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Revista Latino-Americana de Enfermagem

versão On-line ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.28  Ribeirão Preto  2020  Epub 03-Fev-2020

https://doi.org/10.1590/1518-8345.3454.3235 

Artigo Original

Fatores associados aos riscos de adoecimento da equipe de enfermagem no trabalho em instituição psiquiátrica*

Kayo Henrique Jardel Feitosa Sousa1  2 
http://orcid.org/0000-0002-0901-7752

Regina Célia Gollner Zeitoune1 
http://orcid.org/0000-0002-0276-8166

Luciana Fernandes Portela3 
http://orcid.org/0000-0001-8961-468X

Gisele Massante Peixoto Tracera4 
http://orcid.org/0000-0001-9896-9191

Katerine Gonçalves Moraes4 
http://orcid.org/0000-0002-2064-5207

Rachel Ferreira Savary Figueiró1 
http://orcid.org/0000-0003-1470-7616

1Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Enfermagem Anna Nery, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

2Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Brasil.

3Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Nacional de Infectologia, Laboratório de Pesquisa Clínica em Doença de Chagas, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

4Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Atenção à Saúde São Francisco de Assis, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.


RESUMO

Objetivo:

identificar as associações entre as variáveis sociodemográficas, laborais, condições de saúde, hábitos de vida e os riscos de adoecimento do trabalhador de enfermagem de um hospital psiquiátrico.

Método:

estudo transversal analítico. A amostra de 74 trabalhadores respondeu a um questionário para caracterização sociodemográfica, laboral, levantamento de condições de saúde e hábitos de vida. Para avaliar a percepção dos riscos de adoecimento, na opinião do entrevistado, foram utilizadas a Escala de Avaliação do Contexto de Trabalho e a Escala de Custo Humano no Trabalho. Realizou-se análise descritiva e bivariada, com significância de 5%.

Resultados:

os fatores associados aos riscos de adoecimento foram: queixas de insônia, trabalho noturno e jornada de trabalho.

Conclusão:

há evidências de que as associações entre as variáveis laborais, condições de saúde e hábitos de vida podem prejudicar a saúde da equipe de enfermagem de um hospital psiquiátrico.

Descritores: Condições de Trabalho; Enfermagem Psiquiátrica; Equipe de Enfermagem; Hospitais Psiquiátricos; Saúde Mental; Saúde do Trabalhador

ABSTRACT

Objective:

identify the associations between the sociodemographic, and work variables, health conditions and lifestyles, and the risks of illness of nursing workers in a psychiatric hospital.

Method:

analytical cross-sectional study. The sample of 74 workers answered a questionnaire for sociodemographic, work, health conditions and lifestyles survey characterization. The Work Context Assessment Scale and the Human Cost at Work Scale were used to evaluate the perception of the risks of illness in the interviewee’s opinion. A descriptive and bivariate analysis was performed, with significance of 5%.

Results:

the factors associated with the risk of illness were: insomnia complaints, night work and workday.

Conclusion:

the associations between the work variables, health conditions and life habits can harm the health of the nursing staff of a psychiatric hospital.

Descriptors: Working Conditions; Psychiatric Nursing; Nursing, Team; Hospitals, Psychiatric; Mental Health; Occupational Health

RESUMEN

Objetivo:

identificar las asociaciones entre las variables sociodemográficas, laborales, las condiciones de salud, los estilos de vida y de los riesgos de enfermedad de los trabajadores de enfermería en un hospital psiquiátrico.

Método:

estudio analítico transversal. La muestra de 74 trabajadores respondió a un cuestionario de caracterización sociodemográfica y laboral, condiciones de salud y estilos de vida. Para evaluar la percepción de los riesgos de enfermedad de acuerdo con el entrevistado, se utilizó la Escala de Evaluación del Contexto Laboral y la Escala de Coste Humano en el Trabajo. Se realizó un análisis descriptivo y bivariado, con una significación del 5%.

Resultados:

los factores asociados con el riesgo de enfermarse fueron: las quejas de insomnio, el trabajo nocturno y las horas de trabajo.

Conclusión:

existe evidencia de que las asociaciones entre las variables de trabajo, las condiciones de salud y los hábitos de vida pueden perjudicar la salud del personal de enfermería de un hospital psiquiátrico.

Descriptores: Condiciones de Trabajo; Enfermería Psiquiátrica; Grupo de Enfermería; Hospitales Psiquiátricos; Salud Mental; Salud Laboral

Introdução

A Reforma Psiquiátrica foi um marco na atenção em saúde mental no Brasil. Desde então, muitos avanços podem ser observados na atenção e gestão desses serviços, tendo em vista os processos de desinstitucionalização e desospitalização dos usuários, com reorientação do modelo de assistência psiquiátrica(1). Contudo, permanecem áreas de vazios assistenciais e a necessidade de “substituição do parque manicomial ainda em funcionamento no Brasil”(2), indo ao encontro do princípio de universalização da cobertura à saúde mental no país, com destaque para regiões de baixo desenvolvimento econômico.

Nesse contexto, os serviços de saúde mental produzem situações que afetam as condições de saúde - em particular, dos profissionais de enfermagem -, aumentando os riscos de adoecimento associados à sensação de cansaço físico ao fim da jornada de trabalho, provocada pelo receio de sofrer algum tipo de agressão por parte dos usuários(3), exposição às cargas físicas e psíquicas, condições laborais inadequadas, limitação de autonomia, queixas de estresse, dores no corpo, ansiedade e fadiga, levando ao sofrimento no trabalho(4).

Pesquisa(5) reforça a ocorrência de violência no contexto da psiquiatria, ao identificar prevalência maior de agressões, por parte dos pacientes, aos enfermeiros atuantes em ambientes psiquiátricos, além de apresentarem pior estado de saúde subjetivo e capacidade de trabalho reduzida, em relação aos que atuavam em unidades clínicas e cirúrgicas.

As condições laborais inadequadas e o cuidado à pessoa com transtorno mental com demanda cognitiva considerável representam riscos críticos para o adoecimento do trabalhador de enfermagem(6-7). O trabalho em turnos, situação comum entre esses trabalhadores, mostra-se como forte fator de exposição ocupacional, gerando consequências importantes para a atividade laboral e condições de saúde do indivíduo(8-9). Ainda, os resultados do cuidado - por vezes, fora da realidade -, o estado de vigilância contínuo e insatisfação profissional relacionada à estrutura física, conforto, segurança e salários podem atuar como potencializadores de adoecimento(7,10).

O contexto laboral exige que os trabalhadores lancem mão das características pessoais e equilíbrio físico e mental para o enfrentamento do ritmo de trabalho desgastante, pressão e responsabilidades(11). Soma-se a esse cenário a exposição às longas jornadas de trabalho, comumente observadas em equipes de enfermagem, e associadas à Síndrome de Burnout, descontentamento no trabalho, intenção de deixar a profissão e incremento da insatisfação do paciente(12). Dessa forma, o trabalho realizado em instituição psiquiátrica expõe os profissionais de saúde aos desgastes físicos e psíquicos, contribuindo para o desenvolvimento de diversas doenças e do estresse ocupacional.

Observa-se, então, que certas características do trabalho da enfermagem expõem essa categoria profissional aos riscos ocupacionais diferenciados e, particularmente, preocupantes ao se considerar as instituições psiquiátricas. Tendo em vista o contexto da Reforma Psiquiátrica brasileira, ainda se vê, no cenário da assistência hospitalar, o problema da insegurança profissional quanto seu futuro. A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) prevê a desinstitucionalização como princípio norteador e aumento do número de leitos em hospitais gerais, gerando nos profissionais de hospitais psiquiátricos incertezas quanto à sua inserção nesse processo de trabalho.

Diante do exposto, o objetivo desta pesquisa foi identificar as associações entre as variáveis sociodemográficas, laborais, condições de saúde, hábitos de vida e os riscos de adoecimento do trabalhador de enfermagem de um hospital psiquiátrico.

Método

Trata-se de estudo transversal analítico, desenvolvido no período de março a abril de 2016, em um hospital psiquiátrico público estadual da região Nordeste do Brasil. O hospital - que recebe pacientes vindos de todo o estado e vários estados das regiões Norte e Nordeste - é composto por: Unidade de Internação Integral com 160 leitos divididos em pavilhões masculinos, femininos, geriátrico e clínico; Unidade de Tratamento Anti-Crise, com oito leitos de atenção, sendo quatro masculinos e quatro femininos; Serviço Ambulatorial para atendimentos externos e Serviço de Urgência e Emergência que funciona 24 horas por dia, com assistência de Enfermagem em todas as referidas unidades.

Constituiu a população deste estudo 98 profissionais de enfermagem que atuam na instituição psiquiátrica, sendo 18 enfermeiros e 80 técnicos/auxiliares de enfermagem. Destes, cinco profissionais participaram do pré-teste e três estavam de férias ou licença, sendo a população-alvo 90 participantes (17 enfermeiros e 73 técnicos/auxiliares de enfermagem). Foram considerados elegíveis para o estudo os trabalhadores que atuavam na assistência e excluídos aqueles que atuavam na área administrativa e/ou não prestavam assistência direta ao cliente.

Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, resultou-se na amostra composta por 74 trabalhadores de enfermagem, sendo 14 enfermeiros, 16 auxiliares de enfermagem e 44 técnicos de enfermagem. A amostra final do estudo representou 82,2% da população-alvo. Foram contabilizadas as seguintes perdas: oito trabalhadores por recusa e oito não foram encontrados no período de coleta de dados.

A coleta de dados ocorreu no interior da instituição, com base em entrevistas individuais, realizadas por auxiliares de pesquisa treinadas, sendo cinco estudantes de graduação em Enfermagem e uma enfermeira especialista em Enfermagem do Trabalho.Todas as auxiliares receberam informações quanto aos objetivos da pesquisa, métodos e técnicas, sendo explicados os meandros do instrumento de coleta de dados. Após o treinamento, as auxiliares de pesquisa dirigiam-se à instituição para aplicação do instrumento, agendando os horários para a coleta conforme disponibilidade do participante.

O instrumento de coleta consistiu em um questionário multitemático, estruturado em dois blocos de questões.

O primeiro bloco incluiu questões relacionadas à caracterização sociodemográfica (sexo, idade, situação conjugal e filhos), laboral (categoria profissional, jornada de trabalho, turno e números de empregos), condições de saúde com diagnóstico médico e hábitos de vida (atividade física, lazer e queixas de insônia).

O segundo bloco apresentava os instrumentos utilizados para avaliar os riscos de adoecimento no trabalho, a saber: a Escala de Avaliação do Contexto de Trabalho (EACT), composta por 31 itens divididos em três dimensões - Organização do Trabalho, Relações Socioprofissionais e Condições de Trabalho(13) e a Escala de Custo Humano no Trabalho (ECHT), que possui 32 itens divididos nas dimensões - Custo Afetivo, Custo Cognitivo e Custo Físico(13).

As escalas mencionadas fazem parte do Inventário sobre Trabalho e Risco de Adoecimento (ITRA), um instrumento de domínio público elaborado em 2003 e validado nos anos de 2004 e 2006(13).

As referidas escalas avaliam o risco de adoecimento na opinião do trabalhador. A cada questão é atribuída uma pontuação que varia de 1 a 5, conforme a intensidade do risco. Ou seja, quanto maior a pontuação, mais perceptível é o risco e o escore final é obtido pela média aritmética de cada questão, posteriormente agrupadas para formar as dimensões de risco de adoecimento. Segundo os autores das escalas supracitadas, quando o escore for inferior a 2,29, o ambiente de trabalho não oferece risco ao trabalhador; entre 2,3 e 3,69, o ambiente de trabalho oferece risco moderado e superior a 3,7, risco grave para adoecimento do trabalhador(13). Neste estudo, para maximizar as diferenças entre os grupos, as classificações foram reduzidas de três para dois grupos - com risco de adoecimento (escore ≥ 2,3) e sem risco de adoecimento (escore < 2,3).

Os dados foram analisados com o auxílio do software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 21.0. Na análise das variáveis, foram utilizadas tabelas de distribuição de frequências. Para as análises bivariadas, realizou-se o Teste qui-quadrado de Pearson ou Teste exato de Fisher, adotando-se o nível de significância estatística de 5%. Avaliou-se, ainda, a estimativa do Odds Ratio (OR), com respectivo intervalo de confiança de 95% (IC 95%). A confiabilidade das escalas foi avaliada por meio do coeficiente alfa de Cronbach, demonstrando boa consistência interna do conjunto de itens que compõem os fatores de riscos de adoecimento, variando entre 0,561 e 0,905.

O estudo foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa sob CAAE nº 52679216.7.0000.5238, obtendo Parecer favorável de n.º 1.434.109. O seu desenvolvimento atendeu aos preceitos éticos da Resolução n.º 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde. A coleta de dados só foi iniciada após todas as dúvidas dos participantes serem sanadas e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, assinado.

Resultados

Participaram do estudo 74 (82,2%) trabalhadores, com predominância do sexo feminino (91,9%), sem companheiro(a) (54,1%), sem filhos menores de 6 anos de idade (87,8%), na faixa etária compreendida entre 48 e 72 anos (59,5%), com média de 49 (±9,22) anos de idade. Quanto às características relacionadas ao trabalho, observou-se predomínio de profissionais que trabalhavam até 30 horas semanais (70,3%), com apenas um vínculo empregatício (54,1%) e que desempenhavam suas atividades no período noturno (56,8%). Quanto às condições de saúde e os hábitos de vida, a maioria dos participantes afirmou: praticar atividade física (56,8%), ter tempo para o lazer (78,4%), ter ao menos três problemas de saúde diagnosticados por profissional médico (74,3%) e não sofrer de insônia (66,2%).

De acordo com os resultados apresentados na Tabela 1, foi possível observar que as queixas de insônia eram mais frequentes nos trabalhadores com risco de adoecimento para Relações Socioprofissionais. Isto é, os trabalhadores em risco de adoecimento para relações pessoais têm 4,22 (IC:1,43-12,41) vezes mais chance de referir queixas de insônia. Já em relação à jornada de trabalho, notou-se a sua associação tanto com o risco de adoecimento para a organização de trabalho quanto para as condições de trabalho. Embora não tenham sido observadas associações significativas no que tange à análise da razão de chance, observou-se maior proporção de riscos de adoecimento entre trabalhadores que cumprem jornada semanal acima de 30 horas.

Tabela 1 Associação entre o risco de adoecimento, avaliado pelas dimensões organização do trabalho, relações socioprofissionais, condições de trabalho e as variáveis sociodemográficas, laborais e relacionadas à saúde e hábitos de vida, em trabalhadores de enfermagem de um hospital psiquiátrico. Região Nordeste do Brasil, 2016 (n=74) 

Variável n Risco de Adoecimento
Organização do Trabalho Relações Socioprofissionais Condições de Trabalho
n(%) OR*(IC 95%) p (n)% OR*(IC 95%) p n(%) OR*(IC 95%) p
Sexo
Masculino 06 04(66,7) 1,0 04(66,7) 1,0 06(100) -
Feminino 68 44(64,7) 0,91(0,15-5,37) 0,648 36(52,9) 0,56(0,09-3,27) 0,418 60(88,2) - 0,490
Faixa Etária
23 a 47 anos 30 20(66,7) 1,0 19(63,3) 1,0 26(86,7) 1,0
48 a 72 anos 44 28(63,6) 0,87(0,33-2,32) 0,789 21(47,7) 0,52(0,20-1,36) 0,186 40(90,9) 1,53(0,35-6,69) 0,416
Situação Conjugal
Sem companheiro/a 40 29(72,5) 1,0 21(52,5) 1,0 38(95,0) 1,0
Com companheiro/a 34 19(55,9) 0,48(0,18-1,26) 0,136 19(55,9) 1,14(0,45-2,87) 0,771 28(82,4) 0,24(0,04-1,30) 0,085
Filhos (≤6 anos)
Não 65 43(66,2) 1,0 34(52,3) 1,0 59(90,8) 1,0
Sim 09 05(55,6) 0,64(0,15-2,62) 0,391 06(66,7) 1,82(0,42-7,92) 0,329 07(77,8) 0,35(0,06-2,11) 0,249
Categoria
Enfermeiro(a) 14 09(64,3) 1,0 06(42,9) 1,0 11(78,6) 1,0
Auxiliar/Técnico(a) 60 39(65,0) 1,03(0,30-3,47) 0,595 34(56,7) 1,74(0,53-5,64) 0,351 55(91,7) 3,00(0,62-14,43) 0,169
Jornada de trabalho
≤30 horas/semanais 52 30(57,7) 1,0 26(50,0) 1,0 44(84,6) -
>30 horas/semanais 22 18(81,8) 3,30(0,97-11,12) 0,047 14(63,6) 1,75(0,62-4,87) 0,282 22(100) - 0,051
Número de empregos
Apenas 1 40 27(67,5) 1,0 24(60,0) 1,0 38(95,0) 1,0
Dois ou mais 34 21(61,8) 0,77(0,29-2,02) 0,607 16(47,1) 0,59(0,23-1,49) 0,266 28(82,4) 0,24(0,04-1,30) 0,085
Trabalho Noturno
Não 32 20(62,5) 1,0 14(43,8) 1,0 28(87,5) 1,0
Sim 42 28(66,7) 1,20(0,45-3,13) 0,710 26(61,9) 2,08(0,82-5,32) 0,121 38(90,5) 1,35(0,31-5,89) 0,683
Atividade Física
Sim 42 29(66,7) 1,0 23(54,8) 1,0 36(85,7) 1,0
Não 32 20(62,5) 0,83(0,31-2,17) 0,710 17(53,1) 0,93(0,37-2,35) 0,889 30(93,8) 2,50(0,47-13,30) 0,238
Tempo para Lazer
Sim 58 36(62,1) 1,0 31(53,4) 1,0 51(87,9) 1,0
Não 16 12(75,0) 1,83(0,52-6,39) 0,337 09(56,3) 1,12(0,36-3,41) 0,842 15(93,8) 2,05(0,23-18,08) 0,507
Problemas de Saúde
Até 03 diagnósticos 55 36(65,5) 1,0 30(54,5) 1,0 49(89,1) 1,0
≥04 diagnósticos 19 12(63,2) 0,90(0,30-2,67) 0,857 10(52,6) 0,92(0,32-2,63) 0,885 17(89,5) 1,04(0,19-5,65) 0,666
Queixas de Insônia
Não 49 30(61,2) 1,0 21(42,9) 1,0 43(87,9) 1,0
Sim 25 18(72,0) 1,62(0,57-4,63) 0,358 19(76,0) 4,22(1,43-12,41) 0,007 23(92,0) 1,60(0,30-8,59) 0,451

*OR = Odds Ratio;

IC = Intervalo de confiança;

Não foi possível calcular a medida de associação entre a variável indicada e as condições de trabalho

Os dados da Tabela 2 mostram que a relação entre o risco de adoecimento e as variáveis de estudo expressou-se na associação significativa entre o custo físico e as queixas de insônia. Nota-se que indivíduos que referiram queixas de insônia têm, aproximadamente, três vezes mais chance de apresentar risco de adoecimento para custo físico no trabalho. Resultado semelhante pode ser observado quando se avalia o trabalho noturno, que é 2,70 (IC: 1,05-6,99) vezes maior naqueles com risco de adoecimento.

Tabela 2 Associação entre o risco de adoecimento, avaliado pelas dimensões custo afetivo, custo cognitivo, custo físico e as variáveis sociodemográficas, laborais e relacionadas à saúde e hábitos de vida, em trabalhadores de enfermagem de um hospital psiquiátrico, região Nordeste do Brasil, 2016 (n = 74) 

Variável n Risco de Adoecimento
Custo Afetivo Custo Cognitivo Custo Físico
n(%) OR*(IC 95%) p (n)% OR*(IC 95%) p n(%) OR*(IC 95%) p
Sexo
Masculino 06 03(50,0) 1,0 05(83,3) 1,0 02(33,3) 1,0
Feminino 68 32(47,1) 0,88(0,16-4,72) 0,609 54(79,4) 0,77(0,08-7,14) 0,649 36(52,9) 2,25(0,38-13,11) 0,311
Faixa Etária
23 a 47 anos 30 13(43,3) 1,0 24(80,0) 1,0 15(50,0) 1,0
48 a 72 anos 44 22(50,0) 1,30(0,51-3,32) 0,573 35(79,5) 0,97(0,30-3,09) 0,962 23(52,3) 1,09(0,43-2,77) 0,848
Situação Conjugal
Sem companheiro/a 40 17(42,5) 1,0 30(75,0) 1,0 18(45,0) 1,0
Com companheiro/a 34 18(52,9) 1,52(0,60-3,81) 0,370 29(85,3) 1,93(0,58-6,34) 0,272 20(58,8) 1,74(0,69-4,40) 0,236
Filhos (≤6 anos)
Não 65 30(46,2) 1,0 51(78,5) 1,0 35(53,8) 1,0
Sim 09 05(55,6) 1,45(0,35-5,92) 0,430 08(88,9) 2,19(0,25-19,06) 0,415 03(33,3) 0,42(0,09-1,86) 0,213
Categoria
Enfermeiro/a 14 06(42,9) 1,0 11(78,6) 1,0 05(35,7) 1,0
Auxiliar/Técnico/a 60 29(48,3) 1,24(0,38-4,03) 0,712 48(80,0) 1,09(0,26-4,53) 0,580 33(55,0) 2,20(0,65-7,34) 0,158
Carga Horária
≤30 horas/semanais 52 22(42,3) 1,0 40(76,9) 1,0 23(44,2) 1,0
>30 horas/semanais 22 13(59,1) 1,97(0,71-5,42) 0,186 19(86,4) 1,90(0,47-7,53) 0,278 15(68,2) 2,70(0,94-7,72) 0,060
Número de empregos
Apenas 1 40 22(55,0) 1,0 30(75,0) 1,0 21(52,5) 1,0
Dois ou mais 34 13(38,2) 0,50(0,20-1,28) 0,150 29(85,3) 1,93(0,58-6,34) 0,272 17(50,0) 0,90(0,36-2,25) 0,830
Trabalho Noturno
Não 32 13(40,6) 1,0 24(75,0) 1,0 12(37,5) 1,0
Sim 42 22(52,4) 1,60(0,63-4,07) 0,316 35(83,3) 1,66(0,53-5,20) 0,377 26(61,9) 2,70(1,05-6,99) 0,037
Atividade Física
Sim 42 19(45,2) 1,0 35(83,3) 1,0 22(52,4) 1,0
Não 23 16(50,0) 1,21(0,48-3,04) 0,684 24(75,0) 0,60(0,19-1,87) 0,377 16(50,0) 0,90(0,36-2,28) 0,839
Tempo para Lazer
Sim 58 27(46,6) 1,0 44(75,9) 1,0 27(46,6) 1,0
Não 16 08(50,0) 1,14(0,37-3,47) 0,807 15(93,8) 4,77(0,57-39,43) 0,105 11(68,8) 2,52(0,77-8,19) 0,116
Problemas de Saúde
Até 03 diagnósticos 55 26(47,3) 1,0 42(76,4) 1,0 28(50,9) 1,0
≥04 diagnósticos 19 09(47,4) 1,00(0,35-2,85) 0,994 17(89,5) 2,63(0,53-12,92) 0,188 10(52,6) 1,07(0,37-3,04) 0,555
Queixas de Insônia
Não 49 21(42,9) 1,0 36(73,5) 1,0 21(42,9) 1,0
Sim 25 14(56,0) 1,69(0,64-4,48) 0,284 23(92,0) 4,15(0,85-20,12) 0,061 17(68,0) 2,83(1,02-7,80) 0,041

*OR = Odds Ratio;

IC = Intervalo de confiança

Discussão

As características sociodemográficas da amostra assemelham-se às encontradas em outros estudos(14-15), reforçando o perfil da força de trabalho da enfermagem brasileira com predominância de profissionais do sexo feminino e adultos-jovens.

Os participantes deste estudo mostraram-se em risco de adoecimento fundamentalmente associado ao contexto de trabalho. Nossos achados confirmam a vulnerabilidade ao adoecimento da equipe de enfermagem diante da trama de fatores estressores no ambiente de trabalho, como as demandas física e psíquica, a repetitividade das tarefas, as pressões e responsabilidades, a necessidade de atenção constante, os riscos ergonômicos, a manipulação de materiais com risco de exposição aos fluidos contaminados, a insatisfação salarial e o não reconhecimento pelos pares(14).

No presente estudo, o fato de referir queixas de insônia mostrou-se associado ao risco de adoecimento tanto para relações socioprofissionais como para custo físico. Quanto a isso, estudo comprovou que a equipe de enfermagem de hospitais psiquiátricos reconhece mais os riscos à sua saúde física do que à psíquica, o que denota um trabalho árduo e arriscado. Reforçou ainda a necessidade de ampliação do escopo de conhecimento dos trabalhadores sobre o que constitui risco à sua saúde, tendo em vista que menos da metade da amostra do estudo comunicou a sua última exposição a algum risco ocupacional aos órgãos de gestão dos hospitais(16).

Estudos prévios demonstraram que distúrbios do sono foram relatados por trabalhadores com Burnout(17), ainda que houvesse associação entre insônia e desordens musculoesqueléticas - como dores de cabeça, nas costas e pescoço(18)) - e que é considerável o número de profissionais de enfermagem que comparecem ao trabalho queixando-se de algum sintoma musculoesquelético(19). Alguns estudos(14,18-20) têm indicado que os principais sítios corporais de desordens musculoesqueléticas são as regiões da cabeça e coluna cervical, lombar e torácica.

Dessa forma, a insônia associada ao risco de adoecimento para custo físico representa um problema de saúde ocupacional que geralmente tem causalidade multifatorial, incluindo as dimensões física, psicossocial e ergonômica.

Adicionalmente, destaca-se que a insatisfação com o sono esteve associada aos padrões de atitudes e sentimentos negativos e, por vezes “cínicos”, reforçando os achados desta pesquisa(21). Nessa linha, vale salientar que apoio social, reconhecimento profissional pelos pacientes, superiores e demais membros da equipe, otimismo, prazer e satisfação laboral são fatores protetores ao não adoecimento e as relações de cordialidade e respeito devem ser reforçadas(22).

O estudo mensurou também a associação entre o trabalho noturno e as dimensões de riscos de adoecimento, sendo constatada que é, aproximadamente, três vezes maior a chance de apresentar risco de adoecimento para custo físico entre os trabalhadores do turno noturno em relação ao diurno. Dados da literatura corroboram com os achados desta investigação, uma vez que identificaram que trabalhar à noite aumenta o risco de despersonalização(22), sendo maiores as prevalências de alterações de humor e dores de cabeça entre os trabalhadores noturnos(23). Após o trabalho noturno, aumentou-se o risco de dores de cabeça e nos membros superiores; quando associado às poucas horas de sono, também agrava o risco de dores abdominais e nas costas(24).

Apesar de possuírem demandas laborais menores e ganhos financeiros maiores - considerando os adicionais no salário em relação aos trabalhadores diurnos -, os profissionais de enfermagem do turno noturno têm um processo de trabalho fragmentado e com relações interpessoais muitas vezes conflituosas e/ou ausentes, por baixa supervisão e menor quantitativo de pessoal, podendo provocar isolamento social e adoecimento físico e mental(21).

Delineia-se, assim, a importância do equilíbrio entre vida privada e profissional e, ainda de se evitar as dissonâncias entre o cronotipo e o turno de trabalho minimizando, dessa forma, as desordens biológicas, o comprometimento do desempenho profissional e das relações sociais e familiares(25).

Diante dos achados aqui apresentados - maiores chances de risco de adoecimento relacionadas a custo físico entre aqueles trabalhadores que trabalham à noite e referiram queixas de insônia -, aponta-se a possibilidade da quantidade de horas de sono atuar como mediador entre o turno de trabalho e o risco de adoecimento, corroborando com estudo prévio(24).

Apesar desta investigação não ter encontrado diferença significante para a razão de chance entre as diferentes jornadas de trabalho, estudo demonstrou maiores prevalências de adoecimentos entre trabalhadores com jornadas laborais extensas(26). O adoecimento em decorrência de jornadas laborais extensas pode ser explicado pela redução no tempo livre - para o sono e recuperação, vivência familiar e social -, além do maior tempo de exposição aos riscos de adoecimento circunscritos ao ambiente laboral(27). Tal aspecto foi relatado por enfermeiros em pesquisa qualitativa, ao atribuírem o adoecimento à sobrecarga de trabalho e falta de tempo para o cuidado de si(28).

A enfermagem ainda aparece como a categoria profissional que cumpre maior jornada de trabalho entre as de saúde(29). Estudo revelou que, apesar de compreenderem positivamente seu labor como uma relação de cuidado, os trabalhadores de enfermagem reconhecem as deficiências e carências associadas à organização e às condições de trabalho - como a sobrecarga de trabalho, falta de autonomia e déficit de pessoal e material -, apontando-se, assim, um trabalho ambivalente(30). É importante destacar que longas jornadas laborais estiveram associadas às condições de trabalho inadequadas, sobrecarga de trabalho e estresse(31).

Estudo apontou que a redução da jornada laboral torna o trabalho mais prazeroso, com melhoria da recuperação, menor exigência energética, melhorias na qualidade da assistência e promoção de equilíbrio entre vida pessoal e profissional(32). Esses resultados coadunam com os debates atuais a favor da redução da jornada semanal de trabalho, considerando que esse fator caracteriza-se como estressor sistêmico, representando um grave e desafiador problema de saúde ocupacional.

Apesar de não ter havido referência significativa - nesta pesquisa - sobre o impacto na esfera psíquica (custo afetivo e cognitivo) dos indivíduos entrevistados, o trabalho dentro de hospitais psiquiátricos tem grande potencial de afetar sua estabilidade emocional.

Para além das situações agudas ou surtos psicóticos, que colocam todos os trabalhadores de instituições psiquiátricas em estado constante de alerta e de tensão emocional, existe o fato de que os pacientes cuidados numa instituição psiquiátrica são indivíduos estigmatizados pela sociedade e estão em processo de reabilitação. A equipe de enfermagem, sendo a que mais permanece em contato com estes indivíduos - estando, por isso, mais tempo numa relação face a face com o sofrimento alheio -, lida com eventos crônicos, cujo horizonte ou perspectiva de melhora ou cura é lento, quiçá, distante. Tal realidade pode se traduzir em frustação para a equipe de enfermagem, que geralmente não vê o retorno do seu esforço e empenho.

Trabalhar em ambiente sem a devida estrutura, sem o reconhecimento franco e a valorização dos colegas que compartilham o ambiente laboral, somado aos salários baixos e longas jornadas, são fatores que também impactam negativamente na saúde deste trabalhador, deixando-o mais vulnerável ao adoecimento. Por outro lado, fatores como o reconhecimento social, boas relações no trabalho, boa remuneração e jornadas de trabalho justas, funcionam como elementos protetores ao não adoecimento e devem ser reforçados.

Deve-se atentar, também, para o fortalecimento do conjunto de saberes dos trabalhadores em enfermagem sobre o que pode constituir risco real à sua saúde, mediante ações de educação em serviço. Uma vez esclarecido sobre os diferentes tipos de riscos aos quais está exposto no seu ambiente laboral, esse trabalhador de enfermagem poderá criar estratégias para minimizar as diferentes ameaças à sua saúde, não apenas no âmbito físico, mas também emocional.

Os resultados deste estudo, porém, alertam para se pensar em soluções para os trabalhadores do turno noturno que normalmente ficam à margem das iniciativas de educação em serviço; ou seja, as ações educativas geralmente são elaboradas e implementadas para os trabalhadores do turno diurno. Esse “isolamento/distanciamento” dos demais membros da equipe de enfermagem pode levar a uma sensação de “não pertença” do grupo, afastando ainda mais o trabalhador do turno da noite, do sentimento de fazer parte de uma equipe que trabalha de forma colaborativa visando a recuperação do indivíduo com problemas de saúde mental.

As limitações do estudo dão-se devido ao tamanho da amostra e ao delineamento do estudo, pois, apesar de atender aos objetivos propostos, 74 profissionais de enfermagem na área hospitalar, não uniformiza o contexto de enfermagem em psiquiatria existente no Brasil e impossibilita análises estatísticas mais rebuscadas, além de não ser possível fazer inferências causais.

Conclusão

Os resultados confirmaram que existem associações entre as queixas de insônia, o trabalho noturno e a jornada de trabalho acima de 30 horas semanais e os riscos de adoecimento, fundamentalmente associado ao contexto de trabalho. Concluímos, dessa forma, que há evidências de que as associações entre as variáveis laborais, condições de saúde, hábitos de vida e os riscos de adoecimento referentes às dimensões do contexto e custo humano no trabalho, podem prejudicar a saúde da equipe de enfermagem que atua no hospital psiquiátrico. Assim, este estudo contribuirá, sobremaneira, ao conhecimento dos fatores de risco que geram adoecimento dos profissionais e mais especificamente a intensidade e a percepção desses fatores pelos profissionais, no contexto de trabalho da área de enfermagem psiquiátrica.

*Artigo extraído da dissertação de mestrado “Fatores associados aos transtornos mentais comuns entre trabalhadores de enfermagem em um hospital psiquiátrico”, apresentada à Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Enfermagem Anna Nery, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

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Recebido: 07 de Março de 2019; Aceito: 22 de Setembro de 2019

Autor correspondente: Kayo Henrique Jardel Feitosa Sousa. E-mail: kayohenriquejardel@hotmail.com

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