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Revista Latino-Americana de Enfermagem

Print version ISSN 0104-1169On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.25  Ribeirão Preto  2017  Epub Dec 04, 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.1941.2946 

Artigo Original

Processo de trabalho dos docentes de enfermagem 1

Denisse Parra Giordano2 

Vanda Elisa Andres Felli3 

2Doutoranda, Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil. Professor Assistente, Departamento de Enfermería, Universidad de Chile, Santiago, Stgo, Chile.

3PhD, Professor Associado, Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

RESUMO

Objetivo:

analisar o processo de trabalho dos docentes de enfermagem.

Método:

estudo descritivo, exploratório e qualitativo, desenvolvido com enfoque em epidemiologia crítica e realizado em uma Escola de Enfermagem do Chile. Os sujeitos da pesquisa corresponderam a 17 docentes de enfermagem, com os quais foram realizadas entrevistas individuais semiestruturadas e nove participaram de um grupo focal. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética.

Resultados:

88,2% eram do sexo feminino, média de idade de 42 anos, 47% eram casados, 94% eram chilenos, tempo médio na instituição de 2,8 anos e 23,5% tinham mestrado. Quanto ao processo de trabalho, o objeto do trabalho foi considerado os estudantes, as ferramentas utilizadas foram o conhecimento e a experiência como enfermeiro, o ambiente foi considerado bom; quanto à forma de organização, 76% tinham uma jornada de trabalho de 44 horas semanais, o salário foi considerado inadequado e a carga de trabalho foi maior do que a contratada. A dialética do processo de trabalho de enfermagem é evidenciada, demonstrando a contraposição representada pelos salários inadequados e pela sobrecarga de trabalho diante do bom ambiente de trabalho, da realização pessoal e da transcendência que vai muito além do trabalho.

Conclusões:

o processo de trabalho permite descrever os componentes do trabalho dos docentes de enfermagem, corroborando os resultados da literatura e mostrando a dialética no processo de trabalho em enfermagem.

Descritores: Saúde do Trabalhador; Qualidade de Vida; Docentes de Enfermagem; Condições de Trabalho; Trabalho

Introdução

A enfermagem é conhecida como uma atividade desde o princípio da humanidade, porque sempre houve pessoas que precisam de cuidados de saúde e o cuidado é considerado como a essência desta profissão1-2, que evoluiu de uma ocupação sem preparação formal, para uma profissão com formação universitária. Ela pode ser desenvolvida em diferentes áreas, como administração, assistência, educação, pesquisa e participação política, exigindo um conjunto de habilidades específicas para cada uma delas3. A profissão de enfermagem é inserida como uma prática social no mundo do trabalho e é marcada por acontecimentos históricos, sociais, econômicos e políticos3-4. Durante o processo de evolução da enfermagem, o mundo tem sofrido alterações devido à globalização, e atualmente, a produção capitalista tem produzido muitas mudanças no Processo de Trabalho, as quais também são observadas no trabalho de enfermagem. Isto também tem significado mudanças no perfil do trabalho e dos trabalhadores, adaptando-se às novas tecnologias e ao modelo econômico vigente4. Portanto, impõe-se a necessidade não só de profissionais formados na área do conhecimento, mas também profissionais competentes e com habilidades específicas. Deste modo, também surge a necessidade de docentes com competências compatíveis com a nova realidade, assim como modificações significativas nas relações docente-alunos4-6. Na América Latina, a sociedade chilena também foi impactada pela globalização, manifestada no crescimento rápido da população, nas alterações em sua estrutura, nas mudanças no perfil de morbidade e mortalidade, no aumento da expectativa de vida e na melhoria nas condições de vida e de trabalho, tais como a alimentação, os salários, etc.7.

Por causa da mudança no modelo econômico no Chile, houve um aumento na oferta universitária como possibilidade de negócio, gerando um aumento na oferta da formação em enfermagem7, que por sua vez tornou-se a carreira mais procurada ao nível nacional. Desta forma, houve um grande aumento na quantidade de profissionais de enfermagem que desenvolvem seu processo de trabalho na área da docência. O cenário da docência em enfermagem torna o processo de trabalho complexo, porque a formação em enfermagem requer um ambiente específico e, além disso, na relação docente-aluno ainda existe o paciente8.

O trabalho constitui uma condição fundamental, que define a posição dos indivíduos na sociedade e determina o poder de consumo e o acesso à condições de vida dignas9, sendo mais do que apenas uma relação com o emprego ou o salário, mas uma forma de inserção social8. Na área da saúde, o trabalho é caracterizado como a prestação de serviços, sendo caracterizado pela prestação de cuidados de saúde aos indivíduos e, portanto, inserido no setor terciário da economia dos países. Entender a enfermagem como um trabalho envolve a compreensão das práticas de saúde como práticas sociais, as quais transcendem a magnitude profissional e técnica3. Ao mesmo tempo, é uma prática dinâmica, que requer uma revisão constante de seus componentes diante das mudanças na sociedade e dos modelos de assistência em saúde10. Especificamente no Processo de Trabalho em ensino, as relações profissionais são diferenciadas e as atividades de ensino são executadas na prática e, portanto, existe uma peculiaridade nas formas como o processo de saúde-doença é vivenciado8,11.

O Processo de Trabalho é formado por três elementos: o objeto de trabalho, os instrumentos de trabalho e o próprio trabalho3,9. O objeto de trabalho é onde a atividade incidir-se-á, o qual também será transformado durante o processo até tornar-se um produto3,9 e quando o processo de transformação é produzido em uma pessoa, como no caso da educação, a pessoa é denominada sujeito do trabalho3. O instrumento de trabalho é um conjunto de ferramentas entre ele e o objeto do trabalho, servindo como meio para sua ação sobre ele3,9; o docente de enfermagem transforma o objeto (sujeito) utilizando um conhecimento específico e ferramentas próprias3. A atividade refere-se ao trabalho, à organização específica do trabalho para um propósito específico3-4,9 e às condições de trabalho, como a jornada de trabalho, o salário, o cronograma da instituição, a hierarquia, entre outros8.

Para entender o trabalho como um processo e não apenas como um fator de risco na vida das pessoas, é necessária uma abordagem com enfoque em epidemiologia crítica, considerando-se que os processos epidemiológicos são ativos e definidos na reprodução social de cada grupo10.

Deste modo, de acordo com a perspectiva de Naomar Almeida Filho, o principal promotor da epidemiologia crítica no Brasil, ela pode ser estudada tanto a partir da perspectiva qualitativa quanto quantitativa, desde que seja mantido seu contexto histórico e social12.

As mudanças no mercado de trabalho e o aumento da quantidade de profissionais de enfermagem dedicados à docência no Chile, que têm provocado um crescimento do papel da enfermagem no processo de ensino e aprendizagem, bem como em outras áreas de sua competência, impõem a necessidade de analisar o Processo de Trabalho dos docentes de enfermagem de uma universidade pública, que é o objetivo do presente trabalho.

Método

Trata-se de um estudo descritivo, exploratório e qualitativo, desenvolvido com enfoque em epidemiologia crítica. O cenário é a Escola de Enfermagem da Universidade do Chile, fundada em 1906, que concede o diploma e o título de graduação em Enfermagem e é credenciada há sete anos (máximo outorgável), além de pertencer a uma universidade pública que se destaca como referência ao nível nacional e internacional. A população foi composta por todos docentes de enfermagem, totalizando 52 pessoas, aplicando-se os seguintes critérios de seleção: jornada de trabalho de 22, 33 ou 44 horas por semana, exercício da profissão como docente de enfermagem por seis meses ou mais, excluindo-se as pessoas que estavam de férias ou em licença médica; resultando em 25 sujeitos potenciais de participação. Entrevistas individuais coordenadas pelo pesquisador principal, que tinha uma relação de trabalho prévia com os participantes, foram realizadas com 17 docentes de enfermagem, através da aplicação de um questionário sobre dados sociodemográficos e a pergunta norteadora “Como é o seu processo de trabalho como docente de enfermagem?”, permitindo que o fenômeno fosse entendido pelos pesquisadores. Os participantes concordaram em participar do estudo (não houve recusas ou desistências em participar das entrevistas) em uma sala da Escola de Enfermagem, com privacidade total e duração de 15 a 32 minutos, durante o mês de abril de 2014. As entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas integralmente para orientar a análise. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo, levando-se em consideração as categorias predefinidas de acordo com o Processo de Trabalho, objeto, instrumentos utilizados, ambiente e forma de organização. Para a apresentação dos dados, os entrevistados foram identificados com a letra E, e o número de cada um foi especificado. O estudo foi realizado de acordo com as exigências éticas, sendo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Faculdade de Medicina da Universidade do Chile, em 21 de janeiro de 2014, sendo também autorizado pela administração da escola. Além disso, todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Informado.

Resultados

No total, 17 enfermeiros foram entrevistados. Em relação à caracterização sociodemográfica da população, o estudo mostra que 88% dos sujeitos são do sexo feminino, a maioria são adultos jovens, 47% são casados, 64,7% têm filhos e 94% são chilenos.

Quanto à formação, 100% dos docentes têm cursos de pós-graduação (lato sensu) de aproximadamente 200 horas. Dez estão cursando mestrado, três já obtiveram o título de mestre e quatro ainda não iniciaram os estudos de pós-graduação.

Em relação ao histórico de trabalho, os docentes entrevistados na Escola de Enfermagem têm, em média, 2,8 anos de serviço na universidade, a maioria dos sujeitos trabalha na instituição entre três e seis anos, como pode ser visualizado no Tabela 3. As jornadas de trabalho são semanais, em que 76,5% têm jornadas de 44 horas, 17,6% de 33 horas e 5,9% de 22 horas. Quanto ao tipo de contrato dos docentes, 52,9% atuam na carreira acadêmica dentro do setor acadêmico e 47,1% seguem na carreira acadêmica como parte da equipe colaborativa. O segundo tipo de contrato visa proteger a remuneração dos docentes de enfermagem, devido à falta de qualificação para ingressar na carreira acadêmica. Quanto à hierarquia acadêmica, 94,1% são classificados como Instrutores e 5,9% como Professores Assistentes, sendo estas as duas hierarquias presentes na Escola estudada. Além disso, os docentes de enfermagem entrevistados atuam nas quatro áreas que compõem a Escola: 29,4% em Saúde Comunitária, 29,4% em Pediatria Hospitalar, 29,4% em Hospital Adulto e 11,8% em Saúde Mental. É importante mencionar que 100% dos entrevistados realizam o acompanhamento docente dos alunos na prática clínica.

Tabela 1 Caracterização sociodemográfica dos docentes de enfermagem (n=17), de acordo com sexo, idade, estado civil, número de filhos, nacionalidade. Santiago, Chile, 2014 

Característica Número Porcentagem (%)
Sexo
Feminino 15 88
Masculino 2 12
Idade
Adulto jovem 10 58,8
Adulto de meia idade 4 23,5
Adulto idoso 3 17,6
Média 44,2
Estado Civil
Casado 8 47
Solteiro 5 29
Divorciado 2 12
Separado 2 12
Tem filhos 11 64,1
Nacionalidade
Chileno 16 94
Estrangeiro 1 6

Tabela 2 Formação de pós-graduação dos docentes de enfermagem (n=17), de acordo com a especialização, mestrado e doutorado. Santiago, Chile, 2014 

Nível da Pós-graduação Número Porcentagem (%)
Especialização 17 100,0
Mestrado
Cursando 10 58,8
Concluído 3 17,6
Doutorado 0 0
Sem pós-graduação 4 23,5

Tabela 3 Histórico de trabalho dos docentes na Escola de Enfermagem (n=17), de acordo com tempo de serviço, carga horária semanal, hierarquia acadêmica, tipo de carreira, área de trabalho, experiência prática. Santiago, Chile, 2014 

Característica Porcentagem (%)
Tempo de trabalho (em anos)
Média 17 2,8
1 6 35,2
2 1 5,9
3 3 17,6
4 6 35,2
8 1 5,9
Carga horaria semanal (em horas)
44 13 76,5
33 3 17,6
22 1 5,9
Hierarquia académica
Instrutor 16 94,1
Assistente 1 5,9
Tipo de carreira
Acadêmica 9 52,9
Profissional 8 47,1
Área de trabalho
Saúde comunitária 5 29,4
Pediatria hospitalar 5 29,4
Hospital Adulto 5 29,4
Saúde Mental 2 11,8
Experiência Prática 17 100%

Para a análise do Processo de Trabalho, seus elementos - objeto, meios/instrumentos e formas de organização e divisão - foram extraídos a partir dos discursos dos sujeitos, os quais se apresentaram a partir da Entrevista Individual.

Em relação ao objeto de trabalho, as frases citadas evidenciam que todos os docentes consideram que seu objeto de trabalho está centralizado no componente biopsíquico dos estudantes que vivenciam o processo de ensino-aprendizagem e transformam o conhecimento. O primeiro tópico que surge em relação ao objeto de trabalho é a Formação dos novos profissionais: o aluno adquire ferramentas que lhe permitem desenvolver habilidades e pontos fortes para o seu desenvolvimento profissional (E13), contribuindo para a formação dos novos profissionais (E3); refere-se diretamente ao enfoque dos professores sobre os alunos como sua matéria-prima, aos quais o trabalho é aplicado, de forma a moldar o novo enfermeiro de acordo com o contexto institucional. De modo semelhante, identifica-se o tópico Realização pessoal em relação à formação: tem a ver com o seu desenvolvimento profissional, porque para poder fazer isso, você também precisa ter alguns exigências próprias como forma de expandir seu próprio desenvolvimento, ou seja, seus níveis de conhecimento e coisas deste tipo (E5); desta forma, ao mesmo tempo que o trabalho transforma um objeto, ele também transforma o homem que o realiza9; os docentes referem-se a uma modificação pessoal sendo desenvolvida nesta área da profissão, além da mudança produzida no aluno.

O segundo elemento refere-se aos recursos utilizados no trabalho docente, que podem ser separados em duas áreas, sendo os primeiros correspondentes à força de trabalho, ou seja, as aptidões do próprio trabalhador em termos de agilidade, competência ou desenvoltura9. Esta pesquisa evidencia o conhecimento e a experiência como enfermeiro no preparo das aulas, tutorias e no treinamento na prática, principalmente em termos de capacitação profissional específica na área da docência. Conhecimento e experiências: por um lado existe a experiência, mas também há a formação teórica que pode ser adquirida, de modo que ambas possam se complementar (E8). Os outros instrumentos referem-se à infraestrutura disponível por parte da instituição, tanto as salas para ministrar as aulas, como os centros de atendimento para realizar as experiências práticas com os estudantes que assim como mostrado na entrevista a seguir, são considerados como adequados. Infraestrutura: há salas onde você pode fazer outras coisas, então eu acho que para as atividades que são realizadas, a infraestrutura é adequada (E4).

Em relação às formas de organização, os docentes as mencionam em seus discursos sob vários aspectos. O trabalho docente em enfermagem é desenvolvido através de uma determinada forma de organização, como a jornada de trabalho que transcorre das oito horas da manhã às cinco horas da tarde nos dias úteis. Jornada de trabalho: tenho uma jornada de trinta e três horas, das oito e meia até as dezessete horas (E15) e durante a jornada de trabalho, os docentes de enfermagem realizam atividades de docência, pesquisa e extensão, sendo a primeira realizada principalmente com alunos de graduação. Da mesma forma, ressalta-se que 100% realizam o acompanhamento da experiência prática, incluindo a diretora da Escola. Distribuição das atividades: eu realizo muitas atividades práticas, chego na aula prática e supervisiono a prática dos estudantes de diferentes níveis, desde aqueles que iniciam seus estágios até os internos. Dentro do setor administrativo muito trabalho também é feito, muito é realizado ... questões relacionadas à organização das disciplinas, equipes de trabalho, atividades, elaboração de instrumentos, desenvolvimento de instrumentos, textos, aulas, além de ter que dar aula em sala também (E4).

Mesmo considerando a forma como o trabalho docente é organizado, o ambiente é uma característica fundamental, propiciando o espaço para desenvolver o trabalho tanto físico como emocional. No presente estudo, o ambiente é considerado como bom para a maioria dos sujeitos. Ambiente de trabalho: é muito bom, acho que o ambiente é bom, que as relações interpessoais são boas, e que, independentemente de pensarmos de forma diferente, ou termos diferenças, sei lá, em termos de idade e de como pensamos, acho que o ambiente é bom, é agradável (E4). Os salários são considerados inadequados em dois aspectos; primeiro, eles não são representativos da carga de trabalho realizada e, segundo, eles são menores em comparação com o mercado de trabalho atual. Remuneração e salário de mercado: o salário aqui é justo, mas acho que deveria ser de acordo com a quantidade de coisas que cada um faz, porque se percebe bem que há boas pessoas que ganham a mesma quantia de dinheiro que as outras, mas fazem muito menos coisas (E2); eu acho que é muito diferente do mercado, se falamos em relação a outras universidades, ou seja, é por isso que de repente as universidades privadas oferecem muito mais a alguns, com salários que são considerados exorbitantes, ou seja, salários de ... você ganha o mesmo para trabalhar a metade das horas, e na realidade você recebe muito mais por uma aula (E5).

Finalmente, o trabalho transcende ao ser humano, é reconhecido como uma ação transformadora da realidade, sendo uma experiência por si própria9, proporcionando um propósito adicional ao docente de enfermagem. Transcendência do trabalho: eu sempre gostei da docência, e pelo fato de gostar, eu sempre busquei o meu trabalho, por haver um propósito, por haver transcendência naquilo que se faz (E14).

Discussão

Características sociodemográficas e trabalhistas

Em relação ao sexo, estudos no Brasil também mostram que a força de trabalho docente em enfermagem é composta principalmente por mulheres, 100%11 e 97,3%13, nos Estados Unidos 78,4%2, Colômbia 91,6%14, China 95,2%15 e em Portugal 66,7%16. Esta composição mostra a inserção histórica das mulheres na sociedade e a herança de Nightingale como uma profissão feminina11, reproduzindo um papel de enfermeira e docente5. Quanto à faixa etária, assim como em um estudo realizado na China, 85%15) têm idade entre 20 e 40 anos; mas ao contrário de outra pesquisa realizada no Brasil, onde a maior parte dos docentes era de adultos de meia idade 66,7%11. Isso demonstra que a força de trabalho da Escola é principalmente jovem o que, em parte, deve-se à reposição do pessoal ocorrida em 2010, quando novos professores foram contratados, mas também à implementação de currículos avaliados com base nas competências em 2013, que resultou em um aumento na quantidade do corpo docente.

Em relação ao estado civil, outros estudos também relatam uma proporção maior de profissionais casados, sendo de 86,3%15 na China, 79%13) e 54,8%11) no Brasil. Esses dados sugerem que os docentes da Universidade em estudo são inseridos mais jovens na área de ensino e, portanto, ainda não se casaram, o que é corroborado pelo fato da maioria dos docentes pertencer a uma faixa etária adulta jovem. Em relação aos filhos, os dados deste estudo assemelham-se a uma pesquisa realizada na Colômbia14, que mostrou que 63,2% dos docentes de enfermagem possuem filhos.

A capacitação assume um valor fundamental no novo modelo de trabalho capitalista, em que se torna necessário a aquisição de novas competências por parte dos docentes. No entanto, esses conhecimentos não se limitam à sua aplicação, pois exigem dos enfermeiros um exercício reflexivo, envolvendo habilidades e aprendizados4,6. Contudo, as enfermeiras reconhecem a necessidade de investir na carreira docente e manter a maternidade como essência social5, o que explicaria porque quatro das docentes entrevistadas não tinham pós-graduação ou estavam inscritas em programas de pós-graduação. É importante enfatizar que alguns enfermeiros que retornam à prática de cuidados em enfermagem mencionam os motivos pelos quais se deve completar um determinado grau acadêmico2. Quanto à formação ao nível de mestrado, os resultados coincidem com um estudo realizado nos Estados Unidos, que mostra que 53,4% dos professores têm mestrado e 10,8% têm doutorado2, em Portugal 45,4% têm mestrado e 18% têm doutorado16 e na China 63,9% têm mestrado15. De modo semelhante, no Brasil 38% têm mestrado, 23,8% doutorado e 4,8% possuem pós-doutorado11.

Quanto aos aspectos trabalhistas, o tempo de permanência na instituição é contrário aos resultados de um estudo realizado na Colômbia, que mostra que 47,3% têm mais de cinco anos de serviço na instituição14. No que se refere ao regime de horário de trabalho, um estudo desenvolvido no Brasil em 2016, pelo Conselho Nacional de Enfermagem (Cofen), refere-se principalmente aos docentes pagos por hora ou em regime parcial, sendo 65,8% com regime integral e, apenas, 11,1% com dedicação exclusiva17. Tais resultados são contraditórios em relação aos do presente estudo, porém, deve ser mencionado que aqui foram entrevistadas apenas as pessoas com jornadas de trabalho semanais de 22 ou mais. Esta situação prejudica a desenvolvimento do ensino e o avanço da pesquisa e extensão realizados pelos docentes de enfermagem.

Quanto ao tipo de contrato, a realidade da Escola estudada é diferente da realidade da Colômbia, que possui 46,3% dos docentes com contrato permanente14 e Portugal, com 76,5% dos professores contratados16; visto que nenhum professor possui esse regime de contratação na Escola de Enfermagem estudada do Chile. Isso é consistente com um corpo docente principalmente jovem e com formação de pós-graduação, como apresentado nos resultados. A insatisfação com a hierarquia acadêmica e a ausência de um contrato definido provocam uma situação de instabilidade nas relações de trabalho, o que pode causar sofrimento por parte dos docentes de enfermagem8, devido à constante preocupação em progredir na carreira acadêmica.

O desenvolvimento do ensino universitário em enfermagem envolve uma multiplicidade de tarefas combinadas com as exigências no desenvolvimento do ensino-aprendizagem5,8,18, como evidenciado neste estudo. Isto é reforçado pelo monitoramento direto da experiência prática de alunos do primeiro ao quinto ano da graduação, que é realizada por 100% dos entrevistados. Reconhece-se que a relação entre os professores e os alunos monitorados aumenta a satisfação no trabalho, apresentando um maior tempo de permanência no trabalho por parte dos enfermeiros da carreira docente2, em comparação com outras áreas de domínio da enfermagem que demonstraram insatisfação profissional19.

Processo de Trabalho

Em relação ao Objeto do Trabalho, o principal significado do trabalho docente em Enfermagem é a contribuição proporcionada na preparação dos estudantes como profissionais de enfermagem, com competências e habilidades para a prática da profissão, sendo também capazes de enfrentar a convivência social e o mercado de trabalho4. Isto é conseguido reconhecendo os alunos como seu objeto de trabalho3,6, bem como a importância de suas ações para a formação dos estudantes18,20. Da mesma forma, os docentes de enfermagem sentem-se responsáveis pela formação e pelo aprendizado dos estudantes8. Em outro estudo, os professores da área da saúde mencionam que a prática docente leva à realização pessoal e profissional, bem como ao bem-estar e à satisfação através do reconhecimento de seu trabalho21, ou seja, o docente de enfermagem sente prazer por causa do trabalho realizado e pelo reconhecimento de seu trabalho por parte dos alunos8. Por outro lado, em um estudo realizado na Colômbia, a falta de realização pessoal é apresentada pela maioria dos professores de enfermagem14.

Quanto aos meios de trabalho, devido às exigências do mercado, os enfermeiros têm que aprimorar suas competências4,6,22, mantendo-se atualizados para responder as dúvidas dos alunos6,18,23. Os docentes consideram importante a troca de experiências e de conhecimentos proporcionados através do relacionamento profissional com os alunos20-22. O professor de enfermagem usa suas próprias experiências e conhecimentos adquiridos para aprimorar suas competências como professor4, e os docentes da área de saúde também se referem à produção de conhecimento6,20, que deve ser legitimado através de publicações5. Da mesma forma, em um estudo no Chile, os alunos reconhecem o conhecimento como a principal virtude do “Bom Professor Universitário” de enfermagem6. Em um estudo brasileiro11, 56,7% dos docentes mencionam que as condições físicas em seu trabalho são adequadas, mas quando eles não cumprem os requisitos para o desenvolvimento do ensino, a estrutura da instituição também passa a se enquadrar dentre os elementos geradores de sofrimento8.

Quanto à Organização do Trabalho, a maioria dos docentes também realiza várias atividades de ensino ao nível de graduação e pós-graduação, além de dedicar muitas horas à reuniões, produção científica, apresentação em eventos e produção docente através de publicações indexadas5. Uma atmosfera agradável no local de trabalho envolve o bem-estar dos trabalhadores, proporcionando-lhes prazer pelo trabalho realizado8,19. Em outras realidades, o ambiente de trabalho também é considerado como um fator muito importante para o desenvolvimento do processo de trabalho do professor da área da saúde e, embora haja obstáculos na vida dos docentes brasileiros, eles concordam que um ambiente que promove a qualidade de vida e a qualidade de vida no trabalho também é importante em muitas áreas11. Do mesmo modo, os docentes de enfermagem também relatam que as diferentes atividades do seu trabalho podem não ser consideradas como promotoras da saúde2,21. Em um estudo, eles mencionam que o ambiente de ensino tem afetado negativamente sua qualidade de vida21.

Em relação ao salário, os professores universitários de enfermagem identificam um desgaste devido aos baixos salários e às condições de trabalho insatisfatórias2,8, diferentemente do observado neste estudo15. De modo semelhante, em uma pesquisa realizada na cidade de Medelim, a maioria dos docentes não concorda com seu salário14. Os salários são considerados como um dos elementos para a satisfação no trabalho, assim como em outras áreas de desenvolvimento da enfermagem2. Essa instabilidade mencionada em relação às cargas horárias de trabalho, pode causar sofrimento por parte dos docentes de enfermagem8. Em contrapartida, a maioria dos docentes está satisfeita com sua remuneração e diz que existe um equilíbrio entre os salários assim como relatado em um estudo brasileiro11. Contudo, há uma disparidade entre os salários das instituições públicas e privadas, considerando a mesma carga horária de trabalho proposta13. Isto requer que os profissionais tenham dois ou mais empregos para obter uma renda socialmente necessária, o que também é mencionado neste estudo.

No contexto histórico e social do trabalho, a inserção social dos indivíduos no mercado de trabalho9 impacta diretamente na formação de sua identidade, trazendo sentimentos de satisfação, realização, reconhecimento e utilidade social para as pessoas8, transcendendo o consumismo e a aquisição de bens materiais. O presente estudo evidencia como o processo de trabalho em enfermagem é apresentado do ponto de vista da epidemiologia crítica, demonstrando o caráter dialético vivenciado pelos docentes. Por um lado, há um salário deficiente e a sobrecarga de trabalho e, em contrapartida, existe a realização pessoal e a ocorrência de uma transcendência que vai muito além do próprio trabalho em si, representando uma contribuição para o desenvolvimento pessoal.

A principal limitação deste estudo é fato dele ter sido realizado somente no contexto da universidade pública. Entretanto, a inclusão de universidades privadas nas pesquisas futuras poderia ser considerada como forma de complementar o estudo atual.

Conclusões

O cenário de desenvolvimento do processo de trabalho é complexo, porque a formação em enfermagem requer um ambiente específico e, além da relação profissional docente-estudante, ainda há o paciente. O docente de enfermagem desenvolve o processo de ensino na sua totalidade, aplicando-o aos alunos e também à pessoa, família e comunidade.

O desenvolvimento do presente estudo permitiu analisar o processo de trabalho referido pelos docentes de enfermagem em uma universidade pública, atingindo o objetivo geral proposto.

O trabalho desenvolvido possibilitou, primeiramente, a caracterização sociodemográfica dos docentes de enfermagem e conclui-se que os docentes de enfermagem da universidade pública estudada são principalmente mulheres de idade adulta média.

No que diz respeito ao Processo de Trabalho, os docentes de enfermagem concentram-se principalmente, na formação dos estudantes; as condições estruturais são adequadas para ministrar as aulas; a maior parte apresenta jornada de trabalho semanal completa (44 horas); o ambiente de trabalho é considerado bom. Entanto, eles relataram baixos salários e carga de trabalho elevada, de modo que eles têm que transferir tempo de sua vida pessoal para o trabalho.

Em conclusão, o Processo de Trabalho sob a perspectiva da epidemiologia crítica, permite descrever detalhadamente os diferentes componentes do trabalho dos docentes de enfermagem, além de mostrar a dialética presente no desempenho da enfermagem na área da educação.

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1Artigo extraído da tese de doutorado “Qualidade de vida: percepção de enfermeiros docentes”, apresentada à Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

Recebido: 18 de Novembro de 2016; Aceito: 05 de Agosto de 2017

Correspondência: Denisse Parra Giordano Universidad de Chile Departamento de Enfermería Rua Independencia, 1027 CEP: 1025000, Santiago, Stgo, Chile E-mail: denisseparrag@gmail.com

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