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Revista Estudos Feministas

Print version ISSN 0104-026XOn-line version ISSN 1806-9584

Rev. Estud. Fem. vol.12 no.spe Florianópolis Sept./Dec. 2004

https://doi.org/10.1590/S0104-026X2004000300023 

MÚLTIPLOS OLHARES SOBRE A REF

 

A Revista Estudos Feministas faz 10 anos: uma breve história do feminismo no Brasil1

 

Revista Estudos Feministas is ten years old - a brief history of feminism in Brazil

 

 

Miriam Pillar Grossi

Universidade Federal de Santa Catarina

 

 


RESUMO

Este artigo é uma versão da trajetória da Revista Estudos Feministas em sua primeira fase na UFSC (1999/2002). O artigo está subdivido em três partes: na primeira é feita uma rápida revisão da literatura sobre o feminismo e os estudos de gênero no Brasil, na segunda é relatada a transferência da Revista Estudos Feministas do Rio de Janeiro para Santa Catarina e na terceira é feita uma reflexão sobre o papel desta revista acadêmica no diálogo com o movimento e com campo de estudos de gênero, feminista e de estudos sobre mulher no Brasil.

Palavras-chave: História dos Feminismos no Brasil, Estudos de Gênero, Teoria Feminista.


ABSTRACT

This article is a report on the activities of Revista Estudos Feministas during its first phase at UFSC (1999-2002). It is divided into three parts: the first presents a brief review of literature about feminism and gender studies in Brazil; the second covers the move of Estudos Feministas from Rio de Janeiro to Santa Catarina, and the third presents some considerations on the role of this periodical in relation to the movement and to the field of gender, feminist and women's studies in Brazil.

Key words: Brazilian feminism's history; gender studies; feminists theories.


 

 

Um pouco de história

Ao escutar os planos e projetos apresentados pelas coordenadoras da REDEFEM no primeiro dia no evento no qual apresentei este trabalho2, não pude deixar de pensar na semelhança de trajetórias entre a Revista Estudos Feministas e a REDEFEM. Para quem não sabe, ambas têm praticamente o mesmo tempo de vida pois, foram criadas no já histórico encontro nacional de núcleos de estudos sobre mulher e gênero promovido pelo Núcleo de Estudos da Mulher da USP em março de 1991, organizado por Eva Blay3. Neste encontro, foram criadas equipes de trabalho para pensar em quatro grandes projetos que seriam submetidos à Fundação Ford, por intermédio da Fundação Carlos Chagas: a criação de uma revista acadêmica4, um curso de gênero5, uma comissão de informatização que permitiria o contato entre as pesquisadoras de gênero espalhadas pelo Brasil e a consolidação da rede de pesquisadoras feministas.

Todos os projetos foram enviados juntos, pela Fundação Carlos Chagas, mas a Fundação Ford preferiu, na época, financiar apenas dois grandes projetos: a Revista Estudos Feministas e a REDEFEM6. O mundo dá voltas e cá estamos falando da Revista Estudos Feministas (REF) num encontro da REDEFEM, podendo, de alguma forma refletir sobre como o desenvolvimento institucional do campo de estudos de gênero e feministas no Brasil também se faz através de apoios institucionais7.

 

Entrando no tema

O tema da mesa na qual este texto foi apresentado - a contribuição da REF para os estudos feministas - é polêmico. Em sua formulação ele coloca uma questão que está dada nos debates acadêmicos hoje no Brasil: que estudos fazemos? Tratam-se de estudos feministas, de estudos de gênero ou de estudos sobre mulheres? Trata-se de Teoria Feminista?8

Ao ler o título da mesa quando fui convidada para falar neste evento, perguntei-me: - qual tom tomar? O tom de uma avaliação crítica sobre a constituição de um campo acadêmico no Brasil? O tom auto-elogioso do grupo de pesquisadoras da UFSC que recuperou a REF em um momento de crise e conseguiu manter a qualidade e a periodicidade da revista praticamente sem nenhum recurso financeiro? O tom neutro de alguém que prefere "ficar em cima do muro" face às tensas e sutis relações profissionais neste campo hoje no Brasil?

Além do tom, me perguntava também de que lugar eu deveria falar? Como não fazer uso de minha formação disciplinar de antropóloga e olhar para o tema proposto com o distanciamento recomendado para o estudo do "outro"? Como me distanciar sabendo que não há produção de conhecimento sem subjetividade?9 Como mostrar que se é ao mesmo tempo "de dentro" e "de fora", uma vez que não há produção antropológica de conhecimento sem este duplo movimento? Como construir uma história desta revista sem cair na armadilha de construir um "discurso oficial"? Carecemos no Brasil de publicações sobre a história do feminismo contemporâneo10. Contar, portanto, um pouco da história da REF me parecia uma tarefa importante para as "novas" gerações de feministas que foram tão numerosas no II Fórum Social Mundial11, sobretudo pelas particularidades que o feminismo tem no Brasil de estar tanto na vida acadêmica quanto nos movimentos sociais.

Finalmente havia a questão da recepção. O que dizer para uma platéia como esta, composta significativamente de leitoras, colaboradoras, pareceristas e críticas da revista? Uma platéia que tem sua própria análise a respeito do tema desta mesa e que portanto, é parte do próprio tema a ser tratado?

Ia e voltava na escrita deste texto e continuava sem encontrar nem o tom, nem ajustar minha lente para que a imagem que eu desejava transmitir fosse lúcida e crítica, sem que com isto eu jogasse dúvidas sobre a solidez e a coesão do projeto editorial da Revista Estudos Feministas. Foi, portanto, em meio a estas dúvidas que elaborei este texto. Dividi-o em alguns tópicos. No primeiro reflito sobre a emergência dos estudos sobre mulher e gênero no Brasil. No segundo conto uma versão da história de criação da Revista Estudos Feministas e relato como a acolhemos na UFSC num já longínquo mês de junho de 1999. No terceiro descrevo nossos desafios e aprendizados com a edição desta revista. E, finalmente nas conclusões entro no debate entre "autênticas feministas" e "incorretas generólogas", embate que me parece ser o pano de fundo da contribuição da Revista Estudos Feministas para o campo de estudos feministas, de mulheres e de gênero no Brasil. Nunca é demais lembrar que esta é uma visão parcial e que muitas outras versões podem ser construídas com os mesmos mitemas, ou seja, elementos deste mito fundador12.

 

Indo um pouco mais além no passado

Se tomarmos como marco dos estudos sobre mulher no Brasil a defesa da tese de livre docência de Heleieth Saffioti em 1967 na USP13, devemos pensar que este campo de estudos tem apenas 35 anos no Brasil, diferenciando-se, portanto de outras tradições intelectuais do ocidente nas quais os estudos sobre mulheres remontam ao período entre-guerras do século XX. No campo da Antropologia, por exemplo, a questão já vinha sendo trabalhada tanto nos Estados Unidos com os trabalhos de Margareth Mead e Ruth Benedict da Escola de Cultura e Personalidade14 quanto na França por algumas alunas de Marcel Mauss como Denise Paulme e Germaine Tillion15 desde o início dos anos 30. Mas, é particularmente com a publicação do Segundo Sexo em 1949, obra seminal da filósofa Simone de Beauvoir,16 que se considera que a temática mulher passou a ter um caráter político de crítica à dominação masculina tanto no nível material quanto simbólico. Os estudos feministas, iniciados de alguma forma por esta obra, se desenvolverão com grande vigor nos países do primeiro mundo após as revoltas de maio de 68, momento no qual a "questão da mulher" toma um lugar importante no bojo de diferentes disciplinas.

No Brasil, devido à ditadura militar, o feminismo se desenvolve com algumas particularidades. Uma delas é a grande importância do caráter de luta de classe e contra a ditadura que marca as primeiras publicações feministas dos anos 70 (Jornais Brasil Mulher e Nós, Mulheres), tal como analisou Anette Goldberg.17 Mas, se por um lado, o movimento feminista brasileiro que surge nos anos 70 se caracteriza por um intenso compromisso político, por outro, suas participantes majoritariamente das camadas médias intelectualizadas tiveram sempre uma forte preocupação com a pesquisa sobre a situação daquilo que se pensava ser "a mulher brasileira".18 Albertina de Oliveira Costa,19 por exemplo, mostra como o desenvolvimento deste campo de estudos esteve fortemente marcado pelo investimento que algumas agências estrangeiras fizeram no desenvolvimento da pesquisa acadêmica no Brasil. A Fundação Ford, por exemplo, em parceria com a Fundação Carlos Chagas, teve um papel fundamental no desenvolvimento dos estudos de gênero no Brasil. Durante 20 anos (de 1978 a 1998), duas centenas de novos pesquisadores foram apoiados pelo importante concurso de dotações para pesquisa sobre mulher e gênero. Neste mesmo período desenvolveu-se a pós-graduação no Brasil e consolidaram-se importantes grupos de trabalho sobre mulher e gênero nas principais associações científicas das ciências humanas e da área de letras. Em 1992, quando a REF é criada, há, portanto no Brasil, uma sólida tradição de pesquisa sobre mulher e gênero. É também neste momento que se iniciam os Cadernos Pagu, publicação do núcleo de mesmo nome na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), hoje outra importante revista na área dos estudos sobre mulher e gênero no Brasil. O vigor destas duas publicações, às quais se somaram nos últimos anos, as revistas Gênero - publicada pelas pesquisadoras da Universidade Federal Fluminense - e Espaço Feminino pelo Núcleo de Estudos de Gênero e Pesquisa sobre a Mulher da Universidade Federal de Uberlândia, mostra o quanto o campo de estudos feministas e de gênero se consolidou nos anos 90.

Esta foi de alguma forma a conclusão a que chegaram duas pesquisadoras latino-americanas contratadas pela Fundação Ford no decorrer dos anos 90 ao avaliar que o campo de estudos de gênero no Brasil estava bastante consolidado e que não era mais tão necessário investimentos estrangeiros nesta área no Brasil. Entre as críticas feitas em documento de circulação restrita, diziam que as acadêmicas brasileiras haviam sido cooptadas pelas instituições acadêmicas e que haviam perdido a capacidade crítica característica do ideário feminista.20

Foi esta avaliação, que de alguma forma, permitiu que a REF perdesse o financiamento da Ford e, de forma indireta viesse para Santa Catarina.

 

Dez anos de estudos feministas

Dez anos se passaram entre o lançamento do primeiro número da REF, o número 0 e o número 2, volume 9 que acabamos de editar. O primeiro número trazia textos importantes como a tradução de um clássico de Elizabeth Fox-Genovese sobre o conceito de irmandade tão caro às primeiras horas do feminismo pós-maio de 68 e artigos de grande atualidade ainda hoje, de pesquisadoras brasileiras como Maria José Rosado Nunes sobre a teologia feminista; de Mary Garcia Castro que, ao falar de empregadas domésticas, introduzia uma discussão crucial hoje sobre raça, gênero e geração; de Heloisa Buarque de Holanda sobre a posse de Rachel de Queiroz, primeira mulher a entrar na academia brasileira de letras e um texto de Heleieth Saffioti sobre Bete Lobo, importante teórica feminista brasileira que havia morrido no início dos anos 90. O primeiro dossiê, sobre Mulher e Meio ambiente, era também de uma grande atualidade, pois estávamos em pleno ano da Eco 92. Apenas mais uma lembrança para quem não "fazia gênero" há dez anos atrás, o Planeta Fêmea, grande lona que reuniu nos fóruns sociais mundiais de Porto Alegre as atividades feministas foi uma re-edição de tenda similar construída na Eco 92, realizada no Rio de Janeiro, evento que marcou significativamente toda uma geração de feministas no Brasil.

A este primeiro número, se seguiram inúmeros outros. O número 1, volume 1 que traz um dos dossiês mais procurados até hoje, o de Mulher e Violência. O número 2, volume 1, que traz o primeiro dossiê de uma série sobre direitos reprodutivos (tema de dossiê sobre aborto de 1997 e sobre saúde reprodutiva de 2000). O número 3, volume 2 de 1994 já introduzia em seu dossiê outro dos temas recorrentes em todos estes anos, o do movimento feminista (presente no número 1, volume 3 de 1995 sobre a IV Conferência Mundial da Mulher e no número 2, volume 8 de 2000 sobre advocacy feminista). Outros temas foram objeto dos dossiês da REF. Alguns, que podemos classificar como "identitários" - termo recente pois, há uns 20 anos atrás se falaria em "específico" - como o sobre Leila Diniz, musa feminista de várias gerações, o sobre mulheres negras, o sobre mulheres indígenas e sobre mulheres idosas. Outros que classificamos na categoria "gerais" como o de pobreza, sobre mulheres na política e de gênero e educação.

Desde seu início a REF se definia como uma publicação nacional, que não seria fruto das pesquisas de um único núcleo de investigadoras ou de pesquisadoras de uma mesma universidade. Algumas pessoas foram fundamentais na definição deste projeto. Destaco apenas três delas: Albertina de Oliveira Costa, que conhecia profundamente o campo de estudos de gênero por seu lugar privilegiado na organização dos concursos de dotação para pesquisa sobre mulher na Fundação Carlos Chagas (que depois viria a se chamar Mulher e Gênero); Lena Lavinas, que empenhou uma imensa energia de trabalho e grande competência profissional na criação da revista e Heloísa Buarque de Hollanda que na época coordenava o CIEC – um dos mais importantes centros de investigação sobre gênero e cultura contemporânea na UFRJ, instituição que abrigou a REF em sua fundação.

Criada em 1992, com um importante auxílio financeiro da Ford, a REF esteve durante sete anos no Rio de Janeiro, tendo sido editada inicialmente pela Escola de Comunicação- CIEC – UFRJ, depois pelo PPGCS/UERJ e em último lugar no IFCS/UFRJ. O apoio da FORD, que fora fundamental para a criação e reconhecimento nacional e internacional da REF – lembre-se do colóquio França/Brasil/Québec que reuniu pesquisadoras de língua francesa em 1994 no Rio e que resultou num número especial acabou por outro lado sendo uma armadilha para a continuidade da revista no Rio de Janeiro, uma vez que toda a estrutura editorial dependia destes recursos.

Foi assim que, no primeiro semestre de 1999, fomos sondadas sobre a possibilidade de que a UFSC sediasse a revista. Nossa sólida tradição interdisciplinar e de produção de eventos como os Seminários Mulher e Literatura na década de 80 e Fazendo Gênero na UFSC na década de 90, eram nosso cartão de visitas para atrair a confiança do conselho editorial da REF ao nos consultar sobre nosso interesse em passar a editar a revista. Tivemos muitas dúvidas, conversamos longamente sobre o desafio de editar uma revista que praticamente não tinha mais recursos nem assinantes, pensamos nas inúmeras horas que teríamos de cavar em nosso tempo já lotado de atividades obrigatórias em nossos departamentos e programas de pós-graduação. Finalmente, após uma viagem ao Rio de Janeiro em junho de 1999, Claudia de Lima Costa e eu decidimos que aceitaríamos o desafio de trazer a REF para Santa Catarina. Tínhamos um grande apoio, o de nossa colega Joana Maria Pedro, que era na época a diretora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas e que colocou alguns recursos fundamentais a nossa disposição (como uma excelente secretária, recursos para editar nossa primeira leva de folders e uma boa cota de correio). Posteriormente passamos a receber apoio também da direção do Centro de Comunicação e Expressão.

Desde seu início, a REF teve uma grande preocupação com a forma e o conteúdo, buscando ser uma revista de ponta no campo das ciências humanas. Até hoje nos orgulhamos dos elogios que recebemos pelas capas, sempre homenageando a obra de mulheres artistas, muitas delas desconhecidas do grande público, como Vera Cíntia Alvarez, Vera Sabino, Jarina Menezes ou Jandira Lorenz. Também reconhecemos o mega-esforço desempenhado pelas ex-editoras Lena Lavinas, Maria Luiza Heilborn e Bila Sorj na construção de legitimidade acadêmica da revista pela sua inserção nos principais indexadores internacionais.21

É graças a este lugar que a REF já tinha ao chegar em Florianópolis que mantivemos os critérios de excelência como a periodicidade, o rigor d@s pareceristas, a rapidez na avaliação dos artigos submetidos, a busca de traduções de textos fundamentais para a formação d@s estudantes de graduação, o empenho em entrevistar expoentes da teoria feminista internacional. Buscamos nestes primeiros números retomar o vínculo dos dossiês com temáticas caras ao movimento feminista, como política, poder e advocacy, articulando sua produção com ONGs e pesquisadoras representativas de determinadas áreas como Saúde Reprodutiva e Educação. Preocupações que tiveram como pano de fundo o compromisso com a construção do campo de estudos de gênero e feministas no Brasil e que nos permitiram ao longo destes anos da REF na UFSC reaproximáa-la de ONGS e de grupos feministas autônomos.

 

Um grande aprendizado

No momento em que escrevia este texto já lembrávamos com nostalgia dos primeiros momentos da Revista de Estudos Feministas na UFSC, pois as dificuldades iniciais estão há muito superadas. Pensamos, no entanto, que é importante compartilhar os desafios e aprendizados que tivemos neste processo como uma forma de democratizar os procedimentos de fazer uma revista acadêmica feminista. Listamos abaixo alguns pontos que nos parecem essenciais no processo de "fazer uma revista".

1. A organização de uma equipe de apoio. Um dos primeiros passos foi a constituição de um grupo que sustentasse a instalação da REF na UFSC. Além do apoio institucional da universidade, criamos um novo conselho na revista, o conselho editorial executivo – formado por professoras de diferentes departamentos - cuja função seria a de colaborar na produção da revista. Tivemos desde o início o apoio de uma excelente funcionária da UFSC, Carmem Vera Ramos, que passou a dedicar algumas de suas horas semanais de trabalho à secretaria da revista e hoje é secretária da REF em tempo integral. Alguns meses depois, junto com ela passou a atuar uma bolsista, cargo ocupado inicialmente pela estudante de Geografia Claudia Machado e depois por Louise Lazzari, estudante de jornalismo que se especializou na parte gráfica da REF.

2. Como fazer uma revista. Tivemos que rapidamente entender as regras das publicações internacionais, objetivo de reconhecimento da Revista Estudos Feministas. Fomos aprendendo lentamente os inúmeros procedimentos de edição: ler todos os artigos que chegam; avaliar se devem voltar para as autoras a fim de que sejam feitas melhorias ou se já é possível encaminhá-los para pareceristas; escolher consultoras ad hoc que devem ser da área do texto mas evitando toda e qualquer proximidade ou comprometimento afetivo com autoras/es dos artigos; cobrar pareceres e prazos; editá-los; enviá-los às/aos autoras/es; cobrar nova versão no prazo, avaliar se as modificações ou correções foram aceitas.

Além destes procedimentos em relação aos artigos tínhamos também de lidar com as outras seções da revista: entrevistas, resenhas, ensaios, dossiês. Usamos diferentes estratégias para a elaboração destas seções ao longo destes cinco números. Em alguns casos solicitamos a colegas de outras instituições acadêmicas e de ONGs que se responsabilizassem por alguma destas seções. Em outros, a própria editoria local assumiu a sua produção. Uma vez todos os artigos e seções prontas inicia-se um outro processo, tão longo quanto este, o de revisão, diagramação, elaboração da capa e de toda a parte gráfica, processo que pode ser feito inicialmente graças ao apoio incondicional de nossa colega Zahidé Muzart da Editora Mulheres. De toda forma aprendemos que uma revista é feita por muitas pessoas e que cada número envolve o diálogo e a correspondência com algumas dezenas de colegas (autoras, pareceristas, conselhos editoriais, revisores, diagramadores, gráfica, etc.).

3. Aprendizado político. Descobrimos desde o início que para fazer a revista estudos feministas era necessário ter um amplo conhecimento tanto do campo de estudos de gênero e feminista quanto do campo de publicações científicas em geral. Para isto ampliamos o diálogo com os núcleos já constituídos. Passamos a freqüentar com regularidade a maioria dos congressos da área de gênero e outros, onde a temática do gênero estivesse presente para conhecer as novas pesquisadoras da área (e futuras autoras da revista). Aumentamos a troca acadêmica com outras revistas acadêmicas feministas nacionais e estrangeiras e buscamos escutar a demanda de ONGs e de grupos militantes feministas. Passamos também a participar de reuniões de editores científicos como por exemplo, as reuniões anuais da Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC) e dos editores de revistas de ciências sociais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS). Além disto passamos a informar com maior regularidade os diferentes comitês científicos da CAPES e do CNPq para que a REF pudesse ser avaliada corretamente por seus pares de diferentes áreas acadêmicas.

4. Assinaturas, venda e distribuição. A primeira coisa que tivemos de fazer, ao assumir a editoria da REF foi reativar as assinaturas pois, como a revista estava encerrando suas atividades, as assinaturas de 1999 não tinham sido renovadas. Como não tínhamos recursos, uma das formas que encontramos para obtê-los foi a venda de coleções com os números antigos. Com estas vendas, feitas em congressos e através da Internet, resolvemos um dos principais problemas de todas publicações universitárias no Brasil, a distribuição. Passamos a ter uma banca da REF em muitos eventos da área.22 Retomamos o contato com livrarias e distribuidoras, ampliamos os pontos de vendas em livrarias, inclusive no exterior. Aumentamos o número de contatos com ONGs que passaram a vender a revista, muitas vezes em troca da venda de suas publicações em nossa banca. Passamos a dar grande atenção às assinantes. Tomamos como princípio o envio das revistas às assinantes logo após o recebimento da revista da gráfica e a pronta reposição de números extraviados pelo correio.

5. Gestão de recursos. Conseguimos no espaço de um ano recuperar financeiramente a REF, permitindo a autonomia da secretaria já no ano de 2001. Criamos um sólido lastro financeiro que permitia a publicação da REF mesmo na ausência de recursos de agências financiadoras. Para isto, partimos do princípio de que a editoria e as tarefas de pareceristas e dos conselhos seria um trabalho sem remuneração, mas que buscaríamos gradativamente remunerar os trabalhos especializados necessários à continuidade da revista: secretaria, editoração, revisão, traduções, etc. Por fim aprendemos a solicitar recursos do CNPq e de outras agências financiadoras.

6. Comunicação e Informática. Rita Maria Xavier Machado, que em 1999 era mestranda em psicologia na área de gênero, foi a responsável pela entrada da REF na rede, criando uma home-page e passando a fazer assinaturas on-line. Seu trabalho de comunicação regular com as assinantes com técnicas "femininas" como a de mandar cartões de aniversário as assinantes, aumentou de forma significativa o contato entre a revista e suas leitoras.

7. Questões gráficas. Entramos no mundo fascinante da produção gráfica graças ao apoio de Zahidé Muzart da Editora Mulheres que foi incansável na busca de perfeição das capas e de toda a parte gráfica da revista. Aprendemos a fazer folders, cartazes, calendários, banners.

8. Publicidade e divulgação. Descobrimos que não adiantava ter uma ótima revista que não circulasse e fosse reconhecida por nosso público leitor. Para isto criamos um grande projeto de divulgação em eventos e por mala direta. Fizemos folders em inglês e francês e enviamos publicidade dirigida a bibliotecas estrangeiras. Em 2002 fizemos um calendário comemorativo dos 10 anos da REF e os distribuímos a assinantes e colaboradoras. Iniciamos também a produção de camisetas com imagens das capas da revista, trabalhando com a idéia de um "grife" da revista, idéia que já começa a dar frutos.

Todos estes aprendizados foram fruto de um grande esforço coletivo. Esforço que permitiu a continuidade da REF na UFSC por um período maior do que o compromisso inicial de dois anos. Ao publicar este texto, no final de 2004, constato com alegria que conseguimos ir além de nosso compromisso e publicar a REF durante seis anos.

 

Estudos feministas ou de gênero: um campo ou uma praia?

Finalizando gostaria de refletir sobre a existência ou não de um campo de estudos feministas ou de gênero no Brasil, temática para a qual as organizadoras deste evento nos chamaram a opinar.

Concordo com as autoras que consideram que existe um campo de estudos feministas. Esta posição tem sido contestada por outras pesquisadoras que não encontram neste campo características consideradas fundamentais para a constituição de um campo científico, como o reconhecimento profissional para além dos próprios pares. Para estas o que fazemos é apenas uma praia, ou seja, um lugar por onde se passa de vez em quando para tomar um sol ou um mergulho de mar.

Mesmo me colocando do lado da idéia de que há um campo, tenho dúvidas sobre a denominação de estudos feministas como um rótulo englobante dos estudos que são feitos hoje neste lugar. Em sessão anterior deste evento pude acompanhar "ao vivo" a tensão entre diferentes posições políticas sobre o lugar dos estudos acadêmicos no campo militante e vice-versa. Suely Almeida (Professora de História da UFF) lembrava dos embates que havia presenciado em diferentes encontros da REDEFEM entre feministas e estudiosas de gênero. Ana Alice Costa (Professora de Ciência Política da UFBA) fez uma intervenção classificando estas últimas como generólogas, termo que também escutei em outras ocasiões, usado de forma pejorativa e fundamentalista por algumas colegas como categoria acusatória de despolitização feminista. Impossível continuar meu texto sem repensar este ponto que parece ainda ser nevrálgico das relações de poder, hierarquia e classificação no interior do campo no qual estamos trabalhando.

Creio, a partir de dados obtidos em vasta pesquisa que realizei com Sônia Malheiros Miguel em 1995 sobre o movimento feminista no Brasil,23 que nem todas as pessoas e os grupos que trabalham com questões que eu considero de gênero, se reconheçam no rótulo feminista. Em nossa pesquisa, realizada com um universo de mais de 1000 instituições, constatamos que não podíamos denominar de movimento feminista, grupos que ora se auto-denominavam como "de mulheres", ora se consideravam "feministas", ora se diziam trabalhar com " questões ou políticas de gênero". Partindo destes dados e analisando os trabalhos apresentados em diferentes eventos da área24 considero que há vários tipos de pesquisas sendo realizadas atualmente no Brasil: pesquisas sobre mulheres, pesquisas sobre homens, pesquisas que analisam as relações de gênero, pesquisas preocupadas com questões teóricas, pesquisas sobre o movimento feminista e de mulheres, etc...

No campo teórico, apesar da grande maioria das pesquisadoras se considerar feminista, algumas não se identificam como tal, em parte porque o termo feminismo remete para muitas delas a um caráter militante no qual muitas não se reconhecem (e, neste caso, particularmente jovens pesquisadoras que não se sentem discriminadas ou vítimas da opressão masculina), em parte porque algumas delas que trabalham com homens e masculinidades se sentem mal-vistas dentro do campo. Outras não se reconhecem como feministas e sim como cientistas sociais porque acham que o conceito de gênero é um conceito como outros da teoria social contemporânea (como classe, geração ou raça).

Estes embates falam muito mais de lutas políticas pela hegemonia dentro deste campo do que do efetivo reconhecimento de que se trata, hoje no Brasil, de um espaço permeado de pluralidade. Não me parece que haja tantas divergências teóricas entre as pesquisadoras, que é possível, sim, conciliar autoras de diferentes origens teóricas ou temáticas. Por isto prefiro sempre me referir a este campo como de estudos feministas, de mulheres e de gênero, lembrando que cabem nele tanto estudos sobre mulheres quanto estudos sobre homens, uma vez que ambos constituem o objeto tanto da teoria feministas (sob o ângulo da dominação masculina) quanto dos estudos de gênero (sob o ângulo das relações entre mulheres e homens, mulheres e mulheres, homens e homens).

É nesta perspectiva, de respeito à diferença e à pluralidade, que acredito nos empenharmos na editoria da estudos feministas desde que ela veio para a UFSC. Como é possível constatar, tanto nos editoriais, como nos folders e outros materiais de divulgação da revista, sempre usamos as duas categorias - feministas e de gênero - para designar o campo de abrangência da REF. Mas, como bem sabemos, o respeito à diferença e o reconhecimento da alteridade, mesmo que entendidos como categorias políticas louváveis, só se constroem em cima de um árduo e permanente trabalho cotidiano sobre si e nas relações com os/as outr@s que nos rodeiam. Editar a REF foi para várias de nós este grande aprendizado. Estudos Feministas é uma revista do campo brasileiro de estudos sobre mulheres, de gênero e feministas. Campo que deve, no meu entender, incluir também aquelas que querem apenas pegar uma cor ou uma onda, porque afinal já somos muit@s produzindo, pensando e construindo o feminismo e o conhecimento sobre as relações de mulheres e homens no Brasil.

 

Notas

Copyright ã 2004 by Revista Estudos Feministas.

1 Agradeço o convite de Marie Jane Carvalho e das colegas da REDEFEM – gestão 2001/2003, assim como as questões levantadas pela seleta platéia desta sessão, pois elas me ajudaram na reformulação de algumas das idéias expostas naquela ocasião.

2 Encontro Promovido pela REDEFEM no Fórum Social Mundial de janeiro de 2002.

3 Eva Alterman BLAY e Albertina de Oliveira COSTA (orgs.). Gênero e Universidade. São Paulo: NEMGE-USP, 1992.

4 Já no histórico encontro de São Roque, realizado em dezembro de 1990, havia sido criada uma comissão que elaboraria um projeto de revista feminista acadêmica. Faziam parte desta comissão Lena Lavinas (IPPUR/UFRJ) - primeira editora da REF - Heloisa Buarque de Hollanda (CIEC/UFRJ), Ana Vicentini (NEPEM/UnB), Maria Odila Silva Dias (USP) e Albertina de Oliveira Costa (FCC) (ver BLAY e COSTA, 1992, p. 112).

5 Participei da equipe de elaboração do curso de gênero junto com Eleonora Menecucci de Oliveira, Margareth Rago, Magda Neves e Peregrina Cavalcanti. Em um encontro realizado em fevereiro de 1992 em Florianópolis (que contou também com a presença de Claudia de Lima Costa com quem viria sete anos depois a assumir a editoria da REF), elaboramos um projeto que chamamos de "curso itinerante de gênero" o qual visava a formação de participantes dos núcleos de estudos de mulher e gênero existentes em todo o Brasil na temática de gênero. Nosso projeto era ambicioso, o de trazer grandes nomes da teoria feminista mundial, para, junto com as pesquisadoras brasileiras, aprofundar os conhecimentos de pessoas nas cinco regiões brasileiras. Na época já existiam 19 núcleos de pesquisa, número que cresceu muito nos últimos 10 anos. Hoje há um importante número de núcleos na região norte-nordeste, agrupados na REDOR, e nas universidades de outras regiões do país foram criados inúmeros grupos de pesquisa em torno de temáticas ligadas à questões de gênero.

6 Sabemos hoje o quanto os recursos financeiros permitem o desenvolvimento de determinados projetos e avaliamos que certamente o campo de estudos de gênero hoje no Brasil teria outros recortes teóricos caso o projeto do curso itinerante tivesse sido aprovado. É importante lembrar que, apesar de não ter financiado o projeto de curso itinerante, a Fundação Ford tem financiado há vários anos o Curso de Metodologia em Pesquisas sobre Gênero em convênio com IMS/UERJ, NEPO/UNICAMP e MUSA/UFBA, curso que tem sido essencial na qualificação de novas gerações de pesquisador@s no campo da sexualidade e saúde reprodutiva.

7 Desenvolvi com Sonia Malheiros Miguel uma reflexão mais aprofundada sobre o papel das agências financiadoras no texto "Mapeamento dos grupos de gênero, feministas e de mulheres no Brasil" publicado em Antropologia em Primeira Mão, número 5, 1996.

8 Sobre esta questão me inspiro na reflexão de Jane FLAX, 1995.

9 Quando abordo a temática da subjetividade, inspiro-me, entre outros nas reflexões de Cliffort GEERTZ em O Saber Local, 2002.

10 Entre as raras publicações sobre a temática, destaco o recente livro de Celi PINTO, Uma história do Feminismo no Brasil, São Paulo, Fundação Perseu Abramo, 2002.

11 Silvana BITENCOURT, que trabalhou sob minha orientação em projeto de Iniciação Científica (PIBIC/UFSC), entrevistou uma série de jovens feministas durante o II Fórum Social Mundial, mostrando-nos que há um grande interesse por esta temática por parte das novas gerações (2002).

12 Estou usando a categoria levi-straussiana de mitemas, que são elementos constituidores de um mito, elementos que são articulados diferentemente por cada grupo social. Idéia desenvolvida por Claude LÉVI-STRAUSS em Mythologiques, vols. 1 a 4, Paris, Ed Plon, 1964 a 1971.

13 Heleieth SAFFIOTI, 1978. Sobre a importância histórica deste trabalho ver também os comentários de Bila SORJ, 1995 e Maria Aparecida MORAES e SILVA, 1995.

14 Desenvolvo este argumento em GROSSI, 1998.

15 A obra destas duas autoras é praticamente desconhecida no Brasil. Mesmo tendo iniciado suas pesquisas nos anos 30, com um olhar privilegiado sobre as mulheres, ambas só publicaram nos anos 60. Denise PAULME, especialista de povos da África Negra, publicou Femmes en Afrique Noire em 1960 (Paris-La Haye, Mouton) e Germaine TILLION tem um importante livro sobre as relações de gênero no mundo mediterrâneo, Le Harém et ses cousins, cuja primeira edição é de 1966 (Paris, ed du Seuil), obra que teve uma grande inflluência sobre o feminismo francês pós-68. Depoimentos de ambas encontram-se no vídeo de Carmen Rial e Miriam Grossi , As Alunas de Mauss, Florianópolis, NAVI, 2002, 43 minutos.

16 Cuja primeira edição na França é de 1949 pela Editora Gallimard. Ver também a importante reflexão feita por várias autoras em número especial dos Cadernos Pagu, organizado por Mariza Corrêa, "Simone de Beauvoir e os Feminismos do Século XX", Cadernos Pagu, Unicamp, número 12, 1999.

17 Anette GOLDBERG, 1987 e 1991.

18 Para compreender o espírito deste momento, ver por exemplo: Emmanuèlle DURAND et alii, 1978; June HAHNER, 1978; número especial da Revista Encontros com a Civilização Brasileira, 26 Mulher Hoje, 1980; Maria Cristina BRUSCHINI e Fúlvia ROSEMBERG, 1980; Madel T. LUZ et alii, 1982.

19 Em outro texto, inédito, intitulado "Baseado e Pau de arara", Albertina COSTA relata etnográficamente as discussões e a forma clandestina que as discussões feministas tomavam para um grupo de acadêmicas, com carreiras em franca consolidação à partir de outros objetos de estudo.

20 Não cito a fonte deste documento dado o seu caráter confidencial. É interessante ver como o mesmo fato é interpretado de forma radicalmente oposta por Anette Godberg em texto escrito para o público francês no qual ao comparar o desenvolvimento dos estudos feministas no Brasil e na França conclui que teria havido uma fácil inserção das feministas brasileiras no mundo acadêmico local em comparação com a forte resistência acadêmica francesa à temas relacionados com mulher e feminismo, o que segundo ela, havia permitido uma maior difusão das idéias feministas no mundo acadêmico brasileiro do que no francês (1986).

21 No triênio 2001/2002/2003 a Revista Estudos Feministas recebeu o conceito Internacional A no Qualis de várias áreas de Ciências Humanas na CAPES, confirmando assim o esforço desprendido por várias gerações de editoras na sua legitimidade e respeitabilidade acadêmica.

22 Nos primeiros dois anos (1999/2001) estivemos presentes em aproximadamente 30 eventos. À partir de 2002 continuamos com esta média de presença em eventos graças ao apoio da Fundação Ford à este projeto que resultou, entre outras coisas, na constituição do consórcio de publicações que se reuniu no I Encontro Brasileiro de Publicações Feministas e no I Encontro Internacional e II Nacional de Publicações Feministas em 2002 e 2003.

23 GROSSI e MIGUEL, 1996.

24 Só em 2001 tive a oportunidade de participar dos seguintes eventos. Em setembro no Encontro da REDEFEM UFF Niterói, em outubro no II Encontro de Estudos de Gênero da UFPR e como organizadora (com Adriana Piscitelli) do GT Gênero, Sexualidade, Parentesco na reunião anual da ANPOCS, em outubro do GT Sentidos de Gênero na IV Reunião de Antropologia do Mercosul.

 

Referências

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