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Revista Latino-Americana de Enfermagem

versão impressa ISSN 0104-1169
versão On-line ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.25  Ribeirão Preto  2017  Epub 06-Abr-2017

http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.1820.2876 

Artigo Original

Taxa de fertilidade e desfecho perinatal em gravidez na adolescência: estudo retrospectivo populacional1

Maria de Lourdes de Souza2 

Fiona Ann Lynn3 

Linda Johnston4 

Eduardo Cardoso Teixeira Tavares5 

Odaléa Maria Brüggemann6 

Lúcio José Botelho7 

2PhD, Professor, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil.

3PhD, Professor, School of Nursing & Midwifery, Queen's University, Belfast, Irlanda do Norte, Reino Unido.

4PhD, Professor, Lawrence S. Bloomberg Faculty of Nursing, University of Toronto, Toronto, CA, Canadá.

5Médico, Hospital Baía Sul, Florianópolis, SC, Brasil.

6PhD, Professor Associado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil.

7Doutorando, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil. Professor Associado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil.

RESUMO

Objetivo:

analizar as tendências das taxas de fertilidade e associações com desfechos perinatais entre adolescentes em Santa Catarina, Brasil.

Método:

estudo populacional conduzido de 2016 à 2013. Associações entre desfechos perinatais e grupos por faixa etária foram investigadas usando odds Ratio e teste Chi-quadrado.

Resultados:

as diferenças encontradas nas taxas de fertilidade entre mães adolescentes nas regiões e período observado variaram de 40,9-72,0 por 1.000 entre mães de 15 a 19 anos de idade. As adolescentes atenderam menos consultas pré-natais, quando comparadas às mães com 20 anos ou mais, e a maioria não tinha parceiro. Mães entre 15 e 19 anos eram mais propensas a ter filhos prematuros (OR:1,1; IC:1,08-1,13; p<0,001), ter um filho com baixo peso ao nascer (OR:1,1; IC:1,10-1,15; p<0,001) , com baixo e Apgar no quinto minuto (OR:1,4; IC:1,34-1,45; p<0,001), do que mães com 20 anos ou mais; as chances de desfechos adversos também eram maiores entre mães de 10 a 14 anos.

Conclusão:

este estudo apresenta evidência de que as taxas de fertilidade entre adolescentes continuam altas em regiões que enfrentam privação social e econômica. Adolescentes e seus filhos são mais propensos a desfechos perinatais adversos. Enfermeiros(as), profissionais de saúde pública, profissionais de saúde e de assistência social, assim como educadores precisam trabalhar em conjunto para direcionar estratégias às adolescentes com maior risco, para ajudar a melhorar as taxas de fertilidade e dos desfechos.

Descritores: Adolescente; Gravidez na Adolescência; Fertilidade; Cuidado Pré-Natal; Saúde Materna; Saúde Pública

Introdução

As taxas nacionais de fertilidade entre adolescentes são normalmente usadas como um indicador da saúde de crianças e jovens. Apesar da taxa de natalidade ter caído mundialmente em anos recentes, a gravidez entre adolescentes continua sendo uma preocupação de saúde pública. A taxa de natalidade global entre 2007 e 2012, ou a taxa de fertilidade específica para mães entre 15 e 19 anos, era 50 para cada 1.000. Em níveis nacionais, taxas mais altas são consistentemente relatadas para os países em desenvolvimento na África subsaariana e no Brasil, as taxas são consistentemente mais altas que as taxas globais, 68 para cada 1.000 foi a taxa em 2012, uma das maiores relatadas na América Latina e Caribe1. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), metade de todos os nascimentos de mães adolescentes ocorrem em apenas sete países e o Brasil configura entre esses países2.

A gravidez na adolescência é um dos principais fatores de mortalidade, morbidade e pobreza materna e infantil3. Estudos epidemiológicos indicam que a gravidez na adolescência resulta numa maior proporção de recém-nascidos prematuros e/ou de baixo peso, associada a altas taxas de mortalidade4-7. Baixas condições socioeconômicas, comportamentos de risco, baixa aderência ao pré-natal e imaturidade biológica são possíveis explicações para desfechos obstétricos e perinatais adversos neste grupo4-5,8.

Considerando as Metas do Milênio, 4 (reduzir a mortalidade infantil) e 5 (melhorar a saúde materna), estratégias no âmbito da saúde pública tem sido promovidas para reduzir as taxas de gravidez na adolescência, tanto em países desenvolvidos como as países em desenvolvimento9-10. No entanto, diferenças regionais podem persistir e um melhor direcionamento de populações vulneráveis pode resultar em grandes melhorias. Desta forma, é vital avaliar as tendências das taxas de fertilidade em nível regional e nacional para entender os progressos alcançados, mas também para estabelecer metas para o futuro.

O objetivo para este estudo é compreender as características e desfechos relacionados à saúde de nascidos vivos de mães adolescentes em comparação com os nascidos vivos de mães adultas, analisando as tendências de taxas de fertilidade específicas por faixa etária e associações com os desfechos perinatais selecionados em um estado brasileiro no período de 2006 à 2013. O estado de Santa Catarina tem uma população de proximamente 6,7 milhões de habitantes. Dados regionais mostram que 15,7% (n=1.04 milhões) da população tinha de 10 à 19 anos de idade em 2013, porcentagem comparável à nacional de 17,1% (n=34,29 milhões). O estado de Santa Catarina consiste de nove regiões que se diferenciam em termos de desenvolvimento social e econômico, com disparidades e desigualdades inerentes*. O poder legislativo em nível regional em Santa Catarina enfrenta questões relacionadas à políticas públicas similares àquelas de regiões em desenvolvimento. Desta forma, monitoramento e entendimento são cruciais para avaliar a necessidade de ações, principalmente em áreas com recursos limitados.

Métodos

Estudo populacional que considerou o período de 2006 a 2013. A população pesquisada incluiu todos os nascidos vivos em todo o estado de Santa Catarina. Os dados foram extraídos da base de dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) do Ministério da Saúde brasileiro, disponível no site do DATASUS e da Secretaria Estadual de Saúde de Santa Catarina.

As taxas de fertilidade por faixa etária foram calculadas como razão, definida pela Organização das Nações Unidas (ONU)* como o número anual de nascimentos entre mulheres de uma idade específica ou em uma determinada faixa etária por 1.000 mulheres da mesma faixa etária. Os dados do estado de Santa Catarina foram coletados para o período de 2006 a 2013, mas os dados por região não estavam disponíveis para o ano de 2013 porque faltavam dados regionais para o denominador. Portanto, as taxas de fertilidade por idade em nível regional foram calculadas para os anos de 2006 a 2012.

Dados sobre as características das mães incluíram idade (de 10-14 anos, 15-19 anos, ou ≥20 anos de idade), número de anos de estudo (agrupados em <8 ou ≥8 anos), e estado civil, que foi caracterizado em: com parceiro (casada ou união estável) ou sem parceiro (solteira, viúva, separada ou divorciada). As variáveis relacionadas à gravidez incluíram o número de consultas pré-natais (<7 ou ≥7 consultas), e tipo de parto (vaginal ou Cesárea). Desfechos infantis incluíram idade gestacional ao nascer (<37 ou ≥37 semanas), peso ao nascer (<2500g ≥2500g), e Índice de Apgar ≤7 ou de 8 à 10. O Índice Apgar estabelece as condições clinicas de todos recém nascidos imediatamente após o parto, independentemente do tipo de parto; altos índices indicam boa condição física8. Dados agregados foram coletados de todos os nascidos vivos por região de saúde para os anos de 2006 a 2013. As nove regiões do estado de Santa Catarina, definidas pela Secretaria de Saúde são: Serra Catarinense, Extremo Oeste, Meio Oeste, Foz do Rio Itajaí, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis, Sul, Nordeste e Planalto Norte. O Índice de Desenvolvimento Humano da ONU (IDH) é uma medida do nível de vida e leva em conta a educação, expectativa de vida e renda da população. De acordo com os índices* baseados nos dados de 2010, as regiões de Santa Catarina que apresentaram IDHs mais baixos que o do IDH do estado (0.774) foram Extremo Oeste, Meio Oeste, Planalto Norte e a Serra Catarinense. As regiões com IDHs mais altos que o estado foram o Vale do Itajaí, a Grande Florianópolis e a Nordeste.

Análise de dados

As estatísticas populacionais referentes às taxas de fertilidade especificas por faixa etária são mais frequentemente relatadas para mães entre 15 e 19 anos de idade. Desta forma, os dados foram analisados para as faixas de 10 a 14 e de 15 a 19 anos. As taxas de fertilidade específicas por faixa etária para adolescentes do estado de Santa Catarina foram calculadas por ano (2006 a 2013) para identificar as tendências para esta população. Odds Ratio (OR) e 95% Intervalo de Confiança (IC) foram calculados para medir o nível de associação entre faixas etárias e desfechos perinatais. O teste Qui-quadrado também foi realizado para verificar significância estatística e os dados foram analisados em software.

Este estudo foi desenvolvido no contexto do Projeto TO 13075/2012 - FAPESC, Parecer No. 120.343, No. 169.110 em 2012. As recomendações éticas com relação à condução do estudo foram seguidas de acordo com a Resolução No. 466/2012, Ministério da Saúde. Esta pesquisa não envolveu o recrutamento de participantes e, portanto, não foi necessário pedir consentimento. Dados secundários e agrupados foram coletados de fontes públicas.

Resultados

No estado de Santa Catarina, durante o período de 2006 a 2013, ocorreram 115.559 nascidos vivos, o que representa uma proporção de aproximadamente 17% do total de nascidos vivos (n=685.525) e 3,8% (n=4.397) dos nascimentos ocorreram entre mães adolescentes na faixa mais jovem, de 10 a 14 anos. No estado de Santa Catarina, a taxa de fertilidade entre mulheres entre 10 e 14 anos de idade variou de 1,9 à 2,3 por 1.000 entre 2006 e 2013 e de 49,1 à 55,0 por 1.000 adolescentes de 15 a 19 anos de idade. A Figura 1 ilustra a tendência da taxa de fertilidade entre adolescentes femininas no estado de Santa Catarina no período de 2006 a 2013 e por região, com dados disponíveis para 2006 a 2012, indicando uma diminuição constante global. As taxas de natalidade entre mães de 10 a 19 anos continuam as mais altas nas regiões com padrões de vida mais baixos (Serra Catarinense, Planalto Norte, Meio Oeste e Extremo Oeste). As regiões que apresentaram as taxas mais baixas foram Nordeste, Vale do Itajaí e Grande Florianópolis, que representam principalmente áreas urbanas que, de acordo com o IDH**, são mais desenvolvidas economicamente e socialmente, apresentando um padrão de vida mais alto.

Figura 1 - Tendências nas taxas de fertilidade entre adolescentes por estado e região de Santa Catarina (SC), Brasil. 

A Tabela 1 apresenta os anos de estudo e estado civil das mães por faixa etária para os anos de 2006 a 2013. Com relação à educação, 75% (n=3.277) das adolescentes com idade entre 10 e 14 anos tinham menos de 8 anos de estudo. Como esperado, esta proporção cai para 38% (n=41.876) entre as adolescentes de 15 a 19 anos de idade. No grupo de mulheres com 20 anos ou mais, 72% (n=407.615) tinham 8 ou mais anos de estudo e quase um terço (28%; n=158.889) tinha menos que 8 anos de estudo. Como já era esperado, as diferenças entre os grupos em relação a anos de estudo e estado civil são estatisticamente significantes (p<0,001). Em relação ao estado civil, adolescentes de 10 a 14 anos e de 15 a 19 anos apresentaram uma maior proporção de mães que não tinham parceiros; 80,6% (n=3.545) e 66,6% (n=73.992), respectivamente. Um total de 40,4% (n=230.534) das mulheres com 20 anos ou mais não tinham parceiro.

Tabela 1 - Nível educacional e estado civil das mulheres grávidas por faixa etária em Santa Catarina, Brasil, 2006 a 2013 

Características maternas 10-14 anos 15-19 anos 20 + anos P-valor*
n (%) n (%) n (%)
Educação (anos)
Menos de 8 anos 3.277 (74.5) 41.876 (37.7) 158.889 (27.9) <0,001
8 ou mais 1.089 (24.8) 68.614 (61.7) 407.615 (71.5)
Dados faltantes 31 (0.7) 672 (0.6) 3.462 (0.6)
Marital status
Sem parceiro 3.545 (80.6) 73.992 (66.6) 230.534 (40.4) <0,001
Com parceiro 803 (18.3) 35.949 (32.3) 334.867 (58.8)
Dados faltantes 49 (1.1) 1.221 (1.1) 4.565 (0.8)

*P valor - Teste Qui-quadrado para verificar diferenças estatisticamente significantes.

† n - número de mulheres grávidas

A Tabela 2 apresenta desfechos das consultas de pré-natal relacionados à gestação e tipo de parto assim como os desfechos infantis relacionados à idade gestacional e peso ao nascer, além do Índice Apgar no quinto minuto para os três grupos de mães. As mães adolescentes foram mais propensas a ter uma experiência pré-natal inadequada (menos de 7 consultas pré-natais) quando comparadas às mães com 20 anos ou mais; as mães de 10 a 14 anos (OR: 2,40; 95% IC: 2,26-2,54; p valor: <0,001) e de 15 a 19 anos (OR: 1,72; 95% IC: 1,70-1,75; p valor: <0,001) apresentaram a maior probabilidade de ter atendimento pré-natal inadequado. Em relação ao tipo de parto, a porcentagem de cesáreas entre mães de 10 a 14 anos e de 15 a 19 anos foi 43,2% (n=1.901) e 42,1% (n=46.751), respectivamente. Mães com 20 anos ou mais apresentaram uma porcentagem mais alta (59,7%; n=340.537) de cesáreas, ou seja, mães adolescentes eram estatisticamente menos propensas a realizarem cesáreas (p<0,001).

Tabela 2 - Desfechos pré-natal e perinatal para nascidos vivos por faixa etária em Santa Catarina, Brasil, 2006 a 2013 

Desfechos perinatal 10-14 anos 15-19 anos 20 + anos
n* (%) OR (95% IC§ ) n* (%) OR (95% IC§) n* (%)
Consultas pré-natal
< 7 2.177 (49,5) 2,40 46.000(41,4) 1,72 165.892(29,1)
≥ 7 2.194 (499) (2,26-2,54) 64.497(58,0) (1,70-1,75) 400.640 (70,3)
Dados faltantes 26 (0,6) 665 (0,6) 3.434 (0,6)
Tipo de parto
Cesárea 1.901 (43,2) 0,51 46.751 (42,1) 0,49 340.537 (59,7)
Vaginal 2.492 (56,7) (0,48-0,55) 64.336 (57,9) (0,48-0,50) 229.098 (40,2)
Dados faltantes 4 (0,1) 75 (<0,1) 331 (0,1)
Idade gestacional
< 37 semanas 598 (13,6) 1,71 10.266 (9,2) 1,10 48.198 (8,5)
≥ 37 semanas 3.776 (85,9) (1,57-1,86) 100.341 (90,3) (1,08-1,13) 519.477 (91,1)
Dados faltantes 23 (0,5) 555 (0,5) 2.291 (0,4)
Peso ao nascer
<2500g 504 (11,5) 1,53 9.666 (8,7) 1,13 (1,10-1,15) 44.436 (7,8)
≥2500g 3.893 (88,5) (1,40-1,68) 101.486 (91,3) 525.479 (92,2)
Dados faltantes - 10 (<0,1) 51 (<0,1)
Apgar 5 min.
≤7 167 (3,8) 1,82 3.264 (2,9) 1,39 12.129 (2,1)
8 à 10 4.211 (95,8) (1,56-2,13) 107.692 (96,9) (1,34-1,45) 556.731 (97,7)
Dados faltantes 19 (0,4) 206 (0,2) 1.106 (0,2)

* n - número de mulheres grávidas

† OR - Odds ratio com grupo de mães com 20 anos ou mais como referência.

‡ p <0,001 (P valor - Teste Qui-quadrado para diferenças entre grupos estatisticamente significantes)

§ IC - Intervalo de Confiança.

O número de prematuros (<37 semanas de gestação) foi maior no grupo de mães entre 10 e 14 anos (13.6%; n=598), quando comparado com o dos outros grupos de mães, de 15 a 19 anos (9,2%; n=10.266) e com 20 anos ou mais (8,5%; n=48.198). Odds ratio (OR) de 1,71 (95% IC: 1,57-1,86; p valor: <0,001) confirma que as mães entre 10 e 14 anos tinham uma chance significativamente maior de terem parto prematuro do que mulheres com 20 anos ou mais. Esta associação permaneceu para aquelas entre 15 e 19 anos de idade (OR: 1,1; 95% IC: 1,08-1,13; p valor: <0,001). Em relação ao baixo peso ao nascer, mães entre 10 e 14 anos eram mais propensas a ter um filho pesando <2500g ao nascer (OR: 1,53; 95% IC: 1,40-1,68; p valor: <0,001) quando comparadas às mulheres com 20 anos ou mais. Embora as probabilidades fossem menores para mães de 15 a 19 anos, as mesmas ainda apresentaram diferenças estatisticamente significantes (OR: 1,13; 95% IC: 1,10-1,15; p valor: <0,001). Com relação ao Índice Apgar no quinto minuto, que é um indicador da condição física do recém-nascido, mães entre 10 e 14 anos tinham 1,82 vez mais chance de ter um bebê com Índice Apgar 7 ou menos (95% IC: 1,56-2,13; p valor: <0,001), enquanto que mães entre 15 e 19 anos tinham 1,39 mais probabilidade (95% IC: 1,34-1,45; p valor: <0,001) quando comparadas ao grupo de mães com 20 anos ou mais. Nenhuma diferença estatisticamente significante foi encontrada quando comparado o Índice Apgar no quinto minuto de filhos de adolescentes de 10 a 14 anos e de 15 a 19 anos (p=0,07).

Discussão

O declínio observado na taxa de fertilidade entre as adolescentes no estado de Santa Catarina está de acordo as taxas nacionais e de outros países em desenvolvimento e acompanha a tendência mundial apresentada pela OMS. Um estudo comparativo, realizado entre 2010 e 2011, incluindo 29 países na África, Ásia, América Latina e do Oriente Médio apresentou uma proporção média de gravidez entre adolescentes de 25,9%11. Apesar das taxas registradas no Brasil e no estado de Santa Catarina estarem abaixo deste média, as mesmas ainda estão acima das médias apresentadas por países desenvolvidos12. Diferenças foram encontradas em relação às taxas de fertilidade de adolescentes de todas as regiões do estado de Santa Catarina. As regiões com baixo padrão de vida ainda apresentam altas taxas de fertilidade entre mães adolescentes. Estas regiões são tipicamente caracterizadas por privação econômica e apresentam disparidades em termos sociais, educacionais e de saúde. A adolescência é um estágio de desenvolvimento grandemente influenciado pela cultura local, e pelas condições sociais e econômicas juntamente com mudanças biológicas e psicológicas, estilo de vida, e valores sociais e culturais6. O grande número de gravidezes entre adolescentes tem sido atribuído à falhas nas políticas públicas de saúde com o intuito de prevenir a gravidez não planejada e promover a educação sexual e reprodutiva para jovens13. Muitas adolescentes não conseguem ter acesso à métodos contraceptivos, prevenção de doenças e promoção à saúde promovidos pelo sistema de atenção primária. Desta forma, muito esforço é necessário para que sejam estabelecidas estratégias e intervenções eficazes dirigidas às adolescentes em regiões que estão aquém da média estadual e/ou nacional.

As complicações da gravidez na adolescência têm sido associadas à condições sociais adversas, baixos níveis de educação, estado civil, falta de suporte da família, e acima de tudo, pré-natal inadequado13. Os resultados deste estudo apoiam esta assertiva. Um atendimento pré-natal efetivo pode detectar doenças infecciosas com potencial para transmissão vertical e uma gama de condições adversas que podem afetar a saúde tanto da mãe como do feto, como por exemplo a malária, HIV, rubéola, sífilis e hepatite. Ademais, checar os sinais vitais da mãe e do feto assim como estimar riscos gestacionais é uma tarefa simples e pode prevenir desfechos adversos15. O pré-natal é um recurso valioso para monitorar a saúde da mãe assim como o desenvolvimento do feto e tem sido associado à menores taxas de prematuros e uma redução de recém nascidos com baixo peso ao nascer13. O pré-natal deve ser iniciado no início da gestação para todas as adolescentes para assegurar que riscos sejam identificados prematuramente e que quaisquer ações de seguimento necessárias sejam implementadas16.

Neste estudo populacional, a incidência de partos prematuros (<37 semanas de gestação) foi mais alta entre as mães de 10 a 14 anos do que entre as mães de 15 a 19 anos e com 20 anos ou mais, o que está de acordo com dados apresentados por países em desenvolvimento12. Devemos observar que near miss materno no parto e pós-parto no Brasil entre adolescentes com idade entre 10 e 14 anos era de 15,7 por 1.000 nascidos vivos e 9,8 por 1.000 nascidos vivos para aquelas com idade entre 15 a 19 anos; entre as mães com idade entre 20 e 34 anos, a incidência era de 9,4 por 1.000 nascidos vivos17). Considerar todas as adolescentes como um único coorte homogêneo cria barreiras e impede que seja estabelecido um consenso na questão de prevenção do near miss materno4-5,18. O grupo de mães entre 10 e 14 anos exige cuidado personalizado no período intraparto e pós-parto para que melhorias sejam observadas.

Os dados obtidos acerca do peso ao nascer de nascidos vivos em Santa Catarina confirmam achados anteriores relatados na literatura com relação à idade da mãe e peso ao nascer, evidenciando em particular a associação entre gravidez na adolescência e baixo peso ao nascer. Estudos anteriores relatam a prevalência de baixo peso ao nascer, 12% em média para todos os grupos de adolescentes analisados (<16 anos, 16-17 anos e 18-19 anos)13,19, o que coloca Santa Catarina num contexto um pouco melhor que a maioria de países com renda baixa e média. No entanto, o peso ao nascer de crianças nos países desenvolvidos e em países em desenvolvimento continua sendo um fator relevante que afeta a morbidade e mortalidade neonatal e é um importante indicador de saúde pública6,8. Da mesma forma, nutrição e estilo de vida após a concepção (por ex.: o consumo de álcool, drogas, tabagismo, exposição à infecções como malária e HIV) também influenciam o crescimento e desenvolvimento fetal assim como a duração da gravidez16. Mulheres em condições socioeconômicas desfavoráveis frequentemente têm filhos com baixo peso ao nascer, o que por sua vez, tem sido relacionado à má nutrição e hábitos de vida pouco saudáveis5,16.

O baixo peso ao nascer põe em risco a sobrevivência e desenvolvimento da criança. Ademais, filhos de mães adolescentes têm mais necessidade de uma rede de apoio social, o que nem sempre está disponível. Desta forma, o acompanhamento de saúde, do crescimento e desenvolvimento dessas crianças em clínicas pediátricas é fundamental. Enfermeiros(as) precisam cuidar da díade mãe/criança e por isso a rede de atenção deve estar preparada para oferecer suporte adequado àquelas clientes que apresentam maior vulnerabilidade, tanto durante atendimento nos serviços de saúde como em casa. Adolescentes são mulheres num processo de descoberta de sua sexualidade e nem sempre estão preparadas para a maternidade10,13-14,16.

Em relação ao tipo de parto, o parto vaginal é o preferido, contanto que não haja indicações para uma cesárea, o que pode incluir duas ou mais cesarianas anteriores, macrossomia fetal ou distócia de ombro20. Este estudo evidenciou que a prevalência de cesarianas foi mais baixa em mulheres com menos de 20 anos de idade do que entre mulheres com 20 anos ou mais (42% vs. 60%), com probabilidade significantemente menor. O pré-natal pode ser um fator mediador, ou seja, adolescentes atendem menos consultas de pré-natal e por isso são menos expostas ou apresentadas às intervenções obstétricas planejadas antes do trabalho de parto e parto. Resultados similares têm sido relatados no Brasil e porcentagens menores que 30% são relatadas em países com renda baixa e média11. Os números referentes à prevalência de cesáreas relatados neste estudo para todos as faixas etárias excedem as recomendações da OMS de limitar cesáreas para algo em torno de 10% e 15% de todos os nascimentos21. Em 2015, novos regulamentos foram aplicados no Brasil22 numa tentativa de reduzir a alta taxa de cesáreas para assegurar que mulheres grávidas sejam informadas sobre riscos potenciais com o objetivo final de reduzir taxas e promover uma mudança na cultura para que as mães façam uma escolha bem informada.

Na primeira avaliação de saúde do bebê, o Índice Apgar é um recurso importante para monitorar a condição física do recém-nascido. De acordo com os resultados deste estudo, Apgar <7 ocorreu em 3% dos nascimentos de mães adolescentes, similar com dados nacionais. Um estudo coorte recentemente conduzido no Brasil apresenta associações significantes entre mortalidade neonatal e peso ao nascer, idade gestacional ao nascer, baixo Índice Apgar no quinto minuto, uso de ventilação mecânica e malformação congênita23. No entanto, o uso do Índice Apgar em prematuros tem sido inconsistente e qualquer suposição relacionada ao valor preditivo do Apgar para mortalidade infantil deve levar em conta uma série de outros fatores, incluindo condições sociais e econômicas24. Não obstante, estudos anteriores objetivando avaliar relações causais entre variáveis maternas e relacionadas à gravidez e o Índice Apgar, reportaram associações entre a frequência do pré-natal e Índices Apgar abaixo de sete13. Os autores fornecem evidência que um atendimento de pré-natal apropriado reduz o risco de obter um Apgar insatisfatório13. As mães adolescentes incluídas nesse estudo populacional eram mais propensas a receber pré-natal inadequado, ter um parto prematuro, um bebê com baixo peso ao nascer e baixo Apgar. Portanto, é essencial que os serviços de saúde estejam mais acessíveis e dê suporte a este grupo vulnerável. Um exemplo deste tipo de iniciativa é o estudo CERCA, atualmente sendo conduzido em três cidades latino americanas com o objetivo de desenvolver, implementar e avaliar um programa de saúde reprodutiva para adolescentes incorporado na comunidade. Este estudo inovador tem o potencial de melhorar os desfechos para adolescentes através de um programa de saúde sexual e reprodutiva25.

A atenção de saúde reprodutiva exige reconhecer as complexidades envolvidas na gravidez na adolescência. É necessário levar em conta fatores sociais e culturais que podem contribuir para esta ocorrência. A gravidez pode ser vista pelas adolescentes como uma oportunidade de conseguir a desejada autonomia da família. Além disso, a adolescente pode não perceber que a gravidez tem riscos associados e perdas sociais que podem ocorrer ao se tornar mãe18,26.

As limitações deste estudo se referem ao fato de que os dados do denominador relacionados à todas as adolescentes com idade entre 10 e 14 anos no estado e em nas respectivas regiões foram usados para o cálculo das taxas de fertilidade entre adolescentes de 10 a 14 anos. Consequentemente, as taxas encontradas estão provavelmente abaixo da verdadeira taxa de fertilidade nessa coorte. Seria mais apropriado empregar como denominador uma estimativa da exposição à gravidez de meninas de 10 a 14 anos de idade, no entanto estes dados não estavam disponíveis. O leitor também deve considerar que as taxas de fertilidade e não a taxa de gravidez entre adolescentes é relatada. Este número será sem dúvida mais alto pois inclui não apenas todas as gravidezes que resultaram em nascidos vivos, mas também todas as que resultaram no término da gravidez em aborto ou natimorto. Entender essas disparidades entre as regiões em relação às taxas de gravidez e taxas de fertilidade é difícil sem a coleta e disseminação destes dados de forma rotineira. No entanto, as taxas de fertilidade são úteis como uma medida indireta em nível local para obter um melhor entendimento das tendências visando estabelecer intervenções efetivas e avaliar sua eficácia.

Conclusões

Os resultados deste estudo nos alerta para continuar observando e analisando as taxas de fertilidade entre mães adolescentes. Existe uma necessidade evidente de se prestar mais atenção às mães adolescentes nos serviços de saúde para assisti-las, assim como seus filhos, particularmente em regiões identificadas como tendo maiores taxas de gravidez na adolescência. A adaptação das atuais estratégias de saúde pública dirigidas à adolescentes vivendo em regiões com baixo padrão de vida pode assegurar que as disparidades observadas sejam minimizadas, disponibilizando intervenções efetivas dirigidas a este grupo vulnerável. Ademais, uma rede de apoio e atenção especializada para mães adolescentes que incorpore atenção reprodutiva, pré-natal, e apoio psicológico e social pode contribuir para reduzir riscos obstétricos e fetais.

REFERÊNCIAS

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Como citar este artigo Souza ML, Lynn FA, Johnston L, Tavares ECT, Brüggemann OM, Botelho LJ. Fertility rates and perinatal outcomes of adolescent pregnancies: a retrospective population-based study. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2017;25:e2876. [Access ___ __ ____]; Available in: ____________________. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.1820.2876.

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Recebido: 22 de Agosto de 2016; Aceito: 31 de Janeiro de 2017

Correspondência: Maria de Lourdes de Souza Universidade Federal de Santa Catarina Rua Delfino Conti, s/nº Bairro: Trindade CEP: 88040-370, Florianópolis, SC, Brasil E-mail: lourdesr@repensul.ufsc.br

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