SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.15 issue3E-learning: a comparative study for knowledge apprehension among nursesExperiences of families with children and adolescents after completing a cancer treatment: support for the nursing care author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Latino-Americana de Enfermagem

On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.15 no.3 Ribeirão Preto June 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692007000300007 

ARTIGO ORIGINAL

 

Perfil sociodemográfico do aluno do curso de graduação em enfermagem1

 

 

Natalia Cadioli WetterichI; Márcia Regina Antonietto da Costa MeloII

IEnfermeira, Bolsista do Programa PIBIC/CNPq, e-mail: natwetterich@hotmail.com
IIEnfermeira. Professor Doutor da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil

 

 


RESUMO

A Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo tem ocupado posição de destaque e de referência nacional, configurando-se como pólo de atração para alunos, o que motivou conhecer o perfil dos que buscam essa escola. Este é um estudo de natureza exploratório-descritiva, cuja população foi composta pelos egressos de 1999 a 2003. Foi utilizado método quantitativo para análise dos dados que foram coletados através do Formulário de Cadastramento do Aluno Ingressante na Universidade de São Paulo, preenchido no ato da matrícula. Os resultados mostraram diminuição do número de ribeirão-pretanos, predominância de jovens, mulheres e solteiros. Poucos exerciam atividade remunerada. Quanto ao ensino médio, os dados mostraram aumento da formação em escolas particulares, sendo que a maioria concluiu o colegial e ingressou na universidade até dois anos após o seu término. Alguns alunos trancaram a matrícula ou caíram de turma, mas a maioria se formou dentro do tempo previsto.

Descritores: enfermagem; estudantes de enfermagem; distribuições estatísticas


 

 

INTRODUÇÃO

A criação da Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde na reestruturação do Ministério da Saúde, realizada em 2003, focaliza a questão de Recursos Humanos na centralidade do desenvolvimento da Política Nacional de Saúde. Assume, entre outros, papel estratégico nas diretrizes intersetoriais que envolvam o desenvolvimento de uma Política Nacional de Recursos Humanos em Saúde (PNRHS)*.

A Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, pela Portaria nº 1, de 11 de março de 2004, dispõe sobre o funcionamento da Rede de Observatório de Recursos Humanos em Saúde, definindo temas a serem estudados nas várias Estações de Trabalho. O conhecimento produzido pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - EERP-USP e divulgado pelo Observatório de Recursos Humanos dessa, foi agrupado em cinco eixos temáticos: Políticas de Recursos Humanos em Enfermagem; Organizações Profissionais de Enfermagem; Mercado de Trabalho em Enfermagem; Gestão de Serviços e do Cuidado de Enfermagem; e Produção do Conhecimento, Formação e Capacitação de Recursos Humanos em Enfermagem, no qual este trabalho se insere.

O mercado de trabalho em saúde vem sofrendo transformações importantes determinadas pelas políticas econômicas, tecnológicas e sociais. Essas transformações exigem reformulações dos aparelhos formadores, para que os egressos das escolas atendam as novas demandas geradas.

A EERP-USP, Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, tem por missão, especificamente na graduação, formar enfermeiros generalistas com elevada competência técnico-científica e política, alicerçada em valores éticos e humanistas.

Aliada às exigências da implementação dos princípios norteadores do Sistema Único de Saúde, no mercado de ensino, "a EERP-USP ocupa posição de destaque e de referência nacional, porque tem contribuído com sua história, sua experiência e sua produção, fazendo interlocução com novos atores institucionais. Nesta posição a escola pretende manter-se como referencial para o mercado de ensino e de trabalho, para fazer face à concorrência nos espaços de ensino prático e na alocação de egressos em postos de trabalho"(1).

Essa posição de destaque tem dado visibilidade à EERP-USP, que tem se configurado como pólo de atração de alunos que pretendem seguir a carreira enfermagem. Essa afirmativa pode ser constatada através da relação candidato/vaga dos últimos cinco exames vestibulares realizados pela Fuvest, onde a demanda tem ultrapassado o número de vagas disponíveis (80 vagas). Em 2005, essa relação foi de 10,75, em 2004 10,85, em 2003 10,51, em 2002 10,23, em 2001 8,64 e em 2000 14,01 candidato/vaga(2).

Considerando esses aspectos e, enquanto graduanda dessa escola, convivendo constantemente com outros houve o despertar do interesse em conhecer quem são esses estudantes.

Encontrou-se estudos sobre o perfil do estudante de enfermagem realizado em outras regiões (3-6), um que avaliou a caracterização do estudante de enfermagem das duas Escolas de Enfermagem da USP(7), outro em duas escolas do sudeste(8) e também estudos sobre o perfil dos egressos de outros cursos de enfermagem(9-11). Especificamente na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP, dois estudos de seus egressos, no período de 1957 a 1990, enfocando a permanência no trabalho foram realizados(12-13). Além disso, a inexistência até o momento nessa Unidade, de um banco de dados informando sobre o perfil do graduando bem como a vida profissional de seus ex-alunos dificulta a análise.

Estabeleceu-se como objetivos para este estudo identificar o perfil sociodemográfico dos alunos do curso de graduação da EERP-USP e o tempo médio de conclusão da graduação.

 

METODOLOGIA

Estudo de natureza exploratório-descritiva, cujo propósito é o de observar, descrever e explorar aspectos de uma situação(14), com a utilização do método quantitativo para a análise dos dados.

Delimitou-se, como população do estudo, os egressos de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003 e utilizou-se como instrumento de Coleta de Dados o Formulário de Cadastramento de Aluno Ingressante da Universidade de São Paulo do período estipulado, que é preenchido no ato da sua matricula.

Como primeira conduta, solicitou-se a autorização da Diretora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP, por meio de carta, para a realização da pesquisa. Após o aceite formal, o projeto foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa dessa Escola, embora, neste estudo, trabalhe-se com dados secundários. O mesmo foi aprovado, conforme Of. CEP-EERP/USP-007/2005. Solicitou-se, então, à Seção de Graduação, os formulários para a Coleta de Dados que foi realizada durante a primeira quinzena de janeiro de 2005.

Ao propor o estudo deste tema, considerou-se como aspectos definidores do perfil do estudante: sexo, idade, estado civil, procedência, se exerce atividade remunerada, escola e ano de conclusão do segundo grau e título obtido, tempo levado entre a conclusão do ensino médio até o ingresso na universidade e tempo médio de conclusão da graduação.

Com os dados coletados, elaborou-se um agrupamento inicial geral e por turma, através da confecção de um banco de dados no Microsoft Excel, que utilizado para a descrição e análise dos dados.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP são matriculados anualmente 80 alunos advindos do vestibular da Fuvest, no entanto, o número de egressos não é o mesmo, já que alguns trancam sua matrícula, reprovam. A EERP-USP formou em 1999, 57 alunos; em 2000, 83; em 2001, 77; em 2002, 77; e em 2003, 83 alunos, perfazendo o total de 377 alunos.

Dos 377 alunos, 94,69% (357) era procedente de cidades pertencentes ao Estado de São Paulo, sendo 27,05% (102) da cidade de Ribeirão Preto. Dentre os 5,30% (20) restantes, 14 eram procedentes do Estado de Minas Gerais, dois de Goiás e quatro do Mato Grosso do Sul. Esses dados estão mais detalhados na Tabela 1.

 

 

Em estudo realizado no ano de 1977(6), com os alunos matriculados no primeiro ano de graduação na EERP-USP, observou-se que no início havia maior número de alunos que eram desta cidade e, com o passar dos anos, essa porcentagem diminuiu. Em 1968, 71,9% dos alunos moravam com a família na cidade de Ribeirão Preto. Em 1971 essa porcentagem foi de 34,4% e em 1976 de 54,5%.

A Assessoria de Comunicação Social e Imprensa da Prefeitura do Campus de Ribeirão Preto - ACSI-PCARP(15-16) realiza, desde 1993, pesquisa com os calouros do campus matriculados na primeira chamada do vestibular da Fuvest. Em 1996, mostrou que a presença de ribeirão-pretanos vinha caindo cerca de 1,25% ao ano desde o início da pesquisa.

O estudo ora realizado mostra que na EERP-USP também vem ocorrendo essa mudança, já que a porcentagem de alunos procedentes de Ribeirão Preto diminuiu, representando 27,05% do total de alunos que se formaram entre 1999 e 2003. A porcentagem de formandos procedentes de Ribeirão Preto foi de 35,08% em 1999; 26,5% em 2000; 33,76% em 2001; 29,87% em 2002 e 13,25% em 2003.

No estudo realizado na Universidade Estadual do Ceará(3), com estudantes de enfermagem do primeiro ao nono semestre do curso, observou-se que 85% dos alunos amostrados eram provenientes do Ceará, e 11,5% eram de outros Estados brasileiros. O mesmo ocorre na EERP-USP, onde 94,69% dos alunos que se formaram entre 1999 e 2003 procediam do Estado de São Paulo. Os autores citam também que a maioria ainda vivia sob tutela dos pais ou parentes, e que poucos alunos moravam sozinhos ou em repúblicas. Isso significa que um número reduzido de alunos deixava sua cidade de residência para cursar a universidade, dado esse que difere do encontrado por nós.

No momento do ingresso na Universidade, a idade dos alunos da EERP-USP variou entre 16 e 45 anos de idade, sendo que 92,04% (347) tinha entre 17 e 21 anos, estando assim distribuídos: 17 anos - 52 alunos; 18 anos - 116; 19 anos - 101; 20 anos - 55; 21 anos - 23. Os outros 5,83% (22) tinham: 22 anos - oito; 23 anos - quatro; 24 anos - três; e nas idades de 16, 25, 26, 29, 32, 36 e 45 anos, um aluno em cada uma. Não foi possível identificar a idade de oito alunos. Na Tabela 2 demonstra-se os dados relativos à faixa etária dos alunos ingressantes na data da matrícula.

 

 

O autor do estudo de 1977(7) observou que era pequeno o número de estudantes de enfermagem com mais de 23 anos, e cita, como possível causa, o fato do curso estar estruturado em período diurno e tempo integral. Conseqüentemente, coloca o problema do indivíduo que trabalha e da escolha de tal profissão provavelmente muito precoce.

Em 1998, a pesquisa realizada com os ingressantes da USP de Ribeirão Preto(15) mostrou que 90% dos alunos do campus tinha até 20 anos de idade, e que a idade média vinha caindo, comparando com os anos anteriores.

Na UECE(3), a maioria dos alunos que cursavam Enfermagem em 1993 era constituída de jovens com menos de 20 anos até 25 anos. Um estudo na região sul em 2004(16) apontou que 88% dos estudantes entrevistados concentravam-se na faixa de 17 a 28 anos e outro na região sudeste, em 2006(8) apontou idade média dos respondentes de 21,58 anos. Muitos autores consideram a idade entre 18 e 20 anos como o final da adolescência, fase essa propícia à tomada de decisões e quando o jovem torna-se legalmente capaz de assumir responsabilidades de trabalho.

Esses dados coincidem com os encontrados no presente estudo, e é possível que o ingresso de estudantes jovens, em sua maioria entre 17 e 21 anos, se deva ao fato de ser um curso em tempo integral, que não possibilita conciliar trabalho e estudo.

A grande maioria dos alunos, 94,42% (356) era do sexo feminino, sendo apenas 5,57% (21) do sexo masculino. A porcentagem deles nos cinco anos estudados foi de: 8,77% em 1999; 3,61% em 2000; 2,59% em 2001 e 2002 e 10,84% em 2003, conforme Tabela 3.

 

 

Ao deparar-se com dados que mostravam a quase totalidade de alunos do sexo feminino, entre os estudantes de enfermagem, o estudo realizado em 1977(7) relacionou o fato ao preconceito existente em torno da imagem da profissão: "...este preconceito refere-se à profissão de Enfermagem historicamente ser sinônimo de profissão exclusivamente feminina".

A pesquisa realizada pela ACSI-PCARP mostrou que, de 1993 a 1999, foi crescente o número de mulheres que ingressaram na USP de Ribeirão Preto, no entanto, em 2000 houve igualdade quase que absoluta na divisão das vagas. "As mudanças tradicionalmente atribuídas a um sexo, como é o caso da Enfermagem, mostram que há um movimento constante no interesse de jovens e a quebra de preconceitos, tanto que o número de homens nesse curso subiu de 3 para 10% em apenas dois anos"(15-16).

O interesse do sexo masculino pela profissão aparenta mostrar que as concepções sobre a Enfermagem estão passando por transformações, deixando para trás a de profissão exclusivamente feminina, embora ainda predominante.

Em 1955, o número de mulheres que concluíram o ensino médio era maior do que o de homens e, no entanto, o número daquelas que procuraram a EERP-USP no ano seguinte correspondeu a apenas 0,9% desse total. Nesse mesmo ano, a matrícula de estudantes do sexo feminino nas 33 escolas de enfermagem existentes foi de 1.478, representando 8% do total de 18.281 mulheres matriculadas em alguns dos cursos superiores. Em 1962, o número de candidatos inscritos ao concurso de habilitação da EERP-USP foi de 15 alunos, dentre eles 14 do sexo feminino e um do sexo masculino(17). Se se comparar com as informações obtidas através desse estudo, percebe-se um movimento, mesmo que lento, de mudança nas concepções acerca dessa profissão. Ainda hoje, na EERP-USP, a maioria dos alunos que cursam enfermagem é de mulheres, em sua maioria solteiras. Porém, tem se observado número crescente de alunos do sexo masculino procurando pela profissão, e a concorrência por uma vaga na faculdade tem se tornado cada vez mais evidente.

Quanto ao estado civil, 96,28% (363) dos alunos apresentavam-se solteiros na data da matrícula, dados esses coincidentes com os da pesquisa realizada em 1993(13). Dos demais, seis eram casados, dois divorciados, e seis não preencheram esse item no questionário.

Os dados são parecidos com aqueles do estudo realizado em 1977(7), onde o total de alunos era constituído praticamente por solteiros. O autor cita, novamente, a estruturação do curso como influência no perfil dos alunos por exigir dedicação em tempo integral e, além disso, as aulas e estágios estão distribuídos desigualmente pelos períodos de manhã e tarde, o que dificulta para o indivíduo casado, ou que precisa trabalhar.

Apenas 4,5% (17) dos alunos exerciam algum tipo de atividade remunerada e, desses, 41,17% (7) trabalhavam como técnico ou auxiliar de enfermagem. Os demais, 95,4% (360), não exerciam nenhum tipo de atividade remunerada.

Outros autores(3) observaram, em 1996, que 84,5% (234) dos estudantes não exerciam atividade remunerada antes do ingresso na universidade, enquanto que 14,8% (41) exerciam atividade que poderia ou não ser conciliada com o curso de enfermagem oferecido em período integral.

Em estudo realizado no ano de 1995(4) obteve-se que 56,5% dos alunos matriculados em 28 escolas de enfermagem do Estado de São Paulo não exerciam nenhum tipo de atividade remunerada, 15,8% dos ingressantes trabalhavam em tempo parcial de até 30 horas semanais e 19% em tempo integral de mais de 30 horas semanais. Dos que trabalhavam, 58,8% era das várias categorias da enfermagem (43,2% tinham formação técnica; 76,8% formação média e 48,1% elementar). Na visão dos autores desse estudo, "parece que esses procuram pelo curso de enfermagem por serem membros de outras categorias (atendentes, auxiliares e técnicos) na tentativa da melhoria das atividades profissionais e do próprio reconhecimento da profissão, pois essas categorias são pouco valorizadas e recebem baixa remuneração no setor saúde".

Em relação à escola onde concluíram o ensino médio obteve-se que 35,54% (134) dos alunos estudaram em escolas particulares; 39,25% (148) em escolas públicas e 25,19% (95) dos questionários não continham esse dado.

Os dados obtidos através do presente estudo indicam que, no decorrer dos anos, tem aumentado a porcentagem de ingressantes que concluíram o ensino médio em escolas particulares: 28,07% em 1999; 37,34% em 2000; 36,36% em 2001; 40,25% em 2002; e 33,73% em 2003. Concomitantemente a esse aumento, verificou-se menor número daqueles que procedem de escolas públicas: 52,63% em 1999; 39,75% em 2000; 41,55% em 2001; 31,16% em 2002 e 34,93% em 2003. Os dados podem ser vistos na Figura1.

 

 

Devido ao grande número de questionários que não continham esse dado, não é possível afirmar que a maioria dos ingressantes concluiu o colegial em escola pública ou particular, no entanto, parece haver tendência à formação do segundo grau em colégios particulares, principalmente nos últimos anos.

A pesquisa realizada na USP de Ribeirão Preto(15-16), desde o ano de 1993, tem mostrado que a maior parte dos alunos que ingressam na Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto concluíram o colegial em escolas particulares. Em 1996, a porcentagem desses alunos foi de 75%; em 1997, 82%; em 1999, 74%; em 2000, 79%; em 2001, 75%; em 2002, 82%; em 2003, 76%; em 2004, 81%; em 2005, 80%. A pesquisa mostra ainda que a enfermagem está entre os cursos que têm maior formação por escola pública, juntamente com a química e a contabilidade.

Quanto ao título obtido na conclusão do ensino médio, 34,21% (129) dos questionários não continha este dado; 58,62% (221) concluíram o colegial; 1,59% (6), fizeram o curso técnico de enfermagem e 5,57% (21) freqüentaram cursos profissionalizantes em outras áreas.

No período estudado, alguns alunos ingressaram na universidade logo após o término do ensino médio, representando 24,93% (94) do total de 377; outros 38,46% (145) ingressaram após um ano; 22,28% (84) após dois anos; 6,89% (26) após três anos; 5,57% (21) ingressaram em um período de quatro até 26 anos após a conclusão do ensino médio; e em 1,85% (7) dos questionários não havia este dado, conforme Tabela 4.

 

 

Na pesquisa de 1977(7), observou-se que, no início, os alunos ingressavam na escola logo após o término do colegial. Em 1971, houve equilíbrio do ingresso após um e dois anos (41% e 34%) e em 1977, pôde-se observar que predominava o ingresso após dois anos do término do colegial. O autor refere que esse aumento do tempo entre o término do colegial e o ingresso na faculdade poderia estar ocorrendo devido à quase obrigatoriedade do aluno freqüentar o cursinho vestibular, como conseqüência do aumento da procura pelas escolas de enfermagem nos últimos anos.

Em 1996, outros autores(3) mostraram que 174 (62,8%) estudantes do total de 277 ingressaram na faculdade logo após o término do segundo grau, enquanto 72 (26,0%) ingressaram após um ano de conclusão do segundo grau, dados esses diferentes dos nossos.

Dos 377 formandos entre 1999 e 2003, 16,44% (62) trancaram sua matrícula ou caíram de turma. Esses alunos continuam cursando, ou se formaram com outra turma.

O tempo médio de graduação variou de quatro a 10 anos. No período estudado, a maioria, 305 (80,9%) alunos, terminou o curso dentro do tempo previsto - quatro anos. Dentre os demais, que trancaram a matrícula ou caíram de turma, 38 terminaram em cinco anos; 13 em seis anos; oito em sete anos; um em oito anos; três em nove anos; um em 10 anos. Em oito questionários não foi possível obter essa informação.

Em 1955, o número de mulheres que concluíram o ensino médio era maior do que o de homens e, no entanto, o número daquelas que procuraram a EERP-USP no ano seguinte correspondeu a apenas 0,9% desse total. Nesse mesmo ano, a matrícula de estudantes do sexo feminino nas 33 escolas de enfermagem existentes foi de 1.478, representando 8% do total de 18.281 mulheres matriculadas em alguns dos cursos superiores. Em 1962, o número de candidatos inscritos ao concurso de habilitação da EERP-USP foi de 15 alunos, dentre eles 14 do sexo feminino e um do sexo masculino(17). Se se comparar com as informações obtidas através desse estudo, percebe-se um movimento, mesmo que lento, de mudança nas concepções acerca dessa profissão. Ainda hoje, na EERP-USP, a maioria dos alunos que cursam enfermagem é de mulheres, em sua maioria solteiras. Porém, tem se observado número crescente de alunos do sexo masculino procurando pela profissão, e a concorrência por uma vaga na faculdade tem se tornado cada vez mais evidente.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O interesse em conhecer quem são os alunos do curso de graduação em enfermagem da EERP-USP, levou à realização deste estudo. Podê-se constatar que essa escola representa ponto de referência do ensino em enfermagem, trazendo para Ribeirão Preto estudantes desta e de outras cidades de São Paulo e até mesmo de outros Estados, embora o número de estudantes residentes em Ribeirão Preto venha diminuindo gradativamente.

Há predominância de estudantes jovens, de mulheres e solteiros. Um pequeno número de alunos exercia algum tipo de atividade remunerada antes de ingressar na universidade e quase metade dos que trabalhavam já atuava na área de enfermagem.

No período estudado, os dados mostraram que o número de alunos provenientes de escolas particulares tendeu a aumentar. Ainda, no ensino médio, observou-se que a maioria dos alunos concluiu o colegial, alguns realizaram cursos profissionalizantes, dentre eles, o de técnico de enfermagem. Após o término dessa etapa, a maioria dos alunos levou até dois anos para ingressar na universidade.

Embora já tenha sido realizado estudo sobre o perfil de graduandos dessa escola, em 1977(7), e este que ora se conclui, deixa a sugestão de que outros sejam realizados em intervalos menores para avaliar possíveis mudanças.

Para próximos estudos comparativos, seria de grande valia ter na EERP-USP um cadastro informatizado, contemplando aspectos mais abrangentes dos graduandos em enfermagem.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Universidade de São Paulo. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. Rede Observatório de Recursos Humanos em Saúde. Plano Diretor; 2004-05. Ribeirão Preto: EERP/USP; 2005.        [ Links ]

2. Fundação Universitária para o Vestibular [homepage na Internet]. Ribeirão Preto: Fundação Universitária para o Vestibular [acesso em 2005 Julho 21]. Relação candidato/vaga; [5 telas]. Disponível em: http://www.fuvest.br/scr/inscar.asp?anofuv=2005&xreg=TT&te=2        [ Links ]

3. Jorge MSB, Holanda MLT. Perfil demográfico e sócio-econômico do estudante de enfermagem da UECE. Rev Bras Enfermagem 1996 janeiro-março; 49(1):105-20.        [ Links ]

4. Tavares MSG, Rolin EJ, Franco LHRO, Oliveira FL. O perfil do aluno ingressante nos cursos superiores do estado de São Paulo: 1993. Rev Paul Enfermagem 1995 maio-dezembro; 14(2/3):55-65.        [ Links ]

5. Boll RB, Hoppen B, Lopes EM, Vacilotto EN, Zaslavsky I, Eilert J. Qual é o perfil do estudante de enfermagem na UFRGS. Rev Gaúch Enfermagem 1998 dezembro; 9(2):118-24.        [ Links ]

6. Saupe R, Nietche EA, Cestari ME, Giorgi MDM, Krahl M. Qualidade de vida dos acadêmicos de enfermagem. Rev. Latino-Am. Enfermagem. [periódico na Internet]. 2004 Ago [citado 2007 Abr 13]; 12(4):636-42. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692004000400009&lng=pt&nrm=iso        [ Links ]

7. Manzolli MC, Monteleone Z. Caracterização do estudante de Enfermagem. Rev Enf Novas Dimensões 1977; 3(4):206-14.        [ Links ]

8. Shinyashiki GT, Mendes IAC, Trevizan MA, Day RA. Socialização profissional: estudantes tornando-se enfermeiros. Rev. Latino-Am. Enfermagem. [periódico na Internet]. 2006 Ago [citado 2007 Abr 13]; 14(4):601-7. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692006000400019&lng=pt&nrm=iso.        [ Links ]

9. Souza SNDH. O egresso do curso de graduação em enfermagem na Universidade Estadual de Londrina: perfil sócioeconômico - demográfico, inserção no mercado de trabalho, atuação profissional e contribuição do curso. [dissertação]. São Paulo (SP): Escola de Enfermagem/USP; 2000.        [ Links ]

10. Cardoso RJ. Egressos do centro de graduação em enfermagem da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro: sua formação e trajetória profissional. [tese]. Ribeirão Preto (SP): Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP; 2002.        [ Links ]

11. Morgan GASG. Estudo de representação social do enfermeiro recém - formado em seu primeiro emprego e suas expectativas em relação ao Programa de Orientação. [dissertação]. São Paulo (SP): Escola de Enfermagem/USP; 1992.        [ Links ]

12. Angerami ELS, Gomes DLS, Mendes IJM. Estudo da permanência de enfermeiros no trabalho. Rev Latino-am Enfermagem 2000 outubro; 8(5):52-7.        [ Links ]

13. Duarte GG, Angerami ELS, Gomes DLS, Mendes IJM. Vida média e labor dos enfermeiros egressos da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, USP - Brasil. Rev Latino-am Enfermagem 2000 dezembro; 8(6):91-5.        [ Links ]

14. Polit DF, Hungler BP. Delineamento de pesquisa. In: Polit DF, Hungler BP. Fundamentos de Pesquisa em Enfermagem. Porto Alegre (MS): Artes Médicas; 1995. p. 108-40.        [ Links ]

15. Universidade de São Paulo. Prefeitura do Campus de Ribeirão Preto. Assessoria de Comunicação Social e Imprensa. Perfil do Calouro. Jornal USP Ribeirão 1993-1998.        [ Links ]

16. Universidade de São Paulo [homepage na Internet]. Ribeirão Preto: Universidade de São Paulo. Prefeitura do Campus de Ribeirão Preto. Assessoria de Comunicação Social e Imprensa. Jornal USP; [Acesso em 2005 maio 05]. Perfil do Calouro; [5 telas]. Disponível em: http://www.pcarp.usp.br/acsi/newpage1.htm        [ Links ]

17. Alcântara. G. A enfermagem moderna como categoria profissional: obstáculos à sua expansão na sociedade brasileira. [tese de cátedra]. Ribeirão Preto (SP): Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP; 1963.        [ Links ]

 

 

Recebido em: 1º.2.2006
Aprovado em: 26.6.2006

 

 

1 Trabalho financiada pelo Programa PIBIC/CNPq
* Ministério da Saúde, SGTES, agosto de 2003 (mimeografado)

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License