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Revista Latino-Americana de Enfermagem

Print version ISSN 0104-1169

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.6 no.3 Ribeirão Preto July 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11691998000300001 

Editorial


 

EDITORIAL
A LEITURA DOS PERIÓDICOS DA ENFERMAGEM

 

Silvia Helena De Bortoli Cassiani1
Maria Helena Larcher Caliri1


 

 

A leitura, uma das atividades presentes em todos os níveis educacionais, é uma forma de autodesenvolvimento e, portanto, uma tarefa contínua e permanente do indivíduo. Sabe-se que um dos meios reconhecidos para aperfeiçoar os conhecimentos é a leitura crítica das revistas especializadas.

A leitura sistemática dos artigos científicos tem várias finalidades: estar a par do conhecimento disponível, participar do fluxo cultural constante, informar-se de modo permanente e alimentar o processo de formulação própria, de argumentar e contra-argumentar, de questionar e reconstituir (DEMO, 1996).

Consideramos, assim que a leitura das publicações da enfermagem é um recurso válido e eficaz para atender as necessidades de contínua aprendizagem dos enfermeiros, assim como é a participação em eventos e conferências, debates com colegas e a participação em cursos formais.

Neste sentido, a função das revistas é fornecer aos estudantes e enfermeiros, em geral informações sobre a prática corrente, conceitos, tendências e aspectos da enfermagem. Ainda mais, os artigos podem suplementar outros recursos de aprendizagem como textos e materiais áudio-visuais, com bibliografias extremamente mais atualizados do que os livros.

Entretanto, embora conhecendo todas essas vantagens, como tem se processado a leitura de artigos científicos pelos enfermeiros?

Estudo conduzindo com um amostra de 123 enfermeiros de Ribeirão Preto ¾ São Paulo e de Rio Branco ¾ Acre mostrou que 61% dos respondentes não lêem os periódicos com regularidade, 66,7% não os assinam e 49,7% não tem lido artigos científicos ultimamente. As justificativas para as respostas foram a falta de hábito, de tempo e gosto, o desinteresse pelas publicações, a dificuldade de acesso já que as instituições empregadoras não assinam periódicos, e a irregularidade das publicações, entre outros (CASSIANI & LOPES, 1988).

Infelizmente os resultados desta pequena amostra de enfermeiros parece refletir o comportamento de grande parte dos enfermeiros, haja visto as dificuldades financeiras que passam as revistas da área com o pequeno número de assinantes.

É necessário, pois, um esforço para a modificação deste quadro e acreditamos que diferentes estratégias poderiam ser usadas. Uma delas é o desenvolvimento de habilidades de leitura crítica na graduação em enfermagem, momento em que o aluno é incentivado a ir buscar suas respostas, ler o material disponível e criticá-lo, com supervisão do professor. Os artigos científicos publicados em nossos periódicos e portanto atuais, redigidos ou não pelos próprios docentes, podem e devem fazer parte das referências bibliográficas das disciplinas, ao invés destas conter simplesmente os livros textos, muitas vezes, desatualizados.

Outra estratégia seria as discussões de artigos científicos pelos enfermeiros, no seu ambiente de trabalho, através de estratégias conhecidas como clubes da revista, quando várias pessoas lêem artigos sobre determinado assunto e os discutem em reuniões. Essa atividade, estimula a leitura crítica e criativa de artigos científicos e a oportunidade de colaboração entre o enfermeiro docente e o assistencial.

Outra estratégia está no próprio periódico. É necessário que as revistas promovam uma avaliação e sua apresentação, tópicos de maior interesse e uma análise das expectativas de leitores e editores, possibilitando, assim, uma avaliação contínua dos periódicos. Além disto, a seção de cartas dos leitores poderia ser estimulada apreciando tanto as questões científico-metodológicas dos artigos publicados, como a própria avaliação das várias seções do periódico, por seus leitores.

Não devemos esquecer que o futuro dos periódicos impressos é uma preocupação e incógnita, face aos avanços na informática, na criação de revistas eletrônicas, e na globalização e rapidez da informação que a Internet proporciona aos seus usuários.

SABBATINI (1998) informa que as grandes editoras científicas e comerciais do mundo estão se posicionando para enfrentar essa nova realidade: as de que as revistas científicas, eventualmente, irão desaparecer.

Desta forma, entre as várias colocações apresentadas, ressaltamos que infelizmente o comportamento autodiretivo de aprendizagem e a solução das dúvidas dos enfermeiros deva estar se processando de um modo que não envolve, em sua maioria, a iniciativa pela leitura especializada de artigos da área. Estas são, sem dúvida, assuntos pertinentes e de interesse das revistas em geral, que estão aí para cumprirem o seu papel na formação e desenvolvimento de conhecimentos da área.

A importância do desenvolvimento da capacidade e habilidade de leitura do aluno e enfermeiro; a necessidade de favorecer o acesso e a disseminação de artigos, através dos clubes das revistas; a avaliação dos periódicos buscando tornar a leitura mais interessantes e agradável e estimular o uso da Internet, também como recurso de aprendizagem são elementos que, sem dúvida, merecem a reflexão de todos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

01. CASSIANI, S.H.B.; LOPES, C.M. O hábito da leitura no aperfeiçoamento profissional de enfermeiros. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE COMUNICAÇÃO EM ENFERMAGEM, 6, Ribeirão Preto, 1998. Comunicação em enfermagem: relatos de pesquisas do 6º Simpósio Brasileiro de Comunicação em Enfermagem, Ribeirão Preto, 1998, p. 58-62.

02. DEMO, P. Educando pela pesquisa. Autores Associados, 1996, 129p.

03. SABBATINI, R.M.E. Revistas eletrônicas. Extraído da Internet, site http:www.epub.or.br/ em 09/06/98.

 

 

1 Professoras Doutoras do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo