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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.12 n.2 Porto Alegre  1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79721999000200007 

Preferências taxonômicas versus preferências temáticas: existe mudança ao longo do desenvolvimento?

Cláudia Cardoso-Martins12
Rita de Cássia de Souza
Ruth do Socorro Vieira dos Santos
Universidade Federal de Minas Gerais

 

 


Resumo
Crianças e adultos foram submetidos a uma tarefa de classificação conceitual em que eram solicitados a fazer uma escolha entre dois desenhos-teste tendo em vista um desenho padrão. Um dos desenhos-teste (por ex., mel) relacionava-se tematicamente ao desenho padrão (por ex., abelha), enquanto o outro (por ex., borboleta) relacionava-se taxonomicamente a ele. Os participantes eram solicitados a escolher o desenho-teste que "parecia com" o desenho padrão ou então aquele que "ficava melhor com" ele. Os resultados questionam a hipótese de uma mudança na preferência conceitual ao longo do desenvolvimento. Em todos os níveis de idade, os participantes na condição "parecido com" escolheram a alternativa taxonômica mais freqüentemente do que a alternativa temática. Por outro lado, com exceção do grupo mais jovem de crianças, que não mostrou qualquer preferência, os participantes na condição "fica melhor com" escolheram a alternativa temática mais freqüentemente do que a alternativa taxonômica.
Palavras-chave:Organização conceitual; organização taxonômica; organização temática.

Are there developmental changes in taxonomic or thematic preferences?

Abstract
Brazilian children and adults were presented with a series of picture triads, each composed of a target picture and two choice pictures. One of the choice pictures (e.g., honey) was thematically related to the target (e.g., bee), while the other (e.g., butterfly) bore a taxonomic relation to it. Participants were asked either for the picture that "looked like" the target or for the one that "went best with" it. The results questioned the hypothesis of a conceptual preference shift across development. At all age levels, participants in the "looks like" condition chose the taxonomic alternative more often than the thematic alternative. However, except for the youngest group, who did not respond consistently, participants in the "goes best with" condition chose the thematic alternative more often than the taxonomic alternative.
Keywords: Conceptual organization; taxonomic organization; thematic organization.


 

 

Pelo menos dois sistemas conceituais podem ser utilizados para organizar os objetos em tarefas de agrupamento ou seleção de objetos. Por exemplo, os objetos podem ser agrupados categoricamente, com base em semelhanças em suas propriedades físicas e/ou funcionais. Assim, podemos agrupar um cachorro e um gato porque ambos são animais. Esse tipo de organização conceitual é conhecido na literatura como organização taxonômica. Organizações temáticas ou complementares formam um segundo tipo de organização conceitual. Os objetos são agrupados não em função de suas propriedades internas, mas com base nas relações de contiguidade que podem ser observadas entre eles. Dessa maneira, poderíamos agrupar um cachorro e um osso, uma vez que cachorros comem ossos.

Os resultados de vários estudos (Denney, 1974; Greenfield & Scott, 1986; Markman, 1989; 1994; Scott, Serchuck, & Mundy, 1982; Smiley & Brown, 1979) sugerem que as crianças em idade pré-escolar acham as relações temáticas mais fáceis ou mais salientes do que as relações taxonômicas. Por outro lado, existe evidência de que crianças em idade escolar e adultos jovens preferem as relações taxonômicas (Denney, 1974; Denney & Moulton, 1976; Smiley & Brown, 1979).

O estudo de Smiley e Brown (1979) ilustra esses resultados. Esses pesquisadores administraram uma tarefa de escolha forçada a cinco grupos de sujeitos: pré-escolares, estudantes da primeira e da quinta séries do Ensino Fundamental, estudantes universitários e, finalmente, adultos idosos. Os sujeitos viam uma gravura padrão (por ex., a gravura de uma agulha) e eram solicitados a escolher entre duas gravuras adicionais, aquela que "ficava melhor com" (went best with) a gravura padrão. Uma das gravuras (por ex., um pedaço de linha) relacionava-se tematicamente com a gravura padrão, enquanto a outra (por ex., um alfinete) relacionava-se taxonomicamente à ela. Em todos os grupos, os participantes demonstraram a habilidade de apreciar ambos os tipos de organização conceitual. No entanto, os pré-escolares, os estudantes da 1a. série e os idosos mostraram uma preferência acentuada pelas relações temáticas. Por outro lado, tanto as crianças mais velhas, como os estudantes universitários, mostraram uma clara preferência pelas relações taxonômicas. Smiley e Brown interpretaram esses resultados em termos de uma mudança na preferência da organização conceitual ao longo do desenvolvimento, e não em termos de "uma mudança para uma maneira fundamentalmente nova de organização do conhecimento." (p.249)

Como Waxman e Namy (1997) comentam, o modelo de Smiley e Brown (1979) de uma mudança em favor de uma preferência pela organização taxonômica com a idade teve um impacto profundo no campo do desenvolvimento cognitivo. Em particular, seus resultados forneceram uma explicação plausível para a dificuldade de crianças em idade pré-escolar em invocar um sistema de organização taxonômico em muitas tarefas de classificação (Gelman & Baillargeon, 1983). De acordo com o modelo de Smiley e Brown, as crianças mais novas são envolvidas pela saliência das relações temáticas ou complementares entre os objetos e, como resultado, freqüentemente não revelam a sua habilidade de apreciar relações taxonômicas.

Estudos mais recentes questionam, no entanto, a suposição de uma mudança na preferência conceitual durante os anos escolares. Por exemplo, Greenfield e Scott (1986) não encontraram um aumento de escolhas taxonômicas entre crianças em idade escolar. No seu estudo, todas as crianças – pré-escolares, escolares, e adolescentes – mostraram uma preferência acentuada pelas relações temáticas. Além disso, os resultados de um número crescente de estudos (Dunham & Dunham, 1995; Bauer & Mandler, 1989; Waxman & Kosowoski, 1990; Waxman & Hall, 1993; Waxman & Namy, 1997) questionam a hipótese de uma preferência pelas relações temáticas no início do desenvolvimento.

Consideremos, por exemplo, o estudo de Waxman e Hall (1993). Esses pesquisadores estavam interessados em investigar a hipótese de que o uso de palavras novas induz as crianças a prestarem atenção às relações taxonômicas entre os objetos. Bebês entre quinze e 21 meses de idade foram submetidos a uma tarefa de escolha forçada semelhante à tarefa usada por Smiley e Brown (1979) para investigar o desenvolvimento da organização conceitual. Isto é, as crianças viam um objeto padrão e dois objetos-teste, um apresentando uma relação taxonômica com o objeto padrão e o outro, uma relação temática. Para as crianças na condição controle ou "sem palavra", o examinador mostrava o objeto padrão e, em seguida, pedia à criança para encontrar "um outro" entre os dois objetos-teste. As crianças na condição experimental ou "palavra nova" primeiro escutavam o examinador nomear o objeto padrão com uma palavra inventada, digamos X, e, então, eram solicitadas a encontrar um outro X. As expectativas de Waxman e Hall foram, de uma maneira geral, confirmadas. As crianças na condição experimental escolheram a alternativa taxonômica mais freqüentemente do que as crianças na condição controle. Inesperadamente, no entanto, as crianças nessa condição também mostraram uma preferência nítida pelas relações taxonômicas.

Os resultados de outros estudos com bebês têm também questionado a suposição de que, no início do desenvolvimento, as relações temáticas são mais salientes ou distintivas do que as relações taxonômicas. De uma maneira geral, ou esses estudos mostram uma preferência pelas relações taxonômicas (Bauer & Mandler, 1989; Dunham & Dunham, 1995), ou nenhum tipo de preferência conceitual (Waxman & Kusowoski, 1990).

Ao discutir esses resultados, Waxman e Namy (1997) propuseram um modelo diferente para o desenvolvimento conceitual inicial. Na visão dessas autoras, as crianças, como os adultos, são capazes de apreciar ambos os tipos de organização conceitual, não mostrando uma preferência nem por uma nem por outra. Ao invés disso, a preferência por um tipo particular de organização conceitual ou por outro é determinada por fatores contextuais. Um fator que parece ser particularmente importante é a natureza da instrução. Como Waxman e Hall (1993; ver também Markman, 1994) mostraram, crianças de apenas um ano de idade adaptam seu modo de resposta a variações nas instruções em tarefas de categorização.

É possível que diferenças nas instruções expliquem as diferenças entre os resultados dos estudos tradicionais e os resultados dos trabalhos mais recentes. Com efeito, na maioria dos estudos tradicionais, as crianças eram tipicamente instruídas a encontrar qual, entre duas escolhas alternativas, "combinava" (went with) ou "ficava melhor" (went best) com o estímulo padrão, instruções que aparentemente induzem as crianças a responder tematicamente (Denney & Moulton, 1976). Por outro lado, nos estudos mais recentes, as crianças eram instruídas a encontrar "um outro" (another one) ou "um outro como" (another one like) o estímulo padrão. Muito provavelmente, essas instruções induzem as crianças a responder taxonomicamente (Denney & Moulton, 1976; Waxman & Namy, 1997).

Os resultados dos estudos conduzidos por Waxman e Namy (1997) sugerem que a escolha temática ou taxonômica em uma tarefa de escolha forçada é, de fato, influenciada pela natureza da instrução. Em uma série de três estudos, crianças entre dois e quatro anos de idade foram introduzidas a um estímulo padrão (por ex., uma cenoura) e a dois estímulos-teste, um dos quais (por ex., um coelho) apresentava uma relação temática com o estímulo padrão, enquanto o outro (por ex., um tomate) apresentava uma relação taxonômica com ele. Como nos estudos anteriores, a tarefa da criança consistia em escolher entre a alternativa temática e a taxonômica. Em cada idade, as crianças foram designadas para uma de três condições diferentes. Crianças na primeira condição eram instruídas a "encontrar um outro" (find another one). Crianças na segunda condição eram instruídas a encontrar "um que combinava com" (one that went with) o estímulo padrão. Finalmente, solicitava-se às crianças na terceira condição a encontrar o estímulo-teste que "ficava melhor com" (went best with) o estímulo padrão. Waxman e Namy também investigaram o papel desempenhado por dois outros fatores contextuais: o nível da relação hierárquica (básico vs. superordenado) entre o estímulo padrão e a alternativa taxonômica, e o meio pelo qual os estímulos eram apresentados, isto é, se através de gravuras ou desenhos de objetos ou de réplicas lúdicas dos mesmos objetos. Nenhum efeito significativo foi encontrado para esses dois fatores. Por outro lado, com exceção das crianças de dois anos de idade, que não mostraram uma preferência por nenhum tipo de alternativa em qualquer uma das três condições, a escolha da alternativa temática ou taxonômica variou em função da instrução. Por exemplo, as crianças de três anos na condição "um outro" mostraram uma clara preferência pela alternativa taxonômica, enquanto que os seus contemporâneos nas condições "combina com" e "fica melhor com" não mostraram qualquer preferência. As crianças de quatro anos responderam como as de três anos nas condições "um outro" e "combina com". Isto é, elas não mostraram uma preferência por qualquer uma das alternativas na condição "combina com", mas mostraram uma nítida preferência pela alternativa taxonômica na condição "um outro". Além disso, em contraste com as crianças de três anos, as crianças de quatro anos mostraram uma clara preferência pela alternativa temática na condição "fica melhor com". Esses resultados sugerem que, aos três anos de idade, as crianças são sensíveis a diferenças nas instruções em tarefas de categorização. Além disso, os resultados de Waxman e Namy questionam seriamente a hipótese de que, inicialmente, as crianças mostram uma preferência pelas relações temáticas. Como descrevemos anteriormente, as crianças de dois e três anos de idade não mostraram uma preferência pelas relações temáticas em nenhuma condição.

O presente estudo investiga a generalização dos resultados de Waxman e Namy (1997) para uma amostra de crianças brasileiras. Se, como essas autoras argumentam, a escolha da alternativa temática, em oposição à alternativa taxonômica, em uma tarefa de escolha forçada, depende da maneira como a criança interpreta as instruções, e não tanto de uma preferência por relações temáticas per se, seus resultados deveriam generalizar-se para outras crianças. O presente estudo também estende o estudo de Waxman e Namy para uma faixa etária maior. Não temos conhecimento de qualquer estudo que tenha investigado a influência de instruções ou de qualquer outro fator contextual no comportamento de crianças mais velhas ou de adultos em tarefas de escolha forçada entre uma alternativa temática e uma alternativa taxonômica. Os resultados de Smiley e Brown (1979; ver também, Cole, Gay, Glick, & Sharp, 1971) de que, ao contrário de crianças mais jovens, crianças em idade escolar e adultos jovens preferem as relações taxonômicas, contribuíram para a impressão de que as relações temáticas são mais imaturas ou primitivas do que as relações taxonômicas. Contudo, como Markman (1989) tão bem observa, baseamos-nos continuamente em nosso conhecimento à respeito das relações temáticas no curso da nossa vida diária. Relações temáticas não deveriam, portanto, tornar-se menos salientes com o desenvolvimento. De fato, como mencionamos anteriormente, Greenfield e Scott (1986) não encontraram evidência de uma mudança favorecendo as relações taxonômicas entre as crianças em idade escolar que participaram do seu estudo. No seu estudo, todos os participantes, independentemente da idade, mostraram uma clara preferência pelas relações temáticas em oposição às relações taxonômicas.

É possível que os resultados discrepantes encontrados por Smiley e Brown (1979) e por Greenfield e Scott (1986) tenham resultado de diferenças na maneira como os participantes interpretaram a tarefa. Greenfield e Scott deixaram bem claro que tanto a escolha temática como a taxonômica eram corretas, e que o sujeito deveria escolher aquela que ele ou ela preferisse. Como mencionado anteriormente, os participantes no estudo de Smiley e Brown foram instruídos a escolher a gravura que "ficava melhor com" a gravura padrão, uma instrução que também parece induzir escolhas temáticas (Denney & Moulton, 1976; Waxman & Namy, 1997). A presença dos nomes dos objetos impressos em letras grandes sob as gravuras pode, no entanto, ter levado as crianças mais velhas e os adultos que participaram do seu estudo a interpretar a tarefa como uma tarefa de categorização taxonômica.

No presente estudo, a escolha de crianças e adultos entre uma alternativa taxonômica e uma alternativa temática foi examinada em uma tarefa de escolha forçada. A tarefa consistia de uma série de conjuntos de três estímulos, cada um composto por um estímulo padrão e dois estímulos-teste. Como em estudos anteriores, um dos estímulos-teste relacionava-se tematicamente à gravura padrão, enquanto o outro relacionava-se taxonomicamente à ele. Os participantes foram instruídos a escolher o estímulo que "parecia com" o estímulo padrão ou, então, aquele que "ficava melhor com" ele. Na metade dos conjuntos, a alternativa taxonômica relacionava-se ao estímulo padrão no nível superordenado; na outra metade, a alternativa taxonômica e o estímulo padrão estavam relacionados no nível básico. Em consonância com a proposta de Waxman e Namy (1997), esperávamos que o desempenho variasse em função da instrução. Especificamente, esperávamos que, em todas as idades, os participantes responderiam taxonomicamente quando instruídos a escolher o estímulo parecido com o estímulo padrão, e tematicamente quando instruídos a escolher o estímulo que ficava melhor com ele. Não tínhamos tanta certeza em relação ao efeito de variações no nível da relação hierárquica (básico vs. superordenado) entre o estímulo padrão e a alternativa taxonômica. Uma vez que a semelhança perceptual entre exemplares de uma categoria é mais pronunciada no nível básico, os participantes, particularmente as crianças pequenas, poderiam escolher a alternativa taxonômica mais freqüentemente nos conjuntos em que aquela alternativa e o estímulo padrão estivessem relacionados no nível básico. Existe, de fato, evidência de que as crianças são capazes de classificar objetos no nível básico antes de serem capazes de classificá-los no nível superordenado (ver, por ex., Rosch, Mervis, Gray, Johnson, & Boyes-Braem, 1976). Por outro lado, como descrito anteriormente, Waxman e Namy (1997) não encontraram um efeito significativo para o nível hierárquico em qualquer um dos seus três estudos.

 

Método

Participantes

Quarenta sujeitos em cada um de sete grupos de idade/escolaridade participaram (N=280): Maternal 3 (m=45,45 meses, dp=3,85 meses; 14 do sexo masculino, 26 do sexo feminino), segundo período (m=68,21 meses, dp=3,37 meses; 18 do sexo masculino, 22 do sexo feminino), pré-primário (m=81,03 meses, dp=4,49 meses; 20 do sexo masculino, 20 do sexo feminino), primeira série (m=96,69 meses, dp=3,79 meses; 21 do sexo masculino, 19 do sexo feminino), quinta série (m=151,16 meses, dp=10,66 meses; 16 do sexo masculino, 24 do sexo feminino), oitava série (m=188,88 meses, dp=10,90 meses; 20 do sexo masculino, 20 do sexo feminino), e estudantes universitários (m=309.48 meses, dp=52,98 meses; 10 do sexo masculino, 30 do sexo feminino). Em cada grupo de idade/escolaridade, metade dos participantes foi designada para a condição "parecido com" e a outra metade para a condição "fica melhor com" (ver abaixo). As crianças do maternal 3, segundo período e pré-primário estavam matriculadas na creche da Universidade Federal de Minas Gerais e as crianças da primeira, quinta, e oitava séries estavam matriculadas na escola primária da mesma universidade. Finalmente, os estudantes universitários foram recrutados entre os estudantes do Departamento de Psicologia daquela universidade.

Material

Os estímulos consistiam de 48 desenhos coloridos de objetos comuns, agrupados de maneira a formar 16 conjuntos. Cada conjunto consistia de um desenho padrão e dois desenhos-teste, um relacionado tematicamente ao desenho padrão e o outro relacionado taxonomicamente a ele. Na metade dos conjuntos, a alternativa taxonômica estava relacionada ao desenho padrão no nível superordenado (por ex., carro, ônibus). Na outra metade, a alternativa taxonômica e o desenho padrão estavam relacionados no nível básico (por ex., dois sapatos diferentes). Os desenhos em um conjunto eram apresentados em cartões individuais: o desenho padrão aparecia no centro do cartão, acima dos desenhos-teste, os quais apareciam à direita e à esquerda do desenho padrão. O desenho temático (ou taxonômico) aparecia à direita do desenho padrão na metade dos cartões, e à esquerda do desenho padrão na outra metade. A ordem de apresentação dos cartões foi determinada ao acaso, com a restrição de que a alternativa temática (ou taxonômica) não deveria ocorrer na mesma posição em mais do que três ensaios consecutivos. A mesma ordem foi utilizada para todos os participantes. A Tabela 1 lista os conjuntos de desenhos utilizados.

 

Tabela 1
Itens Utilizados nas Tarefas de Categorização 3

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Procedimentos

Em cada grupo, os participantes foram designados aleatoriamente para uma de duas condições: a condição "parecido com" e a condição "fica melhor com". Em ambas as condições, os participantes foram testados individualmente em uma sala vazia na escola ou faculdade. Para os sujeitos na condição "parecido com", o examinador apontava para o desenho padrão e dizia: "Está vendo esse aqui? Me mostra um outro parecido com esse." O procedimento de Smiley e Brown (1979) foi utilizado na condição "fica melhor com". O examinador nomeava os desenhos e então perguntava: "Qual fica melhor com o/a (nome do desenho): Esse ou esse (ao mesmo tempo em que apontava para os desenhos à direita e à esquerda do desenho padrão)"? Em seguida, o examinador pedia ao participante para justificar a sua escolha.

 

Resultados

Uma análise de variância com idade/escolaridade escolar (7) e condição (2) como fatores entre-sujeitos, e nível hierárquico (2) como fator intra-sujeitos foi calculada. A variável dependente foi o número de escolhas temáticas. O efeito da condição foi altamente significativo [F(1,266)=667,14; p<0,001]. Como esperado, a alternativa temática foi escolhida com uma freqüência maior na condição "fica melhor com" do que na condição "parecido com". Como pode ser visto na Figura 1, isso ocorreu para todas as idades/escolaridades (todos os ts maiores do que 5,13, p<0,001).4

 

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Figura 1. Escolhas das Alternativas Taxonômicas

 

O efeito principal da idade/escolaridade também foi significativo [F(6,266)=7,59; p<0,001]. Pós-testes revelaram que as crianças do Maternal 3 escolheram a alternativa temática com uma freqüência significativamente menor do que os participantes de todos os outros grupos para os itens em que a alternativa taxonômica relacionava-se ao desenho padrão no nível superordenado (Scheffé, todos os ps< 0,005), e com uma freqüência significativamente menor do que os participantes do pré-primário e da primeira, quinta e oitava séries, para os demais itens (Scheffé, todos os ps<0,01). Os demais grupos não diferiram-se significativamente entre si. A interação entre os fatores condição e idade/escolaridade também foi significativa [F(6,266)=6,83; p<0,001]. Análises de variância calculadas separadamente para cada condição revelaram que a diferença entre o Maternal 3 e os demais grupos de idade/escolaridade ocorreu apenas para a condição "fica melhor com" [F(6,133)=11,11; p<0,001], para a condição "fica melhor com", e [F(6,133)=1,14; ns, para a condição "parecido com"] .

O fator intra-sujeitos "nível hierárquico" foi marginalmente significativo [ F(1,266)=3,68; p=0,06]. A escolha da alternativa temática foi ligeiramente inferior nos ensaios em que a alternativa taxonômica e o desenho padrão estavam relacionados no nível básico do que quando eles estavam relacionados no nível superordenado. No entanto, como pode ser visto na Tabela 2, isso ocorreu apenas para a condição "parecido com", o que explica a interação significativa entre os fatores "nível hierárquico" e "condição" [F(1,266)=5,36; p<0,05].

 

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Os resultados desta análise foram, em geral, confirmados por uma ANOVA 2x7x2 (nível hierárquico x idade/escolaridade x condição) por itens. Como na análise por sujeitos, o fator "condição" foi significativo [F(1,14)=481,94; p<0,001], revelando que a escolha da alternativa temática foi mais freqüente na condição "fica melhor com" do que na condição "parecido com". O fator idade/escolaridade também foi significativo [F(6,84)=46,41; p<0,001], assim como a interação entre os fatores "idade/escolaridade" e "condição" [F(6,84)=54,49; p<0,001]. Por outro lado, ao contrário da análise por sujeitos, a interação entre os fatores "nível hierárquico" e "condição" não foi significativa.

Padrões Individuais de Resposta

Também examinamos o padrão de resposta, separadamente para cada participante. De acordo com o teste binomial (p<0,05, unilateral), um participante deveria escolher a alternativa temática (ou taxonômica) em pelo menos doze itens para o seu desempenho ser considerado consistentemente temático (ou taxonômico). A Tabela 3 lista o número de participantes em cada idade/escolaridade que respondeu consistentemente a qualquer uma das duas dimensões, separadamente para as duas condições.

 

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Como pode ser visto na Tabela 3, em todas as idade/escolaridade, um número maior de sujeitos respondeu consistentemente à dimensão taxonômica do que à dimensão temática na condição "parecido com". Consistentemente com os resultados relatados anteriormente, essa diferença foi significativa para todas as idade/escolaridade (todos os ps<0,001 pelo teste binomial, unilateral). Por outro lado, com exceção das crianças do Maternal 3, um número significativamente maior de participantes em todas as idade/escolaridade respondeu consistentemente à dimensão temática do que à dimensão taxonômica na condição "fica melhor com" (todos os ps<0,01 pelo teste binomial, unilateral). De maneira semelhante aos resultados relatados previamente, as crianças do Maternal 3 não mostraram uma preferência por qualquer uma das duas dimensões na condição "fica melhor com" (p>0,05 pelo teste binomial, unilateral).

Justificativas das Respostas

Como mencionamos previamente, os participantes foram solicitados a justificar cada uma de suas escolhas. Com exceção do grupo mais jovem de crianças, em todos os níveis de idade/escolaridade, os participantes apresentaram justificativas para as suas escolhas. De uma maneira geral, as escolhas da alternativa temática foram justificadas corretamente, isto é, por meio de uma frase descrevendo a relação entre a alternativa temática e o desenho padrão (por ex., "o macaco come banana"). Isso foi observado em ambas as condições. Muito freqüentemente, as escolhas da alternativa taxonômica na condição "fica melhor com" também receberam justificativas temáticas (por ex., uma criança disse que a onça ficava melhor com o tigre do que a jaula porque o tigre "é o marido da onça").

Dois tipos de justificativa predominaram para a escolha da alternativa taxonômica na condição "parecido com": explicações taxonômicas propriamente ditas (por ex., os dois são pássaros) e explicações perceptuais/funcionais, i.e., explicações baseadas em uma semelhança física ou funcional entre o estímulo padrão e a alternativa taxonômica (por ex., os dois têm rodas ou os dois são de comer). Como pode ser visto na Tabela 4, com exceção dos três grupos mais velhos de participantes, as justificativas baseadas em uma semelhança física ou funcional entre o estímulo padrão e a alternativa taxonômica ocorreram mais freqüentemente do que as explicações taxonômicas propriamente ditas. Como é discutido a seguir, é possível que a instrução utilizada na condição "parecido com" tenha induzido os participantes a prestarem atenção às semelhanças físicas entre os estímulos.

 

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Discussão

Os resultados do presente estudo questionam a hipótese de uma "mudança de preferência" na organização do conhecimento ao longo do desenvolvimento. Ao invés disso, eles sugerem que, independentemente do nível de desenvolvimento, a escolha de uma alternativa taxonômica ou temática em uma tarefa de escolha forçada depende, em grande parte, da natureza da instrução. Como mencionamos anteriormente, outros autores (Denney & Moulton, 1976; Waxman & Namy, 1997) já haviam sugerido que algumas instruções induzem as crianças a classificar taxonomicamente, enquanto outras induzem-nas a classificar tematicamente. Em particular, Waxman e Namy (1997) observaram que crianças de três e quatro anos de idade ajustam sua resposta a variações na instrução em tarefas de escolha forçada entre um estímulo taxonômico e um estímulo temático. Como foi descrito anteriormente, as crianças de três e quatro anos de idade que participaram do estudo de Waxman e Namy escolheram a alternativa taxonômica com uma freqüência significativamente superior à freqüência que seria esperada por acaso quando, após verem um estímulo padrão, foram instruídas a encontrar "um outro". Por outro lado, quando solicitadas a encontrar o estímulo que "ficava melhor com" o estímulo padrão, elas ou escolheram a alternativa temática (as crianças de quatro anos) ou não mostraram um padrão consistente de resposta (as crianças de três anos de idade).

Os resultados do presente estudo replicaram os resultados de Waxman e Namy (1997), além de estendê-los para crianças mais velhas e adultos jovens. Como relatamos anteriormente, em todos os níveis de idade/escolaridade, nossos participantes escolheram a alternativa taxonômica com uma freqüência significativamente superior à freqüência que seria esperada caso eles estivessem respondendo ao acaso na condição "parecido com", uma condição semelhante à condição "um outro" no estudo de Waxman e Namy. Por outro lado, independentemente da sua idade ou nível de escolaridade, nossos participantes optaram claramente pela alternativa temática quando instruídos a encontrar o desenho que "ficava melhor com" o desenho padrão. A única exceção a esse padrão foi o grupo de crianças do Maternal 3. Embora elas tenham mostrado uma clara preferência pela alternativa taxonômica na condição "parecido com", como as crianças de três anos de idade no estudo de Waxman e Namy, elas não mostraram uma preferência nítida por qualquer uma das alternativas na condição "fica melhor com".

É pouco provável que o padrão inconsistente de resposta das crianças do Maternal 3 na condição "fica melhor com" tenha resultado de um desconhecimento das relações temáticas. É verdade que as crianças do Maternal 3 não souberam, em geral, justificar as suas escolhas temáticas. No entanto, elas tampouco justificaram as suas escolhas taxonômicas, apesar de haverem escolhido consistentemente a alternativa taxonômica na condição "parecido com". Além disso, as crianças de três anos que participaram do estudo de Waxman e Namy (1997) também mostraram o mesmo padrão inconsistente de comportamento na condição "fica melhor com", apesar de os examinadores haverem demonstrado tanto a relação taxonômica como a relação temática antes de solicitarem uma resposta da criança. É possível, no entanto, que algumas das relações temáticas ilustradas no presente estudo não sejam tão salientes para crianças de três anos de idade como parecem ser para crianças mais velhas e, portanto, mais experientes. Em consonância com esse argumento, a escolha da alternativa temática na condição "fica melhor com" foi mais freqüente para os conjuntos que, como os conjuntos 4 (nível básico) e 2 (nível superordenado) ilustram relações temáticas importantes na experiência diária de toda criança pequena. Alternativamente, é possível que as crianças do Maternal 3 não soubessem como interpretar a instrução "fica melhor com". Isso explicaria porque, ao contrário das crianças da mesma idade na condição "parecido com", que claramente escolheram a alternativa taxonômica, as crianças do Maternal 3 na condição "fica melhor com" alternaram entre a alternativa temática e a alternativa taxonômica.

Qualquer que seja a interpretação correta, os resultados obtidos para o grupo mais jovem de participantes questionam seriamente a suposição de que as relações temáticas são mais salientes do que as relações taxonômicas no início do desenvolvimento. Pelo contrário, as relações temáticas parecem tornar-se mais salientes entre os três e os oito anos de idade. Como pode ser visto na Figura 1, a escolha da alternativa taxonômica na condição "fica melhor com" foi maior entre as crianças do Maternal 3, diminuindo a cada nível de idade/escolaridade subsequente até a primeira série.

Os resultados do presente estudo também questionam a hipótese de uma mudança, ao longo do desenvolvimento, no sentido de uma preferência por relações taxonômicas. Ao contrário dos resultados de Smiley e Brown (1979), não encontramos uma preferência estável por relações taxonômicas entre as crianças mais velhas e os adultos que participaram do presente estudo. Tampouco encontramos uma preferência estável pelas relações temáticas, como Greenfield e Scott (1986). Pelo contrário, o padrão de desempenho das crianças mais velhas e dos adultos jovens variou em função da instrução que receberam, da mesma maneira que o padrão de desempenho observado entre os pré-escolares no estudo de Waxman e Namy (1997) e no presente estudo.

Uma limitação do presente estudo diz respeito à interpretação das escolhas taxonômicas. Como na maioria dos estudos anteriores, a tarefa de categorização utilizada no presente estudo envolvia apenas dois estímulos-teste: um relacionado taxonomicamente ao estímulo padrão e o outro relacionado tematicamente a ele. Uma vez que estímulos relacionados taxonomicamente são perceptualmente mais semelhantes do que estímulos relacionados tematicamente, não é possível descartar a hipótese de que as escolhas taxonômicas na condição "parecido com" tenham se baseado na semelhança perceptual entre o estímulo padrão e a alternativa taxonômica, e não tanto na dimensão taxonômica como tal. Essa possibilidade pode ter sido ainda mais acentuada no presente estudo, uma vez que os participantes na condição "parecido com" eram explicitamente instruídos a encontrar um estímulo parecido com o estímulo padrão. É possível que essa instrução tenha induzido os participantes a prestarem atenção às semelhanças perceptuais entre os estímulos. Isso explicaria a tendência dos nossos participantes mais jovens de justificarem as suas escolhas taxonômicas em função de semelhanças físicas ou funcionais entre o estímulo padrão e a alternativa taxonômica. O mesmo fator também explicaria o número relativamente maior de escolhas taxonômicas encontrado para os estímulos relacionados ao estímulo padrão no nível básico, em oposição ao nível superordenado, na condição "parecido com". Conforme observamos anteriormente, estímulos relacionados no nível básico são fisicamente mais parecidos do que estímulos relacionados no nível superordenado.

Independentemente da explicação correta para as escolhas taxonômicas, os resultados do presente estudo indicam que, já aos três anos de idade, as crianças são sensíveis a variações na instrução em tarefas de categorização de objetos. Neste aspecto, seu comportamento é surpreendentemente semelhante ao comportamento de crianças mais velhas e adultos jovens na mesma situação. É possível, no entanto, que os fatores que influenciam a escolha entre uma alternativa taxonômica e uma alternativa temática não sejam os mesmos ao longo do curso do desenvolvimento. Uma questão interessante para a pesquisa futura consistirá em investigar como o nível de desenvolvimento cognitivo interage com fatores contextuais na determinação da escolha de um modo ou outro de resposta em uma tarefa de categorização. Como a discussão acima sugere, será importante que os estudos futuros incluam controles para a semelhança perceptual entre o estímulo padrão e a escolha taxonômica. Esse controle não será importante apenas para elucidar a natureza dos conceitos infantis. Certamente, ele também contribuirá para elucidar os contextos que promovem a atenção a relações taxonômicas, em oposição a relações perceptuais, em diferentes etapas do desenvolvimento.

 

Referências

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Sobre a primeira autora:
Cláudia Cardoso-Martins é Doutora em Psicologia e Professora da
Universidade Federal de Minas Gerais.

 

 

Recebido em 12.03.99
Revisado em 07.06.99
Aceito em 28.06.99

 

 

1 Endereço para correspondência: Mestrado em Psicologia, Universidade Federal de Minas Gerais, Av. Antonio Carlos 6627, 31270-901, Belo Horizonte, MG. Fax: (31) 499-5042, Fone: (31) 499-5042. E-mail: cacau@fafich.ufmg.br.
2 Agradecimentos: Apoio do Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). As autoras agradecem às crianças e aos adultos que participaram do estudo e a Sandra Waxman pelos seus comentários a uma versão anterior do manuscrito.
3Os exemplares relacionados no nível básico não eram idênticos, mas diferiam em várias dimensões como a forma, a cor e o tamanho.
4 De fato, em todos os níveis de idade/escolaridade, o número de escolhas temáticas foi significativamente inferior ao número que seria esperado por acaso na condição "parecido com" (todos os ts maiores do que 6,28; p<0,05) e, com exceção das crianças do Maternal 3 [t(19)=1,41; p>0,05], significativamente acima do número que seria esperado por acaso na condição "fica melhor com" (todos os ts maiores do que 2.,21,; p>0,05).