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Revista Latino-Americana de Enfermagem

versão On-line ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.26  Ribeirão Preto  2018  Epub 25-Out-2018

http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.2684.3066 

Artigos Originais

Prevalência de hipertensão arterial e fatores de risco entre pessoas com síndrome da imunodeficiência adquirida*

Gilmara Holanda da Cunha1 
http://orcid.org/0000-0002-5425-1599

Maria Amanda Correia Lima1 

Marli Teresinha Gimeniz Galvão1 

Francisco Vagnaldo Fechine2 

Marina Soares Monteiro Fontenele1 

Larissa Rodrigues Siqueira1 

1Universidade Federal do Ceará, Departamento de Enfermagem, Fortaleza, CE, Brasil.

2Universidade Federal do Ceará, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos, Fortaleza, CE, Brasil.

RESUMO

Objetivos:

verificar a prevalência de hipertensão arterial e seus fatores de risco entre pessoas com síndrome da imunodeficiência adquirida em terapia antirretroviral.

Método:

estudo transversal, com amostra de 208 pacientes. Coleta de dados realizada por meio de entrevista, com formulário envolvendo dados sociodemográficos, clínicos, epidemiológicos, fatores de risco para hipertensão, verificação da pressão arterial, peso, altura, índice de massa corporal e circunferência abdominal. Foram calculadas média, desvio padrão, odds ratio e intervalo de confiança e utilizados testet e teste do qui-quadrado, considerando-se estatisticamente significante P < 0,05. Variáveis associadas à hipertensão foram selecionadas para regressão logística.

Resultados:

destacaram-se pacientes do sexo masculino (70,7%), cor parda (68,2%), escolaridade entre nove e 12 anos de estudo (46,6%), sem filhos (47,6%), solteiros (44,2%), categoria de exposição sexual (72,1%) e heterossexuais (60,6%). A prevalência de pessoas com síndrome da imunodeficiência adquirida e hipertensão foi de 17,3%. Regressão logística confirmou influência da idade maior que 45 anos, história familiar de hipertensão, sobrepeso e terapia antirretroviral acima de 36 meses para ocorrer hipertensão.

Conclusão:

a prevalência de hipertensão foi de 17,3%. Pacientes com síndrome da imunodeficiência adquirida e hipertensão tinham mais de 45 anos, história familiar de hipertensão, sobrepeso e terapia antirretroviral por mais de 36 meses.

Descritores: Síndrome de Imunodeficiência Adquirida; HIV; Hipertensão; Enfermagem; Promoção da Saúde; Terapia Antirretroviral de Alta Atividade

Introdução

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (aids) representa um dos maiores problemas de saúde da atualidade, em função de seu caráter pandêmico e gravidade, sendo um desafio pela ausência de um tratamento efetivo que conduza à cura, além das barreiras socioeconômicas que interferem na adesão ao regime terapêutico1. A Terapia Antirretroviral (TARV) é o único tratamento disponível que proporciona o aumento da sobrevida e diminui a mortalidade, dando à doença característica crônica. Assim, o foco do cuidado tem se afastado da própria doença e das infecções oportunistas relacionadas à imunodeficiência, transferindo-se para problemas a longo prazo, ocasionados pelo efeito do próprio Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e da TARV, que inclui as toxicidades, as interações medicamentosas ou a resistência a esses fármacos2.

Além disso, tem se observado aumento da frequência de doenças cardiovasculares em pessoas com aids, sobretudo hipertensão, que é caracterizada por pressão arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg e pressão arterial diastólica maior ou igual a 90 mmHg3-4. Porém, não se sabe se isso está relacionado ao aumento da sobrevida dos pacientes, que chegam ao envelhecimento; se tem relação com a própria infecção pelo HIV; se pode ser atribuído à TARV, em decorrência dos eventos adversos dos fármacos; ou ainda, se todos esses fatores contribuem sinergicamente para a ocorrência de doenças cardiovasculares2-5).

Constata-se também que muitas pessoas com aids possuem estilos de vida pouco saudáveis quanto a alimentação, realização de exercício físico, consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo, além dos fatores de risco tradicionais para hipertensão,que incluem idade avançada, sexo masculino, ascendência africana, maior Índice de Massa Corporal (IMC) e colesterol elevado3,6. Assim, os esforços para reduzir o risco cardiovascular em pacientes que utilizam TARV devem ter como foco a prevenção e o controle da hipertensão, pois esse é um fator precursor comum, conhecido e modificável3-4.

Os dados de prevalência da hipertensão entre pessoas com aids são variáveis. Embora Alguns autores relatem prevalências maiores de hipertensos nesse grupo7-8, quando comparados a indivíduos sem a infecção, outros estudos apresentam prevalência similar de hipertensão entre homens e mulheres com aids e indivíduos sem a infecção pelo HIV9-10.

Há justificativas para um estudo sobre os fatores de risco para hipertensão e sua prevalência entre pacientes com aids. A primeira delas é que a prevenção de doenças cardiovasculares é importante para esses pacientes, devido à predisposição, pela própria infecção pelo HIV, utilização da TARV e envelhecimento pelo aumento da sobrevida4,11. Além disso, detecção, tratamento e controle da hipertensão são fundamentais para reduzir doenças cardiovasculares, visto que essas doenças aumentam o número de internações e geram custos médicos e socioeconômicos elevados12.

Esforços dos profissionais de saúde, sociedade científica e agências governamentais são fundamentais para tratar e controlara hipertensão. Estudos dessa natureza são importantes para que os profissionais de saúde possam realizar medidas preventivas e de tratamento de doenças cardiovasculares, pois as práticas de promoção da saúde são de grande relevância para esses pacientes, os quais necessitam de cuidados especializados para manutenção da qualidade de vida.

Nesse contexto, há necessidade de uma abordagem interdisciplinar no acompanhamento das pessoas vivendo com HIV/aids, sobretudo, devido às mudanças no estilo de vida e acompanhamento frequente. Entre os profissionais de saúde, o enfermeiro tem papel estratégico e prestam assistência às pessoas com aids em diferentes áreas de saúde. O enfermeiro precisa compreender o distúrbio, aperfeiçoar condutas rotineiras, adotar medidas de precaução, para evitar a exposição acidental ao HIV, e adquirir conhecimento do tratamento clínico em seus diversos aspectos13.

Nessa perspectiva, considerando o aumento da sobrevida das pessoas com aids pela implementação da TARV, as conhecidas ações do HIV sobre o organismo, os eventos adversos da TARV e o aumento das doenças cardiovasculares nesses indivíduos, apontado pelos estudos citados, sendo a hipertensão um de seus principais precursores, este estudo teve por objetivo geral verificar a prevalência de hipertensão arterial e seus fatores de risco entre pessoas com aids em terapia antirretroviral. Esta pesquisa pode direcionar as práticas em saúde de enfermeiros e outros profissionais que cuidam desses pacientes.

Método

Trata-se de um estudo transversal, descritivo e quantitativo, desenvolvido no ambulatório de infectologia do Hospital Universitário Walter Cantídio, da Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza, Ceará, Brasil, entre agosto de 2015 e agosto de 2017. A população do estudo foi constituída pelos pacientes com aids acompanhados no ambulatório.

Uma amostra foi dimensionada para estimar a prevalência de pacientes com aids atendidos no ambulatório e que possuíam hipertensão e seus fatores de risco, com 95% de confiança de que o erro da estimação não ultrapasse 5%, considerando que tal prevalência é desconhecida na população, sendo estipulada em 50% (prevalência presumida), pois proporciona o maior tamanho de amostra, e que havia 450 pacientes em uso de TARV acompanhados na época do estudo. Para tanto, aplicou-se a expressão: n = z2×p× (1 -p) ×N/ ε2× (N- 1) + z2×p× (1 -p). Nesta fórmula, z2 é igual ao valor da estatística z (1,96) para o grau de confiança adotado (95%) e p, N e ε correspondem, respectivamente, à prevalência presumida (0,50), à população (450) e ao erro tolerável (0,05). Assim, foi calculada uma amostra de 208 pacientes.

Os critérios de inclusão foram pessoas com aids de ambos os sexos, de idade igual ou superior a 18 anos, em uso de TARV por pelo menos três meses e que estivessem em acompanhamento ambulatorial. Os critérios de exclusão foram gestação, doença mental, pessoas privadas de liberdade, moradores de abrigos coletivos ou qualquer outra condição capaz de interferir na participação do indivíduo na pesquisa.

Para realizar o processo de amostragem, foi adotada a estratégia do tipo não probabilística por conveniência. Os pacientes foram convidados a participar do estudo no momento em que compareceram às consultas de rotina no ambulatório. Os que aceitaram participar da pesquisa assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), e foram submetidos a uma entrevista com duração média de 40 minutos, em ambiente privativo.

Foi utilizado um formulário contendo duas partes: I. variáveis sociodemográficas, epidemiológicas e clínicas (idade, sexo, cor da pele, escolaridade, estado civil, número de filhos, religião, situação ocupacional, renda mensal familiar, categoria de exposição, orientação sexual, presença de lipodistrofia, fármacos antirretrovirais utilizados, contagem de linfócitos T CD4+, carga viral, tempo de infecção, tempo de uso da TARV); II. variáveis relacionadas à hipertensão arterial e seus fatores de risco (consumo de sal, uso de saleiro na mesa, uso de bebida alcoólica, hábito tabagista, prática de exercício físico, antecedentes pessoais e familiares de hipertensão, consumo diário de frutas, verduras, frituras e alimentos gordurosos, diagnóstico de hipertensão e fármacos anti-hipertensivos utilizados), medida da pressão arterial (normal: ≤ 120/80 mmHg; hipertensão: ≥ 140/90 mmHg), peso, altura, índice de massa corporal (normal: < 25 kg/m2; sobrepeso: ≥ 25 kg/m2; obesidade: ≥ 30 kg/m2) e circunferência abdominal (normalidade em homens e mulheres, respectivamente, < 94 e < 80 cm).

A parte I do formulário já havia sido validada em estudos prévios14-15, acrescentando-se a ela os dados relativos à hipertensão e seus fatores de risco. Antes da coleta de dados, o formulário completo foi aplicado a 20 pacientes com aids que não compuseram a amostra. Os pesquisadores deste estudo foram treinados quanto à aplicação do formulário, em relação aos dados subjetivos e objetivos, utilizando procedimentos operacionais padrão para aferir pressão arterial, peso, altura, IMC e circunferência abdominal e para definir os parâmetros de normalidade dos achados16.

Na análise estatística foram calculadas a média e o desvio padrão. Para comparações entre hipertensos e normotensos foi utilizado o teste t para variáveis não emparelhadas. Foi considerado estatisticamente significante um valor P < 0,05. Foram determinadas as frequências absoluta e relativa. A associação dos fatores sociodemográficos e clínicos e a ocorrência de hipertensão, que é o desfecho primário, foi avaliada pelo teste de qui-quadrado, sendo considerado estatisticamente significante um valor P < 0,05. A força de tal associação também foi avaliada pela determinação da razão de chances (odds ratio) bruta e seu intervalo de confiança de 95%. As variáveis explanatórias associadas à hipertensão ao nível de significância de 20% (P < 0,2) foram selecionadas para integrar o modelo de regressão logística, identificando aquelas que, de forma independente, constituíssem fatores associados à hipertensão. Para tanto, utilizou-se o método passa a passo (stepwise) para trás (backward), sendo o critério para remover variáveis do modelo, definido pelo teste de Wald. Tal análise possibilitou determinar a razão de chances ajustada, a precisão (intervalo de confiança de 95%) e a significância (teste de Wald) da estimativa. Utilizou-se o software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 20.0 para os procedimentos estatísticos.

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFC em 12 de março de 2015, sob parecer nº 983.195. Todos os participantes assinaram o TCLE. O sigilo da identificação dos participantes foi mantido e os dados da pesquisa, utilizados somente com fins científicos. Neste estudo também foram observadas as diretrizes de Estudo Observacional em Epidemiologia.

Resultados

Das 208 pessoas com aids avaliadas, a maior parte era do sexo masculino (70,7%), cor autorreferida parda (68,2%), escolaridade de nove a 12 anos de estudo (46,6%), sem filhos (47,6%), solteiros (44,2%) ou casados (41,1%). A maioria referiu ser católico (66,4%), estava empregada no momento do estudo (55,3%) e possuía renda mensal familiar maior que três salários mínimos (26,4%). A maioria era da categoria de exposição sexual (72,1%), heterossexuais (60,6%) e 88 tinham lipodistrofia (42,3%). Dados mostrados na Tabela 1.

Tabela 1 Caracterização sociodemográfica e epidemiológica das pessoas com síndrome da imunodeficiência adquirida (n = 208). Fortaleza, Ceará, Brasil, 2015-2017 

Variáveis sociodemográficas e epidemiológicas N %
Sexo
Masculino 147 70,7
Feminino 61 29,3
Cor da pele
Branca 48 23,1
Preta 18 8,7
Parda 142 68,2
Escolaridade (em anos de estudo)
≤ 8 anos (analfabeto a fundamental incompleto) 60 28,9
9 - 12 anos (fundamental completo a ensino médio) 97 46,6
≥ 13 anos (ensino superior) 51 24,5
Estado civil
Solteiro 92 44,2
Casado 86 41,4
Divorciado/separado/viúvo 30 14,4
Número de filhos
Nenhum 99 47,6
1 - 2 67 32,2
≥ 3 42 20,2
Religião
Católica 138 66,4
Evangélica 36 17,3
Outras (sem religião, espírita, umbanda) 34 16,3
Situação ocupacional
Empregado 115 55,3
Desempregado 54 25,9
Aposentado/afastado 39 18,8
Renda mensal familiar em número de salários mínimos*
< 1 47 22,6
1 - 2 70 33,7
2 - 3 36 17,3
> 3 55 26,4
Categoria de exposição
Sexual 150 72,1%
Sanguínea/transfusão 6 2,9%
Acidente perfurocortante 1 0,5%
Desconhecida 51 24,5%
Orientação sexual
Heterossexual 126 60,6%
Homossexual 64 30,8%
Bissexual 18 8,6%
Lipodistrofia
Sim 88 42,3%
Não 120 57,7%

* Salário mínimo vigente no Brasil no período de estudo - 2015: R$ 788,00; 2016: R$ 880,00; 2017: R$ 937,00

Dentre os fármacos antirretrovirais utilizados teve-se: lamivudina (195; 94%), tenofovir (125; 60,1%), efavirenz (116; 55,8%), zidovudina (93; 44,7%), atazanavir (42; 20,2%), lopinavir (27; 13%), nevirapina (11; 5,3%) e raltegravir (6; 2,9%). Em relação aos valores dos exames laboratoriais relacionados ao HIV, considerando os 208 pacientes, teve-se: linfócitos T CD4+ (células/mm3) (média ± desvio padrão: 599.144 ± 377.960; valor mínimo: 29; valor máximo: 3.179) e carga viral (cópias/ml) (média ± desvio padrão: 18.027.086 ± 104.133.463; valor mínimo: 0; valor máximo: 1.058.662).

A maioria das pessoas com aids referiu consumo moderado de sal (56,7%) e 26 pacientes (12,5%) utilizavam saleiro na mesa durante as refeições. Em relação à alimentação, a maioria referiu que consumia diariamente frutas (92,3%), verduras (91,3%), frituras e alimentos gordurosos (78,8%). Quantidade considerável de pacientes utilizava bebida alcoólica (40,4%), 54 (26%) pararam de fumar e 19,7% eram fumantes. A maioria não praticava exercícios físicos (61,5%), 141 (67,8%) possuíam antecedentes familiares de hipertensão, e o principal antecedente pessoal foi diabetes (6,7%) (Tabela 2).

Tabela 2 Fatores de risco para hipertensão apresentados pelas pessoas com síndrome da imunodeficiência adquirida (n = 208). Fortaleza, Ceará, Brasil, 2015-2017 

Fatores de risco para hipertensão arterial N %
Consumo de sal
Alto 28 13,5
Moderado 118 56,7
Baixo 62 29,8
Uso de saleiro na mesa
Sim 26 12,5
Não 182 87,5
Uso de bebida alcoólica
Sim 84 40,4
Não 124 59,6
Hábito tabagista
Nunca fumou 113 54,3
Parou de fumar 54 26,0
Fumante 41 19,7
Realização de exercício físico
Sim 80 38,5
Não 128 61,5
Antecedentes familiares de hipertensão
Sim 141 67,8
Não 67 32,2
Antecedentes pessoais
Diabetes 14 6,7
Acidente vascular encefálico 5 2,4
Infarto do miocárdio 4 1,9
Angina 1 0,5
Consumo diário de frutas
Sim 192 92,3
Não 16 7,7
Consumo diário de verduras
Sim 190 91,3
Não 18 8,7
Consumo diário de frituras e alimentos gordurosos
Sim 164 78,8
Não 44 21,2

Na amostra de 208 pacientes, 36 tinham hipertensão, sendo a prevalência de 17,3% (intervalo de confiança de 95%: 12,1 - 22,4%). Os fármacos anti-hipertensivos utilizados foram: losartana (18; 50%), hidroclorotiazida (11; 30,6%), enalapril (8; 22,2%), propranolol (4; 11,1%), atenolol (4; 11,1%), anlodipino (3; 8,3%), captopril (2; 5,6%), carvedilol (1; 2,8%), clortalidona (1; 2,8%), furosemida (1; 2,8%) e metoprolol (1; 2,8%). A associação entre o sexo e hipertensão foi avaliada pelo teste de qui-quadrado. O teste t para dados não emparelhados foi usado para comparar os dois estratos em relação às demais variáveis. Constatou-se que as pessoas com aids e com hipertensão possuíam maior média de idade (P < 0,001), maior circunferência abdominal (P < 0,001), maior tempo de infecção (P = 0,005) e maior tempo de uso da TARV (P = 0,002) (Tabela 3).

Tabela 3 Características sociodemográficas e clínicas de pessoas com síndrome da imunodeficiência adquirida estratificadas conforme a presença de hipertensão (n = 208). Fortaleza, Ceará, Brasil, 2015-2017 

Características Hipertensão arterial sistêmica Significância
Presente Ausente
Idade (anos, média ± DP*) 48,8 ± 12,0 39,7 ± 10,6 P < 0,001
Sexo, n (%)
Masculino 27 (75,0%) 120 (69,7%) P = 0,531
Feminino 9 (25,0%) 52 (30,2%)
Índice de massa corporal (kg/m2‡, média ± DP*) 27,0 ± 4,3 25,4 ± 6,9 P = 0,193
Circunferência abdominal (cm§, média ± DP*) 96,2 ± 9,9 88,2 ± 11,2 P < 0,001
Tempo de infecção por HIV (anos, média ± DP*) 8,6 ± 4,0 6,3 ± 4,5 P = 0,005
Tempo de TARV|| (meses, média ± DP*) 92,7 ± 44,6 62,6 ± 54,0 P = 0,002
Contagem de linfócitos T CD4+ (células/mm, média ± DP*) 612,4 ± 281,6 596,3 ± 395,8 P = 0,817

*DP: desvio padrão; †kg: quilograma; ‡m2: metro quadrado; §cm: centímetro; ||TARV: terapia antirretroviral; ¶mm3: milímetros cúbicos

A associação entre os fatores de risco para hipertensão e a ocorrência de hipertensão foi avaliada pelo teste de qui-quadrado, e pela determinação da razão de chances e seu respectivo intervalo de confiança, de 95% (IC 95%). A Tabela 4 mostra os dados expressos como número de casos (n) e percentual (%). Observou-se que pessoas com aids tiveram mais chances de apresentar hipertensão quando a idade foi maior que 45 anos (P = 0,003), possuíam história familiar de hipertensão (P = 0,003), sobrepeso (P = 0,024), circunferência abdominal aumentada (P = 0,013) e tempo de uso da TARV maior que 36 meses (P < 0,001) (Tabela 4).

Tabela 4 Fatores associados à hipertensão em pessoas com síndrome da imunodeficiência adquirida em uso de terapia antirretroviral segundo presença (n = 36) ou ausência (n = 172) de hipertensão. Fortaleza, Ceará, Brasil, 2015-2017 

Fatores de risco para hipertensão Hipertensão RC* IC 95% Significância (Teste de qui-quadrado)
Presente Ausente
n % n %
Idade
> 45 anos 20 55,5 51 29,6 2,97 1,42 - 6,18 P = 0,003
≤ 45 anos 16 44,4 121 70,3 1
Sexo
Masculino 27 75,0 120 69,7 1,30 0,57 - 2,96 P = 0,531
Feminino 9 25,0 52 30,2 1
História familiar de hipertensão
Sim 32 88,8 110 63,9 4,51 1,52 - 13,34 P = 0,003
Não 4 11,1 62 36,0 1
Tabagismo
Sim 12 33,3 83 48,2 0,54 0,25 - 1,14 P = 0,102
Não 24 66,6 89 51,7 1
Consumo de álcool
Sim 15 41,6 69 40,1 1,07 0,51 - 2,21 P = 0,863
Não 21 58,3 103 59,8 1
Atividade física
Sim 13 36,1 67 38,9 0,89 0,42 - 1,87 P = 0,750
Não 23 63,8 105 61,0 1
Sobrepeso (IMC ≥ 25)
Sim 24 66,6 79 45,9 2,35 1,11 - 5,01 P = 0,024
Não 12 33,3 93 54,0 1
Obesidade (IMC ≥ 30)
Sim 8 22,2 22 12,7 1,95 0,79 - 4,81 P = 0,143
Não 28 77,7 150 87,2 1
Circunferência abdominal
Aumentada 14 38,8 34 19,7 2,58 1,20 - 5,57 P = 0,013
Normal 22 61,1 138 80,2 1
Contagem de linfócitos T CD4+
< 350 células/mm 7 19,4 41 23,8 0,77 0,31 - 1,89 P = 0,569
≥ 350 células/mm 29 80,5 131 76,1 1
Tempo de diagnóstico da infecção por HIV||
> 3 anos 34 94,4 142 82,5 3,59 0,82 - 15,77 P = 0,072
≤ 3 anos 2 5,5 30 17,4 1
Tempo de terapia antirretroviral
> 36 meses 31 86,1 91 52,9 5,52 2,05 - 14,86 P < 0,001
≤ 36 meses 5 13,8 81 47,0 1

*RC: razão de chances; †IC: intervalo de confiança; ‡IMC: índice de massa corporal; §mm3: milímetros cúbicos; ||HIV: vírus da imunodeficiência humana

A análise de regressão logística foi usada para determinar a razão de chances ajustada, assim como a precisão (intervalo de confiança de 95%) e a significância (teste de Wald) da estimativa. As variáveis que integraram o modelo de regressão logística (P < 0,2) foram: idade, história familiar de hipertensão, tabagismo, sobrepeso, obesidade, circunferência abdominal, tempo de diagnóstico de HIV e tempo de TARV. Os resultados das análises mostraram que na amostra considerada, o risco de hipertensão aumentou de acordo com a idade maior que 45 anos (P = 0,01), história familiar de hipertensão (P = 0,005), sobrepeso (P=0,019) e tempo de uso da TARV (P = 0,002). (Tabela 5).

Tabela 5 Determinação dos fatores associados à hipertensão em pessoas com síndrome da imunodeficiência adquirida em uso de terapia antirretroviral, após controle das possíveis variáveis de confusão (n = 36). Fortaleza, Ceará, Brasil, 2015-2017 

Fator Razão de chances bruta Razão de chances ajustada IC* 95% Significância (Teste de Wald)
Idade
> 45 anos 2,97 2,95 1,30 - 6,70 P = 0,010
≤ 45 anos 1 1
História familiar de hipertensão
Sim 4,51 5,12 1,64 - 15,98 P = 0,005
Não 1 1
Sobrepeso (IMC ≥ 25)
Sim 2,35 2,74 1,18 - 6,36 P = 0,019
Não 1 1
Tempo de terapia antirretroviral
> 36 meses 5,52 4,99 1,77 - 14,05 P = 0,002
≤ 36 meses 1 1

*IC: intervalo de confiança; †IMC: índice de massa corporal

Discussão

A maior parte da amostra deste estudo foi de homens, concordando com outras pesquisas, as quais demonstram que o HIV continua acometendo mais os homens do que as mulheres17-18. Destacaram-se as pessoas de cor da pele mais escura, e quanto a esse aspecto, estudo realizado nos Estados Unidos também apontou que o número absoluto de caucasianos com diagnóstico de aids é muito menor em comparação com os afro-americanos, no entanto, há tendência de aumento no número de pessoas com aids entre indivíduos brancos, quando comparado com os afro-americanos19.

A escolaridade dos pacientes era relativamente alta, semelhante ao encontrado em outras pesquisas20-21. As pessoas com maior nível de escolaridade podem ter mais acesso às informações pertinentes à saúde, apresentando uma percepção mais ampla sobre os fatores de risco cardiovasculares e a necessidade de manter um estilo de vida saudável22. Os solteiros foram a maioria dos pacientes e, diante disso, estudo mostrou que os solteiros têm maior probabilidade de terem múltiplos parceiros, tornando-se mais vulneráveis ao HIV23. Porém, vale ressaltar o aumento do número de casos de infecção pelo HIV entre pessoas em relacionamentos estáveis, o que decorre da falta de negociação quanto ao uso do preservativo, principalmente, por parte do sexo feminino24.

Destacaram-se as pessoas que não tinham filhos. Sobre esse aspecto, pesquisa mostra que a demanda de cuidados com os inúmeros filhos, principalmente se forem crianças, pode causar problemas na rotina de tratamento, devido às necessidades concorrentes exigidas pela rotina dos filhos25. Sobre a religião, a maioria das pessoas com aids afirmou ser católica. Independentemente da crença, estudo observou que para pessoas com aids, a religião ajuda na adesão à TARV e no enfrentamento da doença, mas ressalta-se que equívocos podem acontecer, de forma que alguns pacientes passam a atribuir à religião, o tratamento e a cura da aids, não aderindo adequadamente à TARV e às demais orientações de saúde26.

A maior parte dos pacientes estava empregada na época do estudo. Ter um emprego fixo pode ajudar as pessoas com aids a substituírem a identidade de paciente, pois os que trabalham relatam melhora significativa na qualidade de vida, em comparação com os pacientes que não possuem emprego, embora, geralmente, a principal causa da cessação de trabalho seja o estigma decorrente da doença27. Destacaram-se a categoria de exposição sexual e os heterossexuais, contrapondo-se aos primórdios da epidemia, em que os mais acometidos foram os homossexuais, usuários de drogas injetáveis e as pessoas que faziam transfusão sanguínea1. Quantidade considerável de pacientes tinha lipodistrofia, diante disso, pesquisa mostra que a adesão à TARV tende a diminuir ao longo do tempo, após o diagnóstico de lipodistrofia28.

Os fármacos antirretrovirais mais utilizados foram lamivudina, tenofovir, efavirenz e zidovudina. Sobre isso, os inibidores de transcriptase reversa análogos de nucleosídeos, como lamivudina, zidovudina e tenofovir, podem causar toxicidade mitocondrial e hepática, lipoatrofia, anemia, miopatia, neuropatia periférica e pancreatite. Já os inibidores de transcriptase reversa não-análogos de nucleosídeos, como o efavirenz, podem elevar as enzimas hepáticas, causar dislipidemia, exantema e síndrome de Stevens-Johnson29.

Quanto aos fatores de risco para a hipertensão, teve-se que a maioria das pessoas com aids apresentava consumo moderado de sal e alguns utilizavam saleiro na mesa durante as refeições. O baixo consumo de sal e a não utilização de saleiro na mesa são estratégias de prevenção da hipertensão que devem ser adotadas por todas as pessoas30. Muitos pacientes consumiam frituras e alimentos gordurosos, o que pode levar à obesidade e a doenças cardiovasculares31. Alguns utilizavam bebida alcoólica e fumavam, o que também está relacionado com o desenvolvimento de doenças cardiovasculares32-33. A maioria não praticava exercício físico e possuía antecedentes familiares de hipertensão arterial, destacando-se o diabetes mellitus.

A prevalência de hipertensão entre pessoas com aids neste estudo foi de 17,3%. Mas os dados de prevalência de hipertensão entre esses pacientes são variáveis. Uma pesquisa obteve prevalência de 19,3% de pessoas com aids hipertensas antes de iniciar a TARV, mas após 12 meses do início da TARV, 31% dos pacientes já estavam hipertensos34. Já em outro estudo, essa prevalência estava entre 4,7% e 54,4% em países de alta renda e entre 8,7% e 45,9% em países de renda média6. Em outra pesquisa, a prevalência de hipertensão foi de 38% em pessoas com aids que utilizam a TARV, enquanto nos que não utilizam, foi de 19%4.

Neste estudo, os fármacos anti-hipertensivos mais utilizados pelas pessoas com aids foram losartana, hidroclorotiazida e enalapril. Constatou-se que as pessoas que tinham aids e hipertensão possuíam maior média de idade, maior circunferência abdominal, maior tempo de infecção pelo HIV e maior tempo de uso da TARV.

Os pacientes com aids tiveram mais chances de apresentar hipertensão quando a idade foi maior que 45 anos, possuíam história familiar de hipertensão, sobrepeso, circunferência abdominal aumentada e tempo de uso da TARV superior a 36 meses. A análise de regressão logística mostrou que o risco de hipertensão aumentava de acordo com idade, maior que 45 anos, história familiar de hipertensão, sobrepeso e tempo de uso da TARV.

Estima-se que a incidência de doenças cardiovasculares em pessoas com aids aumenta devido ao perfil de fatores de risco elevados e ao aumento da sobrevida desses pacientes. Por isso, a estimativa do risco cardiovascular e o manejo desses fatores de risco, entre indivíduos com aids, devem fazer parte da abordagem do tratamento de forma regular35.

Considerando as limitações do estudo, uma delas foi não verificar pontualmente quais tipos de fármacos antirretrovirais estavam mais associados à hipertensão, isso porque todos os pacientes com aids utilizavam uma combinação de antirretrovirais de classes distintas. Outro aspecto relevante seria a inclusão de um grupo controle de pacientes que tivessem aids, mas que não fizessem uso de TARV. Isso também não foi possível devido às recentes diretrizes de tratamento das pessoas com aids, as quais preconizam o uso da TARV o quanto antes após o diagnóstico da sorologia anti-HIV positiva, como medida para diminuir a morbidade e mortalidade entre esses pacientes.

Conclusão

Conclui-se que a prevalência de pessoas com aids e hipertensão arterial foi de 17,3%. Na amostra considerada, os pacientes com aids e hipertensão tinham idade maior que 45 anos, história familiar de hipertensão arterial, sobrepeso (IMC ≥ 25), circunferência abdominal aumentada e uso de TARV por mais de 36 meses. Para finalizar, a análise de regressão logística confirmou a influência da idade maior que 45 anos, história familiar de hipertensão, sobrepeso (IMC ≥ 25) e uso de TARV por mais de 36 meses no processo de adoecimento por hipertensão dos pacientes com aids avaliados nesta pesquisa.

Ressaltamos a importância deste estudo, visto que a TARV reduziu a morbidade e mortalidade das pessoas com aids, proporcionando maior sobrevida. Portanto, a análise de doenças que acometem a população em geral é importante entre as pessoas com aids, com o intuito de que esses indivíduos tenham melhor qualidade de vida.

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*Artigo extraído da dissertação de mestrado “Prevalência de hipertensão arterial e seus fatores de risco entre pessoas com HIV/aids em uso de terapia antirretroviral”, apresentada à Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, Brasil.

Recebido: 23 de Fevereiro de 2018; Aceito: 14 de Agosto de 2018

Autor correspondente: Gilmara Holanda da Cunha E-mail: gilmaraholandaufc@yahoo.com.br

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