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Scientia Agricola

On-line version ISSN 1678-992X

Sci. agric. vol.56 n.4 Piracicaba Oct./Dec. 1999

https://doi.org/10.1590/S0103-90161999000400033 

NOTA

Poda apical para uniformizar a colheita de flores de tango

 

Lorena Cuquel Francine1,4; Keigo Minami2*; Othon Abrahão3 
1Depto. de Fitotecnia e Fitossanitarismo - UFPr, Rua dos Funcionários, 1540, Juvevê - CEP: 80.035-050 - Curitiba, PR.
2Depto. de Produção Vegetal - ESALQ/USP, C.P. 9 - CEP: 13.400-000 - Piracicaba, SP.
3Fazenda Terra Viva - Holambra, SP.
4Bolsista do CNPq.
*e-mail: kminami@carpa.ciagri.usp.br

 

 

RESUMO: Este trabalho testou a poda apical das hastes de tango 4 e 6 semanas após a roçada, para homogeneizar a colheita que, comercialmente, necessita ser feita por um período de aproximadamente 5 dias numa mesma área. Foram avaliados altura média das plantas no primeiro dia de colheita, número médio de hastes colhidas/planta e a média do peso de matéria seca colhida/haste. Só foi verificada diferença significativa para altura média das plantas no primeiro dia de colheita, não se conseguindo reduzir o número de colheitas necessárias por planta. Existem indicações de que há necessidade de reduzir a variabilidade genética da população para homogeneizar a colheita de inflorescências de tango.
Palavras-chave: Solidago canadensis, inflorescência, variabilidade genética, tango

 

Apical cutting to uniformize the harvesting of tango flowers

ABSTRACT: To evaluated the efficacy of apical cutting in reducing the number of harvestings of Solidago canadensis, the following aspects were evaluated: average height of plants on the first day of harvesting; average number of branches harvested per plant; and average of dry matter harvested per branch. The average height of the plant on the first day of harvesting was the only significant difference verified. It was not possible to reduce the number of necessary harvestings per plant. Evidence suggests that it is necessary to reduce the genetic variability of the population to reduce the number of harvestings of Solidago canadensis flowers.
Key words: Solidago canadensis, inflorescence, genetic variability, tango

 

 

INTRODUÇÃO

O Tango (Solidago canadensis L.), da família Asteraceae, é uma planta ornamental herbácea, rizomatosa, perene, pouco ramificada, originária da América do Norte, que alcança de 0,80 à 1,20 m de altura. A espécie Solidago chilensis Meyer, no Brasil é tida como planta invasora, sendo semelhante a esta. Apresenta, no outono-inverno, inflorescências terminais grandes, eretas, ramificadas com numerosos capítulos pequenos, sendo cultivada em bordaduras ou em canteiros a pleno sol (Lorenzi & Souza, 1995). Devido às suas belas inflorescências, é comercializada como flor de corte em buquês ou em arranjos florais. No Brasil, seu cultivo comercial não é superior há três anos, com muitos questionamentos quanto aos tratos culturais necessários para aumentar a eficiência produtiva.

No que concerne à colheita, este é um trato cultural que despende aproximadamente 50% do custo de produção. Em todas as explorações a maturação das inflorescências se, processa de forma heterogênea, obrigando a colheita ser feita por um período de aproximadamente 5 dias (com até dois repasses por dia no mesmo canteiro), onerando o custo de produção (informações pessoais ).

Considerando-se o sistema de exploração da espécie, onde após a colheita as plantas são podadas rente ao solo, emitindo 3 a 4 brotações vegetativas subseqüentemente, estas apresentarão idades fisiológicas diferentes durante todo o seu desenvolvimento. Janick (1969) cita que em algumas plantas pode haver uma gradual mudança da fase juvenil para a fase adulta na mesma planta, podendo as porções basais permanecerem juvenis, enquanto as extremidades tenham atingido a maturidade. Poethig (1990) concorda com Janick (1969), citando a existência de meristemas juvenis com diferentes idades na mesma planta, os quais apresentam habilidades diferentes em sofrer indução de florescimento. McDaniel (1996) considera que a sensibilidade do meristema para sofrer estímulo de florescimento pode aumentar com a sua maturidade. Salisbury & Ross (1985) citam que antes da planta poder responder ao estímulo de florescimento (particularmente fotoperíodo), os meristemas devem apresentar-se maturos para a resposta. Acredita-se que esta possa ser uma possível causa das plantas apresentarem um florescimento heterogêneo, já que os ramos apresentam idades diferentes, provavelmente os meristemas também sofrerão indução floral em momentos diferentes. A poda apical numa mesma altura pode propiciar uma homogeneidade na colheita, por emitir brotações que apresentem a mesma idade fisiológica.

O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da poda apical para homogeneizar a colheita de inflorescências de tango, reduzindo assim os custos de produção.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado na Fazenda Terra Viva de propriedade de Klass Schöenmaker, no Município de Holambra, São Paulo, no período de inverno. Foram utilizadas mudas de Solidago canadensis L. do cultivar denominado de Tara (importadas da Holanda).

As mudas propagadas por estaquia foram plantadas a campo numa densidade de 30 plantas por m2. Depois de 15 a 20 dias estas sofreram uma roçada, favorecendo assim a emissão de 3 a 4 brotações basais, que foram mantidas até o florescimento.

As 3 a 4 brotações basais sofreram uma poda apical durante a fase vegetativa, ficando todas com uma mesma altura. Os tratamentos efetuados foram: sem poda apical (testemunha), poda apical 4 semanas após a roçada (plantas com 25 cm de altura, medida na maior haste até o meristema apical), poda apical 6 semanas após a roçada (plantas com 75 cm de altura, medida na maior haste até o meristema apical). O critério utilizado para definir a altura de poda foi verificar a altura mínima de haste na área de pesquisa e podar as demais hastes naquela altura .

O início da colheita foi estabelecido baseado na testemunha. A colheita foi feita atendendo os critérios do sistema de produção onde a pesquisa foi desenvolvida, isto é, quando as inflorescências apresentavam-se em início de antese.

O delineamento estatístico utilizado foi em blocos casualizados, com 3 tratamentos, 4 blocos e 5 repetições. Foi utilizada uma bordadura de 3 linhas em torno de todo o canteiro. As variáveis avaliadas foram:

a) altura média das plantas no primeiro dia de colheita

b) número médio de hastes colhidas/planta

c) média do peso de matéria seca colhida/haste

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observou-se uma grande heterogeneidade entre as plantas no momento de definir a altura da poda apical nos diversos tratamentos. Numa mesma parcela ocorreram hastes que necessitavam sofrer poda apical de até 10 cm, para homogeneizar sua altura com as demais hastes da parcela.

A colheita de todos os tratamentos foi iniciada 70 dias após a roçada. Isto demonstra que a poda apical não causou atraso na colheita, em nenhum dos tratamentos testados, o que poderia ser indesejável por onerar os custos de produção.

A colheita foi efetuada, em todos os tratamentos, por um período de até cinco dias, uma única vez ao dia. O número máximo de colheitas necessárias foi cinco, entretanto alguns tratamentos necessitaram de menos de cinco colheitas.

A TABELA 1 apresenta a altura média das plantas no primeiro dia de colheita, o número médio de hastes colhidas/planta e a média do peso de matéria seca colhida/haste em plantas de Solidago canadensis, submetidas a diferentes sistemas de poda apical.

 

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Conforme pode-se observar a poda com 6 semanas apresentou diferença significativa em altura, da poda com 4 semanas e da testemunha (sem poda). Isto pode ter ocorrido porque a poda apical com 6 semanas após a roçada não permitiu que a planta recuperasse a altura perdida, pelo reduzido espaço de tempo disponível (apenas 4 semanas).

Quando se analisa o número médio de hastes colhidas/planta verifica-se que não existe diferença significativa entre os tratamentos, o mesmo acontecendo para o peso de matéria seca /haste. Mas quando a análise do número médio de hastes é feita em cada dia de colheita, conforme apresentado na TABELA 2, verifica-se que há diferença significativa apenas no primeiro dia para o tratamento de poda com 4 semanas; nos demais dias não há diferença significativa no número médio de hastes colhidas /planta.

 

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Na TABELA 3, que apresenta a média de peso de matéria seca colhida/haste, observa-se que não existe diferença significativa entre os sistemas de poda.

 

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Quando se analisa o número médio de hastes colhidas/planta nos diversos dias de colheita (TABELA 4), observa-se que a colheita no 1o e no 2o dia foi superior ao 5o dia, não diferindo significativamente do 3o e do 4o dia, embora os tratamentos efetuados não hajam conseguido reduzir o número de dias necessários de colheita, como era desejável.Já a média do peso de matéria seca colhida/haste mostra-se no 1o e no 4o dia, superior ao 5o dia, não diferindo significativamente do 2o e 3o dia.

 

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Foram efetuados desdobramentos para observar se algum sistema de poda individualmente poderia propiciar maior homogeneidade de colheita.

A TABELA 5 apresenta a análise da variância resumida entre os diferentes sistemas de poda apical de Solidago canadensis e entre as diferentes datas de colheita nos diferentes sistemas de podas testados. Observa-se que só existe diferença significativa entre os sistemas de poda na variável altura média das plantas. Não existe diferença significativa para nenhuma outra causa de variação, em nenhuma das variáveis analisadas.

 

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Os dados obtidos mostram que as diferentes idades fisiológicas dos meristemas vegetativos de Solidago canadensis não é a principal razão para a heterogeneidade de colheita observada na produção comercial, já que os sistemas de poda testados, não conseguiram homogeneizar a colheita. Isto vem de encontro com trabalho efetuado por Pors & Werner (1989) que observaram, em Solidago canadensis, diferenças entre as épocas de florescimento, em diversos clones testados, concluindo que estas diferenças foram geradas mais por diferenças genéticas, do que por variações ambientais.

Considerando-se que as estacas para a implantação do matrizeiro são importadas da Holanda, e que esta espécie vem sendo cultivada como planta ornamental há um relativamente restrito período de tempo, não se tem maiores informações relativas à variabilidade genética do material utilizado.Talvez um trabalho de melhoramento genético pudesse ser mais eficiente para reduzir a variabilidade existente na população, permitindo assim maior homogeneidade de colheita.

 

CONCLUSÕES

Pelos resultados obtidos verificou-se que os sistemas de poda testados não conseguiram homogeneizar a colheita. Só foi verificada diferença significativa para a altura média das plantas no primeiro dia de colheita, não se conseguindo reduzir o número de colheitas necessárias por planta. Existem indicações de que há necessidade de reduzir a variabilidade genética da população para homogeneizar a colheita de inflorescências de tango.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

JANICK, J. (Coord). Plant science: an introduction to world crops. San Francisco: Freeman, 1969. 629p.        [ Links ]

LORENZI, H.; SOUZA, H.M. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. Nova Odessa: Plantarum, 1995. 720p.        [ Links ]

McDANIEL, C. N. Developmental physiology of floral initiation in Nicotiana tabacum L. Journal of Experimental Botany, v.44, n.297, p.465-475, 1996.        [ Links ]

POETHIG, R.S. Phase change and regulation of shoot morphogenesis in plants. Science, v.250, p.923-930, 1990.        [ Links ]

PORS, B.; WERNER, P.A. Individual flowering time in a goldenrod (Solidago canadensis): field experiments shows genotype more important than environment. American Journal of Botany, v.76, n.11, p.1681-1688, 1989.        [ Links ]

SALISBURY, F.B.; ROSS, C.W. Plant physiology. 3.ed. Belmont: Wadsworth. 1985. 540p.        [ Links ]

 

 

Recebido para publicação em 21.07.98
Aceito para publicação em 07.05.99

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