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Texto & Contexto - Enfermagem

versão impressa ISSN 0104-0707

Texto contexto - enferm. v.15 n.spe Florianópolis  2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072006000500002 

ARTIGOS ORIGINAIS
PESQUISA

 

Uma história de sucesso: 30 anos da Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC

 

A success story: 30 years of the Nursing Graduate Program at UFSC

 

Una historia de suceso: los 30 años del Postgrado en Enfermería de la UFSC

 

 

Maria Itayra Coelho de Souza PadilhaI; Miriam Süsskind BorensteinII; Ana Rosete MaiaIII; Jenifer Adriana Domingues GuedesIV; Juliana Cristina LessmannV; Caroline Andrade MachadoVI

IProfessora do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutora em Enfermagem pela Escola Anna Nery (EEAN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sub-Coordenadora do Grupo de Estudos da História do Conhecimento da Enfermagem (GEHCE). Pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Santa Catarina, Brasil
IIProfessora do Departamento de Enfermagem da UFSC. Doutora em Filosofia de Enfermagem pela UFSC. Coordenadora do GEHCE. Pesquisadora do CNPq. Santa Catarina, Brasil
IIIProfessora do Departamento de Enfermagem da UFSC. Doutoranda do Programa de Pós-Graduacão em Enfermagem (PEN) da UFSC. Membro do GEHCE. Santa Catarina, Brasil
IVEnfermeira. Mestranda do PEN/UFSC. Membro do GEHCE. Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Santa Catarina, Brasil
VEnfermeira pela UFSC. Membro do GEHCE. Santa Catarina, Brasil
VIAluna do Curso de Graduação em Enfermagem da UFSC. Membro do GEHCE. Bolsista de Iniciação Científica do CNPq. Santa Catarina, Brasil

Endereço

 

 


RESUMO

Pesquisa qualitativa com abordagem sócio-histórica, que objetivou historicizar a trajetória do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina partindo da percepção das coordenadoras. Foram realizadas entrevistas com seis coordenadoras do Programa. Os dados encontrados expressam três categorias de análise: 1) a criação do curso e o desafio das pioneiras; 2) a retomada do Curso de Mestrado e os avanços; 3) o Doutorado e a consagração do Programa e sua expressão no cenário nacional e internacional. O estudo possibilitou conhecer como se deram a criação do programa, os avanços, os desafios, a participação dos órgãos financiadores, a produção científica dos docentes e discentes e a contribuição do Curso no contexto nacional e internacional. Concluímos que, o programa contribui expressivamente para o desenvolvimento do saber em enfermagem e saúde, na qualificação de docentes e pesquisadores e estimulando a melhoria da prática de enfermagem no país, e no exterior.

Palavras-chave : Enfermagem. História da enfermagem. Educação de pós-graduação em enfermagem.


ABSTRACT

This is a qualitative study, using a socio-historical approach. Its objective is to place into a historical perspective the trajectory of the Nursing Graduate Program at the Federal University of Santa Catarina, Brazil, from the historical perspective of its coordinators. In order to so, structured interviews were carried out with six of the coordinators who served in the Program. The data found express three categories of analysis: 1) the creation of the course and the challenge of the pioneers; 2) the return of the Master's Course and advances; 3) the Doctorate and the consagration of the Program, its contribution to the national and international scene. This study made it possible to get to know more about the creation of the Program, the advances made, the challenges faced, the participation of the financial organs, the scientific production of the faculty and the students, as well as the contributions of the Course in the national and international arenas. We conclude that the program has expressly contributed towards the development of knowledge in nursing and health care, in the qualification and professional preparation of faculty and researchers, as well as contributed to the improvement of the nursing practice in Brazil and abroad.

Keywords: Nursing. History of nursing. Graduate nursing education.


RESUMEN

Es una investigación cualitativa con abordaje socio-histórico, cuyo objetivo fue historiar, a partir de la percepción de sus coordinadoras, la trayectoria del Programa de Postgrado en Enfermería de la Universidad Federal de Santa Catarina. Para llevar a cabo tal objetivo, se realizaron una serie de entrevistas parcialmente elaboradas con seis coordinadoras que trabajaron en el Programa. Los datos obtenidos expresan tres categorías de análisis: 1) la creación del Curso y el desafío de las pioneras; 2) la retomada del Curso de Maestría y sus avances; 3) el Doctorado y la consagración del Programa así como su manifestación en el escenario nacional e internacional. El estudio nos permitió conocer cómo se realizó la creación del Programa, los avances, los desafíos, la participación de las entidades de subvención, la producción científica de los profesores y alumnos, la contribución del Curso en el contexto nacional e internacional. Podemos concluir que el Programa de Postgrado ha contribuido de forma relevante para el desarrollo del conocimiento y del saber en enfermería y salud, así como en la capacitación de profesores e investigadores, también para la mejora de la práctica de la Enfermería en el país y en el exterior.

Palabras clave : Enfermería. Historia de la enfermería. Educación de postgrado en enfermería.


 

 

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Ao final da segunda grande Guerra, o cenário mundial relacionado a ciência e tecnologia estava completamente mudado e seu impacto sobre as atividades econômicas, principalmente na indústria, já se evidenciava. A guerra exigiu o uso de equipamentos bélicos sofisticados, como também, um aumento na produção de bens e serviços para fins civis, superando a capacidade produtiva, que foi reduzida pela destruição. Esta Guerra afetou a ordem econômica internacional, as estruturas de poder e as relações entre os países. A comunidade científica instalada nos institutos de pesquisa, nos órgãos do governo, e nas universidades do país, tornaram-se uma organização que exigia maior articulação política, vinculação ao processo de industrialização e modernização que o mundo estava vivenciando, além de desenvolver a "ciência pura".1

Em 1948 é criada a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e em 1949, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Em 1951 são criados a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), como resultado da luta intensa dos cientistas brasileiros no sentido de obter apoio e financiamento para pesquisas nas universidades.1 Durante a década de 50 e início dos anos 60, há grande ênfase para a formação de recursos humanos de nível superior no exterior, financiados por instituições de fomentos, como: CNPq, CAPES, Fundo do Desenvolvimento Técnico e Científico (FUNTEC), Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e instituições internacionais como a Fundação Rockfeller, Ford e outras afins.

Vários fatores contribuíram para a criação de cursos de pós-graduação formal no país, dentre estes, podemos enumerar, os seguintes: a mobilização pela reforma universitária; o crescimento das matrículas no ensino superior; a expansão quantitativa dos institutos e departamentos; a necessidade de docentes mais qualificados; e o aumento decisivo sobre a demanda para a pós-graduação. A organização do ensino de pós-graduação stricto sensu foi fundamentada no Parecer Sucupira (Parecer Nº 977/65), aprovado pelo então Conselho Federal de Educação, em 1966, e pela Reforma Universitária ocorrida em 1968. Este Parecer instituiu a indissolubilidade entre ensino e pesquisa, sistema de unidades de créditos, e os departamentos como unidades mínimas do sistema e fez a distinção entre os programas de pós-graduação Latu-Sensu, e os programas de pós-graduação Stricto Sensu.2

Sua criação se dá no bojo de uma concepção política de promoção do desenvolvimento econômico do país, onde se fazia necessária uma política de formação de recursos humanos qualificados, a qual pretendia atender duas demandas principais: a necessidade de futura mão-de-obra especializada para preencher os novos empregos criados pelo desenvolvimento econômico previsto e a necessidade de ter cientistas, pesquisadores e técnicos aptos a desenvolver a pesquisa, indispensável à mudança econômico-industrial do país.3

As Pós-Graduações Stricto Sensu são, hoje, um segmento consolidado no cenário educacional brasileiro e, nas últimas décadas, têm contribuído, decisivamente, para a formação de recursos humanos qualificados e para o desenvolvimento científico do país, garantindo a posição de destaque do Brasil, no contexto Latino-Americano.4 O sistema de Pós-graduação precisa se expandir para dar conta das novas necessidades. Isso significa injetar dinheiro novo na pós-graduação, particularmente para a formação de quadros a serem absorvidos pelas universidades, onde a pesquisa em saúde necessita de apoio.5

A Pós-Graduação Stricto Sensu em Enfermagem, no Brasil, teve início em 1972, na Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro, quando a mesma iniciou o Mestrado em Enfermagem Fundamental. Em 1973 a Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP) iniciou o Mestrado na área de Concentração em Fundamentos de Enfermagem. Em 1975, quatro outras áreas foram criadas: Administração de Serviço de Enfermagem, Enfermagem Psiquiátrica, Enfermagem Pediátrica e Enfermagem Obstétrica.6 Atualmente temos no Brasil 29 Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu em Enfermagem. Destes, 24 oferecem Curso de Mestrado, 03 Mestrados Profissionalizantes e 13 deles oferecem cursos de Doutorado. Os Programas estão distribuídos da seguinte forma: quinze (15) na Região Sudeste, dois (02) na Região Centro-Oeste, quatro (04) na Região Nordeste e seis (06) na Região Sul. Os Cursos de Doutorado são oferecidos em nove (09) dos Programas da Região Sudeste, em 02 do Nordeste e em 02 da Região Sul.

Em Santa Catarina, o primeiro Curso de Pós-Graduação em Enfermagem Stricto Sensu foi criado em 1976, pelas professoras do Departamento de Enfermagem da UFSC (Apêndice 1). Atualmente o Programa tem forte inserção regional e se destaca tanto no cenário nacional como internacional e até a outubro de 2006 titulou 442 mestres e 112 doutores. Vários trabalhos têm sido escritos a respeito desse Programa, porém poucos historicizam a sua longa jornada.

Ao completar 30 anos de existência, o Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PEN) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), através de seu corpo docente e discente, vem contribuindo de forma relevante com a formação e o desenvolvimento de pesquisadores no país. A reflexão sobre esta trajetória, necessariamente nos conduz ao passado e à constatação de que esta história foi escrita com a contribuição de todos aqueles que participaram de vários momentos decisivos. Esta reflexão faz aflorar um misto de sentimentos: algumas frustrações por objetivos não atingidos, mas especialmente uma grande alegria pelas vitórias alcançadas. O percurso não foi fácil. Os personagens são testemunhas das dificuldades, lutas, desafios e vitórias. Diante da sua expressão acadêmica e política nos mais diversos cenários, da sua ampla produção científica e de transformações tanto no ensino, na pesquisa como na assistência e por conta de inúmeras lacunas existentes na sua história, o Grupo de Estudos de História do Conhecimento da Enfermagem (GEHCE) resolveu realizar esse estudo, que tem como objetivo historicizar a trajetória do PEN/UFSC nos seus 30 anos, na perspectivas de suas coordenadoras.

 

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa qualitativa com abordagem sócio-histórica. Este tipo de estudo caracteriza-se por estudar os grupos humanos no seu espaço temporal, discutindo os variados aspectos do cotidiano desses grupos sociais. O método de pesquisa histórica caracteriza-se por uma abordagem sistemática que se faz através de coleta, organização e avaliação crítica desses dados, que tem relação com ocorrências do passado.7 Na coleta de dados desse estudo, as fontes primárias se constituíram pelas entrevistas semi-estruturadas realizadas com seis coordenadoras que atuaram no Programa, ao longo destes trinta anos. As entrevistas foram realizadas no período de junho a outubro de 2006, em locais de escolha das entrevistadas, e tiveram a duração média de duas horas. Estas foram gravadas com autorização dos sujeitos do estudo e depois de transcritas, submetidas à validação de seu conteúdo pelas mesmas. Foram utilizadas ainda outras fontes documentais como: relatórios, artigos de periódicos, anais e livros. No que se refere às questões éticas, o estudo obedeceu à Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde, especialmente no que se refere ao Consentimento Livre e Esclarecido. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina em junho de 2006, com o Protocolo de número 1023/06. O material transcrito foi analisado e selecionadas as unidades de registro, unidades de análise, sub-categorias e categorias.8 A partir da metodologia empregada, o estudo obteve as seguintes categorias de análise: a) a criação do curso e o desafio das pioneiras; b) a retomada do Curso de Mestrado e os avanços; c) o Doutorado: a consagração do Programa e sua expressão no cenário nacional e internacional.

 

A CRIAÇÃO DO CURSO E O DESAFIO DAS PIONEIRAS

A UFSC, criada em 1960, se caracterizava por ser uma instituição de ensino superior bastante inovadora, imbuída de uma visão perspectiva. Desde sua criação, o grupo dirigente se conscientizou da necessidade de implementar as reformas que vinham se instalando no país.9 O Curso de Enfermagem não poderia ficar fora, diante do momento histórico que se fazia presente. Estar dentro de uma instituição jovem e no contexto da Reforma Universitária exigia mudanças estruturais no modelo de ensino superior e uma nova maneira de atuar. Embora o Curso de Graduação tivesse sido recentemente criado em 1969, as professoras deste Curso sentiam a necessidade da criação de um curso de pós-graduação, para capacitar seu corpo docente e fazer frente às necessidades que surgiriam futuramente.

Tendo como preocupação o aperfeiçoamento e a atualização do corpo docente do Curso de Graduação em Enfermagem, o Departamento estabeleceu contato com a Pró-Reitoria de Ensino e Pesquisa, para discutir o assunto, em meados de 1974. Como resposta, o Pró-Reitor designou uma Comissão* para elaborar um projeto de Curso de Especialização em Enfermagem.12 Essa Comissão, após realizar um estudo aprofundado na legislação específica e considerar outras informações obtidas, sugeriu a criação de um curso de pós-graduação, em nível de mestrado. O número de enfermeiros mestres era muito reduzido no país e havia por conse guinte, a necessidade de qualificar enfermeiros para docência, considerando o grande número de escolas de enfermagem que vinham sendo criadas.10

O grupo de professoras já tinha conhecimento da existência de um "Plano de Pós-graduação em Enfermagem para a Região Sul" elaborado pela professora Maria Helena da Silva Nery, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), para a Coordenação Nacional de Pós-Graduação da CAPES e resolveu debater o assunto com as demais Escolas de enfermagem da Região Sul. Em um primeiro encontro, em novembro de 1974, formou-se um grupo de trabalho com as representantes dos três estados do sul (PR, SC e RS) e com assessoria de duas enfermeiras da Organização Pan-Americana de Saúde (OPS)/Organização Mundial da Saúde (OMS), para avaliarem a possibilidade de implantação de um curso de Mestrado. Embora o grupo tenha realizado um estudo aprofundado durante um ano, levantando problemas, recursos e estabelecendo propostas, o consórcio não se concretizou. O Departamento de Enfermagem, estimulado pela Reitoria, resolveu então, encampar a idéia, e através da Portaria Nº 28, de 27/01/76, do Reitor Roberto Mündell de Lacerda, foi iniciado o Mestrado em Enfermagem em março de 1976.10 A coordenação temporária do curso ficou sob a responsabilidade da Profa. Ingrid Elsen, que já havia participado de seu planejamento e organização. Administrativamente, o curso foi instalado junto ao Departamento de Enfermagem, tendo sido destacado uma secretaria da Pró-Reitoria de Planejamento, para o referido curso.11

"Eu fiquei responsável para operacionalizar o projeto todo. Iniciamos com saúde do adulto que era parte do projeto grande, que tínhamos escrito. O Mundell disse: vamos fazer esta parte que já está no convênio, que é da responsabilidade da UFSC".12:min.10

O Curso de Mestrado em Ciências da Enfermagem – opção Saúde do Adulto tinha como objetivos: 1) participar do desenvolvimento curricular em nível de graduação e pós-graduação, na qualidade de docente, a fim de atender a expansão do ensino da enfermagem na Região Sul; 2) ministrar a assistência de enfermagem ao indivíduo, família e comunidade no ciclo saúde-enfermidade, com base em resultados de investigações realizadas no exercício profissional e; 3) planejar e participar do planejamento global e implementação de progra mas de ações específicas de enfermagem, segundo a política educacional e de saúde do país.10

Na organização dos campos de prática e pesquisa, o curso contou com a contribuição da Profa. Dra. Wanda de Aguiar Horta, da EEUSP. O corpo docente fixo inicial da área conexa era, basicamente, constituído por professores doutores e mestres de outros departamentos da UFSC. Para a área de concentração o curso contou com a participação da professora americana, a Dra. Edna H. Whitley (Doctor of Education), que atuou por um período de seis meses. Posteriormente outras professoras doutoras brasileiras provenientes da EEUSP, EEURP, EPM e UFRGS, também contribuíram de forma expressiva para o desenvolvimento do curso. Desse período, a professora Ingrid Elsen relembra que atuou como integradora durante um ano, convidando os professores, mantendo o curso. Praticamente comecei o curso, digamos na parte administrativa.11

Segundo esta professora, em algumas reuniões para a organização do mestrado, já havia uma combinação entre o grupo das docentes sobre a necessidade de realizar o doutorado no exterior, de modo a evitar a endogenia. Desse modo, aquelas que concluíssem o curso, deveriam imediatamente sair do país e continuar sua formação acadêmica. As professoras que permanecessem deveriam dar conta das atividades do PEN/UFSC. Em 1977, a professora Maria Albertina retornou para Florianópolis, já tendo concluído as disciplinas teóricas do mestrado na Escola Anna Nery, quando foi convocada para assumir a coordenação do curso.12

"O curso estava incipiente, precisava alguém na coordenação. Eu ainda não me sentia preparada, pois só havia concluído os créditos, ainda precisava concluir a dissertação e defender. Mas como era para ajudar, aceitei. [...] foi muito difícil, o currículo estava começando, haviam poucos alunos aprovados".12: min.30 A sua maior preocupação, enquanto coorde nadora (1977-1979) era, o tempo todo: "prever um professor para desenvolver as disciplinas. Às vezes, até concentrávamos em disciplinas bimensais ou trimensais, para poder facilitar a vinda do professor. Vieram muitas professoras da USP. Tivemos bastante articulação e condições com elas. Finalmente, segundo Albertina (2006), conseguimos, que este grupo se titulasse, e foram pleiteando o doutorado. Foi neste momento que a profa. Ingrid Elsen e a Prof.ª Mercedes Trentini, saíram para o doutorado nos Estados Unidos".12:min.30

A Prof.ª Alacoque Lorenzini Erdmann, que foi aluna do programa durante o período inicial (1976 a 1979), posteriormente assumiu a sub-coordenação junto com a Prof.ª Lucia Hisako Takase Gonçalves (1979-1980), relembra do período inicial: "eu era professora do programa e em 1979 fui designada, junto com a Prof.ª Lucia e Dra. Mariana Fernandes, como coordenadora do programa. Ficamos nessa comissão até 1981/82, quando então o programa foi desativado temporariamente. [...] é muito interessante esse processo de 79, de dar conta da turma que estava andando. Nós tínhamos um número significativo de alunos, nós tínhamos alunos da turma de 76, alunos de 77 e alunos de 79".13:min.16 "A CAPES mandou suspender o curso temporariamente. Os doutores que tinham eram de outras áreas. Tínhamos poucos doutores e muitos alunos. Trouxemos até uma doutora americana".11:min.25

De acordo com as professoras e coordenadoras do programa, essa foi uma época com uma série de dificuldades. A falta de professores qualificados, associado ao número insuficiente de produções científicas, fizeram com que fosse temporariamente cancelado o ingresso de novos alunos, e o curso passasse por uma reestruturação. Na década de oitenta, o empenho do corpo docente avança na capacitação nacional e internacional como Mestres e Doutores, além da criação dos primeiros cinco Grupos de Pesquisa do Programa, a partir de 1982.

 

A RETOMADA DO CURSO DE MESTRADO E OS AVANÇOS

Com o retorno da Prof.ª Dr.ª Eloita Neves Arruda dos Estados Unidos da América, em 1980, onde concluiu seu doutorado na Catholic University of América de Washington, o curso passou a contar então com mais uma professora capacitada para atuar no programa. Esta, juntamente com as professoras Alacoque Lorenzini e Lucia Hisako Takase Gonçalves, provocaram mudanças expressivas no Programa, sanando as deficiências apontadas pelos órgãos financiadores e investindo em um novo curso, o de Especialização, e fazendo com que os alunos que ainda não haviam se titulado, concluíssem seus estudos. Dessa forma, o curso foi avaliado pela CAPES em 1981/82, obtendo conceito A.14 Segundo a Prof.ª Alacoque "as facilidades começam a surgir na década de 80, quando nós tivemos alguns professores como: Augusto Cupani, da Filosofia, a Edel Ern, da Educação, a Clélia Schultz, da Psicologia e a Jean Langdon da Antropologia. Então eles nos acompanharam o tempo todo [...]. Isso começou mais adiante em 1982. Antes desses professores, tínhamos, o Prof. Dr. Oswaldo Maciel da Bioquímica; o Vitorino Secco da Metodologia de Ensino Superior, que dava Metodologia de Pesquisa; O Manuel Américo que dava Estatística, era da Saúde Pública. E a Maria de Lourdes também".13:min.20

Na década de 80, "os ventos passam a soprar melhor no PEN/UFSC". O programa que havia deixado de receber apoio externo, fora da UFSC, passa a receber novos apoios de vários professores de diferentes Departamentos da própria Universidade. Em 1986 foi realizado o Seminário de Avaliação dos 10 anos de Pós-Graduação em Enfermagem (POSGRADEN). Neste evento foi recomendada a criação do Curso de Doutorado em Enfermagem e modificação da área de concentração em Saúde do Adulto para "Assistência de Enfermagem".

"O time, para continuar, precisa de uma avaliação. Então nós fizemos esta avaliação para mostrar para o Brasil a nossa cara. As nossas fortalezas e fragilidades. Foi um momento muito importante [...]. A reestruturação do mestrado foi feita por todos os professores e os alunos juntos".11:min.40

A perspectiva adotada foi de aplicação e avaliação de referenciais teóricos na prática de enfermagem, sendo reafirmada nas avaliações ocorridas em 1995 e 2001. Nesta última avaliação, o mestrado passa a ter abrangência multiprofissional, contribuindo significativamente para mudanças na prática e de atitudes profissionais nos serviços de saúde.

"A implementação da disciplina de Prática Assistencial em nosso mestrado caracteriza-se por ser um diferencial, onde o aluno utiliza conceitos de uma Teoria de Enfermagem em sua prática, isto é o ponto alto que outras pós-graduações não ensinam, pode até ser que ensinam hoje, mas fomos os iniciadores".15:min.20 "A prática assistencial provoca um grande impacto, pois envolve o ensino e a assistência em todas as dimensões".16:min.30

A partir de 1993 é implantada a Modalidade de Mestrado Expandido para Unidades Receptoras ou Pólos. "Essa ampliação veio responder a uma proposta elaborada em um Encontro da Enfermagem da Região Sul, promovido pelas ABEns, no final dos anos 80, com vistas a impulsionar a qualificação da força de trabalho na região".16:min.40

Esta idéia foi concretizada em 1992, inicialmente pela criação da Rede de Pós-Graduação de Enfermagem da Região Sul, atual Rede de Promoção da Enfermagem da Região Sul (REPENSUL), sob a coordenação da Dra. Maria de Lourdes de Souza. Esta Rede envolvia a parceria da UFSC com as Universidade Federais do Paraná (UFPR), do Rio Grande do Sul (UFRGS), de Pelotas (UFPel), de Santa Maria (UFSM) e da Fundação Universitária de Rio Grande (FURG)10. "Era uma coisa de louco; simplesmente os professores iam dar aulas em muitos lugares, porque nós tínhamos expansões em todas as [Instituições Federais de Educação Superior] IFES da Região Sul. Essas expansões começaram em 93, os mestrados expandidos. Tinham os orientadores locais que davam o suporte, mas não era um período fácil, éramos poucos doutores".15:min.20

Posteriormente esta parceria ampliou-se para outras universidades do sul do país e centro-oeste. Na política de parcerias interinstitucionais, via Mestrado Interinstitucional (MINTER), foram titulados 203 mestres até 2006, aumentando, significativamente, a força de trabalho capacitada. O programa avançou ainda, escolhendo a alternativa solidária e colaborativa, para envolver as autoridades das instituições universitárias parceiras em uma política de fortalecimento do quadro docente local, de modo a criar condições para o surgimento de novos Programas de Pós-Graduação em Enfermagem. Isto pode ser evidenciado pela criação de cinco novos Programas de Pós-Graduação e pela elaboração de projetos para implantação de Programas de Pós-Graduação em outras universidades da região.17

"A partir deste programa foram criados ou tros na região sul. Todos estes programas são filhos dos doutores que se titularam aqui. Os mestres que se titularam aqui também estão ajudando estas reformas".18:min.20

Em maio de 2001, após ampla discussão, coordenada pela comissão específica para este fim, foi aprovado no Colegiado do Programa de Pós-Graduação, o novo currículo do Curso de Mestrado em Enfermagem. As mudanças visaram melhorar a visibilidade da articulação do curso de mestrado com o curso de doutorado, introduzir a interdisciplinaridade, e adequar a sua estrutura curricular à necessária redução do tempo de duração do curso. Foi mantida a perspectiva de formar profissionais críticos, reflexivos e capazes de desenvolver pesquisas com aderência à prática docente e assistencial.17

A nova estrutura conta com 24 créditos, sendo 13 obrigatórios e 06 em trabalho final e é dirigida para profissionais de enfermagem e de saúde, tendo como proposta básica promover o repensar das práticas de enfermagem e de saúde, com base em referenciais teórico-metodológicos, apresentando contribuições crítico-inovadoras para o cuidado no processo de viver humano.

 

O DOUTORADO: A CONSAGRAÇÃO DO PROGRAMA E SUA EXPRESSÃO NO CENÁRIO NACIONAL E INTERNACIONAL

A década de noventa marca um período histórico de muita expressividade e produção científica, levando o PEN/UFSC a despontar no cenário nacional e internacional. Ao ser redimensionado politicamente o programa, este assumiu o compromisso de investir intensivamente na titulação de mestres e doutores em enfermagem na região sul do Brasil. Com a consolidação do mestrado e após um longo período de estudos, implantou-se, em 1993, o Curso de Doutorado em Filosofia de Enfermagem, para enfermeiros/as, visando ampliar a capacidade de reflexão teórico-conceitual, ética e metodológica sobre as questões ligadas ao cuidado no processo de ser e viver saudável. Em 1996, com duas turmas em andamento, totalizando 49 doutorandas/os, o curso de doutorado amplia suas metas, visando tornar-se um centro de referência de estudos avançados e interdisciplinares enfocando a enfermagem e questões gerais de saúde. Para isso somou-se à área de concentração em "Filosofia de Enfermagem", a de "Filosofia em Saúde".17

"A gestão de 95-97 foi marcada pelo início do doutorado, sendo que desde este ano houveram muitas preocupações em manter o que estava sendo feito. Assim, fizemos avaliações anuais para verificar se o desenho do doutorado estava sendo implementado. Era um desafio ter um curso novo".15:min.15

Ao final de 1997 desencadeou-se um processo de reestruturação do curso de doutorado, o qual estendeu-se ao longo do ano de 1998, envolvendo trabalhos em comissão, seminários e posterior aprovação em plenária ampliada envolvendo docentes e discentes do programa. Este processo reafirmou o curso como Doutorado em Enfermagem, com caráter interdisciplinar, além de manter a perspectiva disciplinar e profissional da enfermagem. O curso manteve duas áreas de concentração, que passaram a ser denominadas "Filosofia em Enfermagem e Saúde" e "Enfermagem, Saúde e Sociedade". Em dezembro de 2000, as duas Áreas de Concentração do Doutorado foram fundidas em uma Área de Concentração que passou a ser única para o Programa e denominada: "Filosofia, Saúde e Sociedade".17

"Houve a necessidade de modificar as disciplinas, diminuindo o número das obrigatórias e das optativas-obrigatórias, articuladas às 8 linhas de pesquisa e que por sua vez são articuladas aos grupos de pesquisa".18:min.15

A política do programa é de manter uma articulação entre os cursos de mestrado e doutorado consolidando um fio condutor, no qual o conhecimento produzido no curso de doutorado possa ser aplicado e validado, em diferentes níveis de complexidade, como na graduação e nas especializações, pelos alunos da pós-graduação, retroalimentando, por sua vez, a produção deste conhecimento. "A idéia era exatamente estruturar o mestrado e o doutorado com o mesmo foco em uma única área de concentração. Tanto um como outro, tinham que titular da mesma forma, e os dois cursos passaram a ser abertos a outros profissionais da área da saúde".16:min.25

Por outro lado, ao criar um espaço para o exercício da interdisciplinaridade, este programa conta com a competência de um corpo docente qualificado, sendo procurado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, tais como psicólogos, médicos, assistentes sociais, fisioterapeutas, dentistas, educação física, nutricionistas, pedagogos e enfermeiros.

Neste sentido, percebe-se que desde a década de oitenta, o programa convive com o processo de reestruturação permanente da produção acadêmica, adequando-a ao trabalho científico, efetivamente realizado por docentes e discentes. Este trabalho, efetivado anteriormente a partir de pesquisas isoladas e individuais, passa a ser desenvolvido em núcleos e a se inserir em áreas temáticas que se constituem as linhas de investigação, configurando projetos integrados e articulados com a atividade de ensino e assistência. Estas linhas estão associadas a 13 Grupos de Pesquisa cadastrados no CNPq (Apêndice 2).

"Houve um esforço conjunto para a manutenção do curso de doutorado, sendo que as doutoras novas foram adquirindo experiência e se empenharam para elevar a qualidade do curso, juntamente com o conhecimento das novas regras da CAPES. Eu diria que nesta época se consolidaram os grupos de pesquisa, as produções, nossa revista e tudo isto precisou de um esforço muito grande".15:35

Considerando que o curso de doutorado conta apenas com treze anos de existência, este vem merecendo uma atenção especial do programa, através das inúmeras atividades de avaliação e acompanhamento. Dentre elas, destacamos a avaliação semestral das disciplinas oferecidas feita tanto pelos docentes, quanto pelos discentes. Podemos constatar que o curso de doutorado já evidencia o seu impacto político e social, com lideranças consolidadas e emergentes dos/as alunos/as egressos/as, que vem atuando no próprio programa; em programas de pós-graduação em outras universidades, inclusive assumindo cargos nas Pró-Reitorias de Pesquisa e de Ensino.

"Não tenho dúvidas de que o mestre ou doutor, quando retorna para sua instituição, ele será diferente. Ele aplica isso. Ele modifica, ele questiona mais o papel dele, mais o trabalho, e as relações. Ele faz a diferença. Ele se torna um transformador da prática".18:min.45

"Os enfermeiros, ao retornarem aos seus campos de atuação, tornam-se mais sensíveis às questões da humanização, acerca do sujeito/usuário das instituições de saúde, que é visto como um cidadão com vontades, direitos e deveres".16:min.50

No que diz respeito a sua amplitude, historicamente o programa mantém uma forte inserção regional, ao mesmo tempo em que se destaca no cenário nacional e internacional. Destaca-se, também, porque responde às necessidades do rigor científico na produção de conhecimentos e na formação acadêmica e atua de modo aderente às necessidades sociais, articulando-se às entidades organizativas das profissões e às instituições sociais com vistas a contribuir com propostas inovadoras para a resolução de problemas e para a diminuição das desigualdades sociais.19

Quanto à internacionalização do programa, vale ressaltar a crescente ampliação de oportunidades, tais como: contribuição na titulação de mestres e doutores oriundos dos países da América Latina; consultorias prestadas a instituições e participação em eventos e cursos ministrados por docentes do programa internacionalmente; participação de alunos do Doutorado da Enfermagem da UFSC, no Programa "Doutorado Sanduíche", em Universidades da América do Norte, Europa e América do Sul; ao longo do tempo são firmados e renovados convênios Internacionais: com o Departamento de Saúde e a Sociedade da Universidade de Linköping/Suécia (1998); a Universidade de Carabobo/Valência/Venezuela (1997); CICAD/OEA (2000); a Universidade de Michigan/EUA (2002) e participação no INDEN (International Network for Doctoral Education in Nursing) (2003); a Escola de Enfermagem da Universidade de Alberta/Edmonton/Canadá (2004); a Universidade de Aveiro/Portugal (2004); a Universidade de Tucumãn/Argentina (2004); a Universidad Nacional Mayor de San Marcos/Peru (2005); a Universidade do Porto (2005); a Universidad de Concepción/Chile (2006); e a Index Enfermería/Espanha (2006).19

"Eu acho que um marco importante na minha gestão foi o convênio com a Venezuela, que nós ajudamos a criar o Doutorado. Isso começou em 97. Foi um trabalho bem intenso".13:min.30

"Com o tempo foram ampliados os convênios com vários países [...]. Os convênios pré-existentes e os criados na nossa gestão tiveram grande impulso dado pelos professores e pelos alunos dos doutorados sanduíche. Investimos muito nisso, no mínimo, um aluno a cada semestre".16:min.40

O corpo docente assumindo mais um compromisso perante a comunidade demandante do Brasil e da América Latina, estabelece os propósitos de uma proposta de Estágio Pós-Doutoral de amplo alcance a partir de 2004, tanto para os egressos do seu próprio curso de doutorado, quanto para doutores provenientes de outros programas nacionais e internacionais.

Em decorrência da farta produção científica realizada no Curso de Mestrado em Enfermagem, que em 1991, completava 15 anos, e havia titulado 75 mestres e o Curso de Doutorado que iniciava em 1993 a sua primeira turma, havia uma demanda muito grande de produção de artigos tanto de docentes, quanto de discentes e de enfermeiras assistenciais e haviam poucos veículos nacionais de divulgação e socialização desta produção. Após inúmeras discus sões sobre fontes de financiamento, periodicidade, corpo editorial, indexação, seções adotadas pela revista e também qual seria o diferencial desta sobre as demais, foi editada em 1992, a Texto & Contexto Enfermagem, com periodicidade semestral, sob a coordenação da Dr.ª Ingrid Elsen.20 "Nós criamos a Revista. Era um grupo muito bom. Tinha a Rosita, a Ana Palma, várias pessoas [...]. Eu lutei pela Revista. Foi um sucesso [...]. Uma das idéias que eu tive era de que a revista deveria ser por temas, porque a gente pegava a Revista e tinha todas as visões sobre um tema".11:min.25

O grande diferencial da Texto & Contexto Enfermagem foi a opção por torná-la temática, ou seja, a partir das questões importantes para a Enfermagem brasileira e visando atender a filosofia do PEN/UFSC, cada número da revista atenderia a um tema específico, que seria discutido sob vários olhares e diferentes ângulos, permitindo assim, a possibilidade de um maior aprofundamento e consistência no tratamento das temáticas.11 Sob a Revista, as professora coordenadoras entrevistadas foram unânimes quanto a sua importância no cenário nacional e internacional. "A Revista possui boa divulgação e muito reconhecimento pelos nossos pares nacionais. Entretanto ela possuía muitas lacunas que precisavam ser transformadas e isso foi iniciado durante minha segunda gestão, dando grande impulso à Revista".16:min.55

"A preocupação com a qualidade e o impacto da Texto & Contexto Enfermagem, em nível nacional e internacional, tem sido uma constante do programa. Depois de um grande investimento coletivo conseguimos colocá-la on line em março, na página www.textoecontexto.ufsc.br e eletronicamente a partir de maio de 2006 o que com certeza ampliou em muito a sua visibilidade".18:min.45 Passa ram-se 14 anos de sua criação e a Texto & Contexto Enfermagem vem acompanhando o acelerado desenvolvimento técnico-científico da Enfermagem nacional e internacional. A Série Teses, lançada em 1996, contou, até dezembro de 2003, com 44 publicações da Editora Universitária da UFPel e UFSC/Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Esta publicação traduz-se em mais um veículo de divulgação da produção científica do curso de doutorado do PEN. Trata-se de uma Série consolidada no cenário nacional, representando uma abertura ao debate com a comunidade científica e uma ampliação de acesso aos profissionais da área. O Fórum de Direção do PEN§ decidiu, em outubro de 2003, suspender temporariamente a publicação da Série Teses no número 44, considerando a política de publicações da CAPES. Ambas se configuram como importantes estratégias à disseminação e ao consumo da produção científica, articulando ensino, pesquisa e extensão, numa maior abertura ao debate com a comunidade cientifica.19

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, que iniciou com a expectativa de titular seus docentes apenas em nível local, sem grandes ambições, tem ampliado consideravelmente o saber da enfermagem para além das fronteiras do país, provocando transformações expressivas em todos os níveis. Isto vem sendo referendado tanto pelas professoras coordenadoras entrevistadas neste estudo, como pelos inúmeros documentos escritos a respeito, e até mesmo, através da viva voz dos mestres e doutores que se graduaram no programa, e de diferentes profissionais que mantém algum tipo de vinculação com o PEN/UFSC. Uma das metas deste programa tem sido a busca constante de estratégias para a socialização da produção científica do seu corpo docente e discente. Neste sentido, a divulgação científica da produção docente e discente tem conquistado os/as profissionais pela seriedade de seus trabalhos.

Portanto, este breve retorno no tempo e nas memórias do programa nos possibilitou sintetizar as atividades realizadas, ao longo de seus trinta anos, demonstra inegavelmente a amplitude do investimento essencial que se refere à contribuição pessoal de cada um dos professores, alunos, funcionários, gestores e entidades organizativas que ao longo desse período, ajudaram a fazer a nossa história, a história do PEN/UFSC. Este texto procura mostrar o compromisso solidário comprometido com a construção de uma nova sociedade mais justa, onde a valorização do ser humano é tanto ponto de partida, como ponto de chegada.

 

REFERÊNCIAS

1 Córdoba RA, Gusso D, Luna SV. A pós-graduação na América Latina: o caso brasileiro. Brasília (DF): UNESCO/CRESALC/MEC/SeSu/CAPES; 1986.         [ Links ]

2 Almeida MCP, Barreira LA. Os estudos de pós-graduação em enfermagem na América Latina: sua inserção na comunidade científica. In: Sena RRS. Educación de enfermería en América Latina. Bogotá (CO): Universidad Nacional de Colombia/Facultad de Enfermería; 2000.         [ Links ]

3 Zucco C. Relação entre pós-graduação e graduação: a pós-graduação no contexto histórico educacional. In: Comissão de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior. Discussão da pós-graduação brasileira. Brasília (DF): EdUnB; 1996. p.79-90.         [ Links ]

4 Padilha MICS, Pires DEP, Martins CR, Wright MGM. As perspectivas dos programas de pós-graduação em enfermagem e o uso de ciência e tecnologia na América Latina frente aos desafios do século XXI. In: CICAD. La situación de los programas de postgrado de enfermería en nueve paises de América Latina frente a los desafios de la reducción de la demanda de drogas. Washington (DC/USA): CICAD; 2003. p.111-7.         [ Links ]

5 Diniz CW. Os dilemas do desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro. Ciência Saúde Coletiva. 2004 Dez; 9 (2): 271-4.         [ Links ]

6 Almeida MCP. A pós-graduação em enfermagem no Brasil: situação atual. Rev. Latino-American. Enferm. 1993 Jan; 1 (1): 1-11.         [ Links ]

7 Padilha MICS, Borenstein MS. O método de pesquisa histórica na enfermagem. Texto Contexto Enferm. 2005 Out-Dez; 14 (4): 575-84.         [ Links ]

8 Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa (PT): Ed 70; 1977.         [ Links ]

9 Lima JDF. UFSC: sonho e realidade. Florianópolis (SC): UFSC; 1980.         [ Links ]

10 Borenstein MS, Althoff CR, Souza ML. Enfermagem da UFSC: recortes de caminhos construídos e memórias (1969-1999). Florianópolis (SC): Insular; 1999.         [ Links ]

11 Borenstein MS; Machado CA, entrevistadoras. Ingrid Elsen: entrevista concedida ao acervo do Grupo de Estudos de História do Conhecimento da Enfermagem GEHCE/UFSC [fita cassete 60 min.] Florianópolis (SC): UFSC/GEHCE; 2006 Set 25.         [ Links ]

12 Borenstein MS, entrevistadora. Maria Albertina Braglia Pacheco: entrevista concedida ao acervo do Grupo de Estudos de História do Conhecimento da Enfermagem GEHCE/UFSC [fita cassete 60 min.] Florianópolis (SC): UFSC/GEHCE; 2006 Set 28.         [ Links ]

13 Borenstein MS, Lessmann JC; Guedes JAD; entrevistadoras. Alacoque Lorenzini Erdmann: entrevista concedida ao acervo do Grupo de Estudos de História do Conhecimento da Enfermagem GEHCE/UFSC [fita cassete 120 min.] Florianópolis (SC): GEHCE/UFSC; 2006 Jul 17.         [ Links ]

14 Saupe R. Avaliação interna do PEN/UFSC. Texto Contexto Enferm. 1996; 5 (esp.): 24-51.         [ Links ]

15 Lessmann JC, Guedes JAD, entrevistadoras. Lucia Hisako Takase Gonçalves entrevista concedida ao acervo do Grupo de Estudos de História do Conhecimento da Enfermagem GEHCE/UFSC [fita cassete 60 min.] Florianópolis (SC): UFSC/GEHCE; 2006 Jul 23.         [ Links ]

16 Borenstein MS, Lessmann JC, Machado CA, entrevistadoras. Denise Elvira Pires de Pires entrevista concedida ao acervo do Grupo de Estudos de História do Conhecimento da Enfermagem GEHCE/UFSC [fita cassete 120 min.] Florianópolis (SC): UFSC/GEHCE; 2006 Jun 7.        [ Links ]

17 Programa de Pós-Graduacão em Enfermagem. Relatório Qualitativo CAPES, do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC. Florianópolis (SC): UFSC/PEN; 2001.        [ Links ]

18 Borenstein MS, Lessmann JC, entrevistadoras. Maria Itayra Coelho de Souza entrevista concedida ao acervo do Grupo de Estudos de História do Conhecimento da Enfermagem GEHCE/UFSC [fita cassete 120 min.] Florianópolis (SC): UFSC/GEHCE; 2006 Mai 8.         [ Links ]

19 Programa de Pós-Graduacao em Enfermagem. Relatório Qualitativo CAPES, do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC. Florianópolis (SC): UFSC/PEN; 2005.         [ Links ]

20 Padilha MICS, Silva DG. A temáticacomo possibilidade de intersubjetividade: uma opção da revista Texto Contexto Enfermagem. REBEn. 2002 Abr-Jun; 55 (2): 174-82.         [ Links ]

 

 

Endereço:
Maria Itayra Coelho de Souza Padilha
R. José Dutra, 70, Ap. 102
88.036-205 - Trindade, Florianópolis, SC, Brasil
Email: padilha@nfr.ufsc.br

Recebido em: 31/10/2006
Aprovação final: 09/04/2007

 

 

* Comissão designada pela Portaria Nº 231/74, do Pró-Reitor de Ensino e Pesquisa, Professor Samuel Fonseca, designando as professoras: Eloita Pereira Neves, Ingrid Elsen, Nelcy Terezinha Coutinho Mendes e Rosita Saupe.
O da UFRGS em 1998, o da FURG em 2001, o da UFPR em 2002, o da UEM em 2003 e o da UFSM, em 2006.
É indexada nas bases de dados: LILACS: Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde; BDENF: Banco de Dados de Enfermagem; CINAHL: Cumulative Index to Nursing & Allied Health Literature; CUIDEN: Index de Enfermería en Español; LATINDEX: Sistema Regional de Información em línea de Revistas Cientificas de América Latina, el Caribe, España e Portugal).
§ O Fórum de Direção do PEN/UFSC é uma instância de decisão que foi criada na gestão 97/99 com a inclusão dos Coordenadores Didático-pedagógicos dos Cursos de Mestrado e Doutorado e Cursos Expandidos. Na gestão de 99/2001 foi ampliada com as coordenações de Intercâmbios e Convênios, de Pesquisa, e de publicação e divulgação.13;16;18

 

 

Apêndice 1 – Gestões do PEN/UFSC

GESTÃO 1976

Coordenadora do Programa: Profa. Ingrid Elsen

GESTÃO 1977 - 1979

Coordenadora do Programa: MSc. Maria Albertina B. Pacheco; Sub-Coordenadora: Dra. Lucia Hisako Takase Gonçalves (desde 1978)

GESTÃO 1979 - 1982

Coordenadora do Programa: Dra. Lucia Hisako Takase Gonçalves; Sub-Coordenadora: MSc. Alacoque Lorenzini Erdmann

GESTÃO 1982 - 1986

Coordenadora do Programa: Dra. Eloita Pereira Neves; Sub-Coordenadora: Dra. Lucia Hisako Takase Gonçalves

GESTÃO 1986 - 1991

Coordenadora do Programa: Dra. Ingrid Elsen; Sub-Coordenadora: Dra. Mercedes Trentini

GESTÃO 1991 - 1992

Coordenadora do Programa: Dra. Ingrid Elsen; Sub-Coordenadora: Dra. Maria Tereza Leopardi

GESTÃO 1992 - 1994

Coordenadora do Programa: Dra. Maria Tereza Leopardi; Sub-Coordenadora: Dra. Ingrid Elsen

GESTÃO 1994 - 1995

Coordenadora do Programa: Dra. Rosita Saupe; Sub-Coordenadora: Dra. Lucia Hisako Takase Gonçalves

GESTÃO 1995 - 1997

Coordenadora do Programa: Dra. Lucia Hisako Takase Gonçalves; Sub-Coordenadora: Dra. Maria Tereza Leopardi / Dra. Alacoque Lorenzini Erdmann

GESTÃO 1997 - 1999

Coordenadora do Programa: Dra. Alacoque Lorenzini Erdmann. Sub-Coordenadora do Programa e Coordenadora Didático-Pedagógica do Doutorado: Dra. Denise Elvira Pires de Pires. Coordenadora Didátido-Pedagógica do Mestrado da Sede e Interinstitucional da UFMT: Dra. Alcione Leite da Silva. Coordenadora Didático-Pedagógica dos Mestrados Interinstitucionais da CAPES: Dra. Eliana Marília Faria - Dra. Tamara Iwanow Cianciarullo.

GESTÃO 1999 - 2001

Coordenadora do Programa: Dra. Denise Elvira Pires de Pires. Sub-Coordenadora do Programa e Coordenadora Didático-Pedagógica do Mestrado: Dra. Maria Itayra C. de S. Padilha. Coordenadora Didático-Pedagógica do Doutorado e de Pesquisa e Produção Científica: Dra. Alcione Leite da Silva. Coordenadora Didático-Pedagógica dos Cursos Expandidos: Dra. Tamara I. Cianciarullo. Coordenadora de Publicação e Divulgação: Dra. Lúcia Hisako T. Gonçalves. Coordenadora do Pós-Doutorado (em implantação): Dra. Alacoque Lorenzini Erdmann.

GESTÃO 2001 - 2003

Coordenadora do Programa: Dra. Denise Elvira Pires de Pires. Sub-Coordenadora do Programa e Coordenadora Didático-Pedagógica do Doutorado: Dra. Maria Itayra C. de S. Padilha. Coordenadora Didático-Pedagógica do Mestrado: Dra. Marta Lenise do Prado. Coordenadora Didático-Pedagógica dos Cursos Expandidos: Dra. Flávia Regina Souza Ramos. Coordenadora de Publicação e Divulgação: Dra. Lucia Hisako Takase Gonçalves. Coordenadora de Pesquisa e Produção Científica: Dra. Denise Maria Guerreiro V. da Silva. Coordenadora de Intercâmbios, Convênios e Captação de Recursos: Dra. Maria Bettina Camargo Bub.

GESTÃO 2003 - 2005

Coordenadora do Programa: Dra. Maria Itayra Coelho de Souza Padilha. Sub-Coordenadora do Programa e Coordenadora Didático-Pedagógica do Mestrado: Dra. Marta Lenise do Prado. Coordenadora Didático-Pedagógica do Doutorado: Dra. Alcione Leite da Silva/Dra. Denise Maria Guerreiro V. da Silva. Coordenadora Didático-Pedagógica dos Cursos Expandidos: Dra. Vânia Marli Schubert Backes. Coordenadora de Publicação e Divulgação: Dra. Lucia Hisako Takase Gonçalves/Dra. Marisa Monticelli. Coordenadora de Pesquisa e Produção Científica: Dra. Angela Maria Alvarez. Coordenadora de Intercâmbios, Convênios e Captação de Recursos: Dra. Maria Bettina Camargo Bub.

GESTÃO 2005 - 2007

Coordenadora do Programa: Dra. Maria Itayra Coelho de Souza Padilha. Sub-Coordenadora do Programa e Coordenadora Didático-Pedagógica do Doutorado: Dra. Marta Lenise do Prado. Coordenadora Didático-Pedagógica do Mestrado: Dra. Telma Elisa Carraro/Vânia Marli Schubert Backes. Coordenadora Didático-Pedagógica dos Cursos Expandidos: Dra. Vânia Marli Schubert Backes. Coordenadora de Publicação e Divulgação: Dra. Marisa Monticelli/Odaléa Maria Brüggemann. Coordenadora de Pesquisa e Produção Científica: Dra. Denise Elvira Pires de Pires. Coordenadora de Intercâmbios, Convênios e Captação de Recursos: Dra. Maria Bettina Camargo Bub.

 

Apêndice 2 – Grupos de Pesquisa do PEN/UFSC e suas fundadoras

1982 -GESPI - Grupo de Estudos sobre cuidado de saúde integral a pessoas idosas (Dra. Lúcia H.T. Gonçalves);

1984 - GAPEFAM - Grupo de Assistência, Pesquisa e Educação na Área de Saúde da Família (Dra. Ingrid Elsen);

1987 - NUCRON - Núcleo de Pesquisa em Enfermagem e Saúde no Cuidado a Pessoas com Doenças Crônicas (Dra. Mercedes Trentini);

1988 - GEPADES - Grupo de Estudos e Pesquisas em Administração de Enfermagem e Saúde (Dra. Alacoque L. Erdmann);

1987 - TRANSCRIAR - Núcleo de Estudos Participantes do Processo de Viver e Ser Saudável (Dra. Zuleica Patrício);

1990 - GIATE -Grupo de Pesquisa em Tecnologias, Informações e Informática em Saúde e Enfermagem (Dra. Lygia Paim);

1991 - PRÁXIS - Núcleo de Estudos sobre Trabalho, Saúde, Cidadania e Enfermagem (Dra. Maria Tereza Leopardi);

1992 - EDEN - Grupo de Pesquisa em Educação em Enfermagem (Dra. Rosita Saupe);

1993 - NUPEQUIS - Núcleo de Pesquisas e Estudos em Enfermagem, Quotidiano, Imaginário e Saúde de Santa Catarina (Dra. Ana Lúcia Magela de Rezende);

1993 - C&C - Grupo de Pesquisa Cuidando e Confortando (Dra. Eloita Neves de Arruda);

1993 - Pesquisa em Ética (Dr. Ivo Gelain);

1994 - NEPEPS - Núcleo de Extensão e Pesquisa em Educação Popular, Enfermagem e Saúde (Dra. Astrid Eggert Boehs);

1995 - GEHCE - Grupo de Estudos da História do Conhecimento da Enfermagem (Dra. Alcione Leite da Silva e Dra. Lygia Paim);

1995 - NEFIS-Núcleo de Estudos em Filosofia e Saúde (Dra. Sandra Caponi);

2005 - GRUPESMUR - Grupo de Pesquisa em Enfermagem na Saúde da Mulher e do Recém-Nascido (Dra. Evanguelia Kotzias Atherino dos Santos e Dra. Marisa Monticelli).