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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478

Cienc. Rural vol.22 no.3 Santa Maria Sept./Dec. 1992

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84781992000300018 

A TÉCNICA DA AVALIAÇÃO RURAL RÁPIDA (ARR) PARA PROJETOS DE DESENVOLVIMENTO RURAL.

 

THE TECHNIQUE OF RAPID RURAL APPRAISAL (RRA) FOR RURAL DEVELOPMENT PROJECTS.

 

Joaquim Anecio Almeida1

 

 

RESUMO

O presente trabalho pretende analisar criticamente a técnica de Avaliação Rural Rápida dentro da perspectiva da sua utilização nos projetos de desenvolvimento rural. A ARR compreende um conjunto de procedimentos metodológicos oriundos das ciências etnográficas e de antropologia social combinados com métodos de investigação empregados pelas ciências sociais. As principais características da ARR podem ser resumidas em três: a) eficiência em termos de custos financeiros e de tempo; b) abordagem multidisciplinar na busca de informações sobre as necessidades de mudança da população rural; e c) visar a uma ação de desenvolvimento rural. A ARR é uma abordagem metodológica emergente que se desenvolve no âmbito das ciências sociais agrárias. A técnica foi aplicada no estudo da viabilidade do agro-turismo no Município de MATA, RS, Brasil.

Palavras-chave: Avaliação Rural Rápida, desenvolvimento rural, abordagem sondeo, multidisciplinaridade.

 

SUMMARY

The study analyses critically the technique of Rapid Rural Appraisal within the scope of its use in rural development projects. The RRA consists of various methodological procedures originated from ethnographical and anthropological sciences combined with research methods used in social sciences. The main characteristics of RRA can be summed up to three: a) efficiency in terms of costs and time; b) a multidisciplinary approach in gathering data about needs of change of rural population; and c) in view of implementing a rural development action. The RRA is an emerging methodological tool that is being employed in rural sciences. The technique was applied in the study of agro-tourism in the Municipio of MATA, RS, Brazil.

Key-words: Rapid Rural Appraisal, rural development, sondeo approach, multidisciplinarity.

 

 

INTRODUÇÃO

No âmbito de elaboração e implementação de projetos de desenvolvimento rural, os responsáveis ou dirigentes necessitam de informações que sejam relevantes, atuais, exalas e de uso imediato. De acordo com CHAMBERS (1987), as técnicas tradicionais de pesquisa, nas suas diversas combinações, têm gerado informações que são irrelevantes, tardias e de pouca utilidade prática para iniciar ações que sirvam para melhorar a qualidade de vida das populações rurais. Os esforços dos profissionais em ciências sociais, especialmente na área de metodologia de pesquisa científica, têm sido direcionados no sentido de aprimorar os instrumentos metodológicos em si, isto é, com relação aos parâmetros de confiabilidade, de abrangência e de aplicabilidade (ou replicabilidade) a situações múltiplas. De certo modo, um método é confiável não porque fornece uma informação nova e relevante mas porque permite uma informação confiável, embora caduca e ultrapassada Além da ineficiência das informações em termos da sua atualidade, as pesquisas tradicionais são consideradas de elevado custo econômico.

O desafio, portanto, é reunir métodos e técnicas que sejam eficientes em termos de tempo e economia e, ao mesmo tempo, condutores para a compreensão da realidade rural com informações relevantes, exatas, atuais e de utilidade prática para efeitos de mudança O conjunto de abordagens e métodos que procuram obter resultados fidedignos e eficientes são conhecidos como Avaliação Rural Rápida (ARR).

A ARR se aplica para conseguir informação sobre variáveis tanto visíveis como a moradia, implementos e serviços como variáveis relacionais como organização social, estrutura do poder e instituições sociais.

A técnica de ARR é importante no planejamento dos projetos de desenvolvimento rural. Nas fases iniciais de elaboração e operacionalização do projeto, a informação é necessária para tomar as decisões correias, o que os estudos prolongados não permitem. Também a ARR é importante durante a implementação, monitoramento e avaliação do projeto.

De acordo com CHAMBERS (1987), na coleta de informação social rural, estamos sujeitos a dois conjuntos de métodos inadequados: métodos rápidos e métodos de longa duração ambos ineficientes. A ineficiência é definida em termos de custos: tempo e dinheiro.

Métodos Rápidos e Ineficientes

O método mais comum de avaliação rápida e ineficiente é o "turismo do desenvolvimento rural": uma curta visita ao meio rural por profissionais vindos da cidade. Entretanto, dependendo da formação e experiência do técnico especializado, uma visita rápida pode ser muito eficaz. É o caso, por exemplo, da visita do economista O. Hirschmann a América Latina pela Fundação Inter-Americana As conclusões desse técnico foram mais tarde confirmadas pêlos estudos mais prolongados. Há alguns viézes que acompanham o turista do desenvolvimento rural na percepção da realidade rural.

a) - Viéz espacial. Uma visita rural rápida abrange áreas mais próximas da cidade, ao longo do asfalto. Não são visitadas as regiões remotas e de difícil acesso, onde os problemas de pobreza normalmente são mais graves.

b) - Projetos. Técnicos visitantes são geralmente levados às regiões onde existem projetos em execução, onde alguma coisa acontece ou vai acontecer. As regiões onde não há projetos ficam fora do alcance do observador especializado.

c) - Contatos pessoais. Nas visitas técnicas rápidas, há uma tendência para contactar pessoas mais influentes, mais homens que mulheres, os usuários dos serviços e não os não-usuários, os adotantes rápidos e não os retardatários e os que não puderam migrar.

d) - Sazonalidade. Nos países tropicais, a estação da chuva é o período mais problemático e difícil para as pessoas pobres (excesso de trabalho, escassez de alimentos, incidência de doenças, dívidas....). Os técnicos de desenvolvimento evitam sair durante esse período de tempo e preferem o período pós-safra quando a situação geralmente é melhor.

e) - Viéz de civilidade e protocolo. Por motivos de cortesia, o técnico esquiva perguntas sobre a pobreza rural e evita de se encontrar com pessoas menos privilegiadas.

Esses viézes interagem. Assim, a prosperidade pós-safra pode esconder a realidade dura dos meses secos do ano, ou a prosperidade de alguns mais influentes pode ser generalizada como prosperidade de todos. Além desses viézes, o investigador deve estar consciente de alguns problemas:

- No contexto de respeito que cerca a visita do técnico de desenvolvimento, as respostas são prudentes, interessadas, não-arriscadas; evasivas quando se trata de temas delicados, expressando muitas vezes o ideal e não a prática.

- A tendência do técnico experiente é de quem "conhece tudo", preferindo falar e ensinar do que ouvir e aprender.

- Observando as relações: as coisas físicas podem ser vistas mas não as relações patrão-trabalhador, os conflitos, a organização informal, as normas, a questão de dívidas, o salário, o processo de decisão.

- Uma visão fotográfica, retratando o momento da visita: eventos cíclicos e periódicos não são relatados.

Portanto, avaliações rápidas podem ser erradas por distorcer a realidade.

Métodos de Longa Duração e Ineficientes.

No outro extremo, a pesquisa acadêmica tradicional valoriza investigações que duram mais tempo e custam mais, incluindo às vezes uma coleta volumosa de dados. As exigências reais ou imaginárias das pesquisas do mestrado e doutorado obrigam os alunos a buscar a segurança, evitando levantamentos rápidos e procurando maior quantidade possível de dados. Assim, o antropólogo social se imerge nas culturas alienígenas por longos períodos de tempo e os sociólogos e economistas rurais perpetuam questionários intermináveis. Algumas vezes o resultado é um excelente trabalho acadêmico que traz uma contribuição significativa para a compreensão e ação. Na maioria das vezes, a demora é excessiva, como por exemplo, nos trabalhos antropológicos que são publicados após cerca de dez anos e dos levantamentos sociológicos maciços que quase nunca são analisados.

Na sua forma mais patológica, um questionário contém às vezes mais de 30 páginas - multidisciplinar -onde transparece a vontade de exaustão. Tais levantamentos, em geral não são processados, examinados ou analisados e, muito menos, utilizados para estabelecer uma política que promova mudanças. Convém, contudo, não generalizar. Há pesquisas de grande amplitude que atingem seus objetivos como é o caso do censo. Mas a maioria de sondagens de grande porte são ineficientes na qualidade de dados obtidos e nas longas demoras na análise e aplicação. Portanto, métodos de sondagem massiços são também ineficientes.

A Busca da Eficiência: Um Pouco Rápido, Um Pouco Demorada.

A questão é saber se existe uma zona intermediária entre rápido e demorado, de eficiência relativa, em termos de custos (dinheiro e tempo). A questão é atual e ressentida por pesquisadores de várias disciplinas e profissões, mas até recentemente não se tem prestado muita atenção ao fato, por causa da longa tradição da pesquisa e seus métodos.

A busca de caminhos metodológicos mais rápidos, levando em consideração os fatores de pertinência, relevância, precisão e uso real da informação, provêm dos estudos sobre recursos naturais e meio ambiente, projetos de saúde e nutrição, de sistemas agrícolas, das condições sociais, culturais e econômicas dos projetos agrícolas, das organizações e áreas onde existe um envolvimento pessoal do investigador.

Há obstáculos que impedem esse processo. No final da formação universitária, parte dos alunos internalizam rígidos métodos profissionais e têm dificuldade de se livrar da mentalidade do questionário. Outro obstáculo é a hegemonia da estatística que alguns consideram a dona da verdade. No caso particular da pesquisa rural, parece existir certa prudência e suspeita na coleta rápida de dados.

O Conceito da ARR

A ARR surge no âmbito da preocupação com a pesquisa dos recursos naturais, sua utilização e mudanças ao longo do tempo bem como com a investigação de sistemas agrícolas (no sentido amplo) e identificação e desenvolvimento de projetos agrícolas. A ênfase da técnica é eficiência dos custos e rapidez na obtenção de informações relevantes.

De certo modo, a ARR se situa dentro da perspectiva de estabelecer uma ponte entre duas culturas: a acadêmica e a empírica As técnicas da ARR não constituem substitutos ao trabalho acadêmico e as pesquisas de longa duração mas, são complementos dos métodos de pesquisa existentes. A ARR, como conceito reconhecido, é definido por CONWAY (1987):

Uma atividade sistemática, mas semi-estruturada, realizada no campo por uma equipe multidisciplinar com o objetivo de obter rapidamente novas informações ou avançar novas hipóteses sobre a vida rural.

Definida como um processo rápido de obter informações, a ARR tem as seguintes características, discutidas na Conferência da Tailândia em 1985:

a) Semi-estruturação: não existe uma única metodologia padronizada; essa depende dos objetivos, das condições locais, do conhecimento existente e da disponibilidade dos recursos;

b) Iteração: a maior parte das atividades são cíclicas com vistas a obter rapidamente informações novas. Os dados são progressivamente analisados, as questões recolocadas e as hipóteses revisadas.

c) Triangulação: o mesmo problema ou realidade é visto sob ângulos diferentes em cada uma das seguintes dimensões:

- a composição da equipe

- as unidades de observação

- os métodos de investigação

Uma Curta Discussão Sobre as Características da ARR

1. Usar a informação disponível.

Sobre uma determinada região ou município existem, muitas vezes, informações para quem se dispõe a utilizá-las. Existem os dados censitários, os mapas, as fotografias aéreas (especialmente com séries temporais), as imagens do satélite sobre ecologia, uso da terra, padrões da ocupação, vias de comunicação, fluxos de água, etc. Relatórios setoriais sobre as micro-regiões, diagnósticos locais, jornais distritais e estaduais fornecem dados relevantes. Estudos acadêmicos, livros e outros trabalhos científicos sistematizam o conhecimento existente.

Contudo, há uma tendência para ignorar todas essas fontes e começar tudo de zero. É um erro freqüente cujo custo pode ser elevado. O fracasso relativo de muitos projetos de desenvolvimento se deve ao fato de ignorar as informações existentes. Atualmente, as agências internacionais de fomento para o desenvolvimento recomendam suas missões de avaliação estudar os aspectos sociológicos, econômicos e geográficos antes de ir ao campo. Tal estudo se torna mais importante quando se trata de introduzir um projeto de cunho tecnológico.

2. Questões básicas e técnicas de campo

Antes de iniciar a pesquisa de campo, a equipe de pesquisadores precisa decidir: que tipo de informação é necessária e para que ? Os objetivos gerais tem de ser claros embora as questões relevantes não sejam elaboradas. Uma lista dos principais temas deve ser redigida, dando cobertura aos aspectos socio-econômicos, ecológicos e técnicos tais como:

- quais são as zonas agro-climáticas diferenciadas?

- quais são os principais cultivos e os sistemas agrícolas?

- quais são os tipos das unidades domésticas?

- qual é a organização social?

- quais são as práticas agrícolas?

- porque os agricultores persistem nessas práticas?

- quais são os problemas prioritários da população?

Munidos da lista de questões relevantes e do conhecimento dos dados existentes (mapas, fotografias aéreas....) os pesquisadores devem usar três técnicas simples da pesquisa de campo: observar os padrões de cultivo, uso da terra e os padrões de comportamento; conversar com a população e ouvir seus pontos de vista; registrar discretamente em notas e diário de campo.

3. Aprender da população rural

Alguns desastres de desenvolvimento poderiam ser evitados se a população rural fosse ouvida É necessário saber porque uma população resiste a uma cultura inovadora

As técnicas de explicitação, obtenção e utilização do conhecimento existente são bastante primitivas. É conhecido o fenômeno de distância entre o pesquisador e a população rural. Se um projeto de desenvolvimento pretende resolver os problemas da população rural, é evidente que é preciso conhecer as necessidades e determinar as prioridades. Portanto, é importante que a população rural explicite as suas necessidades, o modo como gostaria de ser ajudada e quais os setores mais vulneráveis da comunidade.

4. Identificar os indicadores

Teoricamente, a lista dos indicadores de qualquer variável é interminável. Investigar, calibrar e observar os indicadores mais pertinentes não depende unicamente da experiência do pesquisador. Além disso, pode ser uma tarefa árdua e cara Uma maneira de contornar o problema é de obter sugestões da população sobre os indicadores, por exemplo, da riqueza ou pobreza relativa.

Os indicadores são considerados como algo visível. Um dos indicadores sociais mais utilizados nos estudos das comunidades rurais é a moradia Existe o tipo de moradia: alvenaria, madeira ou de taquara e palha Outra abordagem mais elaborada considera o tamanho da casa multiplicado pelo número de quartos e fatores da qualidade de construção e dividido pelo número de pessoas da família Outro indicador visível é o nível de nutrição.

Os indicadores que não são visíveis também são importantes para os projetos de desenvolvimento rural. A estratificação social pode ser identificada de várias maneiras: pela base da renda; pelo critério de auto-suficiência em alimentos e meios de produção; ou ainda pela profissão ou ocupação.

Os indicadores teóricos precisam de uma validação local e estes são importantes na redução de custos e tempo.

5. A abordagem "sondeo" (multidisciplinaridade)

É um método de trabalho multidisciplinar desenvolvido no âmbito do Instituto de Ciencia y Technologia Agrícolas, Guatemala, por HILDEBRAND (1981), como preparatório para pesquisa agrícola de campo . Primeiro foi identificada uma área homogênea em termos de sistemas agrícolas. Hildebrand levou uma equipe de cinco agrônomos e cinco cientistas sociais para a área de estudo por uma semana A equipe trabalhava em pares, um cientista agrícola e um dentista social. Estes saíam juntos para o campo todos os dias para dialogar com os produtores, voltando à tarde para estabelecer as prioridades. Havia revezamento diário entre cientistas agrícolas e sociais dentro das equipes. No final da semana foi escrito um relatório. Esse relatório era um documento para orientar o programa de pesquisa. O método Sondeo foi usado para familiarizar os membros da equipe com a área onde se ia trabalhar e para identificar as inovações que seriam testadas com os agricultores. Esta técnica possibilita variantes seja pela composição da equipe (especialistas + agentes locais) seja pela combinação de métodos (por exemplo, auto-diagnóstico). A técnica pode ser aplicada na identificação do projeto, na avaliação do processo e na avaliação dos resultados. Em termos de abrangência, sondeo envolve pesquisa sobre recursos naturais, saúde e nutrição e a mudança social e econômica A sua estrutura multidisciplinar, o limite de tempo e a troca mútua de informações nas sessões de tarde ocasiona um estímulo para rapidez e exatidão.

Algumas condições são críticas para um eficiente esforço multidisciplinar. Primeiro, os participantes devem ser bem treinados na sua área de especialização; segundo, devem ter um conhecimento funcional das outras áreas envolvidas na pesquisa; terceiro, os membros da equipe não devem sentir necessidade de defender a sua área contra a intrusão dos outros; quarto, todos os membros da equipe devem considerar o produto final como resultado do esforço conjunto onde todos têm participado e para o qual todos tem contribuído; finalmente, a multidisciplinaridade exige a identificação dos membros da equipe com o único objetivo ou meta onde todos participam iterativamente. Os objetivos e o produto podem ser complexos e multifacetados mas devem resultar do esforço conjunto de toda equipe, onde as partes separadas não são atribuídas aos indivíduos da equipe.

A multidisciplinaridade, na concepção da ARR, consiste em diferentes disciplinas se juntarem para aprender a confiar mutuamente, para identificar problemas comuns e para trabalhar juntos na solução dos mesmos.

6. Informantes

Dependendo do tipo de pesquisa, qualidade de dados e cruzamento de informações, informantes privilegiados são necessários. Alguns desses podem ser os antropólogos ou historiadores que possuem ricas informações que nem sempre são aproveitadas. Outros informantes privilegiados são o extensionista, o médico, o professor, o líder local. Esses informantes são geralmente melhor instruídos, melhor informados e mais influentes. Os viézes que isso implica, devem ser contrabalançados, buscando contatos com outras pessoas - as mulheres e os pobres, que possuem informações relevantes.

7. Entrevistas em grupo.

No contexto de ARR, a entrevista em grupo é um instrumento válido quando se trata de obter informações sobre recursos naturais referentes, por exemplo, a uma área geográfica considerável.

Discussão com grupos especializados pode ser uma abordagem eficiente e ao mesmo tempo agradável. Nesse tipo de discussão existe sempre o mecanismo de auto-correção e de correção mútua.

 

CONCLUSÕES

No contexto de projetos de desenvolvimento rural, um trabalho de investigação não é um documento histórico nem um relatório a ser preservado. Deve ser considerado, antes de tudo, como um instrumento de trabalho para ações concretas que visem a promoção global do homem do campo.

A ARR, definida como o senso comum sistematizado, livre da lentidão acadêmica e das observações precipitadas do "turista rural", tem muito a contribuir para o processo de identificação, preparação e elaboração do projeto. A ARR é essencialmente uma técnica de pesquisa aplicada e como tal tem pouca relevância para conceitualização e construção de teorias. Contudo, inspirando-se na antropologia social e servindo-se das suas diversas técnicas, a ARR pode explorar os vazios existentes na área do conhecimento.

Se o campo de aplicação da ARR é amplo, as questões de sua abrangência que se colocam sobre certos aspectos não deixam de merecer atenção dos pesquisadores. Essas questões estão relacionadas com perguntas sobre o tipo do conhecimento prévio necessário; a importância do envolvimento da população local na elaboração e execução da ARR; a necessidade de interação entre os membros da equipe.

Enfim, ARR é um conceito emergente na pesquisa, que, por causa da sua eficiência em termos de custos, deve ser consolidada teórica e operacionalmente.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHAMBERS, R. Shortcut methods in social information gathering for rural development projects. In: Proceedings of the 1985 International Conference on Rapid Rural Appraisal Konkaen University. Tailândia, 1987. p. 33-46.         [ Links ]

CONWAY, G. R. Notes on Rapid Rural Appraisal. ICRA, Wageningen: International Agricultural Center, 1987. p. 303-321.         [ Links ]

HILDEBRAND, P. Combining disciplines in rapid appraisal: the sondeo approach. Agricultural Administration, Inglaterra, v. 8, 1981. p. 423-432.         [ Links ]

 

 

1Sociólogo, Ph.D., Professor Titular, Departamento de Educação Agrícola e Extensão Rural, Universidade Federal de Santa Maria, e Pesquisador do CNPq. Caixa Portal: 5042. 97111-970 Santa Maria, RS.

Recebido para publicação em 20.06.92. Aprovado para publicação em 14.10.92

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