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Revista Latino-Americana de Enfermagem

versão impressa ISSN 0104-1169versão On-line ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.25  Ribeirão Preto  2017  Epub 15-Maio-2017

http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.1592.2878 

Artigo Original

Fatores associados à presença de ideação suicida entre universitários1

Hugo Gedeon Barros dos Santos2 

Samira Reschetti Marcon3 

Mariano Martínez Espinosa4 

Makilin Nunes Baptista5 

Paula Mirianh Cabral de Paulo6 

2MSc, Enfermeiro, Unidade de Atenção Psicossocial, Hospital Univeristário Julio Muller, Cuiabá, MT, Brasil.

3PhD, Professor Adjunto, Faculdade de Enfermagem, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, MT, Brasil.

4PhD, Professor Adjunto, Departamento de Estatística, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, MT, Brasil.

5PhD, Professor Doutor, Departamento de Psicologia, Universidade São Francisco, Itatiba, SP, Brasil.

6Aluna do curso de graduação em Enfermagem, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, MT, Brasil. Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq), Brasil.

RESUMO

Objetivo:

analisar os fatores associados à ideação suicida em uma amostra representativa de estudantes universitários.

Método:

estudo transversal analítico, realizado com 637 estudantes de uma Universidade Federal de Mato Grosso. Investigadas variáveis de presença de ideação suicida, demográficas e socioeconômica, uso de álcool por meio do Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test, e sintomas depressivos (Inventário de Depressão Maior). A análise bivariada foi realizada com o teste do Qui-quadrado, e a análise múltipla pelo modelo de regressão Poisson.

Resultados:

constatou-se que 9,9% dos estudantes tinham ideias suicidas nos últimos 30 dias, e na análise bivariada as variáveis classe econômica, orientação sexual, prática religiosa, tentativas de suicídio na família e entre amigos, consumo de álcool e sintomas depressivos apresentaram associação com ideação suicida. Na análise múltipla permaneceu como fatores associados orientação sexual, tentativas de suicídio na família e presença de sintomas depressivos.

Conclusão:

tais achados constituem um diagnóstico situacional que possibilita a formulação de políticas acadêmicas e de ações de prevenção para o enfrentamento dessa situação no campus universitário.

Descritores: Ideação Suicida; Universidades; Estudantes; Adolescente; Fatores de Risco

Introdução

A ideação suicida é um elemento fundamental de um processo denominado comportamento suicida, e surge como desencadeador dos demais componentes: a tentativa de suicídio e o suicídio consumado1. Em estudantes universitários, a ideação suicida pode se apresentar em um momento particularmente importante, seja pela saída da adolescência e entrada na idade adulto jovem, e/ou pelas adversidades vivenciadas na vida acadêmica2.

O suicídio é apontado como a segunda causa de morte entre os estudantes universitários, ficando somente atrás dos ferimentos autoprovocados3. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) no ano de 2012, estima-se que 804 mil pessoas tenham se suicidado no mundo. Entre jovens (na faixa etária de 15 a 29 anos), tem sido evidenciado um aumento dos casos, sendo responsável por 8,5% das mortes nessa faixa etária em todo mundo4. A evidência desse crescimento, nesse segmento populacional, é preocupante, dada a possibilidade de anos a serem vividos, de produtividade e de transformações na vida desses jovens que estão ingressando no meio acadêmico3.

Um relatório desenvolvido com 105 mil estudantes universitários dos Estados Unidos da América (EUA) sobre o comportamento suicida, mostrou que 3,7% idealizaram o suicídio nos últimos 12 meses e 1,5% nas últimas duas semanas. O relatório segue apontando quanto às tentativas de suicídio que 0,8% dos estudantes a realizaram nos últimos 12 meses, 0,3% nas últimas duas semanas e 0,2% nos últimos dias5.

Um estudo desenvolvido na Colômbia com 258 universitários, evidenciou que 31% apresentou ideação suicida6. Já uma pesquisa realizada no nordeste do Brasil obteve, dentre os 637 estudantes universitários, uma prevalência de 7,5% para a tentativa de suicídio e 52,5% para a ideação suicida7.

Diversos são os fatores que têm sido apontados na literatura associados à ideação suicida, o que demonstra ser esse um evento multifatorial ou multidimensional1,8. Aspectos mais subjetivos como desesperança, impulsividade, agressividade, percepção do corpo, dificuldades de comunicação e falta de pertencimento social têm sido apontados como possíveis fatores que desencadeiam o processo de ideação suicida8-10. Outros aspectos como: variáveis demográficas e socioeconômicas, orientação sexual, prática religiosa, comportamento suicida na família e entre amigos, consumo de álcool e sintomas depressivos também têm ganhado relevância na literatura6-8,11-13.

Portanto, entre os estudantes universitários, os diferentes e possíveis fatores associados à ideação suicida podem se apresentar em um momento ímpar da vida em que diversas transformações estão ocorrendo, que são os desafios próprios do processo de desenvolvimento pessoal, social e acadêmico que demandam maturidade e autonomia para tomada de decisões frente às determinações rígidas do ambiente acadêmico11,14-15.

Dessa forma, identificar os fatores que se associam à presença de ideação suicida nos estudantes universitários pode constituir uma importante ferramenta para que ações de prevenção e proteção sejam planejadas, tanto por parte dos gestores da universidade, como das equipes de saúde que assistem esses estudantes dentro e fora do campus. A literatura internacional tem produzido algumas informações sobre ideação suicida voltada para essa população1,6,11,14-15, porém existe uma carência de estudos nacionais sobre essa temática no cenário universitário, contexto que reforça a necessidade de pesquisas com essa população.

Frente ao exposto, o objetivo deste estudo foi analisar os fatores demográficos, socioeconômico, comportamento suicida na família e entre amigos, consumo de álcool e sintomas depressivos associados à ideação suicida em estudantes universitários.

Método

Estudo transversal analítico, realizado com os estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso-UFMT, Brasil. O método de seleção da amostra foi amostragem probabilística por conglomerados (turmas) e estratificada (grandes áreas), no qual todas as turmas tinham igual probabilidade de serem sorteadas, e, para determinar o tamanho da amostra foi considerando o nível de confiança de 95%, uma proporção de 50%, com um erro de estimação de 3,5%, totalizando 714 estudantes elegíveis para o estudo.

O critério de inclusão estabelecido foi o estudante ter 18 anos ou mais, e, dos 714 acadêmicos que responderam aos instrumentos, 77 foram descartados por apresentarem inconsistências ou respostas em branco, totalizando 637 questionários válidos.

Para a obtenção dos dados construiu-se um instrumento fechado visando investigar as condições demográficas, socioeconômicas, e referente à presença da ideação suicida foi introduzida a pergunta "Nos últimos 30 dias você pensou em se matar?". Essa questão foi construída direcionada por estudos que abordam a temática10-11. Para determinar a classe econômica foi utilizado o Critério de Classificação Econômica Brasil da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa16. Um segundo instrumento foi utilizado para identificar o consumo de álcool, ASSIST (Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test), que objetiva detectar o uso de risco de tabaco, álcool, maconha, cocaína, estimulantes tipo anfetaminas, sedativos, alucinógenos, inalantes, opióides e outras drogas. Os pontos obtidos demonstram as seguintes categorias de uso: 03 pontos: uso ocasional (classificado como consumo de baixo risco), 4-15 pontos: indicativo de abuso (risco moderado), ≥ 16 pontos: sugestivo de dependência (alto risco)17. Nesse estudo desconsideraram-se as demais substâncias psicoativas (SPA) sendo analisada apenas a variável consumo de álcool.

O último instrumento utilizado foi Inventário de Depressão Maior construído com base no DSM-IV e CID-10 e utilizado para a identificação da presença dos sintomas depressivos. Na validação brasileira o instrumento investiga como a pessoa tem se sentido nas últimas duas semanas, possui 10 questões de múltipla escolha apresentando os itens 8 e 10 com duas opções. As alternativas variam de 0 a 5 pontos (nenhuma vez a tempo todo). E o ponto de corte igual ou maior que 16 indica a presença de sintomas depressivos18.

Para viabilizar a coleta de dados, após autorização de acesso aos estudantes pela Pró-reitoria de Ensino de Graduação/UFMT, foi elaborado um cronograma para a aplicação dos questionários em sala de aula. No dia estabelecido, um aplicador treinado explicou os objetivos da pesquisa para os estudantes e entregou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para assinatura e os questionários, que depois de respondidos foram depositados em urnas dispostas à frente da sala de aula. O sigilo das respostas foi assegurado pelo anonimato e o preenchimento dos questionários não foi obrigatório, permitindo que o aluno devolvesse em branco a qualquer momento. A coleta de dados aconteceu nos meses de abril e maio de 2015.

Os dados foram armazenados em planilha eletrônica no formato Microsoft Excel, posteriormente foi realizada uma comparação dos dados digitados utilizando os recursos do programa Epi Info versão 3.5 e a análise de dados se deu no programa SPSS, versão 17.0. Realizou-se uma análise estatística descritiva, com apresentação de dados de prevalências, distribuição de frequências relativas e absolutas e sequencialmente uma estatística inferencial visando verificar associações entre a presença de ideação suicida (variável dependente) com as demais variáveis independentes.

Nesta análise, foram determinadas razões de prevalência e para testar a significância realizou-se o teste do Qui-Quadrado e quando necessário o teste Exato de Fischer, em ambos os casos considerando o nível de significância menor que 0,05 e intervalo de confiança (IC) de 95%. Para a análise múltipla foi utilizado um modelo de regressão de Poisson robusta, e as variáveis que apresentaram um valor de p menor que 0,20 foram testadas, permanecendo no modelo final as que apresentaram valores de p menores que 0,05, com IC de 95%.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFMT sob nº 1.021.217, seguindo os princípios éticos que regem pesquisas com seres humanos determinados pela Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Resultados

A prevalência de ideias suicidas foi obtida por meio da pergunta: "Nos últimos 30 dias você pensou em se matar?" Um percentual de 9,9% dos estudantes respondeu sim e 90,1% assinalou a opção não, com IC: 7,68 ; 12,47 e 87,52 ; 92,31, respectivamente.

A Tabela 1 apresenta as associações das variáveis demográficas, socioeconômicas e acadêmicas com a presença da ideação suicida. Observa-se que os estudantes universitários compreendidos nos níveis econômicos mais baixos (C1, C2 e D-E) apresentaram maior prevalência de ideação suicida em relação aos classificados nos níveis A, B1 e B2 (RP=1,69; IC:1,01; 2,83). Quanto à orientação sexual, evidencia-se que a ideação suicida foi significativamente associada entre os homossexuais e os bissexuais (p=0,008 e p<0,001, respectivamente). Entre os que não tinham uma prática religiosa a razão de prevalência de ideação suicida foi maior quando comparados aos que referiram ter (p<0,001).

Tabela 1 Associação entre as variáveis demográficas, socioeconômicas e acadêmica dos estudantes universitários da UFMT, campus Cuiabá com a presença de ideação suicida. Cuiabá, MT, Brasil, 2015 

Variáveis Sim Não RP b * IC 95% p-valor
n (%) n (%)
Idade
18 a 24 anos 48 (10,8) 397 (89,2) 2,40 (0,89; 6,49) 0,068
25 a 31 anos 11 (10,7) 92 (89,3) 2,38 (0,78; 7,20) 0,111
32 anos ou mais 4 (4,5) 85 (95,5) 1,00 - -
Sexo
Feminino 39 (11,5) 300 (88,5) 1,45 (0,88; 2,32) 0,143
Masculino 24 (8,0) 274 (92,0) 1,00 - -
Estado civil
Solteiro 58 (11,0) 485 (89,0) 2,01 (0,83; 4,88) 0,108
Casado 5 (5,0) 89 (95,0) 1,00 - -
Classe econômica
C1, C2 e D-E 39 (11,8) 292 (88,2) 1,69 (1,01; 2,83) 0,042
A, B1 e B2 20 (7,0) 267 (93,0) 1,00 - -
Mora sozinho
Sim 12 (11,5) 92 (88,5) 1,19 (0,66; 2,18) 0,538
Não 51 (9,6) 482 (90,4) 1,00 - -
Orientação sexual
Homossexual 10 (20,0) 40 (80,0) 2,54 (1,37; 4,74) 0,008EF
Bissexual 9 (33,0) 18 (67,0) 4,24 (2,32; 7,76) <0,001EF
Heterossexual 44 (7,9) 516 (92,1) 1,00 - -
Prática religiosa
Não 35 (16,3) 180 (83,7) 2,45 (1,54; 3,92) <0,001
Sim 28 (6,6) 394 (93,4) 1,00 - -
Anos do curso
1 a 2 anos 39 (9,4) 374 (90,5) 0,88 (0,54; 1,43) 0,608
3, 4 e 5 anos 24 (10,7) 200 (89,2) 1,00 - -

*RPb: razão de prevalência; †IC: intervalo com 95% de confiança; ‡Exato de Fischer

Na Tabela 2 é possível verificar que os estudantes universitários que relataram casos de tentativa de suicídio na família e entre amigos estiveram mais propensos a apresentar a ideação suicida em relação aos que não relataram o evento (RP=3,15, IC 95%:1,99;4,99 e RP=1,92, IC 95%: 1,20; 3,07, respectivamente).

Tabela 2 Associação entre comportamento suicida entre amigos e familiares dos estudantes universitários da UFMT, campus Cuiabá e a presença de ideação suicida. Cuiabá, MT, Brasil, 2015. 

Variáveis Sim Não RP b * IC 95% p-valor
n (%) n (%)
Tentativa de suicídio na família <0,001
Sim 26 (22,4) 90 (77,6) 3,15 (1,99; 4,99)
Não 37 (7,1) 484 (92,9) 1,00 - -
Suicídio na família 0,118
Sim 9 (15,8) 48 (84,2) 1,69 (0,88; 3,25)
Não 54 (9,3) 526 (90,7) 1,00 - -
Tentativa de suicídio entre amigos 0,006
Sim 28 (15,0) 159 (85,0) 1,92 (1,20; 3,07)
Não 35 (7,8) 415 (92,2) 1,00 - -
Suicídio entre amigos 0,254
Sim 11 (13,4) 71 (86,6) 1,42 (0,77; 2,62)
Não 52 (9,4) 502 (90,6) 1,00 - -

*RPb: razão de prevalência; †IC: intervalo com 95% de confiança

Na Tabela 3, observa-se que as variáveis consumo de álcool e sintomas depressivos apresentaram associação estatística significativa com a ideação suicida com p=0,002 e IC de (1,31; 3,34) e p<0,001, IC de (5,75; 29,9), respectivamente.

Tabela 3 Prevalência e associação do consumo de álcool e sintomas depressivos com a ideação suicida entre estudantes universitários da UFMT, campus Cuiabá. Cuiabá, MT, Brasil, 2015 

Variáveis Sim Não RP b * IC 95% p-valor
n (%) n (%)
Consumo de álcool 0,002
Risco moderado/ alto 28 (15,9) 148 (84,1) 2,10 (1,31; 3,34)
Baixo risco 35 (7,6) 426 (92,4) 1,00 - -
Presença sintomas depressivos <0,001
Sim 57 (21,4) 210 (78,6) 13,3 (5,75; 29,9)
Não 6 (1,4) 363 (98,6) 1,00 - -

*RPb: razão de prevalência; †IC: intervalo com 95% de confiança

Na tabela 4 apresentam-se as variáveis associadas com a presença de ideação após a análise múltipla. Aplicado o Modelo de Regressão Poisson, as variáveis que se mantiveram significantes foram orientação sexual (nas categorias homossexual (p=0,009) e bissexual (p=0,007), tentativa de suicídio na família (p<0,001) e sintomas depressivos (p<0,001).

Tabela 4 Fatores associados à ideação suicida em estudantes universitários da UFMT, campus Cuiabá. Cuiabá, MT, Brasil, 2015. 

Variáveis RPa* IC 95% p-valor
Orientação sexual (homossexual) 2,05 (1,20 ; 3,52) 0,009
Orientação sexual (bissexual) 2,37 (1,27 ; 4,44) 0,007
Tentativa de suicídio na família 2,30 (1,48 ; 3,58) <0,001
Sintomas depressivos 11,00 (4,71 ; 25,70) <0,001

*Razão de Prevalência ajustado; †Intervalo de Confiança

Na tabela 4 fica evidenciado que a variável sintomas depressivos foi a que apresentou uma acentuada associação com a ideação suicida nos últimos 30 dias, seguida por orientação sexual (bissexual), tentativa de suicídio na família e orientação sexual (homossexual).

Discussão

No presente estudo foi evidenciada a prevalência de ideação suicida entre os universitários, onde 9,9% (n=63) idealizaram o suicídio nos últimos 30 dias. Estudo similar desenvolvido em uma universidade particular do norte de Portugal, com 366 universitários, obteve que 12,6% idealizaram o suicídio na vida, 10,7% no último ano e 1,1% nas últimas semanas1. Prevalências inferiores foram determinadas em um estudo comparativo com estudantes de medicina realizado na Áustria (n=320) e na Turquia (n=326), onde 5% dos universitários austríacos idealizaram se matar nas últimas semanas e o mesmo ocorreu com 3,7% dos estudantes turcos12. As diferentes prevalências obtidas podem ter ocorrido em função dos distintos tipos de instrumentos utilizados para a determinação do fenômeno, por características e condições específicas das diversas regiões e países e ainda pelo fator tempo, ou seja, o período em que o participante relatou a presença da ideação, o que reforça a necessidade de explorar mais consistentemente a temática na literatura.

Vale enfatizar, diante de tais prevalências, que o enfermeiro possui competências que podem auxiliar no manejo da presença das ideias suicidas. Nesse sentido, esse profissional pode ser um elemento chave em grupos que promovam ações direcionadas para essa temática, além de compor equipes gestoras que discutam políticas, visando minimizar o fenômeno no ambiente universitário.

Dentre as variáveis demográficas e socioeconômicas, a classe econômica apresentou associação com ideação suicida entre os estudantes investigados, onde aqueles (n=39 de 331) que pertenciam à classe C1, C2 e D-E apresentaram 1,69 mais a ideação suicida quando comparados com os estudantes com melhores níveis de classificação econômica (A, B1 e B2). Estudo similar realizado com 101 universitários, em Massachussets/EUA, ainda que seja um país desenvolvido, encontrou que 6,6% (n=19) se enquadravam em renda baixas conforme renda per capita da família15. Já estudo realizado em uma universidade pública de São Paulo, encontrou achados diferentes na sua população em relação aos evidenciados no presente estudo, com 53,1% dos estudantes investigados pertencentes à classe econômica A19.

Em relação à orientação sexual e sua associação com a ideação suicida demonstrada na análise bivariada, os estudantes que assumiram ser homossexuais ou bissexuais apresentaram mais a ideação suicida (RP= 2,5 e 4,24, respectivamente) em relação aos que se declararam heterossexuais. Em um estudo desenvolvido nos EUA com universitários (n=1.085), tal achado se confirmou, com uma razão de prevalência de 4,7 nos que se declararam homo ou bissexuais em relação aos heterossexuais. Na análise ajustada tais variáveis permaneceram em nosso estudo com forte associação (p=0,007) para os bissexuais. Do mesmo modo essas categorias permaneceram no modelo após a regressão2.

A condição de heterossexualidade, socialmente, se configura como referência maior sobre os desejos, ideais, princípios e valores emergindo, desse modo, a sensação de superioridade em relação a todas as outras várias expressões de sexualidade, ocasionando entre os que fogem dessa referência o sentimento de exclusão e diferença13. Essa condição, de escolha por uma orientação sexual que não seja a socialmente esperada, pode acarretar consequências diversas entre os estudantes universitários que se definem e assumem ser homo e bissexuais, pois ser alvo de preconceito pode despertar sofrimento imenso bem como intensa fragilidade emocional, propiciando a produção da ideação suicida20.

Quanto a variável prática religiosa a associação entre não possuir tal prática e a presença da ideação suicida aqui evidenciada, também foi encontrada em um estudo com estudantes de uma Universidade da Flórida- EUA3. Essa associação, embora não tenha permanecido no modelo ajustado, pode sugerir que ter essa prática religiosa contribui para o bem-estar espiritual do estudante inibindo o surgimento da ideação suicida.

O exercício da prática religiosa como orar, meditar e outros manifestos de crença, contribui para o equilíbrio de emoções e sentimentos21. Desse modo, possuir uma prática religiosa se configura como um fator protetor para o indivíduo quanto ao aparecimento da ideação suicida. Mediante esse contexto que envolve aspectos culturais e de valores subjetivos, é importante que a literatura científica se ocupe de investigar a prática religiosa (crença/ hábitos) e sua possível relação com a ideação suicida entre os universitários3, o que sugere pesquisas futuras voltadas para essa temática ainda pouco explorada.

Em relação à tentativa de suicídio na família e entre amigos, essas variáveis apresentaram associação com ideação suicida. Estudo com um público de faixa etária um pouco inferior à de nossa amostra (estudantes de 15 a 19 anos) demonstrou que o jovem que conhecia algum amigo que tenha tentado o suicídio, apresentou duas vezes mais a ideação suicida quando comparado aos que não conheciam alguém que tenha tentado tal ato. Ainda, de acordo com o estudo, dos 188 jovens que apresentaram ideação suicida, 24% tinham alguém na família que havia tentado o suicídio9.

A variável tentativa de suicídio na família se mostrou fortemente associada à ideação suicida quando aplicado o modelo final (p<0,001). Os vínculos interpessoais podem exercer forte influência no comportamento do indivíduo. Portanto, manter-se envolvido com alguém que já realizou a tentativa de suicídio pode propiciar um comportamento de reprodução do ato, se tornando um comportamento aprendido como forma de resolver os conflitos, aumentando, assim, os casos de suicídio8.

Sobre o uso de álcool, os estudantes que mostraram risco alto/moderado para esse consumo apresentaram duas vezes mais a ideação suicida quando comparados com os estudantes da categoria de baixo risco. Em um estudo com 1.100 universitários nos EUA, utilizando um instrumento de rastreamento para o uso de álcool (AUDIT), os autores evidenciaram uma associação significativa entre consumo de álcool intenso e a ideação suicida (p=0,001)22. Um inquérito que rastreou consumo de álcool em estudantes, realizado em uma instituição pública de ensino superior, encontrou que, de 32 universitários, 28 faziam uso de risco da referida substância19.

Ao ingressar na academia, o universitário se vê diante de um novo ambiente que traz uma possibilidade de socialização por meio de festas, o afastamento do controle dos pais e/ou responsáveis e a responsabilização para tal consumo, podendo favorecer o aumento do uso nessa população. Vale ressaltar que o consumo de álcool entre os estudantes universitários tem sido associado à presença de ideação suicida bem como de tentativas do ato23. Em nosso estudo essa variável, embora não tenha permanecido no modelo final, direciona para a necessidade de um olhar atencioso a essa população, uma vez que nessa fase estão mais vulneráveis à iniciação e o constante consumo de álcool, além de sua maior incidência24.

A associação entre presença de sintomas depressivos e a ideação suicida chama atenção, pois entre os alunos que apresentaram essa sintomatologia (n=267), 21,4% pensaram em se matar nos últimos 30 dias. Esta variável foi a que mais fortemente se associou com a presença de ideação suicida entre os estudantes. Um inquérito realizado nos EUA, com 2.843 estudantes universitários, demonstrou uma prevalência de 2% de ideação suicida nessa população durante a trajetória acadêmica, e entre os 17% dos que idealizaram foi evidenciada a presença de sintomas depressivos e 9% possuíam diagnóstico para depressão22.

Na análise múltipla essa variável manteve-se associada com a ideação suicida e demonstra uma alta razão de prevalência. Os indivíduos que convivem com o sofrimento psíquico ou a sintomatologia depressiva, exteriorizam frequentemente o desejo em morrer/se matar, chegando à dedução que cometer o suicídio é a solução, realizando-o de modo efetivo9. Assim, o suicídio surge como a única saída existente diante de um momento atual conflituoso e de expectativas negativas para o futuro14.

Os aspectos negativos que surgem quando o indivíduo apresenta os sintomas depressivos podem propiciar a falta de sentido na vida e sensação de impotência, e o aparecimento dessa sensação fortifica esse contexto predispondo o estudante à ideação suicida6. Cabe ressaltar que mesmo que os sintomas depressivos tenham sido descritos como um fator associado à ideação suicida, não pode existir afirmação de uma possível relação de causa e efeito entre sintomas depressivos e ideação suicida, pois muitas pessoas com sintomas depressivos não desejam necessariamente acabar com sua própria vida15.

Os fatores associados à ideação suicida com o público universitário, investigados no presente estudo, também são evidenciados na população em geral4,20. As consequências do suicídio podem envolver prejuízos emocionais aos familiares e amigos, sociais e econômicos, principalmente em faixas etárias mais jovens em que o impacto pode ser mais acentuado20. Frente ao contexto, se evidencia a necessidade de que a enfermagem aprimore suas competências, que vão desde a avaliação até a implementação de cuidado nos diferentes espaços onde está inserida contribuindo, de forma significativa, no enfrentamento a este crescente problema de saúde pública.

O estudo apresenta, como qualquer investigação, vantagens e algumas limitações que precisam ser salientadas. A vantagem se refere a ser esta temática ainda pouco explorada na literatura mundial e principalmente na população jovem, e especificamente universitária, considerando o aumento dos índices de suicídio nesse seguimento populacional.

Quanto às limitações, a escala de depressão para avaliação de sintomatologia depressiva utilizada não possui pontos de corte adaptados para a população universitária, portanto os achados devem ser visualizados com cautela, e novos estudos devem ser realizados a fim de permitir uma análise mais segura dos níveis de sintomatologia depressiva nos estudantes. Outro aspecto refere-se ao fato de ser a ideação um fenômeno muito subjetivo e que ocorre sob a influência de diferentes fatores que não foram aqui analisados, carecendo de novos estudos, e por fim, o delineamento transversal pode ser uma limitação, pois não permite determinar a temporalidade dos fatores encontrados.

Conclusão

Evidenciou-se que as variáveis que apresentaram associação com a ideação suicida foram classe econômica, orientação sexual, prática religiosa, tentativas de suicídio na família e entre amigos, risco alto e moderado para o consumo de álcool e sintomas depressivos. Porém, na análise múltipla permaneceram, no modelo ajustado, a orientação sexual, tentativas de suicídio na família e sintomas depressivos.

Tais achados se constituem tanto como um diagnóstico situacional para que as instituições de ensino superior promovam ações de prevenção e enfrentamento a essas questões, como também para que os profissionais de saúde que atuam dentro do campus ou os que assistem os estudantes fora dele, tenham ciência da importância de medidas que visem identificar e minimizar tal situação.

REFERÊNCIAS

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1Artigo extraído da dissertação de mestrado "Ideação Suicida e fatores Associados em Estudantes Universitários", apresentada à Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, MT, Brasil.

Recebido: 27 de Agosto de 2016; Aceito: 13 de Fevereiro de 2017

Correspondência: Hugo Gedeon Barros dos Santos Hospital Universitário Julio Muller. Unidade de Atenção Psicossocial Rua Luis Philippe Pereira Leite, s/n Bairro: Alvorada CEP: 78048-902, Cuiabá, MT, Brasil E-mail: hugobarros_te@hotmail.com

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