimento tardio em comparação com outros estados da federação (Tallon, 1999). Outras características, como "religiosas" e como a tradição alimentar da Torta e Moqueca Capixabas, são mencionadas pelos capixabas demonstrando a exaltação de seus eventos e símbolos religiosos (Convento da Penha, Festa da Penha) e a tentativa de divulgação de uma culinária específica, que agrada e orgulha os entrevistados. Essas características, afirmadas e cristalizadas pela história do estado, andam lado a lado com outras contradições, presentes no núcleo central, e que voltam a aparecer na periferia próxima.

Citações positivas (de acordo com a contextualização das evocações), como "festivas, comunicativas e simpáticas", aparecem associadas a "desconfiadas e pouco receptivas", o que indica, ao mesmo tempo, a tentativa de valoração da identidade do próprio povo e a acomodação de características percebidas como negativas. As contradições (receptivas x pouco receptivas; fechadas x comunicativas, por exemplo) indicam que não existem características consolidadas e consensuais em relação à identidade capixaba, visto que a preocupação com a diferenciação em relação às pessoas de outros estados é ainda muito recente.

2 Contextualização dos objetos representados

Foi solicitado aos participantes que justificassem as características evocadas a partir dos termos indutores Estado do Espírito Santo e Capixaba. Os quadros seguintes apresentam um resumo das categorias obtidas a partir de tais respostas, bem como a porcentagem, a descrição e um exemplo de cada categoria. O Quadro 3 se refere às justificativas para as evocações sobre o Estado do Espírito Santo.

Novamente os participantes procuram destacar as características culturais tradicionais do Espírito Santo, em uma tentativa de valorizar aspectos que sejam próprios do estado e diferenciando-o dos demais. As características geoclimáticas contribuem para o desenvolvimento do turismo na região, e os meios de comunicação fomentam a valorização. As categorias identificação pessoal e desenvolvimento econômico vão ao encontro das evocações amor ao estado e desenvolvimento que aparecem no núcleo central da representação do Estado do Espírito Santo.

As justificativas para as evocações sobre os capixabas puderam ser organizadas em seis categorias, que se encontram descritas no Quadro 4.

As evocações relacionadas aos capixabas são justificadas pelos participantes tomando como referência aspectos relacionados à diversidade cultural, proveniente, como destacado anteriormente, dos diferentes grupos populacionais que passaram a habitar o estado a partir da produção cafeeira.

A comparação com outros estados do Sudeste e as características provincianas relacionam-se historicamente com o processo de colonização do estado, que ficou, durante um longo período, à margem da história do Brasil, já que foi convertido em barreira natural que protegeu por muito tempo as Minas Gerais (Bittencourt, 1998).

3 Processo de identificação: uma identidade capixaba em construção

A atribuição de significados positivos ou a valorização do grupo de pertencimento é uma estratégia basilar à construção da identidade social (Hogg & Abrams, 1999). Os elementos que participam da construção dessa identidade são fruto do investimento de diversos veículos de comunicação na transmissão e no fortalecimento de significados socialmente compartilhados, a fim de torná-la objetivada nas práticas sociais cotidianas.
Orientados pelas imagens do Espírito Santo compartilhadas pelos moradores do estado, procuramos entender, particularmente, a construção simbólica associada à pertença "capixaba" como caminho analítico para discutir a relação entre o campo representacional, vinculado ao território, e o processo de identificação em jogo na dinâmica social local.

A dimensão empírica sugere a caracterização do capixaba como sendo (1) quem nasceu no estado, (2) quem nasceu na cidade de Vitória, (3) quem tem uma relação afetiva com o estado, (4) quem absorve/preserva a cultura do estado e/ou (5) características não especificamente ligadas ao estado. Ressaltamos que algumas respostas foram incluídas em mais de uma categoria, havendo um total de 72 respostas distribuídas entre as cinco características identificadas.

Com um total de 47,22% das respostas citadas, a categoria (1) quem nasceu no estado do Espírito Santo incluiu significados que fazem clara referência à definição de capixaba como alguém que nasce nesse território, não sendo necessária a alusão a uma localidade específica. Na categoria (2) quem nasceu na cidade de Vitória, foram classificadas 12,5% do total de respostas que se referiram ao capixaba como alguém que nasceu na cidade de Vitória, especificamente. Na categoria (3) quem tem uma relação afetiva com o Estado, está presente a ideia de vínculo afetivo com o território onde se vive, ou seja, que gostam, amam, admiram o estado (15,28% do total). Na categoria (4) quem absorve/preserva a cultura do Estado, por sua vez, foram agrupadas respostas que classificavam como capixabas as pessoas que internalizam e vivenciam a cultura e os costumes locais (6,9% do total). Para a categoria (5) características não especificamente ligadas ao Estado, que totalizou 12,5%, foram incluídas as respostas que adjetivavam os capixabas como pessoas tímidas, batalhadoras e comunicativas. E finalmente, com 5,6% do total de respostas, na categoria outros couberam citações que não constituem elementos significativos à análise, como ausência de resposta e definição do povo de acordo com termos geográficos.

A discussão sobre a definição do termo capixaba é corrente entre os moradores do estado. O termo, inicialmente utilizado para referência aos moradores da capital, passou a ser considerado símbolo da população moradora de todo o estado. O capixaba, portanto, para os participantes, seja representando quem vive na cidade de Vitória ou no Espírito Santo, indica um processo de identificação compartilhado, uma vez que os participantes também são capixabas. As outras categorias, no entanto, representam o capixaba como aquele que ama o estado, que se apropria da cultura local, não necessariamente nascido no território. Alguém que more há muitos anos no estado, ainda que tenha nascido em outro lugar, para alguns participantes pode ter se tornado um capixaba, pois passou a apresentar as mesmas características culturais e afetivas dos que são capixabas por nascimento. Alguns participantes descrevem essas características atribuindo aos capixabas adjetivos positivos.

Visando a ampliar a discussão acerca do campo representacional vinculado ao território capixaba, investigamos as representações atribuídas, ou o que os moradores do Espírito Santo imaginam que as pessoas de outros estados pensam sobre os capixabas. O conjunto de dados foi categorizado tendo como referência a polaridade valorativa das respostas: (1) elementos negativos (43%), (2) elementos positivos (13%), (3) ambiguidade (21%) - correspondendo aos elementos positivos e negativos mencionados por um mesmo participante -, e 13% dos entrevistados consideram que as pessoas de outros estados brasileiros (4) não pensam nos capixabas.

Na categoria (1) elementos negativos, foram incluídas as respostas referentes a itens relacionados às características das pessoas - como arrogantes e antipáticos - e ao jeito de se relacionar com o outro. Ainda entre os elementos negativos, surgiram referências quanto ao sotaque, e ao desconhecimento ou desvalorização do Espírito Santo pelos outros estados. Em (2) elementos positivos, também foram mencionados o jeito de se relacionar com o outro (receptividade), e itens relacionados às características das pessoas (alegria), além de ter sido citado o privilégio de morar perto do mar. A categoria (3) ambiguidade apresentou elementos positivos e negativos, por um mesmo participante, citando características das pessoas e/ou do estado. Foram relacionadas, na categoria (4) não pensam nos capixabas, as respostas que se referiam à indiferença ou ao desconhecimento das pessoas de outros estados em relação às pessoas do Espírito Santo. A categoria outros também contém respostas como "não sei" (8%).

Se a função identitária das representações sociais deve ser compatível com o sistema de normas e valores social e historicamente determinados, conforme argumenta Abric (2003a), é possível verificar que a construção de uma identidade capixaba, que parece estar em processo de estruturação, é mediada por esses valores que protegem e diferenciam o grupo de moradores do estado.

Como pudemos verificar, os processos que participam da organização do campo representacional vinculado ao território, objetivo e simbólico do Espírito Santo parecem indicar uma identidade social em construção. O investimento simbólico empreendido pelos seus membros denota uma imagem endogrupal caracterizada por sentidos valorados positivamente, mas ainda prevalece a ideia de que o capixaba é visto negativamente no território nacional, e parte dos participantes concorda com a avaliação exogrupal.

Embora exista uma contradição inerente no confronto entre o pensamento social e as práticas cotidianas, entendemos que a composição do quadro representacional sustentado nesse paradoxo valorativo reforça a análise de que o objeto de significação "capixaba" e a identificação social pelos membros desse possível grupo ainda estão em processo de seleção de significados em direção à composição de uma imagem mais objetivada do que seja o território espírito-santense ou a pertença a ele.

 

Considerações finais

Notou-se que as representações sociais dos participantes sobre o Estado do Espírito Santo estão ligadas aos símbolos tradicionais do estado (panela de barro, Convento da Penha), escolhas justificadas pelos entrevistados como ligadas à cultura e história desse território. Observou-se também uma tentativa de valorização dessa terra, representada de forma especial pela indicação de um "amor ao estado" e um reconhecimento de seu desenvolvimento. Tais representações são coerentes com o investimento realizado pelo Governo do Estado na intenção de construir símbolos para uma identificação, ao mesmo tempo em que eles são acolhidos pelos participantes como ícones representativos válidos de acordo com sua história e cultura.

As representações sociais dos capixabas sobre eles mesmos também se apresentam ligadas à história e à cultura do estado, ressaltando características religiosas e de pessoas com sotaque. Tais representações são fundamentadas na tradição e encontram-se em processo de naturalização. A contradição com outros elementos centrais dessas representações, como as descrições de fechadas e acolhedoras, parece demonstrar que a significação dos capixabas está em processo, o que implica o contato com o outro, pertencente a outras categorias sociais. Isso pode ser observado por meio da constatação de que, ao mesmo tempo que há uma valorização das características do "povo da terra", há uma percepção de uma visão negativa por parte do "outro", indicada por 53% dos entrevistados, que acreditam que a visão do estado para grupos externos seja negativa ou indiferente. A tentativa de valorização do próprio grupo – que se revela pela ênfase em características positivas – parece indicar o fortalecimento do processo identificatório, dinâmica que se reflete no movimento entre positivo e negativo ou entre o que é "nosso" e o que é "deles", como foi demonstrado nos resultados.

Por ser recente a história de construção de uma identidade capixaba, visto todo seu processo histórico-cultural, parece oportuno o desenvolvimento de outras pesquisas com o objetivo de aprofundar o estudo desse processo e de melhor conhecer as representações sociais sobre o estado e do seu povo, visto que a opinião externa foi indicada como um dos fatores importantes na construção da imagem do capixaba.

 

Referências

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Recebido em: 04/05/2010
Revisão em: 31/05/2010
Aceite em: 08/10/2010

 

 

Lídio de Souza é Mestre em Psicologia Social (PUC-SP), doutor em Psicologia Social (USP) e pós-doutor em psicologia Social (USP). Professor Associado II no Programa de Pós Graduação em Psicologia da UFES. Endereço: RedePso - Universidade Federal do Espírito Santo. Av. Fernando Ferrari, n. 514. Campus Universitário de Goiabeiras. Cemuni VI. Vitória/ES, Brasil. CEP 29075-910. Email: lidio.souza@uol.com.br

Thaís Caus Wanderley é Psicóloga e Mestre em Psicologia (UFES). Professora da Faculdade Brasileira UNIVIX. Email: thaiscw@yahoo.com.br

Mariane Ranzani Ciscon-Evangelista é Psicóloga (UEM), Mestre em Psicologia (UFES). Doutoranda em Psicologia (UFES) e pesquisadora da Rede de Estudos e Pesquisas em Psicologia Social (RedePso-UFES). Email: mariciscon@gmail.com

Milena Bertollo-Nardi é Psicóloga e Mestre em Psicologia (UFES). Doutoranda em Psicologia (UFES) e Psicóloga do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES). Email: milenabertollo@yahoo.com.br

Mariana Bonomo é Graduada e Doutora em Psicologia (UFES). Professora colaboradora do Programa de Pós Graduação em Psicologia da UFES, Pesquisadora da Rede de Estudos e Pesquisas em Psicologia Social (RedePso - UFES) e Pós-Doutoranda/PRODOC pela UFES. Email: marianadalbo@gmail.com

Paola Vargas Barbosa é Psicóloga e Mestre em Psicologia (UFES). Doutoranda em Psicologia (UFRGS) Participa do Programa de Doutorado Sanduiche (PDSE Capes) na University of Rochester, NY/USA. Email: paolavargasbarbosa@gmail.com