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Acta Cirurgica Brasileira

Print version ISSN 0102-8650On-line version ISSN 1678-2674

Acta Cir. Bras. vol.18 no.5 São Paulo Sep./Oct. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-86502003000500015 

15 – INFORME TÉCNICO

 

Resultados imediatos da herniorrafia inguinal com anestesia local associada com sedação1

 

Immediate results of inguinal hernia repair with local anesthesia associated with sedation

 

 

Edgar Valente de Lima NetoI; Alberto GoldenbergII; Mário Jorge JucáIII

IProfessor Assistente da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL) e da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
IIProfessor Doutor, Adjunto da UNIFESP – EPM
IIIProfessor Doutor, Adjunto da UFAL

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Avaliar os resultados imediatos da herniorrafia inguinal com anestesia local associada com sedação.
MÉTODOS: Foram operados 30 pacientes portadores de hérnia inguinal, sendo 26 (86,6%) do sexo masculino e 4 (13,4) do sexo feminino. Os anestésicos utilizados foram
lidocaína a 1% e bupivacaína a 0,5% sem adrenalina, tendo sido adicionado 1mL de bicarbonato de sódio para cada 9mL da solução anestésica. A sedação foi realizada com midazolan. As hérnias mais freqüentes, de acordo com a classificação de Nyhus, foram as do tipo I, encontradas em 16 (53,3%) pacientes. Praticou-se o reparo da parede posterior a em 17 (56,6%) e em 13 (43,2%) o reparo com prótese. Para a análise estatística utilizou-se o teste de McNemar para avaliar a correlação entre os escores de dor na escala E.V.A. agrupada.
RESULTADOS: Em nenhum paciente houve necessidade de mudança da técnica anestésica. Entre as complicações, observaram-se: 1 (3,3%) hematoma; 1 (3,3%) sangramento e 1 (3,3%) infecção da ferida operatória. A deambulação foi precoce em 28 (93,3%) pacientes, assim como a alimentação oral. O tempo de internação médio foi 18 horas, e o escore de dor na escala visual analógica (E.V.A.) foi menor ou igual a 3 em 80% dos pacientes.
CONCLUSÃO: A anestesia local com sedação é um método seguro, eficaz, com baixos índices de complicações imediatas, e alto índice de satisfação para pacientes selecionados, portadores de hérnia inguinal.

DESCRITORES: Hérnia inguinal. Anestesia local.


ABSTRACT

PURPOSE: To present the immediate results of the inguinal hernia repair with local anesthesia associated with sedation.
METHODS: Thirty patients were operated on of which 26 (86,6%) were male. The age varied from 21 to 76, and the average was of 47 years. The anesthetics used were lidocaine and bupivacaine, and the sedation was accomplished with midazolan.
RESULTS: Among the complications was observed: 1 (3,3%) bruising; 1 (3,3%) blood; and 1 (3,3%) case of infection of the operative wound. Early rise in 28 patients (93,3%), as well as the oral feeding. The average time of internment was of 18 hours, and the pain score in the analogical visual scale (A.V.S.) was smaller or equal to 3 in 24 patients (80%).
CONCLUSION: The local anesthesia for the inguinal hernia repair is a safe and effective method in selected patients.

KEY WORDS: Inguinal hernia. Local anesthesia.


 

 

Introdução

A cada ano são praticadas cerca de 700.000 herniorrafias inguinais nos Estados Unidos da América.1 A herniorrafia inguinal é a operação mais comum no homem, atinge freqüentemente indivíduos na faixa etária em que são mais produtivos e ativos fisicamente, não raro incapacitando-os para o trabalho, com importantes implicações socioeconômicas.2

O tratamento da hérnia inguinal vem evoluindo com o entendimento da anatomia, da fisiologia e da fisiopatologia.² Kurzer, Belsham e Kark (1998) 3 destacaram o desenvolvimento dos materiais de síntese e prótese. Estudos sobre o comportamento ultra-estrutural das fibras de colágeno e de sua análise bioquímica foram também importantes.4 Desde Edoardo Bassini, pioneiro da moderna cirurgia para o tratamento da hérnia, até o desenvolvimento das técnicas sem tensão, os avanços foram significativos.5,6

Observa-se grande preocupação com a discussão das opções técnicas a serem utilizadas para o tratamento da hérnia inguinal, mas nem sempre o tipo de anestesia utilizado é citado, discutido e recebe a importância que o tema merece.7

O bloqueio espinhal é a técnica anestésica mais utilizada no Brasil, para a herniorrafia inguinal, o que difere do método anestésico utilizado nos vários centros de excelência no mundo. Na Clínica Shouldice, no Canadá, 95% das hérnias inguinais são operadas com anestesia local, numa experiência de mais de 230.000 operações.8 No Instituto Lichteinstein, nos Estados Unidos da América, é rotina o uso da anestesia local 9.

A anestesia local para a herniorrafia inguinal não é um procedimento novo. Flanagan e Bascon (1984)10 descreveram relatos feitos há mais de 100 anos sobre hérnias operadas com anestesia local por Harvey Cushing, usando cocaína.

Foram descritas vantagens da anestesia local para a herniorrafia inguinal: deambulação precoce; baixos índices de tromboflebites, complicações pulmonares e de retenção urinária.11 O tratamento da hérnia em regime ambulatorial está também relacionado com o tipo de anestesia.12 Callesen, Bech e Kehlet (1998) 13 obtiveram baixos índices de dor e altos índices de satisfação pessoal. Outros autores relataram algumas restrições ao método: alterações anatômicas provocadas pelo intumescimento dos tecidos; relaxamento muscular inadequado; ardência; dor na infiltração dos anestésicos e contra-indicam para obesos; hérnias encarceradas; estranguladas; recidivadas e inguinoescrotais. 2,1 Valdivia-Gömez, Ramirez, Sánchez, Zaga e Caneda (1994)15 afirmaram que o método não foi amplamente aceito por temor de não ser bem tolerado pelos pacientes. Amado (1993)7 destacou vantagens, mas referiu que se a anestesia local for realizada de forma inadequada pode levar o paciente a vivenciar uma experiência desagradável.

Assim surgiu o questionamento: por que a anestesia local não é tão utilizada no Brasil como nos outros países? É possível que alguns cirurgiões desconheçam a técnica ou podem não estar seguros das possíveis vantagens.

Expostos esses fatos, considerou-se oportuno observar os resultados imediatos da herniorrafia inguinal com anestesia local associada com sedação.

 

Métodos

Amostra

Foram estudados prospectivamente 30 pacientes portadores de hérnia inguinal. Foram excluídos pacientes com hérnia bilateral, recidivada, crural, inguinoescrotal, encarceradas e estranguladas, pacientes alérgicos aos anestésicos locais, menores de 21 anos, e aqueles que não assinaram o termo de consentimento ou não aceitaram o método. O projeto de pesquisa foi submetido e aprovado pela Comissão de Ética da Universidade Federal de São Paulo.

Eram 26 do sexo masculino, com média de idade de 47 anos. Apresentavam como sintomas: dor local em 56,6% dos casos ; tumoração e queimação nos outros 43,4%.

Procedimentos

As drogas anestésicas empregadas foram lidocaína a 1% e bupivacaína a 0,5%, em partes iguais, e para cada 9 mililitros (mL) da associação de anestésicos, foi adicionado 1mL de bicarbonato de sódio. Os anestésicos não continham adrenalina. A infiltração foi realizada por planos e o bloqueio dos nervos foi feito sob visão direta (Figuras 1 e 2).

 

 

Para sedação, empregou-se o midazolan em doses de 0,03 mg por kg, equivalente a 2 mg para cada 70 kg, administrado 10 minutos antes do início da operação por via intravenosa. Todos os atos operatórios foram acompanhados por anestesiologista, e todos os pacientes receberam monitorização eletrocardiográfica com aparelho Ecafix ® modelo MCL com cinco derivações, e oximetria de pulso com aparelho Nellcor ® modelo NT 180. A incisão foi transversa em todos os casos, e durante o ato operatório usou-se a classificação de Nyhus para se estabelecer à opção técnica de reparo. Para hérnias tipo Nyhus I e II realizou-se o reparo da parede posterior , e os pacientes que apresentaram hérnias tipo Nyhus III A e III B receberam reparo com prótese. Para o reparo da parede posterior e fixação das próteses utilizou-se o fio de náilon monofilamentar 00, e as próteses utilizadas foram de Prolene. Nos pacientes que receberam próteses, nos que tinham mais de 65 anos e nos diabéticos foi instituída a antibioticoprofilaxia com cefalotina.

Os pacientes saíram do centro cirúrgico, orientados para se alimentar e deambular quando quisessem. Foi prescrito paracetamol em doses de 750 mg por via oral a cada 6 horas.

Procurou-se avaliar a eficácia do método anestésico. Durante o ato operatório, monitorando os sinais diretos e indiretos de dor aguda: fácies; alterações da pressão arterial; freqüência do pulso; padrão respiratório; agitação; manifestação verbal álgica; necessidade de complementação analgésica e de mudança da técnica anestésica. A escala visual analógica (EVA) foi aplicada ao término da cirurgia, com o paciente lúcido e acordado, e no momento da alta hospitalar (Quadro 1).

 

 

O teste estatístico empregado foi o de McNemar, para obter a diferença estatística entre as discordâncias de dor.

 

Resultados

Em nenhum paciente, houve necessidade de mudança da técnica anestésica. Em 16 (53,3%) pacientes, encontraram-se hérnias do tipo Nyhus I, e praticou-se o reparo da parede posterior em 17 (56,6%) deles. Em outros 13 (43,2%) o reparo herniário foi feito com prótese. Observou-se em 5 (16,6%) pacientes bradicardia, no intra-operatório. A deambulação foi precoce em 93,3% dos pacientes, assim como o início da dieta oral, que ocorreu nas primeiras 4 horas em 86,6% dos pacientes e sem intercorrências. As complicações pós-operatórias foram: 1 (3,3%) hematoma e 1 (3,3%) sangramento, sem que nenhum paciente necessitasse de reoperação. No oitavo dia de pós-operatório, quatro pacientes apresentaram edema local e um (3,3%), infecção da ferida cirúrgica.O tempo médio de internação foi de 18 horas. A média dos escores de dor ao fim da operação foi de 2,43 (dor mínima) (Tabela 1) e de 2,53 (dor mínima) no momento da alta (Tabela 2). A correlação entre os níveis de dor, obtidos nos dois momentos, de acordo com a escala E.V.A. agrupada+, foi demonstrada na Tabela 3. Os índices de satisfação foram: bom em 66,6% e ótimo em 33,4% no momento da alta; e bom em 73,4% e ótimo em 26,6% no 8º dia de pós-operatório (Tabela 4).

 

 

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÂO

Nos últimos anos, houve importante evolução no tratamento da hérnia inguinal. Procurou-se dar mais conforto ao doente, obter menores índices de recidiva e menor tempo de hospitalização, diminuir os custos e devolver o paciente o mais rapidamente possível às suas atividades. Com isso, obter-se-iam altos índices de satisfação.

O uso de anestésicos locais é muito freqüente nos procedimentos médico-odontológicos e, felizmente, os eventos de alergia e intolerância são muito raros.17 Neste estudo, 73,3% dos pacientes submeteram-se ao uso de anestésicos locais sem relatos de efeitos adversos ou alergias, apesar de 36,7% apresentarem doenças clínicas associadas, sendo 26,7% hipertensos e 10% diabéticos.

Foi descrita a técnica de infiltração em "leque", a qual visou obter o bloqueio anestésico dos nervos mediante múltiplas punções18. É possível que essa técnica favoreça, em alguns casos, a lesão de vasos periféricos e o traumatismo de nervos. As variações são muitas, desde a forma de infiltração ao uso de anestésicos. A infiltração por planos apresenta como vantagens: a visão direta de vasos e nervos e o uso de volumes menores de anestésicos.

A lidocaína é largamente empregada na prática médica diária, é segura, possui baixa toxidade, difunde-se bem e rapidamente através dos tecidos; a bupivacaína possui tempo de latência longa e sua atividade é longa, sendo importante para o controle da dor no pós-operatório, pois diminui a necessidade de analgésicos opióides.19,20

A sedação com midazolan mostrou-se eficiente e pudemos constatar como é importante, pois diminui a ansiedade dos pacientes, tão comum nos procedimentos operatórios.9 A leve sonolência, determinada por doses baixas, favoreceu a realização de manobras de aumento da pressão intra-abdominal para se testar o reparo herniário intra-operatório.21,22 Outros autores destacaram os benefícios da sedação, pois esta aumenta a tolerância ao método e proporciona conforto.25

A escala visual analógica (E.V.A.) é a mais indicada para a mensuração da dor em adultos, porque é simples, rápida e objetiva. Outros métodos, como o proposto por McGill e o inventário de dor de Wiscosin, são complexos e de difícil aplicação. 23 Após o término do ato operatório, os escores de dor obtidos foram baixos, mostrando a eficácia do método, pois 93,2% dos pacientes indicaram escores iguais ou abaixo de três. A segunda avaliação da dor foi realizada na alta hospitalar, quando 80% dos pacientes assinalaram escores abaixo de três. Callesen e col.13 destacaram que o diagnóstico, a avaliação e o tratamento da dor são importantes não só por motivos humanitárias e éticos, mas também por implicações econômicas, pois a dor pode prolongar a convalescença, retardando a alta e o início das atividades laborativas, e observaram, em estudo prospectivo de 466 pacientes submetidos a herniorrafia inguinal com anestesia local, que os escores de dor foram maiores no primeiro dia de pós-operatório, e que diminuíam a partir do segundo dia. Esses escores aumentaram quando o paciente se mobilizava ou tossia e foram maiores nos jovens.

A dor pós-operatória está também associada à escolha dos anestésicos. A bupivacaína é importante para a obtenção de baixos escores de dor.19,20 Outros aspectos são importantes para a diminuição da dor pós-operatória: a preservação dos nervos para eliminar o risco de neuralgia crônica; o manuseio delicado dos tecidos; a ausência de tensão do reparo herniário; a instilação de 5 a 7ml de solução anestésica sobre os nervos ao final da cirurgia.2,7,9,24,38

A deambulação precoce é muito benéfica, não só na prevenção das complicações tão sobejamente discutidas na literatura, como o tromboembolismo, a retenção urinária e as pneumopatias, mas também porque pode diminuir o tempo de internação hospitalar. Observou-se que 93,3% dos pacientes deambularam precocemente. Sem dúvida a proposta da cirurgia ambulatorial ou hospital-dia para a herniorrafia inguinal está diretamente relacionada com essa grande vantagem oferecida pela anestesia local.25,26,27,28,29

Todos os pacientes foram orientados a se alimentarem quando quisessem, e 86,6% o fizeram nas primeiras quatro horas. Nenhum apresentou náuseas e vômitos e nenhum necessitou de hidratação venosa. Celoria e col. (1993),21 em 164 pacientes operados com anestesia local, concluíram que a introdução da dieta oral regular precoce foi benéfica e isenta de intercorrências.

Foram observadas em dois pacientes (6,6%) complicações pós-operatórias hospitalares que não foram correlacionadas com o método anestésico. Nenhum deles necessitou de reoperação. Houve hematoma em um paciente (3,3%) e sangramento em outro (3,3%). O pequeno hematoma superficial foi drenado, e o sangramento na linha de sutura da pele, observado três horas após a saída do paciente do centro cirúrgico, foi controlado com curativo compressivo. Amid e col., 9 em 5.000 herniorrafias inguinais operadas com anestesia local, obtiveram índice de 1% de hematomas; Friis29 observou 2%; Nishiguchi e Hirakawa 30 observaram hematomas em 4,5%; Bendavid8 e Wantz 38 descreveram índices de hematomas abaixo de 1%. Como explicar essas variações de resultados? É possível que as variações técnicas expliquem os índices diferentes observados. Exemplo é o uso de anestésicos com e sem adrenalina. Foi descrito que o uso de anestésicos com adrenalina favorece o desenvolvimento de hematomas e sangramentos. Vasos colabados sangram após o efeito da droga. Alguns autores afirmaram que poderia se esperar a ocorrência de mais hematomas e sangramentos usando-se anestésicos com adrenalina.10, 31

Importante destacar que não foi observada nenhuma das complicações usualmente relacionadas com o bloqueio espinhal: cefaléia; retenção urinária; hipotensão arterial; náuseas e vômitos, e isto foi relatado como vantagens da anestesia local.32,25,34,35

Finley e col.,11 em estudo observacional comparativo entre 880 pacientes submetidos a herniorrafia inguinal com anestesia local e 200 submetidos a herniorrafia com anestesia geral e espinhal, obtiveram índice de 0,2% de retenção urinária para o primeiro grupo e 13% para o segundo, respectivamente. Kurzer e col.3 não observaram nenhum caso de retenção urinária em série de 3175 pacientes, apesar de um terço deles serem aposentados e a maioria com sintomas de prostatismo.

O tempo médio de internação foi de 18 horas. Outros autores obtiveram, em 466 pacientes operados, tempo médio de internação de apenas 85 minutos, contados após a saída do centro cirúrgico.13 Constatou-se que a deambulação e alimentação precoces, isentas de intercorrências proporcionadas pela anestesia local, favorecem o tratamento da hérnia em regime ambulatorial e contribuem para a diminuição dos custos hospitalares.24,27,28,37

Observou-se que os índices de satisfação na alta hospitalar e no oitavo dia de pós-operatório foram bons em 66,6% e 73,4% respectivamente, e nenhum paciente assinalou índice regular ou péssimo. Mesmo sendo um dado subjetivo, o índice de satisfação pessoal é o resultado de um conjunto de eventos, que servem também para validar e confirmar dados obtidos, como o índice de dor e a experiência vivenciada pelo paciente. Collado e col.39 avaliaram o índice de satisfação em 221 pacientes operados, e obtiveram 90% de pacientes plenamente satisfeitos. Callesen e col. (1998) 13 destacaram índices de satisfação altos, respaldados por índices de dor baixos.

A herniorrafia inguinal com anestesia local, associada com sedação, é um método que pode trazer grandes benefícios para o paciente: menor dor; deambulação e alimentação precoces; possibilidade de operação ambulatorial ou hospital-dia; índices de satisfação elevados com baixa morbidade; é simples, eficaz, pouco invasiva, traz poucas repercussões cardíacas e pulmonares e não favorece a retenção urinária.

 

Conclusão

A anestesia local com sedação é método seguro, eficaz, com baixos índices de complicações imediatas e alto índice de satisfação para pacientes selecionados, portadores de hérnia inguinal.

 

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Endereço para correspondência
Dr. Edgar Valente de Lima Neto
Rua Guarabú, 147
57052-390 Maceió – AL
Tel: (82)241-6188
E-mail:
evlimant@uol.com.br

Data do recebimento: 11/07/2003
Data da revisão: 24/07/2003
Data da aprovação: 01/08/2003
Conflito de interesse: nenhum
Fonte de financiamento: nenhuma

 

 

1 Resumo da Tese de Mestrado defendida e aprovada no Programa de Pós-Graduação em Gastroenterologia Cirúrgica da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM).

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