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Revista Latino-Americana de Enfermagem

Print version ISSN 0104-1169

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.7 no.2 Ribeirão Preto Apr. 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11691999000200001 

Editorial


 

EDITORIAL

 

Maria Helena Palucci Marziale1


 

 

Uma das metas sociais dos governos e das organizações internacionais e de toda a comunidade mundial traçada durante a Conferência de Alma Ata, realizada em 1978, foi a de que no ano 2000 todos os povos atingissem um nível de saúde que lhes permitisse levar uma vida social e economicamente produtiva. No entanto, próximos ao ano 2000, podemos constatar uma situação diversa daquela almejada, pois grande parte da população mundial continua privada do seu direito à saúde.

Hoje, 7 de abril, "dia mundial da saúde", as informações veiculadas na imprensa falada e escrita infelizmente retratam exemplos de que a falta de saúde é uma realidade que tomou lugar da utopia da saúde para todos no ano 2000.

O noticiário informa sobre a elevação do índice de desemprego, os confrontos étnicos e a conseqüente mortalidade advinda dos embates, a crise política e econômica de países de diferentes continentes.

Dentre as notícias nacionais estão as epidemias de Dengue e Cólera, os índices crescentes de Tuberculose e AIDS, as greves do setor saúde devido ao atraso dos salários, a falta de leito nos hospitais públicos, as enormes filas das unidades básicas de saúde, os problemas decorrentes da falta de controle de qualidade em indústrias farmacêuticas e a clandestinidade na fabricação de medicamentos e o aumento de 161% das doenças ocupacionais nos últimos 5 anos.

Esses exemplos refletem que a meta proposta de "Saúde para todos no ano 2000", embora tenha progredido em algumas áreas, apresentou limitações para ser alcançada. Novas dificuldades, novos riscos, diferentes situações de saúde em populações distintas compõem novo quadro de saúde motivando reorientações para o alcance da meta hoje entendida como "Saúde para todos no século XXI*".

Esta política mundial de saúde* propõe:

- o incremento da expectativa e da qualidade da vida para todos;

- maior igualdade em saúde entre os países e em cada um deles;

- o acesso de todos a sistemas e serviços de saúde sustentáveis.

As cinco orientações estratégicas e programáticas estabelecidas para o período 1995-1998, pela OPAS: Saúde no desenvolvimento humano, Promoção e proteção de saúde, Proteção e desenvolvimento ambiental, Desenvolvimento dos sistemas e serviços de saúde e Prevenção e controle das doenças, ainda estão em vigor e buscam ser alcançadas. Contudo, em 1998, a OPAS redirecionou uma série de linhas de cooperação para que os países membros conservem o meio ambiente saudável, avancem rumo ao desenvolvimento humano sustentável e que a população das Américas alcance "Saúde para todos e por todos"**.

Cabe reforçar que cada um de nós tem responsabilidades para com a promoção da saúde. Através da participação individual poderá ser motivada a participação coletiva e através de nossa organização, junto a nossos representantes, poderemos conquistar condições que contribuem para a aquisição de saúde.

 

 

1 Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e Presidenta da Comissão de Editoração da Revista Latino-Americana de Enfermagem

* OPAS – La salud en las Américas. Publicação científica nº 569. Washington, DC, PAHO, 1998

** OPAS – Orientações Estratégicas e Programáticas para a Repartição Sanitária Pan Americana 1999-2002. Washington, DC, PAHO, 1999