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Paidéia (Ribeirão Preto)

Print version ISSN 0103-863XOn-line version ISSN 1982-4327

Paidéia (Ribeirão Preto) vol.16 no.35 Ribeirão Preto Sept./Dec. 2006

https://doi.org/10.1590/S0103-863X2006000300010 

PESQUISAS EMPÍRICAS

 

Comunicação e participação pais-filhos: correlação com habilidades sociais e problemas de comportamento dos filhos

 

Communication and parent-children participation: a correlation with social skills and behavior problems of the children

 

 

Fabiana Cia1; Renata Christian de Oliveira Pamplin; Zilda Aparecida Pereira Del Prette

Universidade Federal de São Carlos

 

 


RESUMO

Este estudo teve por objetivos comparar indicadores de envolvimento de pais com filhos e esse envolvimento com o repertório de habilidades sociais e de problemas de comportamento das crianças. Participaram 110 crianças, da 4ª série do Ensino Fundamental, utilizando-se o Questionário Qualidade da Interação Familiar na Visão dos Filhos (QIFVF), para avaliar a percepção dos filhos sobre a comunicação dos pais e participação destes em suas vidas, o Sistema Multimídia de Habilidades Sociais para Crianças (SMHSC-Del-Prette), para avaliar habilidades sociais e indicadores de problemas de comportamento. Foram efetuadas análises estatísticas. As mães apresentaram, conforme a avaliação dos filhos, melhores indicadores de comunicação e participação que os pais; estes indicadores estiveram correlacionados positivamente com os escores de habilidades sociais e negativamente com os de comportamentos externalizantes das crianças. Tais resultados sugerem a importância do envolvimento positivo dos pais sobre o desenvolvimento socioemocional dos filhos e a necessidade de programas nessa área.

Palavras-chave: Habilidades Sociais, Envolvimento Parental Positivo, Desenvolvimento Socioemocional.


ABSTRACT

The objectives of this study were to compare indicators of the involvement between parents with their children and to compare parental involvement with the children's repertoire of social skills as well as to behavior problems. 110 children from the 4th grade of Elementary School participated, using the Quality of Family Interaction from the children's viewpoint questionnaire (QIFVF), to assess the children's perception of parental communication and involvement in their lives; the Multimedia System for Children's Social Skills (SMHSC-Del-Prette), to assess social skills and indicators of behavior problems. Statistical analyses were performed. According to the children, mothers showed greater indicators of communication and participation when compared with fathers; these indicators were positively correlated with the children's scores of social skills, and negatively correlated with children's externalizing behaviors. Results suggest that positive parental involvement plays an important role in children's socioemotional development and that programs for parents should be developed.

Keywords: Social Skills, Positive Parental Involvement, Socioemotional Development.


 

 

A importância da qualidade da relação pais-filhos no desenvolvimento social das crianças tem sido atestada por estudos nos últimos anos (Gomide, 2003). A exposição da criança a práticas parentais inadequadas (conflitos, violência, coerção) ou a baixo envolvimento com o pai ou com a mãe constitui fatores de risco para o desenvolvimento infantil, aumentando a vulnerabilidade a eventos ameaçadores (como práticas delinqüentes, envolvimento com drogas) externos ao ambiente familiar (Ferreira & Marturano, 2002; Gomide, 2003; McDowell & Parke, 2002; Marturano, 2004). Por outro lado, os pais que estabelecem um ambiente familiar acolhedor e que organizam contextos favoráveis para o desenvolvimento da criança estabelecem fatores de proteção diante de eventos ameaçadores a que usualmente as crianças estão expostas (Del Prette & Del Prette, 1999, 2005a; Dessen & Costa, 2005; Yunes, 2003).

Esse ambiente acolhedor prevê um padrão adequado de comunicação (pais que ajudam os filhos a identificarem emoções, que os aconselham, com expressividade emocional positiva e que estão dispostos à conversa com ele) entre pais e filhos, o que por sua vez, auxilia na melhor interação social destes com os pares e na menor probabilidade de apresentarem problemas de comportamento (Bohanek, Marin, Fivush & Duke, 2006). Del Prette e Del Prette (2006) ainda ressaltam a importância do comportamento verbal, ao afirmarem que o papel dos pais, na aprendizagem interpessoal da criança, depende, da forma como eles planejam e conduzem a educação dos filhos. As práticas parentais, consideradas positivas, incluem a monitoria positiva e o comportamento moral, ou seja, um relacionamento entre pais e filhos sustentados por regras claras, com informações sobre as contingências em vigor para os comportamentos sociais. Tais práticas aumentam a probabilidade de a criança desenvolver relações sociais saudáveis no âmbito familiar e com os pares.

Atzaba-Poria, Pike e Deater-Deckard (2004), em estudo com 125 famílias de diferentes níveis socioeconômicos verificaram que as crianças com menor QI (avaliado por meio do instrumento "Kaufman Brief Intellingent"), que tinham pais com envolvimento parental negativo (menos calorosos e menos recíprocos na relação com o filho, mais rígidos) apresentaram maior índice de problemas de comportamento internalizantes (retraimento, queixas somáticas, depressão e ansiedade) e externalizantes (delinqüência, agressão). Além disso, a satisfação conjugal e o suporte social, percebidos por ambos os pais, foram aspectos considerados importantes para a melhor qualidade do relacionamento entre estes e seus filhos.

Um estudo longitudinal, realizado por Hill e cols. (2004), com 463 pais de pré-adolescentes (em torno de 12 anos de idade) mostrou que o envolvimento dos pais de alto nível de escolaridade, nas atividades acadêmicas dos filhos (contato com os professores, participação nas reuniões escolares, auxílio nas tarefas, acompanhamento do progresso escolar do filho), possuía correlação negativa com os problemas de comportamento (social, agressividade e déficit de atenção) e positiva com aspirações e desempenho acadêmico deles. Já os com menor nível de escolaridade, o envolvimento parental nas atividades acadêmicas dos filhos foi positivamente correlacionado com aspirações para o futuro, mas não com comportamento ou desempenho acadêmico.

Em um estudo realizado com famílias brasileiras, D'Avila-Bacarji, Marturano e Elias (2005) compararam, quanto ao suporte parental (escolar, desenvolvimental e emocional), 30 famílias de crianças com queixas escolares e outras 30 sem. Os resultados mostraram que os pais de crianças com queixa escolar ofereciam menos suporte desenvolvimental (menor diversidade de atividades durante o tempo livre, de freqüência de passeios, de número de atividades programadas regulares com a criança, de diversidade de brinquedos e de livros) e emocional (menor freqüência de atividades realizadas entre pais e filhos e  da criança recorrer aos pais para ajudá-la; maior freqüência de problemas de relacionamento entre pais e filhos - agressão, conflito, rejeição, indiferença, hostilidade; e nas práticas educativas - coercitivas, permissivas e inconsistentes). Além disso, estas crianças com queixa escolar, quando comparadas com as sem queixa, apresentaram menor escore de QI (avaliado por meio das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven) e maior índice de problemas de comportamento internalizantes e externalizantes.

Crianças com características interpessoais positivas (auto-estima, autoconceito acadêmico e não acadêmico, competência social e habilidades específicas de empatia e resolução de problemas) têm maior probabilidade de uma trajetória desenvolvimental satisfatória enquanto que a ausência destas características é tida como fator de risco, podendo levá-la a apresentar dificuldades de aprendizagem (Del Prette & Del Prette, 2003; 2005a; Dunn, Cheng, O'Connor & Bridges, 2004; Ferreira & Marturano 2002), problemas comportamentais ou emocionais (Bolsoni-Silva & Del Prette, 2002; Marturano, 2004; Stevanato, Loureiro, Linhares & Marturano, 2003), entre outros desajustes psicossociais (Bongers, Koot, Ende & Verhulst, 2004; Coley, Morris & Hernandez, 2004; Frosch & Mangelsdorf, 2001; Oliveira & cols., 2002).

Esses estudos têm evidenciado a relevância da participação de ambos os pais na criação de seus filhos e, conseqüentemente no desenvolvimento infantil (Cecconello, DeAntoni & Koller, 2003; Dessen & Costa, 2005; Flouri & Buchanan, 2003). Nos últimos anos, as relações entre pais e filhos estão se modificando constantemente em decorrência das transformações pelas quais a família tem passado. Até há pouco tempo, a responsabilidade pelos cuidados era da mulher. Com sua inserção no mercado de trabalho, os padrões de criação da prole se modificaram. O homem não está apenas sendo o provedor, mas participa da educação e cuidados dos filhos (Bertolini, 2002; Dantas, Jablonski & Féres-Carneiro, 2004; Dessen & Costa, 2005), o que parece estar sendo benéfico tanto para a mulher, quanto para os filhos, que podem obter maior apoio com menos risco de serem negligenciados. Portanto, as investigações sobre práticas parentais deveriam focalizar não somente a atenção da mãe, mas também a do pai e a divisão dos papéis parentais em sua influência no desenvolvimento dos filhos (Oliveira & cols., 2002; Pacheco, Teixeira & Gomes, 1999; Weber, Prado, Viezzer & Brandenburg, 2004).

A qualidade das relações pais-filhos e o desenvolvimento socioemocional das crianças dependem de muitos fatores interrelacionados. Nos últimos anos, tem sido cada vez mais reconhecido o papel de um repertório elaborado de habilidades sociais dos pais como base para uma atuação educacional efetiva junto aos filhos (Pinheiro, Haase, Amarante, Del Prette & Del Prette, no prelo) e como correlato da capacidade de ajustamento e resiliência na infância (Del Prette & Del Prette, 2005a).

A análise do repertório social de pais e filhos remete a um campo teórico-prático denominado Treinamento de Habilidades Sociais que engloba vários conceitos, dentre os quais se destacam os de habilidades sociais e competência social. Segundo Del Prette e Del Prette (2005a), as habilidades sociais são diferentes classes de comportamentos sociais do repertório de um indivíduo, que contribuem para a competência social. Esses autores definem a competência social como a capacidade de o indivíduo organizar pensamentos, sentimentos e ações em função de objetivos pessoais e de demandas da situação e da cultura, gerando conseqüências positivas para ele e sua relação com as demais pessoas, propondo (Del Prette & Del Prette, 2005b), os seguintes critérios na avaliação da competência: manutenção e/ou melhora da auto-estima e da qualidade da relação; consecução dos objetivos da interação; equilíbrio de ganhos e perdas entre os parceiros da interação; respeito e ampliação dos direitos humanos. No caso de crianças e adolescentes, os referidos autores destacam outros comportamentos tidos como correlatos da competência social, como o status social da criança entre seus colegas, o julgamento positivo por outros significantes e comportamentos adaptativos (rendimento acadêmico, estratégias de enfrentamento diante de situações de estresse ou frustração, autocuidado, independência para realizar tarefas e cooperação).

A aprendizagem das habilidades sociais se inicia na infância, primeiramente com a família e depois em outros contextos (escolar, comunitário); o familiar constitui a base da estimulação inicial dos padrões de relacionamento e competência social (Bolsoni-Silva & Marturano, 2002; Del Prette & Del Prette, 1999; Gomide, 2003; Hübner, 2002; Ingberman & Löhr, 2003; McDowell & Parke, 2002). Em uma abordagem mais direta aos desempenhos dos pais na relação educativa com os filhos, Del Prette e Del Prette (2001, p.95) propõem a análise dessas práticas a partir do conceito de habilidades sociais educativas (HSE), definidas como "aquelas intencionalmente voltadas para a promoção do desenvolvimento e da aprendizagem do outro". Em estudo mais recente, Del Prette e Del Prette (no prelo) reorganizaram, ampliaram e detalharam esse conjunto de habilidades sociais educativas em sete mais gerais: (a) transmitir ou expor conteúdos; (b) mediar interações; (c) apresentar atividades; (d) discriminar situações potencialmente educativas; (e) estabelecer limites e disciplina; (f) gerar reciprocidade positiva; (g) promover a avaliação e a auto-avaliação. Pode-se considerar que o uso efetivo dessas HSE, indicador de competência social dos pais, constitui um fator da qualidade das relações, particularmente em termos de comunicação efetiva e participação construtiva na vida e no desenvolvimento dos filhos.

Considerando a importância da competência social na infância como um fator de proteção e de maximização do desenvolvimento infantil e de sua possível articulação com o envolvimento parental positivo em termos de comunicação e da participação dos pais na vida dos filhos, este estudo teve por objetivos: (a) comparar indicadores de envolvimento de mãe e pai com os filhos e (b) esse envolvimento dos pais e o repertório de habilidades sociais e de problemas de comportamento internalizantes e externalizantes das crianças.

 

Método

Participantes

Participaram deste estudo 110 crianças da 4ª série do Ensino Fundamental, com média de idade de 10 anos, variando entre nove e 12 anos. A maioria delas vivia com os pais biológicos (92,7%), sendo a metade do sexo feminino e metade do masculino. Em relação ao nível socioeconômico, 0,9% era de classe socioeconômica A1; 7,3% da A2; 24,5% da B1; 33,6% da B2; 30,0% da C e 3,6% da D (Critério Brasil, 2006).

Local da coleta de dados

A coleta de dados ocorreu em sala isenta de ruídos de uma escola gratuita (mantida por indústrias) localizada em uma cidade de médio porte do interior do estado de São Paulo.

Instrumentos

Questionário da Qualidade da Interação Familiar na Visão dos Filhos (Cia, D'Affonseca & Barham, 2004). Composto por duas escalas tipo Likert que contemplam uma diversidade de indicadores de envolvimento positivo dos pais com os filhos. Desse instrumento, foram utilizados, neste estudo, duas escalas, cujos itens foram considerados mais pertinentes à categoria envolvimento parental positivo e que contempla, também parte das habilidades sociais educativas referidas por Del Prette e Del Prette (no prelo):

Escala de comunicação (verbal e não verbal) entre pais e filhos, contendo 22 itens, com a pontuação variando entre 0 = nunca a 365 = uma vez por dia (á = 0,88, á = 0,86, para a comunicação pai-filho e mãe-filho, respectivamente);

Escala de participação dos pais nas atividades escolares, culturais e de lazer dos filhos, contendo 19 itens, com pontuação variando de 0 'nunca' a 365 'uma vez por dia' (á = 0,91, á = 0,87, para a participação do pai e da mãe, respectivamente).

Inventário Multimídia de Habilidades Sociais para Crianças - Avaliação pela Criança -IMHSC-Del Prette-Auto-avaliação (Del Prette & Del Prette, 2005b). Para avaliar o repertório de habilidades sociais da criança e indicadores de seus problemas internalizantes e externalizantes - versão impressa - , com 21 itens que retratam vários contextos do cotidiano escolar de crianças das séries iniciais do Ensino Fundamental (1ªà 4ªséries), em suas interações com outras crianças e com adultos. Em cada item, apresenta-se uma situação ilustrativa, seguida de três alternativas de reação: a habilidosa esperada para criança dessa faixa etária e dois tipos de não habilidosas (passiva ou internalizante e ativa ou externalizante). A criança responde a uma escala tipo Likert sobre a freqüência (nunca, algumas vezes e sempre), adequação (errado, mais ou menos e certo) para emitir cada uma das reações e sobre sua dificuldade (difícil, mais ou menos e fácil) de emitir a reação habilidosa. Os itens deste instrumento se agrupam em quatro fatores: Empatia e civilidade, Assertividade de enfrentamento, Autocontrole e Participação. Trata-se de um instrumento aprovado pelo Conselho Federal de Psicologia, com estudos psicométricos que atestam sua validade e confiabilidade.

Procedimento

Antes de iniciar a coleta de dados junto às crianças, foi encaminhado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para os pais permitirem a participação do seu filho na pesquisa. As crianças, cujos pais autorizaram sua participação, preencheram o questionário "Qualidade da Interação Familiar na Visão dos Filhos". A aplicação foi coletiva (em torno de 35 alunos) e teve duração média de 40 minutos. Em seguida, foi aplicado o IMHSC-Del-Prette, em grupos de cinco alunos, com 45 minutos de tempo médio para cada grupo.

Os dados quantitativos, obtidos por meio do questionário "Qualidade da Interação Familiar na Visão dos Filhos", foram analisados em termos descritivos, com medidas de tendência central e dispersão. Para verificar a fidedignidade das medidas, no contexto deste estudo, foi realizada uma análise de consistência interna (Alpha de Cronbach) da escala como um todo (Cozby, 2002). As pontuações dos dados obtidos no IMHSC-Del-Prette foram realizadas com base nos procedimentos apresentados no seu manual. A relação, entre os indicadores do repertório social dos filhos (habilidades sociais, comportamento internalizantes e externalizantes) e do envolvimento parental positivo (comunicação e participação), foi verificada por meio do teste de correlação de Pearson (p<0.05). Para comparar os dados de mães e pais foi utilizado o teste-t de Student (p<0,05).

 

Resultados

Características da comunicação e participação de pais e mães, enquanto indicadores de envolvimento positivo com os filhos

Os dados da Tabela 1 apresentam os valores médios no conjunto de itens da escala de comunicação de mães e pais com os filhos, segundo a avaliação dos filhos.

Segundo a opinião das crianças, dos 22 itens que compõem a Escala de comunicação entre pai e filho, em 11 mães apresentaram uma freqüência significativamente maior, quando comparadas aos pais. A Tabela 2 traz os valores médios do conjunto de itens relacionados à participação de ambos os pais nas atividades escolares, culturais e de lazer dos filhos.

Considerando o escore total da escala de Participação dos pais nas atividades escolares, culturais e de lazer dos filhos, segundo a opinião das crianças, as mães participavam com uma freqüência significativamente maior dessas atividades, quando comparadas aos pais. Vale ressaltar que 20 itens, dos 41 que avaliaram a comunicação entre pai-filho e a participação do pai nas atividades escolares, culturais e de lazer do filho, não apresentaram diferenças estatisticamente significativas.

Escores de habilidades sociais e de reações não habilidosas dos filhos

A Tabela 3 mostra os valores médios do repertório de habilidades sociais e das reações não habilidosas passivas e ativas tomadas como indicadores de problemas de comportamento internalizantes e externalizantes das crianças.

Considerando os escores médios, apenas a dificuldade de desempenhar a reação habilidosa, apontada pelas crianças, ficou abaixo da média, quando comparada à amostra de referência (Del Prette & Del Prette, 2005b), pois os outros valores de freqüência e adequação estavam na média.

Em relação ao Fator 1 (Empatia e civilidade), quase todos os valores estavam na média, com exceção da adequação da reação não habilidosa passiva (internalizante), que estava abaixo da média. No Fator 2 (Assertividade e enfrentamento), todos os valores estavam na média. No Fator 3 (Autocontrole), a freqüência da reação habilidosa estava acima da média. A adequação atribuída à reação não habilidosa passiva (internalizante) e a dificuldade em emitir a reação habilidosa estavam abaixo da média, enquanto que os outros valores estavam na média, quando comparados à amostra de referência (Del Prette & Del Prette, 2005b). Por fim, no Fator 4 (Participação), apenas a adequação da reação não habilidosa passiva (internalizante) foi apontada pelas crianças como abaixo da média, pois os demais valores estavam na média.

Envolvimento positivo dos pais com filhos e repertório social das crianças

A Tabela 4 mostra os resultados referentes ao envolvimento positivo os pais com os filhos (comunicação e participação) em sua relação com os valores médios dos escores totais do repertório de habilidades sociais e das reações não habilidosas passivas e ativas das crianças.

 

 

As duas escalas que avaliaram os indicadores de envolvimento dos pais com os filhos foram positiva e significativamente correlacionadas com a freqüência e a adequação da reação habilidosa apontada pelas crianças. Adicionalmente, os escores de Comunicação mostraram-se negativamente correlacionados com a adequação da reação não habilidosa ativa (externalizante) das crianças e positivamente correlacionados com a freqüência e a adequação de sua reação habilidosa. Já os escores na escala de Participação foram positivamente correlacionados com a freqüência da reação não habilidosa ativa (externalizante) e negativamente com a da não habilidosa ativa (externalizante).

A Tabela 5 apresenta a relação dos escores fatoriais que compõem o IMHSC-Del-Prette, com os indicadores de envolvimento positivo dos pais com os filhos.

Os quatro fatores que compõem o IMHSC-Del-Prette apresentaram correlações significativas com pelo menos uma das escalas que avaliaram a qualidade da relação pais-filhos. Os resultados da escala de Comunicação apresentaram maior número de correlações com os fatores que compõem o IMHSC-Del-Prette do que a escala de Participação.

 

Discussão

Segundo relatos das crianças, ambos os pais apresentaram alta freqüência de comunicação e de participação nas suas atividades escolares, culturais e de lazer. Considerando que a família é o principal ambiente social da criança, ao investirem nesses dois componentes da relação com os filhos, mães e pais estão modelando as características comportamentais da criança (Del Prette & Del Prette, 1999; Ingberman & Löhr, 2003), que vão contribuir para um desenvolvimento socioemocional (Alvarenga & Piccinini, 2001; Bolsoni-Silva & Del Prette, 2002; Marturano, 2004) e cognitivo saudável (Cia & cols., 2004; Del Prette & Del Prette, 2005a; Dunn & cols., 2004; Ferreira & Marturano 2002; Hill & Taylor, 2004; Wellman, Phillips, Dunphy-Lelii & Lalonde, 2004). Tal aspecto fica evidente pela correlação positiva das escalas de comunicação e participação com as medidas de competência social dos filhos, utilizadas neste estudo.

A responsabilidade das mães por aspectos fundamentais do desenvolvimento do filho, como os cuidados diários de higiene, alimentação e educação escolar, ainda continua sendo maior do que a dos pais, de acordo com outros estudos que apontam para esta maior responsabilidade materna. No entanto, os homens, ao apresentarem alta freqüência de comunicação e participação em relação a seus filhos, demonstram estar deixando o papel de meros provedores financeiros em prol de uma participação mais efetiva na educação e nos cuidados dos filhos (D'Affonseca, 2005; Guille, 2004; Lamb, 1997; Wagner, Predebon, Mosmann & Verza, 2005). Isso fica evidente, ao considerar, que aproximadamente metade das habilidades de interação entre pais-filhos, avaliadas neste estudo, não mostrou diferenças estatisticamente significativas entre pais e mães. Essas atividades, no geral, se relacionavam à disciplina, suporte afetivo e educacional, corroborando os achados de Wagner e cols. (2005).

Em relação à amostra de referência, as crianças deste estudo relataram adequado repertório de habilidades sociais e indicadores de problemas de comportamento internalizantes (reações não habilidosas passivas) e externalizantes (reações não habilidosas ativas) medianos que são favoráveis ao desenvolvimento posterior saudável (Bongers & cols., 2004; Coley & cols., 2004; Frosch & Mangelsdorf, 2001; Oliveira & cols., 2002).

Confirmando outros estudos, a freqüência de comunicação de ambos os pais com seus filhos e de participação das mães nas atividades escolares, culturais e de lazer deles foram positivamente correlacionadas com o repertório de habilidades sociais das crianças, tanto na freqüência, quanto na adequação atribuída a reações habilidosas (Atzaba-Poria & cols., 2004; Aunola & Nurmi, 2005; Bolsoni-Silva, Del Prette & Del Prette, 2000; D'Avila-Bacarji & cols., 2005; Eisenberg & cols., 2005; Gomide, 2003; Hill & cols., 2004; McCartney, Owen, Booth, Clarke-Stewart & Vandell, 2004; Pinheiro & cols., no prelo).

Considerando a correlação positiva dos indicadores de freqüência e adequação dos quatro conjuntos de reações habilidosas do IMHSC-Del-Prette com pelo menos uma das duas escalas de envolvimento positivo dos pais com os filhos, pode-se afirmar que eles estão utilizando uma variedade de comportamentos que podem ser tomados como habilidades sociais educativas, no sentido proposto por Del Prette e Del Prette (no prelo) e que seriam cruciais para o desenvolvimento socioemocional dos filhos. Por exemplo, ao expressarem sentimentos positivos para com estes, uma habilidade importante para a satisfação e manutenção de uma relação (Del Prette & Del Prette, 2005a), os pais podem estar favorecendo o desenvolvimento da Empatia e da civilidade (F1) nos mesmos. Além disso, ao se comportarem assertivamente com os filhos, eles estão monitorando o próprio comportamento passivo ou agressivo que poderia levá-los a práticas educativas ineficientes, como a negligência e a coerção, dessa forma contribuindo para o desenvolvimento da Assertividade (F) e do Autocontrole (F3) pelas crianças.

O Fator 4 do IMHSC-Del-Prette, Participação, refere-se a habilidades da criança em se envolver e comprometer com o contexto social, mesmo quando as demandas do ambiente não lhes são especificamente dirigidas (mediar conflitos, juntar-se a um grupo em brincadeiras). Como tais habilidades ocorrem em contextos extra-família, a correlação entre os indicadores (freqüência e adequação) das habilidades de Participação (F4) dos filhos e os resultados de pais e mães na escala de Comunicação sugerem que a contribuição de ambos é fundamental, enquanto possíveis modelos daqueles desempenhos.

Não obstante os indicadores de comunicação entre pai e filho estarem positivamente correlacionados com a freqüência e a adequação da reação habilidosa das crianças, os resultados referentes à participação do pai nas atividades escolares, culturais e de lazer dos filhos foram também positivamente correlacionados com as reações não habilidosas ativas (externalizantes) apresentadas pelas crianças (na subescalas Assertividade de enfrentamento, Autocontrole e Participação). Pode-se supor que, ao interagirem com os filhos os pais  participativos apresentem condutas mais rígidas, culturalmente presentes no sexo masculino e, assim, inadvertidamente modelando comportamentos agressivos da criança ao brincar, jogar e em outras atividades recreativas. Soma-se o fato de que há maior aceitação da agressividade por parte dos homens do que das mulheres e que tais comportamentos são transmitidos por gerações (Del Prette & Del Prette, 2005a; Giles & Heyman, 2005; Marturano, 2004).

Por fim, nenhuma das duas escalas de envolvimento parental positivo apresentou correlação com o de reações não habilidosas passivas (indicadoras de problemas  internalizantes) das crianças. A falta dessa relação direta poderia ser explicada por estudos que relacionam os problemas de comportamento internalizantes a variáveis exossistêmicas - como conflitos entre pais e filhos ou a influência do ambiente de trabalho no relacionamento entre eles (Atzaba-Poria & cols., 2004; Jenkins, Simpson, Dunn, Rasbash & O'Connor, 2005; Schudlich, Shamir & Cummings, 2004). Além disso, normalmente os pais se preocupam mais com os problemas de comportamento externalizantes, por se tratar de mais visíveis, levando as crianças a serem punidas pelos professores, pares e outros interlocutores, do que as que apresentam problemas de comportamento internalizantes (Atzaba-Poria & cols., 2004; Bolsoni-Silva & Marturano, 2002; D'Avila-Bacarji & cols., 2005; Del Prette & Del Prette, 2005a; Hill & cols., 2004).

 

Considerações Finais

Este estudo confirma aspectos da literatura referentes à importância da comunicação pais-filhos e da participação deles na vida da criança enquanto fatores que contribuem para um desenvolvimento socioemocional saudável na infância, bem como algumas diferenças quanto às características desse envolvimento com os filhos e quanto ao seu efeito sobre o repertório social deles. A freqüência de comunicação pais-filhos e da participação dos pais nas atividades escolares, culturais e de lazer das crianças, foram aqui tomadas como indicadores de algumas das habilidades sociais educativas consideradas relevantes para a qualidade dessa relação e como um dos possíveis fatores da competência social dos filhos. De modo geral, verificou-se que, quanto mais expressivos os indicadores de comunicação e participação dos cônjuges em relação aos filhos, melhor o repertório de habilidades sociais das crianças. No caso específico das mães, esses dois indicadores pareceram contribuir também para o controle de comportamentos externalizantes por parte dos filhos.

Esses dados sugerem a relevância de investimento nas habilidades parentais que viabilizam esse envolvimento positivo, referidas por Del Prette e Del Prette (no prelo) como sociais educativas. Pode-se inferir, então, que mães e pais com repertório empobrecido de habilidades sociais (em especial das caracterizadas como educativas), poderiam se beneficiar de programas de Treinamento de Habilidades Sociais, e que esses ganhos reverteriam em desenvolvimento mais saudável das crianças. Em muitos países, já há bastante tempo, esses programas vêm sendo disponibilizados. No Brasil, ainda se está dando os primeiros passos nessa direção (Bolsoni-Silva & cols., 2000; Freitas, 2005; Pinheiro & cols., no prelo).

Ainda que este estudo tenha sido conduzido com uma amostra restrita de crianças (só de uma escola), os resultados confirmam alguns dados da literatura e sugerem pesquisas com amostras ampliadas, considerando diferentes estratos sociais. Deve-se ressaltar que a natureza dos dados deste estudo foi correlacional, e que, portanto, conclusões sobre a direção causal não podem ser estabelecidas. Estudos longitudinais seriam indicados para monitorar a influência do repertório de habilidades sociais educativas de ambos os pais sobre a competência social dos filhos ao longo do desenvolvimento infantil.

Um outro aspecto importante a ressaltar é que os resultados deste estudo são dados de relatos das crianças e, como tais, sujeitos de diversos tipos de vieses (Del Prette & Del Prette, 2006). Estudos futuros poderiam complementar e ampliar a validade desses achados, incluindo dados de observação direta, tanto do repertório dos pais como do dos filhos. Especificamente, no caso de habilidades sociais educativas cabe lembrar que os dados coletados contemplam somente parte das classes definidas por Del Prette e Del Prette (no prelo), o que também poderia ser ampliado por investigações mais pontuais sobre cada uma daquelas classes ou mesmo a necessidade de estar realizando estudos para validar e construir uma escala específica de habilidades sociais educativas.

 

Referências

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Recebido em 23/10/2006.
Aceito para publicação em 10/02/2007.
Apoio Financeiro: FAPESP.

 

 

Este trabalho foi originalmente desenvolvido, pelas duas primeiras autoras, sob orientação da terceira, como requisito da disciplina Estudos Avançados 1, UFSCar, ministrada pelos professores Dra. Deisy G. de Souza e Dr. Celso Goyos, a quem as autoras agradecem as leituras e sugestões.
1 Endereço para correspondência: Fabiana Cia, Centro de Educação e Ciências Humanas, Departamento de Psicologia, Laboratório de Interação Social/LIS, Rodovia Washington Luís, Km 235, Caixa postal: 676, CEP: 13565-905, São Carlos - SP, BRASIL. E-mail: fabianacia@hotmail.com

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