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Revista Latino-Americana de Enfermagem

On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.9 no.2 Ribeirão Preto Mar./Apr. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692001000200003 

Artigo Original


 

O ESTRESSE NA ATIVIDADE OCUPACIONAL DO ENFERMEIRO

 

Jeanne Marie R. Stacciarini*
Bartholomeu T. Tróccoli**


Trata-se de uma investigação exploratória para compreender o estresse em diferentes ocupações do profissional enfermeiro, tendo como objetivo analisar o que é estresse para o enfermeiro, identificar os elementos estressores em diferentes atividades ocupacionais deste profissional e averiguar se a atividade ocupacional exercida pelo enfermeiro, é percebida como estressante. A amostra constituiu de três grupos de enfermeiros (assistenciais, administradores e docentes) inseridos no serviço público da cidade de Brasília - DF e os dados foram coletados através de entrevistas individuais semi-estruturadas. Não existe uma clareza sobre o conceito de estresse, mas os enfermeiros vivenciam estressores diversos: relacionados aos fatores intrínsecos ao trabalho, às relações no trabalho, aos papéis estressores e à estrutura organizacional.

UNITERMOS: estresse, enfermeiros


THE STRESS IN NURSING PROFESSION

The general purpose of this exploratory research was to understand the stress in different nursing occupations, aiming at determining the meaning of stress to nurses, identifying the stressors regarding different nursing occupational activities and investigating if the nurses' occupational activity is perceived as stressful. The sample consisted of three groups of Nurses (clinical, managers and professors) working in the public service of the city of Brasília and data were collected through semi-structured interviews. Although the concept of stress is not clear among nurses, they do experience diverse stressors; related to intrinsic job factors, to relationships at work, to their roles and to the organizational structure.

KEY WORDS: stress, nurse


EL ESTRÉS EN LA ACTIVIDAD OCUPACIONAL DEL ENFERMERO

El presente es un estudio exploratorio para comprender el estrés relacionado con las diferentes actividades ocupacionales de las enfermeras profesionales. Nuestros objetivos son: conocer el significado del estrés para el enfermero, identificar cuales son los factores estresantes en las distintas actividades ocupacionales de este profesional y establecer si la actividad ocupacional realizada por el enfermero es percibida como estresante. La muestra fue conformada por tres grupos de enfermeros (asistenciales, administradores y docentes) que trabajan en el servicio público de la ciudad de Brasilia- DF. Los datos fueron obtenidos por medio de entrevistas semi-estructuradas. Aunque no tienen un concepto claro de lo que es el estrés, las enfermeras viven diversas situaciones estresantes; relacionadas con los factores intrínsecos del trabajo, con las relaciones personales, con los roles estresantes y con la estructura de la organización para la cual trabajan.

TÉRMINOS CLAVES: estrés, enfermero


 

 

INTRODUÇÃO

Atualmente a palavra estresse tem sido muito recorrida, associada a sensações de desconforto, sendo cada vez maior o número de pessoas que se definem como estressadas ou relacionam a outros indivíduos na mesma situação. O estresse é quase sempre visualizado como algo negativo que ocasiona prejuízo no desempenho global do indivíduo. Estressor é uma situação ou experiência que gera sentimentos de tensão, ansiedade, medo ou ameaça que pode ser de origem interna ou externa(1). O estresse não deve ser entendido como uma condição estática, pois é um fenômeno bastante complexo e dinâmico(2-3).

Atenção especial tem sido dada aos chamados estressores ocupacionais, i.e., tensões e problemas advindos do exercício de uma atividade profissional. O trabalho do enfermeiro, por sua própria natureza e características, revela-se especialmente suscetível ao fenômeno do estresse ocupacional. Estudo com 1.800 enfermeiros mostra que 93% deles afirmaram sentirem estressados no trabalho(4).

Desde o surgimento da profissão até os dias atuais, o enfermeiro, tem buscado uma auto-definição, tentando construir sua identidade profissional e obter reconhecimento. Nesta trajetória, este sujeito tem enfrentado dificuldades que comprometem o desempenho do seu trabalho e que também repercutem no seu lado pessoal. A profissão possui uma característica intrínseca, a qual poderíamos denominar de indefinição do papel profissional, que também pode ser relacionada como mais um dos seus elementos estressores.

O estresse é difícil de conceituar e pode ser entendido de formas distintas. Existem três formas de definição: como estímulo, como resposta ou como interação ou transação entre ambiente interno e externo do Indivíduo(5). Admite-se estas três questões envolvidas na conceituação segundo distintas abordagens: (1) como estímulo, com o enfoque no impacto dos estressores; (2) como resposta, quando examina a tensão produzida pelos estressores; e (3) como processo, quando entendido a partir da interação entre pessoa e ambiente(6).

Estas diferenças de abordagem têm propiciado o questionamento se o estresse é uma demanda do ambiente, uma característica do indivíduo ou uma interação entre indivíduo e o ambiente; este fenômeno ainda não está devidamente respondido(7). O estresse é um processo psicológico e a compreensão dos eventos estressantes é afetada por variáveis cognitivas; não é a situação nem a resposta da pessoa que define o estresse, mas a percepção do indivíduo sobre a situação(8).

Quanto ao estresse ocupacional, percebe-se igualmente uma extensão da indefinição do conceito de estresse. Considerado um assunto complexo, o estresse ocupacional não é um fenômeno novo, mas um novo campo de estudo que é enfatizado devido ao aparecimento de doenças que foram vinculadas ao estresse no trabalho, tais como hipertensão, úlcera e outras(9).

Numa das abordagens mais produtivas sobre o estresse ocupacional, o estresse é um problema negativo, de natureza perceptiva, resultado da incapacidade de lidar com as fontes de pressão no trabalho. Provoca conseqüências sob forma de problemas na saúde física e mental e na satisfação no trabalho, comprometendo o indivíduo e as organizações(10-11).

Os estressores do ambiente de trabalho podem ser categorizados em seis grupos: fatores intrínsecos para o trabalho (condições inadequadas de trabalho, turno de trabalho, carga horária de trabalho, contribuições no pagamento, viagens, riscos, nova tecnologia e quantidade de trabalho), papéis estressores (papel ambíguo, papel conflituoso, grau de responsabilidade para com pessoas e coisas), relações no trabalho (relações difíceis com o chefe, colegas, subordinados, clientes sendo diretamente ou indiretamente associados), estressores na carreira (falta de desenvolvimento na carreira, insegurança no trabalho devido a reorganizações ou declínio da indústria), estrutura organizacional (estilos de gerenciamento, falta de participação, pobre comunicação), interface trabalho-casa (dificuldade no manejamento desta interface)(10).

Embora a enfermagem tenha sido classificada pela Health Education Authority(12), como a quarta profissão mais estressante, no setor público, são poucas as pesquisas que procuram investigar os problemas associados ao exercício da profissão do enfermeiro no Brasil. A história da enfermagem revela que desde sua implementação no Brasil ela é uma categoria marginalizada e assim, o enfermeiro vem tentando se afirmar profissionalmente sem contar com apoio e compreensão de outros profissionais. Talvez como outras profissões, os problemas vividos não sejam totalmente situacionais, mas também históricos. Os estudos sobre o estresse na enfermagem, portanto, não podem perder de vista esta dimensão.

A enfermagem, hoje considerada científica, vive uma "crise", tanto na prática profissional como no âmbito escolar(13). Alguns componentes conhecidos como ameaçadores à estabilidade do enfermeiro são reconhecidos: o número reduzido de enfermeiros na equipe de enfermagem (13,14% segundo o Conselho Federal de Enfermagem)(14), as dificuldades em delimitar os diferentes papéis entre enfermeiros, técnicos, auxiliares e atendentes de enfermagem e a falta de um reconhecimento nítido entre o público em geral, de quem é o enfermeiro. Além destes, a situação política na qual estamos imersos, com o achatamento dos salários, estreitamento do mercado de trabalho e o desemprego, são fatores agravantes aos profissionais que são obrigados a atuar em mais de um local de trabalho, exercendo uma carga horária mensal extremamente longa. Todas estas características do momento profissional do enfermeiro encontram paralelos nos estressores ocupacionais(10).

Sem dúvida, no processo evolutivo da profissão, o enfermeiro tem se deparado com inúmeros problemas que estão associados às questões históricas, a formação adquirida, às exigências e deficiências de um sistema inserido em um determinado contexto sócio-político. Mas, não só o momento histórico e o contexto sócio-econômico devem ser levados em conta para uma maior compreensão do estresse ocupacional do enfermeiro. Também é importante distinguir o indivíduo e seu comportamento, considerando-os como elementos importantes na dinâmica deste fenômeno. Existem duas questões centrais sobre o estresse em qualquer trabalho, que são a dimensão ou característica da pessoa e a fonte potencial de estresse no ambiente de trabalho(15).

O estudo da manifestação do estresse ocupacional, entre enfermeiros, pode ajudar a compreender melhor e a elucidar alguns dos problemas enfrentados pela profissão, tais como a insatisfação profissional, a produção no trabalho, o absenteísmo, os acidentes de trabalho e algumas doenças ocupacionais. Uma melhor compreensão destes processos também permitirá a proposição de intervenções e busca de soluções.

No Brasil, a grande maioria dos enfermeiros está concentrada nos hospitais, respondendo à tendência assistencialista do setor saúde. Também encontramos profissionais em programas de saúde coletiva, que deveriam atuar sob o enfoque de um atendimento preventivo, mas que diante das políticas de saúde acabam sendo assistencialistas. Os enfermeiros podem ocupar ainda, cargos administrativos, geralmente em serviços de saúde, de ensino ou como gerentes dos serviços de enfermagem e da mesma forma, exercerem atividades de ensino, à nível técnico, universitário ou elementar.

Essa diversidade de ocupações sugere um quadro heterogêneo no que se refere aos problemas enfrentados pela categoria e certamente entre estas, algumas podem ser consideradas como favoráveis ao estresse. Algumas ocupações oferecem mais riscos ao estresse e, dentre estas, a enfermagem é citada, pelo fato de trabalhar com enfermidades críticas e com situações de morte. Se acatarmos estes elementos como estressores no trabalho do enfermeiro possivelmente os mais propensos seriam os profissionais assistencialistas. Mesmo assim, acreditamos que nas diferentes ocupações exercidas por este profissional, existem fontes estressoras diversas, mesmo para aqueles que não estão lotados em áreas de atendimento crítico(12).

As pesquisas de âmbito internacional se contradizem no que diz respeito à locais críticos de atendimento, como fontes de maiores níveis de estresse. Alguns autores(16-17) afirmam que enfermeiros de cuidados críticos, estão mais propensos ao estresse. Outros estudos(18-19) não diferenciaram os níveis de estresses de enfermeiras de cuidado crítico quando comparadas com uma população normativa.

Com base na revisão de vinte e oito artigos sobre o estresse na enfermagem de cuidados críticos, relatou-se que, embora a maioria afirme que o cuidado crítico é altamente estressor, os dados obtidos não confirmam esta crença(20). Em outro estudo que buscou determinar a predisposição geral para o estresse em enfermeiros que tratam de pacientes com câncer, concluiu-se que a enfermagem oncológica não é uma ocupação mais estressante do que as outras(3).

Em termos de publicações nacionais, encontramos estudos isolados, em profissionais de centro-cirúrgico, unidade de emergência, central de material e outros, induzindo o entendimento de que algumas áreas sofrem a problemática em níveis mais acentuados(21-23).

Diante dos resultados conflituosos, da ausência de estudos sistemáticos e da importância do tema, este estudo procurou investigar os elementos ocupacionais estressores, presentes no exercício profissional de uma amostra de enfermeiros brasileiros. Especificamente, este estudo objetivou (1) analisar o que é estresse para o enfermeiro; (2) identificar os elementos estressores em diferentes atividades ocupacionais deste profissional; e (3) averiguar se a atividade ocupacional exercida no momento pelo enfermeiro, é percebida como estressante.

 

MÉTODO

Trata-se de um estudo exploratório descritivo, para analisar a percepção do estresse ocupacional, vivenciada por enfermeiros em diferentes ocupações.

Amostra

A amostra foi constituída de trinta e três enfermeiros, escolhidos aleatoriamente dentro dos serviços públicos de saúde e educação de ensino superior, na cidade de Brasília, sendo doze assistenciais, onze docentes e dez administrativos.

Ao acaso, visitamos três unidades hospitalares públicas e três centros de saúde, buscando todos os enfermeiros assistenciais e administrativos que se encontravam trabalhando no respectivo dia e que se dispuseram a participar do estudo. Para o grupo de docentes, contatamos todos os enfermeiros (17 professores), da uma unidade de ensino superior (pública), que estavam de serviço na época da coleta de dados e destes, 11 viabilizaram o encontro para a entrevista.

Entende-se por enfermeiros assistenciais aqueles que trabalham em unidades hospitalares, em ambulatórios e centro de saúde, que estariam prestando um cuidado direto ao paciente. Dentre eles, alguns mencionaram que também fazem administração dos serviços de enfermagem, ou seja, delegam e supervisionam os serviços da equipe. Administrativos são os enfermeiros que chefiam as seções de enfermagem ou de outros serviços, também encontram-se em instituições de saúde. Docentes são os enfermeiros que atuam em instituições de ensino superior, trabalhando na formação de futuros profissionais.

Coleta de Dados

O instrumento de coleta de dados constituiu-se de um roteiro para entrevista (Anexo 1) individual, semi-estruturada e com perguntas abertas. Esse instrumento foi elaborado a partir de nossa experiência profissional, associado à tradução do Indicador de Estresse Ocupacional - Occupational Stress Indicator ¾ OSI(24-25).

O roteiro de entrevista conduzia às questões propriamente dita, o qual foi dividido em quatro partes: (1) dados pessoais do sujeito; (2) roteiro específico, sobre o significado do estresse e os maiores estressores vivenciados no trabalho; (3) aspectos opcionais, mais diretamente relacionados com a problemática; (4) encerramento, espaço reservado para algum comentário adicional sobre o estresse e agradecimento pela contribuição prestada.

Assim, a coleta de dados, obedeceu algumas etapas: construção do roteiro para entrevista, autorização da chefia imediata, esclarecimento sobre a pesquisa e garantia do anonimato ao sujeito e implementação da entrevista gravada, a partir da concordância de cada enfermeiro participante.

No momento da entrevista o sujeito era investigado sobre a existência de mais de uma ocupação dentro da enfermagem, em caso afirmativo, solicitávamos que suas respostas fossem reportadas àquela ocupação que estava sendo exercida no momento da entrevista.

Procedimento de análise

Todas as gravações das entrevistas foram transcritas e submetidas a uma análise de conteúdo, na modalidade de análise temática, resultando na definição dos principais conteúdos e temas das respostas dadas pelos participantes. "A categorização é uma atividade de classificação de conjuntos de elementos diferenciados segundo características simbólicas intrínsecas ou extrínsecas, podendo ser definidas através de analogias genéricas, em aspectos mais concretos e mais abstratos". O mesmo autor refere ainda, que não é apenas uma generalização, mas uma nova leitura da realidade com o máximo de objetividade(26-27).

 

RESULTADOS

Mesmo tendo optado por desenvolver um estudo predominantemente qualitativo, recorremos à quantificação, somente como forma de caracterizar os sujeitos. Assim, apresentamos na Tabela 1, alguns dados demográficos, tais como a idade, o tempo de formado e o estado civil, distribuídos sob forma da média, desvio padrão (DP) e percentuais, de acordo com as categorias ocupacionais.

Podemos ressaltar, de acordo com a Tabela 1, que pela médias apresentadas, existe uma ordem crescente de tempo de formado para os enfermeiros assistentes (variando de 07 à 16 anos), administrativos (de 06 à 28 anos) e docentes (de 08 à 32 anos). Salientamos ainda, que os docentes, além de apresentarem maior tempo médio de formado, a idade também foi maior, variando entre 35 e 58 anos, quando comparados com os enfermeiros administrativos (de 30 à 48 anos) e assistenciais (de 31 à 48 anos). Em geral, os enfermeiros, quando graduados, começam a trabalhar na assistência e depois decidem sobre outras opções.

Para o status civil, evidenciamos que a maioria dos docentes (63,6%) e enfermeiros administrativos (60%) é casada, assim como a metade (50%) da categoria assistencial.

Seqüencialmente, a análise dos conteúdos enunciados, revelam que em geral, os enfermeiros não definem o estresse, mas citam o que leva ao estresse e o que resulta a partir deste, sempre associado a uma conotação negativa. Assim, o estresse foi classificado a partir de causas e conseqüências, sendo esta última dividida em condições físicas e estados emocionais.

Causas - os conteúdos emitem alguns motivos que determinam o estresse, a conotação é voltada para algo que excede o limite suportado, sugerindo entre estes, condições externas e internas, a sobrecarga de trabalho, o esforço exigido e algumas características ligadas ao exercício da profissão.

Exemplos:

- é um esforço além do que seu limite suporta

- ele tem causas externas e tem as condições internas de cada um

Conseqüências - expressam os efeitos reativos à situação de estresse, vinculando principalmente condições de estado físico e emocional.

Exemplos:

- te leva a um cansaço, um esgotamento tanto físico quanto mental

- é a formalização, é a aparição de sintomas, de reações

A seguir, na Tabela 2, relacionamos as categorias apreendidas como elementos estressores a partir dos conteúdos mencionados pelos enfermeiros em diferentes grupos ocupacionais.

 

 

De acordo com as categorias dos elementos estressores apreendidas entre os enfermeiros em diferentes cargos ocupacionais, alguns aspectos podem ser ressaltados: (1) recursos inadequados e relações interpessoais são fontes estressoras para todos os grupos, independente da categoria ocupacional; (2) o objetivo final do trabalho do enfermeiro também é fator de estresse, seja o atendimento ao paciente para os enfermeiros assistenciais, as atividades com os alunos entre os docentes e relacionado à assistência para os enfermeiros administrativos e (3) elementos estressores relacionados à organização (política universitária, cobranças e poder de decisão) acontecem entre os docentes e os enfermeiros administrativos.

Assim, apresentamos a definição das categorias constituídas e alguns exemplos respectivos. Iniciamos por aquelas que se repetiram nos diferentes grupos ocupacionais.

Recursos Inadequados - os conteúdos remetem às dificuldades enfrentadas diante das condições, materiais e humanas, visualizadas como impróprias para o desenvolvimento do trabalho. No grupo dos docentes e administrativos além destas, reportam também às questões ambientais.

Exemplos:

- recursos humanos insuficientes

- não ter condições adequadas de trabalho

Outro tópico presente nos três grupos refere ao relacionamento instituído no ambiente de trabalho.

Relações Interpessoais - salientam as dificuldades de integração com outros profissionais, tanto da própria equipe de trabalho como indiretamente ligados.

Exemplos:

- quando as pessoas não tem a mesma sintonia de idéias

- o relacionamento com os colegas

Para os enfermeiros, em geral, as relações profissionais são consideradas como fontes de estresse. Porém, alguns sujeitos, não admitem este problema e outros, mencionam que estão em fase de transição, ou seja, começam a se relacionar melhor. Para os enfermeiros administrativos que referiram às relações como fontes de estresse, a incompreensão dos outros profissionais, o preconceito com a enfermeira, e a indefinição do papel profissional, são alguns determinantes.

O foco de maior atenção nas atividades ocupacionais dos enfermeiros, aparece como fonte de estresse; seja o paciente para o enfermeiro assistencial, o aluno para o docente e a assistência no sentido amplo, para o administrativo. Estes se englobam nas seguintes categorias:

Atendimento ao Paciente - remetem ao indivíduo para o qual a assistência de enfermagem é dirigida, especificam entre outros, o tipo de paciente, a patologia e seus hábitos.

Exemplos:

- o barulho dos pacientes

- tipo de paciente, paciente que exige muito

Embora o atendimento ao paciente apareça como uma categoria nas fontes estressoras do trabalho do enfermeiro, este aspecto não foi confirmado em uma pergunta específica sobre a relação enfermeiro-paciente. Os sujeitos admitiram a existência de problemas no relacionamento com a família do paciente, e que este sim, poderia ser considerado como estressor.

Atividades com Alunos - os docentes mencionam aspectos concernentes aos alunos, dentre estes, o tamanho das turmas, a heterogeneidade dos alunos, o despreparo dos indivíduos que chegam à Universidade e algumas ações diretamente ligadas a ele.

Exemplos:

- eu lido com aluno que não conhece, não sabe lidar com um termômetro

- temos que resolver todos os problemas dos alunos

O aluno como agente de estresse também é mencionado quando investigamos se a disciplina ensinada é um elemento estressor. Entre outros conteúdos relatam: os alunos já chegam em sala de aula apavorados, o aluno que chega com o conceito formado de que a enfermagem é uma executora de técnicas e que os alunos saem com um conceito errado da disciplina.

As atividades com alunos, mesmo tendo emergido como categoria dos elementos estressores, quando questionamos especificamente a relação do professor com o aluno, obtivemos que este nível de atuação em geral, não gera estresse. Porém, alguns mencionam especificidade desta relação que leva ao estresse, tais como o período de matrícula e o ensino de disciplina introdutória.

Relacionado à Assistência - os enfermeiros administrativos manifestam preocupações com o paciente, ele é o objetivo final do trabalho, embora não estejam diretamente ligados.

Exemplos:

- ser responsável pela qualidade do serviço

- preocupo com a qualidade da assistência

Tanto os enfermeiros docentes como administrativos salientam questões sobre o excesso de trabalho.

Sobrecarga de Atividades - os conteúdos expõem um excesso de atividades cumpridas e o que isto acarreta tanto a nível físico como emocional.

Exemplos:

- tenho que fazer muitas coisas ao mesmo tempo

- você não tem tempo, você tem sobrecarga

Identificamos ainda, uma categoria específica para o grupo dos assistentes:

Carga emocional - referem à sentimentos que são experienciados diante da prática do trabalho; entendemos como elementos emocionais do profissional.

Exemplos:

- o desgaste emocional

- saber o que fazer e saber que não vai dar conta

Os conteúdos restritos ao grupo de docentes foram classificados como Política Universitária, Questões Salariais e Carga horária.

Política Universitária - referem às características situacionais da Universidade; a estrutura universitária pública, assim como as perspectivas de seu direcionamento, dificultam o processo de ensino.

Exemplos:

- a inanição da Universidade em relação aos valores, às perspectivas de informação e a falência administrativa te sobrecarrega

- ver a falência da Universidade enquanto valores, enquanto estrutura e enquanto perspectiva

Questões Salariais - demonstram uma insatisfação com os salários recebidos, de acordo com a função desempenhada.

Exemplos:

- o salário não é compatível com o nível de instrução que a gente espera para os filhos

- ganhar mal desestabiliza e gera estresse

Carga horária - salientam que o tempo dispensado à atividade, é em si um elemento estressor, sendo também relacionado com a quantidade de atividades a desenvolver.

Exemplos:

- parece que o tempo é curto para realizar tudo isso

- a carga horária

Os conteúdos distintos para os enfermeiros administrativos constituíram como categorias: Poder de decisão, Cobranças, Reconhecimento Profissional e Elementos Atenuantes.

Poder de decisão - exprimem que a autoridade do profissional é limitada; não tem como solucionar uma série de problemas, dependendo sempre de instâncias superiores.

Exemplos:

- o que irrita é ver coisas que seriam facilmente resolvidas e não serem

- não poder tomar determinadas decisões

Cobranças - correspondem às solicitações recebidas, que chegam como pressões para o cumprimento dos seus deveres, as quais, muitas vezes se fazem impossíveis, devido fatores diversos. Manifestam também as exigências necessárias para que os outros cumpram com suas obrigações, ou seja, da mesma forma que recebem cobranças, igualmente tem que exerce-las.

Exemplos:

- as pessoas te cobrarem as coisas em um prazo muito pequeno

- cobrar e não ser reconhecido

Reconhecimento Profissional - relacionam aspectos que depreciam o enfermeiro, dificultando a valorização profissional.

Exemplos:

- a discriminação que existe

- o pessoal da enfermagem é de classe muito baixa e todo mundo acha que é o enfermeiro

Elementos Atenuantes - além dos fatores estressantes, alguns conteúdos sugerem questões que amenizam as dificuldades, dentre estes ressaltam a satisfação pelo trabalho realizado e principalmente quando o ambiente é considerado adequado.

Exemplos:

- tenho a vantagem de gostar do que faço

- o ambiente físico é adequado

Investigando se a ocupação exercida é considerada estressante, os enfermeiros assistenciais, indicaram em sua maioria, que a atividade desenvolvida é estressante, com exceção de um enfermeiro que atua na cirurgia-plástica e outro da saúde pública. Dentre os motivos do estresse mencionaram o fluxo e a gravidade do paciente, o envolvimento com o história do paciente, o modelo de assistência, a dependência de outros profissionais e algumas exigências profissionais à pessoa do enfermeiro tais como ser carinhosa, sorridente, meiga e educada.

Os conteúdos parecem divergentes quando questionamos se a docência é considerada como uma atividade ocupacional estressante. Aqueles que respondem afirmativamente ressaltam entre outros, o caráter de lidar com o ser humano, a responsabilidade com os alunos e também o momento atual. Para os sujeitos que responderam negativamente à questão, ou seja não é uma atividade estressante, colocam-na como uma função prazerosa, como algo que gosta de fazer e gratificante porque é possível ver o fruto do trabalho.

A atividade ocupacional administrativa foi considerada estressante, pela falta de recursos humanos e também devido a preferência pela assistência.

 

DISCUSSÃO DOS DADOS

De modo geral, os dados encontrados para as três ocupações do profissional enfermeiro, não foram divergentes, com pequenas exceções.

Embora os sujeitos não tenham definido claramente o estresse, as categorias encontradas para conceito, causas e conseqüências, corroboram com as dimensões explicitadas pela literatura. Na definição de Cooper o estresse é resultado da inabilidade de enfrentar as fontes de pressão no trabalho que levam entre outros à problemas de saúde física e mental(11).

Entendemos que embora não exista um conceito elaborado sobre o estresse, os sujeitos percebem a existência do fenômeno.

A partir de classificação proposta(10), podemos relacionar as categorias finais constituídas pelos conteúdos dos profissionais enfermeiros, da seguinte forma: no grupo de assistentes encontramos fatores intrínsecos ao trabalho (recursos inadequados), relações no trabalho (relações interpessoais e atendimento ao paciente) e appéis estressores (carga emocional); no grupo dos docentes estabelecemos fatores intrínsecos ao trabalho (recursos inadequados, sobrecarga de trabalho, carga horária e questões salariais), relações no trabalho (relações interpessoais e atividades com alunos) e estrutura organizacional (política universitária) e para o grupo dos administrativos estabelecemos fatores intrínsecos ao trabalho (recursos inadequados e sobrecarga de trabalho), relações no trabalho (relações interpessoais), estrutura organizacional (cobranças e poder de decisão) e papéis estressores (reconhecimento profissional e relacionado à assistência).

Embora o estresse seja um fenômeno individual, as categorias identificadas sugerem que alguns estressores são comuns, independentemente da ocupação do enfermeiro e as temáticas em quais giram os núcleos de sentido dos conteúdos parecem refletir uma cultura profissional com ampla variedade de determinantes de estresse; relacionados ao indivíduo, ao cargo e à organização.

O aparecimento de algumas categorias semelhantes se deve provavelmente, ao fato dos sujeitos estarem igualados na condição de serem trabalhadores públicos; ou seja, de forma mais ampla estão submetidos às mesmas regras, definidas pela política governamental; mesmo em ocupações diferentes, eles percebem algumas fontes de estresse similares. Isto nos leva a sugerir que futuros estudos sobre o estresse ocupacional do enfermeiro, comparem enfermeiros que trabalham em instituições públicas com outros que atuam em instituições privadas.

Dentre elementos identificados como estressores, de forma individual ou até mesmo em conjuntos, todos são mencionados pela literatura(22, 28-30).

As Relações Interpessoais apreendida como categoria dos elementos estressores para as três ocupações profissionais do enfermeiro é citada por alguns autores(3, 30).

Um estudo realizado com enfermeiros que atuam em sala de urgência, apontando fatores ligados às condições de trabalho que tendem a causar estresse, menciona entre outros as condições físicas inadequadas, a sobrecarga de trabalho, os relacionamentos conflituosos e as exigências do próprio trabalho(22).

Na identificação de fatores para o entendimento do estresse no trabalho de enfermeiras, salientaram-se a carga de trabalho, a falta de recursos, as relações hierárquicas e a ambigüidade do papel de enfermeiro(30). A questão salarial, como elemento estressor, foi relacionada somente pelo grupo dos docentes. Embora todos os sujeitos estejam submetidos à mesma condição de reajustes, ou seja, não recebem aumento a mais de dois anos, esta ocorrência insinua que este grupo é mais penalizado, em relação aos outros, no que se refere ao aspecto financeiro. Sabemos que os professores que trabalham em universidades públicas, em sua maioria, são contratados em regime de dedicação exclusiva, impedidos de outras fontes de renda.

Os elementos aos quais o trabalho do enfermeiro está direcionado, seja ele o paciente para os enfermeiros assistentes e administrativos e o aluno para os docentes, foram as vezes, mencionados como elementos estressores, aspecto este que é freqüentemente abordado(3, 30). A categoria denominada carga emocional, apreendida apenas no grupo de enfermeiros assistentes, não indica que o trabalho do enfermeiro em assistência direta ao paciente é mais estressante do que outras práticas do exercício profissional. A tendência, especialmente dos enfermeiros que trabalham no ambiente hospitalar, em pensar que os ambientes de atendimentos críticos favorecem mais estresse, não pode ser ressaltada. Neste sentido, estudos não são conclusivos quanto aos locais de atendimento relacionados à propensão ao estresse(16-19).

Os inúmeros artigos publicados sobre o estresse no trabalho do enfermeiro ainda não responderam se há alguma função ocupacional ou especialidade mais estressante do que outra. Existe um entendimento de que as fontes de estresse são diferentes, embora algumas sejam consideradas comuns, independente do cargo que o enfermeiro ocupa e da sua área de atuação de trabalho. Da mesma forma, não podemos inferir significado para a expressão de maior número de elementos estressores por parte dos enfermeiros em atividades exclusivamente administrativas, porém existem relatos na literatura de que as principais fontes de estresse no trabalho da enfermeira, são as atividades relacionadas à administração.

Pesquisas(1, 23, 31-32) indicam que as atividades administrativas, independente da área de atuação do enfermeiro, é um elemento estressor. Neste estudo, não observamos ênfase em aspectos ligados à administração como fontes estressoras. Porém, vale ressaltar que o número pequeno de nossa amostra é uma deficiência que deve ser corrigida em futuros estudos.

A interface família-trabalho é outra questão apontada(30, 33) quando se analisa estresse em mulheres trabalhadoras. Diante disto, interrogamos os sujeitos, que eram a maioria do sexo feminino e obtivemos que esta dificuldade na interação, ora funciona como estressante e por vezes não existe interferência. Compreendendo o estresse ocupacional como uma relação dinâmica, que necessita valorizar a interação entre os diferentes sistemas nos quais os indivíduos estão inseridos, pensamos que, para os enfermeiros, as atividades relacionadas à vida pessoal, tais como responsabilidade com a casa, com os filhos e outros, ao invés de estressantes, podem funcionar como suporte.

Segundo a percepção da maioria dos sujeitos, as diferentes ocupações são identificadas como estressantes, confirmando o que é descrito em estudos(3-4, 12) realizados com enfermeiros.

Vislumbramos que outras investigações se fazem necessárias, para aprofundarmos algumas questões, tais como o problema de turnos alternantes que é uma prática freqüente entre estes profissionais e as diferentes áreas de trabalho. Pretendemos também, desenvolver um instrumento para mensurar os estressores ocupacionais além de examinar amostras maiores, que possibilitem outras abordagens metodológicas.

Não temos dúvida de que pesquisas desta natureza possam colaborar no sentido de prevenir doenças ocupacionais e auxiliar na busca de soluções para alguns problemas desta categoria profissional.

 

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Recebido em: 26.11.1997
Aprovado em: 7.12.2000

 

 

* Enfermeira, Doutora em Psicologia Social, docente na Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás. Endereço Rua: T-65, 964 - Ap. 904 - Ed. Ilhas Canárias - Setor Bueno - 74230-120 - Goiânia - Goiás - Brasil ** Psicólogo, Doutor em Personalidade e Psicologia Social, Professor Adjunto IV no Departamento de Psicologia Social do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília

 

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