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Revista Latino-Americana de Enfermagem

Print version ISSN 0104-1169

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.7 no.5 Ribeirão Preto Dec. 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11691999000500006 

Artigo Original


 

EDUCAÇÃO CONTINUADA EM ENFERMAGEM: CONHECIMENTOS, ATIVIDADES E BARREIRAS ENCONTRADAS EM UMA MATERNIDADE ESCOLA

 

Rejane Marie Barbosa Davim1
Gilson de Vasconcelos Torres2
Sérgio Ribeiro dos Santos3


O objetivo deste estudo foi verificar os conhecimentos, as atividades e as principais barreiras encontradas por um grupo de 16 enfermeiros sobre a educação continuada em enfermagem. Como resultados evidenciou-se que são desenvolvidas atividades significativas em educação continuada tais como: palestras, treinamentos, cursos entre outros. Também foi constatado que há preocupação dos enfermeiros diante das dificuldades e barreiras encontradas para o desenvolvimento da educação continuada na instituição pesquisada.

UNITERMOS: educação continuada, enfermagem


CONTINUING EDUCATION: KNOWLEDGE, ACTIVITIES AND BARRIERS FOUND AT A MATERNITY SCHOOL

The purpose of the present study was to verify the knowledge, activities and the principal challenges of a group of 16 nurses regardingt continuing education. As results, many important activities in nursing continuing education were developed, for example: speeches, instructions, courses etc, and we found out that there are many difficulties and barriers to develop a continuing education program at the mentioned institution.

KEY WORDS: continuing education, nursing


EDUCACIÓN CONTÍNUA DE ENFERMERÍA: CONOCIMIENTOS, ACTIVIDADES Y BARRERAS ENCONTRADAS EN UNA MATERNIDAD ESCUELA

El objetivo de este estudio fue verificar los conocimientos, las actividades y las principales barreras encontradas por uno grupo de 16 enfermeros sobre la educación continua de enfermería. Como resultados se evidencian que son desarrolladas actividades significativas en educación continua como: charlas, adiestramiento y servicios y cursos entre otros. También fue constatado que existe preocupación de los enfermeros frente de las dificultades y barreras encontradas para el desarrollo de la educación continua en la institución investigada.

TÉRMINOS CLAVES: educación continua, enfermería


 

 

INTRODUÇÃO

O propósito em realizarmos um estudo sobre a educação continuada em enfermagem com um grupo de enfermeiros de uma instituição pública, surgiu diante de nossa experiência prática como docentes assistenciais. Verificamos durante essas práticas, um certo distanciamento dos enfermeiros em relação às ações educativas, como também uma restrita visão no que se refere aos problemas e necessidades educacionais da equipe de enfermagem como um todo.

O local escolhido para o estudo foi a Maternidade Escola "Januário Cicco" (MEJC) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), localizada na cidade de Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte.

A MEJC/UFRN oferece assistência à mulher e à criança, contando atualmente com 124 leitos, 103 auxiliares de enfermagem, 19 técnicos de enfermagem e 25 enfermeiros. Nessa instituição funciona residência médica gineco-obstétrica e pediátrica; recebe alunos de medicina, enfermagem, farmácia, nutrição e psicologia para atividades de ensino, pesquisa e extensão. É credenciada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) como Hospital Amigo da Criança. Desde 1997 participa do Projeto Iniciativa Internacional para uma Maternidade Segura, em relação à integração das habilidades de cuidados maternos de enfermagem Midwifery (entendido pela OMS como cuidados maternos básicos), prestados pela enfermeira obstétra no Rio Grande do Norte, sendo este, um projeto que é desenvolvido nos termos de uma educação permanente.

O setor de educação continuada da referida instituição é coordenado por um enfermeiro, Mestre em Ciências Sociais e Especialista em Enfermagem Obstétrica, o qual mantém com freqüência o desenvolvimento de cursos intra-muros para seus funcionários. Atualmente, está sendo desenvolvido nesse setor, dois cursos para técnicos e auxiliares de enfermagem intitulados Registro e documentação do paciente e Assistência de enfermagem materno-infantil. Estes cursos são realizados com a educação do funcionário intra-muros, com a finalidade de melhorar a qualidade e produtividade dos mesmos.

Quanto aos enfermeiros, a participação desses profissionais em programas de aperfeiçoamento intra-muros oferecidos pela instituição onde trabalham e de programas extra-muros oferecidos por outras instituições, tem sido efetiva, segundo a coordenação do setor de educação continuada do hospital em questão.

A participação intra-muros desses profissionais tem se efetivado pela assistência a cursos e palestras, participação em comissões, grupos de estudos e reuniões diversas, ministração de cursos para a equipe de enfermagem, elaboração de trabalhos científicos e ministração de orientações individuais e coletivas aos pacientes. Extra-muros, os enfermeiros participam e ministram cursos nas áreas de especialidades, cursos específicos de enfermagem, controle de infecção hospitalar, aleitamento materno, neonatologia, além de visitas de observações e intercâmbios a nível nacional e internacional.

Como Hospital Amigo da Criança, a MEJC/UFRN também desenvolve um trabalho específico em educação continuada sobre aleitamento materno, onde são vistos a importância dos dez passos para a atuação e o incentivo desse tema. O incentivo ao aleitamento materno é um trabalho realizado na instituição sob a coordenação de uma enfermeira obstétra, à qual ministra cursos sobre essa temática, intra e extra-muros, tanto a nível local, regional e nacional.

No geral, a enfermagem é exercida em todas as instituições por um grupo heterogêneo, começando pelo próprio nível de formação que varia do elementar ao universitário. É fundamental então, o desenvolvimento programas educacionais que contribuam para a melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem, preparando, dessa forma, profissionais capacitados para darem suas contribuições à sociedade.

Nesse sentido, torna-se imprescindível que o enfermeiro assuma a responsabilidade pela educação contínua de sua equipe, ajudando a melhorar o padrão de assistência prestada no hospital e comunidade, promovendo a valorização dos recursos humanos em saúde.

É importante ainda salientar que este estudo constitui uma primeira aproximação do tema em questão, sendo de relevância no campo da enfermagem, na medida que representa uma possibilidade de contribuição ao serviço de educação continuada da instituição.

Diante do que foi exposto, este estudo tem como objetivos:

- Identificar os conhecimentos que possuem os enfermeiros do estudo sobre educação continuada.

- Relacionar as atividades de educação continuada realizadas por esses enfermeiros.

- Detectar as principais barreiras encontradas por esses profissionais com relação à educação continuada.

 

REVISÃO DE LITERATURA

Temos observado que o avanço da tecnologia vem ajudando as profissões de um modo geral. Na enfermagem, existe um ponto fundamental que torna esta profissão muito especial, que é o relacionamento humano. Para que este relacionamento não seja prejudicado por este desenvolvimento tecnológico, torna-se necessário um processo de educação para os profissionais, tornando-os qualificados e elevando de certa forma a qualidade da assistência.

Esta qualificação poderá ser adquirida através da sistematização do aprendizado nos serviços de enfermagem, à qual tem sido reforçada por esses avanços tecnológicos e pelas mudanças sócio-econômicas e culturais. Essas mudanças podem ser alcançadas através de estratégias realizadas com a educação do funcionário intra ou extra-muros, favorecendo dessa maneira o seu desenvolvimento, levando-o a adquirir maior satisfação como profissional, melhorando assim sua produtividade.

DILLY & JESUS (1995) referem que a educação intra-muros do funcionário deve ser um processo que propicie conhecimentos, capacitando-o para a execução adequada do trabalho e que prepare esse funcionário para futuras oportunidades de ascensão profissional, objetivando tanto o seu crescimento pessoal quanto o profissional. Para os autores, é a educação continuada que permite ao profissional, o acompanhamento das mudanças que ocorrem na profissão, visando mantê-lo atualizado aceitar essas mudanças e aplicá-las no seu trabalho. Consideram, então, a educação continuada como um conjunto de práticas educacionais que visam melhorar e atualizar a capacidade do indivíduo, favorecendo o seu desenvolvimento e sua participação eficaz na vida institucional.

Já a ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD (1982), tem em conta a educação continuada de profissionais de saúde como "(...) um processo que inclui as experiências posteriores ao adestramento inicial que ajudam o pessoal de assistência à saúde a aprender competências importantes para o seu trabalho; (...) e que adequada, deveria refletir as necessidades e conduzir a melhoria planejada de saúde da comunidade" (p. 130).

A educação continuada é vista por SILVA et al. (1986) como um conjunto de práticas educacionais planejadas no sentido de promover oportunidades de desenvolvimento ao funcionário, com a finalidade de ajudá-lo a atuar mais efetiva e eficazmente na sua vida institucional. Ela deve ser uma constante troca de experiências, envolvendo toda a equipe e a organização em que está inserida.

DILLY & JESUS (1995) entendem a educação continuada de uma maneira mais ampla, considerando-a

"... como um processo que se confunde com a própria vida, sendo que na área da enfermagem tem de ser reservado o uso do termo para designar o conjunto de práticas educacionais que visem a melhorar e a atualizar a capacidade do indivíduo, oportunizando o desenvolvimento do funcionário e sua participação eficaz na vida institucional" (p. 92).

Na enfermagem, a educação continuada deveria frisar sempre a melhoria da assistência ao paciente/cliente. Nesse sentido, DAVINI (1994), ao refletir sobre essa temática entende a mesma, como sendo o conjunto de experiências que se seguem à formação do profissional permitindo ao trabalhador, manter, aumentar ou melhorar sua competência, visando o desenvolvimento de suas responsabilidades.

NUNES (1993), caracteriza a educação continuada como sendo alternativas educacionais mais centradas no desenvolvimento de grupos profissionais, seja através de cursos de caráter complementar ou seriado, seja através de publicações específicas de um determinado campo.

Em sintonia com essas idéias, SILVA et al. (1986), enfatizam que a educação continuada atuante pode conduzir à melhoria da assistência de enfermagem, promover satisfação no serviço e melhorar as condições de trabalho na busca de um objetivo comum, através da identificação de problemas, insatisfações, necessidades e a utilização de meios e métodos para saná-los.

Conclui-se então, que o fator mais influente na aprendizagem e nas mudanças, é a prática constante e o conhecimento atualizado, acrescido da especialização clínica, criando no indivíduo-funcionário necessidades de adaptação e reorientação em suas atividades.

Para KOIZUMI et al. (1998), a necessidade de se proporcionar programas de educação continuada que atendam adequadamente as carências do enfermeiro, bem como o uso eficiente de tecnologia avançada, tem se tornado um desafio tanto para os enfermeiros dessa área, como para os de educação em serviço, possibilitando assim, as mudanças nas atividades desenvolvidas e nas estruturas organizacionais das instituições.

SOUZA (1993) em seus estudos sobre educação continuada, ressalta que programas nessa área não podem ficar ao sabor do acaso, mas que os mesmos devem ser planejados de forma individual ou organizacional e avaliados sistematicamente. Dessa forma, esse processo de educação continuada irá ajudar os enfermeiros a se manterem competentes e atuantes, relacionando teoria e prática em benefício da assistência prestada.

O'CONNOR (1979), refere que a profissão da enfermagem reconhece a necessidade de seus membros atualizarem seus conhecimentos e habilidades através da participação na educação continuada, com a finalidade de promoverem a qualidade do serviço de cuidados médicos que a sociedade requer.

Diante disso, entende-se que as atividades efetivamente desenvolvidas em uma educação continuada, constituem uma das formas de assegurar a manutenção da competência da equipe de enfermagem em relação à assistência.

Para KOIZUMI et al. (1998), a educação continuada concilia as necessidades sentidas pelos enfermeiros com as normas institucionais, mantém formas de avaliação visando a promoção e o desenvolvimento, favorece condições materiais e de tempo para o cumprimento da mesma, que é um direito do cidadão e ao mesmo tempo, uma responsabilidade profissional.

SOUZA (1993), refere também, que a educação continuada nas instituições deve acompanhar o profissional desde a sua inserção, fazendo-o adaptar-se à mesma e dando-lhe condições de prosseguir na sua performance profissional, mantendo sua prática relevante e orientada, valorizando o seu fazer diário e transformando-o em trabalho de comunicação científica.

Uma experiência vivenciada por SILVA et al. (1986) no setor de educação continuada da divisão de enfermagem do Hospital Escola da Universidade Federal da Bahia compreendido entre 1983 e 1985, observaram como resultados importantes, o relacionamento interdisciplinar e a aprendizagem, tanto para os componentes do serviço como para os demais elementos da equipe de saúde, como também, o interesse de outros setores do hospital nas ações de educação continuada. Os referidos autores entendem que investir em educação, ou seja, na educação continuada em serviço, é a forma de atingir com maior profundidade os objetivos da instituição e da melhoria de vida da clientela.

Em resumo, entendemos que as necessidades de implementação de novas práticas e ações de saúde nos serviços para a reorientação das políticas sanitárias e a necessidade de atualização dos profissionais, têm a mesma resposta segundo os autores anteriormente citados pela concepção de que as mudanças desejadas para as instituições realimentam o profissional através do saber-fazer, e abrem mais espaços para a participação e possibilidades de reflexão na busca de alternativas, tendo em vista a melhoria da prática.

Em consonância com as idéias dos autores já citados, entendemos que a educação continuada para a enfermagem deve ser constituída de uma aquisição e reflexão progressiva de conhecimentos e competências, e que só poderá ser reconhecida à medida que a qualidade do cuidado prestado ao cliente/paciente seja efetivada através de uma assistência sistematizada e planejada de ações qualificadas, fazendo dessa maneira, com que o pessoal se sinta valorizado e motivado, capaz de apresentar um bom desempenho através de suas competências profissionais.

Portanto, para que programas de educação continuada possam ser realizados de forma eficiente, são necessários também, recursos humanos, materiais, financeiros e físicos, de forma adequada e disponível. É imprescindível ainda, que a instituição ofereça as mínimas condições de trabalho, para que dessa forma, os profissionais envolvidos com a educação continuada desenvolvam suas atividades de maneira eficiente e contínua.

 

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Trata-se de um estudo do tipo descritivo com uma abordagem quali-quantitativa, desenvolvido na MEJC/UFRN. A escolha dessa instituição deveu-se ao fato de ser um hospital-escola, campo de estágio da UFRN especializado na assistência ginecológica e obstétrica a nível ambulatorial e emergencial, tanto no âmbito curativo quanto preventivo, por atender uma grande demanda e por ser referência do Estado do Rio Grande do Norte.

A população foi composta por todos os enfermeiros (25) da instituição, sendo que a amostra foi constituída por 16 destes, representando 65%, que foram selecionados por acessibilidade, utilizando-se como único critério a aceitação do pesquisado em participar do estudo.

O instrumento utilizado para a coleta de dados foi um questionário com perguntas abertas e fechadas relacionadas aos cursos de qualificação dos profissionais, o entendimento sobre educação continuada, as atividades desenvolvidas, as dificuldades e barreiras encontradas por esses profissionais com relação à educação continuada no desenvolver de suas práticas. A coleta foi realizada no próprio local de trabalho dos enfermeiros, tornando evidente aos participantes do estudo, que lhes seriam assegurados o anonimato e a privacidade resguardando-lhes o direito, inclusive, de não responderem ao questionário, se assim o desejassem. Antes de iniciada a pesquisa, foi feito um contato com a direção da instituição, objetivando-se a autorização para a realização da mesma.

A análise dos dados foi realizada de forma quali-quantitativa com base nos objetivos propostos e na literatura estudada.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Diante dos resultados, verificamos que os enfermeiros pesquisados têm em média de 3 a 20 anos de serviço na instituição. Ao investigarmos que tipos de educação continuada formal extra-muros são por eles procurados, observamos predomínio nos cursos de pós-graduação senso lato. Dos 16 enfermeiros do estudo, 14 (87,5%) assinalaram terem feito cursos de pós-graduação senso lato, ou seja, especialização em obstetrícia (9) e atualizações em Infecção Hospitalar, Aleitamento Materno, Alojamento Conjunto, Qualidade Total, Acidente do Trabalho e Terapia Intensiva (4). Somente 2 assinalaram terem realizado pós-graduação senso stricto, sendo 1 mestrado em Ciências da Enfermagem e o outro em Ciências Sociais.

Conforme estes resultados e identificada a totalidade de enfermeiros deste estudo (n=16), podemos observar que a proporção de enfermeiros especialistas na área da obstetrícia é considerada satisfatória, tendo em vista as características da instituição em questão. Por conseguinte, a qualificação profissional dos enfermeiros pesquisados é um fator que pode interferir positivamente no exercício e na qualidade da assistência prestada à clientela da instituição em estudo, como também na administração dos vários setores de atuação do hospital, entre elas, a educação continuada. Este fator eleva, de certa forma, a qualidade da assistência prestada ao usuário da instituição, como também a administração nos diversos setores de atuação do hospital.

Ao serem questionados sobre o entendimento acerca da educação continuada, notamos que os enfermeiros possuem um conhecimento restrito, relacionado-a a cursos e treinamentos oferecidos à equipe, como podemos constatar diante de suas falas:

"São cursos e treinamentos oferecidos à equipe a fim de capacitá-los melhor e atualizá-los".
"É a continuidade do aprendizado, fazendo cursos, especializações e treinamentos".
"É a educação contínua onde se renovam os conhecimentos".
"É aquela que deve ser feita continuamente, contando com a participação de todos os profissionais de forma sistemática".
"É a renovação do conhecimento a partir de novos treinamentos, através de cursos periódicos".
"É a continuidade do aprendizado anterior, visando em especial, o aprimoramento da prática".

Corroborando estas afirmações, LEITE & PEREIRA (1991) afirmam que a educação continuada é um processo que propicia novos conhecimentos, capacita o funcionário para a execução adequada do trabalho, preparando-o para futuras oportunidades de ascensão profissional objetivando tanto o crescimento profissional quanto o pessoal.

Alguns enfermeiros referiram também, que esse trabalho contínuo deve ser oferecido da mesma forma aos pacientes e à comunidade, apesar desse entendimento não ter sido encontrado na revisão da literatura estudada expresso da seguinte forma:

"São treinamentos, cursos e palestras, realizados juntos ao paciente e funcionários, com o objetivo de haver melhoria na qualidade da assistência".
"É o trabalho contínuo para os pacientes, profissionais e a população".

Em relação às atividades de educação continuada desenvolvidas na instituição, constatou-se predominância nas palestras e treinamentos em grupo como se nota no quadro a seguir.

Observamos no Quadro 1 que tanto as palestras quanto os treinamentos em grupo foram os mais citados (11 vezes). O que chama a atenção neste quadro, é o número significativo de enfermeiros treinando individualmente seus funcionários (9). Estes treinamentos, realizados pelas enfermeiras do estudo em questão, estão dentro do sistema de educação continuada descentralizado, o qual é desenvolvido, segundo KOIZUMI et al. (1998), pela própria enfermeira da unidade. Referem ainda os autores que, ao participar dessas atividades, as enfermeiras contribuem para a adequação do conteúdo programático uma vez que as mesmas conhecem todas as atividades a serem desenvolvidas nos setores da instituição.

 

 

CAVALEIROS & COLI (1993) também enfatizam, que a participação de enfermeiros de unidades é essencial nesse tipo de treinamento, tendo em vista o contato permanente dos mesmos com os membros da equipe, como também, por terem as melhores condições de identificar a realidade de situações e avaliar as necessidades sentidas por eles.

Quanto as barreiras e dificuldades encontradas por esses profissionais para o desenvolvimento de suas atividades, foram assim relatadas e descritas no Quadro 2.

 

 

Diante da listagem do Quadro 2, as principais barreiras e dificuldades enfrentadas pelos enfermeiros para o desenvolvimento da educação continuada destacam-se: a falta de recursos materiais, humanos e didáticos; a falta de motivação e reconhecimento por parte dos profissionais de enfermagem, o acúmulo de trabalho, como também a falta de consciência da direção de enfermagem e da instituição em promover condições aos profissionais para realização desses cursos; a falta de integração entre as equipes como também a grande demanda no serviço.

A falta de recursos materiais e humanos citados por 10 enfermeiros pode ser preocupante diante do porte dessa instituição, uma vez que estes recursos em especial os recursos humanos, constituem pressupostos essenciais para o desenvolvimento adequado da educação continuada. Portanto, a relação estrita entre a carência de recursos humanos e materiais listada pelos pesquisados, nos parece ser um ponto crucial a ser solucionado com vistas a melhoria desse serviço oferecido pela instituição.

SILVA et al. (1986), em experiência vivenciada no serviço de educação continuada da divisão de enfermagem do Hospital Universitário de Salvador/BA, enfrentaram dificuldades semelhantes no que refere à falta de salas de aulas, material audiovisual, recursos para requisição de periódicos específicos, entre outros. Observaram também, a incompreensão dos próprios enfermeiros do serviço quanto à valorização da educação continuada, como um meio para se chegar à satisfação no trabalho e alcançar o objetivo de uma boa assistência.

Constatamos portanto, que a maioria das dificuldades/barreiras encontradas pelos enfermeiros no desenvolvimento de suas atividades em educação continuada é de ordem administrativa, financeira e organizacional da instituição, dificultando assim, a operacionalização da mesma, direcionada ao pessoal de enfermagem.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante dos resultados obtidos, constata-se que os enfermeiros possuem uma boa experiência profissional na instituição investigada, como também um nível significativo de cursos e qualificação profissional, o que provavelmente vem contribuindo no desempenho de suas atividades, entre elas, a educação continuada.

Quanto ao entendimento sobre a educação continuada, conceitos diversificados foram expressos, alguns aproximando-se do levantamento bibliográfico, demonstrando dessa forma que os enfermeiros possuem entendimento restrito do que seja a educação continuada.

No que se refere às atividades de educação continuada desenvolvidas pelos enfermeiros, as mais citadas foram as palestras, treinamentos em grupos e individuais, curso para atualizações e demonstrações de técnicas, evidenciado assim, que são desenvolvidas atividades significativas na instituição pesquisada, enfatizando para a qualidade da assistência prestada pela equipe de enfermagem. Esse processo de educação do funcionário no local de trabalho propicia conhecimentos e capacita o trabalhador para uma execução adequada preparando-o para futuras oportunidades no desenvolver de sua carreira.

Quanto a participação do enfermeiro em programas externos demonstra a importância que os mesmos têm dado a esses cursos, aprimorando a assistência de enfermagem através de trocas de experiências com outros profissionais e a necessidade de atualização e a divulgação de trabalhos.

Identificamos que as dificuldades e barreiras vivenciadas pelos enfermeiros da instituição em questão para o desenvolvimento da educação continuada, são também enfrentadas por outras instituições, como é o caso do Hospital Universitário de Salvador/BA (SILVA et al., 1986), o que nos leva a lamentar, contudo, que nem sempre os serviços de educação continuada são valorizados pelas equipes de saúde, como também pelas autoridades competentes.

A medida que a educação continuada torna-se importante, é necessário para o desenvolvimento de suas atividades, recursos humanos, materiais e espaço físico, e que todos esses recursos dependam dos objetivos propostos e das condições financeiras da instituição.

Sendo assim, torna-se necessário que tanto a direção como a chefia de enfermagem dessa instituição ofereçam condições básicas indispensáveis para o desenvolvimento dessas atividades, como também, disponibilidade e compatibilidade de horários para a execução das mesmas, já que a instituição possui um serviço de enfermagem que organiza e coordena as atividades em educação continuada.

É imprescindível também, a adoção de mecanismos estratégicos que incentive a participação dos profissionais envolvidos com a educação continuada, fazendo com que os mesmos desenvolvam suas atividades de maneira eficiente, planejada e contínua, através de programas de educação continuada adequados às reais necessidades de sua clientela.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido em: 21.10.97
Aprovado em: 19.2.99

 

 

1 Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem/UFRN - Mestre em Enfermagem de Saúde Pública/UFPB 2 Professor Assistente do Departamento de Enfermagem/UFRN - Mestre em Enfermagem de Saúde Pública/UFPB. Doutorando de Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo 3Enfermeiro - Professor Mestre no Mestrado em Enfermagem de Saúde Pública/UFPB