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Revista Latino-Americana de Enfermagem

On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.27  Ribeirão Preto  2019  Epub July 18, 2019

https://doi.org/10.1590/1518-8345.3049.3151 

Artigos Originais

Enfermeiros na triagem no serviço de emergência: autocompaixão e empatia*

Roberta Maria Savieto1 
http://orcid.org/0000-0003-2680-9206

Stewart Mercer2 
http://orcid.org/0000-0002-1703-3664

Carolina Carvalho Pereira Matos3 
http://orcid.org/0000-0001-9496-0747

Eliseth Ribeiro Leão4 
http://orcid.org/0000-0003-0352-0549

1Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, São Paulo, SP, Brasil.

2University of Glasgow, Institute for Health and Wellbeing, Glasgow, Escócia.

3Universidade de São Paulo, Escola Politécnica, São Paulo, SP, Brasil.

4Hospital Israelita Albert Einstein, Research Institute, São Paulo, SP, Brasil.


RESUMO

Objetivo:

este estudo adaptou e validou a escala Consultation and Relational Empathy Measure (versão brasileira) para avaliação da empatia por enfermeiros; avaliou a concordância entre empatia autorreferida pelos enfermeiros e a percebida pelos pacientes e correlacionou autocompaixão com empatia autorreferida dos enfermeiros e percebida pelos pacientes.

Método:

sete juízes validaram a adaptação da escala citada para a Consultation and Relational Empathy Measure Nurses (versão brasileira) com anuência do autor da escala original. Uma amostra de quinze enfermeiros e 93 pacientes do Serviço de Emergência de um hospital privado filantrópico, foram avaliados utilizando a Consultation and Relational Empathy Measure Nurses (versão brasileira) e a Escala de Autocompaixão (versão brasileira).

Resultados:

as propriedades psicométricas da Consultation and Relational Empathy Measure Nurses (versão brasileira) demonstraram consistência interna adequada (alfa de Cronbach de 0,799). A empatia na visão dos pacientes foi mais bem avaliada do que a autorreferida pelos enfermeiros (p<0,001). Enfermeiros mais autocompassivos apresentaram maiores escores de empatia (p=0,002).

Conclusão:

os resultados deste estudo confirmaram a adequação das propriedades psicométricas da Consultation and Relational Empathy Measure Nurses (versão brasileira), o que permite a comparação da empatia com a escala para pacientes a partir dos mesmos parâmetros de avaliação. A autocompaixão influenciou a empatia autorreferida pelos enfermeiros.

Descritores: Empatia; Serviço Hospitalar de Emergência; Triagem; Enfermagem; Enfermagem em Emergência; Psicometria

ABSTRACT

Objective:

to adapt the Consultation and Relational Empathy Measure (Brazilian version) for nurses; to evaluate the concurrence between empathy self-reported by nurses and that perceived by patients; To correlate self-compassion to the empathy self-reported by nurses and perceived by patients.

Method:

seven specialists validated the Consultation and Relational Empathy Measure Nurses (Brazilian version)' adaptation by original author's authorization. A sample with 15 triage nurses and 93 patients they admitted to the Emergency Department of a philanthropic private hospital were interviewed according to the following instruments: Consultation and Relational Empathy Measure – Nurses (Brazilian version) and the Self-Compassion Scale (Brazilian version).

Results:

the psychometrics properties of Consultation and Relational Empathy Measure – Nurses (Brazilian version) showed appropriate internal consistency (Cronbach's alpha=0,799). The evaluation of empathy provided by the patients was better than that self-reported by the nurses (p<0,001). The nurses with higher level of self-compassion also showed higher empathy scores (p=0,002).

Conclusion:

our results confirmed the psychometrics properties' adequacy of Consultation and Relational Empathy Measure – Nurses (Brazilian version), allowing to compare empathy scores embased at same parameters. Self-compassion showed to influence self-reported empathy.

Descriptors: Empathy; Emergency Service Hospital; Triage; Nursing; Emergency Nursing; Psychometrics

RESUMEN

Objetivo:

este estudio adaptó y validó la versión brasileña de la escala para enfermeros: Consultation and Relational Empathy Measure; evaluó la conformidad entre la empatía auto declarada por las enfermeras y la percibida por los pacientes; correlacionó la autocompasión con la empatía auto declarada por los enfermeros y la percibida por los pacientes.

Método:

siete jueces validaron la adaptación de la escala citada para la Consultation and Relational Empathy Measure Nurses (versión brasileña) con anuencia del autor de la escala original. Una muestra de 15 enfermeros y 93 pacientes ingresados en el Departamento de Emergencias de un hospital privado filantrópico fueran evaluados utilizando la Consultation and Relational Empathy Measure Nurses (versión brasileña) y la Escala de Autocompasión (versión brasileña).

Resultados:

las propriedades psicométricas de la Consultation and Relational Empathy Measure Nurses (versión brasileña) demonstraron consistencia interna adecuada (alfa de Cronbach = 0,799). La empatía en la visión de los pacientes fue mejor evaluada que la autorreferida por los enfermeros (p<0,001). Enfermeros más autocompasivos presentaron mayores escores de empatía (p=0,002).

Conclusión:

los resultados de este estudio confirmaron la adecuación de las propriedades psicométricas de la Consultation and Relational Empathy Measure Nurses (versión brasileña), lo que permite la comparación de la empatía con la escala para pacientes a partir de los mismos parámetros de evaluación. La autocompasión influenció la empatía autorreferida por los enfermeros.

Descriptores: Empatía; Servicio de Urgencia en Hospital; Triaje; Enfermería; Enfermería de Urgencia; Psicometría

Introdução

A experiência dos pacientes nos serviços de saúde sobre os cuidados que recebem dos profissionais de saúde é muito relevante para a avaliação e desenvolvimento desses serviços(1). A atenção a esses relatos e impressões é essencial para a criação de um sistema de saúde centrado no paciente, com ênfase na qualidade e reforçado por estudos e políticas públicas(2). Portanto, o significado da atenção e a percepção da assistência qualificada para os pacientes no pronto-socorro são influenciados pela qualidade das relações interpessoais, pela empatia, pelos profissionais abertos à fala e à escuta e pela validação das informações que fornecem(34).

Além disso, há uma discrepância entre o que os enfermeiros de emergência consideram importante, que é a disposição absoluta no tratamento de distúrbios fisiológicos, e o que os pacientes e seus familiares consideram fundamental, que são as habilidades de comunicação, pensamento crítico e sensibilidade(5). Nesse sentido, a literatura tem destacado a essencialidade do trabalho do enfermeiro no serviço de emergência, uma vez que proporciona atendimento médico de qualidade, diferenciando-o dos outros profissionais, dado que possui capacidade técnica combinada com habilidades interpessoais(56). Consequentemente, os enfermeiros devem ter habilidades de comunicação para prestar a melhor assistência possível, gerenciar o cuidado e devem se relacionar com pessoas que desempenham vários papéis no local de trabalho, bem como com os pacientes.

A empatia surge como uma estratégia para satisfazer essas demandas e reforçar as atribuições da enfermagem, o que faz com que o profissional tenha a sensação de realizar tarefas e também, uma maior satisfação do paciente e de sua família(711). Embora o conceito de empatia seja multifatorial, a capacidade do indivíduo de compreender os sentimentos de outra pessoa e mostrar essa compreensão para os outros constitui seu cerne(78). Baseia-se em três pilares: cognitivo (capacidade intelectual de entender sentimentos), afetivo ou emocional (capacidade de colocar-se no lugar de outra pessoa, como na expressão inglesa “walk a mile in his moccasins”) e comportamental (comportamento expressado a partir do entendimento da situação do outro)(12).

Empatia e compaixão são características complementares fundamentais para o processo de cuidar em enfermagem. Enquanto a empatia promove a compreensão da situação do outro, a compaixão favorece a ação para aliviar o sofrimento produzido pela situação(1314). A autocompaixão está fortemente relacionada à compaixão pelos outros. Portanto, com maior autocompaixão, o profissional pode estar conectado às necessidades do outro e se proteger da exaustão emocional causada por essa conexão empática(14).

A discussão do conceito de autocompaixão é relativamente recente no ocidente. Começou a aparecer na literatura há menos de duas décadas e está de acordo com os princípios budistas. De acordo com essa referência, a autocompaixão compreende três componentes principais: o equilíbrio entre a bondade consigo e autocrítica, que está relacionada à nossa capacidade de ser mais gentil conosco sem passar por dolorosos autojulgamentos e ser mais gentil com nossas atitudes; senso de humanidade em relação ao isolamento, refere-se ao fato de que nos reconhecemos como humanos, portanto, propensos a erros, a nos colocar na mesma posição que qualquer outra pessoa, sem nos isolarmos com nossos erros e; a relação atenção total-fixação, que significa que a pessoa está consciente e focada no momento presente, nem ignora e nem revisa constantemente os problemas da vida(15).

Estudos sobre empatia em serviços de emergência são escassos, assim como os instrumentos que avaliam esse parâmetro na díade enfermeiro-paciente. E até o presente estudo não foi localizada nenhuma escala específica para a autoavaliação da empatia dos enfermeiros congruente com a avaliação feita pelos pacientes, ou seja, tomando por base os mesmos parâmetros de avaliação Alguns instrumentos avaliam a empatia somente na perspectiva dos pacientes(11), outros na perspectiva de médicos(16), profissionais de saúde(1718) e estudantes(17). Os instrumentos que permitem ambas as avaliações são raros e existem poucas escalas disponíveis para uso no Brasil(11,19).

A Consultation and Relational Empathy (CARE) Measure foi inicialmente concebida para permitir que os pacientes avaliassem a empatia dos médicos durante o atendimento(20) e depois estendida a outros profissionais de saúde. Foi traduzida e adaptada para a população brasileira, mostrando-se de fácil compreensão para os pacientes, sendo indicada para avaliar a empatia no contexto do serviço de saúde(11). A Escala de Autocompaixão foi criada em 2003, para avaliar autocompaixão(21), sendo amplamente divulgada e utilizada em todo o mundo, e validada em diversos países, inclusive no Brasil(22).

Frente ao exposto, os objetivos deste estudo foram: adaptar a CARE Measure (versão brasileira) que avalia a empatia dos profissionais de saúde na ótica dos pacientes, para a CARE Measure - Nurses (versão brasileira), que avalia a empatia na perspectiva dos enfermeiros nas mesma base de avaliação dos pacientes; avaliar a concordância entre a empatia autorreferida pelos enfermeiros e a percebida pelos pacientes atendidos no serviço de emergência e correlacionar autocompaixão com empatia autorreferida pelos enfermeiros e percebida pelos pacientes.

Método

Este estudo foi desenvolvido no Programa de Mestrado Profissional em Enfermagem, realizada em duas fases: 1) foi realizada a adaptação da CARE Measure (versão brasileira) para os enfermeiros e 2) a validação da CARE Measure - Nurses (versão brasileira). Os dados foram coletados em uma unidade de emergência de um hospital privado filantrópico com mais de 500 leitos na cidade de São Paulo, no período de outubro a novembro de 2015, atendendo a todos os critérios éticos estabelecidos pela instituição e legislação brasileira (Número CAAE 39441114.2.0000.0071).

Nesse serviço, o enfermeiro da triagem classifica os pacientes de acordo com o Emergency Severity Index (ESI), dependendo da gravidade e quantidade de recursos (exames, medicamentos) necessários ao seu tratamento, além da especialidade médica. O índice varia de 1 a 5, sendo 1 - o mais grave, que requer atenção imediata (como parada cardiorrespiratória); 2 - apresenta um grande risco, cujo atendimento é pautado em protocolos institucionais (acidente vascular cerebral, infarto agudo do miocárdio e sepse); 3 - requer dois ou mais recursos para a investigação da condição clínica; 4 - atendimento de condições clínicas de baixa complexidade, que requer uma solução simples e um único recurso e 5 - quando os pacientes recebem avaliação médica e alta hospitalar diretamente do consultório(23).

Na Fase I, Stewart Mercer, autor da escala CARE Measure autorizou a utilização e as modificações propostas para a criação da CARE Measure - Nurses (versão brasileira). Foi solicitado também a autorização de utilização da CARE Measure (versão brasileira) traduzida e adaptada por José Antonio Baddini Martínez. O novo instrumento proposto, chamado CARE Measure – Nurses (versão brasileira), foi avaliado por um comitê de sete especialistas em comunicação e emergências para que pudéssemos validar o seu conteúdo(2425). Um questionário on-line foi disponibilizado para os juízes no Survey Monkey®, uma plataforma na qual eles deveriam concordar ou discordar da modificação proposta, justificar sua escolha e fazer uma sugestão.

Foram necessárias duas sessões de análise para que os especialistas chegassem a uma concordância de 80%, conforme exigido na literatura nesse tipo de trabalho(2526), na segunda fase do estudo, para avaliar a consistência interna e a confiabilidade do instrumento, utilizou-se o teste alfa de Cronbach, para detectar se a escala era capaz de avaliar o que se propunha a medir em qualquer circunstância(27).

A coleta de dados foi conduzida com as seguintes populações-alvo: enfermeiros que trabalhavam no setor de triagem há pelo menos um ano, exceto os que trabalhavam em pediatria ou estavam afastados; pacientes atendidos por esses profissionais, com idade entre 18 e 65 anos, classificados nos níveis ESI 3, 4 e 5, com diagnósticos cardiovasculares, respiratórios, gastrintestinais, ginecológicos; pacientes particulares ou com seguro de saúde. Os critérios de exclusão foram: pacientes classificados na triagem como ESI 3, 4 ou 5 que evoluíram para 1 ou 2; aqueles com diagnósticos neurológicos (exceto enxaqueca) devido a possíveis alterações mentais e cognitivas; pacientes com déficit de comunicação ou qualquer outro transtorno que os impedisse de responder ao questionário; e estrangeiros.

Os enfermeiros responderam três instrumentos de coleta de dados: o questionário sociodemográfico, a CARE Measure – Nurses (versão brasileira) e a Escala de Autocompaixão (versão brasileira). Os pacientes responderam ao questionário sociodemográfico e a CARE Measure (versão brasileira).

A amostra, por conveniência, foi composta por 15 enfermeiros e 93 pacientes. Entretanto foi necessário estabelecer o número mínimo de quatro pacientes avaliados para cada enfermeiro para que pudéssemos adotar o modelo linear misto utilizado na análise estatística dos dados. Assim sendo, nove enfermeiros e 67 pacientes foram incluídos na análise dos dados para avaliar a concordância entre a empatia dos enfermeiros autorreferida e a percepção dos pacientes atendidos. Além disso, de acordo com as recomendações dos autores da CARE Measure original e traduzida(11,20), os pacientes que escolheram “não se aplica” para mais de dois depoimentos foram excluídos.

Para análise dos dados, utilizaram-se os programas Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) e Stata, com nível de significância de 5%. As variáveis categóricas foram descritas por frequências absolutas e percentuais, enquanto as variáveis numéricas foram descritas por média e desvio padrão (DP), medianas e intervalo interquartil (IIQ), além dos valores mínimo e máximo. A correlação entre os escores de autocompaixão dos enfermeiros e a empatia percebida pelos pacientes foi avaliada pelo coeficiente de correlação ponderado, enquanto a correlação entre empatia autorreferida pelos enfermeiros foi avaliada pelo coeficiente de correlação de Pearson.

Resultados

Na Fase I, a CARE Measure (versão brasileira) foi adaptada para a CARE Measure – Nurses (versão brasileira) (Figura 1). A escala mostrou propriedades psicométricas adequadas com alfa de Cronbach de 0,799 (>0,70), o que demonstrou alta consistência interna(28).

Figura 1 Consultation and Relational Empathy (CARE) Measure – Nurses (versão brasileira), 2016 

Na Fase II, houve uma amostra de 15 enfermeiros, sendo 86,7% mulheres, com idade entre 25 e 43 anos, com média de 33,4 anos (DP=5,2 anos). O tempo de formação profissional variou de três a 10 anos (DP=4,8 anos) e a maioria deles se formou em instituições privadas (80,0%). Todos relataram ter cursado pelo menos um curso de pós-graduação. O tempo de trabalho no departamento de emergência da instituição variou de um a 13 anos, com uma média de cinco anos (IIQ: 4 a 11 anos).

A amostra de pacientes foi composta por 58,1% mulheres, com idade entre 18 e 64 anos, com média de 40,6 anos (DP=10,2 anos). Em relação ao nível escolar, 88,2% dos pacientes possuíam pelo menos um diploma universitário. Eles foram atendidos predominantemente pela manhã (48,4%) e pela tarde (47,3%) e 72% dos pacientes foram classificados como 3 no ESI da triagem.

Na CARE Measure, os valores dos itens individuais são adicionados, resultando em escores finais entre 10 e 50(11). Na amostra de enfermeiros, os escores variaram entre 25 e 45, com média de 37,9 (DP=5,2), enquanto o escore de empatia percebido pelos pacientes variou de 18,8 a 50,0, com uma média de 42,4 (DP=8,3).

A Figura 2 mostra a dispersão entre os escores de empatia autodeclarados pelos nove enfermeiros e os percebidos pelos 67 pacientes atendidos. Cada tom de cinza representa um enfermeiro participante e a linha diagonal, os casos em que os escores do enfermeiro e do paciente eram idênticos.

Figura 2 Índices de empatia relatados pelos enfermeiros e percebidos pelos pacientes, de acordo com a respectiva CARE Measure (versão brasileira). São Paulo, SP, Brasil, 2015 

A diferença entre a empatia autorreferida pelos enfermeiros e aquela percebida pelos pacientes foi significativa (p<0,001). Isso significa que a diferença entre a autopercepção da empatia dos enfermeiros e a do paciente que atendiam não aconteceu por acaso.

A média estimada dessa diferença é de 4,78, com intervalo de confiança entre 2,58 e 6,97, o que mostra que os pacientes avaliaram os enfermeiros como mais empáticos que os próprios profissionais se avaliavam.

A análise da resposta dos enfermeiros a cada afirmação da Escala de Autocompaixão (versão brasileira) mostra um bom resultado: média de 3,51 (DP=0,48) entre 0 e 5. No entanto, a avaliação de cada dimensão do instrumento mostrou poucas respostas compassivas.

O grau de correlação foi avaliado pelo coeficiente de correlação ponderada, corrigido pelas repetições entre os enfermeiros. Nenhuma evidência de correlação foi encontrada entre os escores de autocompaixão dos enfermeiros e a empatia percebida pelos pacientes (r=0,38, p=0,309).

A correlação entre autocompaixão e empatia relatada pelos enfermeiros foi considerada para a amostra total de 15 profissionais, conforme apresentado na Figura 3.

Figura 3 Escores da Escala de Autocompaixão (versão brasileira) e CARE Measure – Nurses (versão brasileira) de enfermeiros. São Paulo, SP, Brasil, 2015 

Houve uma tendência segundo a qual os altos escores de empatia autodeclarados pelos enfermeiros foram associados a maiores pontuações de autocompaixão. O grau de correlação foi avaliado pelo coeficiente de correlação de Pearson, que mostrou forte correlação entre os escores de autocompaixão e empatia, visto que quanto mais próximo de um, maior a força de correlação entre as variáveis (r=0,72; p=0,002).

Discussão

Na Fase I, adotou-se uma medida pioneira, uma vez que não havia estudos que abordassem enfermeiros e seus pacientes e utilizassem uma escala adequadamente adaptada. Neste ponto, destaca-se a importância desta pesquisa, por possibilitar a comparação da empatia de enfermeiros e pacientes, baseada em um mesmo instrumento. Os autores da validação da escala CARE Measure no Brasil(11), não evidenciaram correlação entre os resultados da CARE Measure e outras duas escalas de autoavaliação de empatia: o Interpersonal Reactivity Index (IRI) e o Inventário de Empatia (IE). Assim sendo, houve um estímulo significativo para o desenvolvimento de uma escala que pudesse avaliar e comparar, utilizando os mesmos parâmetros, a empatia autorreferida pelos enfermeiros e a percebida pelos pacientes, ressaltando que esse processo não havia sido realizado especificamente com enfermeiros.

Nossos achados indicaram diferenças estatisticamente significantes entre a empatia autorreferida e a percebida pelos pacientes, de modo que os enfermeiros foram considerados menos empáticos e que seus pacientes os avaliaram. Conclusões semelhantes são encontradas em estudo que, entre outros dados, concluiu que a especialidade médica denominada emergência é a com maior potencial de exaustão emocional, devido à gravidade dos pacientes e à alta demanda dos profissionais, o que se traduz em um menor nível de empatia e maior fadiga de compaixão dos profissionais(29). Logo, os dados sugerem que a autoavaliação parece estar relacionada à natureza da especialidade, e não à categoria profissional propriamente dita, mas trata-se de tema que merece ser aprofundado em futuros estudos

Além disso, os profissionais que atuam na unidade de emergência preferem tratar pacientes em estado grave ao invés dos menos críticos, que poderiam receber atendimento ambulatorial(5), como no caso dos profissionais avaliados neste estudo. O menor escore de empatia autorreferida, portanto, poderia estar associado ao perfil dos pacientes que apresentam queixas menos graves e que não se enquadram no perfil de pacientes esperado pelos profissionais treinados na unidade de emergência estudada.

Por outro lado, o ensino de habilidades empáticas requer também uma discussão mais profunda, uma vez que já se sabe que a disponibilidade de conhecimento não necessariamente faz com que um indivíduo mude seu comportamento. Na área da saúde, também é possível fazer uma analogia com a prática da higienização das mãos que, apesar de ser considerada o melhor método para combater infecções, é o objetivo de campanhas e treinamentos frequentes em virtude das técnicas inadequadas ou não execução(30). Atualmente, existem cursos e treinamentos em todo o mundo que visam oferecer conteúdo para qualquer pessoa (na área da saúde ou não) para que se torne mais empática, compassiva e capaz para mudar seus relacionamentos(3133).

Revisão sistemática sobre a eficácia dos treinamentos de empatia mostrou, entre outros resultados, que a avaliação pós-intervenção mais longa durou seis meses e que o desempenho das medidas objetivas (como pontuações) de empatia mostrou um resultado melhor do que o autorrelato, reforçando a importância do desenvolvimento e implementação de instrumentos objetivos para avaliar habilidades subjetivas e a necessidade de que os treinamentos sempre incluam os pilares cognitivo, afetivo e comportamental(34), o que parece estar mais próximo da realidade dos profissionais que participaram desta investigação e dos resultados encontrados.

Alguns pesquisadores buscam demonstrar que é possível ensinar empatia e compaixão a qualquer ser humano, independentemente da faixa etária, devido à constante condição de plasticidade neuronal, desde que haja um contínuo estímulo socioemocional. Portanto, baseado em fatores genéticos, maturação cerebral e das experiências prévias de relacionamentos, é possível modular as habilidades de percepção empática, de acordo com intensidade, continuidade e frequência de desafios e simulações interpessoais(35). A fim de melhorar o comportamento compassivo dos estudantes de medicina, bem como dos outros profissionais de saúde, deve ser disponibilizada ampla oportunidade de realizar autoavaliação crítica. Além disso, seus professores devem ser modelos de ensino e assistência(36).

No entanto, ainda há controvérsias sobre como esse mecanismo funciona. Mesmo considerada apenas como traço de personalidade, no contexto do serviço de saúde, a empatia está impregnada de fatores alheios à pessoa, como os recursos sociais e organizacionais(37). Outros fatores ainda, podem influenciar a relação empática entre os indivíduos. Ao avaliar as ondas cerebrais, pesquisadores observaram que nosso comportamento empático depende de fatores externos, como grupos étnicos(38). Eles também descobriram que aqueles com maior nível de empatia podem perceber maior variedade de expressões faciais e, consequentemente, maior número de emoções dos outros(39).

Nesse contexto, há aqueles que defendem que uma possível abordagem para melhorar o comportamento empático seria investir em treinamento para a percepção de expressões faciais, uma vez que as emoções básicas (medo, surpresa, raiva, nojo, tristeza, desprezo e felicidade) constituem movimentos faciais universais que não podem ser simulados(40). Entretanto, perceber a emoção do outro apenas pela expressão facial não garante um comportamento compassivo e empático, pois estaria relacionado ao pilar cognitivo da empatia, o que significa compreender a emoção do outro e aspectos comportamentais ainda seriam necessários para alcançar a empatia. O enfermeiro é o profissional reconhecido pelos pacientes de serviços de urgência/emergência como capaz de fornecer informações atualizadas, ouvir as suas preocupações e melhorar as relações interpessoais dos envolvidos no atendimento(41). Os pacientes também valorizam a sensibilidade dos enfermeiros na unidade de emergência(5). Neste caso, os resultados deste estudo parecem ser contrários aos achados da literatura, já que vários pacientes sugeriram nas suas respostas à CARE Measure que não reconheciam a necessidade de acompanhamento pelo enfermeiro. Algumas possibilidades podem explicar essa discrepância: maior autonomia psicossocial de pacientes que já têm condições socioeconômicas favoráveis ou mesmo a subvalorização dos enfermeiros, visto que esses pacientes consideram o médico como o único responsável pelo planejamento de seus cuidados, mesmo dentro de uma equipe(42).

Os criadores da CARE Measure reforçam a importância da escala na influência exercida pelo profissional no tratamento proposto aos pacientes. Seus elementos se baseiam no entendimento de que a empatia, no contexto clínico, implica na capacidade de compreender os sentimentos dos pacientes (aspecto cognitivo) para que se coloquem em seu lugar (aspecto afetivo/emocional) e demonstrar tal compreensão, de maneira a atuar de forma terapêutica (aspecto comportamental)(20). Consequentemente, as três primeiras assertivas da CARE Measure – Nurses (versão brasileira) não são apenas similares aos atributos necessários a uma convivência cotidiana cordial, mas também representam fatores fundamentais para o desenvolvimento do processo empático.

A análise das respostas dos enfermeiros à Escala de Autocompaixão (versão brasileira) mostrou que no primeiro conjunto de dimensões (senso de humanidade e isolamento) as dificuldades enfrentadas e os erros cometidos por esses profissionais podem gerar sentimento de frustração e, consequentemente, solidão e isolamento. No segundo conjunto de suas dimensões (bondade consigo e autocrítica), os profissionais podem ser gentis consigo mesmos, mas apresentam uma característica importante da autocrítica. Na última combinação de dimensões (mindfulness e fixação), as respostas mostraram que manter o foco nos problemas é uma questão controversa entre os profissionais, o que faz com que questionemos se eles realmente permitem-se se sentir “para baixo”.

Assim sendo, o alto nível de exigência que os enfermeiros se impõem se destaca e pode estar relacionado ao isolamento no conjunto anterior de dimensões, pois aqueles que demandam demais de si mesmo e se criticam podem se sentir isolados quando algo não acontece como esperado(43). Portanto, há alguma inconsistência em nossos achados, pois, apesar de um escore final acima da média para avaliação de autocompaixão, ao avaliarmos o instrumento em cada dimensão, separadamente, podemos observar respostas realmente pouco autocompassivas.

Por isso, é preciso ter cautela ao associar o resultado da escala diretamente aos níveis de autocompaixão. Na literatura há recomendação de que as diferenças entre as afirmações positivas e as negativas, bem como a indicação dos resultados pelas subdimensões, sejam mais bem exploradas(44). Com base nessa recomendação e apesar dos resultados encontrados, devemos nos questionar se os enfermeiros realmente são autocompassivos. Considerando que esse é um tópico de interesse recente para os profissionais de saúde e a multidimensionalidade que envolve, parece ainda haver um longo caminho a percorrer antes de alcançar a precisão na avaliação da compaixão dentro das organizações de saúde.

Ouros estudos também indicam que os enfermeiros das unidades de emergência/urgência tendem a sentir muita pressão e uma obrigação em não fracassar, o que resulta em um forte comportamento de auto exigência(4,45). Logo, poderíamos entender essas respostas como parte do processo de trabalho e um reflexo da unidade na qual estão inseridos. A preocupação de gestores, educadores e profissionais quanto ao cuidado pessoal do enfermeiro e à manutenção de sua autocompaixão cresceu recentemente, uma vez que estes resultados refletem diretamente no comportamento compassivo direcionado aos seus pacientes.

É importante que os profissionais saibam que cuidar de si mesmo e ser autocompassivo não é ser egoísta(14,46) e que existem estratégias para ajudá-los a alcançar essa consciência, como a meditação e a manutenção do mindfulness (4748). Portanto, parece que os enfermeiros devem ser convencidos de que também merecem ser cuidados, o que corrobora nossos achados, uma vez que a tendência ao isolamento e autocrítica aparece mesmo em autoavaliações “aparentemente boas” de compaixão e empatia.

Essa constatação poderia justificar a falta de relação encontrada nesta pesquisa entre o nível de autocompaixão dos enfermeiros e o nível de empatia percebido pelos seus pacientes. Podemos questionar se a autocompaixão, para estar relacionada à empatia percebida pelos pacientes, deve ter um escore maior que o valor médio de 3,51 encontrado nesta pesquisa, uma vez que problemas importantes associados à ausência de autocompaixão foram observados, ou mesmo se essa relação não foi estabelecida devido à baixa autocompaixão dos enfermeiros, mascarada pela pontuação final acima da média. As contradições discutidas anteriormente levam a essa suposição e devem ser alvo de investigação.

A compaixão e a empatia estão relacionadas ao sentido de que mesmo o nível mais baixo de autocompaixão desenvolve o comportamento empático e gera atitudes de compaixão em relação aos outros. Portanto, o desconforto causado pelo sofrimento dos outros pode causar empatia por parte do enfermeiro e atuar para aliviar tal sofrimento é fonte de satisfação pessoal e profissional. Logo, aqueles que estão mais satisfeitos são mais compassivos. Dessa forma, há espaço para um ciclo virtuoso de autocompaixão-empatia-compaixão(29).

Fortalezas e limitações

A principal contribuição deste estudo é, sem dúvida, a disponibilidade da CARE Measure - Nurses (versão brasileira) para a autoavaliação de enfermeiros e, de forma semelhante ao que ocorreu com a Care Measure também poderá incluir a avaliação de outros profissionais de saúde sobre sua própria empatia. Desse modo, a partir de agora, é possível verificar e checar a empatia autorreferida de enfermeiros (ou outros profissionais de saúde), bem como a percepção dos pacientes com o mesmo instrumento e o mesmo referencial teórico.

No entanto, não foi possível realizar a validade de construto pela análise fatorial, pois, de acordo com a referência utilizada(49), o tamanho da amostra sugerido é que o número de observações deve ser pelo menos cinco vezes o número de assertivas e essa análise não é recomendada em amostras com menos de 50 observações. Assim sendo, como esta pesquisa foi realizada com 15 enfermeiros (sem a possibilidade de ampliação da amostra devido ao número de profissionais disponíveis no campo do estudo e ao tempo para a realização do estudo), não foi possível atender a essa exigência.

A aplicação da CARE Measure - Nurses (versão brasileira) foi realizada com 15 profissionais que trabalham exclusivamente no serviço de triagem e não com profissionais de outros setores da unidade de emergência. Consequentemente, os resultados podem não representar toda a unidade, sendo necessários estudos adicionais envolvendo enfermeiros de outros setores, bem como estudos com pacientes e profissionais de outros tipos de unidades de emergência, como serviços públicos, para expandir o alcance dos resultados e a discussão desse tópico. Por esse motivo, a CARE Measure - Nurses (versão brasileira) deve ser aplicada em outros cenários e para outros profissionais, como é o caso da CARE Measure.

Conclusão

A adaptação da CARE Measure - Nurses (versão brasileira), foi elaborada para enfermeiros na triagem de um serviço de emergência e demonstrou propriedades psicométricas adequadas de validade de conteúdo e alta confiabilidade

Houve diferença estatisticamente significante entre a empatia autorreferida pelos enfermeiros e aquela observada pelos pacientes, sendo que os pacientes realizaram melhor avaliação, ou seja, consideraram os enfermeiros mais empáticos, do que eles mesmos na sua autoavaliação. Não houve correlação entre a autocompaixão dos enfermeiros e a empatia percebida pelos pacientes, mas, sim, evidências da correlação entre autocompaixão e empatia autorreferida pelos profissionais.

*Artigo extraído da dissertação de mestrado “Nurses performing triage in Emergency Services: self-compassion and empathy”, apresentada à Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, São Paulo, SP, Brasil.

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Recebido: 11 de Outubro de 2018; Aceito: 10 de Fevereiro de 2019

Autor correspondente: Roberta Maria Savieto. E-mail: roberta.savieto@gmail.com

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