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Revista Latino-Americana de Enfermagem

On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.27  Ribeirão Preto  2019  Epub Apr 29, 2019

https://doi.org/10.1590/1518-8345.2869-3137 

Artigo Original

Características clínicas da Insuficiência Cardíaca associadas à dependência funcional admissional em idosos hospitalizados *

Sara de Oliveira Xavier1 
http://orcid.org/0000-0002-4362-6770

Renata Eloah de Lucena Ferretti-Rebustini1 
http://orcid.org/0000-0002-6159-5787

1 Universidade de São Paulo Escola de Enfermagem São Paulo, SP, Brasil .


RESUMO

Objetivo

identificar quais características clínicas da insuficiência cardíaca estão associadas à maior chance de dependência funcional admissional para as atividades básicas de vida diária em idosos hospitalizados.

Método

estudo transversal realizado com idosos hospitalizados. As características clínicas da insuficiência cardíaca foram avaliadas por meio do autorrelato, prontuário e aplicação de escalas. A dependência foi avaliada pelo Índice de Katz. Realizou-se o Teste Exato de Fisher para análise das associações entre as variáveis nominais e regressão logística para identificação de fatores associados à dependência.

Resultados

a amostra foi composta por 191 casos. A prevalência de dependência funcional admissional foi 70,2%. Grande parte dos idosos era parcialmente dependente (66,6%). As características clínicas associadas à dependência admissional foram: dispneia (Odds Ratio 8,5; Intervalo de confiança 95% 2,668-27,664; p<0,001), edema de membros inferiores (Odds Ratio 5,7; Intervalo de confiança 95% 2,148-15,571; p<0,001); tosse (Odds Ratio 9,0; Intervalo de confiança 95% 1,053-76,938; p<0,045); precordialgia (Odds Ratio 4,5; Intervalo de confiança 95% 1,125-18,023; p<0,033) e crepitação pulmonar (Odds Ratio 4,9; Intervalo de confiança 95% 1,704-14,094; p<0,003).

Conclusão

observou-se que a dependência funcional admissional em idosos com insuficiência cardíaca está mais associada com sinais e sintomas congestivos.

Palavras-Chave: Insuficiência Cardíaca; Dependência; Idoso; Atividades Básicas de Vida Diária; Hospitalização; Enfermagem

ABSTRACT

Objective

to identify which clinical features of heart failure are associated with a greater chance of functional dependence for the basic activities of daily living in hospitalized elderly.

Method

cross-sectional study conducted with elderly hospitalized patients. The clinical characteristics of heart failure were assessed by self-report, medical records and scales. Dependency was assessed by the Katz Index. The Fisher’s Exact Test was used to analyze associations between the nominal variables, and logistic regression to identify factors associated with dependence.

Results

the sample consisted of 191 cases. The prevalence of functional dependence was 70.2%. Most of the elderly were partially dependent (66.6%). Clinical characteristics associated with dependence at admission were dyspnea (Odds Ratio 8.5, Confidence Interval 95% 2.668-27.664, p <0.001), lower limb edema (Odds Ratio 5.7, 95% Confidence Interval 2.148-15.571, p <0.001); cough (Odds Ratio 9.0, 95% confidence interval 1.053-76.938, p <0.045); precordial pain (Odds Ratio 4.5, 95% confidence interval 1.125-18.023, p <0.033), and pulmonary crackling (Odds Ratio 4.9, 95% Confidence Interval 1.704-14.094, p <0.003).

Conclusion

functional dependence in admitted elderly patients with heart failure is more associated with congestive signs and symptoms.

Key words: Heart Failure; Dependence; Elderly; Activities of Daily Living; Hospitalization; Nursing

RESUMEN

Objetivo

identificar cuáles son las características clínicas de la insuficiencia cardíaca que están asociadas a la mayor chance de dependencia funcional en el proceso de admisión para las actividades básicas de vida diaria en adultos mayores hospitalizados.

Método

estudio transversal realizado con adultos mayores hospitalizados. Las características clínicas de la insuficiencia cardíaca fueron evaluadas por medio del auto relato, prontuario y aplicación de escalas. La dependencia fue evaluada por el Índice de Katz. Se realizó el Test Exacto de Fisher para análisis de las asociaciones entre las variables nominales y regresión logística para la identificación de factores asociados a la dependencia.

Resultados

la muestra fue compuesta por 191 casos. La prevalencia de dependencia funcional en el proceso de admisión fue 70,2%. Gran parte de los adultos mayores eran parcialmente dependientes (66,6%). Las características clínicas asociadas a la dependencia fueron: disnea (Odds Ratio 8,5; Intervalo de confianza 95% 2,668-27,664; p<0,001), edema de miembros inferiores (Odds Ratio 5,7; Intervalo de confianza 95% 2,148-15,571; p<0,001); tos (Odds Ratio 9,0; Intervalo de confianza 95% 1,053-76,938; p<0,045); precordialgia (Odds Ratio 4,5; Intervalo de confianza 95% 1,125-18,023; p<0,033) y crepitación pulmonar (Odds Ratio 4,9; Intervalo de confianza 95% 1,704-14,094; p<0,003).

Conclusión

se observó que la dependencia funcional de los adultos mayores con insuficiencia cardíaca está más asociada con señales y síntomas congestivos.

Palabras-clave: Insuficiencia Cardiaca; Dependiente; Anciano; Actividades de la Vida Diaria; Hospitalización; Enfermería

Introdução

Com o envelhecimento da população mundial, há um aumento progressivo das Doenças Cardiovasculares (DCV), dentre elas a Insuficiência Cardíaca (IC). Esta é uma condição comum em idosos e estima-se que nos próximos anos ocorra um aumento na sua incidência e prevalência, tornando-se um grave problema de saúde pública (1-2) . As projeções mostram que a prevalência da IC aumentará 46% até o ano de 2030, resultando em mais de 8 milhões de casos (3) . O retrato mais abrangente da situação das internações por IC no Brasil pode ser obtido através das análises dos registros do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), em que 23833 óbitos foram atribuídos à IC em idosos apenas no ano de 2015 (4) .

A IC é uma síndrome clínica em que uma alteração estrutural ou funcional do coração leva à incapacidade de ejetar ou acomodar sangue dentro de valores pressóricos fisiológicos, causando limitação funcional e necessidade de intervenção terapêutica (5) .

Em idosos hospitalizados o cenário clínico é complexo e influenciado pela presença de um arsenal de sinais e sintomas (6) , os quais são descritos como características clínicas da IC e representam alto risco para dependência, readmissões hospitalares e morbimortalidade (7) .

As características clínicas da IC são representadas pelos sintomas de fadiga, dispneia, edema de membros inferiores, tosse, precordialgia, tontura, palpitação, ortopneia e dispneia paroxística noturna; e pelos sinais de crepitação à ausculta pulmonar, estase jugular, sinais de hepatomegalia, ascite e alteração na fração de ejeção de ventrículo esquerdo (FEVE). Nos idosos, destaca-se a dispneia e a fadiga, as quais podem contribuir para intolerância ao exercício e culminar em dependência para as Atividades Básicas de Vida Diária (AbVDs) (8-9) . Esse quadro torna-se mais evidente durante a hospitalização em que mesmo os idosos independentes podem necessitar de auxílio em AbVDs, o que torna o indivíduo mais suscetível à dependência e à perda da autonomia (10-12) .

A hospitalização por IC, portanto, é considerada um marcador de instabilidade clínica (13) e está associada a um aumento na dependência do paciente. Estima-se que 25 a 35% dos idosos hospitalizados apresentarão algum comprometimento funcional após a alta (14) e há um elevado risco de potencializar um declínio funcional já existente (15) . Sabe-se que o tempo de internação para compensação clínica é um aspecto importante, pois implica em custos. Os pacientes mais graves clinicamente e com mais comorbidades e, por consequência, os que possuem maior número de características clínicas associadas necessitam de tempo maior para compensação e maior custo para o sistema de saúde (16) .

Desse modo, a identificação de indivíduos com maior risco de declínio funcional deve ser uma ação rotineira na prática assistencial de enfermagem, já que pode contribuir para minimizar as consequências adversas da hospitalização e, portanto, as ações de enfermagem individualizadas passarão a atender às demandas de cuidado compatíveis com o desempenho funcional do idoso (17) .

Embora a progressão da idade possa influenciar naturalmente a funcionalidade, não há muitos estudos na literatura que explorem a associação entre Dependência Funcional (DF) e IC. Um estudo prévio mostrou que a IC está associada com maior DF na admissão hospitalar (17) , no entanto não explorou qual componente da IC está associado ao estado de dependência. Não foram encontrados estudos que identificassem se as características clínicas da IC estão associadas à DF em idosos hospitalizados.

Diante disso, o presente estudo teve como objetivo identificar quais são as características clínicas da IC associadas à DF admissional para as AbVDs em idosos hospitalizados.

Métodos

Trata-se de um estudo epidemiológico, observacional em corte transversal. Os dados foram coletados em enfermarias com leitos destinados para internação de pacientes cardiopatas de um Hospital referência em cardiologia na cidade de São Paulo – Brasil. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética Local (CAAE 62435716.7.0000.5392), após anuência da instituição hospitalar.

A amostra por conveniência foi estimada em 144 casos (mediante cálculo amostral, com um poder estatístico de 95% e nível de confiança de 95%). Para prever perdas, 33% de casos adicionais foram coletados. Todos os casos foram incluídos no estudo após consentimento informado com assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Foram incluídos no estudo todos os idosos que deram entrada no hospital no período de julho de 2017 a fevereiro de 2018 e que respeitaram os critérios de inclusão: ter idade ≥ 60 anos na data da internação; ter diagnóstico médico de IC; e estar disponível para avaliação nas primeiras 24h de internação. Foram excluídos os casos de indivíduos com total dependência para as AbVDs, prévia à internação.

Os dados foram coletados nas primeiras 24h de internação do idoso na unidade por meio de entrevista clínica com aplicação das escalas de avaliação e coleta de dados em prontuário. Cada entrevista teve duração média de 20 minutos. Na entrevista com o idoso foram coletadas as informações demográficas e clínicas, referentes à presença ou ausência das características da IC. O sintoma ‘fadiga’ foi avaliado por meio da aplicação da Dutch Exertion Fatigue Scale (DEFS) (18) , dada sua subjetividade. Os dados referentes à FEVE e Classe Funcional da New York Heart Association (CF-NYHA) foram extraídos dos prontuários.

A avaliação funcional para AbVDs foi realizada por meio da aplicação do Índice de Katz (19) . O instrumento foi aplicado duas vezes durante a entrevista: a primeira aplicação foi feita retrospectivamente, com referência à semana anterior à hospitalização (DF prévia) e a segunda foi feita com referência ao momento de admissão hospitalar (primeiras 24 horas – DF admissional).

Os dados foram analisados por meio do software SPSS, v.22. Foram feitas análises descritivas, apresentando frequências absolutas e relativas; médias, desvio-padrão, medianas; e variação (mínimo e máximo). Realizou-se o Teste Exato de Fisher para análise das associações entre as variáveis nominais.

Para a identificação dos fatores associados à DF foi realizada regressão logística. Foram inseridas no modelo a variável dependente (DF admissional) e as independentes, que eram as características clínicas da IC (presença de fadiga, dispneia, edema de membros inferiores, tosse, precordialgia, tontura, palpitação, dispneia paroxística noturna, ortopneia, crepitação à ausculta pulmonar, sinais de hepatomegalia, ascite, estase jugular e FEVE reduzida). Foi apresentado o valor de Odds Ratio (OR) com seu intervalo de confiança de 95% e p-valor significante (≤0,05).

Resultados

A amostra foi constituída por 191 idosos, em sua maioria homens (n=106; 55,5%). A média de idade foi de 75,6 anos (DP=9,1) e as mulheres eram, em média, cerca de dois anos a mais do que os homens, mas essa diferença não foi estatisticamente significante (p<0,082). A maior parte da amostra foi constituída por indivíduos brancos (77,5%), aposentados (61,8%) e que convivem maritalmente (53,9%). Entre as mulheres, a média de anos de estudo foi de 4,2 (DP=2,4) e entre os homens 5,4 (DP=2,6), os quais possuíam 1,2 anos de estudo a mais que as mulheres (p<0,001).

Referente ao tempo de diagnóstico da IC, a maior parte dos idosos (n=98; 51,3%) havia diagnosticado a doença há mais de 21 anos. Referente à caracterização clínica funcional da IC, houve predomínio da Classe Funcional III (53,4%). A IC descompensada foi causa frequente de internação, sendo responsável por 65 (34%) admissões.

Em relação à DF prévia, 70 (36,6%) idosos eram parcialmente dependentes, enquanto 121 (63,4%) eram independentes para as AbVDs na semana anterior à admissão hospitalar. Na admissão hospitalar, a maior parte dos idosos (n=134; 70,2%) apresentou dependência funcional admissional e não foi evidenciada associação de perda funcional em relação ao estado funcional prévio (p<0,212). No dia da internação, 7 (3,7%) idosos estavam totalmente dependentes, 127 (66,6%) parcialmente dependentes e 57 (29,7%) independentes para as AbVDs. Houve associação entre internação por IC descompensada e DF (p<0,001).

Quanto às características clínicas, foi possível observar que la dispneia (n=164; 85,9%), dispneia paroxística noturna (n=123; 64,4%), palpitação (n=88; 46,1%) e fadiga (n=106; 44,5%) foram os sintomas mais prevalentes nos idosos da amostra. Outros sinais e sintomas apresentados pelos idosos foram edema em membros inferiores (n=77; 40,3%), ortopneia (n= 68; 35,6%), tosse (n= 29; 15,2%), precordialgia (n=21; 11,0%) e tontura (n=13; 6,8%). Crepitação pulmonar (n=76; 39,8%), estase jugular (n=30; 15,7%), hepatomegalia (n=13; 6,8%) e ascite (n=5; 2,6%).

Em relação à FEVE, as maiores frequências foram observadas entre FEVE reduzida (n=78; 40,8%) e FEVE preservada (n=77; 40,3%), respectivamente, enquanto 18,9% apresentaram FEVE limítrofe (n=36). A Tabela 1 evidencia as características clínicas da IC em função do perfil funcional admissional, demonstrando maior frequência de DF entre indivíduos com sinais e sintomas congestivos.

Tabela 1 Associação entre características clínicas da Insuficiência Cardíaca e Perfil Funcional admissional em idosos (n=191). São Paulo, SP, Brasil, 2018 

Características Clínicas Perfil Funcional admissional [n (%)]

Dependente Parcialmente Dependente Independente Total [n (%)] p valor*
Fadiga Sim 3 (2,8) 73 (68,8) 30 (28,4) 106 (55,4) 0,109
Não 4 (2,1) 54 (28,3) 27 (14,1) 85 (44,6)
Dispneia Sim 6 (3,6) 117 (71,4) 41 (25,0) 164 (85,8) 0,001
Não 1 (3,7) 10 (37,0) 16 (59,3) 27 (14,2)
Edema MMII Sim 5 (6,5) 62 (80,5) 10 (13,0) 77 (40,3) 0,001
Não 2 (1,7) 65 (57,0) 47 (41,3) 114 (59,7)
Tosse Sim 1 (3,4) 27 (93,2) 1 (3,4) 29 (15,1) 0,002
Não 6 (3,7) 100 (61,8) 56 (34,5) 162 (84,9)
Precordialgia Sim 0 (0) 17 (80,9) 4 (19,1) 21 (11,0) 0,144
Não 7 (4,1) 110 (64,7) 53 (31,2) 170(89,0)
Tontura Sim 1 (7,7) 8 (61,5) 4 (30,8) 13 (6,8) 0,216
Não 6 (3,4) 119 (66,8) 53 (29,8) 178 (93,2)
Palpitação Sim 0 (0) 10 (55,5) 8 (44,5) 18 (9,4) 0,056
Não 7 (4,0) 117 (67,6) 49 (28,4) 173 (90,6)
Ortopneia Sim 6 (4,8) 74 (60,2) 43 (35,0) 123 (64,3) 0,044
Não 1 (1,5) 53 (78,0) 14 (20,5) 68(35,7)
DPN Sim 2 (2,3) 59 (67,0) 27 (30,7) 88 (46,0) 0,096
Não 5 (4,9) 68 (66,0) 30 (29,1) 103(54,0)
Crepitação Sim 4 (5,3) 64 (84,2) 8 (10,5) 76 (39,8) 0,001
Não 3 (2,6) 63 (54,7) 49 (42,7) 115(60,2)
Estase jugular Sim 1 (3,3) 26 (86,7) 3 (10,0) 30 (15,7) 0,012
Não 6 (3,7) 101 (62,7) 54 (33,6) 161 (84,3)
Hepatomegalia Sim 0 (0) 11 (84,6) 2 (15,4) 13 (6,8) 0,167
Não 7 (4,0) 116 (65,1) 55 (30,9) 178 (93,2)
Ascite Sim 0 (0) 4 (80,0) 1 (20,0) 5 (2,6) 0,338
Não 7 (3,8) 123 (66,1) 56 (30,1) 186 (97,4)
FEVER § Sim 0 (0,0) 59 (74,7) 20 (25,3) 79 (41,4) 0,011
Não 8 (7,1) 67 (59,8) 37 (33,1) 112 (58,6)

*p valor = Teste Exato de Fisher; †MMII = Membros inferiores; ‡DPN = Dispneia paroxística noturna; §FEVER = Fração de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida

A Tabela 2 apresenta os fatores associados à maior chance de DF admissional em idosos com IC.

Tabela 2 – Fatores associados à dependência funcional em idosos com Insuficiência Cardíaca (n=191). São Paulo, SP, Brasil, 2018 

Características Clínicas OR* IC (95%) p valor
Fadiga 1,076 0,997-1,160 0,059
Dispneia 8,591 2,668-27,664 0,001
Edema de membros inferiores 5,784 2,148-15,571 0,001
Tosse 9,000 1,053-76,938 0,045
Precordialgia 4,503 1,125-18,023 0,033
Tontura 1,958 0,375-10,219 0,425
Palpitação 0,348 0,090-1,348 0,127
Ortopneia 0,265 0,104-0,677 0,005
Dispneia paroxística noturna 1,277 0,568-2,872 0,554
Crepitação Pulmonar 4,900 1,704-14,094 0,003
Estase Jugular 1,920 0,337-10,929 0,462
Hepatomegalia 0,964 0,118-7,910 0,973
Ascite 0,085 0,006-1,149 0,064
Fração de ejeção reduzida 0,749 0,490-2,693 1,149

*OR = odds ratio; †IC = intervalo de confiança; ‡ p valor = Teste Exato de Fisher

Dessa forma, observa-se que o perfil hemodinâmico com padrão congestivo está associado à maior chance de DF.

Discussão

Os resultados do presente estudo evidenciaram elevada prevalência de DF admissional. Os sintomas de dispneia, DPN, palpitação e fadiga foram os mais frequentes, porém as características clínicas associadas à maior chance de DF no período admissional foram dispneia, edema de MMII, tosse, precordialgia e crepitação pulmonar.

Há de se considerar, de forma abrangente, que sinais e sintomas congestivos e respiratórios estão diretamente associados com DF e desfechos desfavoráveis (20-21) . Estudos apontam que pacientes com IC e que cursam com sobrecarga de volume representam o maior contingente na sua forma descompensada (22) .

Os sintomas respiratórios são entendidos como ameaçadores (23) e a dispneia, em particular, é o sintoma predominante nessa população.

O sintoma de dispneia merece destaque na casuística, pois não só apresentou alta prevalência (85,9%), associação com o desfecho de dependência, sexo masculino e grupo etário de 80 ou mais anos, como também esteve fortemente associado com maior DF, na medida em que é responsável por aumentar a chance de sua ocorrência em até 8,5 vezes. Fica evidente que tal sintoma pode apresentar forte impacto na hospitalização e em sua relação com a DF, repercutindo nas AbVDs durante a internação e após a alta. Um dos fatores predisponentes para dispneia em pacientes com IC, em outras investigações, versa sobre a deterioração na musculatura esquelética em membros inferiores e superiores (24) e na musculatura respiratória, desencadeando sintomas limitantes e perda funcional (25-26) .

Potencialmente, nessa casuística, o edema de membros inferiores foi considerado como fator associado, aumentando em até 5,7 vezes a chance de DF, no entanto estudos anteriores não descrevem de forma clara essa associação, dificultando a comparação dos resultados. Diante disso, é possível pensar que edemas em membros inferiores causam restrição de mobilidade, dificultando a marcha devido ao aumento do volume do fluído intersticial, decorrente da falência hemodinâmica.

Outra característica clinica associada com maior chance de DF foi a precordialgia, a qual pode aumentar em 4,5 vezes o risco de perdas na funcionalidade. A esse despeito, o idoso pode optar por menor gasto de energia a fim de prevenir episódios de precordialgia relacionada ao esforço, culminando em indivíduos menos ativos. Essa predição deve ser entendida como fator de impacto e demanda mais evidências embasadas em estudos prospectivos.

A tosse foi considerada fator associado à DF (OR=9,0), nessa casuística. Além disso, apresentou associação com sexo masculino e faixa etária entre 70 e 79 anos. Também, não foram encontrados estudos que analisassem essa associação, apesar da forte evidência entre sintomas congestivos e perda funcional, que pode ser consequência da sobrecarga pulmonar por insuficiência ventricular esquerda (27) . Na literatura, há relatos apenas de prevalência de tosse como sintoma, na população com IC (28) .

Apesar de grande parte dos sinais e sintomas não terem sido associados com a maior chance de ocorrência de DF, esses dados não podem ser totalmente conclusivos ou descartados e novos estudos devem ser encorajados para que sejam analisados com cautela. As características clínicas da IC foram avaliadas através de autorrelato do paciente, com exceção da fadiga e FEVE reduzida. Sendo assim, pode ter ocorrido uma subestimação de algum sintoma pelo idoso. Alguns sintomas recorrentes em idosos com IC, como a fadiga, dispneia e ortopneia, são, com frequência, erroneamente interpretados como decorrentes do processo de envelhecimento durante admissão hospitalar ou subestimados.

No mesmo sentido, o idoso pode passar por um processo adaptativo acerca dos sinais e sintomas da IC, podendo, portanto, encará-los com tolerância nas atividades do dia a dia. Além disso, os sinais e sintomas da IC no idoso podem manifestar-se de forma atípica em função das características peculiares do envelhecimento.

A fadiga, neste estudo, não foi considerada preditora para DF, ao contrário do que retratam outros estudos. Já foi demonstrado que a fadiga tem alta incidência em idosos com IC, representando associação com a DF, merecendo ser estudada em outras investigações (29) . Chama atenção para esse fato que, a despeito da ampla incidência da fadiga, a sua avaliação é realizada de forma diversificada, decorrente da gama de instrumentos de mensuração, o que exige atenção para integrar informações sobre essa característica clínica e autores sugerem o estabelecimento de pontos de corte para os instrumentos de avaliação de fadiga em idosos (30) .

Segundo a Diretriz de Reabilitação Cardíaca, publicada em 2005, o surgimento de fadiga e dispneia durante o esforço limita a execução das AbVDs, reduzindo a qualidade de vida. Além disso, esses pacientes cursam com exacerbação neuro-humoral e aumento da resposta ventilatória durante o esforço, fato esse que limita a habilidade funcional (31) . Sintomas de DPN e ortopneia são frequentemente relatados por pacientes com IC, o que prejudica a qualidade do sono nessa população e pode resultar em alteração de energia que favorece a dependência.

Ao longo das últimas décadas, um número exponencial de estudos demonstrou os mecanismos fisiopatológicos da IC e novas terapias farmacológicas estão sendo descobertas continuamente. No entanto, apesar de um progresso considerável na gestão terapêutica de idosos com IC, a mortalidade e a morbidade continuam a ser uma grande preocupação, e as internações hospitalares comprometem o desempenho nas AbVDs (32) . Dessa forma, reconhecer quais são os fatores associados com maior chance de DF em idosos com IC pode ser o diferencial para la mejoría no perfil de morbimortalidade desses indivíduos.

O enfermeiro necessita de habilidade e expertise para reconhecer as características clínicas, resposta ao tratamento e suas formas de manejo para que possa planejar uma assistência adequada nessa população (33-34) . Enquanto medidas de qualidade do cuidado com IC são reportadas apenas nos pacientes internados por IC, algumas medidas parecem ser benéficas para todos os pacientes, independentemente da causa de internação (35) . A IC é uma condição crônica, com custo elevado e de tratamento complexo, por apresentar múltiplos fatores envolvidos (11) . Deve ser, portanto, adequadamente manejada com vistas ao melhor controle, redução da morbidade e melhora na qualidade de vida.

Este estudo tem como ponto forte a evidenciação de quais são as características clínicas da IC associadas com a maior chance de DF e que podem ser consideradas como foco de atenção do cuidado de enfermagem. Ao que se sabe, este é primeiro estudo a analisar cada componente da IC associando-o à ocorrência de DF. A identificação de fatores de risco para descompensação, reconhecimento e tratamento precoces pode prolongar a vida com melhor qualidade, reduzir custos e atenuar riscos de DF (2,30,36-38) . Cuidar do idoso com IC implica em entender sua percepção e experiência com a doença, avaliando suas repercussões e autonomia para realização das AbVDs, estimulando suas potencialidades e oferecendo suporte para que ele perceba, na experiência cotidiana, formas de se autocuidar.

Esta investigação apresenta limitações. Primeiramente, não foi possível estimar causalidade na medida em que o estudo foi realizado em corte transversal. Para o número de variáveis examinadas no presente estudo, uma casuística maior teria permitido a realização de análises mais aprofundadas, por exemplo, o ajuste das análises para variáveis confundidoras. Além disso, o não acompanhamento do participante no período anterior à internação limitou a análise da DF, visto que a mesma foi estimada retrospectivamente. Finalmente, estudos longitudinais são mandatórios e ajudarão a determinar o real impacto dos fatores que predizem o declínio funcional nessa população.

Apesar das limitações, os resultados encontrados servem de subsídios para nortear a prática de enfermagem no cuidado com os idosos com IC. Análises de idosos com IC já publicados carecem de evidências acerca das características clínicas, como as descritas ineditamente neste estudo, que foram analisadas como uma síndrome multifatorial. Esses resultados possibilitaram caracterizar a funcionalidade e sua associação com a IC, que até então não estavam bem descritas na literatura, principalmente em estudos brasileiros. Do mesmo modo, possui um valor crítico no planejamento do cuidado à crescente população de idosos com IC no cenário brasileiro.

A partir da identificação do paciente com dificuldade com uma ou mais AbVDs ou aquele que tem uma progressão na disfunção, é possível conduzir uma avaliação mais completa e uma assistência individualizada (39) , não só pelo enfermeiro mas por toda a equipe de saúde. Desse modo, os resultados deste estudo servem como indicativo de que idosos com IC devem ser criteriosamente avaliados, visto que as repercussões das características clínicas têm forte impacto na funcionalidade do paciente, desde o momento da admissão hospitalar, e que podem perdurar além da alta.

Conclusão

A prevalência de DF à admissão hospitalar em idosos com IC foi de 70,2%. No período admissional, 3,7% dos idosos com IC eram totalmente dependentes, 66,6% parcialmente dependentes e 29,7% independentes para as AbVDs. As características clínicas da IC mais frequentes à admissão hospitalar foram a dispneia, a fadiga, a DPN e a palpitação, no entanto apenas a dispneia, o edema de MMII, a tosse, a precordialgia e a crepitação pulmonar foram associadas a um amento na chance de DF admissional entre idosos com IC.

Referências

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Recebido: 6 de Julho de 2018; Aceito: 16 de Dezembro de 2018

Autor correspondente: Sara de Oliveira Xavier. E-mail: xaviersara6@gmail.com. http://orcid.org/0000-0002-4362-6770

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Artigo extraído da dissertação de mestrado “Características Clínicas da Insuficiência Cardíaca associadas à dependência funcional admissional em idosos hospitalizados”, apresentada à Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

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