SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.16 special issueSchool as a "protective factor" against drugs: perceptions of adolescents and teachersTeachers' social representations on drug use in a secondary school author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Latino-Americana de Enfermagem

On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.16 no.spe Ribeirão Preto July/Aug. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692008000700015 

ARTIGO ORIGINAL

 

O uso de drogas entre estudantes de medicina em tegucigalpa, HonduraS

 

 

Juana Carolina BuchananI; Sandra Cristina PillonII

IMestre em Saúde Pública, Enfermeira, Professor Titular da Universidade Nacional Autônoma de Honduras, Faculdade de Ciências Médicas, Honduras
IIProfessor Doutor da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil, e-mail: pillon@eerp.usp.br

 

 


RESUMO

O uso de drogas em Honduras envolve 25% dos estudantes universitários. As drogas lícitas estão entre as de maior consumo, como no caso das bebidas alcoólicas, que são consumidas de forma recreacional. Este estudo objetivou identificar o uso de drogas e os fatores sócio-demográficos em uma amostra de 260 estudantes de medicina de ambos os sexos.
RESULTADOS: idade média 20 anos, predominantemente mulheres, solteiras e sem filhos, religiosas e que não trabalham. A droga mais utilizada nos últimos seis meses foi o álcool de forma recreacional. Os estimulantes de consumo freqüente são a cafeína e o mate, as bebidas energizantes e coca-cola. Drogas como maconha, cocaína, valium e os indutores do sono, foram encontradas em menor proporção. As razões alegadas pelas mulheres foram aliviar o cansaço e melhorar o rendimento acadêmico. Os homens alegaram diversão e alívio da tensão psicológica. Esta pesquisa tem como propósito o desenvolvimento de programas preventivos no uso de drogas na universidade.

Descritores: estudantes de medicina; transtornos relacionados ao uso de substâncias / prevenção & controle; alcoolismo / prevenção & controle


 

 

INTRODUÇÃO

O consumo de substâncias psicoativas é considerado um problema mundial, que afeta sobretudo aos jovens e adolescentes(1). Segundo pesquisas no mundo e na América Latina, o problema em meio à população aumenta a cada dia, constituindo, portanto, um tema de relevância para a saúde pública e a saúde internacional. Esta é a razão pela qual os profissionais da saúde têm o compromisso de incidir nas políticas públicas para contribuir com a redução deste problema(2).

Entre os impactos na saúde em países desenvolvidos, os padrões do consumo do álcool e outras drogas são questões em particular, por causa das associações imediatas com a saúde nos aspectos físicos e psicossociais, já que contribuem a longo prazo para o aparecimento de doenças(3).

As organizações internacionais reconhecem as conseqüências do uso de substâncias psicoativas, não só para o indivíduo que as consome, mas também para a família, a comunidade e outras pessoas próximas ao consumidor; além disso, indica-se que, no mundo todo, 8,9% do peso global das doenças resulta do consumo de substâncias psicoativas(4).

Os estudos que avaliam a prevalência do uso de álcool, tabaco e drogas entre estudantes de medicina identificaram que o consumo destas drogas tem aumentado ao longo dos anos(5). Na população de universitários, o padrão de consumo ocorre de forma excessiva, com grandes quantidades de álcool, e apresenta-se o uso experimental de drogas ilícitas(6). Os autores(5-8) apontaram que, em particular, os estudantes de medicina não diferem muito de outros estudantes, pois estão usando diversas drogas apesar de possuírem conhecimento dos danos potenciais que estas causam.

No Reino Unido, o monitoramento do uso de drogas tem sido realizado de forma sistemática. No ano 2000, ao estudar os fatores que influenciam no uso de drogas em estudantes de medicina, o estudo reportou que 45% destes fazem uso abusivo do álcool e nesta mesma percentagem da maconha, sendo estas as drogas mais utilizadas(7). O consumo de álcool, drogas ilícitas e estilos de vida entre estudantes de medicina do 2º e 5º ano e um ano depois de formados foi avaliado em um estudo longitudinal (1995, 1998 e 1999), observando um aumento significativo no consumo de álcool e no uso de droga ilícitas de forma experimental(8).

Este autor(8) afirma que a ocorrência do abuso do álcool e do uso experimental de drogas ilícitas não está muito clara entre os estudantes de medicina, pois parece ser um fenômeno temporário refletido no estilo de vida do jovem estudante. Se prevê que este comportamento se restringirá ao momento em que o estudante atingir maior idade, ocupando uma posição profissional de responsabilidade. Por outro lado, se isso não ocorrer, uma das preocupações para o futuro abrangeria as possíveis conseqüências do uso das drogas, que podem influenciar negativamente a vida do estudante e seu futuro como médico, tanto no âmbito familiar, quanto nos aspectos profissionais, em função do papel do médico na sociedade, como profissionais da saúde(9).

Estudos referentes ao uso de drogas entre universitários nos últimos anos foram realizados em diversos países da América Latina.

O Instituto Hondurenho para a Prevenção do Alcoolismo e da Dependência de Drogas e Fármacos (Instituto Hondureño para la Prevención del Alcoholismo Drogadicción y Farmacodependencia) reportou que 25% da população de universitários usam algum tipo de droga. O estudo foi realizado na Universidade Nacional Autônoma de Honduras. Dentre outras drogas, 3,8% dos estudantes disseram já ter usado estimulantes ou pastilhas para não dormir pelo menos uma vez na vida. Do total de estudantes, atualmente 2,2% continuam consumindo estimulantes(10).

Estudos realizados em grandes universidades da Cidade do México(11) e Bogotá(12) também mostram que o consumo moderado de álcool é predominante. Além disso, há evidências de que os homens tendem a consumir mais do que as mulheres, e de que seu consumo é mais forte, já que nos casos de dependência e consumo, os riscos se dão principalmente nos homens, e os riscos de consumo moderado ou nenhum consumo nas mulheres; embora estas diferenças se mantenham, as mulheres aumentaram seu consumo notavelmente nos últimos 5 anos.

O Brasil se destaca nas pesquisas realizadas entre estudantes de medicina. Estas pesquisas são apoiadas pelas instituições educacionais e monitoram o consumo de drogas na maioria das escolas médicas do país, principalmente no estado de São Paulo. Em geral, os resultados mostram que entre as substâncias psicoativas mais utilizadas "pelo menos uma vez na vida" estão o álcool, o tabaco, inalantes, a maconha, as anfetaminas e os ansiolíticos. Um dos estudos(9) destaca um número considerável de estudantes que já fazem uso antes de ingressar na universidade, mas o que chama a atenção no estudo é que 61% dos estudantes iniciaram o uso da anfetamina depois da entrada no curso de medicina. Em consonância com este autor, outro estudo sobre as expectativas e problemáticas da bebida entre universitários relata que o período de transição para a universidade também foi cortado como uma fase de vulnerabilidade aumentada para o uso de álcool e outras drogas(13).

Estudos americanos que avaliam o uso de estimulantes realizados com estudantes universitários revelaram que 17% dos homens e 11% das mulheres universitárias relataram o uso de estimulantes (sem prescrição médica) pelo menos uma vez na vida, e que até 44% dos entrevistados conheciam alguma pessoa que usava esse tipo de droga por motivos recreacionais ou acadêmicos. Outro estudo com a mesma metodologia identificou que 8% dos universitários usaram estimulantes (sem prescrição) pelo menos uma vez na vida e 5% usaram no último ano. Em ambos os estudos os usuários de estimulantes foram os que relataram maior uso de outras drogas, freqüentavam mais festas e apresentavam mais conseqüências adversas do que os usuários de estimulantes lícitos ou não-usuários de estimulantes(14-15). Ainda em estudo realizado no Instituto de Estudo do Álcool de Harvard (Harvard Alcohol Study), identificou-se que a prevalência de estimulantes (sem prescrição médica) varia entre 0 a 15% entre os estudantes, e que os níveis de prevalência são maiores em faculdades que possuem mais políticas de controle do uso de drogas. Identifica-se também que os estudantes usam estimulantes para aumentar a concentração e a energia para lidar com as atividades de trabalho na escola e aumentar o desempenho nas provas acadêmicas(14-16).

As Faculdades de Medicina(17) não só geram estresse em seus alunos, mas também esquecem de lhes ensinar a lidar com esta situação, inculcando-lhes a idéia de que o interesse do paciente está em primeiro lugar e de que o bem-estar dos médicos é secundário, o que é a essência do ensino da medicina da atualidade.

Ao revisar o documento do Plano de Estudos de Medicina(17), o autor assinala que Honduras se encontra em um processo de mudança em busca de melhores condições e alternativas de desenvolvimento social, feito real que aumentou a exigência conceitual e prática das instituições de educação superior. O mesmo tem o desafio de preparar o potencial humano dos grupos médicos e de enfermagem na Faculdade de Ciências Médicas em função de suas tendências e políticas, traçando o perfil do médico geral do Curso de Medicina, entre outros, de tal maneira que este responda às necessidades dos usuários e dos serviços de saúde.

Este Plano de Estudos(17) indica que o curso de medicina tem uma duração de sete anos, com componentes teórico-práticos, e um ano de serviço social. Segundo o escritório de matrículas da universidade, durante o segundo semestre de 2005 a instituição contava com o registro de 5300 estudantes, sendo 63% mulheres e 37% homens; dentre os quais 2650 estudantes estavam inscritos no primeiro ano, 568 no segundo ano, 607 no terceiro, 440 no quarto, 265 no quinto, 280 no sexto ano, 240 em residência rotatória e 250 em serviços sociais.

A razão que induziu a realização do estudo em tal grupo obedece às características particulares do quarto e quinto anos do curso de medicina, sendo estes os que apresentam maior carga e complexidade no processo de aprendizagem dos educandos no componente teórico e na prática clínica. Os mesmos têm uma alta percentagem de repetência, sendo Patologia a matéria de maior reprovação (30%), seguido de Farmacologia, Fisiologia e Psicologia, com 10% de reprovação.

Tal motivo gerou o interesse de se conhecer melhor este fenômeno em diferentes aspectos, com o objetivo de gerar estratégias educativas e de saúde para a prevenção do consumo das drogas.

O currículo integra harmonicamente os componentes biológico, psicológico, sócio-humanístico e programático-administrativo sob o denominador comum do atendimento primário em saúde, com a integração da docência, da assistência e da pesquisa ao redor do eixo integrador estudo-trabalho, sendo seu campo principal de ação o nível comunitário e hospitalar.

Entender os fatores associados ao uso de drogas entre estudantes não se revelou um fator fundamental no âmbito da prevenção. A razão pela qual se decidiu realizar o presente estudo em um grupo de estudantes do quarto ano do curso de medicina é a de conhecer as características sociodemográficas e sua relação com o consumo de drogas na Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nacional Autônoma de Honduras, Honduras - América Central, durante o segundo semestre do 2005.

 

OBJETIVO

Identificar o padrão de uso de estimulantes e tranqüilizantes e a associação de fatores sociodemográficos entre os estudantes do quarto e quinto anos de medicina.

 

METODOLOGIA

O presente estudo tem caráter descritivo e exploratório de tipo transversal.

A população em estudo foi constituída de 730 (100%) estudantes matriculados no segundo semestre de 2005, no quarto e quinto anos do curso de medicina.

A amostra, por sua vez, foi formada por 260 (35,6%) estudantes da população total, 170 (65,4%) do quarto ano e 90 (34,6%) do quinto, em Tegucigalpa, Honduras.

As disciplinas que os estudantes do quarto ano da amostra cursavam eram: introdução à clínica (22), fisiologia (80), farmacologia (80), patologia (70) e psicologia (40), enquanto no quinto ano havia: pediatria (50), ginecologia e obstetrícia (40 estudantes).

O questionário foi construído com base em dois instrumentos pré-elaborados, que têm por objetivo identificar o uso de drogas entre os jovens, e que foi adaptado para o presente estudo quanto ao uso de tranqüilizadores e estimulantes. O mesmo foi composto de 3 partes, a) informação sócio-demográfica, b) informação referente ao uso de substâncias entre os familiares e c) o padrão do uso de substâncias (tipo de droga, freqüência de uso, uso na universidade, obtenção da droga dentro e fora da universidade) entre os estudantes.

O estudo foi autorizado por escrito pelo Comitê Nacional de Ética da Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nacional Autônoma de Honduras, de acordo com as normas vigentes das autoridades educativas e dos estudantes de medicina participantes no estudo.

A pesquisa foi realizada pela pesquisadora principal. No momento da coleta dos dados, um termo de consentimento livre e esclarecido foi apresentado a cada representante da amostra, que por sua vez respondeu e assinou este documento sem nenhuma pressão, garantindo assim a intimidade, o anonimato e a confidencialidade do estudo.

A coleta foi feita na sala de aula previamente coordenada com o docente da disciplina. O programa Statistical Program Social Science (SPSS) v.11. foi utilizado para a tabulação e análise dos dados.

 

RESULTADOS

A amostra foi composta por 76% dos estudantes matriculados no 4º e 5º ano do curso de medicina da UAH. Estes estudantes tinham a idade mínima de 20 e máxima de 35 anos. Com relação ao sexo, 145 (55,8%) eram mulheres e 115 (44,2%) homens. Quanto ao estado civil, 95% eram solteiros, 4,2 % casados e 94,2% não tinham filhos. 84,2% não trabalhavam e 58% praticavam a religião católica.

Referente ao consumo de bebida alcoólica, 115 (51,9%) são abstêmios e 125 (48%) estudantes apresentaram algum uso nos últimos 6 meses. Ainda quanto ao uso de álcool, 77 (61,6%) apresentaram uso experimental, 45 (36%) uso moderado e 3 (2,4%) uso exagerado.

Com relação ao sexo, observou-se que das 145 (100%) mulheres, 58 (40%) manifestaram uso de bebidas e dos 115 (100%) estudantes de sexo masculino, 67(48%) bebem. Não encontramos diferenças entre grupos etários e a bebida.

A comparação do sexo com o hábito de beber entre os estudantes revelou que 58 (46,4%) mulheres e 67 (53,6%) homens dizem ter consumido bebidas alcoólicas nos últimos 6 meses, o que indica um ligeiro predomínio do sexo masculino, dados similares aos já expostos por outros estudos internacionais(7) e nacionais(10).

A tabela 2 também indica que o número de estudantes que consomem bebidas alcoólicas em níveis experimentais, moderados e pesados diminui significativamente entre ambos os grupos de estudantes. Enquanto para o sexo feminino estes números diminuem para o uso experimental e para uso moderado, no sexo masculino o número diminui na proporção de um terço. Isto nos leva a refletir sobre o fenômeno temporário e transitivo que está ocorrendo na vida destes estudantes, assim como a própria literatura cita(8) que muitos podem estar experimentando o uso de drogas em uma menor freqüência. Entretanto, isto pode resultar em problemas que comprometem o sucesso de seu curso. Este fator favorece a implementação de intervenções preventivas específicas entre os estudantes que estão fazendo uso experimental ou usando drogas moderadamente, para criar consciência ao longo da carreira universitária destes jovens e para que não aumentem o consumo de substâncias, o que poderia causar problemas maiores.

 

 

 

 

 

 

Quando comparamos o uso de álcool com a religião, identificamos que 122 (54,2%) são abstêmios e têm uma religião, versus 13 (37,1%) que não têm uma religião e não bebem. Por outro lado, 103 (45,7%) dos estudantes que possuem uma religião consomem bebidas, versus 22 (62,8%) que não possuem uma religião e bebem. Não houve uma estatística significativa entre estas variáveis.

Com relação ao uso de drogas em geral, 157 (60,4%) disseram ter usado drogas pelo menos uma vez na vida. Entre as drogas mais comuns estão a cafeína (café ou alimentos com cafeína) (85%) e o mate (46%).

Quanto ao uso de estimulantes populares (medicamentos usados sem prescrição médica, tais como o despertac, tiamineta, aspirina e outros) encontramos o uso dessas drogas em 43 (16,5%) estudantes, sendo que 26 (60,4%) são de uso experimental.

Do total de indivíduos pesquisados, 10 (3,8%) manifestaram que usam maconha, sendo que quatro deles o fazem ocasionalmente e um diariamente, encontrando-se na fase de dependência. Dentre estes usuários, 4 são mulheres e 6 homens.

Ao comparar o estado civil e o uso de drogas, a maioria são solteiros (94,2 %) e não têm filhos. Neste grupo foi identificado que 87,3% experimentam tranqüilizantes e estimulantes com uma relação estatística significativa (P < 0.001); ou seja, os estudantes que não têm filhos apresentam riscos maiores para experimentar estas drogas.

Entre as substâncias estimulantes mais consumidas estão a cafeína (85%), o mate 120 (46,1%), a Coca-cola 151 (58%) e as bebidas energéticas 120 (46%). Não encontramos diferenças significativas entre o sexo e o uso dessas drogas,.

Quanto ao uso de drogas ilícitas, encontramos 12 (4,6%) usuários de maconha, e 4 (1,9%) de cocaína. Dentre as drogas psicotrópicas sem prescrição médica, 10 (3,8%) estudantes usam valium e 23 (8,8%) usam indutores de sono; dois estudantes apresentam consumo moderado com freqüência e quatro apresentam uso pesado com freqüência. Comparando os grupos etários e os tipos de uso, 14 (60,8%) estudantes estão entre os grupos etários de 20 a 25 anos e usam indutores de sono de modo experimental (p.011).

Tal situação é similar às encontradas em outros estudos, de nível nacional e internacional, que destacam que estes estudantes de medicina possuem conhecimentos sobre as drogas, são conscientes dos efeitos adversos destas drogas e de que, quando usadas sem prescrição médica, poderiam induzir ao abuso e dependência, bem como ao desenvolvimento de quadros depressivos e outros transtornos mentais, além de aumentar as possibilidades de riscos de morbidade e mortalidade.

Quanto ao consumo de estimulantes populares, tais como despertac, tiamina, supertiamina, café e aspirina entre estudantes de medicina do quarto e quinto ano, descobriu-se que 16,6% deles consomem estas substâncias, sendo que 15% dos estudantes têm entre 20 e 25 anos.

Apesar de sua profissão, os estudantes estão consumindo drogas; e as motivações que manifestam, de acordo com as mulheres, são o cansaço e a tentativa de melhorar o rendimento acadêmico, enquanto os homens o fazem para aliviar as tensões e por diversão com diferença significativa (p.002<), resultados comparativos com os estudos internacionais(15-16).

Quanto ao uso antes de entrar na universidade, 57 (21,9%) afirmaram usar estas substâncias antes do ingresso à UNAH. Dentre os 10 estudantes que usam valium sem prescrição médica, 5 iniciaram o uso depois de terem entrado na universidade (χ2 = 12,3 p.015). Estes dados nos indicam que algumas vezes o primeiro contato de uso de droga não ocorre na universidade, já que a metade deles teve o uso iniciado antes de entrar no curso de medicina, resultados também encontrados em outro estudo(9).

Mesmo assim, quanto ao número de estudantes que iniciaram o uso depois de ter entrado na universidade, encontramos 91 estudantes que indicaram o uso de bebidas alcoólicas, 96 de bebidas energéticas, 17 de indutores de sono, 32 de estimulantes populares, 6 de maconha, 2 de éter, 3 de anfetamina e um de cocaína, números que são preocupantes, pois, com a entrada na universidade, as novas experiências poderiam potencializar o uso de álcool e os riscos associados a este consumo. A entrada na universidade é considerada um período crítico de maior vulnerabilidade para o início e manutenção de uso de drogas(9).

 

CONCLUSÃO

Este estudo nos possibilitou conhecer as substâncias psicoativas de maior uso entre os estudantes de medicina da UNAH. A droga mais utilizada foi o álcool. O estudo identificou casos de uso de medicamentos sem prescrição médica, como o caso de valium e de indutores de sono em proporções consideradas preocupantes, e o uso de drogas ilícitas (maconha e cocaína) em menor proporção entre os estudantes de medicina. Concluímos que existe um número considerável e preocupante de estudantes que estão fazendo uso destas drogas de maneira experimental e moderada, o que merece atenção por parte dos diversos representantes da universidade para a implementação de políticas de controle e redução de uso no âmbito universitário.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas/CICAD da Subsecretaria de Segurança Multidimensional da Organização dos Estados Americanos/OEA, a Secretaria Nacional Antidrogas/SENAD, aos docentes da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o desenvolvimento da pesquisa em enfermagem, a população da amostra dos estudos e aos representantes dos oito países Latinoamericanos que participaram do I e II Programa de Especialização On-line de Capacitação e Investigação sobre o Fenômeno das Drogas - PREINVEST oferecido no biênio 2005/2006 pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, na modalidade de ensino a distância.

 

REFERÊNCIAS

1. Pan-America Health Organization. PAHO. Health in theAmericas Vol I. Scientific and Technical Publication. Washington DC. n. 587; 2002.         [ Links ]

2 Wright M da. El Fenómeno de las Drogas y la Profesión de Enfermería, Estudios en el Uso y Abuso de Drogas 2004; 13(2):5-7.         [ Links ]

3. Sells CW, Blum RW. Morbidity and mortality among US adolescents: An overview of data and trends. American Journal of Public Health 1996; 86(44):513-519.         [ Links ]

4. Organización Mundial de la Salud (SWZ). Neurociencia del consumo y dependencia de sustancias psicoactivas Ginebra: Organización Mundial de la Salud; 2004.         [ Links ]

5. Millar PM, Plant M. Drinking, smoking and illicit drug use among 15 and 16 year old in the United Kingdom. Br Med J 1996; (313):394-97.         [ Links ]

6. Chavez KAP; O´Brien B; Pillon SC. Drugs use and risk behavior in a university community. Rev Latino-am Enfermagem 2005; 13(n especial):1194-200.         [ Links ]

7. Newbury-Birch D, White M, Kamali F. Factors influencing alcohol and illicit drugs use among medical Students. Drug and Alcohol Dependence, August 1999; 59 (2000):125-30.         [ Links ]

8. Newbury-Birch D, Walshaw D, Kamali F. Drink and drugs: from medical students to dcotors Drug and alchol Depend 2001; (64):265-70.         [ Links ]

9. Pinton FA, Boskovitz EP, Cabrera EMS. Uso de drogas entre os estudantes de medicina da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, SP no ano de 2002. Arq Ciênc Saúde 2005 abr-jun; 12(2):91-6.         [ Links ]

10. Instituto Hondureño para la Prevención del Alcoholismo, Drogadicción y Fármaco Dependencia (IHADFA). Prevalencia del consumo de drogas en estudiantes de la Universidad Nacional Autónoma de Honduras, Tegucigalpa, Honduras 2002.         [ Links ]

11. Flórez L. Análisis de la clasificación de etapas y de las variables psicosociales mediadoras propuestas por el modelo transteórico en estudiantes universitarios de Bogotá consumidores de bebidas alcohólicas. Informe de Investigación Institucional. Bogotá: Universidad Católica de Colombia 2002.         [ Links ]

12. Mora-Ríos J. Natera G. Expectativas, consumo de alcohol y pro-blemas asociados en estudiantes de la ciudad de México. Salud Pública de México 2001; 43(2):89-96.         [ Links ]

13. Peuker AC, Fogaça J, Bizarro L. Expectativas e beber problemático entre universitarios. Piscol: Teoría e Pesquisa. 2006 mai-agost; 22(2):193-200.         [ Links ]

14. Hall KM, Irwin MM, Bowman KA, Frankenberger W, Jewett DC. Illicit use of prescribed stimulant medication among college students. Journal of American College Health 2005; (53): 167"74.         [ Links ]

15. Teter CJ, McCabe SE, Cranford JA, Boyd CJ, Guthrie SK. Prevalence and motives for illicit use of prescription stimulants in an undergraduate student sample. Journal of American College Health 2005; (53): 253"62.         [ Links ]

16. McCabe SE, Knight JR, Teter CJ, Wechsler H. Non-medical use of prescription stimulants among US college students: Prevalence and correlates from a national study. Addiction 2005; (99): 96"106.         [ Links ]

17. UNAH; Facultad de Ciencias Medicas, Plan de Estudios Carrera de Medicina, Tegucigalpa, Honduras, 1998.         [ Links ]

 

 

Recebido em: 16.3.2007
Aprovado em: 10.12.2007

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License