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Revista Latino-Americana de Enfermagem

versão impressa ISSN 0104-1169
versão On-line ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.25  Ribeirão Preto  2017  Epub 06-Abr-2017

http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.1630.2871 

Artigo Original

Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 em Chile

Sara Guerrero-Núñez1 

Sandra Valenzuela-Suazo2 

Patricia Cid-Henríquez2 

1Doutoranda, Facultad de Enfermería, Universidad de Concepción, Concepción, Bío Bío, Chile. Professor Assistente, Facultad Ciencias de la Salud, Universidad de Atacama, Copiapó, Chile.

2PhD, Professor Titular, Facultad de Enfermería, Universidad de Concepción, Concepción, Bío Bío, Chile.

RESUMO

Objetivo:

determinar a prevalência de Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 em Chile e sua relação com as variáveis; Cobertura da Diabetes Mellitus tipo 2, Média de diabéticos com controle metabólico em 2011-2013, Taxa de Mortalidade por Diabetes Mellitus e Percentagem de participação de enfermeiras no Programa de Saúde Cardiovascular.

Método:

estudo descritivo transversal com componentes ecológicos, utilizando fontes documentais do Ministério da Saúde. Foi estabelecida correlação entre Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 e as variáveis independentes, aplicando o Coeficiente de Pearson, sendo significante ao 0,05.

Resultados:

no Chile a Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 (HbA1c<7% em população estimada) é menor que 20%. Esta se relaciona com uma Taxa de Mortalidade por Diabetes Mellitus e Percentagem de participação de enfermeiras no Programa de Saúde Cardiovascular, que ademais é significativa ao 0,01.

Conclusão:

a prevalência de Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 é baixa, mesmo quando algumas regiões se destacam nas pesquisas e no controle metabólico de pacientes assistentes ao controle. Sua relação com a Percentagem de participação de enfermeiras no Programa de Saúde Cardiovascular se constitui em um desafio e oportunidade em saúde.

Descritores: Diabetes Mellitus Tipo 2; Cobertura Universal; Enfermagem; Atenção Primária à Saúde

Introdução

A Cobertura Universal da Saúde é definida como a "capacidade do sistema de saúde para responder às necessidades de saúde da população, o que inclui a disponibilidade de infra-estrutura, recursos humanos, tecnologias da saúde (incluindo medicamentos) e financiamento"1. Os governos são responsáveis por decidir os serviços de saúde necessários, assegurando disponibilidade universal, acessibilidade, eficácia e qualidade2. Os estados membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) assumiram o compromisso de atingir esta Cobertura no ano 2005, convencidos de que "todas as pessoas deveriam ter acesso aos serviços de saúde que necessitam, sem correr o risco de descalabro econômico ou empobrecimento"2.

O Chile abordou esta Cobertura com estratégias como o Regime de Garantias Explícitas em Saúde (GES), expressado na lei GES N° 199663, que padroniza a atendimento de patologias priorizadas, garantindo o acesso, qualidade, oportunidade e apoio financeiro aos pacientes que as padecem. A Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma das patologias garantidas, devido a sua taxa de morbimortalidad, e entre outros, ao gasto econômico associado a complicações. Para responder às necessidades da população é fundamental que as prestações em saúde garantidas (atendimentos em saúde garantidos) sejam oportunos e de qualidade, quer dizer, poder transitar de uma Cobertura Universal a uma Cobertura Efetiva, pois a "cobertura universal de saúde não é uma garantia de eficiência e eficácia de cuidado"4, ela é "a cobertura dos serviços de saúde e a proteção contra riscos financeiros está ainda longe da meta de cobertura universal"4. Pelo anterior é necessário desenvolver pesquisas que desenhem indicadores para a avaliação do progresso da política da saúde de cobertura universal4. Um bom indicador é a Cobertura Universal Efetiva5, pois ela "garante a todos, de maneira igualitária, o máximo nível alcançável de resultados em saúde a partir de um pacote de serviços de alta qualidade que também evita as crises financeiras através da redução das despesas de bolso"6. A cobertura efetiva é a fração de um benefício potencial em saúde ofertada á população através do sistema de saúde5, e não somente considera uma determinada intervenção o serviço, mas, que estes sejam necessários para produzir o efeito desejado sobre a saúde do paciente7.

A prevalência mundial de DM2 em 2013 foi do 8,3% dos adultos, projetando para 2030 um 9,9%8. O 46% das pessoas com DM2 não tem sido diagnosticada9, situação complexa se se considera que em 2012 a Diabetes Mellitus se localizou na décima quinta causa de morte prematura em ambos os sexos10. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (ENS) de 2009-2010, a prevalência de DM2 no Chile foi de 9,4% em 2009. O relatório de Indicadores Básicos de Saúde Chile 2013 do Departamento de Estatísticas e Informação da Saúde (DEIS), sinala que em 2013 33,8% dos diabéticos assistia a seu controle de saúde. Assim, foi proposto como objetivo nas estratégias nacionais "Incrementar a proporção de pessoas com diabetes controlada", estabelecendo como meta; "aumentar em 20% a cobertura efetiva do tratamento de diabetes mellitus tipo 2", propondo cifras que vão desde 29,8% em 2010, a 31,8% em 2015, e a 35,8% para o ano 202011. As enfermeiras participam no Programa de Saúde Cardiovascular (PSCV), onde atendem a pessoas com DM2 segundo a guia clínica e o listado de benefícios garantidos. Essas diretrizes escassamente dão conta do papel da enfermagem, permitindo a substituição equívoca de este profissional. Apesar de isto, a evidência científica demonstra o papel significante da enfermagem no controle metabólico da DM212-15.

A incorporação da política pública de Cobertura Universal da Saúde, e o baixo controle metabólico de pessoas diabéticas orientam o objetivo do artigo, a saber, determinar a prevalência de Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 no Chile e sua relação com as variáveis: Cobertura da Diabetes Mellitus tipo 2, Média de diabéticos com controle metabólico em 2011-2013, Taxa de Mortalidade por Diabetes Mellitus e Percentagem de participação de enfermeiras no Programa de Saúde Cardiovascular.

Método

Trata-se de estudo descritivo transversal com componentes ecológicos, sistematizando estadísticas nacionais e das diferentes regiões do país durante os anos 2011 a 2013. Devido a que as estadísticas oficiais dos anos 2014 e 2015 não tem sido publicadas (apenas os documentos preliminares), este período não foi considerado na investigação. Foram usadas como fontes documentais do Ministério de Saúde os relatórios "Indicadores básicos de saúde Chile 2013", "População em controle, programa de saúde cardiovascular, por Região e Serviço de Saúde, SNSS 2011, 2012 e 2013" e "População em controle, programa de saúde cardiovascular, segundo metas de compensação, por Região e Serviço de Saúde, SNSS 2011, 2012 e 2013", pertencentes ao DEIS. O estudo não precisou autorização do comitê de ética, o consentimentos informados, devido a que os relatórios do DEIS estão disponíveis publicamente e digitalmente para ser utilizados.

O estudo determinou a prevalência da Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 no Chile, e sua relação com quatro variáveis independentes. Para o cálculo das variáveis se trabalhou com o universo da população nacional e regional, e com o universo de pacientes diabéticos assistentes ao controle de saúde (Programa de Saúde Cardiovascular).

-Variável dependente: "Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2" (Percentagem de pacientes em controle metabólico [HbA1c <7%], segundo prevalência da Diabetes Mellitus tipo 2 no nível nacional e regional).

-Variáveis independentes: se selecionaram variáveis de importância e com medição periódica no Programa de Saúde Cardiovascular, como "Cobertura da Diabetes Mellitus tipo 2" (Percentagem de pacientes que assistem ao controle da saúde, segundo prevalência da Diabetes Mellitus tipo 2 no nível nacional e regional) e a "Média de diabéticos com controle metabólico em 2011-2013" (Média percentual de pacientes diabéticos tipo 2 controlados metabolicamente durante os anos 2011-2013, e que participam do controle da saúde). Também se considerou a variável "Taxa de Mortalidade por Diabetes Mellitus", pois corresponde a uma medição do último efeito da doença, sendo esta de importância nacional e internacional. Finalmente se considerou a variável "Percentagem de participação das enfermeiras no Programa de Saúde Cardiovascular" (Proporção de atenções realizadas por enfermeiras no Programa de Saúde Cardiovascular). Esta variável se incorporou devido ao interesse das investigadoras, produto da sua formação acadêmica e á evidência científica sobre a relevante participação de profissionais enfermeiras no controle metabólico da Diabetes Mellitus tipo 2.

As análises estadísticas se realizaram no software SPSS 19.0, aplicando o Coeficiente de Pearson com valor significante do 0,05.

Resultados

A estadística descritiva refletida na Tabela 1 evidencia que a variável dependente é a que apresenta menor variabilidade (DP=3,40%). Nesse sentido, a Tabela 2 manifesta que a região de Antofagasta apresenta a mais baixa "Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2", sendo a região do Biobío a mais alta. Este mesmo indicador apresenta uma média (17,80%) que difere do assinalado na Tabela 2, pois os valores nacionais foram extraídos dos relatórios do DEIS e não de acordo com o cálculo da média regional. Uma situação semelhante ocorre na tabela 3, que contem valores nacionais extraídos das mesmas estadísticas e não de acordo ao cálculo da média regional.

Tabela 1 Estadísticas descritivas das variáveis do estudo. Chile, 2013 

Variáveis N Mínimo Máximo Média Desvio Padrão
Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 15 10,81 21,72 17,80 3,40
Cobertura da Diabetes Mellitus tipo 2 15 29,13 44,49 35,02 4,64
Média de diabéticos com controle metabólico em 2011-2013 15 37,55 49,17 43,04 3,59
Taxa de Mortalidade por Diabetes Mellitus 15 10,88 27,25 17,90 4,58
Percentagem de participação de enfermeiras no Programa de Saúde Cardiovascular 15 16,13 56,71 29,08 11,20

Tabela 2 Distribuição regional e nacional da População, Prevalência da Diabetes Mellitus tipo 2 estimada, Controlados metabolicamente 2013 e Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2. Chile, 2013 

Região População* Prevalência DM2 estimada Controlados metabolicamente 2013 Cobertura Universal Efetiva Diabetes Mellitus tipo 2 (%)§
Arica e Parinacota 179615 16883,81 3636 21,54
Tarapacá 336121 31595,37 4881 15,45
Antofagasta 594555 55888,17 6043 10,81
Atacama 286624 26942,65 5187 19,25
Coquimbo 749374 70441,15 11189 15,88
Valparaíso 1814079 170523,42 32704 19,18
Metropolitana de Santiago 7069645 664546,63 107354 16,15
Libertador B. O´Higgins 908553 85403,98 17076 19,99
Maule 1031622 96972,46 20581 21,22
Biobío 2074094 194964,83 42355 21,72
Araucanía 994380 93471,72 17285 18,49
Los Ríos 382741 35977,65 7116 19,78
Los Lagos 867315 81527,61 12401 15,21
Aisén do General Carlos Ibáñez del Campo 107915 10144,01 1210 11,93
Magallanes e Antártica Chilena 160164 15055,41 3065 20,36
País 17.556815 1650340,61 292083 17,69

*Extraído do relatório Indicadores básicos da saúde Chile 2013

†Obtido da prevalência solicitada nas Metas Sanitárias e de Melhoramento do Atendimento Primário de Saúde para o ano 2014 (9,4% segundo Pesquisa Nacional de Saúde 2009-2010); DM2 (Diabetes Mellitus Tipo 2)

‡Extraído do relatório População em controle, programa de saúde cardiovascular, segundo metas de compensação, por Região e Serviço de Saúde, SNSS 2013 (Correspondem às pessoas diabéticas participantes do controle da saúde e controlados metabolicamente com HbA1c <7%)

§(Controlados metabolicamente 2013 x 100)/ Prevalência DM2 estimada.

Tabela 3 Distribuição regional e nacional da Cobertura da Diabetes Mellitus tipo 2, Média de diabéticos com controle metabólico em 2011-2013, Taxa de Mortalidade por Diabetes Mellitus e Percentagem de participação das enfermeiras no Programa de Saúde Cardiovascular. Chile, 2013 

Região Cobertura DM2 (%)* Média de diabéticos com controle metabólico em 2011-2013 (%) Taxa de Mortalidade DM Percentagem de participação das Enfermeiras PSCV(%)§
Arica e Parinacota 41,28 46,19 24,56 39,81
Tarapacá 36,50 47,30 10,88 21,80
Antofagasta 44,49 38,22 11,52 16,13
Atacama 38,94 49,17 27,25 21,60
Coquimbo 31,52 41,12 14,68 21,68
Valparaíso 41,98 44,39 19,52 25,01
Metropolitana De Santiago 33,36 40,90 22,76 25,40
Libertador B. O´Higgins 31,41 47,20 18,50 17,94
Maule 32,52 41,74 19,89 56,71
Biobío 31,89 40,62 18,84 29,62
Araucanía 31,30 42,52 15,94 37,17
Los Ríos 33,85 38,84 16,29 37,17
Los Lagos 31,48 37,55 18,43 29,20
Aisén del General Carlos Ibáñez del Campo 29,13 45,80 13,22 17,09
Magallanes e Antártica chilena 35,72 44,07 16,34 39,95
País 33,80 41,77 19,86 26,62

* Extraído do documento "Indicadores básicos da saúde Chile 2013"; DM2 (Diabetes Mellitus Tipo 2)

†Obtido do documento "População em controle, programa de saúde cardiovascular, por Região e Serviço de Saúde, SNSS 2011, 2012 e 2013" e "População em controle, programa de saúde cardiovascular, segundo metas de compensação, por Região e Serviço de Saúde, SNSS 2011, 2012 e 2013"

‡ Extraído do documento "Indicadores básicos de saúde Chile 2013" (Taxa calculada para 17.556.815 habitantes); DM (Diabetes Mellitus)

§ Obtido do documento "Controles segundo problema de saúde por tipo de controle, por Região e Serviço de saúde, SNSS 2013"; PSCV (Programa de Saúde Cardiovascular).

Com referência às variáveis independentes, a "Percentagem de participação das enfermeiras no Programa de Saúde Cardiovascular" apresentou a maior variabilidade (DP = 11,20%), destacando a região do Maule com a mais alta percentagem, e a região de Antofagasta com a mais baixa. A variável "Cobertura da Diabetes Mellitus tipo 2" (DP= 4,64%) na região de Antofagasta possui a maior percentagem e a região de Aisén do General Carlos Ibáñez del Campo a menor distribuição porcentual. Na variável "Taxa de Mortalidade por DM" (DP= 4,58 por 100.000 habitantes), a região de Atacama apresenta a maior taxa e a região de Tarapacá o valor mais baixo de mortalidade. Finalmente a "Média de diabéticos com controle metabólico em 2011-2013" expõe a menor variabilidade (DP=3,59%), onde a região de Atacama apresenta a máxima percentagem, e a região de Los Lagos o menor.

Na tabela 4 se apresentam as relações estatísticas entre Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 e as variáveis independentes. A relação com Taxa de Mortalidade por Diabetes Mellitus é significante ao nível 0,05, e a Percentagem de participação das enfermeiras no Programa de Saúde Cardiovascular é significante ao nível de 0,01.

Tabela 4 Correlações entre Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 e variáveis independentes. Chile, 2013 

Correlação entre variáveis V.D* V.I 1 V.I 2 V.I 3§ V.I 4||
V.D*
Correlação de Pearson 1 -0,043 0,237 0,591 0,642
Sig. (bilateral) 0,878 0,396 0,020 0,010
N 15 15 15 15 15

*V.D (Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2) †V.I 1 (Cobertura da Diabetes Mellitus tipo 2)

‡V.I 2 (Média de diabéticos com controle metabólico em 2011-2013) §V.I 3 (Taxa de Mortalidade por Diabetes Mellitus)

||V.I 4 (Percentagem de participação das enfermeiras no Programa de Saúde Cardiovascular)

Discussão

A DM2 é uma doença que determina um risco cardiovascular, convertendo-se em um problema de saúde pública no âmbito nacional e internacional16. Como em outros países, no Chile a prevenção e controle de patologias cardiovasculares é uma prioridade em saúde. A cobertura nacional de DM2 é do 33,80% (tabela 3), que corresponde à baixa percentagem de pacientes participantes do controle da saúde no Programa de Saúde Cardiovascular.

Um indicador que representa o progresso nas políticas de Cobertura Universal para esta doença, pois tem permitido a incorporação de uma medição de acordo com sua prevalência, é a cobertura efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 em pessoas de 15 anos ou mais, pois incorpora pessoas com DM2 controladas o compensadas (HbA1c<7%), segundo a prevalência de esta doença. Para atingir este tipo de cobertura se requer uma oferta de serviços de saúde de qualidade, conforme as necessidades das pessoas, o que contribui na saúde de quem recebe a intervenção. Por esta razão, é necessário que a pessoa fique consciente da sua necessidade e que faça uso destes serviços7,17, reduzindo assim os despesas pessoais destinadas à saúde18.

Neste contexto é possível situar á "Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2", pois em ela tem-se como meta obter uma HbA1c<7% na população nacional estimada com DM2. Implicitamente esta cobertura incorpora o concepto de qualidade5, devido a que deve garantir benefícios em saúde a um universo de pacientes que precisam desse atendimento ou serviço de saúde, e não somente aos que se encontram inscritos. No Chile a cobertura das doenças não transmissíveis é menor que de outras doenças, e especialmente quando se mede a cobertura efetiva19, por esta razão é fundamental trabalhar esta cobertura em patologias como a DM2. A "Média de diabéticos com controle metabólico em 2011-2013" no âmbito nacional é do 41,77%, mas ao considerar a prevalência da DM2, se evidência que menos do 20% obtém a Cobertura Universal Efetiva (17,69%). Esta cobertura é uma realidade que não difere entre as regiões do país. Por isto, e pelo contexto epidemiológico, social e das políticas da saúde no país, este indicador apresenta claro risco de manter-se, na medida em que persistam inadequados estilos de vida e carência de estratégias integrais em saúde que impactem no diagnóstico e tratamento da DM2, e na participação do paciente no seu controle da saúde. Obter o controle metabólico em essas pessoas é um desafio, devido a que não todas tem consciência das suas necessidades de saúde, ou são produto de diferencias na qualidade do atendimento recebido17. Por esta razão, um trabalho chave na gestão da Cobertura Universal Efetiva da DM2 é que a população e os sistemas de saúde conheçam as necessidades da saúde, utilizando oportunamente os serviços, e desenvolvendo um sistema de gestão de qualidade, que garanta padronização de serviços e integralidade no controle da DM2.

As duas regiões com melhor "Média de diabéticos com controle metabólico em 2011-2013" (Atacama e Tarapacá) se destacam com uma melhor "Cobertura da Diabetes Mellitus tipo 2" sobre a média nacional. Embora isto, Atacama apresentou a "Taxa de Mortalidade por Diabetes Mellitus" mais alta no âmbito nacional (27,25 por 100.000 habitantes), o que manifesta que não está sendo efetiva, devido a diversos fatores que geram a elevação deste indicador.

A "Taxa de Mortalidade por Diabetes Mellitus" apresenta relação estatisticamente significativa com a "Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2", aumentando na medida em que esta Cobertura cresce; o anterior poderia atribuir-se a diversas variáveis, pois esta doença está associada a fatores de risco cardiovascular, e também a determinantes sociais, os quais podem aumentar o risco de adoecer ou morrer. Resultados semelhantes tem sido publicados em uma prestigiosa revista médica, assinalando que o controle metabólico de pacientes com DM2 nem sempre está associado à diminuição de eventos cardiovasculares ou a diminuição da mortalidade20. Devido a isto, é importante que o controle de esses pacientes passe de uma gestão de atendimento em saúde com abordagem centrado no controle da glicose, a uma gestão da saúde com enfoque nos fatores de risco cardiovascular21.

A variável "Percentagem de participação de enfermeiras no Programa de Saúde Cardiovascular" apresenta a maior variabilidade, refletindo uma participação conforme á disponibilidade de profissionais, e incluso às prioridades apresentadas pelas equipes de saúde em sua programação anual. Esta variável se relaciona estatisticamente com a "Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2", aumentando à medida que se incrementa esta Cobertura. A participação da enfermagem em intervenções para atingir as metas de saúde, pode contribuir eficazmente na consecução de objetivos regionais e globais, não sendo a Cobertura Universal da Saúde uma exceção22). Por esta razão, a limitada participação da enfermagem no âmbito nacional no PSCV (26,62%) põe em risco a cobertura efetiva, pois a evidência científica demonstra o importante papel que a enfermagem produz no controle metabólico da DM212-15.

O Regime de Garantias Explícitas e a lista de benefícios específicos se norteiam principalmente pelos aspectos farmacológicos, e pelo atendimento médico, restringindo a participação das enfermeiras á "consulta o controle por uma enfermeira, matrona o nutricionista" na confirmação do diagnóstico e na avaliação inicial do paciente com DM2. A lista de benefícios no tratamento do primeiro e segundo ano, volta a assinalar a "consulta ou controle pela enfermeira, matrona o nutricionista", incorporando esta vez a "educação de grupo pela enfermeira, matrona o nutricionista". Estas restrições e a não determinação de ações e/ou padronização da qualidade dirigida a um cuidado integral, ademais da substituição equívoca da função de enfermeira por outro profissional, marcam a necessidade de mudanças nestes benefícios, as quais tendem a melhorar a Cobertura Universal Efetiva.

Una gestão adequada do recurso profissional da enfermagem fortalecerá o sistema de saúde, pois contribuirá para dar resposta às expectativas da população, a melhorar seu estado de saúde, e também impactará na política de Cobertura Universal da Saúde. De esta forma, dita gestão intervém positivamente em problemas de saúde como o baixo controle metabólico dos pacientes diabéticos, pois um bom funcionamento do sistema de saúde gera respostas eficazes as problemáticas de saúde pública e contribuem para uma gestão econômica efetiva. E assim como em América as profundas desigualdades socioeconômicas e de saúde da década de 1990 impulsionaram as reformas de saúde que fortaleceram a Cobertura Universal da Saúde23, o atual cenário epidemiológico, econômico, social e político entre outros, demanda atingir a Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 através do fortalecimento dos benefícios atuais. Para isto, os sistemas devem "melhorar a base de conhecimentos, a combinação de habilidades, a disponibilidade e distribuição dos trabalhadores da saúde"24.

Este estudo apresenta limitações como a falácia ecológica, porque os resultados concentram uma situação general por região e no âmbito do país, onde as relações entre variáveis não ocorrem necessariamente no âmbito individual. Porém, é necessário reconhecer que a relação entre Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 e a "Percentagem de participação das enfermeiras no Programa de Saúde Cardiovascular", poderia também explicar-se pela evidencia científica que confirma o importante papel da enfermagem no controle metabólico de esta patologia12-15. Nesse sentido, seria interessante abordar a variável "Percentagem de participação das enfermeiras no Programa de Saúde Cardiovascular" não somente na participação no controle de saúde, mas também em outras intervenções, especialmente as mencionadas na lista de benefícios, por exemplo, a educação de grupo no tratamento do primeiro e segundo ano. Lamentavelmente as estatísticas públicas do DEIS não incorporam dita informação, o que impossibilita analisar integralmente.

Dado o atual cenário, é fundamental que a APS chilena responda ao grande desafio de melhorar a Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 abordando integralmente este problema de saúde, o que poderia requerer que a lista de benefícios da saúde seja ampliada. Também, é necessário estimular a ativa participação de profissionais como as enfermeiras na resolução de estas problemáticas, pois a insuficiência de recursos humanos se converte em um obstáculo para alcançar a cobertura universal25. Dita insuficiência deve ser compreendida não só com respeito ao número de profissionais, mas principalmente á distribuição dos mesmos. Por esta razão o atual estudo contribui para analisar criticamente, desde uma perspectiva, a execução da política de cobertura universal da saúde em esta patologia, e frente a estes resultados, que o sistema de saúde permita enriquecer a lista de benefícios, com a finalidade de lograr o máximo bem-estar em saúde nas pessoas com DM2. Assim também, os resultados permitem assinalar a gestão dos cuidados como sendo pilar fundamental na Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2, instando a atuação de profissionais da enfermagem desde a promoção até o tratamento da doença.

Conclusão

A Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2, entendida neste estudo como a efetividade da política pública Cobertura Universal da Saúde no que se refere à Diabetes Mellitus tipo 2, no Chile, continua sendo um desafio em saúde no âmbito nacional devido a sua baixa prevalência, mesmo quando algumas regiões se destacam no diagnóstico oportuno de esta patologia. Conforme a isto, é importante avançar não somente na cobertura universal, mas também na efetividade, pois os resultados manifestam que a cobertura de esta patologia, e incluso o controle metabólico de pacientes participantes PSCV, não se relacionam a melhores coberturas efetivas.

Por outro lado, a Cobertura Universal Efetiva da Diabetes Mellitus tipo 2 se relaciona positivamente á participação das profissionais enfermeiras no PSCV. O anterior se converte em um desafio para a enfermagem, pois conduz á necessidade de aumentar sua participação no atendimento de essa população vulnerável, mas também constitui uma oportunidade de saúde, pois permite reorientar a programação anual da saúde, dando prioridade às estratégias que impulsionam uma abordagem e participação mais ativa da enfermagem no PSCV. Consideramos importante propor novos estudos que abordem variáveis como a efetividade e a participação da enfermagem, mas também, que deles se desprendam políticas públicas destinadas á população, com o fim de alcançar o máximo potencial em saúde. Também é fundamental continuar estudando este tipo de cobertura com novas variáveis que fortaleçam a compreensão do fenômeno.

REFERÊNCIAS

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Como citar este artigo Guerrero-Núñez S, Valenzuela-Suazo S, Cid-Henríquez P. Effective Universal Coverage of Diabetes Mellitus Type 2 in Chile. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2017;25:e2871. [Access ___ __ ____]; Available in: ____________________. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.1630.2871.

Recebido: 11 de Maio de 2016; Aceito: 16 de Janeiro de 2017

Correspondência: Sandra Valenzuela Suazo Universidad de Concepción Casilla 160-C 4130000, Concepción, Chile E-mail: svalenzu@udec.cl

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