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Revista Latino-Americana de Enfermagem

Print version ISSN 0104-1169

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.14 no.3 Ribeirão Preto May/June 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692006000300005 

ARTIGO ORIGINAL

 

Produção científica de enfermeiros assistenciais com apoio de assessoria em pesquisa

 

Producción científica de enfermeros con el apoyo de la asesoria en pesquisa

 

 

Maria Helena Dantas de Menezes GuarienteI; Marcia Maria Fontão ZagoII

IEnfermeira-Professora do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina, Doutoranda, e-mail: nupe@uel.br
IIProfessor Titular da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Centro Colabotador da OMS para o desenvolvimento da pesquisa em enfermagem, e-mail: mmfzago@eerp.usp

 

 


RESUMO

O texto descreve o contexto, a coleta de informações e análise de atividades desenvolvidas no Núcleo de Pesquisa em Enfermagem (NUPE) de um hospital escola-público, no norte do Paraná, referente ao período de 1999 a 2002. A produção científica de enfermeiros assistenciais, mediada por esse núcleo constituiu o foco dessa análise, por ser considerada de importância fundamental para a formação profissional permanente. A coleta de informações se deu em fontes documentais primárias do NUPE. Verificou-se que os enfermeiros elaboraram, isoladamente ou em conjunto com alunos e professores de Enfermagem, 129 projetos de pesquisa. Foram apresentados 151 trabalhos científicos em diversos eventos, com seis premiações. Foram encaminhados para publicação 63 trabalhos científicos, sendo 36 publicados. No período investigado, todos enfermeiros concluíram Curso de Especialização, estando alguns realizando mestrado ou doutorado. Concluiu-se que o NUPE contribuiu para alavancar a produção científica na instituição, com repercussões no desenvolvimento pessoal e profissional dos enfermeiros.

Descritores: pesquisa em enfermagem; enfermeiras clínicas; publicações periódicas; enfermagem


RESUMEN

El texto describre el contexto, la recopilación de informaciones, y el análisis de actividades desarrolladas en el Núcleo de Pesquisa en Enfermería (NUPE) de un hospital- escuela-público, en el Norte del Paraná, referente al período de 1999 a 2002. La producción científica de enfermeros asistentes, mediada por ese núcleo, constituyó el foco de análisis, por ser considerada de importancia fundamental para la formación profesional permanente. La recopilación de informaciones fue realizada en fuentes documentales primarias del NUPE. Se verificó que los enfermeros elaboraron, aisladamente o en conjunto con alumnos y profesores de enfermería, 129 preyectos de pesquisa. Fueron presentados 151 trabajos científicos en diversos eventos, con 6 premios obtenidos. Fueron encaminados para ser publicados 63 trabajos científicos, de los cuales 36 fueron escogidos. En el período investigado, todos los enfermeros concluyeron Cursos de Especialización, estando algunos realizando Maestría o Doctorado. Se concluyó que el NUPE ayudó a elevar la producción científica en la institución, con repercusiones en el desarrollo personal y profesional de los enfermeros.

Descriptores: investigación en enfermería; enfermeras clínicas; publicaciones periódicas; enfermería


 

 

INTRODUÇÃO

Num contexto em que ocorrem constantes inovações técnico-científicas nas diversas áreas de conhecimento em saúde, a pesquisa em Enfermagem é um importante espaço para a reflexão e transformação da prática profissional.

Até bem pouco tempo atrás a pesquisa era uma atividade desenvolvida principalmente por enfermeiros-professores de cursos de Graduação em Enfermagem, vinculados às universidades brasileiras(1). A partir dos anos 1990, observa-se nos cursos de pós-graduação stricto sensu o ingresso de enfermeiros assistenciais que, ao buscarem conhecimentos da área são também inseridos na prática investigativa. Esses profissionais investem nesses cursos por representarem recursos que poderão proporcionar qualidade, credibilidade e eficácia no desempenho da sua prática(2).

Para enfrentarem deficiências da formação acadêmica e obstáculos de ordem pessoal e institucional, os enfermeiros desenvolvem investigações, individual e/ou coletivamente, buscando conhecer e aplicar o método científico(3-4). Destaca-se a participação dos enfermeiros assistenciais em eventos científicos, divulgando pesquisas e experiências profissionais. Essa atitude está diretamente relacionada à crença na importância da prática investigativa para o aprimoramento pessoal e profissional(1,5-6).

Contudo, ainda se faz necessário empreender grandes esforços no enfrentamento do hiato entre a produção do conhecimento pelos pesquisadores das universidades e a sua utilização nas instituições assistenciais em Enfermagem(7). Enfermeiros pesquisadores evidenciam a importância da desmistificação e destronização da pesquisa como prática essencialmente do meio acadêmico(7-8).

É primordial, portanto, que, cada vez mais, os enfermeiros assistenciais sejam incentivados e envolvidos em atividades que possibilitem o consumo, mas também o desenvolvimento de novas pesquisas para o avanço da profissão.

Um aspecto recente é o interesse de serviços de saúde, hospitais e unidades básicas de saúde, no aprimoramento do seu pessoal, apoiando os enfermeiros na efetivação de pesquisas por meio de formação de grupos de estudo, criação de núcleos de pesquisa, realização de cursos de extensão universitária, implementação de comissão de pesquisa e centro de estudos e pesquisas, entre outras iniciativas(3-4,9-12).

Experiências com a finalidade de instrumentalizar os enfermeiros assistenciais para o desenvolvimento de atividades concernentes à prática investigativa vêm acontecendo em serviços públicos e privados no país, denominados de assessoria em pesquisa(12-14).

No Hospital Universitário (HU), órgão suplementar da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Diretoria de Enfermagem, em janeiro de 1999, implantou o Núcleo de Pesquisa em Enfermagem NUPE, com o objetivo de incentivar e apoiar a realização de pesquisas pelos enfermeiros atuantes na instituição. Após quatro anos de funcionamento, período marcado por muitas atividades, desafios e conquistas, o NUPE, como serviço inovador na área, associado aos esforços dos enfermeiros e da instituição, tem uma história a ser registrada e resultados a serem avaliados.

Surgiu, então, a necessidade de uma investigação sobre os resultados alcançados a partir da implantação do NUPE, que focalizasse a produção científica dos enfermeiros. Parte dessa pesquisa será aqui sintetizada, consistindo na descrição sucinta das características de funcionamento e das atividades realizadas pelo NUPE, assim como da análise da produção científica dos enfermeiros do HU, no período de 1999 a 2002, classificadas como trabalhos científicos elaborados, apresentados, publicados e premiados.

Foi considerada também na investigação, a inserção dos enfermeiros em cursos de pós-graduação, como uma atividade que inclui a pesquisa como importante componente da formação profissional.

 

O CONTEXTO E A METODOLOGIA

O Hospital Universitário é um hospital-escola público da UEL, com 289 leitos, que atende a todas as especialidades médicas, com média mensal de 9.100 atendimentos ambulatoriais, 7.900 atendimentos no pronto-socorro, mil internações e 600 cirurgias. Tem uma comunidade hospitalar constituída por 1.650 funcionários, 350 docentes e 1.500 alunos.

Em 2002, a Diretoria de Enfermagem tinha, em seu quadro de trabalhadores, 21% dos recursos humanos da UEL e 44% do HU, tendo nesse contigente 87 enfermeiros e 436 técnicos e auxiliares de enfermagem.

Para desenvolver a investigação aqui relatada, optou-se por um estudo descritivo, incidindo na análise de dados obtidos em fonte documental primária, seja no próprio NUPE, seja na Assessoria Técnica e de Planejamento de Recursos Humanos da Diretoria de Enfermagem, cujas informações foram confrontadas com relatos de outros estudos, obtidos na literatura da área. Salienta-se que o projeto desta pesquisa foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa da UEL, recebendo parecer favorável à sua realização.

Os dados foram tabulados em freqüência e percentual simples e são apresentados em forma de figuras.

 

A CRIAÇÃO DO NÚCLEO DE PESQUISA EM ENFERMAGEM DO HURNP

Sendo a pesquisa uma ferramenta propulsora de transformações na enfermagem como também um fator incentivador dos profissionais para a ampliação do seu conhecimento e podendo proporcionar satisfação no trabalho(11), a Diretoria de Enfermagem do HU criou, em janeiro de 1999, o Núcleo de Pesquisa em Enfermagem (NUPE).

O NUPE constituiu-se como um serviço de Assessoria da Diretoria de Enfermagem, tendo como coordenadora uma docente do Departamento de Enfermagem do Centro de Ciências da Saúde da UEL, com tempo integral dedicado a essa atividade.

Este Núcleo de Pesquisa foi implantado com os objetivos de:
- Inserir, no processo de trabalho dos enfermeiros do HU, o exercício da ação-reflexão-transformação, por meio da utilização do método científico.
- Oferecer apoio científico e administrativo para a execução, apresentação e publicação dos trabalhos científicos desses profissionais.

Para responder com resolutividade às expectativas dos enfermeiros, a coordenação e a secretaria do NUPE, que contava com um funcionário técnico administrativo, desenvolveu as seguintes atividades: promoção de encontros individuais e coletivos, palestras, oficinas e cursos sobre metodologia científica; apoio técnico na busca on-line de referencial bibliográfico; digitação e diagramação de trabalhos; formatação e encaminhamento de artigos/resumos para eventos científicos e publicações; divulgação e apoio para apresentação dos trabalhos científicos nos eventos nacionais e internacionais; orientação e encaminhamento de trabalhos científicos para correção gramatical, bibliográfica e estatística; orientação e elaboração de recursos audiovisuais (slides e painel plotado); acompanhamento da tramitação do projeto de pesquisa nos diversos níveis (Diretoria de Enfermagem, Coordenadoria de Pós-Graduação e Comitê de Ética); promoção de Encontro Científico Anual para divulgação das pesquisas realizadas pelos enfermeiros; divulgação interna dos trabalhos científicos no painel da Diretoria de Enfermagem; organização e monitoramento das linhas de pesquisa da DE; levantamento e atualização do banco de dados sobre a produção científica dos enfermeiros; apoio na elaboração de projetos de pesquisa e na realização da pesquisa.

As atividades aconteceram mediante parceria entre o NUPE e os enfermeiros, cabendo ao Núcleo a responsabilidade de assessorá-los e, a estes, o compromisso em realizar, aplicar e divulgar as pesquisas desenvolvidas.

A Diretoria de Enfermagem do HU, nos anos de 1999 a 2002, teve, no quadro de trabalhadores, uma média de 88 enfermeiros ao ano, atuando nos diversos setores da instituição. Esses profissionais apresentavam as seguintes características: predomínio do sexo feminino (92%); tempo de atuação na instituição variando entre menos de 1 ano e até mais de 30 anos, sendo que 42 (43%) enfermeiros passaram a atuar no HU a partir dos anos de 1991 a 1995. Recorreram às atividades do NUPE, durante os quatro anos focalizados neste estudo, 75 (82%) enfermeiros. Esses profissionais se utilizaram da assessoria do NUPE em mais de uma vez, ao longo desse período.

Há que se reconhecerem os limites presentes ao se apresentarem e discutir as produções científicas realizadas por enfermeiras assistenciais devido à escassa publicação a esse respeito e à incipiente representatividade desses profissionais na comunidade científica de Enfermagem(12). Para avaliar o proposto no estudo, ultrapassando o significado meramente numérico para o alcance do que muitas vezes não está manifesto na produção, mas no processo vivenciado pelos sujeitos da ação, procurou-se evidenciar os resultados encontrados para além da comparação quantitativa, discutindo a importância dessas atividades, assim como as regras estabelecidas pela comunidade científica para o desenvolvimento de esforços, na ampliação do conhecimento em enfermagem.

Entre as informações recolhidas para análise, destacou-se como de fundamental importância a elaboração de projetos de pesquisa apoiados pelo NUPE, conforme apresentado na Figura 1.

 

 

Na Figura 1, observou-se que a elaboração de projetos de pesquisa aconteceu na freqüência de 27 (21%), em 1999, 41 (32%), em 2000, 30 (23%), em 2001 e 31 (24%), em 2002, totalizando 129 projetos. Vale ressaltar que, no segundo semestre de 2001 e primeiro semestre de 2002, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) passou por um período de 6 meses de greve, com repercussão nas atividades assistenciais e científicas dos profissionais. O maior número de projetos no ano 2000 provavelmente esteja associado ao grande interesse, naquele momento, por vários enfermeiros, no desenvolvimento de pesquisas na instituição, como também pela motivação em ingressar em cursos de pósgraduação stricto-sensu.

É discutido por pesquisadores de enfermagem que o conhecimento necessário para a condução da pesquisa e as diferentes formas de utilização não podem ser resumidas em disciplinas de metodologia científica para alunos e enfermeiros, tornando-se necessárias, também, a adoção e noção de que, em ciência, nada é definitivo e imutável, sendo imprescindível, para o desenvolvimento profissional, o domínio dos métodos de pesquisa que são ferramentas de busca, análise crítica e síntese dos novos conhecimentos(12). Sendo assim, a elaboração de projetos de pesquisa é uma atividade que possibilita ao enfermeiro um momento de reflexão diante de suas inquietações e questionamentos advindos do cotidiano profissional, demandando aprender e/ou aprimorar os conhecimentos sobre o método científico, suas modalidades e aplicações.

Em conformidade com os objetivos do NUPE, de apoiar a execução de trabalhos científicos, a Figura 2 mostra que há um aumento gradativo na realização de trabalhos científicos de 1999 a 2001. O aumento de trabalhos científicos nesse período ocorreu tanto nas pesquisas, de 28 (18,54%) para 35 (23,17%), como forma de relatos de experiência, de 12 (7,9%) para 17 (11,5%). Já em 2002, a produção cai, de forma acentuada, para 6 (3,97%) relatos e 10 (6,62%) pesquisas. A explicação para tal fato está diretamente associada ao aumento vicenciado na Instituição, com as eleições e posse das Diretorias do HU, situação que suscitou, entre as enfermeiras, expectativas e desaceleração nas atividades, enquanto aguardavam as novas diretrizes políticas no serviço.

 

 

Estudo realizado com o objetivo de fomentar e estimular a participação de enfermeiras assistenciais de um hospital universitário em práticas educativas em Metodologia de Pesquisa, por meio de atividades individuais e em grupo, para o desenvolvimento de competências em investigação científica, mostra como resultado desse processo de ensino e aprendizagem, 28 produções científicas nas modalidades de pesquisa e relato de experiência. Foi observado que, apesar de a produção científica das enfermeiras ter sido menor que as expectativas, a experiência foi uma oportunidade de compartilhar o entusiasmo das participantes com o grupo em formação, com discussões e debates que motivaram o envolvimento, a criatividade, o desejo de aprender e compartilhar conhecimentos(12).

Ressalta-se que também o enfermeiro assistencial precisa ter o domínio do conhecimento dos métodos de pesquisa, condição que deve ser oportunizada a todos os profissionais, não se limitando somente àqueles que podem fazer pós-graduação(7).

A produção científica dos enfermeiros deste estudo revelou maior freqüência de pesquisas em relação aos relatos de experiência. Vale ressaltar que, muitas vezes, a primeira aproximação do enfermeiro junto ao NUPE se deu no intuito de realizar um trabalho que descrevesse a experiência de vida profissional. Trabalhos apresentados e publicados por enfermeiros assistenciais, na forma de relato de experiência, não invalidam, mas contribuem para a compreensão da prática profissional(10). Compartilha-se com outros enfermeiros-pesquisadores a opinião de que os relatos mostram-se como a expressão do cotidiano na enfermagem e possibilitam a construção de conhecimentos, alicerçados em bibliografia que os referenda e o registro de situações, saberes e fazeres do enfermeiro assistencial(12).

Os enfermeiros apresentaram os trabalhos realizados em diversos eventos científicos. Estes eventos eram, em grande parte, da área da saúde ou na área da educação, realizados em nível local, estadual e nacional. O ano de 1999 foi o que teve maior número de trabalhos apresentados (109 ou 31,41%). Nos casos seguintes, há uma oscilação de 75 a 87 trabalhos ao ano, alcançando o total de 347 trabalhos apresentados em 72 eventos científicos no quadriênio.

É reconhecido que os enfermeiros assistenciais têm divulgado seus trabalhos mais em eventos científicos do que em publicações(5). Essa situação também foi observada no estudo, e a explicação está no fato de que a divulgação de um trabalho na modalidade oral ou pôster, em eventos, ainda se faz mais acessível aos profissionais, frente às dificuldades na redação de um artigo, encaminhamento e, principalmente, na aprovação para publicação nos períódicos de enfermagem e da saúde.

Verificou-se que também foram muitas as iniciativas de envio de trabalhos para publicação pelas enfermeiras apoiadas pelo NUPE, conforme observamos pela Figura 3.

 

 

Nota-se que o ano de implantação do NUPE, aconteceu o envio de 13 (20,7%) artigos para publicação e a publicação de 3 (8,33%), encaminhados anteriormente pelas enfermeiras. Em 2000, observou-se o maior número de encaminhamentos de artigos para publicação (22, correspondendo a 34,9% do período) sendo 10 (27,8%) publicados nesse mesmo ano. Em 2001, acontece o maior número de publicações, totalizando 15 (41,6%). Já no ano de 2002, foram encaminhados para publicação 13 (20,6%) artigos e publicados 8 (24,4%).

O aparente descompasso entre os artigos encaminhados e os efetivamente publicados pode ser justificado pelo número limitado de periódicos em Enfermagem no país, alguns com edição regular e grande parte desses com periodicidade bimestral ou semestral, devido, entre outros determinantes, ao alto custo, situação que implica número elevado de artigos recebidos, muitas vezes restringindo a participação e repercutindo na morosidade da publicação. Isso tem ocasionado, em muitos casos, uma demora considerável entre o período do encaminhamento, o aceite final pela revista e a publicação do artigo. Há, também, que se considerar as dificuldades apresentadas pelas enfermeiras-autoras de trabalhos científicos sobre o cumprimento das normas das revistas, a clareza e objetividade da redação e, principalmente, quanto à qualidade teórico-metodológica dos artigos. Contudo, considera-se que essa informação é um alerta no sentido da importância da continuidade do apoio às enfermeiras para que não desanimem e busquem sempre alcançar os níveis de qualidade exigidos, conquistando, assim, espaços nas revistas e em outros meios de divulgação.

Partilha-se da opinião de que a divulgação dos resultados da pesquisa em enfermagem, pela publicação em periódicos, facilita o acesso dos pares para avaliar as contribuições feitas pelos indivíduos e instituições acadêmicas na área de conhecimento(7). Nesse sentido, o NUPE apoiou e incentivou os enfermeiros na perspectiva de difundir amplamente os conhecimentos e experiências, publicando-os em periódicos, jornais e informativos e on-line, na área da saúde.

Pesquisadores dessa temática, em estudo realizado entre enfermeiros de instituições públicas e privadas, constataram que os profissionais de hospitais privados publicam mais, possivelmente pelas melhores condições de trabalho existentes na instituição e ocorrência de menor percentual de profissionais com duplo vínculo empregatício, que certamente representa fator estimulador do incremento da produção, junto com outras medidas de incentivo(15).

Verificou-se, também, que todos os enfermeiros que ainda não haviam realizado curso de especialização, fizeram-no, estando 11 profissionais, neste momento, cursando mestrado e dois, doutorado. Ficou evidente o grande interesse dos enfermeiros na sua capacitação técnico-científica, contando com o apoio e incentivo da instituição.

Quanto às linhas de pesquisa, em processo de organização, constatou-se que há, nesse grupo de enfermeiros assistenciais, uma nítida tendência para as temáticas assistenciais, seguidas da área gerencial e educacional. Contudo, faz-se necessária uma análise mais aprofundada quanto a esse aspecto frente ao momento inicial da produção científica por esses profissionais, de forma a articular os conhecimentos a grupos e linhas de pesquisa na instituição.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Observou-se que os enfermeiros do HU de Londrina, nos anos de 1999 a 2002, isoladamente ou em parceria com os professores e alunos de enfermagem, elaboraram 129 projetos de pesquisa e 151 trabalhos científicos, os quais foram apresentados em eventos nacionais e internacionais. Ainda, dos 63 trabalhos científicos encaminhados para publicação, 36 foram publicados e 06 premiados. Foi ainda possível observar que é crescente o interesse desses enfermeiros por cursos de pós-graduação stricto-sensu.

Embora esse quadro seja animador, acredita-se que haja, ainda, um longo caminho pela frente para uma melhora efetiva da prática da investigação científica por enfermeiros assistenciais, sob diferentes aspectos, desde a qualidade e rigor metodológico até a percepção da necessária construção e utilização de novos conhecimentos na própria atuação profissional.

A literatura acerca da temática "pesquisa entre enfermeiras assistenciais" cita o grande embate enfrentado por esses profissionais entre o querer e o poder, pessoal e institucional, para realizar essa prática, sentida como necessária ao desenvolvimento do profissional e da profissão(6-7,16). Existem, ainda, muitos limites para a realização de pesquisas, e estes são advindos da formação universitária, do acesso à pós-graduação, do apoio das instituições empregadoras e do interesse e iniciativa dos profissionais(4,7,10,12).

Contudo, vivencia-se momento profícuo e oportuno para a efetivação de propostas inovadoras que dinamizem o processo de educação permanente dos enfermeiros, estimulando e promovendo o desenvolvimento da competência em pesquisa a partir das necessidades da prática assistencial. A pesquisa deve ser considerada como habilidade a ser incentivada para ser desenvolvida e não apenas como atividade inerente e natural aos enfermeiros. A atitude de incentivo e mediação por assessoria ou por um setor equivalente poderá contribuir para um salto qualitativo necessário na produção, divulgação e aplicação de conhecimentos na área(12-13 ).

Faz-se necessário, portanto, ampliar estudos que avaliem as propostas em andamento, envolvendo aspectos quantitativos e qualitativos, verificando as possibilidades e limites e, principalmente, gerando conhecimentos que mobilizem, cada vez mais, o alcance de uma assistência em saúde com melhor qualidade em nossa sociedade.

 

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Recebido em: 18.2.2005
Aprovado em: 30.1.2006