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Revista Latino-Americana de Enfermagem

versão impressa ISSN 0104-1169versão On-line ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.25  Ribeirão Preto  2017  Epub 10-Jul-2017

http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.1816.2906 

Artigo Original

Qualidade de vida de pacientes usuários do cateterismo urinário intermitente1

Laís Fumincelli2 

Alessandra Mazzo3 

José Carlos Amado Martins4 

Fernando Manuel Dias Henriques5 

Leonardo Orlandin6 

2Doutoranda, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OPAS/OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Ribeirão Preto, SP, Brasil. Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Brasil.

3PhD, Professor Associado, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OPAS/OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Ribeirão Preto, SP, Brasil.

4PhD, Professor Coordenador, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Coimbra, Portugal.

5MSc, Professor Coordenador, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Coimbra, Portugal.

6Aluno do curso de graduação em Enfermagem, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OPAS/OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Ribeirão Preto, SP, Brasil. Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC-USP), Brasil.

RESUMO

Objetivos:

mensurar e comparar a qualidade de vida de pacientes com bexiga neurogênica em uso do cateterismo urinário intermitente em processo de reabilitação, no Brasil e em Portugal.

Método:

estudo multicêntrico, Brasil e Portugal, quantitativo, transversal, observacional-analítico e correlacional. Foram utilizados dois instrumentos de coleta, um questionário de dados sociodemográficos e clínicos e World Health Organization Quality Life-bref. Foram inclusos pacientes maiores de 18 anos, com bexiga urinária neurogênica, e usuários do cateterismo urinário intermitente.

Resultados:

na amostra de pacientes brasileiros (n = 170) e portugueses (n = 52), respectivamente, a maioria era solteira (87-51,2%; 25-48,1%), com ensino fundamental (47-45,3%; 31-59,6%), aposentada (70-41,2%; 21-40,4%). A lesão medular foi a principal causa do uso do cateter urinário nos dois países. Os pacientes brasileiros apresentaram média de escores mais elevados de qualidade de vida no domínio psicológico (68,9) e menos elevados no domínio físico (58,9). Os pacientes portugueses apresentaram escores mais elevados no domínio psicológico (68,4) e menos no domínio ambiente (59,4). A realização do autocateterismo urinário intermitente foi significativa para os dois países.

Conclusões:

nos dois países, a qualidade de vida desses pacientes pode ser determinada pela melhora dos sintomas urinários, da independência, autoconfiança, relações sociais e acesso a atividades laborais.

Descritores: Bexiga Urinária Neurogênica; Cateterismo Uretral Intermitente; Enfermagem; Paciente; Qualidade de Vida; Atividades Cotidianas

Introdução

Os avanços dos cuidados em saúde, em âmbito mundial, têm requerido estudos sobre Qualidade de Vida (QV) de pacientes com doenças crônicas ou comorbidades incapacitantes das atividades de vida diária. Nessa população, os resultados sobre QV são um reflexo da capacidade dos pacientes de lidar e se adaptar à sua nova condição de vida real. Nessa fase, de reabilitação, é fundamental a assistência da equipe de saúde, uma vez que o cuidado deve ser compreendido na dimensão total do ser, da família e da comunidade1.

Os estudos sobre QV são uma maneira de valorizar as percepções dos indivíduos. Permitem comparar, aprovar e definir métodos de tratamento; auxiliam na compreensão da escolha terapêutica, a avaliação dos custos e benefícios e identificam os principais aspectos afetados pela terapêutica proposta2.

No contexto de pacientes com bexiga urinária neurogênica - disfunção vésico-urinária de origem neurológica que altera o funcionamento da bexiga3 -, o principal objetivo do tratamento é a preservação da função renal e a adaptação da pessoa à nova condição de vida4. Todavia, os efeitos e as implicações do tratamento, como o uso de medicamentos, manejo da incontinência urinária, diários miccionais e, principalmente, o uso do cateterismo urinário intermitente, ferramenta fundamental no tratamento, resultam em impactos expressivos nas atividades de vida diária5.

O cateterismo urinário intermitente trata-se de um método de esvaziamento periódico da bexiga, em intervalos rotineiros, por meio da introdução de um cateter através da uretra6. Para que seja efetivo no tratamento da bexiga neurogênica, deve ser efetuado de forma regular, o que gera custos e significativas mudanças na vida diária7.

No Brasil, os pacientes com bexiga neurogênica, usuários do cateterismo urinário intermitente, não possuem, até o momento, política específica que garanta os recursos necessários para atendimento de excelência. No Brasil, o paciente é atendido como todo cidadão usuário do Sistema Único de Saúde (SUS), tem direito aos materiais necessários ao procedimento, todavia, nem sempre esses são obtidos em todas as unidades da federação8-9. Quando se compara tal realidade à de outros países, observam-se mudanças nessas políticas, as quais parecem apoiar com maior intensidade o uso do cateter urinário. É possível observar estudos que retratam o uso de tecnologias mais avançadas na realização do procedimento e que discutem, de forma veemente, a autonomia do paciente10-11. Dentre os diversos estudos, destaca-se, pela natureza do material encontrado sobre o assunto, o uso do cateter urinário em Portugal12-13.

Em Portugal, a prestação de cuidados de saúde caracteriza-se por um Sistema Nacional de Saúde. Nesse Sistema, o componente público garante assistência a todos os cidadãos e integra todos os cuidados de saúde, desde a promoção até a prevenção da doença, diagnóstico, tratamento e reabilitação médica e social. É vigente, no país, a denominada “Rede de referenciação hospitalar de medicina física e de reabilitação”, pela Direção-Geral da Saúde (DGS), a qual abrange o país em centros de reabilitação, localizados nas regiões de abrangência. Esses centros integram cuidados multiprofissionais de saúde e atendem os pacientes usuários de cateterismo urinário intermitente14.

As diversidades socioculturais e as políticas de saúde vigentes nesses países podem modificar ou não a adaptação do paciente com bexiga urinária neurogênica, em uso diário do cateterismo urinário intermitente, e interferir diretamente na sua QV. Contudo, frente a todo esse quadro, são escassos os estudos que abordam a problemática dos usuários do cateterismo urinário intermitente. As evidências produzidas estão focadas em grupos específicos, como os incontinentes ou os lesados medulares, o que não retrata a realidade de forma global2-3,7,9,11.

Nesse sentido, é imprescindível identificar as alterações vivenciadas por esses pacientes para que as ações programadas sejam efetivas. Dentre as alterações ocorridas pelo uso diário do cateter urinário, podem ser citados a aceitação da nova rotina, mudanças na vida social, ambiente de trabalho, custo do tratamento, entre outros. Tais pacientes carecem de cuidados específicos e ações efetivas que devem ser acompanhadas periodicamente pela equipe de saúde. Em especial, o enfermeiro possibilita o suporte profissional na esfera educativa, gerencial, clínica, de reabilitação e na implementação de planos de cuidados condizentes com a realidade vivenciada pelo paciente7,9,11.

Nesse contexto, este estudo teve como objetivo mensurar e comparar a QV de pacientes com bexiga neurogênica, em uso do cateterismo urinário intermitente, em processo de reabilitação, no Brasil e em Portugal.

Método

Estudo multicêntrico, Brasil e Portugal, quantitativo, transversal, de tipo observacional-analítico e correlacional.

A amostra deste estudo foi escolhida por conveniência. No Brasil, os dados foram coletados em um ambulatório de cateterismo urinário de um centro de reabilitação, no interior do estado de São Paulo. No local, são atendidos pacientes oriundos da cidade local e daquelas próximas ao serviço, no período de janeiro de 2014 a fevereiro de 2015. Em Portugal, a coleta foi realizada na Região Central do país, em dois centros de reabilitação que abrangem essa área, no período de setembro a dezembro de 2015. No estudo, foram incluídos todos os pacientes maiores de 18 anos, orientados, com diagnóstico médico de bexiga urinária neurogênica, em uso do cateterismo urinário intermitente, que realizavam o autocateterismo ou que tinham o procedimento realizado pelo cuidador, em período superior a um mês.

Após a formalização do aceite de participação dos pacientes, através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), a coleta de dados foi realizada por entrevista pelos pesquisadores no Brasil e em Portugal. Durante a entrevista, o questionário de QV foi autoaplicado ou aplicado pelos pesquisadores por meio da leitura do questionário aos pacientes com deficiência visual ou falha motora.

Foi utilizado um questionário para coleta de dados socioeconômicos, clínicos e relacionados aos aspectos do procedimento, e, para a análise de QV, foi utilizadoo World Health Organization Quality Life-bref (WHOQOL-bref), da Organização Mundial da Saúde (OMS). Tal instrumento constitui-se de questionário de avaliação de QV geral, elaborado pelo Grupo de Qualidade de Vida da OMS (WHOQOL Group). Trata-se de uma escala tipo Likert, abreviada da versão WHOQOL, com duas questões gerais e 24 questões que representam o instrumento original (WHOQOL-100); elas estão distribuídas em quatro domínios: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente15. Esse instrumento já foi traduzido e validado tanto para o Brasil16 quanto para Portugal17.

Os dados da pesquisa foram codificados e digitados duplamente em planilhas do aplicativo Excel. A base de dados final foi importada para o aplicativo SPSS (Statistical Package for the Social Science), versão 22 (Windows). Quanto ao WHOQOL-bref, os dados foram processados de acordo com as orientações da WHOQOL, no que se refere ao cálculo dos escores dos domínios da escala. O instrumento da OMS não prevê conceitualmente que se possa utilizar um escore global de QV. Nesse sentido, foram calculados os escores de avaliação de cada um dos quatro domínios e duas questões gerais. O valor mínimo dos escores de cada domínio é zero e o máximo 100. O escore de cada domínio é obtido em uma escala positiva, isto é, quanto mais alto o escore, melhor a QV naquele domínio16.

As análises estatísticas realizadas incluíram análises descritivas de frequência, tendência central e dispersão, análise inferencial de correlação e comparação entre os domínios de QV e características sociodemográficas, clínicas e de uso do cateterismo urinário dos pacientes brasileiros e portugueses. Devido à distribuição não normal da amostra, para as correlações, foi utilizada, em correlações paramétricas, a correlação de Pearson, e para não paramétricas, a de Spearman. Para a análise do WHOQOL-bref, na comparação com as variáveis sociodemográficas, clínicas e uso do cateterismo urinário, foram utilizados o teste Mann-Whitney e o teste Kruskal-Wallis. O nível de significância adotado para o estudo foi de 5% (p≤0,05).

Este estudo foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Brasil (CONEP), (Parecer nº 505722/2013). O TCLE foi utilizado e assinado pelos participantes.

Para uso do WHOQOL-bref, foi solicitado e permitido o uso dos instrumentos pelos autores originais.

Resultados

Neste estudo, foram entrevistados 170 (100,0%) pacientes brasileiros e 52 (100,0%) pacientes portugueses. Dos 170 (100,0%) pacientes brasileiros, 121 (71,2%) eram do gênero masculino e 49 (28,8%) feminino, com idade média de 39 anos e mediana de 37 anos. O paciente mais jovem do Brasil apresentava 18 anos e o mais velho 95 anos.

Quanto aos 52 (100,0%) pacientes portugueses, 38 (73,1%) eram do gênero masculino e 14 (26,9%) do feminino, com idade média de 45 anos e mediana de 44. O paciente mais jovem de Portugal apresentava 24 anos e o mais velho 83 anos. O perfil sociodemográfico dos entrevistados está descrito na Tabela 1.

Tabela 1 Caracterização dos pacientes participantes do estudo, segundo estado civil, escolaridade, renda familiar e ocupação. Ribeirão Preto, SP, Brasil, e Coimbra, Portugal, 2016 

Caracterização Brasil Portugal
n = 170 % n = 52 %
Estado Civil
Solteiro 87 51,2 25 48,1
Casado 56 32,9 20 38,5
Divorciado 17 10,0 2 3,8
Viúvo 6 3,5 3 5,8
Amasiado 4 2,4 2 3,8
Escolaridade
Analfabeto 5 2,9 - -
Fundamental completo 16 9,4 - -
Fundamental incompleto 61 35,9 31 59,6
Médio completo 52 30,6 11 21,2
Médio incompleto 18 10,6 - -
Superior incompleto 8 4,7 - -
Superior completo 10 5,9 10 19,2
Renda Familiar
<1 SM* 5 2,9 7 13,5
1 SM* 41 24,1 15 28,8
2-3 SM* 79 46,5 28 53,8
3-4 SM* 36 21,2 2 3,8
5-9 SM* 9 5,3 - -
Ocupação
Empregado 18 10,6 13 25,0
Desempregado 12 7,1 6 11,5
Benefício (auxílio-doença) 34 20,0 8 15,4
Aposentado 70 41,2 21 40,4
Outro 36 21,2 4 7,7

* SM=salário-mínimo do Brasil. Valor de referência: R$788,00=US$ (209,69) (referente à cotação do Banco Central do Brasil de 9/12/2015).

†Estudante, do lar, outro benefício (desemprego, pensionista do cônjuge) e estagiário.

Quanto à procedência, entre os pacientes brasileiros 102 (60,0%) pacientes eram provenientes do município do local da coleta de dados, 55 (32,3%) de regiões circunvizinhas e 13 (8,0%) de outros estados. Das regiões de Portugal, 33 (63,5%) eram da Região Sul, 14 (26,9%) da Região Central do país e 5 (9,6%) da Região Norte.

Em relação à caracterização clínica dos pacientes brasileiros, 95 (55,6%) apresentavam trauma raquimedular, 41 (24,0%) doença adquirida, 27 (15,8%) doença congênita e 7 (4,1%) doença iatrogênica. Dos pacientes portugueses, 41 (78,8%) apresentavam trauma raquimedular, 6 (11,6%) doença adquirida, 3 (5,8%) doença congênita e 2 (3,8%) doença iatrogênica.

A prática do cateterismo urinário intermitente dos pacientes, nos dois países, está descrita na Tabela 2.

Tabela 2 Descrição do cateterismo urinário intermitente utilizado pelos pacientes entrevistados. Ribeirão Preto, SP, Brasil, e Coimbra, Portugal, 2016 

Cateterismo urinário intermitente Brasil Portugal
n = 170 % n = 52 %
Período de início do cateterismo urinário
1980 a 1989 5 2,9 1 1,9
1990 a 2000 23 13,5 7 13,5
2001 a 2011 99 58,2 26 50,0
2012 a 2015 43 25,3 18 34,6
Frequência de cateterismo urinário
2 vezes/dia 8 4,7 2 3,8
3 vezes/dia 17 10,0 1 1,9
4 vezes/dia 78 45,9 15 28,8
5 vezes/dia 33 19,4 11 21,2
6 vezes/dia 25 14,7 16 30,8
7 vezes/dia 4 2,4 7 13,5
8 vezes/dia 5 2,9 - -
Tipo de cateter urinário
Simples 157 92,4 - -
Vidro* 12 7,1 - -
Cateter lubrificado 1 0,6 50 96,2
Silicone - - 2 3,8
Autocateterismo urinário 107 62,9 48 92,3
Sensibilidade 78 45,9 37 71,2
Perda de urina 99 58,2 19 36,5

*Cateter utilizado apenas no Brasil.

Quanto aos insumos para o cateterismo urinário no Brasil, 152 (89,4%) pacientes recebiam os materiais de órgãos públicos e 18 (10,6%) compravam com renda própria. Em Portugal, 32 (61,5%) compravam com renda própria e 20 (38,5%) recebiam de órgãos públicos, por estarem inseridos nas instituições de reabilitação.

A avaliação de QV dos pacientes brasileiros e portugueses, realizada pela WHOQOL-bref, está descrita na Tabela 3.

Tabela 3 Descrição da qualidade de vida (WHOQOL-bref) em relação aos quatro domínios e questões gerais de pacientes brasileiros e portugueses, de acordo com média, desvio-padrão, valores mínimo e máximo. Ribeirão Preto, SP, Brasil, e Coimbra, Portugal, 2016 

Domínios do WHOQOL-bref Brasil Portugal
Média Desvio-padrão Mínimo Máximo Média Desvio-padrão Mínimo Máximo
Físico 58,9 18,8 17,9 92,9 60,3 16,5 17,9 100,0
Psicológico 68,9 18,4 12,5 100,0 68,4 16,5 12,5 100,0
Social 65,8 21,4 0,0 100,0 63,4 19,7 25,0 100,0
Ambiente 61,4 16,4 6,3 100,0 59,4 13,7 28,1 90,6
QV* (questão 1) 18,1 5,5 0,0 25,0 16,7 4,1 6,3 25,0
Saúde (questão 2) 16,9 6,4 0,0 25,0 14,2 5,2 0,0 18,8

*QV - Qualidade de Vida

A comparação dos dados de QV dos pacientes brasileiros e portugueses indicou diferença estatística significativa nas duas questões gerais (QV e saúde), conforme demonstrado na Tabela 4.

Tabela 4 Distribuição dos escores de qualidade de vida em relação aos domínios e duas questões gerais do WHOQOL-bref (QV* e saúde), segundo país. Ribeirão Preto, SP, Brasil, e Coimbra, Portugal, 2016 

País Postos médios
Domínio físico Domínio psicológico Domínio social Domínio ambiental Qualidade de vida Saúde
Portugal 115,0 108,4 103,7 103,8 94,8 88,3
Brasil 110,4 112,5 113,9 113,9 116,6 118,6
p 0,651 0,688 0,311 0,320 0,020 0,002

*Q - Qualidade de Vida; †Teste Mann-Whitney.

Também foi realizada a correlação dos domínios físico, psicológico, social, ambiental e das duas questões gerais da WHOQOL-bref (qualidade de vida e saúde) com as variáveis sociodemográficas, clínicas e de uso do cateterismo urinário intermitente, por meio dos testes dos Kruskal-Wallis e Mann-Whitney.

No Brasil, foram encontrados valores estatisticamente significativos para os pacientes brasileiros na correlação do estado civil com o domínio físico e psicológico, na ocupação com o domínio psicológico e ambiental e de quem realiza o procedimento (paciente ou cuidador) com o domínio psicológico. Em Portugal, foram encontradas correlações entre quem realiza o procedimento (paciente ou cuidador) com o domínio psicológico e com a questão geral de QV. As comparações significativas dos pacientes brasileiros e portugueses estão descritas na Tabela 5.

Tabela 5 Distribuição dos escores de qualidade de vida (WHOQOL-bref) dos pacientes brasileiros e portugueses, em relação ao estado civil e ocupação. Ribeirão Preto, SP, Brasil, e Coimbra, Portugal, 2016 

Variáveis Domínio físico Domínio psicológico Domínio social Domínio ambiental Qualidade de vida Saúde
Postos médios
Brasil
Estado civil
Solteiro 99,2 94,7 88,2 90,5 89,7 93,3
Casado 66,7 70,3 83,8 73,9 79,1 72,9
Divorciado 81,6 83,0 75,2 96,4 81,0 91,5
Viúvo 51,4 55,0 67,9 66,6 74,2 65,4
Amasiado 118,6 154,7 120,7 121,5 118,5 96,5
x 2 19,7 18,7 3,9 7,9 4,5 8,1
p* 0,001 0,001 0,412 0,095 0,343 0,089
Ocupação
Empregado 110,3 121,1 112,1 118,2 98,4 113,3
Desempregado 108,3 97,9 97,9 97,9 91,2 96,4
Benefício 79,4 76,7 79,6 71,9 83,5 84,7
Aposentado 79,9 81,0 80,1 83,1 89,2 79,3
Outro 82,2 80,6 84,1 82,1 71,8 80,8
x 2 8,7 12,3 7,5 11,7 5,4 8,6
p* 0,067 0,015 0,111 0,020 0,247 0,071
Procedimento
Autocateterismo 89,9 90,8 87,6 85,2 86,6 87,4
Cuidador 76,6 74,9 80,5 84,3 82,3 80,8
p 0,089 0,042 0,355 0,936 0,552 0,369
Portugal
Procedimento
Autocateterismo 27,9 27,2 27,0 27,3 28,0 26,9
Cuidador 10,0 18,4 20,3 17,3 8,5 21,8
p 0,023 0,261 0,385 0,202 0,006 0,479

*Teste Kruskal-Wallis; †Teste Mann-Whitney.

Discussão

Conforme a OMS, QV é “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive, e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações15. Os domínios de QV adotados pela OMS (físico, psicológico, social e ambiental) repercutem a esfera geral de vida, ou seja, satisfações, aspirações, experiências, relações sociais e bem-estar de um indivíduo e comunidade em que está inserido18. Nesse contexto, as alterações no percurso das atividades de vida diária dos pacientes com bexiga urinária neurogênica, em uso do cateter urinário intermitente, demonstram significativas mudanças em todos os seus domínios de vida.

Neste estudo, os perfis sociodemográfico e clínico encontrados, na amostra de pacientes brasileiros e portugueses (Tabela 1), corroboram resultados de estudos anteriores19-20. Nas duas amostras, a lesão medular foi a principal causa do uso do cateter urinário. Tal lesão é uma condição permanente ou temporária que afeta as funções motora, sensitiva e autonômica com alterações significativas biopsicossociais, as quais podem influenciar as necessidades humanas básicas, graus de dependência e, consequentemente, a QV do paciente no domicílio19. É expressivo o número de pessoas acometidas por lesões vértebro-medulares traumáticas ou atraumáticas no mundo. No Brasil, ocorre cerca de 40 novos casos por milhão de habitantes a cada ano21. Em Portugal não existem dados atuais divulgados de incidência e prevalência22, embora se conheçam importantes alterações demográficas recentes indicativas de que a idade, à data da lesão, tem aumentado muito, originando, cada vez mais, pessoas com lesão medular.

Assim como, em relação às demais morbidades encontradas também na lesão medular, o cateterismo urinário intermitente é a principal forma de tratamento das alterações ocasionadas no sistema urinário, pela ocorrência da bexiga neurogênica. Quando iniciado o procedimento, é realizado com intervalos de quatro a seis horas ou de seis a oito horas, conforme o volume de diurese apresentado em registros de diários miccionais, e após avaliação por meio de exames urodinâmico, radiológico e ultrassonográfico3. Tais resultados foram, também, aqueles encontrados na maior parte dos pacientes dessa amostra (Tabela 2).

O procedimento proporciona a reeducação vesical e favorece estímulos para a micção espontânea de maneira segura e efetiva5. Todavia, traz alguns incômodos, como a sensibilidade na introdução do cateter urinário e perda de urina entre as cateterizações urinárias, o que foi relatado em ambas as populações (Tabela 2). Nesse sentido, o apoio dos profissionais é de extrema importância: torna-se necessária comunicação terapêutica clara e objetiva, e avaliação contínua das condições dos pacientes para o sucesso da terapêutica no domicilio7.

Para o sucesso ou insucesso da técnica e da adesão do paciente, é importante a qualidade dos materiais utilizados na realização do procedimento. Nesse quesito, foram observadas, na amostra, diferenças tanto no processo de aquisição como de qualidade dos materiais. O uso do cateter lubrificado ainda não é uma realidade brasileira9. Todavia, os estudos demonstram que esse tipo de material minimiza a sensibilidade do usuário e reduz o atrito com a mucosa uretral, o que leva à diminuição da dor e maior aderência ao tratamento, e proporciona melhora de cerca de 30,0% na QV dos pacientes4,7.

Em relação à QV dos pacientes deste estudo, conforme demonstrada na Tabela 3, nos dados obtidos de pacientes brasileiros foram observados escores mais elevados de QV no domínio psicológico e menos elevados no domínio físico. Já nos pacientes portugueses, foram verificados escores mais elevados no domínio psicológico e menos elevados no domínio ambiente. Diante de tais dados, quando comparados aos dados normativos de Portugal, observou-se concordância dos resultados no domínio ambiente (menor escore) e discordância nos maiores escores, uma vez que os dados normativos apresentam entre a população portuguesa maiores escores no domínio físico23. Já em relação aos dados normativos brasileiros, estudo realizado na Região Sul demonstrou concordância com os resultados encontrados no domínio físico (menor escore) e discordância com o domínio psicológico. No estudo, o maior escore encontrado foi no domínio social24.

Com referência ao estudo realizado na Região Sul do Brasil, os dados obtidos de participantes com doenças crônicas apresentaram todos os escores dos domínios de QV menores quando comparados à população em geral24. No que diz respeito ao estudo da QV de usuários do cateterismo urinário, outros pesquisadores encontraram dados semelhantes a este estudo, tanto nos menores escores medidos pela WHOQOL-bref15 como nos maiores escores do domínio psicológico1,25.

É evidente que quanto maior o apoio da equipe de saúde às questões multidimensionais de vida do paciente, em uso do cateterismo intermitente limpo, melhor será a adesão ao tratamento5. Nesse processo, o enfermeiro é um profissional decisivo para o progresso do paciente, uma vez que auxilia o paciente a se tornar independente dentro da realidade vivenciada através do autocuidado do auxílio a obter melhor QV1.

Neste estudo, a análise das variáveis independentes com cada domínio de QV e das duas questões gerais de QV da WHOQOL-bref15, demonstram, no Brasil, significativa relação do estado civil com os domínios físico e psicológico, uma vez que os pacientes solteiros e amasiados apresentaram melhor QV. Os relacionamentos são um dos aspectos a serem tratados pela equipe multiprofissional, uma vez que o usuário de cateter urinário intermitente pode apresentar constrangimentos, estresse, ansiedade, repressão durante um relacionamento, questões que podem se tornar barreiras para a evolução do tratamento e limitações para melhor QV1,4.

No Brasil, outro achado relevante foi a estatística significativamente positiva em relação à ocupação e aos domínios psicológico e ambiental, segundo a Tabela 5. Os pacientes brasileiros empregados apresentaram maior QV, o que demonstra a importância da inserção desses indivíduos em atividades laborais e de sua acessibilidade em ambientes públicos. A acessibilidade geralmente é afetada por questões políticas e de acesso à saúde, exemplificados pela falta de banheiros públicos (instalações inadequadas), e sociais como sentimentos de dor, choque, medo, depressão e dificuldades de adaptação ao tratamento7.

Os dados coletados demonstraram que a presença do cuidador é marcante no Brasil (37,1%), o que difere da realidade portuguesa (7,7%). No Brasil, foi possível observar que os pacientes que realizavam o autocateterismo urinário intermitente apresentaram maior escore de QV no domínio psicológico. Em relação aos dados coletados na amostra portuguesa, esse foi o dado estatisticamente relevante, demonstrando que os usuários de autocateterismo urinário intermitente apresentaram maior escore de QV no domínio físico e na questão sobre QV.

Conforme WHOQOL Group, o domínio psicológico envolve os aspectos da satisfação, bem-estar, autoestima e sentimentos negativos. O físico engloba aspectos relacionados à dor, desconforto, capacidade para trabalho e dependência. Já a questão geral sobre QV classifica o conceito em muito ruim, ruim, nem ruim nem boa, boa e muito boa15. Portanto, esses resultados confirmam o impacto psicológico, físico e na classificação de QV para a autorrealização do procedimento, uma vez que demarca os sentimentos de independência, autossuficiência e melhor autoestima, expressos pelos pacientes.

Em relação à QV dos dois países, as duas questões gerais de QV e saúde foram estatisticamente significativas, já que os pacientes brasileiros apresentaram maiores escores de QV. Essas questões examinam os meios pelos quais uma pessoa avalia sua QV geral, saúde e bem-estar15. Nesse sentido, é evidente a importância do trabalho dos profissionais de saúde, em especial do enfermeiro, o qual desempenha papel essencial para executar, orientar, demonstrar, supervisionar e reavaliar as condições de autocuidado desses pacientes ou cuidado prestado pelos cuidadores.

O WHOQOL-bref, por ser um instrumento de amplitude mundial, possibilitou mensurar, em dois países com semelhança linguística, porém características ambientais e culturais distintas, a QV. Todavia, é necessário o desenvolvimento de instrumentos mais específicos a essa população, o que poderia complementar os resultados obtidos, e pode ser considerado um fator limitante deste estudo.

Conclusão

Nos achados desta pesquisa nos dois países, foi possível identificar que a QV do paciente com bexiga neurogênica, usuário do cateterismo urinário intermitente, pode ser determinada pela melhora dos sintomas urinários, assim como pela independência, autoconfiança, relações sociais, acesso a atividades laborais e inserção social. Uma vez que os resultados encontrados se limitam a populações regionais, é necessário ampliar essa pesquisa para se obter caracterização de forma global da população almejada.

Nesse contexto, é necessária a compreensão desse fenômeno pelos profissionais de saúde, almejando a satisfação desses pacientes, com a vida e a eficácia dos processos de apoio e tratamento aos pacientes com bexiga neurogênica em uso do cateter urinário intermitente.

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Como citar este artigo Fumincelli L, Mazzo A, Martins JCA, Henriques FMD, Orlandin L. Quality of life of patients using intermittent urinary catheterization. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2017;25:e2906. [Access ___ __ ____]; Available in: ___________________ . DOI: http://dx.doi.org/ 10.1590/1518-8345.1816.2906.

1Artigo extraído da tese de doutorado “Qualidade de vida dos pacientes com bexiga neurogênica em uso do cateterismo urinário intermitente em processo de reabilitação”, apresentada à Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OPAS/OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Ribeirão Preto, SP, Brasil. Apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Brasil, processo nº 2013/20871-6.

Recebido: 22 de Agosto de 2016; Aceito: 01 de Abril de 2017

Correspondência: Alessandra Mazzo Universidade de São Paulo. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto Av. Bandeirantes, 3900 Bairro: Monte Alegre CEP: 14040-902, Ribeirão Preto, SP, Brasil E-mail: amazzo@eerp.usp.br

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