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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.12 n.1 Porto Alegre  1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79721999000100010 

Configuração familiar e o bem-estar psicológico dos adolescentes

Adriana Wagner1,2
Luciane de S. Ribeiro3
Adriane X. Arteche 4
Ellen A. Bornholdt4
Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

 

 


Resumo
A busca do bem-estar é o motor do desenvolvimento humano. É visando estar bem que o homem luta para atingir seus ideais. O desenvolvimento desta capacidade está diretamente ligada com as experiências mais precoces do sujeito em sua família. Sendo assim, este trabalho investigou em que medida a configuração familiar contribui para o bem-estar dos adolescentes. A amostra utilizada foi de 391 adolescentes de ambos os sexos, entre 12 e 17 anos, sendo 196 provenientes de famílias originais e 195 de famílias reconstituídas. Utilizou-se o instrumento Escala Goldberg de Bem-Estar (1978)-GHQ, subdividida em 12 itens. A maioria dos adolescentes (81%) apresentou um nível de bem-estar geral entre bom a muito bom, sendo que não houve diferença significativa entre adolescentes de famílias originais e reconstituídas.
Palavras-chaves: Família; bem-estar; adolescente

Family configuration and adolescents’ psychological well-being

Abstract
The search for welfare is the motor to human development. It is the search for well-being that makes humankind struggle for its ideals. The development of this capacity is closely related to the early experiences that one has in his/her family. Thus, this study investigated to what extent the family configuration contributes to the adolescents well-being. The sample had 391 adolescents, of which 196 were from intact families and 195 from remarried families. Goldberg’s (1978) General Health Questionnaire (GHQ) was used, subdivided into 12 items. Results showed that most adolescents (81%) presented a general well-being level ranging from good to very good. There was no significant difference between adolescents from intact and remarried families.
Keywords: Family; well-being; adolescence.


 

 

Nem sempre a vida transcorre de maneira ideal e corresponde aos desejos de bem-estar. A busca do equilíbrio entre o desejado e o possível é o que movimenta e desenvolve a capacidade de superar situações e manter-se saudável.

O desenvolvimento desta capacidade está intimamente relacionado às experiências mais precoces que se tem no seio da família. Ela é parte fundamental na construção da saúde emocional de seus membros, tendo como função básica a proteção de seus filhos (Osório, 1992; Koening & Bayer, em Gomes, 1987). Exercer a função de proteção é, principalmente, propiciar um ambiente favorecedor de bem-estar (Minuchin, 1982). Pesquisas sugerem que relacionamentos seguros e estáveis com os pais são importantes para a saúde mental do adolescente (Raja, McGee, & Stanton, 1992; Eccles, 1993). Assim, quanto mais confortável o jovem sentir-se no núcleo familiar, mais ele dedicará seu tempo `a família e procurará a estabilidade emocional que internamente ainda não alcançou (Atwater, 1988).

Entretanto, é importante ressaltar que uma família facilitadora do crescimento emocional e promotora de saúde, não é aquela com ausência de conflitos. O potencial de saúde centra-se na possibilidade que o sistema familiar tem de encontrar alternativas para a solução dos seus problemas e conseguir conter os efeitos destrutivos destes (Féres-Carneiro, 1992). Bons níveis de saúde familiar, muitas vezes, encontram-se associados a núcleos que favorecem tanto a expressão de agressividade, de raiva e hostilidade, quanto de carinho, ternura e afeto. A partir desta perspectiva, constata-se que os aspectos relacionados ao bem-estar psicológico do adolescente sofrem, invariavelmente, e de forma preponderante, influências das diversas situações que o indivíduo vivencia na sua família.

Considerando-se as pesquisas que têm enfatizado a importância da família no desenvolvimento saudável de seus membros, poder-se-ia perguntar como e quem é esta família facilitadora de saúde? Com a vertiginosa transformação da configuração e funcionamento da família que vem acontecendo nas três últimas décadas, encontram-se descritos na literatura, de forma abundante, as mudanças dos padrões de funcionamento entre os seus membros. Com o distanciamento do modelo nuclear/original, cada vez mais fazem parte da nossa realidade diferentes arranjos, tais como as famílias recasadas (Carter & McGoldrick, 1995; Penso, Costa & Féres-Carneiro, 1992) ou reconstituídas (Harpprecht & Streck, 1996, Wagner & Bandeira, 1996; Wagner, Sarriera, Falcke, & Silva, 1997).

A coexistência de diferentes arranjos familiares num mesmo contexto tem modificado, paulatinamente, o conceito de família e provocado um processo de assimilação e construção de novos valores. Estas mudanças podem ser observadas, por exemplo, na transição do modelo nuclear/intacto (pai+mãe+filhos) para a família descasada (mãe+filhos ou pai+filhos) e, posteriormente, recasada (pai + esposa / madrasta + filhos; mãe + esposo / padrasto + filhos). Pesquisas indicam que esta passagem de um modelo a outro, exige dos membros da família uma adaptação às mudanças de relacionamento, papéis e estrutura familiar, assim como às demandas do mundo externo. Esse processo de transição se caracteriza, na maioria das vezes, como um momento de crise (Costa, 1991; Costa & Féres-Carneiro, 1992).

Entre as várias e importantes adaptações que ocorrem neste processo, alguns estudos apontam para um fator importante que pode tornar mais complexas as relações familiares em núcleos recasados: a entrada de novos membros na família (madrasta, padrasto, filhos de madrasta ou padrasto). No caso do novo par do subsistema conjugal, o novo parceiro(a), do pai ou da mãe, pode gerar dificuldades de relacionamento na família, o que exigirá reestruturação e delimitação dos papéis de cada membro (Bray & Harvey, 1995). Os filhos adolescentes, principalmente, vivenciarão desde situações de oposição e extrema rivalidade, frente a este novo membro, até o estabelecimento de alianças e uma relação de companheirismo e amizade (Wagner, Sarriera, Falcke, & Silva, 1997).

Desde esta perspectiva, apesar do incremento da complexidade das relações familiares, o processo de reestruturação da família reconstituída não será necessariamente desencadeador de conflitos. A plasticidade das relações no núcleo familiar pode gerar uma infinidade de recursos promotores de saúde. Em muitas ocasiões, um padrasto pode substituir, de forma satisfatória, a figura de um pai ausente.

A partir destes supostos, pode-se verificar que as dificuldades de funcionamento familiar não estão, necessariamente, associadas à sua composição, mas sim às relações que se estabelecem entre os seus membros (Grossman & Rowat, 1994). Sendo assim, a competência ou saúde da família, independe desta ser fruto de um primeiro casamento ou de um recasamento. Contudo, fatores como o desempenho de papéis específicos e a delimitação do papel de autoridade nas figuras parentais são fundamentais para um funcionamento familiar saudável e bem-estar de seus membros (Féres-Carneiro, 1992).

Neste sentido, estudiosos do tema (Haley, 1966; Minuchin, 1974) também indicam a importância do diálogo na convivência familiar. O bem-estar dos adolescentes fica, muitas vezes, prejudicado devido à falta de compreensão e problemas de comunicação com os pais (Günther, 1996).

No caso dos núcleos reconstituídos, a boa comunicação com o padrasto ou a madrasta tem se encontrado associada a bons níveis de bem-estar dos seus enteados adolescentes (Collins, Newman, & McKenry, 1995). Em outra dimensão, a percepção que o adolescente tem do relacionamento parental também se encontra associada a um melhor ou pior nível de bem-estar. Pesquisas indicam que os adolescentes que percebem o relacionamento dos pais como conflituoso, tendem a ter um pior nível de bem-estar. Entretanto, a falta de suporte da família para as necessidades do adolescente será tão ou mais prejudicial para o bem-estar destes quanto a presença do conflito conjugal (Grossman & Rowat, 1995).

Embora, de forma geral, a maioria das pesquisas não tenham encontrado associação entre a configuração familiar e dificuldades na família, alguns trabalhos associam baixos níveis de bem-estar, problemas comportamentais e conflitos a adolescentes oriundos de núcleos reconstituídos (Carlson & Lewis, 1991; Carter & McGoldrick, 1995; Bray & Harvey, 1995).

Considerando as divergências ao que se refere à associação ou não do bem-estar psicológico a diferentes configurações familiares, este trabalho tem por objetivo descrever e analisar o nível de bem-estar dos adolescentes e as possíveis associações existentes com sua configuração familiar.

 

Método

Participantes

Trabalhou-se com uma amostra escolhida intencionalmente de acordo com os critérios: sexo, idade (de 12 a 17 anos) e composição familiar (núcleo original ou reconstituído há mais de 6 meses). A amostra foi composta de 391 adolescentes sendo 196 de famílias originais e 195 de reconstituídas. Todos os sujeitos eram estudantes de 25 escolas particulares e públicas de Porto Alegre e de nível sócio-econômico médio (critério definido pelo IBGE - média mensal do salário mínimo do chefe do domicílio/Censo 91). As escolas foram selecionadas por bairros, segundo informações obtidas junto à SEC (Secretaria Estadual de Educação e Cultura).

O procedimento de seleção da amostra iniciou-se na escolha dos adolescentes que coabitavam em Famílias Reconstituídas (FR) e, posteriormente, fez-se o emparelhamento deste grupo com os jovens de Famílias Originais (FO), por sexo e idade.

Hipóteses

H0: Não há diferença significativa de bem-estar psicológico entre adolescentes de famílias originais e famílias reconstituídas

H1: Há diferença significativa de bem-estar psicológico entre adolescentes de famílias originais e famílias reconstituídas.

Definição operacional das variáveis

Para fins deste estudo, considerou-se

Variáveis Independentes:

Família Original: aquela em os pais mantêm o primeiro casamento, coabitando em domicílio conjugal, mantendo o sustento, guarda e educação dos filhos.

Família Reconstituída: aquela em que os pais são separados de seus primeiros cônjuges (oficial ou não oficialmente) e atualmente mantêm uma relação estável (tempo mínimo de 6 meses) com outro companheiro(a), coabitando em domicílio conjugal na companhia de seus filhos do primeiro casamento no período mínimo de 6 meses (Wagner, Falcke, & Meza, 1997).

Variável Dependente

Bem-estar Psicológico: Considerou-se bem-estar psicológico a soma dos sete fatores avaliados através da Escala Goldberg (1978): felicidade, estado de satisfação, afeto positivo ou negativo, tensão, auto-estima, ansiedade e depressão.

Instrumentos e Procedimentos

Após o preenchimento de uma ficha contendo dados biodemográficos dos sujeitos da amostra, foi-lhes solicitado que respondessem a Escala de Bem-estar de Goldberg (1978) - GHQ, subdividida em 12 itens, que avaliam aspectos como: felicidade, estado de satisfação, afeto positivo ou negativo, tensão, auto-estima, ansiedade e depressão e que teve sua validação feita por Sarriera, Schwarcz e Câmara (1996a).

A aplicação do instrumento foi individual e realizada na escola, conforme os sujeitos eram dispensados das aulas.

A fim de se verificar o nível de bem-estar dos adolescentes, a escala de Goldberg foi pontuada de 1 a 4. Somando-se os pontos, os valores foram classificados em quatro níveis segundo Sarriera, Schwarcz & Câmara, (1996b): Saúde Muito Boa (12 a 18 pontos), Saúde Boa (19 a 24 pontos), Saúde Regular (25 a 30 pontos) e Saúde Ruim (mais de 30 pontos).

Na realização do presente estudo, num primeiro momento, verificou-se a média do nível de bem-estar do grupo de adolescentes em geral (FO+FR), e, posteriormente, a média dos subgrupos separadamente. Na seqüência, realizou-se o teste estatístico do Qui-Quadrado a fim de buscar as possíveis associações entre o nível de bem-estar dos adolescentes e as seguintes variáveis: configuração familiar, o fato de habitar em domicílio comum com padrasto ou madrasta e o tempo de recasamento dos pais.

 

Resultados

Níveis de bem-estar

Considerando-se a amostra em geral, a média do bem-estar dos adolescentes foi de 20,81. Pode-se constatar, assim, que a amostra estudada possui um bom nível de saúde. A maioria dos adolescentes possui um nível de bem-estar de bom a muito bom (81%), enquanto que 19% dos jovens possui um nível de bem-estar entre regular e ruim.

Níveis de bem-estar e diferentes configurações familiares

A partir do resultado do teste estatístico Qui-quadrado, com um p=0,575, pode-se constatar que não existe diferença significativa entre o nível de bem-estar dos adolescentes de família original e de famílias reconstituídas, confirmando-se H0.

 

 

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Figura 1. Resultados sobre os níveis de bem-estar dos adolescentes de F.O. e F.R.

 

Níveis de bem-estar e coabitação com padrasto/madrasta

Com relação a variável "morar com padrasto" ou "morar com a madrasta", considerando os jovens de família reconstituída, verificou-se que esta não se associa ao bem-estar psicológico dos adolescentes.

Não existe diferença significativa nos níveis de bem-estar entre os adolescentes que coabitam com suas madrastas e aqueles que coabitam no mesmo domicílio de seus padrastos, uma vez que, dos 149 adolescentes que vivem com seus padrastos, 83,9% (125) possuem um nível de bem-estar entre muito bom e bom. Da mesma forma, dos 43 adolescentes que vivem com suas madrastas, 72,1% (31) possuem um nível de bem-estar entre muito bom e bom.

Nível de bem-estar e Tempo de Recasamento dos Pais

Buscando-se verificar a relação entre o tempo de recasamento e o nível de bem-estar dos adolescentes, pode-se observar que existe associação entre estas variáveis (X2 =16,04). Todos os jovens, cujos pais estavam recasados de seis meses a seis anos, reportaram um nível de bem-estar entre bom e muito bom. Já dos 155 jovens que pertenciam a núcleos familiares reconstituídos há mais de seis anos, 37 (19%) apresentaram um nível de bem-estar entre Regular/Ruim (p=0,147), embora a maioria tenha se mantido na faixa situada entre muito bom e bom (60,5%; 118 jovens) como pode-se observar na Tabela 1.

Tabela 1. Níveis de bem-estar dos adolescentes de família reconstituída e o tempo de recasamento dos pais

Tempo de Recasamento

6 meses a 6 anos

6 a 10 anos

mais de dez anos

S

%

Nível de bem-estar

f

%

f

%

f

%

Muito bom

14

7,2

34

17,4

29

14,9

77

39,5

Bom

26

13,3

30

15,4

25

12,8

81

41,5

Regular/ruim

-

-

19

9,7

18

9,23

37

19

S

40

20,5

83

42,6

72

36,9

195

100

X2 = 16,04

 

Discussão e Conclusão

Considerando-se que no núcleo familiar a função de proteção de seus membros diz respeito, principalmente, ao favorecimento de bem-estar (Minuchin, 1982), parece que, ao que se refere a suas famílias, os adolescentes, com as características da amostra investigada, têm vivenciado experiências estimuladoras de saúde emocional e geradoras de bem-estar.

Os resultados corroboram os achados das pesquisas que referem a não vinculação da saúde familiar à sua configuração ou à ausência de conflito (Féres-Carneiro, 1992). Pode-se observar que, independentemente da transformação e evolução que a família vem passando nos últimos tempos quanto a sua configuração, esta não é uma variável associada ao bem-estar psicológico de seus membros. Entretanto, é curioso observar que, ainda que existam determinados tabus e mitos ao que se refere a outros arranjos familiares que fogem ao modelo original, tais como, neste caso, a família reconstituída, neste estudo constata-se que o bem-estar dos filhos não se encontra associado ao tipo de configuração da sua família.

Tanto adolescentes de núcleos originais como reconstituídos possuem o mesmo nível de bem-estar. Este dado pode refletir a importância do relacionamento familiar, em detrimento da sua configuração. Parece existir diferentes possibilidades de bom relacionamento e de saúde também em famílias que tenham passado por dificuldades de interação, havendo ruptura do vínculo conjugal e a reconstrução deste. As transformações sociais implicam na queda do mito da família harmoniosa ou perfeita, meramente apoiado na manutenção do arranjo estereotipado da família original: pai, mãe, filhos coabitando em domicílio conjugal e mantendo a guarda, sustento e educação dos filhos.

Certamente, uma família original intacta conflituada e tensa, pode ter menos possibilidades de oferecer e propiciar saúde a seus filhos que um outro seio familiar mais continente e estável, independentemente de sua configuração (Féres-Carneiro, 1992). Ainda que a presente pesquisa não tenha tido como objetivo verificar as possíveis associações entre o vínculo conjugal e o bem-estar dos filhos, parece que a capacidade de reconstrução do vínculo conjugal e, conseqüentemente do núcleo familiar, também pode ser considerada um indicador de saúde dos pais. Partindo da premissa que os filhos necessitam do suporte de seus pais para um desenvolvimento saudável, provavelmente, aqueles sujeitos capazes de reestruturar sua vida afetiva sejam também pais potenciadores de saúde de seus filhos.

É importante também considerar que o processo de adaptação a um novo arranjo familiar que, na maioria das vezes, implica um processo de crise (Costa, 1991; Costa & Féres-Carneiro,1992), pode ser incrementada pela entrada do novo membro na família, neste caso, o padrasto ou a madrasta. Entretanto, os resultados apontam que o fato de coabitar com um ou outro par parental (mãe/padrasto ou pai/madrasta) não se associa a possibilidade de maior ou menor bem-estar do adolescente. Estes dados reforçam a idéia da preponderância do desempenho do papel sobre o da figura parental, isto é, muitos padrastos ou madrastas também podem desempenhar de forma exitosa o papel parental, independentemente do vínculo sangüíneo.

Levando-se em consideração as associações encontradas entre o nível de bem-estar e a percepção que os adolescentes têm do relacionamento dos seus pais (Grossman & Rowat, 1995), são elucidativos, os resultados do tempo de recasamento dos pais e o nível de bem-estar dos adolescentes. Encontrou-se que nenhum dos jovens provenientes de famílias reconstituídas há menos de seis anos, apresentou um nível de bem-estar entre regular e ruim, aparecendo, entretanto, esta classificação em 37 (19%) destes que coabitam com seus pais recasados há mais de seis anos.

Provavelmente, os primeiros anos de (re)casamento são marcados por uma atmosfera de paixão, compreensão e felicidade entre o casal. Este colorido inicial que expressa o desejo de "dar certo", de certa forma, pode contribuir para relações mais harmoniosas, pois, supostamente exista maior tolerância e compreensão entre o casal na tentativa de reconstrução da família. Esta atmosfera, parece contribuir para a sensação de bem-estar dos filhos. No entanto, é esperado que, com o passar do tempo, comecem a aparecer as dificuldades da relação, assim como menor tolerância a determinadas negociações, o que, provavelmente, faz com que o nível de bem-estar dos filhos adolescentes tenha um decréscimo após os seis primeiros anos de recasamento.

Compreender a nova realidade da família de forma a buscar as diferentes possibilidades de saúde de seus membros, é poder garantir e favorecer o bem estar dos adolescentes.

Neste caso, pode-se pensar que, independente da configuração familiar do adolescente, é na qualidade do relacionamento entre os membros da sua família que recai a maior ou menor possibilidade de bem-estar. Ainda que nos últimos tempos tem-se deparado com importantes mudanças no que se refere à família de forma geral, mantém-se inalterável a sua função de apoio, proteção e responsabilidade de seus filhos. Desta forma, os resultados deste trabalho sugerem a necessidade de pesquisas que explorem e descrevam estratégias familiares eficazes para uma educação suficientemente sólida de seus filhos.

 

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Recebido em 27.10.97
Revisado em 19.01.98
Aceito em 14.10.98

 

1 Professora, Doutora em Psicologia, Professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
2 Endereço para correspondência: Av. Ipiranga, 6681, Prédio 17 Sala 338. 90619-900, Porto Alegre - RS E-mail: wagner@music.pucrs.br
3 Psicóloga, Bolsista de Aperfeiçoamento FAPERGS.
4 Estudantes de Graduação em Psicologia; Bolsista de Iniciação Científica CNPq/FAPERGS.