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Scientia Agricola

On-line version ISSN 1678-992X

Sci. agric. vol.56 n.4 Piracicaba Oct./Dec. 1999

https://doi.org/10.1590/S0103-90161999000400020 

Níveis de alumínio e o desenvolvimento de porta-enxertos cítricos em cultivo hidropônico: I. Parâmetros biométricos1

 

Carlos Henrique dos Santos2; Hélio Grassi Filho3*; João Domingos Rodrigues2; Sheila Zambello de Pinho4
2Depto. de Botânica - IB/UNESP, C.P. 510 - CEP: 18618-000 - Botucatu, SP.
3Depto. de Ciência do Solo - FCA/UNESP, C.P. 237 - CEP: 18603-970 - Botucatu, SP.
4Depto. de Bioestatística - IB/UNESP.
*e-mail: heliograssi@fca.unesp.br

 

 

RESUMO: O presente trabalho teve como objetivo avaliar a influência de diferentes níveis de alumínio nos parâmetros biométricos dos porta-enxertos cítricos limoeiro Cravo e citrumeleiro Swingle em cultivo hidropônico. O experimento foi instalado em casa de vegetação em Botucatu, SP. Os tratamentos seguiram o delineamento estatístico inteiramente casualizado, com 3 repetições, em parcelas subdivididas. Os níveis de alumínio utilizados foram: 0; 7,5; 15; 22,5 e 30 mg L-1, na forma de AlCl3 6.H2O em solução nutritiva. Foram avaliados os parâmetros biométricos altura, número de folhas, diâmetro do caule, área foliar, comprimento e volume de raízes. De acordo com os resultados obtidos, conclui-se que o citrumeleiro Swingle apresentou-se mais sensível ao alumínio, sendo que, a partir de 7,5 mg L-1 houve redução nos valores destes parâmetros, enquanto que o limoeiro Cravo mostrou-se mais tolerante aos níveis de alumínio.
Palavras-chave: Citrus, porta-enxerto, alumínio, nutrição mineral, hidroponia

 

Aluminum levels and the development of citrus rootstocks in nutrient solution: I. Biometric parameters

ABSTRACT: To study the influence of different levels of aluminum on the development of citrus rootstocks of Rangpur lime and Swingle citrumelo, in nutrient solution, an experiment was carried out in a greenhouse at Botucatu, SP, Brazil. The treatments followed a completely randomized experimental design, with 3 replicates, distributed in split-splots. The levels of aluminum were: 0; 7.5; 15; 22.5 and 30 mg L-1, in the form of AlCl3   6.H2O, added to the nutrient solution. Biometric parameters were evaluated and the results showed that Swingle citrumelo was more sensitive to aluminum, and that starting from 7.5 mg L-1, there were reductions in growth and development of the plants, while the Rangpur lime rootstock was more tolerant for aluminum.
Key words: Citrus, rootstocks, aluminum, mineral nutrition, hydroponics

 

 

INTRODUÇÃO

O Brasil possui condições ecológicas das mais favoráveis para o cultivo dos citros, podendo ser explorada para este fim, uma vasta área do território nacional, avançando desta forma em áreas de solos ácidos, de baixa fertilidade e com elevados teores de alumínio (Vasconcellos, 1987; Nogueira et al., 1989).

O cultivo dos citros, de 173 mil hectares em 1968 aumentou para 852 mil hectares em 1996, sendo que no Estado de São Paulo ocupou em 1996 uma área de 737 mil hectares, com 207 milhões de árvores das quais 15% estão em fase de formação. A produção atingiu os 355 milhões de caixas em 1996, com acréscimo de 63% em relação a 1995, cuja produção total de cítricos atingiu o valor de 218 milhões de caixas (Amaro & Maia, 1997). Apesar deste desenvolvimento, o incremento na produtividade não acompanhou o crescimento da produção, sendo que o porta-enxerto, relacionado à nutrição das plantas cítricas, pode ser um dos responsáveis por esta realidade.

O alumínio, elemento presente nos solos, é um fator que tem a sua importância associada ao efeito tóxico quando em quantidade elevada na solução do mesmo, afetando o crescimento de muitas plantas, embora algumas sejam beneficiadas com a sua presença. A tolerância ao alumínio varia com a espécie e dentro da mesma, permitindo estabelecer critérios de adaptação, mas o exato mecanismo fisiológico de toxicidade ou tolerância para algumas espécies, neste caso particularmente para os citros, são ainda debatidas, destacando-se que diferentes vias bioquímicas podem estar envolvidas nestes processos (Foy et al., 1978). Observa-se contudo que, essa importante atividade econômica está embasada sobre poucos ou quase que exclusivamente um único porta-enxerto, o limoeiro Cravo, sendo este muito produtivo, mas que apresenta alta suscetibilidade ao declínio. Variedades promissoras sob determinadas condições edafoclimáticas têm sido indicadas pela pesquisa, visando promover diversificação de porta-enxertos, entretanto, esta diversificação não tem ocorrido a nível de produtor, sendo o limoeiro Cravo ainda o mais utilizado. Segundo Pompeu Júnior (1991), isto ocorre devido ao fato de que nenhuma das variedades apresentam as excepcionais qualidades encontradas neste, embora apresente algumas desvantagens.

Algumas pesquisas têm sido realizadas para estudar a assimilação de nutrientes relacionada à tolerância ao alumínio nas condições inerentes ao hemisfério norte. Entretanto, em regiões tropicais, principalmente no Brasil onde a citricultura é de grande importância econômica, as informações relativas ao comportamento de diferentes porta-enxertos quanto a este aspecto são escassas (Vasconcellos, 1987). Assim sendo, a finalidade do presente trabalho é obter informações a respeito do comportamento de dois porta-enxertos cítricos em presença de alumínio, sendo que a escolha destes foi baseada nas excepcionais características do limoeiro Cravo, padrão nacional, e por outro lado, confirmando-se a atual tendência de cotação dos preços da laranja baseada no maior teor de sólidos solúveis do fruto, inclui-se o citrumeleiro Swingle, visto ser, esta uma característica superior do mesmo em relação aos outros, existindo portanto a perspectiva de aumento de plantio dessa variedade em detrimento de outras, no Estado de São Paulo e, possivelmente, em outras regiões (Araújo, 1995).

 

MATERIAL E MÉTODOS

O presente trabalho foi instalado em área experimental do Departamento de Ciência do Solo/Fazenda Experimental Lageado, da Faculdade de Ciências Agronômicas - UNESP/Campus de Botucatu, Estado de São Paulo.

O experimento foi conduzido em casa de vegetação, a qual possui um sistema automático de controle de temperatura que consta de 4 ventiladores com sistema de aspersão de água. Os dados médios de temperatura e umidade registrados através de um termo-higrógrafo localizado à altura de 2,0 metros no centro da casa de vegetação, durante a realização deste experimento, constam da TABELA 1.

 

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As sementes dos porta-enxertos foram retiradas de frutos maduros, colhidos no mês de junho de 1996, de plantas matrizes pertencentes ao Pomar Experimental do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, localizado no município de Cordeirópolis-SP. Após a retirada e secagem, de acordo com Teófilo Sobrinho (1991), e tratamento com fungicida Orthocide, foram armazenadas em câmara fria a 4°C, permanecendo nestas condições até a semeadura.

Cento e oitenta plantas de cada espécie, com aproximadamente 10 centímetros de altura, foram transferidas para recipientes plásticos com volume útil de 14 litros. Usou-se a solução nutritiva de Furlani & Furlani (1988) modificada, à metade da concentração e sem alumínio, permanecendo apoiadas nos recipientes plásticos através de uma tampa de isopor com orifícios, onde o caule das plantas estavam envoltas por pedaços de espuma. Desta forma, anteriormente à repicagem para as soluções tratamentos, estas passaram por uma aclimatação durante 20 dias, com o objetivo de minimizar os efeitos do estresse causado pelo processo de repicagem na absorção do alumínio. A seguir realizou-se a troca da solução nutritiva substituindo-a pela solução na concentração adequada ao experimento, além da adição de cinco níveis de alumínio. A partir desta data, a cada 14 dias realizaram-se coletas de plantas para a obtenção dos valores dos parâmetros biométricos.

A composição da solução estoque e nutritiva básica utilizada seguiu recomendação de Furlani & Furlani (1988), sendo que as concentrações de alumínio utilizadas foram: 0; 7,5; 15; 22,5 e 30 mg.L-1 na forma de AlCl3.6 H2O. O preparo da solução seguiu recomendação de Furlani & Furlani (1988), tendo sua composição alterada, sendo renovada quinzenalmente, oxigenada diariamente e o pH da solução de cada tratamento foi corrigido também quinzenalmente para o valor 4 ± 0,2 com a adição de HCl 0,1 N.

Na instalação do experimento adotou-se o delineamento estatístico inteiramente casualizado com 3 repetições, 5 concentrações de alumínio, em parcelas subdivididas. Cada parcela foi constituída de 12 plantas, e as plantas utilizadas em cada época de avaliação constituíram as subparcelas. As coletas destas subparcelas foram efetuadas a cada 14 dias de acordo com Luchesi (1984): 1a Coleta - 14 dias, 2a Coleta - 28 dias, 3a Coleta - 42 dias, 4a Coleta - 56 dias, 5a Coleta - 70 dias, 6a Coleta - 84 dias após o transplante para a solução nutritiva.

Duas semanas após o período de adaptação das plantas em solução nutritiva e adição de alumínio como tratamento, foram realizadas coletas do material vegetal para a estimação dos parâmetros biométricos: altura das plantas, número de folhas, comprimento e volume de raízes, área foliar e peso da matéria seca das folhas, caule e raízes e parâmetro químico, para a determinação analítica do Al, segundo metodologia descrita por Malavolta et al. (1997). Realizaram-se análises de variância e as diferenças entre as médias dos tratamentos foram verificadas pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade.

A metodologia para a avaliação dos parâmetros altura, número de folhas, peso de matéria seca das folhas, caule, raízes e total encontra-se descrita em Santos (1998). Para a determinação da área foliar utilizou-se o aparelho AUTOMATIC AREA METTER modelo AAM-8, do Departamento de Ciência do Solo, cujo princípio de funcionamento encontra-se descrito em Grassi Filho (1995). O comprimento das raízes foi determinado pelo aparelho COMAIR ROOT LENGHT SCANNER. O princípio de funcionamento do aparelho encontra-se descrito em Grassi Filho (1991). Após a determinação do comprimento, transformaram-se os dados para volume de raízes (cm cm-3), utilizando-se o volume do recipiente como padrão de ocupação por elas.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Neste experimento, verificou-se que com adição de alumínio em solução nutritiva ocorreram alterações fisiológicas e reduções mais significativas no número de folhas, na altura das plantas, no diâmetro do caule, na área foliar, no comprimento e volume de raízes e nos pesos da matéria seca das folhas, caule, raízes e total das plantas de citrumelo Swingle. Entretanto, com relação ao limoeiro Cravo, verifica-se que o alumínio não influenciou significativamente estes mesmos parâmetros, embora tenha havido tendência de reduções nos valores destes no nível de 30 mg L-1 alumínio.

Para o citrumeleiro Swingle, os níveis de alumínio influenciaram significativamente no número de folhas (TABELA 2), sendo que a partir de 7,5 mg L-1 os reflexos de alterações fisiológicas provocadas pelo elemento começaram a surgir. Quando se comparam as diferentes épocas de coletas observa-se que as mesmas não influenciaram o número de folhas, em virtude talvez do crescimento lento, quando comparado ao limoeiro Cravo (TABELA 3).

 

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De acordo com o resultados expressos na TABELA 2 não houve influência dos níveis de alumínio no número de folhas do porta-enxerto limoeiro Cravo. As plantas do tratamento testemunha apresentaram comportamento irregular no transcorrer das 6 coletas (TABELA 3), sendo que ao final destas houve queda do número de folhas. Este fato pode estar relacionado à seca e queda de folhas provocada pela incidência de uma doença fúngica no sistema radicular deste porta-enxerto. Para o nível de 30 mg L-1 de alumínio na solução, o comportamento das plantas foi semelhante ao da testemunha, porém mostraram tendência de apresentarem menor número de folhas quando comparado à mesma. As plantas nos demais níveis de alumínio apresentaram comportamento intermediário aos extremos acima discutidos.

Quanto a altura das plantas de citrumelo Swingle, os resultados médios apresentados na TABELA 4 concordam com os encontrados por Pavan & Binghan (1982) e Nogueira et al. (1989), os quais referem-se à redução da altura com a elevação dos níveis de alumínio. Nas condições deste experimento, apenas o tratamento testemunha diferiu dos demais, destacando que os níveis de 22,5 e 30 mg L-1 de alumínio apesar de serem estatisticamente iguais aos de 7,5 e 15 mg L-1 apresentaram plantas de menor altura. Estes resultados mostram que a partir do nível de 7,5 mg L-1 o alumínio pode ser considerado como prejudicial ao crescimento em altura das plantas de citrumelo Swingle. Para cada nível de alumínio, com exceção da testemunha, as plantas de cada coleta apresentaram crescimento praticamente constante, não havendo alterações significativas (TABELA 5).

 

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De acordo com os resultados médios apresentados na TABELA 4, os diferentes níveis de alumínio não interferiram na altura das plantas do porta-enxerto limoeiro Cravo. O tratamento referente ao nível de 30 mg L-1 de alumínio, tendeu a diminuir a altura das plantas quando comparado à testemunha. O crescimento em altura das plantas do tratamento testemunha, diminuiu dos 14 para os 84 dias de avaliação (TABELA 5) e, provavelmente, o problema com a incidência da doença foi o responsável pela diminuição da altura e também por não apresentar diferença significativa em relação aos demais tratamentos. Quanto ao nível de 30 mg L-1 de alumínio as plantas apresentaram comportamento uniforme com exceção da queda na altura aos 28 dias de coleta. Isto pode ser devido à possível interferência da variabilidade genética proporcionando diferenças na altura (Soares Filho et al., 1991), mesmo sem a ação do alumínio. As plantas dentro dos demais níveis apresentaram comportamento semelhante aos acima citados. Estes resultados não concordam com os encontrados por Nogueira et al. (1989) que relataram diminuição significativa para este parâmetro devido ao aumento dos níveis de alumínio e com os encontrados por Pavan & Binghan (1982) que relataram que a partir de 0,074 mmol dm-3 em solução nutritiva foi suficiente para causar diminuição significativa na altura das plantas de café.

As plantas de citrumelo Swingle apresentaram o mesmo comportamento relatado para altura quanto ao diâmetro do caule e área foliar (TABELAS 6 e 8). Na TABELA 7 observa-se que, independentemente dos níveis de alumínio, o diâmetro do caule aumentou dos 14 aos 84 dias de avaliações, sendo que nesta última, foi encontrado plantas com o maior diâmetro de caule. Deve-se destacar que durante os períodos de coleta, as plantas de todos os tratamentos tenderam a apresentar semelhança com relação ao aumento de área foliar (TABELA 9), diferindo apenas do tratamento testemunha. Isto pode ter sido provocado pelas próprias características horticulturais do porta-enxerto, que se caracteriza pelo desenvolvimento lento comparado por exemplo ao limoeiro Cravo.

 

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Os níveis de alumínio não interferiram significativamente no diâmetro do caule e área foliar em limoeiro Cravo (TABELAS 6 e 8), aumentando significativamente durante o período das avaliações, tendo portanto as plantas da última coleta o maior diâmetro (TABELA 7). Ressalte-se porém, que houve tendência das plantas do nível de 30 mg L-1 de alumínio apresentarem um menor diâmetro que as da testemunha. O desenvolvimento da área foliar das plantas testemunhas, mostra incremento neste parâmetro a partir dos 28 até os 42 dias, período que antecedeu à sucessivas quedas até 84 dias de coletas (TABELA 9).

 

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Quanto ao comprimento de raízes (TABELA 10), os níveis de alumínio influenciaram negativamente este parâmetro. Os resultados expressos na TABELA 11 mostram que a testemunha difere dos demais tratamentos apresentando comprimento de raízes superior, principalmente a partir dos 42 dias após a repicagem das plantas para a solução nutritiva. Através destes resultados pode-se inferir que a partir de 7,5 mg L-1 de alumínio houveram prejuízos para o desenvolvimento do sistema radicular deste porta-enxerto, sendo que a níveis maiores, como os encontrados neste experimento, os danos ocorreram nas mesmas proporções. Observa-se também que mesmo sob a influência dos diferentes níveis de alumínio, as raízes cresceram dos 14 aos 84 dias de avaliações, sendo que nesta última encontrou-se o maior comprimento de raízes (TABELA 11). Estes resultados corroboram com os encontrados por Magalhães (1987) e Nogueira et al. (1989), sendo que, Lin & Mihre (1990) também mostraram a diminuição do comprimento das raízes de citros em torno de 60%, quando a concentração de alumínio aumentou para 34,6 mg L-1 e, desta forma, pode-se observar que o volume de raízes também é afetado pelos níveis de alumínio. De acordo com Barber (1978), a disponibilidade de nutrientes no solo provocada por algum fator, afeta não somente o estado nutricional da planta, mas também alguns parâmetros de crescimento como comprimento da raiz.

 

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De acordo os resultados médios apresentados na TABELA 11, observa-se que não houve influência significativa dos níveis de alumínio no comprimento de raízes de limoeiro Cravo no decorrer do período de coleta de dados. Entretanto, observa-se tendência de diminuição do comprimento das raízes, quando as plantas estavam expostas à 30 mg L-1 de alumínio comparado ao tratamento testemunha (TABELA 10). Estes resultados não estão de acordo com os obtidos por Nogueira et al. (1989) que mostraram diminuição do comprimento das raízes quando utilizados níveis superiores a 15 mg L-1, bem como com os obtidos por Magalhães (1987) quando os níveis variaram entre 20 e 80 mg L-1, visto que acima destes as plantas cítricas não apresentavam mais crescimento e desenvolvimento. Pavan & Bingham (1982) relataram que, para o cafeeiro, houve redução de 30% no crescimento das raízes quando a solução nutritiva apresentava 0,074 mmol dm-3 de alumínio.

Os mecanismos fisiológicos dos efeitos tóxicos do alumínio no crescimento das raízes não são totalmente estudados, entretanto sabe-se que a ação prejudicial desse elemento é inicialmente maior sobre as funções biológicas das mesmas, sofrendo uma limitação drástica no desenvolvimento, tornando-se mais evidente à medida que as plantas envelhecem, tanto nas raízes como na parte aérea (Ligon & Pierre, 1932).

Os resultados médios apresentados na TABELA 12, mostram que os tratamentos influenciaram significativamente na diminuição do volume das raízes de citrumeleiro Swingle, entretanto, verifica-se que a partir de 7,5 mg L-1 houve esta diminuição, não havendo entretanto diferença deste para os demais tratamentos, exceto a testemunha. As diferentes coletas também influenciaram no aumento do volume das raízes, uma vez que da primeira para a última coleta houve aumento dos valores do parâmetro acima citado (TABELA 13).

 

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Para o limoeiro Cravo, observa-se que os tratamentos de alumínio não influenciaram significativamente no volume de raízes (TABELA 12), entretanto, os resultados médios mostram que houve tendência do nível de 30 mg L-1 em diminuir o volume das raízes produzidas. Quanto à influência das diferentes coletas, observa-se que não foi significativa, sendo que o limoeiro Cravo apresentou comportamento semelhante em todas (TABELA 13).

Os níveis de alumínio influenciaram nos pesos de matéria seca das folhas (TABELA 14), do caule (TABELA 16), das raízes (TABELA 18) e total (TABELA 20) do porta-enxerto citrumeleiro Swingle. De todos os tratamentos, apenas a testemunha se diferenciou estatisticamente dos demais, e as evidências mostram que a partir de 7,5 mg L-1 de alumínio começaram a surgir efeitos prejudiciais nas plantas, sendo que os níveis mais elevados promoveram efeitos semelhantes. Nogueira et al. (1989) trabalhando com limoeiro Cravo, tangerineira Sunki, limoeiro Volkameriano e tangelo Orlando também observaram redução nos valores dos pesos de matéria seca das folhas e raízes, bem como citado por Foy (1976), Foy et al. (1978) e Magalhães (1987).

 

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De acordo com as TABELAS 15, 17, 19 e 21 é importante relatar que, independente dos níveis de alumínio, os pesos da matéria seca das folhas, caule, raízes e total das plantas de citrumelo Swingle, respectivamente, aumentou gradativamente até os 84 dias após o transplante das plantas para a solução nutritiva sendo, neste último intervalo, encontrado o maior acúmulo de matéria seca, significativamente diferente dos demais.

Nas TABELAS 14, 16, 18 e 20 encontram-se os resultados médios relativos ao peso da matéria seca das folhas, do caule, das raízes e total do limoeiro Cravo, respectivamente. Observa-se que não houve diferença estatística significativa entre os diferentes níveis de alumínio e, que a queda significativa no peso de matéria seca das folhas, demonstrada pelas plantas do tratamento testemunha dos 14 para os 84 dias de coleta pode ser devido à incidência da doença, anteriormente citada, e que para os demais parâmetros houve aumento significativo do peso de matéria seca até a última coleta, sendo esta uma tendência normal do crescimento (TABELAS 15, 17, 19 e 21). Quanto ao nível de 30 mg L-1 de alumínio as plantas apresentaram menor peso da matéria seca das folhas quando comparada à testemunha. Nogueira et al. (1989) também concluíram que a presença do alumínio afetou o peso de matéria seca das folhas e do caule para o limoeiro Cravo e, Magalhães (1987) relatou que o alumínio prejudicou severamente o desenvolvimento e crescimento do limoeiro Cravo reduzindo o peso da matéria seca da parte aérea quando os níveis variaram entre 20 e 80 mg L-1.

Com relação ao peso de matéria seca de raízes, os níveis de alumínio não interferiram significativamente, sendo que para este parâmetro, as plantas testemunhas e 30 mg L-1 de alumínio comportaram-se de maneira semelhante, provavelmente devido ao fato das testemunhas serem atingidas com maior intensidade pela doença fúngica. As plantas de todos os tratamentos foram atingidas pela doença, entretanto a severidade da mesma diminuiu consideravelmente à medida que se elevou o nível de alumínio na solução nutritiva, chegando a ser mínimo no tratamento de 30 mg L-1. As plantas desse mesmo tratamento, aos 42 dias de observação apresentaram queda em seu peso de matéria seca de raízes, podendo isto ser atribuído a algum efeito fisiológico relacionado ao alumínio, concordando com relatos de Foy (1976). O aumento observado após os 56 dias de coletas para todos os tratamentos pode ser devido à variabilidade do porta-enxerto (Soares Filho, 1991), além do fato de que neste período, a planta iniciou processo de recuperação do sistema radicular, que havia sido prejudicado pela incidência da doença. De acordo com Nogueira et al. (1989) a presença do alumínio em solução nutritiva diminuiu significativamente o peso de matéria seca das raízes do limoeiro Cravo, embora o tenha considerado como um porta-enxerto mais tolerante ao alumínio que a tangerineira Sunki. Entretanto, estes dados estão de acordo com os obtidos por Vasconcellos (1987) que mostrou que os porta-enxertos estudados diferenciaram-se entre si com relação à tolerância somente na testemunha.

De acordo com os resultados médios apresentados nas TABELAS 22 e 23, observa-se que houve maior acúmulo significativo de alumínio a partir de 7,5 mg L-1, nas raízes do citrumeleiro Swingle, sendo que este diferiu somente do tratamento testemunha. As TABELAS 24 e 25 também mostram que no decorrer do crescimento e desenvolvimento do porta-enxerto, ocorreu aumento do acúmulo deste mineral, sendo maior na última coleta e com concentração mais alta nas raízes, comparado com a parte aérea. Embora tenha ocorrido aumento do acúmulo de alumínio no decorrer das coletas, todos os parâmetros tiveram seus valores aumentados, seguindo a tendência normal de crescimento e desenvolvimento das plantas, mesmo que este seja menor em condições adversas. Quanto aos pesos de matéria seca, todos tiveram seus valores aumentados, seguindo o mesmo padrão, excetuando-se o peso de matéria seca das folhas, o qual manteve-se estável, provavelmente devido ao crescimento lento apresentado por este porta-enxerto.

 

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Para o limoeiro Cravo, pode-se observar, pelos resultados médios expostos na TABELA 22, que os diferentes tratamentos não influenciaram significativamente no acúmulo de Al na parte aérea. Com relação aos resultados médios encontrados para as raízes, a TABELA 23 mostra que os mesmos tratamentos influenciaram significativamente no acúmulo deste mineral nas plantas, a partir de 7,5 mg L-1 mas, indicando que no nível de 30 mg L-1 ocorreu maior acúmulo, apesar de que o valor diferencia-se apenas daquele encontrado para o tratamento testemunha. Os resultados médios em função das coletas para o limoeiro Cravo, expressos nas TABELAS 24 e 25, mostram que no decorrer do crescimento e desenvolvimento das plantas houve acúmulo gradativo de alumínio na parte aérea e nas raízes, o qual foi aumentando até atingir um máximo, na última coleta.

É importante salientar que, quando se considera a influência dos períodos de coleta na resposta aos tratamentos, nota-se que houve a necessidade de um tempo mínimo para que as plantas pudessem absorver o alumínio, o que também está de acordo com Wagatsuma (1983).

 

CONCLUSÕES

A análise estatística dos dados experimentais, nas condições do presente estudo permitiram concluir que o citrumeleiro Swingle mostrou-se mais sensível ao alumínio, uma vez que 7,5 mg L-1 foi capaz de promover reduções significativas no crescimento e desenvolvimento das plantas, enquanto que o limoeiro Cravo mostrou-se mais tolerante aos níveis de alumínio adotados, embora também tenham ocorrido prejuízos em seu crescimento e desenvolvimento.

 

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Recebido para publicação em 21.07.98
Aceito para publicação em 06.04.99

 

 

1Parte da Dissertação de Mestrado do primeiro autor apresentada à FCA/UNESP - Botucatu, SP.

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