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Revista Latino-Americana de Enfermagem

Print version ISSN 0104-1169

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.18 no.4 Ribeirão Preto July/Aug. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692010000400017 

ARTIGO ORIGINAL

 

Demandas de atenção no ambiente de trabalho e capacidade de direcionar atenção do enfermeiro1

 

 

Alessandra Nazareth Caine Pereira RoscaniI; Edinêis de Britto GuirardelloII

IEnfermeira, Mestre em Enfermagem, Hospital de Clínicas, Universidade Estadual de Campinas, SP, Brasil. E-mail: alessandra@hc.unicamp.br
IIEnfermeira, Livre docente, Professor Associado, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, SP, Brasil. Email: guirar@fcm.unicamp.br

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este é um estudo descritivo e correlacional, cujo objetivo foi avaliar a capacidade de direcionar atenção (CDA) do enfermeiro e verificar se há associação entre CDA e as situações de demanda de atenção. Para a coleta de dados foram utilizados os instrumentos: Attentional Function Index e Demandas de Atenção. Participaram do estudo 169 enfermeiros de um hospital de ensino do interior do Estado de São Paulo. A média da percepção de desempenho, ou CDA, foi de 60,4 e diferiu entre as variáveis: unidade de trabalho (p=0,013), carga horária (p=0,044), presença de algum problema de saúde (p=0,026) e problema de cunho psicológico (p=0,005). Existe associação negativa entre as situações de demanda e CDA (r=-0,294; p<0,0001). Conclui-se que os enfermeiros apresentaram boa CDA, influenciada por aspectos demográficos e profissionais e que quanto maior as situações de demanda de atenção menor a CDA.

Descritores: Enfermagem; Atenção; Ambiente de Instituições de Saúde.


 

 

Introdução

O ambiente da prática profissional do enfermeiro tem sido foco de estudos nacionais e internacionais, devido a dois fatores, o primeiro relacionado à qualidade do cuidado prestado, tendo como aspecto principal a segurança do paciente(1-2) e o segundo relacionado à redução de efetivos ou a escassez daqueles profissionais(3-5).

A enfermagem é profissão que exige dedicação do indivíduo que se dispõe a exercê-la. Além de exigir o conhecimento técnico e científico para lidar com as demandas de alta complexidade e especialidade, solicita do profissional o permanente desenvolvimento de suas capacidades de comunicação e relacionamento, já que não pode prescindir de seus aspectos afetivos, da sensibilidade e da relação interpessoal. Requer, principalmente, competências físicas e psicológicas para responder às necessidades do cliente, iniciativa e capacidade para tomar decisões rápidas das quais, muitas vezes, depende a vida de outrem.

A Associação Americana de Enfermagem em Cuidados Críticos (AACN) destaca a importância da especialização do conhecimento, habilidades e experiência para lidar com as mudanças, decorrentes da complexidade do cuidado de pacientes. Reforça, ainda, que a melhora do ambiente de trabalho favorecerá a retenção e recrutamento de enfermeiros(6).

O enfermeiro, no exercício de suas atividades, se depara com múltiplas situações de demanda de atenção no ambiente que requerem aumento do esforço mental ou capacidade de direcionar atenção (CDA) no processamento de informações, tomada de decisões e aquisição de novos conhecimentos e habilidades. A CDA é um tipo de atenção seletiva, que requer do indivíduo inibição de estímulos e distrações competitivas, enquanto processa e organiza uma informação importante(7). É, ainda, necessária para o funcionamento efetivo da vida diária, pois permite à pessoa perceber, pensar com clareza e manter atividade intencionada, apesar de distrações no ambiente(8-9).

Por exemplo, situações que envolvem o cuidado ao paciente grave ou àquele com risco iminente de morte são consideradas fontes de demanda de atenção(10-12), e a exposição a essas demandas podem sobrepor à CDA, resultando em fadiga de atenção(7-8), manifestada pela diminuição da capacidade de se concentrar, irritabilidade, intolerância, impaciência e redução do desempenho no manejo das atividades diárias.

A temática demanda de atenção tem sido voltada a pessoas com problemas de saúde(8-9,13-14), pessoas idosas(15), estudantes(16-17) e enfermeiros(10-12). As fontes de demanda de atenção, junto aos enfermeiros, podem ser avaliadas por meio de um instrumento específico, denominado Demandas de Atenção(10).

Entende-se que é importante identificar as diferentes fontes de demanda de atenção às quais o enfermeiro está exposto(12), visto que a sobrecarga e desgaste físico e mental, os acidentes e doenças ocupacionais e o absenteísmo estão associados ao ambiente de trabalho desses profissionais(18-20). Contudo, a sua análise isolada possibilita apenas reconhecer quais as situações de maior ou menor demanda de atenção. Portanto, estudos que visam avaliar a percepção de desempenho de atenção do enfermeiro, ou CDA, são relevantes para compreender a influência dessas demandas de atenção na CDA do indivíduo.

A motivação para este estudo surgiu da vivência profissional como enfermeira em unidades de cuidados críticos e, pela própria natureza desse ambiente, pela exposição do profissional às múltiplas situações de demanda o que influencia sobre a capacidade de manter o foco, ou a concentração, nas atividades cotidianas. Diante disso, evidenciou-se a necessidade de avaliar a CDA desses enfermeiros e testar a hipótese de que quanto maior as situações de demanda de atenção, vivenciadas pelo enfermeiro, menor a sua capacidade para direcionar atenção.

Ressalta-se que o desequilíbrio entre tais variáveis pode ocasionar prejuízos tanto pessoais quanto profissionais, demonstrando que conhecer e reavaliar o contexto do ambiente de trabalho desses enfermeiros pode refletir em melhores resultados para a assistência e, em consequência, para as instituições, pois contribui com os gerentes e administradores para o desenvolvimento de estratégias que favoreçam a prática do profissional enfermeiro.

 

Objetivos

O presente estudo teve como objetivo principal avaliar a CDA, ou percepção de desempenho para atenção do enfermeiro no ambiente de trabalho, e, como objetivos secundários: a) verificar se existe diferença entre a CDA e variáveis demográficas e profissionais e b) verificar se há associação entre a CDA e as situações de demanda de atenção do enfermeiro.

 

Método

Local de estudo

O estudo foi realizado em um hospital de ensino do interior do Estado de São Paulo, de atendimento terciário, que presta assistência complexa e hierarquizada, com capacidade de atendimento para 359 leitos.

População e amostra

A população do estudo consistiu de 272 enfermeiros que realizam atividades assistenciais, nos diferentes turnos de trabalho dos serviços de enfermagem. Para a amostra, consideraram-se os enfermeiros que atendiam os critérios de inclusão como: a) exercer atividades de assistência direta ao paciente, b) possuir tempo de trabalho igual ou superior a seis meses na instituição e c) consentir em participar do estudo. Foram excluídos da amostra aqueles enfermeiros ausentes por motivo de férias, licença-prêmio ou médica e aqueles cujos instrumentos estavam incompletos ou não foram devolvidos.

Instrumentos de coleta de dados

Para a coleta de dados, foram utilizados dois instrumentos: Attentional Function Index (AFI)(17) e Demandas de Atenção(10).

O AFI tem como objetivo mensurar, de forma subjetiva, como o indivíduo avalia o seu desempenho, mediante determinadas situações que requerem concentração ou CDA. É composto por 16 itens, numa escala analógica visual, que varia de zero a 100mm. A pontuação é obtida com a média da soma de todos os itens. Valores próximos de zero indicam baixa percepção de desempenho e valores próximos de 100 indicam alta percepção de desempenho. É instrumento que possui boa consistência interna, com alfa de Cronbach que variou de 0,84 a 0,94(8-9,17).

O instrumento Demandas de Atenção tem como objetivo identificar as situações de demanda de atenção no ambiente de trabalho do enfermeiro(10). É constituído por 39 itens, agrupados em três domínios: ambiente físico com 14, psicológico com 12 e comportamental contendo 13 itens. Possui dois tipos de medida: frequência e intensidade, que podem ser analisadas de forma independente ou por meio de pontuação resultante do produto de ambas.

A primeira indaga ao enfermeiro sobre a frequência com que vivenciou uma determinada situação, por meio de escala tipo Likert, com cinco alternativas de respostas, variando de "nenhuma vez/raramente" a "muitas vezes/o tempo todo". Na segunda, o enfermeiro é solicitado a responder o quanto de esforço mental aquela determinada situação exigiu de si, por meio de escala de medida do tipo analógica visual, que varia de zero a 100 milímetros. A pontuação é obtida pelo produto da frequência pela intensidade. É instrumento que tem resultado em boa consistência interna, com alfa de Cronbach de 0,90 a 0,91(10-12).

Para este estudo, considerou-se o julgamento dos profissionais, quanto à frequência e à intensidade de cada situação, calculada em um escore total, que leva em consideração as duas medidas para cada situação.

Também foi utilizada uma ficha de caracterização, contendo aspectos pessoais e profissionais dos enfermeiros como: idade, sexo, estado civil, presença de algum problema de saúde, tempo de formação profissional, qualificação profissional, número de vínculos empregatícios e carga horária semanal de trabalho.

Procedimento de coleta de dados

Obteve-se, inicialmente, aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. A coleta dos dados foi realizada por uma das pesquisadoras, no período de junho a julho de 2008, durante a jornada de trabalho dos enfermeiros, com consulta prévia às escalas de trabalho nos serviços de enfermagem.

Os enfermeiros que atenderam os critérios de inclusão para participar do estudo foram orientados quanto aos objetivos do mesmo e, àqueles que concordaram, solicitou-se que assinassem o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). Foi entregue o envelope contendo os instrumentos e uma cópia do TCLE, elucidadas quaisquer dúvidas e combinado local e data para devolução dos mesmos.

Tratamento e análise estatística dos dados

Para análise estatística dos dados, utilizou-se o programa SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), versão 15.0.

Para descrever o perfil da amostra, segundo as variáveis em estudo, foram feitas tabelas de frequência das variáveis categóricas e estatísticas descritivas para as variáveis contínuas.

Para a variável presença de algum problema de saúde, quando descrito, foram relacionadas às variáveis apenas a presença de afecções de cunho psicológico, tendo em vista que essas podem afetar o desempenho cognitivo do indivíduo.

Na comparação das variáveis, foi utilizado o teste qui-quadrado, ou exato de Fisher, para as variáveis categóricas; o teste de Mann-Whitney para variáveis contínuas, ou ordenáveis, entre dois grupos, e o teste de Kruskal-Wallis entre três ou mais grupos.

Para analisar a variância entre instrumentos e variáveis pessoais e profissionais utilizou-se a análise de variância (ANOVA), seguida do teste de Tukey, quando diferenças estatísticas foram encontradas.

A confiabilidade dos instrumentos foi avaliada pelo coeficiente alfa de Cronbach, sendo considerado como nível aceitável os valores acima de 0,70.

Utilizou-se o coeficiente de correlação de Pearson para verificar a associação entre as situações de demanda de atenção e a escala de percepção de desempenho de atenção.

O nível de significância adotado para os testes estatísticos foi de 5%, ou seja, p<0,05.

 

Resultados

Participaram do estudo 169 enfermeiros, maioria do sexo feminino, com idade média de 40 anos, sendo a maior parte casada (43,2%) e trabalhando no turno da noite (40,2%). O tempo médio de formação profissional foi de 16 anos, com maioria (56,8%) em nível de qualificação lato sensu e com um vínculo empregatício (68%) (Tabela 1).

 

 

O tempo médio de trabalho na unidade foi de 9,5 (±6,63) anos e na instituição, 13,3 (±7,46) anos. A carga horária de trabalho, na última semana, para a maioria, (63-37,3%), foi de 36 horas. Outro aspecto abordado, junto aos enfermeiros, foi em relação aos problemas de saúde, verificando-se que 73 (43,2%) relataram algum tipo de problema e, desses, 14 (19,2%) relataram problemas de cunho psicológico.

No que se refere à CDA dos enfermeiros, verificou-se que a média de percepção de desempenho desses enfermeiros foi de 60,4, cujas médias por item variaram de 34,9 a 72 (Tabela 2). Na avaliação da consistência interna do instrumento, obteve-se coeficiente de confiabilidade de 0,83.

 

 

A percepção de desempenho de atenção, julgada pelos enfermeiros, diferiu entre os serviços (p=0,013), no qual os enfermeiros do Serviço de Enfermagem Médico Cirúrgico II obtiveram maiores médias em relação aos enfermeiros do Serviço de Enfermagem Médico Cirúrgico I (p=0,004) e Pediatria (p=0,035), conforme consta da Tabela 3.

 

 

Ao se comparar se existem diferenças em relação à percepção de desempenho para atenção dos enfermeiros e as variáveis pessoais e profissionais, os dados apontaram diferenças para as variáveis horas trabalhadas na última semana e problemas de saúde.

Os enfermeiros que trabalharam até 40 horas, julgaram menor percepção de desempenho de atenção, ou CDA, em relação àqueles que trabalharam mais de 40 horas (p=0,044) e aqueles que relataram algum problema de saúde também obtiveram menores médias de desempenho de atenção (p=0,026), em relação aos demais enfermeiros. Quando avaliado o grupo de enfermeiros com problemas de saúde, os dados apontaram que aqueles com algum problema de cunho psicológico apresentaram menor CDA, em relação aos demais enfermeiros (p=0,005).

Ao avaliar se existe associação entre os instrumentos AFI e Demandas de Atenção, resultou em associação negativa de baixa magnitude (r=-0,294; p<0,01), demonstrando que quanto maior as situações de demanda de atenção menor a CDA.

 

Discussão

Destaca-se a predominância do sexo feminino, explicado pela trajetória sócio-histórica da profissão(21), o que corrobora outros estudos(1,10-11,22). A média de idade dos enfermeiros apontou um grupo adulto jovem, o que se assemelha a achados de outros estudos(11,22). Outro aspecto importante foi que, nessa faixa etária, há predomínio de enfermeiros casados, dados semelhantes a um estudo nacional(23).

O tempo médio de experiência profissional de 16 anos corrobora outros estudos(2,22), retratando a existência de profissionais com ampla experiência pela permanência no mesmo local, possibilitando, assim, a aquisição de competências necessárias para o exercício da profissão. O tempo médio de trabalho na instituição foi semelhante ao estudo com enfermeiros provenientes de unidades de cuidados críticos(22) e superior aos estudos nacionais(11-12).

Além disso, a maioria possui algum tipo de pós-graduação em nível lato sensu, e a busca pela qualificação tem sido uma exigência do mercado de trabalho, que requer profissionais com conhecimentos e competências específicas.

A maioria dos enfermeiros possui apenas um vínculo empregatício, o que se assemelha aos estudos com enfermeiros de instituições privadas(11-12). Ressalta-se que, durante o estudo, apesar de possuírem apenas um vínculo de trabalho, alguns enfermeiros relataram ter realizado carga horária superior à estabelecida em contrato de trabalho, que pode ser justificada por horas extras, resultantes da necessidade do serviço ou melhoria no seu rendimento salarial.

Em relação à medida de percepção de desempenho de atenção, ou CDA, os enfermeiros apresentaram boa percepção de desempenho, resultando em índice de consistência interna satisfatório que se assemelha a outros estudos(7,9,17,24). Não se encontrou na literatura investigações que possam ser utilizadas para fins de comparação com o presente estudo. Entretanto, esses achados se assemelham aos estudos que avaliaram a CDA junto a estudantes(16-17) e pessoas com algum problema de saúde(8-9,13-14,24-25).

Ressalta-se que a CDA é essencial para o enfermeiro no desempenho de atividades que requerem concentração como planejar e prestar assistência ao paciente e sua família; coordenar atividades inerentes ao seu papel na unidade, bem como se relacionar com a equipe interdisciplinar.

Achado interessante foi que a CDA dos enfermeiros foi diferente entre os serviços, pois os enfermeiros do Serviço de Enfermagem Médico Cirúrgico I e da Pediatria julgaram menor percepção de desempenho para atenção, em relação aos enfermeiros dos demais serviços. As razões para esse achado podem estar relacionadas às características do hospital de atendimento de pacientes de alta complexidade, no qual as unidades de internação não dispõem de equipamentos e recursos humanos necessários para atender pacientes que, normalmente, detêm alta dependência de enfermagem e risco de instabilidade, como o caso de pacientes pediátricos, neuroclínicos, neurocirúrgicos, traumatológicos, ortopédicos, nefrológicos e hematológicos.

Um dado não esperado foi que os enfermeiros que realizaram, na última semana, carga horária igual ou superior a 40 horas, relataram maior percepção de desempenho para atenção, em relação aos enfermeiros que trabalham carga inferior a 40 horas. Uma das justificativas para esse achado pode ser a opção por realizar carga horária superior ao seu contrato de trabalho, visando melhoria da renda pessoal, o que pode gerar melhor planejamento, organização e consequente realização pessoal, o que viria minimizar o cansaço físico e mental.

Destaca-se que a percepção de desempenho para atenção do enfermeiro foi menor para aqueles com problemas de saúde e com problemas de saúde de cunho psicológico, evidenciando sua influência na CDA.

Quanto à hipótese da existência de correlação negativa entre as situações de demanda de atenção e a CDA, ou percepção de desempenho, foi confirmada, pois, quanto maior as situações de demanda no ambiente de trabalho menor a CDA, ou percepção de desempenho do enfermeiro.

Frente a esses achados, evidencia-se a necessidade de os enfermeiros, gerentes de enfermagem e administradores adotarem estratégias para promover ambientes positivos de trabalho que minimizem as situações de demanda de atenção para o enfermeiro no seu ambiente de trabalho, o que favorecerá melhor desempenho para atenção, ou CDA, e consequente melhora na assistência prestada por esse profissional.

O presente estudo possibilitou avaliar como os enfermeiros percebem o seu desempenho frente a situações que requerem concentração ou esforço mental. Apesar disso, uma limitação do presente estudo foi a impossibilidade de comparações da medida de percepção de desempenho, ou CDA, junto a enfermeiros, indicando a necessidade de novos estudos relacionados.

 

Conclusão

O estudo possibilitou concluir que os enfermeiros apresentaram boa percepção de desempenho de atenção, ou CDA, porém, diferiu entre os enfermeiros dos serviços de enfermagem pediátrica e enfermagem Médico Cirúrgico I, cujas médias foram inferiores aos demais enfermeiros de outros serviços.

Os enfermeiros que trabalharam carga horária semanal, inferior a 40 horas julgaram menores médias de CDA em relação aos enfermeiros com carga horária superior a 40 horas, dado não esperado no presente estudo. A presença de algum problema de saúde e afecção de cunho psicológico também interferiu na CDA desses enfermeiros.

Existe associação negativa entre a CDA e demandas de atenção, ou seja, quanto maior as situações de demanda de atenção no ambiente de trabalho do enfermeiro menor a percepção de desempenho para atividades da vida diária.

Ressalta-se a importância da contribuição desses achados para futuros estudos, visto que as situações vivenciadas no ambiente de trabalho do enfermeiro interferem na sua saúde física, psicológica e no desempenho de atividades que requerem esforço mental ou aumento da concentração. Destaca-se a necessidade de avaliar a CDA junto a outros grupos de enfermeiros e outras instituições de saúde, frente aos achados do presente estudo e a importância de comparação com estudos futuros.

 

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Endereço para correspondência:
Alessandra Nazareth Caine Pereira Roscani
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CEP: 13023-102 Campinas, SP, Brasil
E-mail: alessandra@hc.unicamp.br

 

 

Recebido: 20.8.2009
Aceito: 3.5.2010

 

 

1 Artigo extraído da dissertação de mestrado “Capacidade de direcionar atenção e demandas de atenção do enfermeiro no ambiente de trabalho” apresentada ao Programa de Pós-graduação em Enfermagem, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, SP, Brasil.