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Scientia Agricola

On-line version ISSN 1678-992X

Sci. agric. vol.56 n.2 Piracicaba  1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161999000200012 

QUALIDADE DE CRISÂNTEMOS (Dendranthema grandiflora TZVELEV) PRODUZIDOS EM DIFERENTES REGIÕES DO ESTADO DE SÃO PAULO: GRUPO POLARIS1

 

Rosiris Bergemann de Aguiar Silveira2,4*; Keigo Minami3
2Instituto de Botânica - C.P. 4005 - CEP:01061-970 - São Paulo, SP.
3Depto. de Produção Vegetal - ESALQ/USP, C.P. 09 - CEP:13418-900 - Piracicaba, SP.
4Bolsista do CNPq.
*e-mail: rsilveira@smtp-gw.ibot.sp.gov.br
 

 

 

RESUMO: Escolheu-se o crisântemo, por ser a principal flor de corte comercializada no Estado de São Paulo, para iniciar um processo de melhoria de qualidade com conseqüente padronização para a floricultura brasileira, tanto para a produção de consumo interno quanto para aquela destinada à exportação. Através da avaliação da qualidade de inflorescências de crisântemos do grupo Polaris produzidos em diferentes regiões, e comparação com os padrões existentes, pretendeu-se chegar a um padrão nacional para crisântemos de corte. Os parâmetros analisados foram: comprimento de haste; peso da matéria fresca da haste floral; número de inflorescências abertas e por abrir; localização e número de ramificações; rigidez de haste; defeitos de formação; presença de resíduos químicos e incidência de pragas e moléstias. Os dados obtidos permitiram concluir que comprimento, peso da matéria fresca e rigidez de haste foram os parâmetros que mais se aproximaram dos padrões existentes; número de inflorescências, localização e número de ramificações e presença de hastes tortas indicaram a necessidade de maiores cuidados nas operações de desbotoamento e elevação da rede de sustentação; presença de resíduos químicos e de pragas e moléstias mostraram os piores resultados, requerendo estudos visando a adequada aplicação de defensivos agrícolas para o efetivo controle das pragas e moléstias, não deixando resíduos químicos . Com esses resultados, verificou-se não ser possível elaborar, de imediato, um padrão nacional para crisântemos de corte.
Palavras-chave: crisântemos, avaliação da qualidade, Dendranthema grandiflora

 

QUALITY OF CHRYSANTHEMUM (Dendranthema grandiflora TZVELEV) CULTIVATED IN DIFFERENT REGIONS OF THE SÃO PAULO STATE: POLARIS GROUP

ABSTRACT: Chrysanthemum is the major cut flower commercialized in the São Paulo State, Brazil. This study aimed for the standardization of chrysantemum flowers in order to set new parameters of quality for trading, in both domestic and international markets. Chrysanthemum inflorescences from three regions were evaluated for four seasons, and compared to current standards. The evaluated quality criteria were: stem length, fresh weight, number of inflorescences (open and buds), site of insertion and number of branches, stem stiffness, presence of development defects, chemical residues, occurrance of pests and diseases. The conclusions were: a) stem length, fresh weight and stem stiffness were closer to current standards; b) the number of flowers and buds, the site and number of branchs and the presence of bent stems indicated that it may be necessary to take care of debudding and lifting the suport net; c) the presence of chemical residues, pests and diseases were the parameters that showed the worst results, indicating that research is still required for the adequate application of agricultural defensives; d) No effect of season was observed on quality.
Key words: chrysanthemum; quality evaluation; Dendranthema grandiflora

 

 

INTRODUÇÃO

O setor da floricultura no Brasil, embora crescendo rapidamente no Estado de São Paulo, ainda é instável. No entanto está se tornando uma das melhores alternativas para quem busca investimento na agricultura. Isto porque demanda pouca área e o ciclo de produção, dependendo da cultura, é curto (três meses), o que permite giro rápido do capital. A maioria das culturas estabelecidas está sendo produzida em condições de estufa, porém existe uma gama enorme de espécies a serem exploradas. O potencial de crescimento e exploração do mercado interno é muito grande (Matsunaga, 1995), sendo que especialistas do setor estimam para os próximos anos um crescimento anual de 20%, com incrementos para a produção, distribuição e comercialização. O crisântemo, entre as plantas cultivadas, ocupa papel de destaque, sendo produzido e comercializado por 131 municípios do Estado de São Paulo (Arruda et al.,1996; Arruda et al.,1997; Olivetti et al.,1994; Van Rooyen & Opitz, 1997).

Entretanto, a inexistência de uma padronização em nível nacional para todos os tipos de flores e plantas ornamentais tem dificultado bastante as transações comerciais, especialmente agora com a abertura de comercialização com outros países da América do Sul (MERCOSUL). Ao contrário de vários outros setores da economia, o comércio de flores no Brasil é feito de maneira bastante atrasada: hastes com inflorescências em diferentes estádios de abertura, tamanhos, aspecto sanitário ou mesmo danificadas são misturadas para venda. A adoção de um modelo oficial de pesos e medidas pode tornar o produto nacional competitivo, criando uma linguagem comum de comercialização entre produtores, centros comerciais, intermediários e floristas, estimulando cada vez mais a busca pela qualidade.

As primeiras tentativas de uma padronização para o segmento das flores e plantas ornamentais partiram do Governo do Estado de São Paulo, com o Decreto Estadual n° 3.382, de 22 de fevereiro de 1974 (São Paulo, 1974), e da CEAGESP com o Comunicado n° 024/90 (CEAGESP, 1990). Depois disso, só em 1992 a direção da Cooperativa Agropecuária Holambra apresentou, como resultado de reuniões entre o Veiling Holambra e os produtores de crisântemos de corte, proposta de padronização dos pacotes (Associação Central dos Produtores de Flores e Plantas Ornamentais do Estado de São Paulo-ACPF, 1992). Mas, com a falta de fiscalização na comercialização, este padrão só foi seguido no Veiling - Holambra. Sob a coordenação do IBRAFLOR, em março de 1995, foi formada uma Comissão para discutir a qualidade e padronização de crisântemos, visando uma proposta que atendesse às necessidades do MERCOSUL e da padronização internacional (IBRAFLOR, 1995a), resultando numa proposta de padronização que deveria entrar em vigor para todos os Centros de Comercialização à partir de 02 de janeiro de 1996 (IBRAFLOR, 1995b), mas, mais uma vez o padrão foi seguido somente no Veiling Holambra.

O conceito de qualidade para o mercado, segundo Noordegraaf (1994), está relacionado aos aspectos externos, que deve representar a verdade, porque os aspectos internos não podem ser mensurados durante o período de comercialização. Considera como aspectos externos da qualidade a estrutura (forma, comprimento); o número de flores e botões; a ausência de resíduos químicos, de pragas e doenças e de defeitos aparentes; e como internos, a longevidade em condições de interior; a resistência contra condições de estresse durante transporte e comercialização; a suscetibilidade ao resfriamento e etileno; ausência de defeitos escondidos e estabilidade da cor em condições de interior. Alguns desses aspectos podem ser mensurados por métodos objetivos, como número de flores abertas, comprimento de haste, tamanho da flor; outros devem ser estabelecidos subjetivamente, pela visualização, como forma (tipo), intensidade de cor e defeitos. Como o padrão está intimamente ligado à qualidade, pois um dos objetivos da padronização é estabelecer normas para comercialização, classsificação (qualidade, comprimento, sanidade) e embalamento (apresentação, embalagem e número de hastes por unidade de embalagem), os aspectos externos da qualidade são os parâmetros utilizados para se definir um padrão. Estes parâmetros, no presente trabalho, são apresentados e discutidos nas diferentes regiões e estações do ano, sendo objetivo deste trabalho, através da avaliação de inflorescências de crisântemo do grupo Polaris e comparação aos padrões existentes, verificar a possibilidade de se propor um padrão nacional para crisântemos de corte que seja flexível e que considere as condições da produção e do produtor.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Visando a obtenção de dados que representem verdadeiramente o produto levado ao mercado, independente do produtor, foram selecionadas três regiões que abrangeram diferentes condições, tanto geográficas como tecnológicas. Essas regiões foram: Atibaia, Cotia (compreendendo Cotia, Ibiúna e São Roque) e Holambra (incluindo Santo Antonio da Posse).

Mensalmente, e por um período de 12 meses, de outubro/96 a setembro/97, hastes florais de crisântemos do grupo Polaris foram analisadas, dentro dos seguintes parâmetros: 1.- peso da matéria fresca da haste floral: em balança eletrônica com sensibilidade de 0,01g; 2.- comprimento da haste: medida desde a base incluindo as inflorescências; 3.- rigidez (capacidade de sustentação da flor pela haste, quando em posição horizontal) , avaliado por critério de notas, de 0 a 2: 0= rigidez total 1= leve falta 2= haste tombada; 4.- uniformidade de desenvolvimento, avaliado pelo número de inflorescências abertas (que já mostra cor) e por abrir (botões), considerando-se quatro pontos de colheita: botão verde (BV), botão fechado(BF), botão aberto(BA) e flor (FL), segundo Flórez-Roncancio et al. (1995). Para cada haste floral estudada, os pontos BF, BA e FL foram agrupados e analisados como um todo, usando-se o termo inflorescência; 5.- ramificações, avaliado pelo número de ramificações e sua localização na haste (cm finais); 6.- defeitos de formação, avaliado pela porcentagem de hastes tortas; 7.- presença de resíduos químicos (defensivos ou fertilizantes), avaliado por critério de notas, de 0 a 2: 0= livre de resíduos 1= presença leve de resíduos químicos 2= grande quantidade de resíduos químicos; 8.- presença de enfermidades (patológicas, fisiológicas e/ou entomológicas), sendo que neste trabalho foram considerados apenas os sintomas perceptíveis pela visão, sem procurar identificá-los, para se chegar a rápida avaliação. A avaliação foi por critério de notas, de 0 a 3: 0= livre de enfermidades 1= leves danos 2= danos médios 3= danos graves.

O material a ser pesquisado, 3 a 4 pacotes, de diferentes produtores para cada região, era retirado nos locais de comercialização e levado ao Laboratório da Seção de Ornamentais do Instituto de Botânica, da Secretaria do Meio Ambiente do Governo do Estado de São Paulo, onde permanecia imerso em água de torneira, por cerca de 3 horas.

A amostragem foi inteiramente casualizada, sendo os pacotes juntados formando um só lote. Para os parâmetros incidência de enfermidades e presença de resíduos químicos dividiu-se, mensalmente, o total de hastes coletadas em 4 maços, tirando-se 4 dados para cada região, que foram utilizados para comparação entre as regiões. Cada dado constituiu uma nota dada pelo aspecto geral, calculada visivelmente. Para os parâmetros comprimento de haste, peso da matéria fresca, número e localização das ramificações e número de inflorescências, foram utilizadas, mensalmente, 35 hastes florais. Dados de três meses foram agrupados para a análise por estação do ano, num total de 100 observações para cada região, desprezando-se, aleatoriamente, 5 dados e aplicando-se distribuição da freqüência. O parâmetro rigidez das hastes foi apresentado pela média de 10 dados mensais para cada região, enquanto o parâmetro defeitos de formação foi representado pela porcentagem de hastes tortas obtida em 35 hastes de cada região. Quando o critério de avaliação foi o de notas, estas foram atribuídas por dois avaliadores, que preencheram planilhas específicas para cada caso.

Com base nos dados obtidos estudou-se a possibilidade de elaborar uma proposta de padronização.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Comprimento de haste

Estão expressos na TABELA 1 os valores máximo e mínimo, a amplitude de distribuição e a média das ocorrências observadas para o parâmetro comprimento de haste das inflorescências de crisântemos do grupo Polaris, nas regiões de Atibaia, Cotia e Holambra, e nas quatro estações do ano.

 

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Como os valores máximos do parâmetro, para a região de Atibaia, foram de 93,5cm (verão) a 100,5cm (outono) e os mínimos 70,0cm (primavera) a 88,0cm (outono e inverno), verifica-se que os crisântemos do grupo Polaris apresentam hastes florais de bom crescimento, com médias variando de 90,2cm (verão) a 93,4cm (outono). As inflorescências da região de Holambra acompanham esses dados, com valores máximos de 94,0cm (primavera) a 100,0cm (inverno) e médias de 89,4cm (outono) a 95,4cm (inverno), enquanto que Cotia oferece hastes pouco mais compridas: 97,5cm (inverno) a 105,5cm (outono), com médias variando de 91,2cm (primavera) a 93,1cm (outono). Embora as médias tenham pouco diferido, a amplitude de variação mostrou que não há muita uniformidade no comprimento das hastes florais: para Atibaia, na primavera, este valor foi de 30,0cm contra os 7,0cm no verão; na Holambra, 19,0cm no outono e 8,0cm no inverno, sendo que em Cotia essas amplitudes foram mais ou menos constantes entre as estações, de 16,5cm (inverno) a 22,5cm (outono).

Através da distribuição da freqüência desses dados, apresentada na TABELA 2, observa-se que, independente da estação do ano, há uma concentração das ocorrências na faixa de 80 a 100cm nas regiões de Cotia e Holambra, estreitando para 85 a 100cm em Atibaia.

 

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O esperado, conforme resultados de estudos desenvolvidos nos Estados Unidos por Boodley & Meyer (1965), com o cultivar Bonnaffon Deluxe e por Miranda et al. (1994), em Atibaia, seria maiores comprimentos de haste ocorrendo no inverno, o que foi observado em Holambra, com 98% e Cotia, com 93% dos dados no intervalo de 90 - 100cm. Em Atibaia, o outono apresenta os maiores valores nesta mesma faixa. Já estudos de Barbosa et al. (1996), com Yellow Polaris sob cultivo hidropônico, em Viçosa, MG, as maiores médias de comprimento de haste foram encontradas na primavera / verão (58,2cm), enquanto que outono / inverno ficou em 56,8cm. Como os valores máximos não ocorrem numa mesma estação em todas as regiões, esses resultados sugerem não haver influência direta da época do ano sobre o comprimento das hastes. Comparando agora esses dados com os exigidos nos diferentes padrões, verifica-se que os crisântemos do grupo Polaris produzidos nas diferentes regiões, atendem aos requisitos de qualidade no que se refere ao comprimento de haste pois, tanto para a Espanha como Argentina, para a Classe Extra, este é maior que 70,0cm, valor este encontrado em todos os dados observados nas três regiões nas quatro estações do ano. E o Padrão Internacional (International Trade Centre, 1993), embora não especifique um valor mínimo, preconiza que a diferença entre o maior e o menor comprimento seja de até 10cm; considerando como mínimo o mesmo valor da Espanha e Argentina, e se as hastes maiores forem cortadas, essa diferença é atendida, o mesmo acontecendo em relação ao padrão da Holanda que aceita uma diferença de até 10% entre os maços, com comprimentos iguais dentro de cada maço.

Peso da matéria fresca

Na TABELA 3 encontram-se os valores máximo e mínimo, a amplitude de distribuição e a média das ocorrências de peso da matéria fresca, apresentadas por inflorescências de crisântemos do grupo Polaris, nas diferentes regiões estudadas.

 

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Observando esses dados como um todo verifica-se que foram encontradas hastes florais pesando desde 19,71g (Atibaia / verão) até 189,15g (Holambra / outono), o que corresponde a uma amplitude de variação bastante grande (169,44g), o que se constata também nas diferentes épocas, nas três regiões. Os maiores pesos foram encontrados no outono (Cotia e Holambra) e inverno (Atibaia), contrariando resultados de Boodley & Meyer (1965), que indicaram primavera e verão como as épocas de maiores pesos de matéria seca e fresca.

Pela distribuição da freqüência das ocorrências mostrada na TABELA 4, verifica-se que a faixa onde se concentra pelo menos 70% das ocorrências é de 40 a 90g.

 

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Na descrição dos padrões, o peso é citado apenas para Holanda, sendo norma que o peso mínimo não deve ser menor do que 70% do peso médio. Para comparação com este padrão, calculou-se 70% do peso médio nas diferentes estações do ano e regiões, encontrando-se os valores de 43,25g ; 38,36g ; 48,22g e 51,90g para Atibaia ; 43,95g ; 33,74g ; 46,62g e 42,42g para Cotia e 51,74g ; 49,62g ; 44,72g e 53,89g para Holambra, respectivamente para as épocas primavera, verão, outono e inverno. Como os dados obtidos na pesquisa não devem ser inferiores a esses valores, constata-se que a exigência não foi atendida, não sendo pois, a produção, classificada como de qualidade, embora esses valores inadequados não ultrapassem os 20%, com exceção de Holambra / outono, com 29%.

Número de inflorescências

Este parâmetro é utilizado para se avaliar a uniformidade de desenvolvimento das plantas. Os crisântemos do grupo Polaris necessitam da retirada do botão apical e excesso de botões da parte inferior da haste (Miranda, 1994), deixando cinco a oito botões principais (Flórez-Roncancio et al. 1996). Valores altos neste parâmetro indicam má condução no cultivo, quer por falha na operação do desbotoamento, deixando mais botões que o necessário, quer pela inadequada quantidade de luz recebida (Mejias & Ruano, 1990).

Pelos dados apresentados na TABELA 5, onde são encontrados os valores máximo e mínimo, a amplitude de distribuição e a média das ocorrências apresentadas por inflorescências de crisântemo grupo Polaris, para as três regiões e nas quatro épocas do ano, constata-se que essa norma não é seguida pelos produtores. Mínimo de cinco flores só foi detectado em Atibaia, no outono, em Cotia, na primavera e outono, e em Holambra, na primavera. Entretanto o máximo de oito flores por haste floral não foi encontrado em nenhuma das regiões, nas diferentes épocas.

 

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Observando a distribuição da freqüência das ocorrências na TABELA 6, verifica-se que essa faixa de 5 a 8 flores por inflorescência é atendida, na região de Atibaia, em 64% das hastes colhidas na primavera, em 66% no verão, em 42% no outono e 27% no inverno. Em Cotia essas porcentagens subiram: 81% na primavera, 85% no verão, 96% no outono e 92% no inverno, enquanto que em Holambra, 44% na primavera e inverno ficaram dentro dessa faixa, aumentando para 57% no outono e 90% no verão.

 

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Analisando esse parâmetro considerando os dados originais, e comparando-os com os prescritos nos padrões vigentes, verifica-se que para o padrão Internacional a região de Atibaia consegue distribuir todas as suas hastes nas classes Extra e I, especificado apenas com "mais de cinco flores" = classe Extra, "mais de quatro flores" = Classe I , sem colocar um número máximo, nem ponto de abertura das flores. Dados semelhantes foram observados para Cotia, com exceção do verão onde 14% das ocorrências caíram para a classe II, e para Holambra, com 8% no outono passando para a classe II.

Já para os padrões da Argentina e Espanha há a exigência de "mais de três flores abertas e mais de três botões", também sem limitar o total, o que faz com que os produtos de Atibaia caiam para apenas 10% adequados para as classes Extra e I na primavera, 38% no verão, 41% no outono e 47% no inverno. Em Cotia as hastes classificadas também foram poucas: 6% , 20% , 39% e 36% , enquanto que Holambra apresentou 41% , 7% , 44% , e 76% , na seqüência das estações. Logo, apenas 33% das hastes florais colhidas nas três regiões, nas diferentes épocas, estariam classificadas como de qualidade superior (Extra e I), o que coloca o produto nacional fora do comércio exterior no que se refere ao número de flores mais botões.

Localização e número de ramificações

O número de ramificações e sua distribuição na haste é outro parâmetro que pode comprovar a uniformidade da produção. A TABELA 7 mostra os dados de localização das ramificações, tomando por base os centímetros finais da haste, bem como o número dessas ramificações, para as três regiões e as quatro estações do ano.

 

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Esses dados demonstram falta de uniformidade, com Atibaia apresentando valores contidos no intervalo de 29,0cm a 86,0cm do àpice, Cotia de 22,0cm a 67,0cm e Holambra de 18,0cm a 88,0cm, com amplitudes de variação das ocorrências, independente da região e época, de 21,0cm a 63,0cm. Pela TABELA 8, verifica-se não haver uma faixa única de distribuição para as regiões e épocas onde se concentram as ocorrências. Para Atibaia essa faixa, que contém pelo menos 70% dos dados, é de 35 a 60cm; para Cotia 30 a 55cm e para Holambra 30 a 60cm.

 

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Na comparação com o padrão da Espanha que preconiza a distribuição das ramificações nos últimos 40cm para a classe Extra e últimos 25cm para a classe II, logo , para que as hastes estejam classificadas nas classes Extra e I, a distribuição das ramificações deve estar dentro dessa faixa: últimos 25 a 40cm, constata-se que apenas 18,25% das ocorrências de Atibaia, 39,25% de Cotia e 37,50% de Holambra estariam inseridas nas classes Extra e I, enquanto que para o padrão da Holanda que apenas especifica a distribuição das ramificações nos últimos 30cm para a classe I, não colocando limites para a Extra e II apenas Holambra e Cotia classificariam um máximo de 9,27%.

O número de ramificações acompanha essa desuniformidade: verifica-se desde 03 até 21 ramificações por haste, embora as médias apresentadas não tenham diferido muito: 7,60 a 9,20 para Atibaia; 6,78 a 7,83 para Cotia e 7,23 a 9,52 para Holambra.

Rigidez e defeitos de formação

A rigidez, ou a "força" da haste, traduzida como a capacidade de sustentação da flor pela haste, quando em posição horizontal, entra como um dos elementos considerados na classificação das flores de corte sendo que, quanto mais rígida (forte), maior a qualidade. Mas não basta ser rígida, a haste deve ter uma boa aparência geral, com equilíbrio entre as flores e a haste, e sem defeitos de formação.

Neste trabalho a rigidez foi avaliada tendo por base os critérios apresentados nos padrões existentes, tais sejam, rigidez total, leve falta ou haste tombada, através do critério de notas, de 0 a 2; e como defeitos de formação foi considerado o aspecto de hastes tortas. Os resultados obtidos constam da TABELA 9, onde são apresentados os dados de rigidez das hastes (média de 10 observações mensais) e a porcentagem de hastes tortas (35 observações mensais) para as regiões de Atibaia, Cotia e Holambra, no período de outubro/96 a setembro/97.

 

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Nenhuma nota 2 foi encontrada no parâmetro rigidez de haste, que apresentou no máximo uma leve curvatura. O dado 0,3 constitui três notas 1 do total das dez notas atribuídas no mês; 0,2 duas notas 1 e 0,1 uma nota 1. Na avaliação frente aos padrões internacionais, esses resultados indicam que o produto nacional atende a esse requisito, pois tanto no Internacional, da Argentina, da Espanha e da Holanda, as hastes totalmente rígidas são classificadas nas classes Extra e I, enquanto que a classe II aceita uma leve falta ou menor rigidez. A ocorrência de leve curvatura é pequena, como pode ser observada na TABELA 9, e como o padrão Internacional permite uma tolerância de 3% na classe Extra, conclui-se que crisântemos do grupo Polaris, com base na rigidez das hastes florais classificam-se de boa a ótima qualidade.

Analisando a porcentagem de hastes tortas verifica-se que, nas três regiões, e praticamente em todos os meses ocorreu, em maior ou menor número, esse defeito de formação. Esse parâmetro, nos requisitos de qualidade nos padrões que são usados para comparação, aparece sempre associado ao parâmetro rigidez: hastes retas e rígidas para classe Extra, e rígidas e praticamente retas para a classe I (padrão Internacional); retas e firmes o suficiente para sustentarem a flor (padrão da Holanda). Logo, embora boa parte das inflo-rescências estudadas possa ser classificada de ótima qualidade em relação ao parâmetro rigidez, a ocorrência de hastes tortas faz com que o produto caia para classes mais inferiores. Entretanto esse é um defeito que pode ser corrigido com o adequado acompanhamento na subida da rede de sustentação das hastes durante o cultivo (Miranda et al., 1994; Lopes, 1977).

Presença de resíduos químicos

A cultura de crisântemos de corte, sendo bastante intensiva, favorece o aparecimento de pragas e doenças (Imenes & Alexandre,1996; Motos, 1996). Para seu controle as aplicações de defensivos são constantes: em média duas e meia a três pulverizações por semana, o ano todo, para diferentes fins e com freqüência variável, feitas separadamente ou misturando os produtos químicos que serão usados. Estes produtos são os mais diversos, e o critério de escolha dos defensivos não é bem definido nem pelos próprios produtores. São usados diferentes produtos mesmo para funções semelhantes, com a justificativa de que a utilização de vários produtos comerciais e mecanismos de combate às pragas e doenças oferece maior garantia que produtos singulares (Miranda et al., 1994). A presença ou não de resíduos químicos no momento da comercialização é outro parâmetro considerado na avaliação da qualidade para fins de padronização. Analisando os dados apresentados na TABELA 10 verifica-se que não foi constatado resíduos em Atibaia no mês de setembro, em sete meses em Cotia e em cinco meses em Holambra. Por outro lado houve a observação de grande quantidade de resíduos químicos em todas as amostras do mês de abril, em Atibaia. Holambra foi a região que menos apresentou resíduos: apenas oito amostras receberam nota 1 enquanto que as 40 restantes tiveram nota 0.

 

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Cotia vem em seguida, com duas amostras de nota 2, dez de nota 1 e 36 notas 0. Já Atibaia mostrou resultados diferentes: apenas cinco amostras com nota 0, oito com nota 2 e as demais 35 receberam nota 1.

A presença de resíduos químicos já era esperada, pois como o produtor aplica, simultaneamente, bactericidas, fungicidas, acaricidas e inseticidas procurando prevenir problemas de todos os lados (Tokeshi, 1992), alguma parte desses produtos pode permanecer na superfície das folhas.

Mas a exigência de ausência total de resíduos para se classificar crisântemos na classe Extra nos padrões Internacional e da Argentina, e classe I nos padrões da Argentina e da Holanda, coloca o produto nacional em dificuldades de competição no comércio exterior, principalmente para Atibaia, onde somente 10,42% das amostras passariam neste requisito. Já Cotia, com 75% e Holambra, com 83,33%, alcançariam posição melhor.

Incidência de pragas e moléstias

Tanto na comercialização interna quanto na exportação, o controle de pragas e doenças é fundamental, uma vez que flores e plantas ornamentais com presença ou sintomas destas são depreciadas e têm seus preços reduzidos. Além disso, os projetos de exportação podem ser inviabilizados, pois de maneira geral a legislação fitossanitária dos países importadores é muito rigorosa (Motos, 1996).

Foram bastante evidentes a presença de pústulas da ferrugem branca, dos caminhos da mosca minadora nas folhas, nos danos causados por ácaros e tripes, além de sintomas de deficiências nutricionais: folhas amareladas, queda de lígulas, sépalas escurecidas, etc., registrados apenas como ausência ou danos leves, médios ou graves, sem identificá-los. Os resultados obtidos encontram-se na TABELA 11.

 

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Esses resultados mostram que na região de Atibaia não foi encontrado nenhum mês com índice zero de incidência, enquanto que Cotia e Holambra já apresentaram dois meses isentos de pragas e moléstias (março/abril e março/agosto respectivamente). Amostras com danos médios a graves foram constatados em todas as regiões, mas em apenas um mês (Atibaia / novembro; Cotia / dezembro e Holambra / junho). Danos leves a médios apareceram em Atibaia nos meses de fevereiro, abril, setembro e outubro; em Cotia, em julho e novembro e em Holambra, outubro e dezembro. A presença de leves danos em mais ou menos amostras foi detectada, em todas as regiões, em sete meses, o que evidencia uma má condição fitossanitária. No entanto não dá para relacionar a presença de resíduos químicos, que sugere grande aplicação de defensivos, com a ausência de pragas e doenças. Tokeshi (1992) já alerta que quando muitos defensivos agrícolas são aplicados, os resultados podem ser prejudiciais porque são destruídos os microorganismos benéficos.

A presença de pragas e enfermidades não é admitida em nenhuma classe de todos os padrões vigentes. Apenas são aceitos ligeiros danos causados por pragas, doenças e condições meteorológicas, mas mesmo isto deprecia o produto colocando-o nas classes de qualidade inferior. Então, o produto nacional tem condições de competição no mercado internacional mas desde que um trabalho bastante sério seja feito visando melhorar a aparência externa, principalmente no referente às pragas e moléstias.

 

CONCLUSÕES

Pelo exposto verifica-se que os crisântemos do grupo Polaris provenientes das regiões de Atibaia, Cotia e Holambra, embora possam atender às exigências de qualidade previstos nos padrões internacionais, teriam apenas parte de suas hastes florais destinadas às classes Extra e I. Os dados obtidos demonstraram que não há influência direta da época na qualidade dos crisântemos. Dos parâmetros analisados, o comprimento, peso da matéria fresca e rigidez de haste foram os itens que mais se aproximaram dos padrões existentes, enquanto que o número de inflorescências, localização das ramificações e presença de hastes tortas demonstraram a necessidade de maiores cuidados, nas operações de desbotoamento e elevação da rede de sustentação, para que o produto apresente uniformidade. A presença de resíduos químicos e de pragas e moléstias mostraram os piores resultados, requerendo estudos visando a adequada aplicação de defensivos agrícolas para o efetivo controle das pragas, moléstias, e ausência de resíduos químicos visíveis. Deste modo, a elaboração de um padrão nacional para crisântemos de corte não é, de imediato, viável, necessitando primeiro resolver os problemas existentes.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 19.01.98
Aceito para publicação em 27.10.98

 

 

1Parte da Tese de Doutorado do primeiro autor apresentada à ESALQ/USP - Piracicaba, SP.

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