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Revista Latino-Americana de Enfermagem

On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.21 no.spe Ribeirão Preto Jan./Feb. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692013000700016 

ARTIGO ORIGINAL

 

Programação de ensino individualizado para ambiente virtual de aprendizagem: elaboração do conteúdo registro de enfermagem

 

Programación de enseñanza individualizada para ambiente virtual de aprendizaje: elaboración del contenido registro de enfermería

 

 

Patrícia de Carvalho NagliateI; Elyrose Sousa Brito RochaII; Simone de GodoyIII; Alessandra MazzoIV; Maria Auxiliadora TrevizanV; Isabel Amélia Costa MendesV

IDoutoranda, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil
IIPhD, Professor Adjunto, Universidade Estadual do Piauí, Brasil
IIIPhD, Enfermeira, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil
IVPhD, Professor Doutor, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil
VPhD, Professor Titular, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: descrever o planejamento de conteúdo sobre registro de enfermagem para utilização em ambiente virtual de aprendizagem, fundamentado na Programação de Ensino Individualizado, recurso didático que utiliza princípios básicos da análise do comportamento.
MÉTODO: foram especificados objetivos terminais, definidos os componentes intermediários para a consecução de cada objetivo terminal, assim como os requisitos antecedentes para cada componente intermediário. Ao fim desse processo, foram planejadas e organizadas as atividades de ensino em passos a serem desenvolvidos pelos aprendizes.
RESULTADOS: ao desmembrar o conteúdo em comportamentos, sete categorias de ações emergiram: imparcialidade, organização, honestidade, objetividade, coerência, legibilidade e discernimento.
CONCLUSÃO: a utilização da Programação de Ensino Individualizado, como recurso didático para o planejamento de conteúdo sobre registro de enfermagem, mostrou-se viável para identificar as unidades e módulos para o desenvolvimento do curso em ambiente virtual de aprendizagem, para profissionais de enfermagem.

Descritores: Educação em Enfermagem; Enfermagem; Pesquisa em Educação de Enfermagem; Registros de Enfermagem; Tecnologia Educacional.


RESUMEN

OBJETIVO: Describir la planificación de contenido sobre registro de enfermería, para utilización en ambiente virtual de aprendizaje, con base en la Programación de Enseñanza Individualizada, un recurso didáctico que utiliza principios básicos del análisis del comportamiento.
MÉTODO: fueron especificados objetivos finales, definidos los componentes intermediarios para alcanzar cada objetivo terminal, así como requisitos antecedentes para cada componente intermediario. Al final de ese proceso, fueron planeadas y organizadas las actividades de enseñanza en pasos que serán desarrollados por los aprendices.
RESULTADOS: Al desmembrar el contenido en comportamientos, siete categorías de acciones emergieron: imparcialidad, organización, honestidad, objetividad, coherencia, legibilidad y discernimiento.
CONCLUSIÓN: la utilización de la Programación de Enseñanza Individualizada como recurso didáctico para la planificación de contenido sobre registro de enfermería se mostró viable para el desarrollo del curso en ambiente virtual de aprendizaje para profesionales de enfermería.

Descriptores: Educación en Enfermería; Enfermería; Investigación en Educación de Enfermería; Registros de Enfermería; Tecnología Educacional.


 

 

Introdução

Utilizados entre os profissionais e a equipe de saúde, os registros de enfermagem são meios de comunicação sujeitos a falhas escritas. Essas falhas podem estar relacionadas a eventos adversos que influenciam diretamente a segurança do paciente(1-2).

Por meio da comunicação verbal ou não verbal as necessidades dos pacientes são observadas e compreendidas pela equipe de saúde. Assim, são vários os profissionais envolvidos na assistência, e a comunicação sobre os indivíduos assistidos é fundamental para garantir a qualidade e a continuidade do cuidado(3-4).

A dinâmica e o complexo ambiente clínico apresentam muitos desafios para uma comunicação efetiva entre os profissionais da saúde, o que pode favorecer a ocorrência de eventos adversos(5). A comunicação pobre é a causa mais frequente desses eventos nos ambientes de cuidados de saúde e resulta em problemas que vão desde o atraso no tratamento a erros em cirurgias e de medicação(6-7).

As anotações registradas no prontuário do paciente constituem uma forma de comunicação contínua entre os membros da equipe de saúde, subsidiando o planejamento das ações profissionais, tendo em vista o pleno restabelecimento da saúde do indivíduo assistido, com qualidade e em tempo reduzido(8-9).

As informações contidas nas anotações de enfermagem refletem o atendimento e o tratamento prestado ao paciente durante toda a internação e devem explicar os fatos ocorridos de maneira clara, uma vez que esses registros fazem parte das responsabilidades legais da profissão(7,10-11). Assim, os registros podem ser utilizados para diversos fins como pesquisas, auditorias, processos jurídicos, planejamento, entre outros(11-12).

Apesar da importância legal dos registros de enfermagem, observa-se que a comunicação escrita tem sido, em muitos casos, negligenciada pelos profissionais. A omissão de informações precisas e oportunas, assim como a dificuldade de acesso às informações vitais contidas no prontuário, pelos profissionais de saúde, aumenta significativamente o risco de danos ao paciente, o que pode gerar consequências desastrosas para o seu atendimento(5). Por outro lado, iniciativas indicam que é possível prevenir eventos como a infecção do sítio cirúrgico, através da implementação de protocolos e registros realizados de forma completa(13).

A relação entre a presença e a qualidade das informações registradas no prontuário de pacientes hospitalizados e a ocorrência de eventos adversos é baixa, sugerindo que os componentes do registro são pouco valorizados quando relacionados a tais eventos. Em contraste, a qualidade das informações relativas ao paciente é deficiente e têm altas associações com os eventos adversos(2).

Por outro lado, por meio de auditoria, a qualidade dos registros de enfermagem de 424 prontuários de pacientes de um hospital universitário brasileiro foi classificada como ruins (26,7%), regulares (64,6%) e bons (8,7%), o que demonstra claramente a necessidade de investimentos na melhoria(10).

Há vários estudos disponíveis na literatura que apontam falhas cometidas pelos profissionais de enfermagem durante o processo de registro de suas atividades(2,14-15). Refletindo sobre esse problema e sobre a urgência em se implementar medidas para sua reversão, impõe-se a necessidade de se adotar estratégias que viabilizem o uso de programas educacionais capazes de desenvolver habilidades relacionadas ao registro. Acredita-se, aqui, que atividades de ensino assim implementadas podem alterar esse contexto, especialmente considerando que as Tecnologias de Informação e Comunicação disponíveis podem favorecer o intercâmbio do conhecimento prático com o teórico-científico atualizado e estimular o profissional a adotar novas práticas.

Essa concepção de educação vem sendo apontada por pesquisadores como estratégia sintonizada com as mudanças do contexto da educação atual. Apesar de implicar na reorganização do processo de formação, mostra-se transformadora uma vez que distribui oportunidade de acesso à aprendizagem para todos, de forma ampla, abrangente e permanente(16).

De todo modo, há que sempre se ter em perspectiva que projetos inovadores de educação permanente no trabalho de enfermagem devem estar harmonizados com critérios que favoreçam a compreensão do indivíduo na sua realidade profissional, no processo de aprimoramento, possibilitando maneiras criativas e reflexivas de pensar e fazer, tendo em vista o desenvolvimento pessoal, social e profissional do cidadão trabalhador(16).

Tendo como referência o cenário da prática profissional da enfermagem, em que os recursos humanos necessitam de atualizações constantes sobre diversos conteúdos, bem como a exigência de que esses sejam ajustados às condições da dinâmica dos serviços, buscou-se, aqui, uma metodologia que auxiliasse a planejar o desenvolvimento do conteúdo, tendo em vista o oferecimento segmentado, porém, com a profundidade necessária, uma vez que esse tipo de material será disposto aos profissionais durante prática de educação permanente em serviço, utilizando recursos de educação a distância (EAD) em ambiente virtual de aprendizagem (AVA).

Assim, optou-se pelo uso do Personalized System of Instruction (PSI) para o planejamento do conteúdo sobre registro de enfermagem a ser desenvolvido.

No PSI, o aluno é o foco do processo de ensino, desenvolve sua aprendizagem em pequenas etapas (passos) que se adaptam a um processo individualizado, conforme o seu desempenho. A diferença do PSI em relação ao ensino tradicional é apontada por cinco características principais: ritmo individualizado, divisão do conteúdo disciplinar em pequenas etapas, aulas e demonstrações com propósito unicamente motivacional, ênfase no material escrito que pode ser acessado pelo aluno nos momentos que lhe forem convenientes e importância do monitor/tutor enquanto provedor de feedback imediato(17-18).

De acordo com a literatura, o PSI e a EAD apresentam uma relação estreita no que tange aos aspectos: instrucionais, no uso da palavra escrita (virtual ou impressa) e no preparo do material didático(19), exigindo cuidadosa reformulação em seus conteúdos, já que a metodologia permite que todas as informações estejam ao alcance dos alunos nos momentos em que lhes forem necessárias ou convenientes(18,20).

Frente ao exposto, entende-se que o uso das ferramentas de EAD, particularmente as disponíveis em AVA, em conjunto com o PSI seja uma estratégia conveniente, acessível e compatível com a realidade e disponibilidade de tempo dos profissionais de enfermagem, para educação permanente em serviço na temática.

Assim, teve-se como objetivo neste estudo descrever o planejamento de conteúdo sobre registro de enfermagem para utilização em AVA, fundamentado na PSI.

 

Método

Trata-se de estudo descritivo, realizado no período de janeiro a julho de 2012, para o planejamento de conteúdo educacional virtual sobre registro de enfermagem, baseado na PSI, para ser disponibilizado em AVA.

A programação de ensino individualizada é composta por quinze passos: 1º) escolher o tema ou assunto; 2º) descrever o problema a ser resolvido; 3º) especificar os objetivos terminais sob a forma comportamental; 4º) propor os objetivos comportamentais terminais; 5º) justificar a relevância dos objetivos terminais em relação aos aprendizes do programa; 6º) analisar os objetivos terminais em seus componentes intermediários necessários para sua consecução; 7º) organizar os objetivos intermediários resultantes da análise em uma sequência para o ensino; 8º) planejar atividades de ensino para a aprendizagem de cada um dos objetivos intermediários da sequência; 9º) organizar as atividades planejadas para ensino em unidades ou passos a serem realizados pelo aprendiz; 10º) planejar o procedimento de avaliação da eficácia de um programa de ensino; 11º) organizar o material a ser utilizado pelos aprendizes nas diferentes unidades do programa; 12º) redigir instruções para cada unidade de trabalho do aprendiz em um programa de ensino; 13º) planejar os procedimentos de avaliação do desempenho do aprendiz; 14º) redigir a apresentação de um programa de ensino contendo objetivos, recursos, procedimentos e sistema de avaliação do programa e 15º) comunicar e examinar programas de ensino sob a forma comportamental(21).

Iniciou-se com a descrição do problema do programa de ensino, tendo como referência a questão norteadora: como fazer um bom registro de enfermagem? Em seguida, especificaram-se os objetivos terminais sob a forma comportamental e foram analisados os componentes intermediários para a consecução de cada objetivo terminal. A partir disso, definiram-se os requisitos antecedentes para cada componente intermediário e, por fim, foram planejadas e organizadas as atividades de ensino em passos a serem realizados pelos aprendizes.

O início da programação de ensino se deu no momento em que se decidiu quais eram os resultados e ações esperadas dos aprendizes quando esses forem lidar com a situação ensinada. Na sequência, determinaram-se os comportamentos que devem ser ensinados ao aprendiz para que os resultados sejam alcançados. Posteriormente, o comportamento/objetivo (componente intermediário) foi decomposto em comportamentos mais simples.

Um componente intermediário é um comportamento que constitui uma aprendizagem mais simples do que a expressa no objetivo terminal e que é necessária para que o aprendiz seja capaz de realizar o objetivo de ensino.

Na sequência, identificaram-se e descreveram-se todos os componentes intermediários, relevantes para os objetivos terminais. A partir dos componentes intermediários foram propostas as atividades de ensino para que o aprendiz seja capaz de desempenhar cada um desses componentes e apresente o desempenho terminal esperado.

Planejaram-se as atividades de ensino a partir de cada componente intermediário e, em seguida, foram organizadas essas atividades em unidades ou passos a serem seguidos pelos aprendizes, de acordo com as ferramentas apropriadas para cada atividade proposta no AVA.

Para essa programação de ensino foram seguidos nove dos quinze passos preconizados na literatura. Os seis passos restantes não serão abordados neste estudo, por estarem relacionados ao desenvolvimento, implementação e avaliação do conteúdo.

 

Resultados

Um dos pontos de partida para se planejar uma atividade de ensino é o problema ou necessidade que se pretende resolver, ou atender, por meio da capacitação daqueles a quem essa atividade se destina.

O problema encontrado para esse programa de ensino foi: como fazer um bom registro de enfermagem?

A partir da descrição do problema apontado neste estudo, apresentou-se a descrição das classes gerais de comportamento, bem como as classes específicas, que possibilitaram a identificação de sete objetivos terminais, com base no tipo de função que predomina para a realização de um bom registro de enfermagem: organização, imparcialidade, honestidade, coerência, objetividade, legitimidade e conhecimento (Figura 1).

As atividades de ensino para a aprendizagem foram planejadas a partir de cada componente específico. Descreveu-se o comportamento que deve ser apresentado pelo aluno durante a aprendizagem do conteúdo, considerando inicialmente as condições que facilitarão essa aprendizagem em cada passo (Figura 2).

Após serem descritas as respostas que deverão ser apresentadas pelos aprendizes, consideraram-se essas atividades em unidades ou passos a serem seguidos. Dessa forma, optou-se por dispor instruções sobre como realizar o registro de enfermagem, seguidas de exercício prático. Foram consideradas as classes de respostas, ou comportamentos, que deverão ser apresentados pelo aprendiz em cada unidade de aprendizado, incluindo leituras, descrições sobre como realizar o registro, exemplificações e vídeos.

Elaboraram-se três módulos e apresentou-se o plano de trabalho relacionado a cada um, com descrição das unidades, passos, objetivo e sugestão de atividades. O conteúdo dos módulos introdução e aspectos da comunicação está apresentado na Figura 3 e o dos aspectos textuais do registro nas Figuras 4 e 5.

 

Discussão

As classes específicas que emergiram neste estudo estão relacionadas às ações comportamentais que devem ser estimuladas no aprendiz, para que esse seja capaz de responder aos requisitos antecedentes e atingir os objetivos terminais relacionados ao registro de enfermagem. Dessa maneira, a descrição dos componentes intermediários e especificações de suas partes funcionais foram feitas em função dos requisitos antecedentes, diante das quais a ação deve ocorrer de maneira desejável.

Decompor os requisitos antecedentes em aprendizagens intermediárias ajudou a evidenciar e a identificar quais comportamentos o aprendiz necessita desenvolver para apresentar o comportamento/objetivo. Dessa forma, é necessário verificar em qual nível de aprendizagem se encontra o sujeito, uma vez que somente observando tais aprendizagens é possível decidir até qual nível de complexidade será necessário decompor o comportamento terminal. Quando o nível de complexidade das aprendizagens intermediárias é condizente com as aprendizagens que o aluno já apresenta, considera-se o término da decomposição do comportamento. Com isso, a programação de ensino é um processo de ensino-aprendizagem que corrobora para diminuir a ocorrência de erros pelos aprendizes, uma vez que errar é geralmente aversivo a quem aprende e, por isso, eliminar, ou minimizar, tais falhas torna-se a maneira mais eficiente de manter os aprendizes mais motivados a aprender eficientemente os comportamentos/objetivo(22).

Estudiosos destacam que no PSI o conteúdo da disciplina é cuidadosamente dividido em pequenas unidades e o aluno só avança de uma unidade para outra após demonstrar domínio da unidade anterior, diminuindo suas chances de dificuldades de aprender um novo conteúdo por falhas na aprendizagem de conteúdos anteriores relacionados(20).

Baseando-se nesse método, cada aluno conduzirá seu aprendizado a respeito do registro de enfermagem passo a passo, sendo acompanhado de perto e individualmente pelo tutor, independente do ritmo de seus colegas. Se o aprendiz não atingir o critério de aprendizagem de uma unidade, ao invés de ter que avançar no curso, juntamente com os demais, ele poderá revisar o conteúdo e tentar novamente.

A descrição do que o aprendiz deve ser capaz de fazer ao final da experiência de aprendizagem é uma afirmação sobre as relações comportamentais que esse indivíduo deverá apresentar nas situações naturais nas quais deverá atuar(21).

No PSI a avaliação da aprendizagem de cada unidade pode assumir formas diversas como, por exemplo, perguntas de múltipla escolha, questões de completar, respostas dissertativas curtas, demonstração prática de alguma habilidade e testes orais(20).

A elaboração do programa de ensino foi possível pelo desmembramento do tema em unidades que serão oferecidas em passos que permitem ao aprendiz visualizar, de forma clara e objetiva, o que se deve fazer ao longo do oferecimento do conteúdo. Além disso, acredita-se que disponibilizar o conteúdo no AVA permitirá maior interação do tutor com o aprendiz, por exigir o feedback positivo ao longo de todo o curso.

O desenvolvimento desse planejamento envolveu tomada de decisão, tendo em vista o oferecimento de um processo ensino-aprendizagem eficiente e individualizado. Tais características permitirão ao profissional prosseguir na velocidade e tempo adequados à sua realidade. Além disso, as tarefas foram organizadas em passos, pretendendo-se, com isso, que o aprendiz percorra a próxima unidade apenas quando já estiver perfeitamente apto na unidade anterior e, ao mesmo tempo, que receba tutoria e feedbacks constantes.

Uma consideração relevante quanto ao uso do PSI para educação permanente em saúde de profissionais de enfermagem é que, nessa modalidade, o profissional/aprendiz conclui o módulo de forma relativamente rápida, enquanto em outros modelos de educação continuada e permanente é necessário dedicar o tempo total atribuído à carga horária do curso para seu término. Como tal, em um curso com a metodologia do PSI, alunos inscritos no mesmo curso poderão trabalhar em unidades distintas, em função de sua taxa de progresso. Ao contrário da metodologia tradicional de instrução, um modelo de autoestudo reconhece e responde, de maneira individual, aos alunos, evitando penalidades àqueles que necessitam de mais tempo para aprender(19).

Salienta-se que desmembrar todo o conteúdo sobre registro de enfermagem despendeu tempo. No entanto, acredita-se que esse esmiuçar do tema "registro de enfermagem" ou de qualquer outro conteúdo é de fundamental importância para que possa ser oferecido com riqueza de detalhes, uma vez que tal ação permite a reflexão crítica do programador em relação a cada unidade do conteúdo, de forma que nenhum ponto sobre o assunto seja deixado de lado. Planejar significa também ter total clareza dos objetivos que se quer alcançar, ou seja, saber especificar claramente os comportamentos que se gostaria de observar nos aprendizes ao final do processo, assim como fornecer as condições mais apropriadas para que esses comportamentos sejam, de fato adquiridos e mantidos, uma vez que a preocupação das instituições de saúde é, cada vez mais, promover o crescimento, o desenvolvimento, a comunicação e a preservação do conhecimento de seus profissionais de saúde(23).

 

Conclusão

A utilização da Programação de Ensino Individualizado, como recurso didático para o planejamento de conteúdo sobre registro de enfermagem, mostrou-se viável para identificar as unidades e módulos para o desenvolvimento do curso em AVA para profissionais de enfermagem, proporcionou, ainda, a construção de tópicos organizados, objetivos, claros, detalhados e ricos em relação ao problema abordado.

No entanto, esse método requer tempo em seu planejamento, elaboração e dedicação por parte do programador, sendo essa uma limitação percebida.

Espera-se que esse conteúdo, quando aplicado, facilite o processo de aprendizagem, uma vez que foi construído em passos visando respeitar o ritmo e o tempo de cada aprendiz no AVA.

 

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Endereço para correspondência:
Isabel Amélia Costa Mendes
Universidade de São Paulo. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto
Av. dos Bandeirantes, 3900
Bairro Monte Alegre
CEP: 14040-902, Ribeirão Preto, SP, Brasil.
E-mail: iamendes@usp.br

Recebido: 30.7.2012
Aceito: 6.11.2012

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