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Revista Latino-Americana de Enfermagem

On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.17 no.spe Ribeirão Preto  2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692009000700022 

ARTIGO ORIGINAL

 

Normas percebidas por estudantes universitários de três carreiras, da área da saúde, sobre o uso de drogas entre seus pares

 

Perceived norms among university students of three health courses for drug use among peers

 

Normas percibidas por estudiantes universitarios sobre el uso de drogas entre sus pares, en tres áreas académicas de la salud

 

 

Ana Maria Pimenta CarvalhoI; John CunninghamII; Carol StrikeII; Bruna BrandsIII; Maria da Gloria Miotto WrightIV

IProfessor Doutor, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil, e-mail: anacar@eerp.usp.br
IIPh.D., Pesquisador, Health Systems Research and Consulting Unit, Centre for Addiction and Mental Health, CAMH, University of Toronto, Canadá, e-mail: john_cunningham@ .net, carol_strike@camh.net
IIIPh.D., Pesquisador Sênior, Office of Research and Surveillance, Drug Strategy and Controlled Substances Programme, Health Canada and Public Health and Regulatory Policies, Center for Addiction and Mental Health, CAMH, University of Toronto, Canada, e-mail: bruna_brands@camh.net
IVPh.D., Especialista Sênior, Coordenador, Educational Development Program, Demand Reduction Section, Inter-American Drug Abuse Control Commission, CICAD, Organization of American States, OAS, Estados Unidos, e-mail: gwright@oas.org

 

 


RESUMO

O presente estudo abordou alunos de segundo e terceiro anos de três cursos da área da saúde tendo como objetivos identificar a estimativa do uso de drogas por estudantes universitários (norma percebida), a frequência de uso na presente amostra (norma real), comparar as estimativas com a frequência e identificar condições nas quais as drogas são usadas. Os estudantes superestimaram o uso, por seus pares, de tabaco, maconha e cocaína, na vida e nos últimos 12 meses. O álcool foi exceção. A porcentagem de uso relatada pelos estudantes da amostra e a estimativa do uso por estudantes em geral foram muito próximas. As substâncias são mais consumidas em festas e na companhia de colegas da universidade. Os dados foram interpretados à luz da Teoria das Normas Sociais, da Atribuição de Causalidade e da Normalização.

Descritores: substâncias psicoativas; álcool; tabaco; maconha; cocaína


ABSTRACT

The present study interviewed second- and third-year students of three health courses to identify university students' estimates for drug use (perceived norm), the rate of drug use among the subjects (real norm); compare the estimates with the actual frequency; and identify in what conditions the drugs are used. Students overestimated their peers' use of tobacco, marijuana and cocaine in life and over the last 12 months. Alcohol was an exception. The rate values reported by sample students and the general estimated use were rather close. Drugs are usually consumed at parties and among friends from the university. Data analysis was performed in the light of the Social Norms Theory, Causal Attribution and Normalization.

Descriptors: psychoactive substances; tobacco; alcohol; marijuana; cocaine


RESUMEN

El presente estudio tuvo como participantes a los alumnos del segundo e tercero año de tres cursos académicos de la Salud; el objetivo fue identificar la estimativa del uso de drogas (norma percibida), la frecuencia del uso (norma real), comparar las estimativas con la frecuencia y las condiciones en las cuales se usan las drogas. Se encontró que los estudiantes sobreestimaron el uso de sus pares en lo que se refiere al uso de tabaco, marihuana y cocaína, en alguna vez en la vida y el los últimos 12 meses. El alcohol fue la excepción, ya que el porcentaje de uso y la estimativa estuvieron muy próximos. Las sustancias son consumidas con mayor frecuencia en fiestas y en compañía de sus pares universitarios. Los datos fueran interpretados según el marco la Teoría de las Normas Sociales, de la Atribución de Causalidad y de la Normalización.

Descriptores: sustancias psicoactivas; tabaco; alcohol; marihuana; cocaína


 

 

INTRODUÇÃO

Dada a alta prevalência de uso de drogas entre estudantes universitários e seu impacto na vida das pessoas e no desenvolvimento dos países, tem havido interesse de pesquisadores na compreensão desse fenômeno nesse grupo específico(1-4).

No Brasil, estudo de revisão encontrou, no período de 1997 a 2007, doze artigos. A maior parte era de estudos de prevalência e, em menor frequência, estudos que relacionam o uso de drogas a contextos e comportamentos. Os autores argumentam sobre a importância da realização de estudos com a população universitária, para auxiliar na detecção de padrões de uso e suas alterações, oferecendo ferramenta importante para apoio ao cuidado à saúde(1).

Fator chave identificado previamente é a influência dos pares entre estudantes universitários para o consumo de drogas, e a teoria das Normas Sociais tem sido usada como base para a compreensão desse processo(2).

Um dos conceitos dessa teoria refere-se ao erro de estimativa (misperception) do uso de álcool, que é a discrepância entre a norma real (a prevalência do uso) e a percepção da norma (a frequência percebida do uso de álcool pelos pares)(3).

Os estudantes tendem a pensar que as normas em relação à frequência e quantidade do beber por seus pares são maiores do que de fato se encontra, assim como maior permissividade em suas atitudes pessoais sobre o uso de substâncias que na realidade o são(3-4).

Segundo essa abordagem, norma social é atributo de um grupo considerado como descritivo e prescritivo para seus membros, influenciando os comportamentos por meio do processo de comparação social que serve como padrão, pelo qual se avalia e se ajusta o próprio comportamento a fim de alcançar semelhança com o grupo de referência(5-6).

As normas descritivas referem-se à percepção do comportamento do outro e como as pessoas se comportam em determinadas situações. As normas injuntivas se referem à aprovação percebida de comportamentos específicos e representam as regras para o que é ou não aceitável.

Visto que as pesquisas anteriores têm mostrado que as normas descritivas são preditoras mais fortes do uso de drogas que as normas injuntivas e que elas são conceitual e motivacionalmente diferentes(4), no presente trabalho serão abordadas as normas descritivas.

A Teoria da Atribuição também auxilia na compreensão do fenômeno uso de drogas. De acordo com essa teoria, as pessoas tendem a perceber o uso de drogas de seus pares com base na percepção de suas próprias disposições internas, devido à falta de informação sobre o uso real de seus pares(3).

As percepções errôneas sobre o uso pelos pares também tendem a se desenvolver por meio da observação e de conversas sobre esse uso. A percepção cultural por meio da mídia também contribui para o desenvolvimento dessas percepções errôneas, definindo o que é normal numa comunidade de estudantes(7).

A literatura vem mostrando, de forma consistente, que estudantes universitários superestimam a quantidade e a frequência com que seus pares usam drogas(4,8-9).

O contexto universitário, por sua vez, está inserido num sistema macrossocial que abrange não só a dimensão cultural, mas as dimensões sociais e econômicas. O modelo da Teoria da Normalização, por seu turno, fornece elementos para a compreensão do sistema macrossocial, em que as normas descritivas se desenvolvem. Tal processo é definido como "um barômetro das mudanças sob as perspectivas social, comportamental e cultural, relativas às drogas lícitas e ilícitas e aos usuários"(10-11).

A partir do referencial adotado e com base em outros estudos sobre o fenômeno do uso de drogas entre estudantes universitários, este estudo pretendeu:

1. investigar qual é a estimativa do uso de drogas pelos pares em estudantes universitários de três cursos da área da saúde;

2. investigar qual a frequência de uso pelos estudantes;

3. comparar a estimativa com a frequência de uso, e

4. identificar condições de uso e percepções sobre consequências do uso.

 

MÉTODO

Tipo de estudo

Trata-se de estudo com delineamento transversal, descritivo, de abordagem quantitativa.

População e amostra

Estabeleceu-se previamente que seriam participantes todos os alunos dos cursos de enfermagem, farmácia e odontologia, de uma universidade pública do interior do Estado de São Paulo, das segundas e terceiras séries, com idades entre 18 e 24 anos. Optou-se por realizar um censo junto a esses estudantes, pois todos os presentes, em sala de aula, nos dias agendados para coleta de dados, seriam convidados a participar (325).

Instrumento

Foi utilizado questionário composto por 30 questões, criado a partir de dois instrumentos frequentemente utilizados para a avaliação do uso de drogas e normas percebidas sobre o uso de drogas entre os pares, no contexto universitário(12-13).

Esse instrumento foi constituído considerando-se características específicas da população de estudantes universitários. O questionário é dividido em quatro seções: 1) informações sobre dados sociais e demográficos, 2) percepção do uso de drogas entre os pares, 3) consumo de drogas dos próprios estudantes e 4) consequências do uso de drogas e acesso às drogas.

Foi submetido à avaliação por três pesquisadores em álcool e drogas e a um grupo de seis estudantes na faixa etária daqueles que compuseram o estudo. Não houve dificuldades quanto à compreensão, mas um dos juízes questionou a não inclusão de outras drogas. Entretanto, como não era objetivo do estudo incluir outras substâncias esclareceu-se isso ao avaliador e manteve-se a forma do questionário.

Procedimentos éticos e coleta de dados

Aos participantes foi apresentado o termo de consentimento livre e esclarecido para que lessem e pudessem decidir quanto à sua participação no estudo. Buscou-se enfatizar a garantia de não identificação, o sigilo e o anonimato.

O projeto relativo ao estudo teve aprovação pelo Comitê de Ética do Centre for Addiction and Mental Health, da Universidade de Toronto, CA, e do Comitê de Ética em Pesquisa em seres Humanos da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo.

Após contatos com a direção das faculdades e coordenadores de cursos, para apresentação do projeto e solicitação de permissão para a realização do estudo, junto a seus alunos, foram contatados docentes que ministravam aulas para alunos de segundo e terceiro anos, visando agendar um dia em que se pudesse ir até às classes para convidá-los a participar do estudo. Na data prevista, os alunos eram contatados e distribuiu-se o instrumento para que respondessem.

Análise de dados

Foi elaborado banco de dados de todos os questionários respondidos no programa EPIDATA versão 18.0. Em seguida, esses dados foram transferidos para o programa SPSS versão 16.0 para que fossem extraídas frequências e proporções.

Para análise das estimativas são consideradas acuradas se a estimativa de uso estiver em intervalo de até 10 pontos percentuais da frequência reportada na universidade. Respostas acima de 10 pontos percentuais resultarão em percepção superestimada e respostas abaixo de 10 pontos percentuais serão consideradas como percepção subestimada(14).

 

RESULTADOS

Participaram efetivamente do estudo 325 estudantes, correspondendo à proporção de 77,4% do total de alunos das duas turmas dos referidos cursos: enfermagem, 126 alunos, correspondendo a 39% do total de participantes; farmácia, 82 alunos ou 25% do total e odontologia, 117 ou 36% do total, sendo que, do total, 78,5% eram do sexo feminino. A média de idade foi 21, com desvio padrão de 1,8; 98,2% (319) eram solteiros e 96,3% (312) não trabalhavam.

Quanto à estimativa de uso das substâncias pelos pares apresenta-se a Tabela 1 contendo tais estimativas, na vida e nos últimos 12 meses, e as porcentagens de consumo dos próprios estudantes, nos mesmos períodos.

 

 

Verifica-se que, com exceção do álcool, as demais substâncias têm estimativas mais elevadas que o consumo relatado pela amostra do estudo. Ainda, o consumo nos últimos 12 meses é menor que o consumo na vida, para o tabaco e a maconha. Para álcool e cocaína os índices são semelhantes.

Com relação à frequência de uso estimada das substâncias, nos últimos 12 meses, pelos pares, a Tabela 2 exibe os resultados encontrados.

Os estudantes desta amostra referiram, em maior proporção, "todos os dias" (54%) para o tabaco, "2 a 3 vezes por semana" (62%) para o álcool, "uma vez num mês", "2 a 3 vezes num mês" e "uma vez por semana" (27, 24 e 25%, respectivamente) para a maconha e "uma vez num ano" (41%) para a cocaína.

Quanto ao local, onde se estima que os estudantes usem substâncias, pode-se verificar os resultados na Tabela 3. Os totais não foram calculados, pois as alternativas de respostas não são mutuamente excludentes. Assim, um indivíduo pode ter assinalado mais de uma opção. As proporções foram calculadas considerando-se o número total de indivíduos da amostra.

Verificou-se que as maiores proporções, quanto ao local de uso das quatro substâncias, se referem às festas (87%, tabaco; 94%, álcool; 86%, maconha; e 61%, cocaína). Seguida do campus (87%) e casa de amigos (77%) para o uso de tabaco; casa de amigos (86%) e bares (91%) para o álcool e casa de amigos para maconha (69%) e cocaína (50%).

Quanto à interferência do uso de drogas no contexto da universidade, ou fora dele, pode-se verificar os dados exibidos na Tabela 4. Nesse caso, também não foram calculados os totais, pois as alternativas de respostas não são mutuamente excludentes, assim, um indivíduo pode ter assinalado mais de uma ao responder.

A maior parte dos estudantes referiu que não há interferência (46, 45, 47 e 45%). Para aqueles que responderam afirmativamente, apareceram em maior proporção respostas indicativas de bagunçar o espaço em que se está para o álcool (35%) e tabaco (34%) e provocar insegurança para maconha (16%) e cocaína (19%).

 

DISCUSSÃO

Verificou-se, no presente trabalho, a confirmação da hipótese de superestimativas para o uso de tabaco, maconha e cocaína. O álcool tendeu a ser exceção. O uso na vida equivale ao estimado para uso dos pares.

As estimativas podem explicar o uso de substâncias justificando mesmo a experimentação de algumas delas (maconha e cocaína, por exemplo), pois se acredita que os estudantes, em geral, usam mais. A estimativa correta leva a pensar no processo de adequação ao grupo uma vez que se aceita a norma desse grupo.

As estimativas de frequência de uso seguem gradação esperada, embora superestimada, para o tabaco e álcool. Para cocaína, embora a proporção seja alta, a frequência é de uma vez ao ano. A maconha, por seu turno, é bastante superestimada em termos de frequência de uso quando comparada à informação sobre o uso. Esse dado condiz com a tolerância ao uso da maconha e o reconhecimento de que é a droga ilícita mais utilizada e de fácil acesso(11).

Quanto ao uso de tabaco, na vida, pelos estudantes da amostra, embora os índices encontrados ainda sejam altos, eles são menores que aqueles encontrados em outros estudos com estudantes universitários e com a população geral(1,15). Entretanto, para o uso nos últimos 12 meses as taxas de uso por estudantes, do presente estudo e de outros estudos no contexto universitário, são semelhantes e mais altas que a da população geral(1,15).

Maconha e cocaína são substâncias ilegais, assim, o relato de seu consumo pode ter sido minimizado. Comparando-se as taxas deste e de outros estudos verifica-se que as encontradas neste estudo são mais baixas, para uso de cocaína na vida, quer quando se compara com amostras de universitários quer com a população geral(1,15).

Quanto à maconha, a taxa aqui encontrada é maior que a da população geral e menor que a de outras amostras de universitários. A taxa de uso da cocaína é semelhante à da população geral(15).

Quanto ao álcool, as taxas são semelhantes, quer na vida quer nos últimos 12 meses, ao consumo encontrado em outros estudos realizados no contexto universitário. Entretanto, são taxas maiores que aquelas encontradas na população geral, quer para o uso na vida quer para o uso nos últimos 12 meses(1,15).

O álcool é a substância que "lubrifica" as relações no contexto social mais amplo e, particularmente, no contexto universitário e seu uso é tolerado e normalizado(16).

Assim, é "normal" que estudantes universitários façam uso do álcool em seu ambiente de festas, com amigos.

As taxas de uso de tabaco e cocaína, na vida, nesta amostra, são menores que as encontradas em outros estudos com universitários. No presente caso, pode ter relação com a composição da amostra que é majoritariamente de mulheres. Essas referem menos uso de substâncias ilícitas, na vida e nos últimos 12 meses, do que os homens(1).

Embora não tivesse sido abordado o que pensam os estudantes sobre as drogas, o menor consumo de tabaco, maconha e cocaína, em relação às estimativas de uso dos pares, pode ser atribuído ao fato de elas serem combatidas e ter seu acesso dificultado. O tabaco vem sofrendo o processo de "desnormalização". Essa expressão tem sido usada quando há referência ao conjunto de esforços que visam minimizar a noção de que fumar deve ser visto como um hábito rotineiro ou normal, particularmente em locais públicos, e de desafios para retirar do cigarro a aura de charme e o fumar como um hábito desejável(17). As outras duas drogas, como já dito, são ilegais e valores relacionados ao seu uso parecem estar operando também (normas injuntivas). Essa hipótese pode ser apoiada pela menção dos alunos da presente amostra quanto ao fato de uma das interferências negativas, no ambiente, mais citadas, em relação ao uso de maconha e cocaína, ser a insegurança. Por outro lado, pode-se inferir dos achados que há também tolerância quanto ao uso de substâncias no contexto universitário, pois a alternativa com maior frequência de escolha é aquela que aponta que não há interferência.

Em relação ao uso nos últimos 12 meses, verifica-se menor taxa de consumo de maconha e cocaína, no presente estudo, comparada às taxas encontradas no estudo realizado no Campus da USP, em São Paulo(1).

Comparado à população geral, o consumo de tabaco, álcool e maconha, na presente amostra, mostra-se mais elevado. Quanto à cocaína, as taxas são próximas.

Para as três primeiras substâncias parece operar o processo de retroalimentação da ideia que estudantes consomem mais drogas que a população geral.

O consumo social, em festas, e com amigos próximos e colegas tende a fortalecer a hipótese da influência dos pares e do uso socializado.

O acesso às drogas tem impacto importante sobre seu consumo. O acesso ao álcool está relacionado à prática do beber excessivo em uma ocasião (binge drinking) entre estudantes universitários(16,18-20). Tal prática está presente nas festas, mencionadas pelos estudantes que participaram do presente estudo, como o local onde mais se consome substâncias.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A título de síntese dessa discussão, verificou-se que os estudantes da amostra do presente estudo apresentaram estimativas mais altas de uso de tabaco, maconha e cocaína, revelando desconhecimento sobre índices encontrados nessa população e elemento que pode fortalecer estereótipos acerca do estudante universitário.

Acredita-se que a informação seja o primeiro passo para a promoção de saúde. Assim, estudos como este podem ter papel importante no apoio às políticas de cuidado à saúde no contexto da universidade.

 

LIMITAÇÕES DO ESTUDO

O presente estudo, a despeito de suas contribuições para a compreensão do consumo de drogas entre os estudantes participantes, apresenta limitações. A primeira é a composição da amostra que não é representativa de um campus universitário com mais de 3200 alunos. Há, ainda, predomínio do sexo feminino entre os participantes e um conjunto limitado de drogas abordadas quando se sabe que inalantes, ecstasy e medicamentos fazem parte da lista de drogas mais consumidas entre universitários, segundo outros estudos que abordam estudantes universitários.

Ainda assim, recomenda-se sua divulgação na comunidade universitária para informação e discussão da temática, visando a redução do consumo e a promoção da saúde.

 

AGRADECIMENTOS

Esta pesquisa foi realizada com o apoio, assessoria e patrocínio do governo do Canadá, da Organização dos Estados Americanos (OEA), da Comissão Inter-Americana para o Controle e Abuso de Drogas (CICAD), e do Centro de Drogas e Saúde Mental (CAMH), Canadá. Agradecemos a colaboração de outros colegas que contribuíram de forma direta ou indireta na realização deste estudo.

 

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Recebido em: 5.5.2009
Aprovado em: 25.9.2009

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