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Revista Latino-Americana de Enfermagem

versão impressa ISSN 0104-1169versão On-line ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.25  Ribeirão Preto  2017  Epub 05-Jun-2017

http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.1770.2886 

Artigo Original

Associação da síndrome da fragilidade física às características sociodemográficas de idosos longevos da comunidade1

Clóris Regina Blanski Grden2 

Maria Helena Lenardt3 

Jacy Aurelia Vieira de Sousa2 

Luciana Kusomota4 

Mara Solange Gomes Dellaroza5 

Susanne Elero Betiolli6 

2PhD, Professor Adjunto, Departamento de Enfermagem e Saúde Pública, Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, PR, Brasil.

3PhD, Professor, Departamento de Enfermagem, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil.

4PhD, Professor Doutor, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Ribeirão Preto, SP, Brasil.

5PhD, Professor Adjunto, Departamento de Enfermagem, Universidade Estadual de Londrina, Londrina, PR, Brasil.

6PhD, Professor, Sociedade Educacional Herrero, Curitiba, PR, Brasil.

RESUMO

Objetivo:

investigar a associação entre a síndrome da fragilidade física e as características sociodemográficas de idosos longevos da comunidade.

Método:

estudo transversal, com amostra estratificada proporcional constituída por 243 longevos. Para a coleta de dados aplicaram-se instrumento estruturado, escalas e testes que compõem a avaliação da fragilidade física. Realizaram-se análises univariada e multivariada por regressão logística (p<0,05) pelo software Statistica 10(r) e para os modelos preditores foram calculadas Odds Ratio (Intervalo de Confiança de 95%).

Resultados:

dos 243 longevos avaliados, 36 (14,8%) eram frágeis, 155 (63,8%) pré-frágeis e 52 (21,4%) não frágeis. Houve predomínio do sexo feminino (n=161; 66,3%), viúvos (n=158; 65%), que residiam com familiares (n=144; 59,3%) e com situação financeira autorrelatada satisfatória (n=108; 44,5%). Identificou-se associação significativa entre a variável demográfica idade (p=0,043) e a síndrome da fragilidade física. O melhor modelo preditor da síndrome compreendeu as variáveis: sexo, idade e com quem mora.

Conclusão:

a variável idade foi a que mais contribuiu para o processo de fragilização dos longevos que residem na comunidade. É essencial que o cuidado de enfermagem gerontológico contemple o rastreamento precoce da síndrome e considere a idade como um indicativo de necessidades de cuidados.

Descritores: Idoso; Idoso de 80 Anos ou Mais; Idoso Fragilizado; Enfermagem Geriátrica; Fatores Socioeconômicos; Envelhecimento

Introdução

O aumento do número de idosos de 80 anos ou mais, também denominados longevos ou muito idosos, é uma realidade mundial. Nesse segmento é frequente a diminuição das reservas físicas e o aumento da vulnerabilidade a estressores internos e externos, que culminam com o desenvolvimento de fragilidade física1. Pesquisadores a definem como uma síndrome médica com múltiplas causas e fatores relacionados, caracterizada pela diminuição da capacidade de reserva homeostática do organismo e da resistência aos estressores, que resultam em declínios cumulativos em múltiplos sistemas fisiológicos, causando vulnerabilidade e desfechos clínicos adversos1-2.

Para avaliação da síndrome destaca-se o fenótipo da fragilidade, composto por marcadores que compreendem: lentidão da marcha, diminuição da força de preensão manual, perda de peso não intencional, exaustão autorrelatada e baixo nível de atividade física. Idosos que não apresentem nenhum dos marcadores são considerados não frágeis, com um ou dois são pré-frágeis, e três ou mais caracterizam os idosos frágeis2.

A frequência da fragilidade física apresenta grande variabilidade, seja em populações de idosos homogêneas ou distintas3. Em idosos jovens (60-69 anos) predominam valores entre 6,9% a 9,3%2,4, entre os longevos (≥80 anos) os índices são significativamente maiores, com variação entre 16% a 26%3.

As altas taxas de prevalência da síndrome, no contexto nacional, não correspondem ao número de publicações encontradas na literatura da área enfermagem gerontológica brasileira e da saúde em geral5. Isso aponta para a necessidade de estudos que investiguem as características preditoras da síndrome, uma vez que estas fornecem valiosos subsídios para a gestão do cuidado. Não se pode dispensar esses estudos especialmente com os longevos, visto o alto risco deles para fragilidade física, com maior probabilidade de mudança do nível pré-frágil para frágil2 - o que predispõem esse segmento etário às hospitalizações, quedas e dependências.

Entre os fatores que determinam o desenvolvimento da fragilidade física, destacam-se os sociodemográficos, que, apesar de muitas vezes serem ignorados pela equipe de saúde que presta a assistência, deveriam ser sistematicamente investigados na avaliação do longevo. Nos países em desenvolvimento, identificaram-se valores mais elevados de fragilidade física nos idosos6. Em investigações realizadas no México7 e Peru8 pesquisadores demonstraram a fragilidade associada às variáveis sociodemográficas, entre elas sexo feminino7 e idade7-8.

Embora sejam conhecidas as variáveis sociodemográficas que apresentam-se associadas à fragilidade, ressalta-se a ausência de estudos nacionais que investiguem modelos preditivos de fragilidade a partir dessas características da população. Diante do exposto, o objetivo do presente estudo foi investigar a associação entre a síndrome da fragilidade física e as características sociodemográficas de idosos longevos da comunidade.

Método

Estudo de corte transversal desenvolvido com idosos longevos (≥80 anos) residentes na comunidade, nos domicílios da área de abrangência de três Unidades Básicas de Saúde (UBS) pertencentes ao Distrito Sanitário Boa Vista, da cidade de Curitiba, Paraná, Brasil. Foram critérios de escolha das UBS a representatividade dos diferentes estratos sociais9)1 associada ao maior número de idosos cadastrados nas UBS. Adotou-se amostra do tipo estratificada proporcional, considerando o número de idosos longevos cadastrados em cada UBS, a fim de que nenhuma das UBS fosse superestimada ou subestimada. O cálculo amostral considerou a população de longevos cadastrados nas três UBS (N=503), poder beta de 80% (1-ß), nível de significância 5 % (α=0,05) e diferença mínima significativa de 10% entre as proporções de longevos com fragilidade. Acrescentou-se 10% ao tamanho da amostra pelas possibilidades de perdas e recusas, o que resultou na amostra final de 243 longevos.

A seleção dos idosos foi aleatória, os quais foram sorteados com base na lista de longevos cadastrados das UBS gerada pelo sistema eletrônico da prefeitura. Realizaram-se visitas domiciliares e nos casos de recusa ou ausência (três tentativas para cada domicílio), um novo elemento era sorteado.

Foram critérios de inclusão dos participantes: a) possuir idade ≥80 anos; b) estar cadastrado em uma das UBS de realização da pesquisa; c) obter pontuação superior ao ponto de corte do rastreio cognitivo do Mini Exame do Estado Mental (MEEM)10, sendo 13 pontos para analfabetos, 18 para média e baixa escolaridade e 26 pontos para alta escolaridade11.

Nos casos em que os longevos não apresentaram condições cognitivas (n=36) para responder às questões da pesquisa foi convidado a participar o cuidador familiar, para o qual foram elencados os seguintes critérios de inclusão: a) ter idade ≥18 anos; b) ser cuidador familiar; c) residir com o idoso há, pelo menos, três meses. Foram excluídos os longevos fisicamente incapaz de realizar os testes físicos (n=15) e em tratamento quimioterápico (n=1).

A coleta de dados foi realizada no período de janeiro de 2013 a setembro de 2015 por bolsistas de iniciação científica, mestrandos e doutorandos, que receberam treinamento prévio. Um estudo piloto com dez longevos foi conduzido para verificação e adequação do instrumento.

O questionário estruturado incluiu variáveis sociodemográficas de interesse ao estudo, adaptadas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística12) e categorizadas conforme recomendação estatística e/ou estudo que embasou a metodologia11: sexo (feminino, masculino); idade (≥80 e <87, ≥87 e <93, ≥93 e <100 anos); estado civil (viúvo, casado, solteiro); escolaridade (analfabeto, baixa, média, alta); com quem mora (sozinho, com familiares, com cônjuge); situação financeira autorrelatada (insatisfatória, mediana, satisfatória); renda mensal individual (insuficiente ≤1,0 salário mínimo (SM), média >1,0 SM e ≤2,0 SM, satisfatória >2 SM) e familiar (insuficiente ≤2,0 SM, média >2,0 e ≤5,0 SM, satisfatória >5 SM).

Os marcadores da fragilidade física foram avaliados segundo a proposta de autores2 do Cardiovascular Health Study (CHS), estudo prospectivo e observacional de referência, conduzido nos Estados Unidos com 5.317 idosos da comunidade, de 65 a 101 anos.

A Força de Preensão Manual (FPM) foi medida com dinamômetro hidráulico Jamar(r), conforme orientações da American Society of Hand Therapists13 . Obtiveram-se três medidas, apresentadas em quilograma/força (Kgf) e considerou-se a mais alta14, ajustadas de acordo com sexo e índice de massa corporal2 (IMC = peso/altura2), e os valores no quintil inferior foram considerados marcadores de fragilidade física, conforme observa-se na Figura 1.

*Índice de Massa Corporal †Força de Preensão Manual

Figura 1 Pontos de corte adotados segundo o sexo, conforme classificações do IMC, que indicaram a FPM reduzida nos idosos longevos participantes. Curitiba-PR, Brasil, 2015 

Para avaliação do marcador Velocidade da Marcha (VM) o longevo foi orientado a caminhar uma distância de seis metros15, de maneira habitual, em superfície plana, sinalizada por duas marcas distantes quatro metros uma da outra. Para reduzir os efeitos da aceleração e desaceleração foi contabilizado o percurso dos quatro metros intermediários. O tempo aferido em segundos, por cronômetro digital, foi dividido pela trajetória de quatro metros resultando em uma VM em metros/segundo, conforme estudo internacional2).

Os resultados foram ajustados de acordo com sexo e altura2, divididos em duas categorias, com base na mediana (percentil 50): homens ≤166 cm e mulheres ≤152 cm (abaixo ou igual a mediana); e homens >166 cm e mulheres > 152 cm (acima da mediana). Para cada categoria os pontos de corte foram fixados no quintil inferior2 com os seguintes valores para homens e mulheres, respectivamente: abaixo ou igual a mediana ≥9,65 s e ≥13,0 segundos; e acima da mediana ≥7,97 s e ≥11,6 segundos. Foram considerados marcadores da síndrome os valores iguais ou superiores aos pontos de corte no teste de caminhada.

A perda de peso não intencional foi verificada por meio do autorrelato do participante quanto às questões: a) o(a) senhor(a) perdeu peso nos últimos doze meses? b) se sim, quantos quilos? Caso o longevo não recordasse seu peso há um ano, o cuidador era consultado. A perda de peso corporal declarada maior ou igual a 4,5 Kg nos últimos doze meses, de forma não intencional (sem dieta ou exercício), foi considerada marcador para fragilidade física2.

A fadiga/exaustão foi avaliada com base no autorrelato para o questionamento da Escala de Depressão, do Centro de Estudos Epidemiológicos16: "o(a) senhor(a) se sente cheio(a) de energia?". Para mensuração do nível de energia foi utilizada escala visual, com uso de régua numerada de zero à dez, sendo zero o valor correspondente ao mínimo de energia e dez ao máximo. Foi considerado marcador da síndrome a resposta negativa do longevo à questão, associada ao valor de energia igual ou inferior a três apontado na régua17.

Avaliou-se a redução do nível de atividade física por meio do "Questionário de Nível de Atividade Física para Idosos" - CuritibAtiva. O instrumento validado18) contém vinte questões, subdivididas em: práticas de atividades físicas sistemáticas (n=7); tarefas domésticas ou de trabalho pesado (n=7); e atividades sociais e de lazer (n=6). As perguntas referem-se à frequência e ao tempo de atividades realizadas na última semana e a pontuação é convertida para a seguinte classificação: inativo (0-32); pouco ativo (33-82); moderadamente ativo (83-108); ativo (109-133); muito ativo (≥134). Foi considerado marcador da síndrome classificação compatível com os grupos inativo e pouco ativo.

Os resultados foram tabulados e analisados no software Statistica10 (r). Realizaram-se estatísticas descritivas, por meio da distribuição de frequência absoluta e relativa, média, desvio padrão, moda e mediana. Analisou-se a associação entre fragilidade física e variáveis independentes pelo teste de Qui-quadrado, com valor de p<0,05. No modelo multivariado, por meio de regressão logística, examinaram-se dois grupos (análise de Cluster), que direcionaram a junção das categorias pré-frágil e não frágil. Definiu-se como resposta prioritária para previsão a resposta frágil, atribuindo-se a outra categoria, não frágil, o seu complemento, de modo a seguir um modelo associado à distribuição binomial.

Elaborou-se um modelo preditivo completo para fragilidade física em que foram incluídas todas as variáveis do estudo. Por meio do método Forward Stepwise as variáveis sociodemográficas foram inseridas individualmente nas análises de regressão múltipla logística, iniciando com aquelas que mostraram p-valor individual mais baixo no modelo completo. Para a seleção dos modelos utilizou-se o Teste da Razão de Verossimilhança (TRV) e a qualidade do ajuste foi avaliada pela análise de Deviance. Foram calculadas as respectivas Odds Ratio (OR) e Intervalo de Confiança (IC) de 95%.

O estudo atendeu às normas nacionais e internacionais de ética em pesquisa envolvendo seres humanos, com aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da instituição sob o registro CEP/SD: 156.413.

Resultados

Quanto à fragilidade física, 36 (14,8%) dos longevos foram classificados como frágeis, 52 (21,4%) não frágeis e 155 (63,8%) pré-frágeis. Houve o predomínio do sexo feminino (n=161; 66,3%), faixa etária de ≥80 a <87 anos (n=181; 74,5%), com média de idade de 84,4 (DP=3,8). A maioria era viúvo (n=158; 65%), com baixa escolaridade (n=137; 56,4%) e residia com familiares (n=144; 59,3%). Dos participantes, 108 (44,5%) consideravam sua situação financeira satisfatória, contudo para a renda mensal individual a maioria dos longevos (n=181; 74,5%) referiram ser insuficiente (recebiam até um salário mínimo)2*. Nos frágeis (n=36; 14,8%), destacou-se o sexo feminino (n=25; 69,4%), viúvos (n=27; 75%), moravam com familiares (n=28; 77,7%), situação financeira mediana (n=16; 44,4%) e renda mensal individual e familiar categorizadas como insuficiente, na mesma frequência (n=28; 77,8%). Houve associação significativa entre idade (p=0,0432) e fragilidade física (Tabela 1).

Tabela 1 Associação entre fragilidade física e características sociodemográficas dos idosos longevos por níveis de fragilidade física. Curitiba, PR, Brasil, 2015 

Variável Classificação Total (%) Frágeis (%) Pré-Frágeis (%) Não Frágeis (%) p-value
Sexo Feminino 161(66,3) 25(69,4) 103(66,5) 33(63,5) 0,8403
Masculino 82(33,7) 11(30,6) 52(33,5) 19(36,5)
Idade ≥80 a <87 anos 181(74,5) 24(66,7) 112(72,2) 45(86,5) 0,0432
≥87 a <93 anos 52(21,4) 8(22,2) 37(23,9) 7(13,5)
≥93 a <100 anos 10(4,1) 4(11,1) 6(3,9) 0(0)
Estado Civil Viúvo 158(65) 27(75) 101(65,2) 30(57,7) 0,4173
Casado 73(30) 7(19,5) 48(31) 18(34,6)
Solteiro 12(5) 2(5,5) 6(3,8) 4(7,7)
Escolaridade Analfabeto 90(37) 12(33,3) 61(39,3) 17(32,7) 0,7514
Baixa 137(56,4) 22(61,1) 82(52,9) 33(63,5)
Média 10(4,1) 1(2,8) 7(4,5) 2(3,8)
Alta 6(2,5) 1(2,8) 5(3,3) 0(0)
Com quem mora Sozinho 65(26,7) 6(16,7) 41(26,5) 18(34,6) 0,1088
Com familiares 144(59,3) 28(77,7) 89(57,4) 27(51,9)
Com cônjuge 34(14) 2(5,6) 25(16,1) 7(13,5)
Situação financeira Insatisfatória 47(19,3) 5(13,9) 33(21,3) 9(17,3) 0,7379
Mediana 88(36,2) 16(44,4) 54(34,8) 18(34,6)
Satisfatória 108(44,5) 15(41,7) 68(43,9) 25(48,1)
Renda Mensal Individual Insuficiente 181(74,5) 28(77,8) 117(75,5) 36(69,2) 0,7422
Média 51(21) 7(19,4) 32(20,6) 12(23,1)
Alta 11(4,5) 1(2,8) 6(3,9) 4(7,7)
Renda Mensal Familiar Insuficiente 182(74,9) 28(77,8) 114(73,5) 40(76,9) 0,5328
Média 54(22,2) 7(19,4) 38(24,6) 9(17,3)
Alta 7(2,9) 1(2,8) 3(1,9) 3(5,8)
Total 243(100) 36(14,8) 155(63,8) 52(21,4)

Elaborou-se três modelos logísticos preditivos de fragilidade física para longevos. O completo (p=0,352) contemplou as variáveis sexo, idade, estado civil, com que mora, escolaridade, situação financeira, renda individual e familiar. O modelo 1 (p=0,075) compreendeu o sexo, a idade e com quem mora. O modelo 2 (p=0,045) considerou as variáveis idade, com quem mora e renda individual. Entre os modelos não houve associação significativa (Tabela 2).

Tabela 2 Modelos preditivos de fragilidade física em longevos, segundo variáveis sociodemográficas. Curitiba, PR, Brasil, 2015 

Variáveis Modelo Completo OR (95%IC) p =0,3527 p Modelo 1 OR (95%IC) p =0,074 p Modelo 2 OR (95%IC) p =0,045 p
Sexo 0,90 (0,36-2,28) 0,836 1,19 (0,54-2,67) 0,66
Idade
≥80 a <87 anos 0,26 (0,06-1,07) 0,062 0,28 (0,07-1,10) 0,068 0,28 (0,07-1,10) 0,068
≥87 a <93 anos 0,25 (0,06-1,20) 0,084 0,28 (0,06-1,27) 0,100 0,27 (0,06-1,23) 0,091
Estado civil
Viúvo 1,04 (0,20-5,57) 0,959
Casado 0,52 (0,08-3,62) 0,515
Escolaridade
Analfabeto 0,75 (0,08-7,47) 0,808
Baixa 1,13 (0,12-10,93) 0,910
Média 0,90 (0,04-19,9) 0,950
Moradia
Sozinho 0,90 (0,12-6,66) 0,923 1,41 (0,26-7,72) 0,686 1,65 (0,31-8,83) 0,552
Familiar 2,30 (0,40-13,4) 0,351 3,3 (0,74-15,2) 0,115 3,73 (0,83-16,8) 0,086
Situação Financeira
Insatisfatória 0,59 (0,19-1,88) 0,373
Mediana 1,26 (0,56-2,86) 0,570
Renda Mensal
Individual 0,69 (0,33-1,46) 0,329 0,74 (0,44-1,24) 0,253
Familiar 1,04 (0,70-1,5) 0,824

O modelo completo apresentou maior valor preditivo (62,5%) e especificidade (60,8%). O modelo 1 possuía melhor sensibilidade (77,7%), menor valor preditivo (48,1%) e especificidade (42,9%). O modelo 2 apresentou pior sensibilidade (69,4%), com valor preditivo de 57,2% e especificidade de 55% (Tabela 3). A escolha do melhor modelo na predição dos longevos frágeis considerou a regra da parcimônia e maior índice de sensibilidade. Nesse sentido, optou-se pela escolha do Modelo 1.

Tabela 3 Comparação entre os modelos preditivos de fragilidade física em longevos. Curitiba, PR, Brasil, 2015 

Modelo Completo Modelo 1 Modelo 2
p-valor 0,352 0,074 0,045
Predição modelo 62,50% 48,10% 57,20%
Sensibilidade 72,20% 77,70% 69,40%
Especificidade 60,80% 42,90% 55%

Discussão

A condição de pré-fragilidade e fragilidade física foi significativamente maior quando comparada ao Cardiovascular Health Study (CHS), que apontou prevalência de 46,6% de idosos pré-frágeis e 6,9% de idosos frágeis, em uma amostra de 5.317 idosos, de 65 a 101 anos de idade2. Esse resultado se deve em parte à própria característica da população estudada, por se tratar de idosos com idade maior ou igual a 80 anos.

Resultados próximos ao do presente estudo são apresentados em pesquisas transversais com 1.327 idosos espanhóis (≥65 anos), que identificou 19,1% de idosos frágeis entre os idosos no grupo com idade ≥75 anos19 e da Rede Fragilidade em Idosos Brasileiros (FIBRA), realizada em sete cidades brasileiras que revelou entre os 512 longevos participantes, 19,7% de frágeis e 57,2% de pré-frágeis20. O elevado número de participantes frágeis e pré-frágeis identificados neste estudo, semelhante entre os longevos nas investigações supracitadas19-20, substancia a relevância de ações de intervenção preventiva ou terapêutica de cuidado ao idoso longevo, com o objetivo de retardar ou evitar hospitalizações, quedas e dependência - situações e eventos característicos da fragilidade física.

Quanto à caracterização geral da amostra, os achados são semelhantes aos resultados de pesquisas nacionais com longevos, as quais apontam maior número de mulheres, com idade média de 84,4 anos, na condição de viuvez, com baixa escolaridade21-22, que vivem com o companheiro e/ou familiares21 e que recebem até um salário mínimo22. Constata-se que são mulheres mais velhas, com anos marcados apenas pelo aumento da expectativa de vida, mas que sobrevivem em condições físicas e socioeconômicas indesejáveis, e para elas não vigora nenhuma política, específica, de cuidados.

Observou-se que as longevas eram duas vezes mais frágeis que os longevos, contudo, não houve associação significativa entre sexo feminino e fragilidade física. Pode-se inferir que esse resultado se deve ao quantitativo de participantes do estudo, os quais representam uma realidade local no Sul do Brasil. Esse resultado diverge de outros encontrados na literatura, os quais demonstram tal associação2,19-20. Entre os fatores contributivos tem-se as características fisiológicas, condições psicológicas e sociais desfavoráveis, fatores estressores que interferem no estado de saúde e contribuem para o aumento dos déficits acumulados.

Entre os octogenários e nonagenários, a frequência da síndrome não aumentou com a idade, o que pode ser explicado pela categorização das faixas etárias, que ocasionou a estratificação dos idosos. Contudo, a análise univariada revelou associação significativa entre idade e fragilidade física, do mesmo modo que pesquisas internacionais e nacionais3-5.

O aumento significativo de idosos frágeis em idades avançadas sugere condição progressiva da síndrome, que é determinada por fatores fisiológicos que podem explicar tal relação. Na perspectiva do modelo proposto por autores norte-americanos2, o processo de envelhecimento predispõe o indivíduo a desenvolver a fragilidade física e pode estar relacionado às modificações e ao declínio de múltiplos sistemas, decorrentes de mecanismos fisiológicos e condições patológicas2, que podem se refletir em danos acumulados à saúde e na funcionalidade do indivíduo idoso20.

A análise do estado civil apontou maior proporção de idosos viúvos frágeis, como esperado para a faixa etária da população do estudo e pela composição predominantemente feminina da amostra. Resultado semelhante foi identificado em outras investigações5,19. No entanto, diferentemente do estudo longitudinal, com 1887 idosos italianos jovens, não houve associação significativa entre viuvez e fragilidade física23. Destaca-se que a viuvez pode contribuir para o isolamento social e familiar e, por conseguinte, levar ao desenvolvimento de déficit de autocuidado por falta de estímulo do companheiro.

Ressalta-se que mais da metade dos frágeis apresentaram de 1 a 4 anos incompletos de estudo, contudo, esta variável não se mostrou associada à síndrome, condizente com investigação nacional com idosos da comunidade5. Entretanto, na pesquisa com 1.933 idosos mexicanos com 65 anos ou mais, identificou-se maior probabilidade da síndrome nos idosos com menor escolaridade (OR=2,51)7.

Apesar de países em desenvolvimento apresentarem maiores índices de analfabetismo e baixa escolaridade, a associação significativa entre escolaridade e a síndrome é constatada em países desenvolvidos como Espanha19 e Japão4. Nesse sentido, o nível educacional pode ser considerado fator de proteção, pois propicia ao indivíduo melhor acesso a informações e serviços, bem como a recursos financeiros e oportunidades de emprego.

A variável com quem mora não apresentou associação significativa para os idosos frágeis, do mesmo modo que o estudo desenvolvido com 203 idosos curitibanos, cujo objetivo foi investigar a associação entre a síndrome da fragilidade física e características sociodemográficas e clínicas de idosos usuários da atenção básica24. Tal resultado diverge de outras pesquisas que observaram essa relação nos idosos que residiam com a família25 e que viviam sozinhos2,4,7. Os laços sociais e apoio estabelecidos podem influenciar na manutenção da saúde, oportunizando condutas adaptativas em situações de estresse.

Relativo à situação financeira, renda mensal individual e familiar, não foi constatada associação significativa com a síndrome. Entretanto, autores apontam que idosos com renda desfavorável ou insuficiente são mais frágeis7-8. As condições socioeconômicas podem desencadear o ciclo da fragilidade física em idosos a medida que dificultam o acesso à alimentação adequada, aos serviços de saúde, aos medicamentos e à prática de exercícios físicos, predispondo o indivíduo à doenças e diminuição da capacidade funcional.

O modelo preditivo de fragilidade física escolhido contemplou variáveis que se associaram à síndrome: sexo, idade e com quem mora. Estudos destacam a idade avançada e o sexo feminino como condições fortemente presentes em modelos preditivos da fragilidade, tanto no contexto nacional5 como internacional2,25.

No presente estudo, verificaram-se maiores chances de fragilidade física nos participantes que residiam com familiares. Do mesmo modo, na pesquisa transversal multicêntrica com 1.126 idosos turcos, que investigou características, prevalência e fatores associados relacionados à síndrome em idosos, foi constatada esta relação (p=0,012)25. Maiores chances de desenvolver a síndrome nos participantes que residem com familiares podem ser atribuídas à condição do longevo apresentar algum tipo de dependência (física, financeira ou psicológica), as quais podem contribuir ou acelerar o processo de fragilização.

O desenho transversal foi um fator limitante da avaliação entre as relações de causa e efeito. Ademais, a amostragem é representativa de uma comunidade local, de modo que não permite generalizar os resultados para outros territórios. Sugere-se a realização de investigações longitudinais, de coorte e de inquéritos populacionais, que permitam seguir os níveis de fragilidade física nos longevos e explorar com maior profundidade a relação entre a síndrome e as variáveis sociodemográficas.

A partir desses resultados, sugere-se que os profissionais de saúde considerem as variáveis sociodemográficas no rastreio da fragilidade física, com vistas à identificação precoce da síndrome. Dessa forma, os cuidados de enfermagem realizados na atenção básica podem ser direcionados para grupos específicos de idosos e/ou famílias (mulheres, em idade avançada, que residem com os familiares), na tentativa de retardar o processo de fragilização e evitar seus desfechos negativos.

Conclusão

Quanto as variáveis sociodemográficas investigadas conclui-se que a idade contribuiu significativamente para o processo de fragilização dos idosos longevos, usuários da atenção básica de saúde. O resultado mostra a influência do processo de envelhecimento na ocorrência da síndrome e sustenta as características biológicas do fenótipo da fragilidade física proposto por autores norte-americanos.

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1Artigo extraído da tese de doutorado "Síndrome da fragilidade física e as características sociodemográficas de idosos longevos", apresentada ao Departamento de Enfermagem, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná, Brasil.

1As UBS foram classificadas como classes de renda C, D e E, consideradas nesse estudo como alta, média e baixa, devido à região não possuir as classes A e B(9).

2*Valor do SM vigente na coleta de dados, R$678,00 e valor equivalente em dólar corresponde a US$295,00.

Recebido: 04 de Julho de 2016; Aceito: 01 de Março de 2017

Correspondência: Clóris Regina Blanski Grden Universidade Federal do Paraná Av. Pref. Lothario Meissner, 632 Jardim Botânico CEP: 80210-170, Curitiba, PR, Brasil E-mail: reginablanski@hotmail.com

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