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Revista Latino-Americana de Enfermagem

versão impressa ISSN 0104-1169versão On-line ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.25  Ribeirão Preto  2017  Epub 06-Abr-2017

http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.1643.2855 

Artigo Original

Atitude e conhecimento sobre a saúde do pé: uma visão espanhola

Daniel López-López1 

Ricardo García-Mira2 

Patricia Palomo-López3 

Rubén Sánchez-Gómez4 

José Ramos-Galván5 

Natalia Tovaruela-Carrión6 

Matilde García-Sánchez7 

1PhD, Professor Assistente, Facultade de Enfarmaría e Podoloxía, Universidade da Coruña, Ferrol, Espanha.

2PhD, Professor Titular, Facultad de Ciencias da Educación, Universidade da Coruña, A Coruña, Espanha.

3PhD, Professor Assistente, Centro Universitario de Plasencia, Universidad de Extermadura, Plasencia, Espanha.

4PhD, Professor Assistente, Facultad de Ciencias de la Salud, Universidad Europea de Madrid, Madrid, Espanha.

5PhD, Professor Titular, Facultad de Enfermería Fisioterapia y Podología, Universidad de Sevilla, Sevilla, Espanha.

6PhD, Professor Assistente, Facultad de Enfermería Fisioterapia y Podología, Universidad de Sevilla, Sevilla, Espanha.

7PhD, Professor Titular, Facultade de Enfarmaría e Podoloxía, Universidade da Coruña, Ferrol, Espanha.

RESUMO

Objetivo:

explorar as atitudes em relação aos dados auto-relatados dos pacientes sobre crenças relacionadas à saúde do pé, desde uma perspectiva comportamental e atitudinal.

Métodos:

uma amostra de 282 participantes com idade média de 39,46 ± 16,026 chegaram a um centro de saúde onde foram registradas características demográficas, clínicas e crenças auto-relatadas referentes a dados de saúde do pé, os quais completaram todas as fases do processo de pesquisa.

Resultados:

os resultados da análise revelaram uma estrutura fatorial de 8 fatores baseada em (1) comportamentos podiátricos, (2) a intenção de realizar comportamentos protetores, (3) crenças atitudinais, (4) crenças normativas, (6) apatia, (7) autocuidado, e (8) a percepção geral da saúde do pé. Todos eles explicaram 62,78% da variância e foram considerados como variáveis ​​independentes em uma análise de regressão para determinar quais forneceram as melhores explicações para a importância atribuída à saúde do pé.

Conclusões:

os participantes do estudo revelaram uma atitude positiva em relação à saúde do pé e comportamento responsável.

Descritores: Pé; Podiatria; Percepção

Introdução

O aumento da expectativa de vida e a alta prevalência de patologias do pé relacionadas à obesidade, diabetes, prática esportiva, alterações vasculares, lesão física e sedentarismo1 para as quais não há cura total e cujo objetivo terapêutico é aliviar ou eliminar sintomas, evitar complicações e melhorar o bem-estar do paciente, onde as medidas médicas clássicas de resultado (mortalidade, morbidade, expectativa de vida) são insuficientes para fornecer uma avaliação completa e efetiva para o tratamento das enfermidades dos pés.

Além disso, esses problemas atualmente afetam entre 71 e 93% da população em geral e são uma causa frequente de cuidados médicos e dos pés2, uma vez que se mostraram enfermidades não menores nem banais tendo uma influência negativa sobre a capacidade funcional e a qualidade de vida3-5. Estas condições são de origem multifatorial e sua alta incidência está relacionada com dificuldade em calçar sapatos, dores, distúrbio da marcha, velocidade de caminhada reduzida, variação nas pressões plantares e risco de quedas6-8. As patologias mais frequentes encontradas foram dedos em garra, hálux valgus, dedos em martelo, dedos sobrepostos, hálux extensus, pés planos, neuroma de Morton, joanete de alfaiate, fascite plantar e pé cavo2-9.

As questões de pesquisa abordadas, portanto, dizem respeito aos seguintes aspectos: que atitudes e fatores influenciam a percepção das pessoas sobre as doenças do pé e dos profissional de saúde que as trata? Quais são os métodos mais adequados para aumentar nosso conhecimento desses aspectos atitudinais?

Para tentar responder a essas questões, foi definido como objetivo geral da pesquisa, avaliar as representações sociais da saúde do pé e os aspectos podológicos e psicológicos envolvidos na análise do comportamento humano.

Assim, perceberemos se o principal motivo está relacionado com o impacto negativo das doenças do pé sobre a capacidade funcional e a qualidade de vida10 e, neste sentido, o principal instrumento de análise da pesquisa em saúde, como método confiável de mensuração de resultados e geração de evidências clínicas, é a construção de questionários numa base científica11.

A importância de um estudo deste tipo reside na possibilidade de analisar comportamentos particulares e nosso conhecimento do contexto psicossocial, uma vez que eles podem potencialmente gerar um risco de sofrer de patologias dos pés.

Isso terá uma influência positiva na resposta e adesão dos pacientes ao tratamento, caracterizado pela introdução de uma variedade de atividades que as pessoas realizam em suas vidas cotidianas e a importância atribuída à doença em geral12. Tal fato tem efeito no tipo de comportamentos preventivos que acompanham um tratamento ou diminui a possibilidade de ser afetado por uma patologia do pé ou do tornozelo13.

Nesse sentido, o presente estudo analisa as crenças relacionadas à saúde do pé, do ponto de vista comportamental e atitudinal, devido à falta de conhecimento dos critérios que as pessoas levam em consideração ao avaliar a seriedade de tudo o que afeta a saúde do pé.

Método

Desenho e amostra

O estudo foi concluído em 12 meses, de janeiro de 2014 a janeiro de 2015. O estudo foi realizado entre pessoas atendidas na Clínica de Medicina Podiátrica e Cirurgia, a qual presta tratamento de doenças e distúrbios do pé, na Universidade de A Coruña, na cidade de Ferrol (Espanha).

Foi um estudo transversal. Utilizou-se o método de amostragem consecutiva para selecionar os participantes do estudo. Os critérios de inclusão foram ter 65 anos ou menos e concordar, mediante consentimento informado, em participar. Os critérios de exclusão foram história de doença psiquiátrica grave, demência, distúrbios neurológicos, imunocomprometimento, trauma e história de cirurgia do pé, e recusar-se a assinar o termo de consentimento ou não ser capaz de compreender as instruções necessárias para realizar o presente estudo.

Procedimento

No momento da inscrição no serviço, os pacientes foram entrevistados sobre saúde geral e características demográficas (idade, sexo, estado civil, renda, educação). Um único examinador treinado realizou exame clínico padronizado em todos os participantes no qual mediram altura, peso com o sujeito descalço e vestindo roupas leves, e o índice de massa corporal (IMC) foi calculado a partir da altura (m) e do peso (kg), aplicando a equação de Quetelet: IMC = peso / altura²14.

Em segundo lugar, objetivou-se determinar as atitudes em relação aos dados auto-relatados pelos pacientes sobre as crenças relacionadas à saúde do pé a partir de uma perspectiva comportamental e atitudinal, usando um questionário ad hoc para coletar dados precisos sobre o perfil do sujeito, junto com uma série de características específicas que o definem. Também foram coletados dados sobre atitudes e comportamentos relacionados ao estilo de vida, hábitos cotidianos, avaliação da relevância subjetiva, comportamentos preventivos e a percepção social da podologia, sendo este um fator importante na manutenção da saúde do pé e de relevância na determinação dos aspectos específicos relacionam-se de forma particular com o bem-estar.

Foi aplicado um questionário que incluiu um conjunto de itens os quais mediram as variáveis ​​acima mencionadas em dois tipos de escala: 1) escalas qualitativas, com itens em aberto para coletar informações sobre hábitos e atividades; 2) escalas de tipo Likert de 5 pontos, para medir o grau de importância atribuído pelos sujeitos à saúde do pé em geral, bem como aos podólogos e sua situação no sistema de saúde em particular, mostrados na Figura 1.

Figura 1 Questionário Ad hoc. A Coruña, Espanha, 2014 

Esta pesquisa foi revisada pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade de A Coruña, Espanha, aprovado com o número de registro CE 06/2014.

Análise estatística

Tamanho da amostra

O tamanho da amostra foi calculado com o software da Unidade de Epidemiologia Clínica e Bioestatística da Universidade de A Coruña15. O tamanho da amostra para uma hipótese bilateral, um risco alfa de 5% e um poder estatístico de 80%, e um erro beta de 20%, foi de ao menos 282 casos.

Análises descritivas, incluindo cálculo de médias, desvios padrão (DP) e intervalos foram calculados para as variáveis ​​quantitativas: idade, peso, altura e IMC.Realizou-se, também, uma análise fatorial do componente principal, para obter uma estrutura fatorial que permita explorar e determinar as dimensões que caracterizam o modelo perceptivo de podologia e saúde do pé, do ponto de vista das crenças atitudinais, normativas, intencionais e comportamentais, a partir da perspectiva teórica da ação planejada.

A etapa final consistiu em realizar uma análise de regressão linear múltipla, utilizando o método escalonado, considerando distintos fatores como variáveis ​​independentes e a "importância atribuída à saúde do pé" como a variável dependente. O objetivo foi determinar quais os fatores mais contribuíram para a avaliação da importância atribuída, utilizando-se como ferramenta o pacote SPSS (versão 16), para análise descritiva e estatística, com nível de significância inferior a 5%.

Resultados

Um total de 282 pessoas completaram todas as etapas do processo de pesquisa, sendo 80 homens (28,4%) e 202 mulheres (71,6%). As idades variaram de 12 a 90 anos,?????? com média de idade de 39,46 ± 16,026 anos, 66,28 ± 12,126 de peso, 166,4 ± 7,846 cm de altura, IMC = 23,94 ± 4,51 kg/m2, completaram um curso superior de três anos, casados e trabalhando atualmente.

A análise fatorial gerada pelo método de componentes principais com rotação Varimax, com base nos 26 itens obtidos da amostra, revelou a existência de 8 fatores que explicam 62,8% da variância (Tabela 1).

Tabela 1 Matriz de componentes rotados referentes à percepção do cuidado do pé. A Coruña, Espanha, 2014 

Componente
Comportamento dos cuidados com os pés 1) Intenção Comportamental (2) Crenças normativas (3) Crenças atitudinais (4) Necessidades reais (5) Apatia para o cuidado dos pés (6) Cuidados pessoais (7) Percepção da saúde (8)
31.1 Check-ups regulares dos pés .831
31.2 Produtos específicos para os cuidados dos pés .776
34.4 Benefício de exames de pé .735
30.7 Bem-estar derivado do exame de pé .584
30.5 Satisfação derivada do exame de pé .496 .472
33.4 Estou começando a usar produtos específicos .821
33.3 Estou começando a usar calçados apropriados .800
33.1 Estou começando a fazer exames de pé .419 .743
33.2 Amigos recomendam a importância dos cuidados com o pé .670
32.3 As pessoas ao meu redor acham que eu deveria cuidar dos meus pés .759
32.2. Meus amigos pensam que meus cuidados com os pés é uma coisa boa .710
32.1 Minha família acha que eu devo cuidar dos meus pés .686
32.4 Meu parceiro acha que eu cuido bem dos meus pés .662
30.2. Cuidar dos meus pés faz eu me sentir autoconfiante .761
30.6 Me sinto irritado quando encontro pessoas que não tratam seus problemas no pé .616
30.3 Podólogos são médicos especializados em pés .601
31.5 Eu tento não andar descalço .452
30.1 Dor no pé deve ser tratada prontamente
31.4. Uso calçado apropriado para os meus pés .790
34.3. Usar calçado apropriado é benéfico .722
30.4. As pessoas exageram quando se trata de cuidar dos seus pés .754
30.8 Me sinto mal por ir ao podólogo .407 .563
31.6 Eu vou a centros de beleza para cuidar dos meus pés. .555
34.2 A extensão em que posso cuidar de meus próprios pés .717
31.3. Eu faço exercícios para fortalecer meus pés .408 .482
34.1. Caminhar é importante para a saúde geral e a saúde dos seus pés .794

Analisando mais detalhadamente a importância do resultado desta análise fatorial. O critério usado para extrair fatores foi reter todos os fatores com um autovalor maior do que 1. O resultado poderia ter sido simplificado se tivéssemos aumentado esse valor, mas optamos pelo critério tradicional para manter a variância máxima e obter, a partir do instrumento original, um conjunto mais significativo de 8 aspectos relacionados com a percepção do cuidado do pé (Tabela 2).

Tabela 2 Distribuição da variância total. Método de extração: Análise de componentes principais. A Coruña, Espanha, 2014 

Componente Autovalores iniciais
Total % de variação Cumulativo %
(1) Comportamentos de cuidados com os pés 6.057 23.297 23.297
(2) Intenção comportamental 2.276 8.754 32.051
(3) Crenças normativas 1.832 7.047 39.097
(4) Crenças atitudinais 1.542 5.930 45.028
(5) Necessidades reais 1.306 5.023 50.050
(6) Apatia para o cuidado do pé 1.192 4.586 54.637
(7) Autocuidado 1.078 4.145 58.782
(8) Percepção de saúde relacionada ao movimento a pé 1.038 3.994 62.776

Tendo em conta os elevados valores de comunalidade (isto é, a proporção de variância explicada pelos fatores), consideraremos cada um dos 8 itens nas seguintes análises.

  • 1) Comportamento dos cuidados com os pés: o primeiro fator (23,3% da variância total) reúne os itens relacionados com a prevenção podológica e bem-estar, em geral e do pé, em particular. Ambos são de grande relevância para a aquisição de conhecimento e para o desenvolvimento da necessária confiança e competência para a manutenção da mesma. Referimo-nos, assim, a este fator como "comportamentos de cuidados com os pés".

  • 2) Intenção comportamental: o segundo fator (8,75% da variância total) inclui aquelas variáveis ​​relacionadas com o conhecimento e a percepção das pessoas sobre a saúde do pé e se coincidem ou não com as características da doença, desempenhando papel chave na participação do paciente no autocuidado dos seus pés.

  • 3) Crenças normativas: o terceiro fator (7,05% da variância total) reúne os itens relacionados ao contexto psicossocial, gerando uma resposta positiva à intervenção terapêutica. Daí a necessidade de estudar o contexto individual, pois a consideração da doença e a consideração pessoal em geral de suas causas influenciam o tipo de comportamentos preventivos que acompanham um tratamento ou reduzem a possibilidade de sofrer uma patologia do pé.

  • 4) Crenças atitudinais: o quarto fator (5,93% da variância total) revela o quanto as pessoas sabem sobre a saúde do pé e as limitações auto-impostas em seu estilo de vida. Os doentes que pensam que são saudáveis ​​escondem seu comportamento real para evitar uma resposta negativa de seu médico, permitindo-lhes assim fazer o que quiserem. Aqueles pacientes que seguem as diretrizes estabelecidas estão satisfeitos com sua saúde e têm uma comunicação mais fluente com profissionais de saúde.

  • 5) Necessidades reais: o quinto fator (5,02% da variância total) procura explicitamente fazer mudanças na modificação de nosso comportamento e aprimorá-lo. O uso do calçado adquiriu uma dimensão protetora e facilita o movimento a pé na cultura ocidental, embora às vezes o uso inadequado esteja diretamente ligadas a quedas, alterações da marcha e à aparição ou piora das patologias do pé.

  • 6) A apatia para o cuidado dos pés: o sexto fator (4,59% da variância total) representa a importância que as pessoas dão aos cuidados dos pés em particular e aos cuidados de saúde em geral, atuando como um meio precoce de diagnóstico seletivo. Assim, os pacientes que pensam que estão bem escondem seu comportamento real para evitar uma resposta negativa de seu médico, o que lhes permite fazer o que quiserem.

  • 7) Autocuidado: o sétimo fator (4,15% da variância total) revela se o conhecimento e as percepções do paciente coincidem ou não com as características da doença, desempenhando um papel fundamental na participação do paciente em cuidar de seus próprios pés.

Além disso, o autocuidado garante a aquisição de confiança e permite um maior envolvimento na gestão do risco de saúde do pé e uma busca por mudanças nos comportamentos individuais de promoção da saúde, permitindo que certos grupos populacionais, como crianças, diabéticos e idosos, obtenham um maior benefício.

8) Percepção de saúde relacionada com o fato de deslocar-se a pé: o oitavo fator (3,99% da variância total) é considerado em si mesmo como resultado de vários estudos que provaram que quando a atividade física faz parte do trabalho e das atividades recreativas é benéfico para a saúde, melhorando ou mantendo a aptidão física. Este fator pode assim ajudar a prevenir patologias cardiovasculares e contribuir para uma diminuição da mortalidade.

Análise da importância atribuída à saúde do pé, determinada por meio da análise de regressão múltipla permitiu obter informações sobre os fatores que mais contribuíram para essa determinação de importância pelos sujeitos do estudo.

Assim, tomando como variáveis ​​os 8 fatores extraídos por meio de análise fatorial e como variável dependente a importância atribuída ao cuidado do pé pelos entrevistados, foram obtidos os seguintes resultados (Tabela 3).

Tabela 3 A importância atribuída à saúde do pé. A Coruña, Espanha, 2014 

Modelo R R quadrado R quadrado ajustado Erro Padrão do estimado Estatísticas de mudança
Cambio en R cuadrado Cambio en F gl1 gl2 Variação de Sig.F Variação de R quadrado Variação de F df1 df2
F1_Comp. Cuidado pés .287(a) .082 .079 .824 .082 25.151 1 280 .000
F4_Crencas atitudinais .362(b) .131 .124 .803 .048 15.505 1 279 .000
F8_Percep.Saude. Caminhar .383(c) .147 .138 .797 .016 5.266 1 278 .022
F5_Necesidades reais .403(d) .163 .151 .791 .016 5.223 1 277 .023
F2_Intenção comportamental .420(e) .176 .161 .786 .013 4.475 1 276 .035

Os fatores que contribuíram para atribuir importância à saúde do pé foram aqueles que entraram na equação de regressão, os fatores 1, 2, 4, 5 e 8, que entre eles explicaram 16,1% da variância.

O fator 1, "Comportamentos de cuidados com os pés", contribuiu para a explicação da importância atribuída à saúde do pé com 7,9% da variância. Seguiu-se o Fator 4, "Crenças atitudinais" (aumentando a variância para 12,4%), Fator 8, "Percepção de saúde relacionada com o fato de deslocar-se a pé" (que elevou a variância para 13,8%), Fator 5, "Necessidades reais" (15,1%) e, finalmente, o fator 2, "Intenção comportamental", que estabeleceu a variância em 16,1% para explicar a importância atribuída à saúde do pé (Figura 2).

Figura 2 A importância atribuída à saúde do pé. A Coruña, Espanha, 2014 

O achado mais significativo derivado desses resultados é que a atribuição de importância à saúde do pé é determinada pela força dos seguintes fatores: a influência do comportamento na avaliação dos sujeitos; crenças atitudinais; percepção de saúde relacionada com o fato de deslocar-se a pé e a existência de necessidades reais para visitar um profissional de saúde que irá ajudar a melhorar a saúde em geral, e saúde do pé em particular. Estes fatores fornecem uma riqueza de informações relacionadas com comportamentos preventivos ou terapêuticos que levam a uma melhor saúde e uma melhor qualidade de vida.

Discussão

A resposta dos sujeitos à doença depende da sua imagem anterior, e esta pessoa atua em um sistema sociocultural que legitima seus comportamentos e assume também uma série de papéis e responsabilidades socialmente aceitos.

Nesse sentido, a resposta dada pelos sujeitos à atribuição da importância da saúde do pé é determinada não apenas pela influência exercida pelo comportamento na avaliação dos sujeitos, mas também pelas crenças atitudinais, percepção de saúde associada ao movimento a pé, as necessidades reais e a intenção de realizar comportamentos de autocuidado16-18.

Deste modo, a percepção da doença em relação à saúde do pé, assim, confere confiança e segurança, as quais contribuem para alcançar um estilo de vida saudável e evitar situações de dependência, sendo a deambulação um hábito de vital importância para manter a aptidão física e prevenir deterioração tanto física como cognitiva19-21.

Neste sentido, as dimensões atitudinais e normativas desempenham um papel significativo na interpretação do comportamento humano em relação à saúde do pé22. Os participantes neste estudo revelam a existência de necessidades reais para visitar um podólogo e de demanda de controle por um profissional de saúde, uma vez que os mesmos permitem que as pessoas adquiriram a confiança e a segurança necessária para manter a sua saúde do pé, em nível particular e contribuir para a melhoria das doenças de base e, desta maneira alcançar uma vida saudável, evitando situações de dependência. Os check-ups regulares são, portanto, vistos como o comportamento preventivo que gera o maior grau de confiança e com o qual os participantes demonstram maior concordância, revelando uma atitude positiva em relação à saúde do pé e ao comportamento responsável23.

Essa atitude positiva é influenciada pelo aumento da expectativa de vida, pelo aumento das doenças crônicas de origem multifatorial e pelo compromisso da podologia e podólogos com a gestão de risco à saúde do pé24.

Constaramos que há uma crescente aceitação de podólogos e da podologia na vida das pessoas e nas atividades pessoais, integrados e conceitualizados como parte de um estilo de vida mais saudável.

Conclusões

O presente estudo revelou que as atitudes e crenças das pessoas sobre a saúde do pé estão relacionadas com a existência de necessidades reais para visitar um podólogo e a demanda por este tipo de profissional de saúde para monitorar a saúde do pé. Estos resultados mostram a existência de uma atitude social positiva em relação à podologia e comportamentos podiátricos, que aumentam a autoconfiança e a confiança necessárias para manter a saúde individual dos pés, contribuir para a melhoria das doenças base e o seu estado geral de saúde, ajudando-os a levar uma vida saudável e a evitar situações de dependência.

Agradecimentos

A todos os pacientes que participaram da pesquisa.

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Como citar este artigo López-López D, García-Mira R, Palomo-López P, Sánchez-Gómez R, Ramos-Galván J, Tovaruela-Carrión N, et al. Attitude and knowledge about foot health: a spanish view. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2017;25:e2855. [Access ___ __ ____]; Available in: ____________________. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.1643.2855.

Recebido: 18 de Maio de 2016; Aceito: 15 de Novembro de 2016

Correspondência: Daniel López López Universidade da Coruña. Faculty of Nursing and Podiatry Department of Health Sciences. Campus Universitario de Esteiro s/n 15403, Ferrol, A Coruña, España E-mail: daniellopez@udc.es

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