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Revista Latino-Americana de Enfermagem

Print version ISSN 0104-1169

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.14 no.3 Ribeirão Preto May/June 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692006000300018 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Como escrever para publicação internacional em enfermagem: uma perspectiva pessoal (Parte 2)

 

Como escribir para publicacion en enfermeria: una perspectiva personal (Parte 2)

 

 

G. Hussein Rassool

Docente da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o desenvolvimento da pesquisa em enfermagem, e-mail: grassool@sghms.ac.uk, hussein@eerp.usp.br

 

 


RESUMO

O número de meios de divulgação acadêmica impressa e eletrônica (Internet) de enfermagem, com abrangência nacional e internacional, destaca a importância de publicar entre enfermeiros. Ao redor do mundo, as revistas estão sendo categorizadas em relação ao mérito para a profissão e avaliação por pares. Cada vez mais, as instituições de financiamento de pesquisa estão atentas à publicação em revistas de prestígio acadêmico como um dos critérios para a concessão do mesmo. Fator importante a ser considerado, entre as razões para que muitos artigos científicos falham no preenchimento dos requisitos de avaliação dos revisores de revistas internacionais, principalmente aquelas de idioma inglês, é a tradução pobre e de modo literal. O desafio na América Latina é incrementar o desenvolvimento de artigos para publicação impressa ou não em revistas com revisores internacionais. A co-autoria oferece modelo potencialmente encorajador tanto para o pesquisador como para o pós-graduando publicar. Esse objetivo pode ser empreendido com a ajuda de supervisores internacionais e pesquisadores, orientadores ou estudantes de pós-graduação conhecedores da língua inglesa. O presente artigo busca desmistificar o processo de publicação e apresentar alguns princípios norteadores de como publicar em revistas internacionais.

Descritores: enfermagem; publicações periódicas; pesquisa


RESUMEN

El número de medios de divulgación académica impresos y electrónicos (Internet) de enfermería de alcance nacional e internacional destaca la importancia de publicar entre enfermeros. Alrededor del mundo, las revistas están siendo categorizadas con relación a sus méritos para la profesión y evaluación de los pares. Cada vez más, las instituciones de financiamiento de investigación prestan atención a la publicación en revistas de prestigio académico como uno de los criterios para la concesión del mismo. Un factor importante a ser considerado entre los motivos por los cuales muchos artículos científicos fallan en cumplir los requisitos de evaluación de los revisores de revistas internacionales, principalmente aquellas de lengua inglesa, es la traducción pobre y de manera literal. Nuestro desafío en América Latina es fomentar el desarrollo de artículos para publicación impresa o no en revistas con revisores internacionales. La co-autoría ofrece un modelo potencialmente alentador tanto para el investigador como para el alumno de postgrado publicar. Esa tarea puede ser emprendida con la ayuda de supervisores internacionales e investigadores o estudiantes de postgrado que dominan la lengua inglesa. Este artículo intenta desvelar el proceso de publicación y presentar algunos principios directivos de como publicar en revistas internacionales.

Descriptores: enfermería; publicación periódica; investigación


 

 

PARTE 2: COMO ESCREVER PARA PUBLICAÇÃO INTERNACIONAL EM ENFERMAGEM: UMA PERSPECTIVA PESSOAL

Na primeira parte deste artigo, a autoria examina o processo de redação e publicação, onde publicar, fatores de impacto, revisão da literatura, como criar um plano de pesquisa e estilo de redação. Nesta parte, o objetivo é oferecer algumas orientações sobre os estilos e referências das revistas, um referencial para a redação, o processo de publicação e alguns comentários, no contexto de publicações nessa região, com implicações para a enfermagem.

 

ESTILOS E REFERÊNCIAS DAS REVISTAS

Uma revista arbitrada será explícita sobre qual é o estilo adequado: American Psychological Association (APA)(1), Chicago Style(2) e Uniform requirements for manuscripts submitted to Biomedical journals(3). Cada revista listará informações importantes relacionadas à política editorial, formato e estilo a como submeter seus artigos por via impressa e eletrônica e ao processo de publicação (processo de revisão, aceito para publicação e edição das provas) em uma página normalmente denominada "Guidelines for Authors". Um valor adicionado a publicações em revistas de alto impacto é a exigência de afirmações como 'o que já se sabe sobre o assunto?' e 'o que este artigo ou estudo contribui?'. Os autores necessitam ser concisos, específicos e acurados, escrevendo dois ou três pontos claros para cada pergunta.

A maioria dos autores e leitores nesta região está acostumada com o "Estilo Vancouver"1 ou o estilo APA(1) de referências. Verifique-se como parafrasear e usar citações de manuais de publicação no estilo da revista. Basicamente, todas as citações, ou fontes no texto, devem constar da lista de referências e deve-se conceder os devidos créditos às fontes (referências) quando se citar um autor diretamente ou parafrasear um autor. Apresentar os trabalhos e as idéias de autores sem lhes conceder crédito não é ético e é chamado plágio. É uma questão de preferência pessoal eleger as seções ou subtítulos de acordo com os quais se começa a escrever. Serão apresentadas abaixo algumas diretrizes para a elaboração do manuscrito.

 

UM REFERENCIAL PARA A ELABORAÇÃO DE MANUSCRITOS

Revistas internacionais revisadas por pares adotam abordagem padronizada para a elaboração de relatos de pesquisas qualitativas e quantitativas. A estrutura típica de um relato de pesquisa qualitativa inclui: 'o que já se sabe sobre o assunto?' e 'o que este artigo ou estudo contribui?, resumo, problema, objetivos, hipóteses, desenho, metodologia, instrumentos, considerações éticas, resultados, discussão, conclusão e referências.

 

ELABORAR UM RESUMO

Elaborar um resumo primeiro, quebrando a convenção tradicional, realmente funciona para alguns tipos de publicação. Um bom resumo pode ser o parágrafo mais importante do artigo e deve ser coerente e preciso. Às vezes, o resumo aparece na forma de um único parágrafo. Na maioria das revistas internacionais de enfermagem de alta qualidade, a estruturação do resumo é apresentada nas diretrizes para os autores. É preciso consultar as exigências para submissão de resumos e verificar o número permitido de palavras (entre 120 e 250 palavras, dependendo da revista). Os resumos não devem conter referências e podem ser usados para orientar a elaboração do próprio artigo. Lembre-se que o resumo completo, com o título, é usado pelo International Nursing Index, Medline, Pubmed ou Latindex, Lilacs etc., como fonte das palavras-chave para os seus processos de indexação.

 

MÉTODOS & RESULTADOS

É uma boa idéia subdividir Métodos. O conteúdo dessa parte deve incluir os seguintes itens: objetivo, desenho, amostra de participantes, instrumentos, considerações éticas, análise de dados e coleta de dados. Se você elaborou uma proposta de pesquisa, já possui as informações, mas essas provavelmente terão que ser revisadas. Resultados costuma ser a menor parte do artigo, mas deverá se pensar em como serão apresentados os dados, visualmente. São necessários conjuntos diferentes de habilidades para a criação de tabelas, histogramas, gráficos de barra e outros tipos de apresentações visuais, deve-se pedir a ajuda do departamento audiovisual, ou biblioteca, e manter as apresentações simples, mas efetivas, evitando-se a interpretação e discussão dos resultados. A próxima parte a ser elaborada é a discussão.

 

DISCUSSÃO

Há muitas alternativas para elaborar a Discussão, mas o primeiro parágrafo pode servir como um resumo do respectivo estudo ou do problema sob análise. Deve apresentar, nessa parte, as principais observações alcançadas no estudo e relacioná-las com a literatura relevante. Discutir os pontos fortes e limitações do estudo e sugerir pesquisas futuras. Deve-se sempre explicitar as implicações do estudo para a educação, administração ou práticas clínicas em enfermagem.

 

INTRODUÇÃO

Após escrever a maior parte do artigo, não se deve enfrentar muitas complicações para elaborar a introdução. Basicamente, está-se determinando uma agenda, cujos temas serão desenvolvidos em momento posterior. É nessa parte há necessidade de se estabelecer o contexto do artigo e apresentar o tema geral ao leitor: uma introdução geral do tema sobre o qual está escrevendo, o(s) assunto(s) ou declaração(ões) do(s) problema(s) e um referencial teórico se for o caso. Qualquer que seja o tipo de revista para a qual se está escrevendo, sempre será necessário definir ou operacionalizar os termos ou conceitos usados no artigo e explicar todas as abreviações e siglas quando da sua primeira ocorrência no texto.

 

O PROCESSO DE PUBLICAÇÃO

Editar o artigo

Editar pode ser bastante agradável quando a versão final do artigo é complicada. É recomendável que outra pessoa leia o manuscrito e busque por erros de organização básica, gramática e ortografia. Não se deve esperar que os programas de correção ortográfica e gramatical resolvam todos os erros ortográficos, especialmente quando se trata de várias línguas. Ao mesmo tempo, é importante examinar a legibilidade e exatidão de algumas partes, remover quaisquer declarações irrelevantes, ou de "pesquisa inacabada", literatura e citações do manuscrito. Esse é um processo contínuo.

Muitos enfrentam problemas nessa fase por ter um relato de pesquisa de aproximadamente 5-6 mil palavras, quando será submetido um artigo com, no máximo, 3.000 palavras. O dilema é enviar o manuscrito para uma outra revista (que estabelece 5000 palavras como máximo) ou reduzir o número de palavras. É uma escolha pessoal e as decisões devem ser baseadas no tipo de pesquisa ou artigo, a qualidade da revista e o público-alvo. Essa é a fase de "poda" do processo de editar na conversão do seu manuscrito valioso e relevante de 5-6 mil palavras para a fase final da publicação. Nessa fase, a revisão da literatura e as seções de resultados e discussão devem ser examinadas e editadas. Durante esse processo, algumas citações, afirmações ou análises podem, se tornar redundantes. Diz-se que deixar de conferir o manuscrito é como preparar um jantar maravilhoso e esquecer do pôr a mesa, fazendo com que os hóspedes infelizes tenham que pegar a comida como podem(3). Não se deve enviar a primeira (nem a segunda) versão do artigo para o editor! Também deve ser considerada a tradução do artigo para o inglês, ou qualquer outra língua internacional. Isso será discutido em uma outra parte desse artigo.

Parte final do processo de publicação

É aconselhável enviar junto com o manuscrito uma carta ao editor, afirmando que o artigo não está sendo simultaneamente submetido a qualquer outra revista e que o texto não foi publicado anteriormente. Como parte do processo de submissão, algumas revistas exigem declaração de relacionamentos financeiros, ou outros, que possam levar a conflito de interesse, e o grau e tipo de envolvimento dos autores no estudo e no artigo. Também deve constar dessa carta o nome, endereço e telefone do autor para correspondência. Algumas revistas internacionais também solicitam informações adicionais como a indicação de onde o artigo cabe nas seções, categorias ou tipos de artigo (comunicações breves, revisões, atualizações, inovações na prática, comentários) da revista.

O artigo está pronto e completo de acordo com as diretrizes para os autores. O artigo pode ser enviado por via eletrônica ou impressa. Devem ser enviadas 3 ou 4 cópias impressas aos editores da revista, acompanhadas pelas mesmas informações em disquete, geralmente no formato Word for Windows 95, ou versão mais recente. Algumas revistas internacionais usam sistema eletrônico para submissão e revisão, o que oferece rapidez e conveniência para autores e pareceristas. É necessário entrar no site da revista e seguir suas instruções. O registro costuma ser gratuito. Pode submeter o manuscrito por e-mail ou outra forma de comunicação eletrônica. Esse processo rápido permite às revistas reduzir o tempo necessário para tomar uma decisão sobre um manuscrito, reduzindo atrasos de correio etc., ao longo do processo editorial. Há grandes variações no processo de revisão e as revistas oferecem diferentes tipos de revisão, tais como double blind peer review (revisão dupla cega - 2 pareceristas e um parecerista estatístico), non-blind review (revisão aberta) e escolha do autor entre revisão cega e aberta.

Verifique se completou a declaração de transferência de direitos autorais e quaisquer outros formulários exigidos pela revista. Somente formulários originais devem ser enviados pelo correio para a revista. Após submeter o manuscrito ao editor, guardar cópias do texto e de todas as suas anotações e referências, porque pode precisar dela em uma fase posterior. Para algumas revistas, a confirmação do recebimento de um manuscrito costuma ser feita através de correio eletrônico. Esse é um sistema rápido e, agora, pode monitorar o processo de submissão, revisão e publicação do artigo na página da revista na internet. O editor entrará em contato para enviar comentários ou pareceres. O artigo será classificado como aceito, aceito sujeito a modificações, ou não aceito, ou não relevante para a revista, entre outras categorias. Muitos artigos nunca passam pelo obstáculo do primeiro aceite para publicação sem qualquer modificação. A maioria dos artigos passa por uma série de revisões antes de ser aceitável para publicação. A duração desse processo depende das dimensões das edições ou revisões exigidas. Se o artigo precisar de maiores revisões, terá que passar por várias adaptações no texto. Sempre se deve fazer todas as revisões exigidas pelos pareceristas e editores. Como em todas as fases do processo de redação, é preciso verificar várias vezes se não há erros. Observe que a ressubmissão de um artigo não implica que a revista está oferecendo publicá-lo. O principal objetivo aqui é facilitar o processo ao máximo para o editor e isso pode agilizar o caminho até uma publicação impressa, deve-se enviar também uma carta na qual se explicam todas as mudanças realizadas e indicar onde aparecem no manuscrito revisado (número de página, parágrafo e linha). Próximo do momento de publicação, algumas revistas enviam uma prova para correção e o tempo disponível para essa edição final costuma ser de 3 dias após o recebimento. Autores que publicam em revistas latino-americanas podem ou não estar acostumados com o processo de receber provas de editores de produção e com a edição subseqüente das provas antes da impressão final. Às vezes, um artigo não atende os altos padrões de apresentação, ou conteúdo acadêmico e não será publicado nem após várias revisões. Isso faz parte do processo de aprendizagem e qualquer autor recebeu muitas cartas de rejeição em algum ponto de sua carreira de publicação em revistas de enfermagem. Porém, um manuscrito rejeitado não indica um artigo ruim ou pobre. Há muitos motivos para se rejeitar uma publicação. A Figura 1 apresenta uma lista de possíveis fatores de risco para a rejeição de manuscritos. As principais razões pelas quais editores gostam do artigo é por causa dos seguintes conteúdos2, trata-se de um tema importante; a mensagem é original, relevante para um público geral; os editores se impressionam com os métodos cuidadosos; alguma parte do material é fascinante; é bem apresentado; oferece uma leitura interessante; trata de um tema atual e trata de uma área negligenciada, entre outros.

 

 

Algumas revistas biomédicas e de enfermagem oferecem publicações imediatas (fast track") ou antecipadas na internet (early on line). Relatos de estudos originais são avaliados rapidamente pelos pares e publicados imediatamente. The Lancet, publicação médica de grande renome, garante publicar esse tipo de manuscrito dentro de 4 semanas após o recebimento3. Outros grupos introduziram revistas eletrônicas como meio para aumentar a velocidade de disseminação de novas idéias4. Alguns editores estimam que essa possa ser de somente 35 dias5. Porém, há perigos envolvidos na publicação em revistas eletrônicas sem revisão por pares, mas essa análise vai além do escopo deste artigo. Algumas revistas garantem a publicação de manuscritos aceitos dentro de seis meses após a submissão. Mas, na maioria das revistas de enfermagem, pode levar entre 1 e 2 anos para que seu artigo saia publicado.

 

DISCUSSÃO DE QUESTÕES & DESAFIOS NO PROCESSO DE PUBLICAÇÃO

Apesar da globalização das revistas de enfermagem, parcerias entre editores e autores estão sendo tratadas através de meios eletrônicos e alcance da mídia. Esse desenvolvimento é positivo e deveria ser adotado por outras revistas. Foram feitas críticas nesta região e em outros países em desenvolvimento sobre as baixas taxas de aceitação das publicações em revistas internacionais de enfermagem, publicadas na língua inglesa. Os autores recebem comentários por escrito para melhorar os manuscritos mal traduzidos e, às vezes, podem contatar editores locais ou nacionais para maior ajuda. Os editores muitas vezes aconselham os autores cuja língua materna não é o idioma inglês, a usar um tradutor profissional ou editor adequado, alguém que esteja acostumado ao tipo de material no artigo e que tenha fluência na língua. Porém, são os próprios autores que têm que escolher as pessoas apropriadas6, e preferencialmente com grande experiência no contexto da assistência à saúde. O fato de não conseguir atender às exigências das revistas internacionais revisadas por pares pode ser o resultado da tradução pobre e literal dos artigos submetidos. Autores escandinavos conseguiram superar essas dificuldades pela contratação de tradutores profissionais e suas taxas de artigos publicados cresceram substancialmente ao longo dos anos, com publicações em revistas de enfermagem de qualidade com alto impacto.

As diretrizes para os autores devem ser consideradas como um esquema para a elaboração de artigos. Vários artigos são rejeitados pelos editores por não atenderem às diretrizes. O resumo não está adequado ou mal traduzido. Costuma-se assumir que, se o resumo for pobre, o artigo provavelmente terá a mesma qualidade. Porém, há evidências que sugerem outra explicação para a não publicação de artigos, i.e., viés de publicação, mas isso é raro em publicações de enfermagem em comparação com revistas médicas e outras. Pode ocorrer um viés de publicação devido à tendência das revistas em aceitarem somente artigos com resultados estatisticamente significantes e em não divulgarem efeitos não significativos(3). Contudo, conseguir publicar um artigo pode depender não só da qualidade intrínseca do artigo, mas também da submissão à revista acadêmica 'certa'(4). Além disso, se as revistas não aceitarem certos tipos de artigo (por exemplo, com resultados negativos ou relatos de estudos multidisciplinares), isso pode levar a um viés de publicação(4).

O processo de publicação e o atraso causado antes da impressão constitui grande preocupação nesta região. As implicações desses atrasos aumentam o tempo até a publicação ou deixa resultados importantes indisponíveis como fonte para informar as práticas clínicas. Os resultados podem até estarem desatualizados quando da sua publicação(5). Nesta região, há espaço para ampliação no processo de artigos submetidos, processo de revisão e publicação impressa. Necessita-se aprender as lições de editores para conseguir a publicação imediata de artigos importantes, baseados na prática ou sobre temas atuais. A submissão eletrônica dos artigos deveria fazer parte da estratégia no desenvolvimento da publicação.

Atualmente, algumas revistas nesta região apresentam barreiras demais. Talvez haja necessidade de refletir sobre os estilos e formatos das nossas revistas, sobre a natureza e qualidade dos artigos publicados, além de reconsiderar as missões e escopos para tornar as revistas nacionais mais visíveis para públicos internacionais. O que conta é a provisão de revistas flexíveis e acessíveis para potenciais autores e para o público geral de leitores na área da enfermagem. Um fator restritivo adicional é a exigência de algum tipo de associação ou ser assinante para uma possível publicação na revista. Ser membro de alguma associação não costuma ser exigido para submissão de artigos na maioria das revistas internacionais de enfermagem, ou ciências da saúde. É preciso analisar se o pagamento de uma taxa para submissão do seu artigo limita a acessibilidade das revistas para um grupo de autores em potencial.

 

CONCLUSÃO

Com a globalização das comunicações e revistas, os grandes conglomerados possuem os meios e tecnologias para melhorar a acessibilidade das revistas a ampla gama de leitores internacionais. Um exemplo é a tradução ocasional de resumos em diferentes línguas se a informação relatada for de alta qualidade e relevância para um público internacional de enfermagem. Essa questão ainda deve ser mais considerada. As diretrizes para os autores sobre como submeter um manuscrito em diferentes línguas devem ser fornecidas por via eletrônica aos potenciais leitores e autores das revistas.

É preocupante a falta de artigos publicados em inglês, provenientes da América Latina. Parece que, apesar de muitos enfermeiros na América Latina estarem pesquisando por vários anos, poucas evidências desse esforço foram publicadas na língua inglesa(6). O desafio que se enfrenta aqui na América Latina é incrementar o desenvolvimento de artigos para publicação e de outros materiais não impressos em revistas internacionais de enfermagem, mas efetuando os mesmos esforços para promover estudos de qualidade para publicação nas nossas respectivas línguas. Além disso, as revistas, aqui, precisam aumentar a promoção de artigos solicitados, elaborados em inglês, ou qualquer outra língua. Há oportunidades perdidas de trabalho em redes internacionais e colaboração nas possíveis publicações por enfermeiros especialistas nacionais e internacionais em uma área específica. Precisa-se explorar esse caminho. As revistas necessitam de marketing social e a visibilidade nossas revistas para o público internacional deve ser promovida, para torná-las mais atrativas e acessíveis, não somente aos assinantes, mas também à maioria de pesquisadores, acadêmicos e profissionais. As revistas devem ser transparentes, publicando críticas literárias, análises de limitações de desenhos de pesquisas e resultados ou a exploração de perspectivas alternativas.

Novas gerações de enfermeiros precisam ser preparadas para a atividade de publicação em uma fase precoce do seu desenvolvimento profissional. A co-autoria pode ser um modelo para apoiar a elaboração de manuscritos para publicação em nível de pós-graduação(7). Essa pode envolver orientadores internacionais e pesquisadores, orientadores e alunos de pós-graduação. A co-autoria em ação pode ser ilustrada pelo número de publicações aceitas e submetidas a revistas internacionais de enfermagem por enfermeiros do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil. Talvez instituições acadêmicas necessitem oferecer mais possibilidades de servir como professor visitante para especialistas nacionais e internacionais, fluentes na língua inglesa, e facilitadores no desenvolvimento de habilidades para publicação. Oficinas de aprendizagem por experiência e seminários sobre o processo de publicação devem fazer parte do desenvolvimento profissional contínuo dos enfermeiros. Desenvolvimento educacional e co-autoria são os passos a serem tomados no rumo certo.

Para a maioria, há um longo caminho a percorrer para desenvolver a capacidade potencial de autoconsciência e o domínio necessário para publicar em inglês em revistas de enfermagem de alta qualidade. Escrever para publicação em revistas internacionais também significa ser aculturado no idioma da revista e no processo de publicação. Aprender sobre publicações é um processo contínuo. Porém, deve-se escuta o coração, aprendendo dos presságios espalhados pelo caminho da vida e, acima de tudo, seguir o sonho(8).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. APA. Publication Manual of the American Psychological Association. 5th ed. Washington, DC: APA; 2001: 215        [ Links ]

2. The Chicago Manual of Style. 15th ed. Chicago: University of Chicago Press 2003.        [ Links ]

3. Mitford J. Poison Penmanship: The Gentle Art of Muckraking. London:Vintage Books; 1980.        [ Links ]

4.Moreland N. Writing for publication some guidelines. [Homepage on the internet]. Walsall (UK): Scholl of Education; 2006. [cited 2005 aug. 5]. University of Wolverhampton. School of Education; [about screen]. Available from: http://www.wlv.ac.uk/sed/research

5. Dickersin K. The existence of publication bias and risk factors for its occurrence. J Am Med Assoc 1990; 263:1385-1389.        [ Links ]

6. Castrillon MC. Trends and Priorities in Nursing Research. Rev Latino-am Enfermagem 2004 julho-agosto; 12(4): 583.        [ Links ]

7. van Teijlingen E, Hundley H. Getting your paper to the right journal: a case study of an academic paper J Adv Nur 2002; 37 (6): 506        [ Links ]

8. Coelho P. The Alchemist. London (EN): Harper Collins; 1992.        [ Links ]

ARTICLES ABOUT WRITING AND PUBLISHING

Campbell GC. Helping you get published in the. J Adv Nur 1998; 28: 8-9.

Greenhalgh T. How to read a paper: Assessing the methodological quality of published papers. BMJ august 2; 1997; 315:305-8

Greenhalgh T. Papers that report drug trials. In: How to read a paper: the basics of evidence based medicine. London: BMJ Publishing Group; 1997.

Moreland N. Writing for publication some guidelines. [Homepage on the internet]. Walsall (UK): Scholl of Education; 2006. [cited 2005 aug. 5]. University of Wolverhampton. School of Education; [about screen]. Available from: http://www. wlv.ac.uk/sed/research Oermann MH. Writing for Publication in Nursing. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins; 2001.

 

 

Recebido em: 5.1.2005
Aprovado em: 22.11.2005

 

 

1 International Committee of Medical Journal Editors. Med Educ 1999; 33(1): 66-78 www.icmje.org. British Medical Journal www.bmj.co.uk
2 British Medical Journal www.bmj.co.uk - oct.2004
3 The Lancet www.thelancet.com
4 Jones S, Cook C. Electronic journals: are they a paradigm shift? Online Journal of Issues in Nursing (2000) 5, Manuscript 1. Available at: http://www.nursingworld.org  BioMed Central. What Is BioMed Central? BioMed Central Ltd. 2001. Available www.biomedcentral.com
5 The Lancet www.thelancet.com
6 Webb C. (2004) Personal communication. October 2004