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Revista Latino-Americana de Enfermagem

On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.17 no.4 Ribeirão Preto July/Aug. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692009000400020 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Alterações da saúde e a voz do professor, uma questão de saúde do trabalhador

 

 

Liliana Amorim AlvesI; Maria Lúcia do Carmo Cruz RobazziII; Maria Helena Palucci MarzialeII; Ana Clara Naufel de FelippeIII; Cristiane da Conceição RomanoIV

IEscola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil: Fonoaudióloga, Doutoranda, e-mail: liliana@eerp.usp.br
IIEscola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil: Enfermeira, Professor Titular, e-mail: avrmlccr@eerp.usp.br; marziale@eerp.usp.br
IIIUniversidade de Ribeirão Preto, Brasil: Fonoaudióloga, Especialista em voz, Professor, e-mail: anafelippe@yahoo.com.br
IVEscola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil: Fonoaudióloga, Mestranda, e-mail: cristianeromano@yahoo.com.br

 

 


RESUMO

Fatores de riscos ambientais e/ou referentes à organização laboral, ausência de noções básicas sobre a voz, seu uso incorreto e presença de modelo vocal deficiente podem levar o professor a apresentar disfonia relacionada ao trabalho. O objetivo deste estudo foi analisar publicações sobre alterações vocais decorrentes do trabalho, através de revisão da literatura sobre o tema proposto. Como método, buscou-se artigos de periódicos indexados na biblioteca virtual Scielo, por período de onze anos, obedecendo-se aos critérios de inclusão e exclusão pré-determinados. Foram encontrados 20 artigos que contemplaram alterações vocais dos professores decorrentes do trabalho. Discute-se, aqui, que o uso vocal intenso não deve propiciar prejuízos à profissão; a voz deve ser agradável ao sujeito e produzida corretamente concluindo-se que há poucos artigos veiculados na biblioteca investigada relacionados às alterações vocais do professor, decorrentes do uso da voz no trabalho. Novas pesquisas devem ser realizadas e divulgadas para aumentar o conhecimento sobre o tema.

Descritores: saúde do trabalhador; voz; distúrbios da voz; docentes


 

 

INTRODUÇÃO

Para o uso vocal intenso sem prejuízos da profissão, a voz deve ser agradável ao sujeito e produzida corretamente. Alguns aspectos são apontados como determinantes e agravantes das disfonias tais como ambiente e organização do trabalho (como a necessidade de conseguir ministrar o conteúdo previsto e realizar a gestão escolar), demanda vocal e condições do uso da voz nos contextos cotidianos, saúde geral, questões relacionadas ao gênero e papéis sociais desempenhados na sociedade, organização da vida privada e representações acerca do processo saúde e doença(1).

São consideradas condições de trabalho os aspectos do ambiente que podem, em intensidade ou concentração elevadas, interferir no corpo do trabalhador e gerar doenças. Já a organização do trabalho inclui a divisão de tarefas e das pessoas. Na divisão das pessoas encontram-se as relações humanas que envolvem a execução do trabalho, as quais podem ser danosas quando alteram o funcionamento mental do trabalhador, levando-o ao sofrimento e doenças mentais(2).

O fonoaudiólogo deve analisar e considerar as condições e a organização laborais relacionadas às atividades desenvolvidas por vários trabalhadores que usam, costumeiramente, a voz, e entre eles o professor, pois o ambiente físico da sala de aula, com agentes de risco como ruído, poeira, pó de giz, iluminação inadequada, além das relações entre docentes, alunos e direção da escola podem interferir negativamente em sua voz(1). No ambiente laboral é preciso observar sua atividade em situação real, contextualizada, observá-lo em sala de aula, em diferentes situações pedagógicas, investigando como faz sua tarefa e compreender seu comportamento no trabalho(2).

O professor é um trabalhador que, muitas vezes, se submete a longas jornadas de trabalho, tem como responsabilidade transmitir o conhecimento que possui a um corpo discente nem sempre com vontade de aprender seus ensinamentos. Cotidianamente, pode haver desavenças entre os alunos, apartadas e conciliadas por ele, seus intervalos para descanso e alimentação costumam ser curtos, os salários que recebe, geralmente, não condizem com a quantidade de horas que se dedica ao trabalho. Muitas vezes pode ser vítima de violência dos alunos e/ou de outras pessoas. Essa gama de situações pode levá-lo a adoecimentos e a diversificados eventos acidentários.

Estudo sobre a qualidade de vida, relacionada às questões de saúde vocal dos professores, identificou que a maioria desses trabalhadores apresenta voz boa (42,2%), apesar de razoavelmente satisfeitos com a voz e a qualidade de vida, os professores mostraram dificuldades na percepção do processo saúde-doença. Tornou-se evidente que há aspectos desfavorecidos da qualidade de vida e necessidades de saúde que podem ter implicações na voz e saúde vocal docente. Em relação às questões de condição e organização do trabalho, 54,7% dos indivíduos consideraram o local onde trabalham nada ou pouco saudável. Foram citadas: salas quentes, mal ventiladas, presença de poeira, sujeira, pó de giz, ruído interno e externo, problemas na organização do trabalho, com relações sociais estressantes, permeadas por sentimentos negativos como agressividade, indisciplina, desrespeito e violência. Tais condições, adversas à saúde geral e vocal, podem predispor o sujeito a irritações laríngeas, competição sonora e uso abusivo ou inadequado da voz, que ocasionam alterações vocais(3). Situações de estresse podem contribuir para as condições de mal-uso e abuso da voz, gerando esforços e adaptações do aparelho fonador, deixando o profissional mais propenso ao desenvolvimento de disfonia. No cenário da saúde ocupacional pode existir, então, diversas situações ligadas ao estresse em docentes. Demissão de colegas, medo de perder o emprego, falta de realização econômica e profissional são alguns dos fatores apontados como causas inevitáveis do problema. Além disso, o assédio moral também tem influência sobre os casos de estresse ocupacional(4).

Alterações vocais ocasionadas, principalmente, pelas questões relacionadas à organização do trabalho levam frequentemente às situações de afastamento e incapacidade para o desempenho das funções, ainda não reconhecidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social como doença relacionada ao trabalho. Distúrbios vocais podem ter diversos impactos na voz profissional, gerando limitações na expressão vocal e emocional, causando estresse e ansiedade ao trabalhador, podendo propiciar riscos à sua atuação(5).

Realizou-se revisão bibliográfica sistemática sobre disfonia em professores, por meio de consulta a diversas bases de dados, sendo considerados os artigos publicados a partir de 1990. De 3.186 citações, 15 artigos preencheram os critérios de inclusão para a discussão da prevalência da disfonia em professores. Nove artigos definiram disfonia com base somente na presença de sintomas vocais, com variações em relação ao tipo, número, frequência e período de referência. Rouquidão e cansaço vocal foram mencionados em todos os estudos que avaliaram sintomas vocais. Somente três analisaram a prevalência da disfonia baseada na avaliação profissional. As prevalências variaram conforme o período de referência e a frequência dos sintomas pesquisados(6).

Professores apresentam agravantes e fatores de risco em seu processo laboral que favorecem o aparecimento de disfonias. Eles aumentam o tom de voz, falam o tempo todo, competem com o ruído ambiente, apresentam posturas inadequadas, tensão da musculatura cervical, não possuem hábitos de higiene vocal, fumam e enfrentam situações de angústia, ansiedade e estresse relacionado a cargos e funções, jornadas duplas e triplas de trabalho. A autoavaliação vocal, na maioria das vezes, indica satisfação com a voz, demonstrando que a categoria docente apresenta dificuldade para identificar tais alterações. Durante sua formação, os professores não são orientados quanto aos cuidados com a voz, ministrando aulas sem apresentar os cuidados mínimos e básicos para a ocorrência de disfonias.

Quanto às práticas dos docentes em nível de planejamento, execução e avaliação de atividades e de ensino-aprendizagem utilizadas por professores de alguns cursos da área de saúde, no Brasil, com 29 professores inscritos em uma disciplina de pós-graduação em Didática, que responderam a um questionário composto por questões semiabertas, obteve-se respostas caracterizadas por ênfase na transmissão de informações, cargas horárias muito grandes, pouca integração das disciplinas e aulas expositivas(7). Em nenhum momento, nesses estudos(7-8), foram investigadas questões de conhecimentos sobre a saúde e preparação vocal dos docentes, demonstrando a carência de informação sobre o tema investigado, relacionado às alterações vocais do professor, decorrentes do uso da voz no trabalho. Novas pesquisas devem ser realizadas e divulgadas para aumentar o conhecimento sobre o assunto.

Investigação sobre a qualidade de vida no trabalho do docente de enfermagem evidenciou que é importante a implementação de política institucional que aponte valores e interesses básicos e que reflita o investimento em melhores condições de trabalho(8). Este estudo traz importante contribuição, pois o desgaste no trabalho pode ser entendido como a perda da potencialidade física e psíquica, determinada pela exposição dos trabalhadores às cargas de trabalho e com possibilidade para gerar danos à saúde.

Mediante esse fato, nota-se a importância da atuação fonoaudiológica ocupacional nas escolas e faculdades contribuindo para a discussão sobre o trabalho do professor, levando à sua transformação. Pode-se evitar, então, que situações de trabalho alterem sua saúde e propiciem o melhor exercício de suas competências, alcançando os objetivos educacionais da escola e os objetivos profissionais do docente, pois os distúrbios vocais podem ser determinados ou agravados por fatores externos, organizacionais, ambientais ou comportamentais do indivíduo, em que a sobrecarga no labor pode ser um desses fatores(6).

O objetivo do estudo foi, então, analisar as publicações das alterações vocais decorrentes do trabalho, através de revisão da literatura sobre o tema proposto, em um período de onze anos.

 

METODOLOGIA

Foi realizado levantamento bibliográfico de publicações indexadas ou catalogadas na biblioteca eletrônica SciELO, porque o seu uso permite o acesso a diversos artigos científicos, de texto completo, em diversos países, particularmente aqueles da América Latina.

Como etapa anterior, foi realizada consulta às terminologias a serem utilizadas no levantamento das publicações na base de Descritores em Ciências da Saúde - DeCS - da BIREME. A busca resultou nas seguintes palavras constantes nos DeCS: saúde do trabalhador e sua versão em espanhol (salud laboral) e em inglês (occupational healh), associados aos descritores em português (voz, distúrbios da voz e docente), em inglês (voice, disorders e faculty) e em espanhol (voz, transtornos de la voz e docente).

Para a obtenção do número total de artigos a serem analisados, foram utilizados os seguintes critérios de inclusão: artigos publicados na integra no período de 1998 a 2008, com metodologias quantitativas ou qualitativas, aqueles que possuíam, pelo menos, dois dos descritores selecionados, outros cujos resumos apresentavam o professor como sujeito e descreviam suas alterações vocais e os disponibilizados em língua portuguesa, inglesa e espanhola. Utilizou-se, também, os seguintes critérios de exclusão: artigos que não estavam no idioma português, espanhol ou inglês, aqueles cujos resumos não apresentavam o professor como sujeito e/ou não descreviam suas alterações vocais e os não disponíveis na íntegra.

Após a leitura inicial dos resumos obtidos para constatar a coerência com o tema a ser pesquisado e obedecendo-se aos critérios explicitados anteriormente, foram encontrados, no total, 20 artigos indexados na biblioteca SciELO. Todos foram lidos na íntegra e, após essa etapa, constatou-se que os temas identificação de problemas vocais e alteração de saúde vocal no trabalho apareceram com maior frequência nos artigos selecionados.

O estudo não foi encaminhado para apreciação de Comitê de Ética em Pesquisa, por não ser investigação que envolvesse diretamente seres humanos.

 

RESULTADOS

Na Tabela 1 foram distribuídos os 20 artigos, a maioria em língua portuguesa, quanto ao título, ano da publicação, idioma encontrado e periódico em que foi publicado.

Quanto ao tipo de estudo realizado, a maioria foi observacional transversal (50%), seguida de quantitativo comparativo (10%), epidemiológico transversal (10%), revisão bibliográfica sistemática (5%), epidemiológico (5%), observacional retrospectivo (5%), transversal retrospectivo (5%), qualitativo com grupo focal (5%) e análise retrospectiva dos prontuários (5%). Dos 20 artigos investigados, nove (45%) estudaram professores do ensino fundamental, três (15%) professores da educação infantil, três (15%) do ensino médio, três (15%) de universidade e dois (10%) não especificaram os professores estudados.

Algumas características da população estudada estão apresentadas na Tabela 2.

 

 

Nos 20 artigos identificados, evidenciou-se que a idade dos sujeitos ficou entre 19 e 60 anos (53,28%), e em alguns estudos foram calculadas as médias das idades, sendo essas 35 (5%), 38 (10%) e 39 anos (5%).

As alterações vocais existentes entre os professores foram variadas e são mostradas na Tabela 3.

 

DISCUSSÃO

Em relação à Tabela 1, a maioria das publicações ocorreu nos anos 2007 e 2008, sendo que seis são diretamente relacionados à área de fonoaudiologia e otorrinolaringologia. A maioria dos autores são fonoaudiólogos e esse fato é explicado quando se considera que é esse o profissional que atua com a comunicação humana. Ele pode ser integrante de programas de saúde do trabalhador, pois, certamente, poderá contribuir para a melhoria da linguagem oral e escrita, audição, fluência e voz da população, principalmente daquelas pessoas com maior risco para desenvolver problemas, como é o caso dos professores.

Das 20 publicações apresentadas na Tabela 3, em cinco (25%) os sujeitos investigados apresentavam nódulos ou pólipos em pregas vocais, em outras cinco (25%) estavam com disfonias, em mais cinco (33,33%) com cansaço/fadiga vocal, em quatro (20%) apresentavam rouquidão, entre outras alterações. Dos sujeitos investigados no estudo, realizado em Porto (Portugal), com professoras do primeiro ciclo de ensino básico, houve prevalência de disfonia (10,6%) que crescia, significativamente, com a idade (p=0,004) e com o número de anos de profissão (p=0,002). As queixas vocais mais percebidas foram alterações da sensibilidade laríngea (dor laríngea - 62,8%, secura - 61,9%) e a rouquidão (64,3%). Todas (exceto a dor e o ardor) associam-se significativamente à prevalência de disfonia (p<0,001)(9). Em outra investigação, as alterações encontradas foram rouquidão (54,1%), cansaço vocal (51,4%), variação grave/agudo (25,7%) e/ou perda de voz (18,9%). Os principais sintomas sensoriais negativos foram: secura na garganta (58,1%), pigarro (48,6%), dor ao falar (29,7%) e/ou ardor (25,7%), numa população de 93 educadoras(10).

Foi realizada, em São Paulo, a análise perceptivo-auditiva dos parâmetros vocais e o tempo de prática de atividade física de 47 sujeitos, homens e mulheres, com idade acima de 65 anos, sendo 23 professores (GP) e 24 não professores (GNP). Os dois grupos avaliados apresentaram parâmetros vocais semelhantes. A diferença encontrada esteve relacionada às variáveis idade cronológica e tempo de prática de atividade física, de modo que, para os professores, quanto maior a idade cronológica menor a variação de loudness, enquanto que para os não professores, quanto maior a idade cronológica menor a velocidade de fala. O maior tempo de prática de atividade física foi relacionado à qualidade vocal com menos desvios, apenas para os sujeitos não professores(11).

O uso intensivo da voz foi informado por 91,7% de professoras, e em 25,6% houve perda temporária da voz. Os sintomas específicos relacionados à garganta mais frequentemente referidos foram: sensação de ressecamento (66,5%), coceira (51,5%), pigarro (49,7%), dor (43,6%), ardor (39,4%) e sensação de aperto ou bolo (30,7%)(12).

A Tabela 3 mostra alterações vocais encontradas entre os professores. Em estudo transversal retrospectivo, foram revisados os prontuários de pacientes atendidos pelo Grupo de Voz de um serviço terciário de saúde entre 1990 e 2003. Foi constatada elevada prevalência de tabagistas, que apresentou correlação com edema de Reinke, leucoplasia e laringite por refluxo. Cerca de 70% dos pacientes apresentavam sintomas vocais com até dois anos de duração (11% até 3 meses, 16% entre 3 e 6 meses e 41% entre 6 meses até 2 anos) e continuavam sem diagnóstico preciso. Muitos estavam afastados de suas atividades ou apresentavam limitações para o desempenho profissional(9).

No desempenho do trabalho, os professores adoecem por questões vocais por desconhecerem noções básicas sobre como cuidar adequadamente de sua voz; por outro lado, o afastamento do trabalho pode representar grande dificuldade para esses trabalhadores. A decisão de afastar esses profissionais deve ser baseada na possibilidade de agravamento da lesão das pregas vocais e seus riscos e os programas de prevenção são importantes e devem focar a conscientização dos problemas pelos profissionais, reconhecimento dos sintomas precoces, mas, também, na orientação sobre uma boa higiene vocal.

Professores conhecem os sintomas e as alterações vocais e apresentam necessidade de ações pedagógicas educativas acerca do uso da voz no trabalho. Foi evidenciada também a presença de desgaste e a perda da qualidade vocal, sendo sugeridas ações de promoção de saúde vocal no ambiente de trabalho(13). O trabalho de promoção de saúde vocal para os professores implica no fato de que a maioria das alterações na saúde vocal pode ser minimizada através de programas preventivos; para alcançar tal intento, os profissionais de saúde devem estar imbuídos de compromisso com a promoção da saúde desses trabalhadores, visando o bem-estar e prazer na execução do trabalho vocal(14).

 

CONCLUSÃO

O objetivo deste estudo foi analisar as publicações sobre as alterações vocais decorrentes do trabalho, evidenciando-se que há poucos artigos na biblioteca investigada. Focalizou-se o aspecto da saúde vocal do professor no trabalho, considerando-se que a voz é fundamental na comunicação oral e na relação interpessoal, importante para a promoção da saúde e da qualidade de vida das pessoas e que problemas a ela relacionados podem interferir nesse processo. Nos artigos pesquisados, pôde-se observar que os sinais e sintomas mais facilmente interpretados em sua provável relação com problemas de saúde vocal são aqueles que provocam sensações físicas de desconforto como o ardor, a tosse e as infecções de laringe, além da rouquidão. Assim, os professores mostram-se pouco sensíveis para interpretar os indicativos de característica perceptivo-auditiva da voz no trabalho, o que é prejudicial para a prevenção de alterações vocais futuras. Para minimizar tal situação, a atuação fonoaudiológica pode ser oferecida, em oficinas, grupos de vivência de voz, encaminhamentos para exames específicos e acompanhamento dos professores durante seu trabalho. Cuidados com a voz requerem atenção no aparelho fonador, mas também na forma correta de o professor se comunicar enquanto ministra suas aulas ou orienta seus alunos, os quais serão beneficiados pelas transformações das relações dialógicas e no apropriado uso da linguagem, tendo então o fonoaudiólogo o compromisso com a promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida desse trabalhador e da sua saúde.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em: 16.8.2007
Aprovado em: 27.5.2009

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